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sexta-feira, 16 de março de 2012

Descobertas (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*

Rangel Alves da Costa

Descobertas

Quanta inocência
em meu mundo
quase nada eu sabia
de mais profundo
falavam sobre namorar
e imaginava tudo fácil
bastando querer e gostar
jamais vinha à imaginação
que conquistar o amor
trazia consigo a desilusão
era também fruto da dor
e que manter a conquista
fazia do coração equilibrista
que a certeza de amar
era difícil demais de chegar
pois tudo que é construído
sem o cimento da verdade
é alicerce de frágil areia
desmoronando sem piedade
na brisa que chega leve
bem ao cair da tarde.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

CANGACEIROS DA PARAÍBA

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Para destacar os principais, que entraram no cangaço, não por vocação, mas por obrigação, que a própria época exigia, destacam-se Francisco Pereira e Osório Francisco Ferreira, ainda jovem, de família conceituada, por força do destino entrou no cangaço, para vingar a morte do pai, barbaramente assassinado. Seu pai era um homem pacato, fazendeiro honrado, que antes de morrer pronunciou as seguintes palavras: “Vingança não”. Disse diante desse pronunciamento, à família, especialmente os filhos, ficaram num dilema, porque era determinação da própria sociedade, da época, a vingança. Mas resolveram atender o pai.

 O filho, Chico Pereira, procurou a Polícia, registrou a queixa e insistiu com o delegado para que fosse feita a prisão do assassino do pai, tendo a autoridade policial afirmado: “Chico, a gente solta uma vaca e para achá-la, não é facil, imagine um criminoso perigoso, como este que matou teu pai”.

Chico Pereira, desejando dar satisfação à família, pediu uma autorização ao delegado, por escrito. Logo depois encontrou o criminoso, dormindo. Com rara dignidade, mandou que o sujeito acordasse e o levou preso, para a Polícia. Volta para casa e a família ficou satisfeita com o episódio da prisão. Um dia depois o criminoso se encontrava em liberdade. Chico compreendeu que não havia justiça e se viu na contingência de fazê-la com as próprias mãos.

Na mesma região de Pombal, registrou-se outro caso, Osório um garoto de poucos meses de nascido, encontrava-se numa rede quando o pai chegou baleado, quando afirmou: “Este gatinho que está na rede vai vingar minha morte”. À medida que ia crescendo, Osório ouvia de outro: a determinação do pai. Ao completar 18 anos, recorreu a justiça da época, o rifle, e matou o assassino do pai e outros que cruzaram seu caminho. Osório Olímpio de Queiroga foi realmente um cangaceiro respeitado.

Depois conseguiu absolvição, na comarca de Pombal, e ingressou na Polícia Militar da Paraíba, chegando a coronel e se conduzindo sempre como um militar digno e correto. O mesmo chegou a ser prefeito de Católé do Rocha.
O problema do cangaceirismo e coronelismo vem, segundo consta, da Guerra Brasil-Paraguai, quando foi fortalecida a guarda nacional e, entre as pessoas recrutadas, eram dadas patentes.

Nos séculos passados, no entanto, a Paraíba teve inúmeros grupos de bandidos, que invadiam as cidades, saqueavam o comércio e matavam. As causas principais eram a seca e a fome.

No ano de 1887, registraram-se invasões e violências. A polícia nada podia fazer para garantir a vida do cidadão e da propriedade alheia, sempre ameaçadas pelos bandidos. Os jornais da época denunciavam a insegurança nos sertões, sem que qualquer providência tivesse sido adotada para coibir o abuso.

José Américo de Almeida, no Livro A Paraíba e seus problemas, relacionou inúmeros grupos de bandidos que agiam impunemente no sertão. O grupo de Jesuíno Brilhante, com atuação no século passado, foi um exemplo. Ele residiu, por alguns anos, na localidade Boa Vista, próxima a Pombal, sem qualquer diligencia da polícia para capiturá-lo. Foi dessa maneira que a miséria juntou-se ao terror. Fazendeiros abastados, que poderiam resistir à crise, durante alguns meses, emigraram sem demora, temerosos de assaltos.

Em maio do mesmo ano, a cadeia de Campina Grande foi arrombada e muitos indivíduos implicados ao movimento do quebra-quilos fugiram. Dentro de mais algumas semanas, outros presidiários fugiram, entre os quais o famigerado Alexandre de Viveiros, chefe do levante de 1874. Ainda foi arrombada a cadeia de Mamanguape e, ao mesmo tempo muitos sentenciados caíram fora.

