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domingo, 5 de novembro de 2017

COLEÇÃO CANGAÇO: LIVROS SOBRE O CANGAÇO EDITADOS NO EXTERIOR. (FRANÇA E ITÁLIA).

Por Ângelo Ormiro Barreto






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JUMENTO - UM DOS MAIORES SÍMBOLOS DOS SERTÕES NORDESTINO. VIVA E DEIXE VIVER O POBRE 'JEGUE'

Por Sálvio Siqueira
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"O JUMENTO É NOSSO IRMÃO" NA VOZ INIMITÁVEL DO GRANDE "REI DO BAIÃO", O NOSSO 'LUA', O ETERNO LUIZ GONZAGA.

Música O Jumento é Nosso Irmão com Luiz Gonzaga.
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"O Jumento É Nosso Irmão" por Luiz Gonzaga ( • )

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EVOLUÇÃO POLÍTICO ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DO SERIDÓ/RN

Por Maria José Costa Fernandes (Zezé Costa)
São Joseense e professora de Geografia na UERN   Crédito da imagem: Acervo pessoal da Profa. Maria José Costa Fernandes (Zezé Costa)

O SURGIMENTO DO POVOADO DE SÃO JOSÉ DA BONITA

O povoado de São José da Bonita, teve sua fundação oficializada em 04 de novembro de 1917, tendo como marco, a realização de uma feira livre numa latada coberta com palhas, feita no entorno de um grande tamarindeiro. Nesta feira, destacavam-se os gêneros alimentícios e as “fazendas” (tecidos). Atualmente, no local da 1ª feira, está o Mercado Público, que fica no centro comercial da cidade.

O povoamento foi-se dando de forma proposital, ao mesmo tempo, obedecendo ao pensamento comum dos fazendeiros. O substrato da economia local era a pecuária e a cotonicultura.

No mesmo ano, por ocasião da noite de Natal, ao lado da latada da feira, o Pe. Antônio Vicente da Costa celebrava a 1ª missa, numa barraca ornamentada por dona Berila Medeiros, de acordo com informações colhidas durante as entrevistas. Essa latada, também foi palco de uma violenta briga, que teve como resultado a morte do 1º delegado do povoado, Sr. Manoel Theodoro, em 01/04/1918.

Rua da Prefeitura, Câmara de Vereadores, antiga Maternidade e Sindicato dos Trabalhadores Rurais -  Crédito da imagem: Acervo pessoal da Profa. Maria José Costa Fernandes (Zezé Costa)

O Mercado Público de São José foi inaugurado em 1920, sendo considerado uma das construções mais importantes para o núcleo urbano do Povoado, possuindo significativo valor histórico e cultural para o município até os dias atuais. Registra-se que a Feira Livre da cidade se concentra no entorno do Mercado Público aos domingos, resiste ao tempo, mesmo com grandes supermercados na cidade.
            
Podemos dizer que a povoação foi muito promissora, principalmente no tocante à questão comercial, que era simultaneamente varejista a atacadista. Geralmente o dono da mercearia era quem comprava o algodão. Então havia aquela “arrumação” ou “acordo” no início do ano entre comerciantes e fazendeiros, para que estes comprassem “em grosso” e pagassem com a colheita do algodão.
            
Além das casas, posterior a fundação do povoado, teve início a construção da Capela de São José, com recursos da comunidade. Em 1917, foi fincada a pedra fundamental para sua construção, mas o seu início, de fato, foi em janeiro de 1918 e a conclusão em 1920.“Seus altares foram construídos em 1922” (MEDEIROS, 1998).
            
A primeira Festa do Padroeiro São José aconteceu em 19 de março de 1918. Porém em 1921, isso mudou, devido às chuvas e a época da colheita do algodão, que geralmente ocorria de setembro a outubro. Justifica-se a mudança por que no mês de março, quando é comemorado o dia de São José, não havia colheita do algodão e as pessoas não tinham dinheiro para arrematar as “prendas” do leilão. Com isso, a Capela arrecadava pouco dinheiro.

De acordo com relatos, o Sr. Justino Pereira Dantas foi um dos principais articuladores dessa mudança do período da festa do padroeiro, ou seja, de março para setembro, já que ele era tio de Monsenhor Walfredo Gurgel, que tinha influência considerável junto ao bispado caicoense da época.

O Cemitério Público também foi uma das primeiras construções do povoado. Em 1918 foi sepultado no mesmo um morador do povoado, o senhor José Mindé Pereira.

