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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Hoje, dia da Santa Catarina



Neste dia 25 de Novembro, lembramos a vida desta santa que é inspiradora e protetora de um Estado brasileiro: Santa Catarina. Nascida em Alexandria, recebeu uma ótima formação cristã. É uma das mais célebres mártires dos primeiros séculos, um dos Santos Auxiliadores. O pai, diz a lenda, era Costes, rei de Alexandria. Ela própria era, aos 17 anos, a mais bonita e a mais sábia das jovens de todo o império; esta sabedoria levou-a a ser muitas vezes invocada pelos estudantes. Anunciou que desejava se casar, contanto que fosse com um príncipe tão belo e tão sábio como ela. Esta segunda condição embargou que se apresentasse qualquer pretendente.

"Será a Virgem Maria que te procurará o noivo sonhado", disse-lhe o ermitão Ananias, que tinha revelações. Maria aparece, de fato, a Catarina na noite seguinte, trazendo o Menino Jesus pela mão.

- Gostas tu dele - perguntou Maria.
- Oh, sim.
- E tu, Jesus, gostas dela?
- Não gosto, é muito feia.

Catarina foi logo ter com Ananias:

- Ele acha que sou feia - disse chorando.
- Não é o teu corpo, é a tua alma orgulhosa que Lhe desagrada -  respondeu-lhe o eremita.

Este instruiu-a sobre as verdades da fé, batizou-a e tornou-a humilde; depois disto, tendo-a Jesus encontrado bela, a Virgem Santíssima meteu aos dois o anel no dedo; foi isto que se ficou chamando desde então o "casamento místico de Santa Catarina". Ansiosa de ir ter com o seu Esposo celestial, Catarina ficou pensando unicamente no martírio.

Conta-se que ela apresentou-se em nome de Deus, diante do perseguidor, imperador Maxêncio, a fim de repreendê-lo por perseguir aos cristãos e demonstrar a irracionalidade e inutilidade da religião pagã. Santa Catarina, conduzida pelo Espírito Santo e com sabedoria, conseguiu demonstrar a beleza do seguimento de Jesus na sua Igreja. Incapaz de lhe responder, Maxêncio reuniu para a confundir os 50 melhores filósofos da província que, além de se contradizerem, curvaram-se para a Verdade e converteram-se ao Cristianismo, isto tudo para a infelicidade do terrível imperador.

Maxêncio mandou os filósofos serem queimados vivos, assim como à sua mulher Augusta, ao ajudante de campo Porfírio e a duzendos oficiais que, depois de ouvirem Catarina, tinham-se proclamado cristãos. Após a morte destes, Santa Catarina foi provada na dor e aprovada por Deus no martírio, tendo sido sacrificada numa máquina com quatro rodas, armadas de pontas e de serras. Isto aconteceu por volta do ano 305. O seu culto parece ter irradiado do Monte Sinai; a festa foi incluída no calendário pelo Papa João XXII (1316-1334).

Santa Catarina de Alexandria, rogai por nós!
portal/canais/liturgia/santo/index.php?dia=25&mes=11

