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segunda-feira, 18 de julho de 2011

O policial Honorato

Segundo ele, matou Lampião 
e Maria Bonita


Palavras do policial Honorato  

Eu integrava a volante do tenente João Bezerra  e Ferreira de Melo e o coiteiro Pedro de Cândida, já nos avisara que Lampião e seu bando estavam acampados na grota. A volante se dividiu em dois escalões. Fiquei no de Ferreira de Melo, que deveria atacar os bandidos fortemente, enquanto o tenente Bezerra lhes cortaria a retirada.

Tenente João Bezerra

Eu e mais cinco soldados teríamos que ultrapassar a gruta para dar início ao ataque, quando encontramos um lugar propício à escalada, subimos ao alto e logo avistei à frente de uma barraca, um sujeito alto, trazendo uma faca presa ao peitoral e, em volta dos ombros um laço à moda sertaneja.

Lampião
Não tive dúvida, apontei meu mosquetão e varei o tipo com uma bala. A esse primeiro tiro, sucederam outros, de fogo cruzado. Indiferentes as balas, uma mulher do bando corria de um lado para outro, procurando algo, até que avistou o cadáver do cangaceiro abatido no primeiro disparo. Então, ela pareceu desesperada. Abaixou-se junto ao corpo, com as mãos na cabeça. Reconheci Maria Bonita.
Maria Bonita

Mirei e fiz fogo: ela tombou mais adiante. Com os cangaceiros todos mortos, começamos a cortar suas cabeças, para levá-las a Maceió. Revirando os corpos, fomos ter  ao que eu abatera, e aí o compadre Santos, também da volante, me deu um grito: "Esse que você matou é Lampião". Cheguei perto e constatei: O olho doente identificava o cabra mais procurado daqueles sertões. O compadre Santos me pediu o facão e cortou a cabeça do bandido. Agora sabe o que mais? 

Padre Cícero
O padre Cícero, protetor de Lampião, já tinha avisado a ele: "Você não bote mulher no bando que nunca será preso". A desgraça do rei do cangaço, foi virar a cabeça com Maria Bonita. Quanto a mim, não tenho remorsos. Matei um bandido.  

Fonte: "Lampião Aceso"

Material do acervo do
 Doutor Ivanildo Alves da Silveira
Colecionador do cangaço
Natal/RN


"Será que o Padre Cícero
disse isso mesmo a Lampião?
Eu acho muito difícil.
Isso é conversinha do disse me disse".
            

Não sei se estou certo ou errado, mas é quase certo que tanto o soldado Honorato, quanto o Panta de Godoy, ambos fantasiaram as suas respostas aos entrevistadores, quando afirmaram que foram os autores da morte de Maria Bonita e Lampião.  
            
Panta de Godoy tem uma versão. Foi ele quem matou a rainha do cangaço. O soldado Honorato tem essa que você acabou de ler.
           
O certo é que no meio de um cerrado tiroteio, cada um está preocupado com a sua vida, isto é, com medo de ser atingido por balas dos seus adversários. É claro que o bando de Lampião não teve tempo de reagir, mas nenhum dos policiais tinha esta certeza que o combate seria vantajoso para eles.           
            
Se os dois policiais estavam com as metralhadoras em mãos, é claro que tiveram mais chances de assassiná-los. Mas tendo certeza que foram eles, é uma grande piada.
             
O ataque aos cangaceiros na grota de Angico, no Estado de Sergipe, no dia 28 de julho de 1938,  aconteceu por volta das cinco horas da manhã, e estava caindo uma chuvinha fina, fenômeno que com certeza  o local do combate ficou um pouco escuro, e não daria para se ter certeza quem matou quem.

Luiz Pedro
           
O caso do cangaceiro Luis Pedro, é mais outra história fantasiada pelo Mané Véio, que afirmou aos repórteres que foi ele quem assassinou o cangaceiro. 