Na década de 1920, com o surgimento de Cruzeta, houve um declínio no crescimento do povoado local, visto que essa, passou a “atrair” pessoas do povoado local para lá.

Pode-se dizer que além da necessidade comercial, outro fator que influenciou na consolidação do povoado, foi a religiosidade dos moradores, já que na época das festas religiosas e das missas (que eram raras), os fazendeiros e moradores vinham com suas famílias para a sede do povoado.

A paisagem urbana chama atenção pelas casas geminadas. De acordo com entrevistados “Inclusive, tinha agropecuaristas que permitiam que seu amigo fazendeiro construísse sua casa parede meia com a dele, já economizando uma parte”. Ainda hoje é possível observar nas casas mais antigas, principalmente na Rua Manoel Theodoro e Avenida Justino 

Dantas, algumas residências que ainda apresentam essa característica arquitetônica de casas geminadas.

As casas geminadas são cada vez mais raras no Seridó Potiguar, portanto é importante que haja preservação desse importante patrimônio arquitetônico histórico valioso, presente no nosso município.

A religiosidade dos pioneiros do povoamento bonitense pode ser considerada como um elemento importante da formação territorial do município, e está presente na cultura popular até os dias atuais.

Igreja Matriz de São José do Seridó - Crédito da imagem: Acervo pessoal da Profa. Maria José Costa Fernandes (Zezé Costa)

A maior devoção religiosa da população é ao glorioso São José, comemorado anualmente durante o mês de setembro nas festas do padroeiro. Nos dias atuais a população apresenta outras devoções religiosas significativas, como Nossa Senhora da Luz (padroeira do Bairro Nova Bonita), Santa Luzia (padroeira da comunidade rural Caatinga Grande), São Paulo (padroeiro da comunidade rural São Paulo) e Nossa Senhora Aparecida (localizado no Monte de dona Vitória).


A PASSAGEM DE DISTRITO MUNICIPAL PARA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

Com o Decreto nº 603 de 31 de outubro de 1938, São José da Bonita deixou de ser povoado e passou à categoria de Distrito Municipal de Jardim do Seridó, tendo como sede a Vila que a partir daí, teve sua denominação alterada, passando a ser chamado de São José do Seridó, por determinação do Poder Judiciário. Seridó designava a região sertaneja que o Distrito pertencia, nome que prevalece até os dias atuais.

Essa passagem de Povoado a Distrito foi importante para que houvesse a possibilidade de instalação de um Cartório no local, facilitando a vida dos moradores, já que tudo era centrado em Jardim do Seridó.

A instalação desse Cartório objetivava, principalmente, fazer os registros de nascimento, óbitos e as escrituras de imóveis das propriedades rurais e das residências da zona urbana.

Isso só se tornou possível, graças a articulação de alguns moradores do lugar, junto as lideranças jardinenses. São José, também tinha representantes na política jardinense. É o caso de Justino Pereira Dantas, que foi vereador por quatro vezes e prefeito interino por duas vezes.

Com o passar das décadas, os moradores do Distrito de São José estavam insatisfeitos com a administração municipal de Jardim do Seridó, pelo fato do mesmo não receber investimentos frequentemente e, por isso, buscaram sua soberania em relação ao município de Jardim do Seridó. Também contribuiu para impulsionar o processo de emancipação política, o desmembramento que estava ocorrendo em outros municípios no Rio Grande do Norte e na Região Seridó, como é o caso do município de Santana do Seridó (que obteve sua emancipação política em 10 de maio de 1962 com a Lei nº 2770).

De acordo com a Ata de Instalação do Município, São José do Seridó foi criado pela Lei nº 2793 de 11 de maio de 1962, elaborada pelo vereador Moisés Sátiro da Silva, ratificada pela Lei nº 2841 de 26 de março de 1963. O prefeito de Jardim do Seridó, em cuja gestão foi criado esse município, era Joaquim Alves da Silva.

Por Decreto de 03 de abril de 1963, publicado no Diário Oficial nº 305 de 04 de abril de 1963, o então governador Aluísio Alves nomeou João Raimundo Pereira (Cabloco João) como prefeito municipal. A sessão solene de instalação do município aconteceu no dia 07 de abril de 1963 e realizou-se no prédio do Grupo Escolar Jesuíno Azevedo, às 10:00 horas. O primeiro prefeito eleito foi José Cirilo Alves em 1964.