AS MARCAS DA PASSAGEM DE LAMPIÃO – A HISTÓRIA DA CAPELINHA DA SERRA DA VENEZA

Por: Rostand Medeiros

Um dos aspectos mais interessantes da história da passagem do bando do cangaceiro Lampião pelo Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 14 de junho de 1927, não aponta apenas para os relatos de lutas, resistências, arroubos de valentia, covardias, ou sobre o alivio em relação à fuga dos cangaceiros. Foi possível encontrar em alguns locais, interessantes situações originadas pelo medo da passagem de Lampião, que geraram manifestações que se perpetuam até hoje.
Capela da Serra da Veneza - Foto - Rostand Medeiros
Comento especificamente sobre uma ermida encontrada no alto de um promontório denominado Serra da Veneza, próximo ao sítio Garrota Morta, na fronteira entre os municípios de Antônio Martins e Pilões. Nesta elevação granítica, que segundo o mapa da SUDENE chega a atingir a altitude de555 metros, existe uma capela edificada em razão do medo provocado pela passagem do bando.
Primeiramente havíamos recebido uma informação que este pequeno templo fora erguido pelo fazendeiro Manoel Barreto Leite, conhecido na região como “Seu Leite”, proprietário de um sítio conhecido como Veneza e localizado próximo a esta serra. Esta informação dava conta que todos os anos, a família do proprietário rural mandava rezar uma missa como forma de marcar mais um aniversário da libertação de Barreto do julgo do bando. Tanto a construção da capela como a missa rezada anualmente eram parte de uma promessa que devia ser cumprida pela família Leite.
Na tarde do dia 11 de junho de 1927, um sábado, quando empreendia uma viagem, na altura do sítio Corredor, a cerca de dez quilômetros de sua propriedade, o fazendeiro Manoel Barreto Leite, foi capturado pela fração do bando comandado por Sabino. Sua libertação foi orçada em cinqüenta contos de réis. O mesmo só foi libertado em Limoeiro, atual Limoeiro do Norte, no Ceará, após a derrota do bando em Mossoró.
Manoel Leite era um homem conhecido na região, que possuía bons recursos financeiros e extremamente respeitado, por esta razão a existência da capelinha branca no alto da serra homônima de sua propriedade, ficou associada a uma promessa feita pelo fazendeiro seqüestrado.
Mas conforme seguíamos o trajeto, ao perguntarmos sobre este caso, percebemos o desconhecimento das pessoas da região em relação a esta versão. Buscamos apurar os fatos e no sítio Garrota Morta localizado nas proximidades desta serra, encontramos uma senhora chamada Maria Eugenia de Oliveira que esclareceu a verdade sobre esta capela. Esta senhora, pequena na estatura, mas é forte, voluntariosa, possui uma voz firma e olha direto no olho do interlocutor. Maria Eugenia não é daquelas de ficar em casa vendo novelas, já está na faixa dos cinquenta anos, mas todo santo dia trabalha voluntariamente como animadora da congregação católica local. Participando ainda como catequista e ministra da eucaristia.
Dona Maria Eugênia de Oliveira - Foto - Rostand Medeiros
Há alguns anos atrás, por sua própria iniciativa, em meio a este trabalho religioso ela iniciou uma pesquisa histórica com as pessoas mais idosas da sua região, onde apurou entre outras coisas a origem dos nomes dos logradouros, as histórias relativas as famílias da região e os fatos históricos mais representativos do lugar. Mesmo anotando estas informações em um caderno simples, através de sua louvável e comovente iniciativa foi possível conseguir as informações sobre a origem desta capela.
Segundo Maria Eugenia foram as idosas moradoras conhecidas como “Francisca do Uru” e “Francisca da Garrota Morta”, que lhe narraram os fatos que a comunidade local considera um verdadeiro milagre.
Na noite de 10 de junho de 1927, quando Lampião e seu bando se aproximavam da fazenda Caricé, a cerca de oito quilômetros da Garrota Morta, em meio às terríveis notícias, três fazendeiros da região procuraram refúgio junto às rochas da base desta elevação. Essas famílias eram comandadas respectivamente por Manoel Joaquim de Queiroz, proprietário do sítio Garrota Morta, Vicente Antônio, do sítio Cardoso e Francisco Felix, que habitava na pequena zona urbana que formava a Vila de Boa Esperança, atual cidade de Antônio Martins. Na época da passagem de Lampião, todo este vasto sertão pertencia a área territorial do município de Martins.
Durante o período que lá permaneceram, as três famílias não se encontraram e sequer se viram em nenhum momento. Em meio à aflição, estes homens solicitaram junto ao mesmo santo, São Sebastião, que os protegessem contra a ação dos cangaceiros.
No dia posterior o bando chegou próximo a Serra da Veneza. Os cangaceiros ainda palmilharam algumas casas edificadas dentro dos limites da propriedade Garrota Mortas, mas não chegaram próximo aos esconderijos no pé da serra.
Em meio ao sentimento de alivio que crescia, as três famílias que não se viam choravam de alegria e rezavam agradecendo. O mais interessante, segundo Maria Eugenia, mesmo sem existir nenhuma espécie de combinação, os três homens elegeram a mesma penitência; galgar a Serra da Veneza, erguer um oratório e ali depositar uma imagem em honra a São Sebastião.
Logo os fazendeiros e seus familiares foram a Vila de Boa Esperança a treze quilômetros da serra. Como muitos moradores da região, eles foram agradecer na capela do lugarejo, edificada em honra a Santo Antônio, o fato de nada de pior haver ocorrido. Neste local os três homens se encontraram, eram amigo, e logo debatiam sobre os fatos vividos. Para surpresa de todos os presentes, compreenderam que havia ocorrido uma interseção divina com relação a eles terem tido as mesmas idéias e os mesmos pensamentos.
O ponto branco no meio da Serra da Veneza é a capelinha - Foto - Rostand Medeiros
Em pouco tempo eles adquiriam conjuntamente uma pequena imagem de São Sebastião e logo galgavam a Serra da Veneza, para unidos edificarem um pequeno oratório. A ação dos três fazendeiros e as estranhas coincidências chamaram a atenção das pessoas na região. Outros penitentes passaram a subir a serra para pagar promessas. Mais algum tempo a comunidade da Garrota Morta já organizava uma singela procissão e não demorou muito para que o pároco local também viesse participar. Com o passar do tempo começou a ocorrer a participação de pessoas de outros municípios.
Em 1948, vinte e um anos após a passagem de Lampião e seu bando e do pretenso milagre, treze famílias da comunidade ergueram treze cruzes, formando uma via sacra entre a base da serra e o local do oratório. Cada uma destas cruzes tinha dois metros de altura e continha uma placa da família doadora. Percebendo o crescimento desta manifestação, conjuntamente estas pessoas deram início a construção da atual capela, em meio a uma intensa confraternização.
A capela foi construída em um ponto mais abaixo em relação à posição original do antigo oratório. Uma nova imagem de São Sebastião foi levada em procissão e se uniu a que ali havia sido colocada primeiramente.
Serra da Veneza - Foto - Rostand Medeiros
Atualmente a participação popular só cresce. A cada dia 20 de janeiro, inúmeros ex-votos são colocados como pagamento de promessas, velas são acesas e fiéis de vários municípios vêm participar subindo a serra. Em meio a um intenso foguetório, sempre as primeiras horas da manhã, um público que atualmente gira entre 400 e 500 pessoas, comparece ao sítio Garrota Morta e com a tradicional fé característica do nordestino, sobrem a serra. Entre as atrações do evento, sempre ocorrem apresentações de violeiros, que declamam em verso os medos e o pretenso milagre que envolveu as três famílias. Apesar da área onde a Serra da Veneza está situada não pertencer mais territorialmente a Martins, a capelinha está sob a jurisdição da Paróquia de Martins, que tem a frente o padre Possídio Lopes.
O sítio Garrota Morta esta localizado na área territorial do município de Antônio Martins, as margens da estrada que liga as cidades de Pilões e Serrinha dos Pintos. O dia da nossa visita a região estava particularmente quente, em meio a uma região já bem quente. Além do mais eram uma hora da tarde e nosso tempo era curto. Mas sei que vou voltar e subir esta serra.
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Extraído do blog: "Tok de História",
do historiógrafo Rostand Medeiros