José Américo de Almeida conta, também, que, desta maneira, iam-se tornando mais terríveis as correrias com a aquisição de novos profissionais do crime da Paraíba e do Ceará. Ressalte-se a fraqueza das autoridades que permitiam que fossem engrossando os grupos, como o do Calangro, evadido da cadeia do Crato e cabeça dos 60 assalariados de Inocêncio Vermelho: o de Sebastião Pelado, inimigo dos primeiros: e dos irmãos Viriatos, formado de mais de 40 bandidos: e dos Mateus, entre outros. Um desses bandos assaltou duas propriedades em Alagoa Grande.

O senhor Gustavo Barroso, por exemplo, retrata o comportamento de Viriato, um dos principais cangaceiros da época: “O Viriato foi um dos cangaceiros mais célebres, mais rasteiros e mais tortuosos do Cariri. Era um miserável estabanado nos atos, com uma infinidade de predisposições reductíveis ao roubo, ao estupro e ao assassinato. Inventava torturas para as vítimas. Gostava mais de matar às facadas do que de fuzilar, dizia que era “mais barato”. Esse bandido obrigou um fazendeiro de São João do Cariri a casar-se com a irmã de seu compassa Veríssimo.

Foi assassinado, de emboscada, no lugar Riachão, o Dr. Vicente Ribeiro de Oliveira, quando voltava da Bahia para reassumir o Juizado de Direito da Comarca de Piancó. Esse crime foi atribuido aos cangaceiros.

Fonte:

quinta-feira, 15 de março de 2012

CANGACEIROS

 Dr. Ivanildo Alves Silveira

As fotos abaixo pertencem ao acervo do colecionador do  cangaço: Dr. Ivanildo Alves da Silveira


 O cangaceiro Zé Sereno, companheiro da cangaceira


Ilda Ribeiro - a Sila


Moreno - companheiro da cangaceira

 

Durvalina


Criança - companheiro da cangaceira



Dulce

Extraído do blog: Lampião Aceso

O jornalista Mário Melo (1884-1959)

APRESENTAÇÃO, Rita de Cássia Barbosa de Araújo
mariomelo

Cadê Mário Melo?
Partiu para a eternidade
Deixando na sua cidade
Um mundo de saudade sem igual
Foliões, a nossa reverência
À sua grande ausência
No nosso carnaval
[...]
Nos sucessivos Carnavais de Pernambuco, ano após ano, os foliões entoam, nas ruas e nos clubes, o frevo de bloco Evocação nº 3, de Nelson Ferreira. Rememoram, cantam a saudade de Mário Melo que muitos, os nascidos da década de 1960 em diante, não conheceram pessoalmente e de quem só ouvem falar durante os festejos de Momo ou o tem na conta de nome de uma grande avenida do bairro da Boa Vista, no Recife. Todos sabem, porém, da existência de um certo Mário Melo, amante do Carnaval pernambucano, dos clubes pedestres, das troças e dos maracatus, que, de abraços abertos e cabelos desgrenhados, entregava-se de corpo e alma ao frevo e ao passo.

O desconhecimento sobre Mário Melo, sobre sua produção intelectual e os seus posicionamentos políticos, bem como sobre a influência que suas opiniões exerceram sobre diversas gerações de pernambucanos — insistimos em falar em pernambucanos uma vez que Mário Melo foi, fundamental e assumidamente, um provinciano — estende-se para além do senso comum e adentra a academia. Nascido ainda no Império, em 1884, falecido em 1959, Mário Melo vivenciou os tempos da República Velha e de suas elites oligárquicas e conservadoras. Aderiu imediatamente à chamada Revolução de 1930; e, anticomunista ferrenho, esteve ao lado do interventor Agamenon Magalhães desde as primeiras horas do Estado Novo. Com a redemocratização, elegeu-se deputado estadual pelo Partido Social Democrata – PSD, cumprindo mandato de 1947 a 1951.

O combativo jornalista testemunhou também as mudanças que alteraram radicalmente as conformações físicas, espaciais e paisagísticas do País e de sua terra natal, Pernambuco, e da cidade do Recife em particular, na primeira metade do século XX; como também acompanhou as modificações advindas da passagem de uma sociedade eminentemente rural para uma sociedade urbana e industrial, e as alterações acontecidas nas mentalidades, nos comportamentos e nos valores.

A exemplo de alguns contemporâneos e conterrâneos, como o antropólogo e sociólogo Gilberto Freyre e o memorialista e escritor Mário Sette3, Mário Melo vivenciou a tensão e o mal-estar provocados, como percebiam então, pelo difícil convívio entre esses dois mundos, o campo e a cidade, comumente associados à tradição e ao moderno respectivamente. A seus olhos, a modernidade e a modernização ameaçavam o passado, o importante passado de Pernambuco que tanto procurou defender e exaltar em seus livros, artigos e pronunciamentos públicos. Porém, diferentemente dos dois intelectuais acima referidos, o “homem dos sete instrumentos”, como se autodefinia4 — foi telegrafista, jornalista, geógrafo, historiador, folclorista, político, professor, poeta, crítico teatral, músico e folião — ainda espera pelo reconhecimento da academia, no sentido de ver sua produção intelectual, suas opiniões e seus posicionamentos político-ideológicos como objetos de estudo de historiadores, de cientistas sociais e de comunicadores sociais.