Relacionamos alguns nomes que estiveram empenhados no processo de emancipação do município como Miguel Cirilo, José do Carmo Dantas, João Nóbrega de Azevedo, Raul de Medeiros Dantas, juntamente com toda a comunidade.

O município de São José do Seridó – RN, está localizado na Microrregião do Seridó Oriental, que faz parte da Mesorregião Central Potiguar.

O município limita-se ao Norte com Cruzeta; ao Sul com Jardim do Seridó; ao Leste com Acari; ao Oeste com Caicó. A sua posição geográfica é determinada pelas coordenadas geográficas de 6º26’57” de latitude Sul e 36º52’40” de longitude Oeste. A distância rodoviária da cidade à Natal é de 240 Km e 192 Km em linha reta.

O mesmo está situado a 200m de altitude, numa área de 194,9 Km². De acordo com a contagem de população feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1996, o município apresentava um total de 3462 habitantes, sendo 2304 na zona urbana e 1158 na zona rural, apresentando uma densidade demográfica de 17,8 hab/Km².

A intensa urbanização é resultado da migração rural urbana, também chamada de êxodo rural, embora a zona urbana possua uma intensa relação com a zona rural, que por sua vez possui comunidades rurais bastante representativas como a Caatinga Grande, Sítio São Paulo e Barragem Passagem das Traíras.

REFERÊNCIAS

COSTA, Maria José (et al). Estudando alguns aspectos demográficos do município de São José do Seridó – RN. Caicó: [s.n.], 1999. (Mimeogr.)
______. A cidade de São José do Seridó em seu movimento histórico - espacial. Caicó: [s.n.], 2000. (Mimeogr.)
MEDEIROS, Edite. Resumo em geografia e história de São José do Seridó -RN. São José do Seridó: Editora do Autor, 1998.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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ANÁLIA FERREIRA DA SILVA IRMÃ DE LAMPIÃO

Por Paulo George Pereira

ANÁLIA FERREIRA não era esposa de Vírgínio Fortunato da Silva o MODERNO. A esposa de MODERNO era ANGÉLICA FERREIRA que se casou em 1926, e faleceu três meses depois. do casamento. 

Ezequiel está em pé atrás de Lampião e Moderno.

MODERNO perseguido pela polícia, em 1927 entra no bando com seu cunhado EZEQUIEL FERREIRA. 


ANGELICA FERREIRA, é a pessoa da foto de número 14, ao lado de LAMPIÃO:

Filhos de Anália Ferreira - Foto enviada por Daniel Moura para José Mendes Pereira

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RELATOS DO SOLDADO ANTÔNIO JACÓ MAIS CONHECIDO COMO MANÉ VEIO

Por Chales Garrido

Prezados, saudações.

É sempre uma grande alegria poder reencontrá-los, reafirmando o carinho e respeito por todos os leitores da página, sempre valorizando o trabalho dos pesquisadores que aqui inserem seus respectivos trabalhos.

Soldado Antônio Jacó o Mané Veio

Hoje, trazemos o relato do soldado Antônio Jacó, mais conhecido como "Mané Veio", quando o mesmo participara do combate em que foram abatidos três cangaceiros. Tive acesso a esse áudio, quando das inúmeras visitas que fiz ao pesquisador Antônio Amaury, em sua residência, na cidade de São Paulo.

Eleonora vivia com o cangaceiro Serra Branca, chefe de um subgrupo com aproximadamente cinco cangaceiros, por sinal, pouco conhecido por viver sempre escondido em terras alagoanas. Os componentes desse bando não ganharam destaque em combates, saques ou crimes, fugindo da realidade do mundo que cercava os caminhos do banditismo, vida cheia de entrechoques perigosos e violentos.

No dia vinte de fevereiro de mil novecentos e trinta e oito, com as rodagens cercadas por volantes, que davam segurança e proteção ao interventor Osmar Loureiro, de viagem pelo sertão alagoano. O tenente João Bezerra deixara sua volante nas proximidades do Inhapí, ao cômodo do soldado Juvêncio, totalizando nove homens na composição, arranchados perto de uma cacimba. 

Todos estavam bem à vontade, desarreados dos "bornais ", chapéus e cartucheiras, estando alguns sem alpercatas.

Com o amanhecer, entre nove e dez horas, enquanto Antonio Jacó tirava água do riacho, observou um cachorro que se aproximou da cacimba e desconfiou que, pela ornamentada coleira que possuía, só podia ser de algum cangaceiro. Ele tinha razão, era o grupo de Serra Branca, que vinha se aproximando.