KU KLUX KLAN-RACISMO LEVADO ÀS ÚLTIMAS CONSEQÜÊNCIAS

Por: Rostand Medeiros

A segregação racial nos EUA foi levada ao extremo com a criação da Ku Klux Klan. Organização racista, criada em 1865, busca a supremacia branca empregando a violência, seu membros se enquadram no famoso padrão WASP (White, Anglo-Saxon and Protestant).
M.Ouriques
kkk
Antes mesmo de falar de racismo nos Estados Unidos, acredito que, é importante que se tenha claro que o racismo brasileiro se insere em um contexto histórico bem diferente. Longe da idéia de que no Brasil tivemos uma escravidão adocicada como já disse Gilberto Freyre, é de senso comum que houve a coerção em qualquer época ou lugar que se tenha empregado a escravidão. Pois bem, a escravidão no nosso país fugia, por vezes, da linha da cor. Explico: muitos negros forros tornaram-se senhores de escravos ou ainda traficantes, possivelmente até enriquecendo-se com esta atividade. Que fique enfatizado, este é um traço da sociologia histórica brasileira e não se encontraria tais acontecimentos pelas bandas do Tio Sam.
Mas e aquela dúvida? Porque no Brasil o racismo é algo por vezes velado, onde as pessoas envergonham-se de assumir tal preconceito e nos EUA ele chegou a este ponto:da criação de uma organização extremista que eliminam negros e que contou com o apoio de governos estaduais e por muito pouco não tornou um partido político?
Talvez a resposta esteja nas condições que foi gestada a abolição por lá e no Brasil. Nossa abolição, assinada em 1888, foi tecida pelo alto, pelas mãos da elite política brasileira, com a constante pressão da Inglaterra desde o primeiro quartel do século XIX.
A abolição nos EUA deu-se de uma maneira muito diversa: foi obtida numa guerra civil, e no fim desta foram suspensos os direitos políticos dos brancos sulistas, conforme afirma Ronaldo Vainfas.
Pois bem, durante o período pós-guerra surgiu no Tennessee em 1865, a Ku Klux Klan, apadrinhada por governos estaduais, principalmente do sul do país. Espalhavam-se pelo país cartazes em bares, em bancos de praça, em banheiros: “Only for black people”, “Only for White people”.
A princípio o Klan queria tirar todos os direitos adquiridos pelos cidadãos negros, como de votar. Para alcançarem seus objetivos, a violência foi ( e talvez ainda seja, pois a organização ainda mantêm-se viva) utilizada levando por muitas vezes, a morte destes cidadãos.
Com a crise de 1929 e o advento da II Guerra a popularidade da organização cresceu a ponto de organizarem-se passeatas em prol dos WASP. Eram simpatizantes do nazismo e do antissemistismo. No seu auge a KKK chegou a abarcar algo em torno de 4 milhões de membros, hoje conta com mais ou menos 3 mil homens.
Foi por muito custo que durante a década de 1960 os negros americanos uniram-se para derrubar este sistema que se infiltrou por todo o país. Vale aqui recordar do movimento liderado por Martins Luther King e seu famoso discurso: “I have a dream” e das políticas de ação afirmativa do governo nos anos 1970.
Ku Klux Klan rally, Gainesville, Flórida, 31 de dezembro de 1922
Felizmente, na terra brasilis, não tivemos exemplos deste tipo. Ao menos o terror racista nós não importamos.
“Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje” (Martin Luther King, 1963)
VAINFAS, Ronaldo. Racismo à moda americana. In: FIGUEIREDO, Luciano (org) A era da escravidão. Rio de Janeiro: SABIN, 2009.

Fonte

O fenômeno Bullying pode gerar malefícios irreparáveis e crimes diversos.