O trabalho de Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa, bibliotecárias da Fundação Joaquim Nabuco, Mário Melo, 1884-1959: uma bibliografia, para a elaboração do qual contaram com a colaboração da bibliotecária Fernanda Ivo e do museólogo Henrique Cruz, reúne e sistematiza a dispersa e variada produção intelectual do empertigado jornalista, constituindo grande estímulo para a elaboração de estudos científicos que sistematizem e analisem densa e criticamente a obra de Mário Melo. São mais de mil registros bibliográficos e documentais à disposição dos pesquisadores, daqueles interessados em investigar a contribuição de Mário Melo para a produção do conhecimento histórico sobre Pernambuco e a marca por ele deixada na historiografia local; assim também, sua colaboração para os estudos sobre os povos indígenas da atual Região Nordeste, escritos em uma época em que eram completamente invisíveis para o Estado e para as elites nacionais.

Mário Melo participou também das discussões matriciais sobre a definição do conceito de patrimônio cultural no País e sobre o papel que caberia ao Estado, às elites e às camadas subalternas nesse campo, entre as décadas de 1920 e 1930. Defensor apaixonado de um museu regional para Pernambuco, envolveu-se nas discussões em torno da criação da Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais em Pernambuco, no ano de 1928. Devotado às manifestações culturais populares, desejando vê-las preservadas em sua autenticidade e tradicionalismo, livres das influências políticas e culturais trazidas pelo estrangeirismo e pela modernidade, Mário Melo foi um dos principais idealizadores da Federação Carnavalesca Pernambucana, criada em 1935, assumindo importante cargo nessa instituição ainda hoje existente.

A diversificada produção intelectual de Mário Melo, sua atuação profissional e sua ativa participação nos mais variados campos da vida social, política e cultural suscitam uma multiplicidade de temas de investigação e estudo, inclusive sobre a definição, o papel e a prática do ser intelectual no Brasil, na primeira metade do século XX.

O inventário documental que Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa ora trazem à cena se apresenta como uma provocação intelectual para todo aquele que se interessa por conhecer os possíveis e infindáveis diálogos que o presente pode estabelecer com o passado, em busca de novas interpretações e de novos sentidos que ampliem nossos horizontes conceituais e nos apontem diferentes e promissores caminhos a seguir.
[...]
De braços para o alto
Cabelos desgrenhados
Frevando sem parar
Lá vem Mário!
Defendendo Vassourinhas
Pão Duro, Dona Santa,
Dragões ou Canindés
Lá vem Mário!
Com ele já se abraçaram
Felinto, Pedro Salgado
Guilherme e Fenelon
E no palanque
Sem fim lá do espaço
Lá está Mário a bater palmas
Para o frevo e para o passo.

Recife, 27 de fevereiro de 2012.

:: Consulte a bibliografia completa, faça download do arquivo em pdf

15 de março - Santa Luísa de Marillac


Luísa nasceu em 12 de agosto de 1591, filha natural de Luís de Marillac, senhor de Ferrières, aparentado com a nobreza francesa, cujas posses permitiram dar à filha uma infância tranqüila. A menina aos três anos foi para o Convento Real de Poissy, em Paris onde recebeu uma educação refinada, quer no plano espiritual, quer no humanístico.

Porém, seu pai morreu quando ela tinha treze anos, sem deixar herança e, felizmente, nem dívidas. Nessas circunstâncias Luísa foi tirada do Convento, pela tia Valença, pois os Marillac não se dispuseram custear mais sua formação. Ela desejava dedicar sua vida à Deus, para cuidar dos pobres e doentes, mas agora com a escassez financeira teria de esperar para atingir esse objetivo.

Durante dois anos viveu numa casa simples de moças custeando-se com trabalhos feitos em domicílio, especialmente bordados Ela tentou ingressar no mosteiro das capuchinhas das Filhas da Paixão que acabavam de chegar em Paris, mas foi rejeitada pela aparência de saúde débil, imprópria para a vida de mosteiro. Depois disso viu-se constrangida a aceitar um casamento que os tios lhe arranjara. Foi com Antonio de Gràs, que trabalhava como secretário da rainha. Com ele teve um filho, Miguel Antonio. Viveu feliz, pois o marido a respeitava e amava a família. E se orgulhava da esposa que nas horas vagas cuidava dos deveres de piedade, mortificando-se com jejuns freqüentes, visitando os pobres, os hospitais e os asilos confortando a todos com seu socorro. Até que ele próprio foi acometido por grave e longa enfermidade e ela passou a se dedicar primeiro à ele sem abandonar os demais. Mas com isso novamente os problemas financeiros voltaram.