O chefe trazia nas costas uma banda de bode, sendo seguido pela mulher, Eleonora, e mais dois companheiros, entre eles o Ameaça. Antonio Jacó viu quando o soldado Cornélio levantou e empunhou o fuzil, se preparando para atirar, enquanto ele ajeitava na cintura, suas cartucheiras com vinte e cinco capsulas. O tiro zoou, partindo da arma de Cornélio. Jacó correu em perseguição aos cangaceiros, sendo acompanhado pelo soldado Zé Gomes. Na frente de Antonio Jacó, corria o cangaceiro Serra Branca, mais adiante, tentava fugir Eleonora . Jacó gritou:

- Se vira pra brigar!

Eu atirando... atirando e correndo. Aqui e acolá ele (o cangaceiro) se virava, dava um tiro e corria. Até que se apadrinhou numa catingueira, mas ficou assim meio de fora, aí tive a oportunidade de atirar nele. A bala pegou assim na altura da pá com as costelas, e saiu do outro lado. Ele se torceu, jogou a banda de bode pra um lado e correu. Ai eu vi que o ferimento era grave, pois estava sangrando muito. Quando ele saiu correndo, eu sai na carreira atrás dele de novo. Adiante tinha um riacho, ele pulou embaixo, já com pouca força. 


O riacho tinha um metro e meio de fundura, mas estava seco. Na carreira que eu ia, nem deu pra parar na ribanceira. Ele tava com o rifle armado e pronto para atirar, aí eu pulei em cima dele. Ele assombrou-se com o que viu e correu. Quando virou as costas, aproveitei e atirei. Ele caiu debruçado. Mas vi que não tinha morrido. Quando caiu, a mulher (Eleonora) que ia à frente, viu que ele não podia mais correr, virou-se e abriu os braços. 

Não sei porque ela abriu os braços assim, porque foi tudo rápido, não deu para pensar em nada. Naquele instante, Zé Baixinho, vinha atrás de mim, sem eu saber, acompanhando aquela correria toda. Ele mirou o mosquetão e atirou na mulher de braços abertos e acertou bem no meio da testa . Foi um tiro só. Ela tombou no chão na mesma hora.

O soldado Zé Baixinho, aproximou-se de Serra Branca . O cangaceiro apesar dos tiros que havia tomado, levantou-se e atirou, Zé Baixinho caiu entre os matos. 

Dei mais um tiro nele e acabei de matar. Zé Baixinho levantou-se apenas atordoado pelo susto, sem ser ferido. 

Eu cortei a cabeça do casal, amarrei um crânio no outro pelos cabelos e retornamos à cacimba, onde estávamos arranchados .

Ao chegar lá, Cornélio estava com a cabeça do cangaceiro Ameaça, separada do corpo, cortada a golpe de facão".

Fim do Depoimento.

Informações complementares:

Os soldados levantaram as cabeças cortadas mostrando-as aos outros. Depois de alguns minutos de conversa, diante da observação do tenente João Bezerra, foi que eles foram ver que Antonio Jacó, tinha perseguido os cangaceiros, estando descalço, sem camisa e sem chapéu.

A volante retornou à Piranhas-Al, transportando as cabeças. De lá, foram para Pedra (atual Delmiro Gouveia ), seguindo rumo à Santana do Ipanema, onde entregaram os "troféus" aos coronéis Zé Lucena e Teodoreto de Camargo Nascimento. Antonio Jacó foi promovido a cabo, pelo ato de bravura. Porém, não quis aceitar e repassou à patente ao amigo Juvêncio.

Em Santana do Ipanema, os soldados Cornélio, Zé Baixinho, Elias, Otacílio, Zé Gomes e mais alguns companheiros, prestaram contas aos superiores hierárquicos, tendo por provas o espólio das vitimas abatidas em combate.

Entre as macambiras espinhentas da caatinga, três corpos alimentavam animais selvagens, enquanto na fazenda Lajedo do Boi, os pais de Eleonora sofriam a perda da filha querida . 

O Padre Demuriês, pároco na região de Mata Grande, Canapi, Inhapi, criava em segredo o filho de Eleonora e Serra Branca, um menino chamado Francisco de Sá.