Por: Archimedes Marques
 
Na trajetória da vida nos deparamos com situações inusitadas e surpreendentes. Em algumas delas podemos agir, interferir e até mesmo remediar algo de errado, porém noutras, apenas lamentar.
Dia desses, em visita a cidade de Salvador, fui ao Mercado Modelo e ali nas suas imediações um fato ocorrido me chamou atenção para o termo inglês conhecido por Bullying, cujos atos decorrentes são antigos, mas que no presente tempo com a propagação das ações inerentes trás imensa preocupação para os educadores, pais de alunos, autoridades diversas e para a sociedade em geral, vez que os seus resultados sempre se esbarram em situações criminosas ou deprimentes, por vezes com malefícios irreparáveis principalmente para as suas vítimas.
O fenômeno Bullying é usado no sentido de identificar ações provindas dos termos zoar, gozar, tiranizar, ameaçar, intimidar, isolar, ignorar, humilhar, perseguir, ofender, agredir, ferir, discriminar e apelidar pessoas com nomes maldosos, que na grande maioria das vezes tem origem nas escolas através dos jovens alunos que assim praticam tais maldades contra determinados colegas que possuem algum defeito físico, assim como, os relacionados à crença, raça, opção sexual ou aos que carregam algo fora do normal no seu jeito de ser.
De volta ao Mercado Modelo, chegava um ônibus de turismo quando diversos vendedores ambulantes assediavam os turistas para venderem os seus produtos, quando apareceu um velho mendigo, barbudo, cabeludo, maltrapilho, imundo, de pés descalços, tipo daqueles cidadãos que vivem ou sobrevivem à espera da morte na miséria absoluta, morando debaixo das marquises das lojas ou dos viadutos que o tempo e a vida lhes deram de presente e, ao se aproximar daquele grupo de pessoas, então um dos vendedores o enxotou em verdadeira humilhação:
- Sai prá lá GAMBÁ que você espanta qualquer um com o seu fedor de fossa insuportável!...
Vendo aquela cena deprimente e desumana me aproximei daquele mendigo que já saía sem reclamar com o “rabinho entre as pernas” para lhe dar um trocado qualquer e então, do seu jeito de caminhar, dos seus gestos com as mãos, de um sinal no rosto e de um tic nervoso a piscar a todo tempo um dos olhos quase já fechado pela amargura do seu viver, o reconheci...
De imediato naveguei pelo túnel do tempo de volta ao passado e aportei em uma Escola da rede pública ali próxima na própria cidade baixa da capital baiana, no início dos anos 70, onde estudei por quase dois anos antes de voltar para Aracaju e, lá encontrei o colega de classe apelidado de GAMBÁ, então perseguido implacavelmente, ofendido na sua cidadania, discriminado pelo seu jeito de ser e humilhado incondicionalmente pela grande maioria dos seus jovens colegas, meninos e meninas com idades aproximadas de 13 e 14 anos.
Aquele jovem que talvez não gostasse de tomar banho ou que talvez não tivesse oportunidade freqüente para tanto, pelo fato de possivelmente morar em alguma invasão desprovida de saneamento básico e, que sempre chegava suado e cheirando mal em sala de aula, talvez pelo provável fato de também não possuir produtos higiênicos na sua casa, logo ganhou de algum colega gaiato o apelido de gambá que nele grudou qual uma sanguessuga a sugar a sua dignidade e, então passou a ser menosprezado e ofendido por quase todos da classe e até das salas circunvizinhas. Por onde passava os alunos tapavam o nariz e na sala de aula sentava na última carteira, isolado de todos. De tanto humilhado e discriminado que era ninguém dele se aproximava, principalmente por receio de também ser hostilizado.
Senti uma fisgada no peito ao me ver também culpado pelo que se transformou o jovem colega conhecido por gambá. Confesso ter sido cúmplice por omissão, não por ação, pois eu também era uma vítima das ações nefastas advindas do Bullying, por ser um menino tímido ao extremo ao ponto de todos os dias entrar calado e sair mudo em sala de aula, então isolado pelos colegas da classe que preferiam lidar com os mais falantes e extrovertidos.
Como vítima parceira de tais ações depreciativas, o certo era eu ter me juntado ao colega gambá, mas não o fiz por covardia, por medo, por receio de ser mais rechaçado ainda pelos demais estudantes e assim sofremos individualmente em proporções diferentes a dor do isolamento e da humilhação naquele interminável ano de 1972. No ano seguinte gambá, após ter sido reprovado com as menores notas da classe em todas as matérias possíveis não mais retornou ao Colégio, enquanto que, para minha alegria logo retornei para o meu querido Estado de Sergipe para crescer e esquecer aquele deprimente, humilhante e sufocante tempo.
Essa triste lição de vida me mostrou o quanto as chamadas inocentes brincadeiras de criança podem ser maléficas para tantos outros, se é que essas ações escolares agora conhecidas por Bullying podem ser consideradas inocentes, vez que para muitos estudiosos no assunto, tais ofensores sofrem de distúrbios psíquico que precisam de tratamento sob pena de explosões mais desastrosas ainda, como de fato vem ocorrendo em muitos lugares.
A agressividade e a violência advindas do fenômeno Bullying assumem além de tudo, o caráter etiológico do violar, não só referente às normas de conduta, a moral e a disciplina, mas principalmente viola os direitos do cidadão relacionados a sua integridade física e psíquica, a sua liberdade de opinião ou sua escolha de vida, a sua liberdade de expressão e até de locomoção, enfim, fere de morte o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana em sociedade.
A psiquiatria e a psicologia mostram que além do sofrimento dos jovens vítimas do fenômeno Bullying, muitos adultos ainda experimentam aflições intensas advindas de uma vida estudantil traumática.
Nos últimos anos a população mundial freqüentemente assiste atônita as diversas situações estarrecedoras quase sempre nascidas e advindas do fenômeno Bullying, com agressões físicas e assassinatos por parte de alunos contra os seus próprios colegas, contra professores, guerras de gangues, de torcidas organizadas, de tráfico de drogas com participação de jovens estudantes até mesmo dentro das próprias instalações escolares.
As diversas Escolas espalhadas pelo país, destarte para as situadas nos ambientes periféricos das grandes cidades se tornaram espaço de intolerância, competições absurdas e conflitos de todos os tipos possíveis, em especial para os problemas relacionados às drogas, assim como, para os pertinentes à liberdade sexual, ou seja, para as meninas que não aderem a esse tipo de pratica livre, passando então as mesmas a sofrer diversos tipos de perseguições, em verdadeiras inversões de valores por conta das ações absurdas do fenômeno Bullying.
Ética, solidariedade e humanismo são realmente palavras desconhecidas e perdidas em muitas comunidades de jovens estudantes que as substituem pelo desrespeito e pela afronta ao direito individual do seu colega que pretende prosperar e vencer na vida honestamente, pelo seu próprio esforço e valor.
É preciso dar um basta nestes tipos perniciosos de vandalismo e delitos juvenis. O jovem necessita acima de tudo de limites. Precisa entender os seus direitos e os seus deveres e até onde eles chegam. Precisa de disciplina e autoridade. Precisa entender que todos são cidadãos em igualdade de condições. Entretanto, para que consigamos chegar a tal geração de jovens politizada, só com uma boa educação familiar e escolar é possível alcançar tal objetivo.
Assim, não há como deixar de concluir que estamos diante de um sério problema relacionado às áreas educacional, social, da psiquiatria e de segurança pública, com real tendência para sua resolução na educação preventiva, curativa psiquiatra ou psicológica, por isso, necessário se faz, da consciência absoluta do Ministério da Educação com a elaboração de verdadeiro e efetivo Programa de combate a este grande malefício conhecido por Bullying, tomando por gerentes os bons educadores, estudiosos e pesquisadores no assunto que em alguns Estados brasileiros já se fazem presentes nas suas respectivas secretarias de educação, mas que necessitam, sem sombras de dúvidas, de melhores investimentos financeiros para as suas conseqüentes vitórias que por certo serão galgadas no trabalho junto aos pais de alunos, professores e dos próprios estudantes autores e vitimas do fenômeno.
Além dessa medida, necessário se faz uma batalha mais ampla dentro do Legislativo, até com uma reforma no próprio Estatuto de Criança e do Adolescente com reais modificações e acrescentando-se a esta Lei bons artigos inerentes ao tema para possibilitar ao Estado Nação um melhor campo de atuação, pois é desejo de todos nós vermos os nossos jovens estudantes crescendo e somando-se a construção coletiva e permanente para o pleno exercício da cidadania.
Autor: Archimedes Marques (delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