Mané Véio
          
Leia o que disse Mané Véio 
a alguns repórteres

Mané Véio contou a alguns repórteres, que no final do tiroteio da chacina de Angico, quando descia um dos riachos da Grota, sem menos esperar, viu um cangaceiro caminhando em sua direção. Ele procurou se ocultar por detrás de uma enorme pedra a espera do bandido. Lá, se admirou do luxo e da riqueza do assecla. Suas roupas pareciam uma verdadeira mina. O chapéu era enfeitado de estrelas. Os dedos repletos de anéis e alianças. Lenços e jabiracas em quantidade e da melhor qualidade. O cangaceiro mais parecia uma casa de jóias. Mesmo com toda riqueza que o assecla carregava, percebeu que não era Lampião. Sabia que o rei era amorenado. E o que vinha em sua direção, era um pouco sarará. Veio-lhe a lembrança que poderia ser Corisco.                                      

Disse ainda que deu para ele ouvir o respirar forte do bandido, provocado pelo susto, a carreira que havia dado para se livrar da morte. Como a pedra em que ele se amparava era grande, o cangaceiro não o viu. E assim que se aproximou, o caçador de bandidos disparou o seu mosquetão em cima do seu coração. Para sua surpresa, o bandido continuou caminhando. Dando a entender que a bala não havia lhe atingido. E o que ele mais se admirou, foi que o facínora tentou sacar sua arma depois que o viu protegido pela pedra. Sem demora, ele deu o segundo tiro. Mas desta vez, bem em cima do umbigo. O bandido caiu de lado e não fez nenhum movimento, pois  já caíra morto. Sem perder tempo, ele foi ao seu encontro. E na verdade, já estava prontinho, longe da vida. Como ele estava sozinho, deu início ao saque. 

Agora leia o que disse o cangaceiro Balão


Balão

“-Estávamos todos acampados perto do Rio São Francisco.  Lampião acordou às 5;00 horas da manhã e  mandou um dos homens reunir o grupo para rezar o ofício de Nossa Senhora. Enquanto ele lia a missa em voz alta, todos nós estávamos ajoelhados ao lado das barracas, respondendo amém e batendo no peito na hora do Senhor Deus. Terminado o oficio, Lampião mandou Amoroso buscar água para o café. Mas quando ele se abaixou no córrego, veio o primeiro tiro. Havia uma metralhadora atrás de duas pedras a 20 metros da barraca de Lampião. Pedro de Cândido, um dos nossos, havia nos traído, e acho que tinha dado ao sargento Zé Procópio, até a posição das camas. Meu companheiro Mergulhão levantou-se de um salto, mas caiu partido ao meio por nova rajada. Eu permaneci deitado. Com jeito, coloquei o bornal de balas no ombro direito, o sobressalente no esquerdo. Calcei uma alpercata. A do pé esquerdo não quis entrar. E a prendi também no ombro. Quando me levantei, vi um soldado batendo com o fuzil na cabeça de Mergulhão. De repente, ele estava com o cano de sua arma encostado-se a minha perna. E eu apontava meu mosquetão contra sua barriga. Atiramos. Caímos os dois e fomos formar uma cruz junto ao corpo de Mergulhão. Levantei-me devagar. O soldado estava morto, e minha perna não fora quebrada. As balas batiam nas pedras soltando faíscas e lascas. Ouviam-se os gritos por toda parte.  Era um inferno! Luiz Pedro ainda gritou: "Vamos pegar o dinheiro e o ouro na barraca de Lampião. Mas ele não conseguiu. Caiu atingido por uma rajada de balas. Então vi Lampião caído de costas, com uma bala na testa. Moeda, Tempo Duro; Quinta Feira, todos estavam mortos. Contei os corpos dos amigos. Eram nove homens e duas mulheres. Corri até Luiz Pedro, peguei o seu mosquetão e com Zé Sereno conseguimos furar o cerco. Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato. Para mim foi Deus”.

A afirmação do cangaceiro Balão, contraria a versão de Mané Véio, que pelo dizer do assecla, Luiz Pedro foi morto por rajada de balas disparada por uma metralhadora, e não por balas de mosquetão. Veja. “-Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato”.                                                                                
Com o dizer de Balão, eu que não sou nenhuma autoridade no que diz respeito ao assunto, mas fico na dúvida e me perguntando. Quem matou Luiz Pedro, foi Mané Véio, ou foi quem estava com a metralhadora em mãos?                                      

Pelo que Mané Véio contou aos repórteres, escritores e pesquisadores, levou muito tempo para poder assassinar o valente Luiz Pedro. ora! O tempo foi menos de vinte minutos para que os policiais fizessem a chacina dos cangaceiros na Grota, e ainda deu tempo para Mané Véio perseguir o cangaceiro até matá-lo?
           
Eu acredito que ele já encontrou o cangaceiro morto, e para ganhar fama, disse que tinha sido ele o autor da morte de Luiz Pedro.
 