Assim que ficou sabendo da morte da amiga cangaceira, convocou alguns fiéis e foi em segredo, enterrar os corpos, chegando com facilidade ao lugar, sendo auxiliado por vaqueiros conhecedores da região. No local, o padre encomendou as pobres almas e as enterrou em covas rasas.

Vamos à análise da "foto-montagem", por gentileza:

1 - As três cabeças em cima de um caixote de madeira, tendo ao lado o espólio do bando. Pela ordem, da esquerda para direita; Serra Branca, Eleonora, e Ameaça.

2 - A volante posa ao lado dos "troféus". O tenente João Bezerra, que cinco meses adiante seria o homem a comandar o combate do Angico, é indicado pela seta verde. Antônio Jacó é marcado na imagem com uma seta vermelha. Zé baixinho, o de seta preta.

3 - Outro momento da volante, Antônio Jacó, é indicado pela seta vermelha.

4 - Amigos, vejam como o nosso trabalho é sacrificante. Essa imagem que vocês podem observar, é exatamente o momento em que, no ano de dois mil e doze, o pesquisador Luiz Ruben e eu, procurávamos o exato local onde ocorreu esse fatídico episódio. Na ocasião, andamos aproximadamente cinquenta quilômetros, batendo de porta em porta, perguntando a um e a outro, destruindo o veículo em estradas carroçáveis horrendas, e nada conseguimos encontrar. Ninguém sabe...ninguém viu...tudo se perdeu. Porém, fiquem certos de uma coisa, foi exatamente nessas imediações em que a foto foi batida, que aconteceu o combate.

5 - A última foto de Antônio Jacó (falecido em 2002), cedida gentilmente pela minha querida amiga, Maria Luíza Rodrigues, cunhada dele.

Amigos, creiam, vocês são a razão maior do nosso trabalho.
Um grande abraço e até breve.

Charles Garrido
Pesquisador - Fortaleza-CE.

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MINHA VIDA - MÚSICA DE AUTORIA DE LAMPIÃO

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MINHA VIDA – Faixa do CD Memória Musical do Cangaço. PESQUISA: Anildomá Willians de Souza e Cleonice Maria. PRODUÇÃO MUSICAL: Karl Marx e Rui Grudi.
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José João Souza

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DA FAMÍLIA DO SINHÔ PEREIRA (CANGACEIRO)


Coronel Andrelino Pereira da Silva (Barão do Pajeú), nasceu em 1823, proprietário fundador da fazenda Pitombeira, em Serra Talhada.

Manoel Pereira da Silva

Filho do Comandante Superior Manuel   Pereira, a fazenda pitombeira foi destaque na história do Pajeú, aclamado Barão aos 10 de dezembro de 1888, substituiu o pai no comando político local, foi primeiro Prefeito de Vila Bela, entre os anos de 1892 a 1895, faleceu no ano 1901.

http://familiapereira.net.br/historia/

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sábado, 4 de novembro de 2017