Nesse período teve dois grandes conselheiros espirituais: Francisco de Sales e Vicente de Paulo, ambos depois declarados Santos pela Igreja. Foi graças à direção deles, que pôde superar e enfrentar os problemas que agitavam o seu cotidiano e a sua alma. Somente sua fé a manteve firme e graças à sua força, suplantou as adversidades, até o marido falecer, em 1625 e Miguel Antonio foi para o seminário.

Só então Luísa pôde dedicar-se totalmente aos pobres, doentes e velhos. Isso ocorreu porque Vicente de Paulo teve a iluminação de colocar-la à frente das Confrarias da Caridade, as quais fundara para socorrer as paróquias da França, e que vinham definhando. Vicente encarregou-a de visita-las, reorganiza-las, enfim dinamiza-las, e ela o fez durante anos.

Em 1634 Luísa, com ajuda e orientação de Vicente de Paulo, fundou a Congregação das Damas da Caridade, inicialmente com três senhoras da sociedade, mas esse núcleo se tornaria depois uma Congregação de Irmãs. Isso o porque serviço que estas Damas prestavam aos pobres era limitado pelos seus deveres familiares e sociais e pela falta de hábito aos trabalhos humildes e fatigantes. Era necessário colocar junto delas, pessoas generosas, livres e totalmente consagradas a Deus e aos pobres. Mas na Igreja não existiam porque a vida de consagração para as mulheres estava concebida apenas como vida de clausura. Então, Vicente e Luísa, em 1642 ousaram e, criam as Irmãs dos Pobres, as Filhas da Caridade, a quem foram confiados os doentes, os enjeitados, os velhos, os mendigos, os soldados feridos e os condenados às prisões.

Nascia um novo tipo de Irmã, com uma missão inédita para aqueles tempos: uma vida consagrada em dispersão pelos caminhos do sofrimento humano, assim estava criada a Congregação das Irmãs Filhas da Caridade, em 1642. Na qual Luísa fez os votos perpétuos, sendo consagrada pelo próprio Vicente de Paulo. A obra, sob a direção dela foi notável. Quando Paris foi assolada pela guerra e peste, em 1652, as Irmãs chegaram a atender quatorze mil pessoas, de todas as categorias sociais, sendo inclusive as primeiras Irmãs a serem requisitadas para o atendimento dos soldados feridos, nos campos de batalhas.

Luísa morreu em 15 de março de 1660. Foi beatificada em 1920, e canonizada pelo Papa Pio XI, em 1934. Suas relíquias repousam na Capela da Visitação da Casa Matriz das Irmãs da Caridade, em Paris, França. Santa Luísa de Marillac foi proclamada Padroeira das Obras Sociais e de todos os assistentes sociais, pelo Papa João XXIII, em 1960.

Fonte:

Falando nisso...

Alagadiço - Frei Paulo é Rota do Cangaço em Sergipe
O messianismo que surgiu no Nordeste, e principalmente o banditismo que se tornaram comuns, especialmente durante a República Velha esboça o abandono pelas autoridades entremeado de período de desmedida repressão contra os mais humildes dos sertões.
Eis porque Lampião ainda é visto como um mal menor por muita gente, diante da selvageria dos senhores fazendeiros. Todavia, os horrores que os cangaceiros praticavam, muitas vezes levavam a reações como a que houve no Alagadiço contra
Zé Baiano que acabou morto, dando início ao declínio do banditismo nos sertões. Alagadiço, pois, marca o primeiro grande revés no cangaço já que não se tratou apenas de expulsar os cangaceiros: eles foram desmoralizados com a morte de um dos mais temidos.

Atualmente, fruto do trabalho incansável do exército de um homem só, de Antônio Porfírio de Matos Neto, foi montado e é mantido por este um museu com várias e valiosas peças no mesmo povoado, daquele período negro da história nordestina, próximo do local do assassinato do terrível Zé Baiano, em 07 de junho de 1936 que, entre outras manias, tinha a de ferrar suas vítimas mulheres depois de as estuprar.

Curiosamente, a instalação do dito museu está às margens daquela que foi canal para o primeiro grande choque entre o branco dominador e o índio e o negro: a gênese do povão brasileiro.

Chega-se ao povoado tomando-se a BR-235 até Frei Paulo, e daí até o trevo para o mesmo povoado por mais três quilômetros; e do trevo até lá por estrada asfaltada, mais sete quilômetros. O museu está localizado numa casa modesta, às margens da estrada real dos quilombos, na saída no sentido da cidade de Carira. Está sempre aberto à visitação nos horários convencionais.