Nota:
 
Segundo o jornalista Melchiades da Rocha, o soldado Honorato faleceu aos 56 anos de idade, residindo na capital Alagoana, o veterano da PM, foi assassinado pelo sobrinho de sua esposa, um jovem de 18 anos.
 
             
O Senhor Euclides Marques da Silva, Mané Veio, faleceu saciado de dias, no dia 08 de janeiro de 2002, aos  92 anos, na cidade de Pires do Rio - Goiás, junto a sua terceira esposa: dona Nori Alves Marques da Silva - hoje residente em Goiania - GO. 



domingo, 17 de julho de 2011

Travessia de Caiaque - Cânion do Rio São Francisco

Por: Aderbal Nogueira

Paulo Gastão e Aderbal Nogueira

              Olá, amigo.
             Há poucos dias você publicou umas fotos do Cânion do São Francisco.

Cânion no Rio São Francisco
           
             Faz algum tempo, fiz o percurso da represa de Paulo Afonso até a


Grota de Angico,


de caiaque,

em aproximadamente 2 dias, em busca de algo relevante e que será tema de algum trabalho meu no futuro.
             Ao chegarmos na Grota de Angico, fomos recebidos por

Jairo e Alcindo Costa

Jairo, nosso amigo e Guardião da Grota.
           Nessa travessia remamos e mergulhamos no grande rio,


bem como tivemos visões bem diferentes de quem só vê o cânion de cima para baixo.


              Se o amigo achar interessante e quiser publicar no blog, por favor fique a vontade.


Um abraço de seu amigo.


Aderbal Nogueira

Uma produção da: Laser Vídeo - Aderbalvídeo

Clique no link para assistir o vídeo no YouTube
 

Pedro Leão

 Por José Mendes Pereira

 

Quando eu crio uma pequena história com um dos nossos antepassados, não é no intuito de criticar ou desmoralizá-lo, e sim, fazer com que esta pessoa seja lembrada por muitos e muitos anos.   

Nem todos  moradores de uma cidade  têm o privilégio de serem homenageados, pois as famas e os elogios são dirigidos aos famosos políticos e grandes empresários. Nem os artistas (não me refiro a cantores e atores), e sim, artesãos, escultores, escritores... não são vistos com bons olhos.

Se caminharmos nas ruas das nossas cidades, nas esquinas, não veremos  nomes daqueles pobres sofredores que muito contribuíram com o desenvolvimento das suas cidades. Infelizmente morreram para sempre, como:  carroceiro,  lavador de carros,  lavadeira de roupas,  enfermeira, agricultor, professor (coitado),  taxista, pedreiro etc...

Mas com certeza nós iremos encontrar os seguintes nomes:  Rua Presidente Kennedy, Avenida Bob Kennedy, Rua Luther King, Conjunto Ulrick Graff, Rua Crocrat de Sá (todos americanos), Rua Presidente Costa e Silva, Rua Tancredo Neves... e  mais outros e outros famosos que não caberão nesta página.

Esse desprezo aos pobres de Jó, não é só em minha Mossoró, mas todas as cidades brasileiras, em fim, só valorizam quem acumula riquezas e nasceu em berço de ouro. O pobre que quiser passar bem, a única solução é carregar a sua mãe na garupa, porque a glória é dada aos famosos. 

Hoje homenageio um grande comerciante dos anos remotos em Mossoró, que naqueles tempos era apenas arranjado, como diz o ditado. Infelizmente seu Pedro Leão faleceu, e o seu nome morreu para sempre. Nenhuma homenagem foi feita ao grande empresário Pedro Leão, pela Prefeitura Municipal de Mossoró.
            
Pedro Leão era um dos mais antigos comerciantes de Mossoró, no ramo "ferragens", estabelecido à Rua Coronel Gurgel, no centro da cidade. Adorava  tomar cerveja no bar do Pitias, localizado à Rua José de Alencar.    
           
Todos os dias, ao meio dia era de costume, pois assim que fechava a sua casa de ferragens, ia direto ao bar, onde lá uma porção de pessoas da sociedade costumava se encontrar. No bar, Pedro Leão tinha como se fosse cativo, um lugar, logo na entrada, uma cadeira e uma mesa eram reservadas para o famoso comerciante.  
          
Naqueles tempos  não existia a proibição do uso de cigarros, charutos ou outra coisa parecida. E lá, Pedro Leão acendia o seu apreciado charuto. Uma cerveja ingerida, um charuto queimado. 