UM SERTÃO DE CRAIBEIRAS E FLORES DOURADAS

Por Rangel Alves da Costa

Nesta época do ano, os sertões já começam a se enfeitar com roupagem nova de suas craibeiras. Quando florescem, contrastando com as paisagens entre o esverdeado e o acinzentado, as craibeiras passam a deslumbrar os olhares pela beleza de sua copa tomada de flores amareladas, douradas, que brilham ao sol e se derramam ao leito como majestoso tapete.
Perante as craibeiras nas ruas, avenidas e estradas, o sertanejo até se sente em outro lugar. Difícil é imaginar que de seu chão tantas vezes tão ressequido e tão sofrido, de repente floresça algo assim tão majestoso e encantador. Não só nas craibeiras como em outras árvores de ornamentação que a partir deste mês florescem em cores vivas, lilases, avermelhadas, sempre bem fortes e chamativas. Ora, quem é sempre acostumado com a flor amarelada da catingueira ou a esbranquiçada do mandacaru, logo se sente num mundo diferente.
Mas apenas o mundo sertanejo com suas surpresas e seus encantos. Por isso mesmo que as craibeiras são vistas como simbologias de um outro sertão possível de existir: o sertão bonito, frutificante, grandioso e de inigualável beleza. Também a sensação de que por cima da aridez da terra há muito mais a ser descoberto, tanto na natureza como no próprio homem. O sertanejo poeta de sua própria vida, o sertão poesia na sua própria existência.
E conheço uma craibeira de beleza especial: a craibeira na beira da estrada do Curralinho. Mas não uma simples craibeira, mas a craibeira mais linda e mais suntuosa do mundo, a craibeira mais florida e mais viva da terra. E o que mais desperta aos sentimentos: tamanha beleza em meio a uma paisagem sofrida, de pouca chuva e pouco verde, onde o marrom e o acinzentado se alastram e a poeira do chão se levanta a cada passagem. Mas é nesta moldura que está a craibeira.
O retrato: a estrada de chão batido, entremeada de pontas de pedras e secura, num caminho tipicamente sertanejo, pois ladeado por cercas de arames farpados, plantas rasteiras e ressequidas, tufos de matos, tendo alguma vegetação carcomida de sol pelos arredores, numa angustiante desolação, mas ao mesmo tempo a presença, bem no beiral da estrada, da imponente craibeira. Quem, entre a surpresa e o fascínio, não duvidará de estar em outro mundo que não o sertanejo?
Mas está no sertão, sim senhor. A craibeira é tão sertaneja como o próprio homem da terra, é tão matuta quanto a catingueira, o mandacaru e o xiquexique. Contudo, não é fácil de ser encontrada. Daí sua beleza ainda maior ao surgir como surpresa ao olhar, daí sua magia ao ser avistada até como uma impensável florada sertaneja: flores amareladas, vivas, de um dourado ora mais singelo ora mais suntuoso, sobressaindo perante tudo o que houver na paisagem ao redor.
A verdade é que o florescer das craibeiras se torna a mais bela poesia sertaneja. Mesmo ainda distantes, logo os olhos divisam aquelas cores majestosas tomando a copa das árvores defronte às moradias, casebres longínquos, beiras de estradas, sempre se sobressaindo nas paisagens. Talvez vaidosa demais, mas a verdade é que as craibeiras gostam de crescer afastada de outras árvores, em local onde possam florescer e logo serem reconhecidas pela beleza de suas cores.
A partir de setembro, em plena estiagem, com tudo ao redor acinzentado e quando o clima começa a esquentar ainda mais, eis que elas desafiam a paisagem e irrompem com suas folhas amareladas. E basta o florescer imponente para que tudo se transforme ao redor, vez que as atenções não serão outras que não para a árvore símbolo da beleza em meio ao impensável.
E não obstante as copas douradas, revestidas de um amarelo tão vivo que chega a brilhar à luz do sol, o chão logo abaixo também se transforma num tapete de incomparável formosura. E o mais incrível é que as flores surgem desnudadas de folhas; ou seja, vão desabrochando junto aos galhos e tomam toda a copa das árvores, atraindo pássaros, borboletas, abelhas e principalmente o olho humano. 
Eis, assim, retratos de um sertão florido, cativante e belo, pelas floradas das craibeiras.


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SÃO JOSÉ DO SERIDÓ/RN - 100 ANOS DE FUNDAÇÃO - 04 DE NOVEMBRO DE 1917 - 04 DE NOVEMBRO DE 2017.

Por Zezé Costa

Lugar de Memórias... Rua 13 de Maio (Bairro Liberdade), em períodos distintos (2000 e 2016) representada nesta imagem na mesma tonalidade, para percebermos melhor as mudanças na paisagem. 

Fotos: Arquivo pessoal de Zezé Costa

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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EZEQUIEL FERREIRA VULGO "PONTO FINO"

Por José Romero de Araújo Cardoso

Amigo Mendes, boa tarde!

Parabéns pelo excelente artigo sobre Ezequiel Ferreira, vulgo "Ponto Fino".

Só uma ressalva. Ezequiel, irmão caçula de Lampião tinha boa pontaria. Foi ele o responsável pela morte de Raimundo Luiz, delegado, sub-prefeito e fundador da localidade de Cantinho do Feijão, hoje município de Santa Helena/PB. 

Lampião e Ezequiel Ferreira seu irmão caçula

O crime ocorreu quando do primeiro deslocamento do bando, intuindo atacar Mossoró, em maio de 1927. Pois, inicialmente estava previsto para o mês de maio a lousada investida sobre a capital do oeste potiguar. 

Lampião e o bando foram barrados na  localidade de Belém do Rio do Peixe, hoje município de Uiraúna/PB. O chefe da horda assassina descobriu ter sido ludibriado, pois as balas que lhes venderam estavam "chocas". Então, rumaram para Aurora/CE, a fim de refazerem-se do revés em terras do poderoso coronel Isaías Arruda.