Enviado pelo autor: Dr: Archimedes Marques

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GOLPE DE 1964

Por: Rostand Medeiros


IMPOSSÍVEL É FAZER DE CONTA QUE NÃO ACONTECEU

INTERESSE PESSOAL E NÃO COM A HISTÓRIA

Por: José Mendes Pereira

Quem lança no mercado livros que não condiz com a verdade, tem interesse pessoal e não com a história.

Uma pergunta que tenho certeza que todos os escritores, pesquisadores, historiadores e estudantes do cangaço fazem nas suas mentes:

Qual foi a fonte que o escritor Pedro Morais encontrou esta decepcionante história sobre Lampião e Maria Bonita? Nos arquivos dos escritores do cangaço não foi.


Teria sido colhido por pessoas para fazerem gracinhas sem graça com quem não pode se defender? Mas se engaram. Ainda existem familiares de Lampião e Maria Bonita para defendê-los.  


Eu não me lembro em que jornal li sobre um fato que aconteceu entre um político e um repórter, porque já faz muitos anos, e nesse tempo eu não tinha o mínimo interesse por leituras. 

Um político era o grande manda chuva de uma cidade em um dos Estados do Brasil. Ninguém era mais poderoso e considerado o mais importante do que ele.  Todos que se candidatavam  contra ele ou contra o político que ele o apoiava, o seu adversário já sabia qual seria o resultado: Derrota com certeza. 

A melhor maneira de acabar com histórias que foram  fundidas na fornalha da irresponsabilidade sobre o cangaço, é não dar a mínima atenção, e nem participar do lançamento de livros que contrariam a verdade.
POLÍTICO E REPÓRTER
Certo dia um repórter jornalista falou mal de sua administração e mais outras coisas. Sentindo-se atingido, o político deu uma grande surra no repórter. O sindicato da classe revoltado com o que ele fizera com o seu associado, reuniu os membros e juntos combinaram para nunca mais falarem em suas colunas o nome do político  de bem ou de mal. Resultado:
O político caiu de uma vez, nunca mais se elegeu nem para vereador. 

Assim é o que devem fazer os grandes escritores do cangaço, quando aparecer certo tipo de trabalhos  imaginados, fundidos, sonhados, fictícios..., contrariando o que eles já fizeram com tanto amor e com provas concretas, não dar valor de forma alguma, e nem participar de lançamentos de livros mentirosos. 