Nunca deu mole a garçom nenhum, e não aceitava que ele fizesse a conta pelas garrafas de cervejas vazias, e sim, as tampas que ele as guardava em seu bolso do paletó. Pedro Leão temia que em um piscar de olhos, o garçom poderia colocar garrafas fazias em cima de sua mesa, que não faziam parte da sua despesa. Cada cerveja aberta, a tampa seria colocada no seu bolso, justamente para não ser enrolado por garçons oportunistas.  
     
Se o tira-gosto fosse rolinha assada, que era uma das suas preferências,  exigia que ela viesse para a mesa onde ele se sentara, acompanhada da  perna, mas cada uma delas, somente uma perna, também para não serem contadas, duas pernas, duas rolinhas.  
       
Esse era o seu medo, temendo que  tomasse goles a mais, e o garçom o enrolasse na hora do pagamento das despesas. Jamais tinha sido enrolado por nenhum deles. Mas por precaução, exigia isso. 
         
Certo dia Seu Pedro já se encontrava além de ébrio. Mas esperto, sentiu que alguém estava colocando tampas de garrafas no seu bolso. Realmente o garçom tentando enrolá-lo, quando passava por ele com pratos ou garrafas de cerveja para servir em outras mesas, colocava uma, duas..., tampas no seu bolso. Como ele era um homenzarrão, desabotoava o paletó, fazendo com que o bolso ficasse aberto. Isso facilitava muito para o garçom colocar tampas. Mas foi inútil.
         
Sentindo que já estava na hora de ir embora, Seu Pedro chamou o garçom para tirar a conta. 

O garçom, esperto, mas na verdade era um verdadeiro bobalhão, não imaginava da reação inteligente do  seu freguêz, o Pedro Leão. 
        
– Tire as tampas das garrafas do bolso seu Pedro, para que eu possa contá-las e fazer a conta da despesa. - Disse o esperto garçom, na certeza que iria sair no lucro.  
       
– Tampas hoje não amigo! Hoje vamos fazer a conta pelas garrafas que estão sobre a mesa! – Disse ele usando a sua esperteza. 



Viste o blog: "Tok de História"

http://tokdehistoria.wordpress.com



"O SEMEADOR"

Obs: imagem extraída do site: imagensbiblicas.wordpress.com


" O SEMEADOR"

No imenso campo do mundo, 
tu és um semeador.
Semeia, mestre, semeia,
cada vez com mais amor.

Não digas que o solo é mau,
que chove frequentemente
ou que o sol castiga a terra
ou que não serve a semente.

Enfrenta as dificuldades.
Não podes desanimar.
Aqui, no campo do mundo,
teu dever é semear.

Tua palavra é semente.
Teu exemplo, teu perdão.
É semente todo o zelo.
Com que dás tua lição.

É semente teu sorriso,
o teu aperto de mão.
É semente tudo, tudo
que vem do teu coração.

Não esperas recompensa
mas recompensa terás
e nem pensas em riqueza
mas rico sei que serás.

Porque trabalhas num reino
onde perder é ganhar.
Onde dar é receber.
Vamos, mestre, semear.

Semeia, semeia sempre.
Cada vez com mais amor.
No imenso campo do mundo.
Tu és um semeador.

Autora: Cecília Amoroso

Obs: Dedico esta poesia a todos os professores cristãos, que assumem esta missão de educar com dedicação, compromisso e amor. Afinal educar para vida é também uma forma de evangelizar.


Do blog da  professora Angélica de Bragança no Estado do Paraná
http://professoraanglica.blogspot.com

sábado, 16 de julho de 2011

Caipira de Poço Redondo, Sertão, Viola e Amor

  Por: Samuel Albuquerque

         Os sergipanos do Sertão do São Francisco conhecem e admiram Alcino Alves Costa. Desde 1992, esse poço-redondense tornou-se frequentador assíduo das casas de muitas famílias que sintonizam seus rádios na Xingó FM. Ao cair da tarde, essas pessoas rememoram suas vivências, embaladas por antigas canções sertanejas selecionadas cuidadosamente por Alcino, em seu programa “Sertão, Viola e Amor”. 