Créditos: Andarilho 59, YouTube
Extraído do blog: "Lampião Aceso"

O Estado Maior do Cangaço

Por: Cicinato Neto
Magérbio de Lucena
Lampião e o Estado Maior do Cangaço - Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena - Estudo feito por dois estudiosos do Cariri cearense sobre os maiores nomes do cangaço no Nordeste: Lampião, Luís Pedro, Labareda, Sabino Gomes, Massilon, os irmãos Engrácia, Antônio Matilde, Antônio Ferreira, Livino Ferreira, Jararaca, entre outros.
Edição utilizada: 2ª edição, Fortaleza, Gráfica Encaixe, 2004 (a primeira edição é de 1995).
Trecho significativo:
Declarações do cangaceiro Oliveira aos pesquisadores sobre Lampião:


"Durante o tempo que andei com Lampião, quando a gente entrava no Ceará, ele dizia logo: - Coidado, qui é um istado qui eu arrespeito! E ninguém tomava nada de ninguém, não matava ninguém. Lampião não gostava de dar surras, dizia: Prá pegá um pobi, um paisano dizarmado dá u'a pisa, não é vantage prum homi. Vantage prum homi é falá arto prá ôto homi armado! Não se dava bolos. As moças tinham que ser respeitadas. O padre Cícero tinha pedido para ele respeitar moças, senhoras casadas e seus romeiros, dizendo que se fizesse isso, ele morreria velho em sua cama. Quando entrô no Juazeiro, deram-lhe armas, fardamento e a patente de capitão prá deixar aquela vida, mas o governo e a polícia do Pernambuco não deixaram. Lampião dizia:
Ninguém quêra si apossá de muié de vergon'ia o que mi dizibedecê eu atiro pra matá! E se o o cabra teimasse, morria mesmo".
O tratamento dos feridos era uma coisa desmantelada. Lavava-se era com cachaça, pois não havia álcool e colocava-se emplasto de sal com pimenta. Nunca fui ferido, mas vi muito baleado sofrer com ferimento aberto e tendo que andar sem parar, correndo da polícia. Se o ferimento era grande, deixava-se o baleado com algum coiteiro. Quando não tinha jeito, se abreviava a morte do companheiro, a pedido dele mesmo como foi feito com Sabino". (p. 204-5).

Cicinato Ferreira Neto
www.cicinato.blogspot.com

NOTA CARIRI CANGAÇO: Para adquirir um exemplar desta obra de Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, entrar em contato com Professor Pereira, através do email: franpelima@bol.com.br

Extraído do Cariri Cangaço


OS DESEJOS PROIBIDOS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

OS DESEJOS PROIBIDOS
O tempora! O mores! Que tempos, que costumes! Assim se pronunciou o romano Cícero ao se referir à decadência moral de sua época. Caberia agora repetir tal expressão latina diante desses tempos modernos e tecnologicamente desenfreados?
Mas claro que sim. O progresso tecnológico não veio acompanhado do aperfeiçoamento moral do ser humano. Muito pelo contrário, quanto mais se inova mais o indivíduo deixa de se reconhecer enquanto portador de valores e deixa-se triturar pelos absurdos que chegam multiplicados, pois tudo em série.
E o mais absurdo ainda é que pretendem ver como alijados desse mundo novo todos aqueles que lutam para manter suas virtudes; todos aqueles que se mantêm distanciados da luxúria e da devassidão, das entregas fáceis e da vulgarização corporal e sexual; todos aqueles que não pretendem ocultar sua religiosidade, sua fé e sua devoção. Assim, quem não se deixa levar pela enxurrada dos modismos perversos passou a ser visto como inapto ao exigente convívio social.
Parece verdadeiro absurdo, mas atualmente não seria demais afirmar que pessoas são proibidas de ser como intimamente desejam, de não praticar aquilo que a sociedade maléfica e perniciosa pretende, de se abster de não se transformar forçosamente em algo imprestável para atender aos anseios dos novos tempos. Ora, aos olhos de muitos não há pecado maior nesses dias do que não viver se entregando a pecados.
Só mesmo muita força e persistência, destemor e determinação, para a pessoa se impor como deseja ser e não se desvirtuar pelos caminhos errôneos a cada momento mostrados. Que não se duvide o quanto sacrifício será para vencer os cochichos do mal, as graciosidades perversas, os convites da perdição. É como se flores do mal, belamente enfeitadas numa cesta de intemperança, fossem todos os dias colocadas à porta como num irrecusável convite ao erro.
Se a pessoa for fraca realmente se deixará levar, pois as lições imprestáveis chegam na televisão, no olhar adiante da janela, no mundo lá fora. Em grande parte, a sociedade se tornou escola maior de tudo que seja fútil, vulgar, imprestável, desonesto e imoral, e dela a pessoa não pode fugir com facilidade. Ademais, chega um amigo e até um parente insistindo para que faça exatamente aquilo que o íntimo não deseja e a personalidade não permite.
Em muitas situações, os desejos íntimos, os anseios da personalidade, os reclamos pessoais se tornam proibidos. E proibidos porque o mundo perverso e pervertido não comunga com aquele que procura viver em castidade, na pureza possível, com jeito conservador próprio de ser. A sociedade não acata e procura reprimir a inocência, a singeleza, a correção moral, as virtudes positivas.
Nesse desvão da vida, muitos desejos sempre tidos como normais se tornaram proibidos, impossíveis de se realizar, principalmente porque é muito difícil encontrar outra pessoa que comungue dos mesmos sentimentos de preservação moral. Assim, se tornaram desejos proibidos o amor verdadeiro, o namoro sem apelações, o diálogo como forma de compreender o outro e o mundo ao redor.
Tornaram-se desejos proibidos amar ao próximo como a si mesmo, demonstrar respeito aos mais velhos, ser piedoso com os mais necessitados, dar a mão àquele que precisa de ajuda para se erguer, olhar e sorrir para o outro sem que isto seja compreendido como má intencionalidade, procurar partilhar a alegria e a felicidade, dialogar palavras recheadas de boas lições, pedir sem ter que dar nada em troca, oferecer sem que o ofertado ache que tem de retribuir.
É proibido principalmente ser verdadeiro, honesto, ter um bom egoísmo para se achar importante e capaz acima de tudo, vaidoso na preservação própria, orgulhoso dos atos não corrompidos. E certamente vão querer proibir, mas jamais conseguirão afastar o seu desejo permanente e infinito de ter Deus no coração.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Baú sem chaves (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Baú sem chaves