O tema cangaço está sendo levado pelo vento, alguém quer criar mentiras, no intuito de angariar dinheiro.

Às vezes fico me perguntando: Como é que uma autoridade que muito combateu durante a sua vida jurídica sobre: desonra, desrespeito, calúnia e mais e mais, escreve um livro difamando quem já morreu, quando deveria continuar defendendo a honra de quem quer que seja? Incrível!

Se você quer ler livros com seriedade, escritos pelos melhores escritores e pesquisadores do "Tema Cangaço", entre em contato com o Professor Pereira.


Com ele você irá adquirir as melhores histórias escritas pelos grandes e responsáveis escritores. Histórias que não contrariam as verdades do cangaço, que não difamam, pesquisadas nas fontes, colhidas através de remanescentes e pessoas que participaram diretas e indiretamente do cangaço. Não deixe a sua mente acreditando em coisas ridículas, sonhadas, fictícias, montadas sem nenhuma credibilidade sobre o "Tema Cangaço". Quem escreve afetando a imagem de alguém, não tem nenhum compromisso com a formação de uma nação.

Clique no link para entrar em contado com o professor Pereira:

  

BOAS NOTÍCIAS SOBRE A QUESTÃO DO LIVRO LAMPIÃO O MATA SETE


Por: Archimedes Marques

LAMPIÃO, O MATA SETE. PRIMEIRA BATALHA GANHA PELA FAMÍLA FERREIRA.


O lançamento do livro LAMPIÃO, MATA SETE de autoria do Juiz aposentado Pedro Morais que estava previsto para ser lançado hoje às 18:00 horas na Livraria Escariz do Shopping Jardins da capital sergipana foi suspensa por ordem judicial. Consta que a família FERREIRA, descendente de
Lampião e Maria Bonita teria entrado na Justiça com um pedido de liminar para suspender o lançamento do referido livro, baseada em uma entrevista que o próprio autor do livro teria dado ao jornal CINFORM dando conta que Lampião era gay e impotente sexual, enquanto Maria Bonita era adúltera e que havia um triângulo amoroso com esse casal de cangaceiros com o subalterno cangaceiro
Luiz Pedro, que no caso seria o ativo sexual do trio. Cuja matéria também fora publicada em diversos sites.

Assim, dessa primeira batalha já se fez vitoriosa a família de Lampião e Maria Bonita, pelo menos provisoriamente até que se julgue o Mérito da questão da ação impetrada, a não ser que haja uma liminar derrubando a primeira liminar, mas que de tudo já se preveem que outras batalhas judiciais com certeza virão.
Autor:
Archimedes Marques (Delegado de Polícia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe). archimedes-marques@bol.com.br

meus+comentarios/lancamento+do+livro+lampiao+em+sergipe+comentario

Cariri Cangaço em Natal...


Por: Manoel Severo

Caros amigos, neste final de semana estaremos participando de um Grande Encontro.

Ilustração de André Neves

Estamos indo até Natal onde teremos a oportunidade de sentar à mesa com os confrades da simpática e acolhedora capital potiguar; na programação, um encontro especial no sábado à noite com os amigos


Ivanildo Silveira,

 

Honório de Medeiros,

http://arquivos.tribunadonorte.com.br/fotos/59902.jpg

Múcio Procópio,
  
  
Sérgio Dantas,


Rostand Medeiros, dentre outros...

Assunto?! Não duvidem: Cangaço!
Abraços e até lá.
Manoel Severo

Sem método é muito difícil se construir uma história

Por: Wescley Rodrigues
Wescley Rodrigues

Acaba de ser lançado, na capital de Sergipe, o livro “Lampião, o mata sete”, de autoria do ex juiz de direito Pedro de Morais. Em linhas gerais, a obra, segundo relato da mídia, versa sobre um possível triângulo amoroso entre Lampião, Maria Bonita e Luiz Pedro. Nas pesquisas do autor ele chegou a conclusão de que Lampião tinha sido atingido por uma bala no seu saco escrotal que fez com que este ficasse impotente.
 
Mas o interessante na obra não é esse ponto, mas sim o que diz respeito a afirmativa que seria Lampião homossexual, sendo que todos os casos que ele teve com mulheres ao longo de sua vida era apenas para ludibriar o meio social em que ele estava. E Maria Bonita? É apresentada como uma mulher perversa, intrigueira, que apenas era uma espécie de “cobaia” para maquiar a homossexualidade do dito “Rei do Cangaço”.
 
Há ainda outra peculiaridade na obra, essa diz respeito a Luiz Pedro, homem de confiança de Lampião, que na verdade não passava do amante do líder cangaceiro, sendo o ativo nessa relação, praticando atos sexuais tanto com Lampião como Maria Bonita. Frente a isso, me vêm a mente algumas questões interessantes que como historiador e estudioso do cangaço não poderia deixar passar despercebido.
 
 
Não canso de dizer que na história do cangaço e nas pesquisas desenvolvidas, muitos escritores esquecem de que qualquer trabalho histórico precisa de um método, método que possa dá caráter de cientificidade a produção e ajude a elucidar as lacunas dos fatos do passado. Sem método é muito difícil se construir uma história que prime pela verdade ou pelo menos pela verossimilhança. O método não é algo somente de acadêmicos ou daqueles que são portadores de um diploma universitário e fazem da história um ofício, mas o método é uma espécie de rota que faz com que não nos percamos no meio do arsenal de informações que vamos adquirindo ao longo das pesquisas.
 