  

Alcino Alves Costa e Aderbal Nogueira

        Os demais sergipanos, ao menos aqueles que costumam ler jornais e acompanhar publicações de livros, conhecem Alcino através dos seus textos. Ele frequenta as páginas dos jornais locais e os recentes títulos publicados pela Editora Diário Oficial, escrevendo sobre um universo que é pouco estudado e compreendido: o Sertão. Desde Felisbelo Freire, autor da primeira grande obra de História de Sergipe, muito pouco se estudou sobre o nosso Sertão. Alcino Alves Costa não é historiador de formação, mas como um competente escritor, vem registrando e interpretando com sensibilidade a memória do Sertão Sergipano.
             Filho de Ermerindo Alves da Costa e de Emeliana Marques da Costa, Alcino nasceu no dia 17 de junho em 1940, em Poço Redondo, no seio de uma família que contava com mais quatro irmãos e duas irmãs. Muito jovem, enfronhou-se na política local. Foi prefeito por três vezes, entre meados da década de 1960 e fins da década de 1980. No entanto, abandonou essa paixão cheia de sobressaltos por outras que lhe eram mais caras: a família, os livros, a música e, como não podia deixar de ser, o Sertão.

Caipira de Poço Redondo ao lado do casal Pedro Luiz

            Ao longo de sua vida, constituiu três famílias. Teve muitos filhos e esforçou-se para formar médicos, advogados, engenheiros, professores... Maria do Perpétuo, carinhosamente conhecida como Peta, sua primeira companheira de jornada, deixou-nos recentemente. Ela foi uma grande esposa, uma mãe abnegada, uma mulher generosa como poucas.
         Os livros de Alcino começaram a aparecer em 1996, quando foi publicado o “Lampião além da versão”, obra que já está em sua terceira edição e vem sendo lida e comentada em vários lugares do país. 



          Entre 2000 e 2009, publicou mais cinco livros: “Preces ao Velho Chico”; “Sertão, viola e amor”; “Canindé do São Francisco, seu povo e sua história”; “O sertão de Lampião”; e “Poço Redondo, a saga de um povo”. Entretanto, não sou a pessoa adequada para avaliar a obra que vem sendo construída por Alcino. Desde os quatro anos de idade, quando minha mãe, deixando para traz o velho Pernambuco, tomou aquele sergipano como novo companheiro, Alcino tornou-se uma das pessoas mais queridas e importantes para mim. Cresci ouvindo e vendo esse homem escrever sobre as belezas do seu Sertão e sobre as pessoas valentes e, ao mesmo tempo, sensíveis que lá viveram. Para mim, ele também foi o transmissor das lendas que alimentam o imaginário do povo sertanejo; contadas em noites chuvosas, quando a luz elétrica teimava em desaparecer. Perto dele, cresci ouvindo vozes clássicas que cantam o universo sertanejo e caipira:


 Tonico e Tinoco,

 
 Cascatinha e Inhana,
 Luiz Gonzaga,
 
Marinês, entre tantos outros. 

            Os livros e manuscritos espalhados pela casa, a barulhenta máquina de datilografar, as centenas de vinis e a radiola que não tinha descanso contaram favoravelmente para que eu tomasse gosto pelos estudos e pelas coisas de Sergipe.
           Certamente, em alguns anos, o legado que vem sendo construído por Alcino será investigado por algum estudioso do pensamento sergipano e nordestino. Não tenho dúvidas de que sua obra é reveladora do universo mental de uma das “nações” que compõe o Brasil. Afinal, o sertão nordestino estudado por Alcino representa outro Brasil. Não o Brasil do litoral, capturado em sua alma pelos escritos de 

 
Gilberto Freyre,
 José Lins do Rego 

e dezenas de outros cientistas sociais e literatos. Falo do Brasil dos sertões nordestinos, o “outro Nordeste”, como diria Djacir Menezes. Alcino faz parte de um seleto grupo que teima em desvendar a história e a cultura desses recônditos do Brasil. Mas para não deixar exclusivamente às gerações futuras o reconhecimento da importância de sua obra, tomo a palavra para dizer que, mesmo preferindo viver isolado em Poço Redondo, longe dos ciclos que legitimam os intelectuais da província, Alcino vem engrandecendo a nossa “Republica das Letras”. Seus livros, seus artigos, seu programa de rádio têm muito a dizer sobre os homens e as mulheres do Sertão. Aliás, o nome com o qual batizou seu programa de rádio é o que melhor traduz o seu legado. Alcino vem dedicando sua vida “ao sertão, à viola e ao amor”. Saudações ao “Caipira de Poço Redondo”.



Samuel Barros de Medeiros Albuquerque
Professor da Universidade Federal de Sergipe
E-mail: samuelalbuquerque@ufs.br



Trasladado do Blog: "Cariri Cangaço"
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