Quanto e tudo da vida
tanta chegada e partida
carta amassada e fotografia
tempo que foi outro dia
e o velho baú esquecido
feito ontem já perdido

minha linda namorada
sorriso na foto amarelada
e uma agenda sem data
com verso que fere e mata
por tanta incompreensão
por tanto amor e solidão

ao redor silêncio e tristeza
baú fechado à mesa
olhos enxergando sem ver
tanta coisa ainda a ler
tudo rapidamente guardado
porque outro amor encontrado

o que me veio foi embora
tentei reencontrá-la senhora
pedir a chave do meu coração
abrir o lacre e pedir perdão
revirar esse baú do avesso
e da vida fazer recomeço.


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

quarta-feira, 14 de março de 2012

Luiz Gonzaga é homenageado pelo grupo MPE

Por: João de Sousa Lima

O Grupo MPE lança uma homenagem a Luiz Gonzaga em uma caixa com o formato de uma sanfona, contendo 04 cds e um encarte. O grupo atua em Paulo Afonso no ramo de piscicultura, com a filial AAT Internacional Ltda. A gerente da empresa em Paulo Afonso Jéssica Britto presenteou João de Sousa Lima com uma caixa que será parte de uma mostra cultural sobre o Rei do Baião, que acontecerá no mês de julho.
Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço: João de Sousa Lima, do blog

Eco do combate da "Fazenda Maranduba"


Um dos combates referenciais do Cangaço foi o Fogo da Fazenda Maranduba.
Os militares e jagunços aliados foram duramente fustigados.
Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.
Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA

P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 8 de Março de 1940.
Do soldado 2898 ANTONIO TEODORO CHAVES

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

Tendo sido baleado no combate contra o grupo de “Lampeão”, no dia 9 de Janeiro de 1932, quando fazia parte da “Col.Ten. Liberato” comandada pelo Sr. Cap. do E.N. Liberato de Carvalho, na fazenda “Maranduba”, Municipio de Poço Redondo, Estado de Sergipe, venho de solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem, a bem dos meus direitos. Nestes têrmos, pede deferimento.
Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço: Rubens Antonio do blog: Cangaço na Bahia

Eco do combate da "Fazenda Cajazeira"

Por: Rubens Antonio
Um combate pouco conhecido e comentado, em termos de estudos do Cangaço, foi o Fogo da Fazenda Cajazeira, no Município de Cipó.
Aqui, a demanda de um dos soldados sobreviventes, de vinculação dos seus ferimentos àquele combate, em um documento que repousa, atualmente, no Arquivo Público da Bahia.

Transcrição:

TESOURO DO ESTADO DA BAHIA

P.M.E.B

Quartel em Paripiranga, 11 de Março de 1940.
Do soldado ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA

Ao sr. Cel. Comandante da PM

ASSUNTO: – requer I.S.O.