Outro elemento preponderante são os documentos, eles são a alma das pesquisas históricas, sejam documentos oficiais, relatos orais, fotografias, mapas, gravuras, etc. Eles possibilitam-nos falar não de forma aleatória, mas nos dão um respaldo, nos servem de pilar para fazermos afirmativas a partir do nosso lugar social de escritores. No entanto, apesar de serem importantes para as pesquisas, não podemos nos deixar levar por eles, pois nem sempre eles são detentores de verdades. Os documentos, como nos ensina o método histórico, devem ser questionados, problematizados, debatidos. Devemos conversar com esses documentos e também entender o lugar de sua produção e construção. Assim, nem todo documento só por ser histórico contem a verdade ou uma verossimilhança.
 
 
Pois bem, depois dessa explanação reflitamos um pouco a obra referendada acima. O autor afirma que para a elaboração da mesma ficou no campo das conjecturas, não tendo como ter acesso a fontes primárias, o que já coloca o trabalho em um patamar extremamente problemático. Para a história é preciso de provas, não só fazer ligações, acreditar em hipóteses. Ou você parte da hipótese a prova documental, ou é melhor se calar, pois isso já foge completamente do que se entende hoje como história. Tal afirmativa da homossexualidade de Lampião e do seu poliamor é problemática, pois não se tem documentos palpáveis em que se possa afirmar tal ideia. Qualquer trabalho que fale do passado tem que entender a temporalidade do período estudado, e até onde me consta - não estou afirmando que não tinha -, a homossexualidade no sertão nordestino era um tabu nas décadas de 1920, 1930 e 1940. Ainda não tínhamos passado pela revolução sexual, os homossexuais eram tratados como doentes que precisavam de tratamento, e nesses usavam-se métodos de “cura” extremamente desumanos, como por exemplo eram trancados em manicômios, passavam por tratamentos de choque, eram agredidos por serem tratados como sujeitos sem moral que precisavam ter a sua conduta reabilitada a partir da agressividade.

O fato de Lampião ter voz afeminada, traços e atitudes mais “finas” para aquele meio “áspero” em que viviam – não estou afirmando um “determinismo geográfico” – não vêm a provar que ele era homossexual, pois é uma evidência muito pobre para se lapidar tal afirmativa. O problema em questão não é se ele era ou não era gay, mas a problemática está em não termos as provas documentais que prove isso, o que impossibilitaria de fazermos tal afirmação, até porque sua sexualidade não mudaria em nada o papel que ele desempenhou na história, até porque o que ele fez ou deixou de fazer no meio da caatinga com Luiz Pedro e Maria Bonita, só dizia respeito a eles.

Fora essa afirmativa que é comum na literatura sobre o cangaço de que Lampião era mais delicado nos traços e político no falar e se relacionar, não há nenhuma prova documental até o presente momento que comprove a sua impotência e homossexualidade, até porque em uma realidade social extremamente fálica, onde o culto a masculinidade se ligava ao genital, como tão bem trabalho o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior, no mínimo era vergonhoso para o sujeito impotente sair espalhando a sua incapacidade de “expelir sementes” e ter ereção.
 
 
Concordo com o autor Pedro de Morais quando ele afirma ter por parte dos estudiosos do cangaço uma supervalorização da figura dos cangaceiros e do próprio Lampião que era bandido. Mas temos que entender que essa imagem também é uma construção histórica, daí teríamos como função entender porque de bandido ele passou a ser exaltado, quais os interesses que estariam nivelados em tal mutação representacional. O fato dele ser “bandido” não desqualifica a sua história, pois tanto os bandidos da caatinga, quanto os das favelas, o do congresso nacional, como os generais do exército ou os líderes religiosos católicos, protestantes, judeus ou mulçumanos, são seres históricos e precisam ser entendidos e historiados dentro de sua realidade. Não podemos marginalizar a imagem dos cangaceiros só por eles serem bandidos, mas temos que ter cuidado com essa supervalorização, que devem ser entendidas pelos estudiosos.

Mais do que nunca clamo aos estudiosos do cangaço que respeitem o passado e a história, respeitem os documentos, questionem as verdades, “nem tudo que parece, é”, como diz o ditado popular. Fazer história é lidar com vidas, vidas que deixam memórias que precisam ser respeitadas. É preciso ter um respeito para com o passado, como também para com os vivos do presente que merecem ter pelo menos uma aproximação do que é a verdade.