Raimundo Luiz morreu defendendo o lugarejo. Ele era o pai do cordelista Raimundo Santa Helena, sendo que este poeta popular nasceu em seis de abril de 1926, contando poucos mais de um ano de idade quando do ataque do bando de Lampião à localidade paraibana, divisa com o Estado do Ceará.

Dona Rosinha viúva do desditado Raimundo Luiz, estava grávida. Lampião queria abrir o ventre da pobre mulher, para ver qual era a cara do filho de um "macaco de polícia". 


Não o fez em razão da oportuna intervenção de Jararaca, pois esse cangaceiro, martirizado em Mossoró a 19 de junho de 1927, mostrou-se agradecido à mulher marcada para morrer, devido à forma extremamente humanitária como foi tratado quando em leva de retirantes deslocava-se de Pernambuco em uma grande seca que assolou o Nordeste, talvez a de 1915 ou 1919.

A viúva de Raimundo Luiz suicidou-se no Rio de Janeiro, onde morava, na companhia do filho Raimundo Santa Helena e família, atirando-se do alto de uma cachoeira na floresta da Tijuca, quando ficou sabendo que Lampião teria uma estátua no topo da serra que enfatiza o topônimo atual do antigo termo de Villa Bela (hoje município de Serra Talhada, Estado de Pernambuco).

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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MAESTRO BATISTA E NELSON NED

Por Lindomarcos Faustino

Maestro Batista ao piston, acompanhando o cantor Nelson Ned em um dos memoráveis shows na Praça Vigário Antônio Joaquim, promovidos pela Rádio Rural de Mossoró. Meados da década de 70.

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CAMINHOS DO PAJEÚ


O livro "Caminhos do Pajeú" é de autoria do escritor Luiz Cristovão dos Santos uma bela obra prefaciada pelo escritor de nome e renome José Lins do Rego. 

Escritor José Lins do Rego

Eu estou o lendo e é um excelente trabalho, presente que recebi do professor Pereira lá da cidade de Cajazeiras no Estado da Paraíba. 

Adquira-o o quanto antes através deste e-mail: franpelima@bol.com.br

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LAMPIÃO ATACA A CASA DAS PEDRAS, NAS PORTEIRAS, VILLA BELLA

https://www.youtube.com/watch?v=Ts6V3QWsACw&feature=share

O vídeo é uma criação de Verluce Ferraz, a partir de imagens das ruínas da Casa de Pedras, nas Porteiras, em Villa Bella - pertencente a Henrique Mello, - na montagem entram Quirino Silva, Paulo George, Célia Maria - fazendo a performance de Lampião do Século XXI.

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ANTONIO SILVINO.

Por Medeiros Braga

"Antonio Silvino falava
Como a defender os filhos,
E um dia a engenheiros
Mostrou alguns empecilhos:
Se não pagar por seus usos
Vou quebrar seus parafusos
Vou arrancar os seus trilhos.

Esteve com o coronel
De nome Francisco Sá
Disse a ele o que pensava
E chegou mesmo a cobrar
Dos ingleses tão cruéis
Uns trinta contos de réis
Para poder transitar.

Disse mais ao coronel
Que trilhos arrancaria
Se não fosse pago a conta
Desses contos que exigia,
O coronel vendo exposta
Garantiu que a proposta
Aos ingleses levaria."
************************* 
Este é o 2º Cordel que componho nos últimos 30 dias, sendo "A Guerra dos Bodopitás" e Antonio Silvino com 96 estrofes. Eis, algumas. Espero que gostem.

ANTONIO SILVINO
Agitavam-se as matas
Existentes no sertão
Com o vento, a chuva, raios,
E relâmpagos e trovão.
Corre a onça para toca,
Os coelhos vão à loca,
Voa à mata o gavião.

Com a vinda da justiça
Que tantos erros causou
Surgiu, preciso, o cangaço
Que bom tempo perdurou.
Voltava a ser agitada
Toda mata, a passarada
Que de tiro se assustou.

Por falhas judiciárias,
Nas quebradas do sertão
Passavam bandos fazendo
Justiça com a própria mão,
Como então fez Jesuíno,
Logo mais Antonio Silvino
E bem depois, Lampião.

Não poderia esquecer
Do crime macabro, horrendo,
Contra o senhor João Pereira
Com a justiça cedendo;
Com seu filho “Chico”, então,
Que jurou “Vingança, Não!”
Ao seu pai ali morrendo.