ANTONIO TEIXEIRA DA SILVA, soldado do 4º B.C., adido ao D–NE., tendo sido acidentado no combate contra o grupo de “Lampeão”, havido na Fazenda Cajazeira, Município de Cipó, Estado da Bahia, no dia 11 de Agosto de 1932, quando fazia parte da “Coluna Tenente Ladislau”, que operava no Nordéste do Estado, vem, mui respeitosamente, a bem dos seus interesses, solicitar–vos um Inquerito Sanitario de Origem.
Termos em que espera e PEDE DEFERIMENTO.

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio, do blog Cangaço na Bahia.

Uma terrível visita ao Pantanal

Por: José Mendes Pereira
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhyzRtNSfJ76jdaje-qEdfyDfYFVDXD8C2X9HL1Yz7HZcyKBrXO9SVZLO1KMT7uh9I6VdlEryJlK2OKncU_miAbvOcsZyqcD9yz1c3cL45466aJxf1xYNgTlncdbN4-B2aV2BZmhEdEm23W/s220/JOS%25C3%2589+MENDES.jpg
Em uma das muitas viagens que fizemos às terras encharcadas do Pantanal, localizadas na América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai, onde guardam a mais linda fauna e flora do planeta, fomos atacados por gigantes jacarés, que sem menos esperarmos, ficamos encurralados por mais de 10 devoradores de carne humana.
 
A equipe de visitantes ao Pantanal era formada por: Gregório Santos, um engenheiro agrônomo, formado pela “ESAM”, Mossoró, nos dias de hoje, “UFERSA”, Marcos Vital, recém formado em Matemática pela “UERN”, antiga “FURRN”, também Mossoró, Paulo Gameleira, um capacitado professor de Química e Física; as irmãs gêmeas, Letícia e Lair Prado, cearenses, e eu, um simples professor de Português.
Foi um dos acontecimentos mais triste que passamos em toda nossa vida; quando caminhávamos pelos verdejantes e alagados solos Mato-grossense, fomos surpreendidos por uma porção de
 

jacarés, talvez famintos, alguns já velhos e desnutridos, faltando-lhes alguns devoradores dentes; outros ainda muito jovens, e dois ou três estavam se preparando para a juventude.
As chances de sairmos de lá vivos eram restritas, talvez um ou dois por cento, se bem que tivéssemos oportunidades para sobrevivermos.
Nenhum de nós estava livre dos ataques daquelas fortes mandíbulas. Os jacarés nos vigiavam como se fôssemos o último almoço de todos os tempos. Cada passo que nós dávamos para frente ou para traz, os jacarés, um a um nos acompanhava.
O primeiro a estrear nos amolados e pontiagudos dentes de um jacaré foi o Gregório Santos; com uma só fechada de mandíbulas, o velho jacaré o partiu ao meio, e nem precisou sair do lugar para capturá-lo. Nós que assistíamos de perto tamanha malvadeza, já esperávamos a nossa vez.
Em seguida foi a vez do Marcos Vital que tentou correr por cima de alguns jacarés enfileirados, mas foi pego por um esfomeado, arremessando-o  ao longe, já caindo pronto para os jacarés o saborearem.
Aos poucos os esfomeados foram fechando o cerco, e um jacaré dos mais jovens resolveu abocanhar um dos braços do Gameleira, arrancando-o de uma só vez, e ao cair, foi devorado por um que quase provocou uma confusão danada com outro que disputava o corpo do Gameleira.
Como todos nós ali estávamos condenados a passarmos pelas mandíbulas  de tantos jacarés, finalmente chegou a minha terrível vez. Quando um jacaré partiu para me devorar, eu desesperado gritei: “-Valha-me Jesus Cristo!” E com esse grito assustador, acordei. Eu estava sonhando.
Que felicidade! Os jacarés existiram apenas no meu sonho.

Minhas simples histórias 

AGRADECIMENTO

Por: Voldi Ribeiro
Caro Carlos Eduardo,



Gostaria de agradecer sua opinião quanto ao texto que elegantemente o amigo Manoel Severo publicou no Cariri Cangaço.
Comento, no entanto, que a minha visão está pautada na análise de longo período histórico e que, é óbvio, a dinâmica da sociedade brasileira vai aos poucos convergindo para uma reparação histórica quanto ao Sertão nordestino.

Sua discordância para com a minha opinião é salutar, afinal ninguém detem a verdade de per si e sozinho.

Temos todos o direito de nos colocarmos e você também o tem.

Ainda bem que as honenagens ao REI Luiz Gonzaga, ao grande Jorge Amado (este mais para a capital do que pro Sertão), e a Literatura de Cordel foram na verdade oruindas da vontade de grupos de camadas populares que compõem as escolas de samba do Rio. Ainda bem que nos salvamos por aí.