Prof. Wescley Rodrigues
Brasília – DF

A CRIANÇA MORTA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Em texto anterior teci algumas considerações sobre a força expressiva contida na pintura A Menina Doente, de Edvard Munch, ressaltando a utilização de cores sombrias, em certos momentos quase enegrecidas, para tratar sobre a dor e o sofrimento de uma mãe ao lado de sua filha gravemente enferma.
Não por sequência ou busca de aprimoramento do antes analisado, mas hoje me volto para uma situação muito parecida com a descrita por Munch, porém agora sob outras vertentes expressivas e com uma motivação artística ainda mais forte, pois cuidarei do que me representa o quadro Criança Morta, de autoria de Portinari.
Criança Morta é um óleo sobre tela de 1944, da Série Retirantes, do paulista de Brodowski Cândido Portinari. Talvez não se faça necessário resumir o que continua representando a obra desse genial pintor na arte plástica brasileira e mundial. Por mais que a maioria do povo tupiniquim insista em desconhecer ou desvalorizar a arte, a cultura e a tradição, dificilmente alguém diria não conhecer ao menos alguma pintura portinariana.
Contudo, pessoas existem que jamais ouviram falar no pintor e, no entanto, ainda hoje representam os modelos vivos que um dia foram retratados. A Série Retirantes não pode ser tida apenas como uma contextualização artística, mas sim como um cenário onde se pode avistar pessoas tão conhecidas de todos, paisagens que ainda hoje continuam as mesmas, gestos e feições que infelizmente ainda não mudaram. Como o próprio artista afirmou: “Os retirantes vêm vindo com troxas e embrulhos. Vêm das terras secas e escuras; pedregulhos. Doloridos como fagulhas de carvão aceso”.
E isto porque a Série Retirantes é uma fotografia dolorosamente fria, contundente, realística do Nordeste brasileiro, dos sertanejos que padecem pelas longas estiagens, das secas inclementes que assolam as terras áridas, da magrez estampada na pele, nos ossos sobressaindo na cara e até nos olhos. Num fundo cinzento e feio, pois não há como expressar noutras cores a feiúra da morte, da miséria extrema, do desalento e desencantamento, está o sertão e o seu povo, o destino, o caminho sem esperança do nordestino tangido pelas desventuras do tempo.
Quem nunca foi ao sertão, quem não conhece como é a vida por lá em época de sequidão, até que pode dizer que ali está apenas uma visão metafórica do artista sobre o sofrimento. Será? Ainda hoje, por mais que as bolsas famílias da vida queiram disfarçar realidades, encontra-se a menina morta nos braços da mãe que, ao lado de parte da família, é apenas mais uma lágrima escorrida. Isso mesmo, Criança Morta, a mesma criança desfalecida da pintura, ainda pode ser encontrada nas veredas sertanejas.
E na tela se vê a terra marrom-avermelhada, cor do massapé sertanejo, a mãe esquálida pranteando a criança morta que se estende em seus braços, uma figura entristecida um pouco mais atrás, que pode ser do pai ou avó, certamente martirizando-se pela impotência diante da situação, os irmãos aflitos e de olhos espanando as dores do sofrimento. A mãe, desesperadamente curvada sobre a criancinha, não mostra a face nem a feição de tristeza. Mas precisaria? Ao fundo avista-se um plano enegrecido, uma paisagem escurecida que não é de nuvem carregada, mas do sofrimento que se alonga em tudo.
Analisando a pintura portinariana, assim se expressou Larissa Gusmão Seixas (“A criança morta” - http://lgseixas.wordpress.com/2009/10/08/a-crianca-morta/): “(...) O quadro, como muitas outras obras do criador, tem um ar melancólico e retrata a morte de uma criança esquálida nos braços da sua família que chora por sua perda. Quase todos os personagens da obra estão com os olhos cheios de água, os pais da criança têm as cabeças e os ombros baixos – como se derrotados, a irmã mais velha tem um lenço na cabeça e a mais nova segura a cabeça do moribundo. Apenas o filho caçula não chora, por não ter idade suficiente para entender a morte. A cena acontece num crepúsculo e são utilizadas cores frias, acentuando a tristeza da ocasião. No local nada mais existe além da família e uma galinha semi-viva. Eles estão no meio de um deserto, há apenas um horizonte de terra seca e pedregulhos. Um lugar onde não se tem a mínima condição de sobrevivência. A família é exemplo de uma vida de miséria no sertão brasileiro. É impossível não se sentir sensibilizado com a imagem, pois além de a pobreza da família ser completamente visível – todos estão com as vestes sujas, descalços e subnutridos, eles possuem um semblante entristecedor de pessoas esquecidas pelo mundo, que passam necessidade sem nenhuma intervenção externa”.
Tem razão a resenhista, pois a primeira ideia que se tem ao se visualizar a tela é a de uma dor desmedida. Aos olhos de quem apenas imagina tanta dor e aflição, felizmente haverá o alento de se ter aquilo apenas como uma pintura. E sendo arte, talvez o artista pudesse fazer a criança renascer em outra tela. Contudo, e se os olhos que enxergam a tela são os mesmos que já avistaram, pisaram, sentiram aquela paisagem de perto e, de certa forma, também já choraram pela morte de uma desvalida criança sertaneja, não haverá como não dizer que na  tela está realidade e na vida estão as pinturas e desenhos sem artista.
Sou daquele mesmo sertão nordestino retratado pelo artista, caminhei pelos seus caminhos e avistei cenários de morte. Não vi famílias carregando seus mortos pelas estradas, mas vi a morte rondando tudo, vi o depauperamento por trás de cada perto e janela; ouvi o choro de crianças. E depois não ouvi mais nada. Será? Não voltei no dia seguinte pela mesma estrada.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com