Até o ataque de Souza
Nasceu de uma injustiça.
Um camponês foi surrado
E vendo a justiça omissa
Recorreu a Lampião
Que cedeu à invasão
Aos irmãos nessa premissa.

Também nesse bando havia,
Rancoroso, um cangaceiro,
Que foi preso, injustamente,
Como sendo um bandoleiro;
Nessa moeda de horror
O juiz e o surrador
Não pagaram barateiro.

O valente surrador
Fugiu para bem distante,
E o pobre do juiz
No seu cargo confiante
Muita humilhação sofreu
Bem como quase morreu
Em momento agonizante.

Não fora Chico Pereira
Que bem na hora surgia
Suspendendo aquele ato
De morte que se daria...
Atrasasse ele um segundo,
Jamais o juiz ao mundo
Essa história contaria.

Foi assim, pois, a justiça
Responsável pelos atos
De violência, estímulo
A muitos assassinatos;
Por conta das omissões
Forçaram insurreições
A muitos homens pacatos.

De Virgulino eu já disse
Bem coberto de razão:
Se ao criminoso do pai
Fosse imposta a punição
Repito no bom sentido:
Jamais teria existido
Esse tal de Lampião.

Assim foi imposto o mesmo
Peso a Antonio Silvino,
Um pequeno agricultor
Que queria por destino
Ter uma casa e mobília,
Uma modesta família
Mulher, menina e menino.
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CONCLUSÃO
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O alferes bem armado
Inquiriu um cidadão,
Sob o pavor da tortura
Arrancou a confissão,
O informante, sem tino,
Disse que Antonio Silvino
Se achava em diversão.

Ele jogava baralho
Quando a volante cercou
Era já cinco da tarde
E a luta ali começou,
Com uma hora de pino
O audaz Antonio Silvino
Um soldado o alvejou.

Mas pôde romper o cerco
Com um tiro no pulmão,
Chegou em Manoel Clemente
Mas, mesmo com proteção
Pedia para avisar
À Polícia Militar
Que se rendia à prisão.

Foi levado Antonio Silvino
Para a cadeia local,
Recebeu o tratamento
Da área medicinal,
Dois dias após, então,
Tendo já a condição
Foi levado à capital.

Primeiro a Caruaru
Em uma rede estirado,
Mais de 40 quilômetros
Sem carro foi carregado,
Dali, daquela Estação,
Na Casa de Detenção
Foi, em recife, internado.

Vinte e sete de agosto
Foi a data da prisão,
Com três dias chegaria
Na Casa de Detenção...
Chegava ao fim um reinado
Que em um trio de Estado
Se estendeu pelo sertão.

No presídio por Recife
Era sempre visitado,
Excluindo jornalista
Havia muito afamado:
Zé Américo, sem segredo,
Também, José Lins do Rego
Com marcas do seu passado.

Nos tribunais condenado
Pelo poder dominante
Foi mais de duzentos anos
Uma pena extravagante,
Mas estava consciente
Do julgamento excrescente
E o que teria adiante.

Além desses personagens
Que ele sempre recebia
Fez ali ele amizade
Que lhe passava alegria:
O comunista Gregório
Bezerra, com repertório
Que muito satisfazia.

Tinha já vinte e três anos
De prisão... confinamento,
Mas devido a avaliação
Por seu bom comportamento
Solicitou seu indulto
E Getúlio pôs-se culto
Por seu favorecimento.

Assim, em mil novecentos
E trinta e sete, a saber,
Antonio Silvino livre
Pôde as ruas percorrer,
Sessenta e dois anos tinha
E planejando já vinha
Em muitos outros viver.

Ao deixar esse presídio
Entre saudade e alegria,
Pelo seu trabalho tinha
Uma certa economia,
Ali dentro onde ficou
Ele sempre trabalhou
O couro, a bijuteria.

Depois de andar bastante 
E de rever seus amigos
Foi para Campina Grande
Onde esteve em dois abrigos,
Um da sua irmã amada,
Após “A Última Morada”
Um dos hotéis mais antigos.

Morreu em quarenta e quatro
Aos sessenta e nove anos,
Viveu nos tempos difíceis,
Enfrentou muitos tiranos.
Sem justiça e sem razão
Teve com a própria mão
Que fazer valer seus planos.

Antonio Silvino é outro
Que deve ser estudado,
Discutir razões e causas
Pelas quais foi transformado.
A verdade não me enguiça:
Foi a injusta justiça
Quem criou todo esses estado.




Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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