Bem sem entrar no mérito absoluto e querer convencê-lo, repito: todos nós temos o direito a expressar opiniões com elegância e respeito às divergências.

Cordias suadações,

Voldi Ribeiro
Sociólogo - Pesquisador
Paulo Afonso-BA
Comentário extraído do blog Cariri Cangaço, publicado no dia 13 de março de 2012

O mais novo investigador do cangaço

Por: Luquinhas Calegari
De: Lucas Poton Calegari, idade : 8 anos
Oi Severo sou eu "Luquinha" o Novo Investigador do cangaço. Eu conheci este grupo que estuda o cangaço com o escritor João de Sousa Lima. Primeiro foi um jantar e depois comecei a conhecer vocês, viramos amigos e agora faço parte deste grupo. 
Dos lugares que visitamos os que mais gostei foi a Grota de Angico onde o Virgolino (Lampião) morreu e na fazenda em Serra Talhada onde ele nasceu. Gostei também de visitar a fazenda Touro (BA) local onde Ezequiel, o irmão de Lampião  morreu e a casa onde a Maria de Déia (Maria Bonita) morou em Malhada do Caiçara. Outro lugar que achei interessante foi a fazenda em Maranduba onde o tiroteio entre os cangaceiros e volantes deixou dezessete policiais mortos. De lá trouxe de lembrança um crânio de uma vaca.
Lucas, Matheus e a lembrança da Maranduba
Matheus e Aderbal na Lagoa do Mel
Lucas, Matheus e a Caravana em Nazaré
Lucas, Matheus e Caravana na Vila de dona Generosa
Gostamos muito do passeio, já estamos querendo voltar rsrs . Todos dias eu e meu irmão olhamos o blog Cariri Cangaço gostei muito das fotos no blog ,só faltou do meu irmão. Se vc tiver ai coloque também que ele vai ficar muito feliz. Depois você manda a minha carteirinha de investigador do cangaço  Mande um abraço para todos, fala pro Vovô Múcio que eu quero ver ele no próximo encontro de vcs. Obrigado Luquinha !tchau Severo.
Ah Severo ia logo me esquecendo, a próxima vez que vc for fazer uma viagem de estudo no cangaço me chame porque eu vou ficar muito agradecido. Atenciosamente.
É isso. Tchau Severo. 
Luquinhas e Matheus, novos Investigadores do Cangaço
Matheus e Luquinhas, na Casa de Maria Bonita

Estávamos em Serra Talhada, já no final de nossa jornada com a Caravana Cariri Cangaço-GECC, quando vieram me mostrar uma mensagem de celular enviada a uma tia pelo pequeno Luquinhas, que dizia assim: "Tia eu faço parte agora de um grupo de investigadores do cangaço, eles são muito famosos e vão me levar até para Portugal com tudo pago"! Bem, tirando o "famosos" e desejando que essa viagem a Portugal se confirme, rsrsrs, o resto foi a surpresa pela grande e prazerosa companhia durante boa parte de nossa caravana, com a família de Karlon, pai de Luquinhas e Matheus. Na verdade eles estavam em Paulo Afonso, sob a "tutela" do amigo João de Sousa Lima e dali se uniram a nosso grupo, para nossa satisfação.
Crianças sempre acabam fazendo a diferença, mas Luquinhas e Matheus possuíam um algo mais. Incrível como eles se identificaram com as coisas e as raizes nordestinas; são do estado do Espírito Santo; e a cada visita e a cada informação, mais e mais eles se encantavam, por muitas vezes percebíamos seus olhinhos brilhando, para isso não há preço. Logo cedo da manhã estavam os dois a postos para mais uma caminhada, percorriam todas as trilhas e só voltavam a noite, muitas vezes dormindo é claro... mas acabaram por nos dá uma grande lição: Temos aqui em nosso chão, na nossa terra, um tesouro precioso e que muitos de nós não consegue enxergar. Jamais vou esquecer a emoção do Luquinhas quando vestiu a camisa vermelha do Cariri Cangaço.

Queridos Luquinhas e Matheus, sejam bem vindo a esta família, a família dos Vaqueiros da História, a família Cariri Cangaço, e saibam que "famosos" são vocês, os mais novos Investigadores do Cangaço.
Muito obrigado.
Manoel Severo
Extraído do blog Cariri Cangaço

PELA LUZ DOS OLHOS TEUS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

PELA LUZ DOS OLHOS TEUS
Tudo é deserto e tão escuro, meu amor; meu passo é lento, curvo, descompassado; um tanto de vida e muito mais de maltratado, mas caminharei adiante porque sigo pela luz dos olhos teus.
Um dia me falaram sobre os perigos das veredas, sobre os labirintos ladeando a estrada, e jamais me esqueci do que de repente um poeta me ensinou: “no meio do caminho tem uma pedra, tem uma pedra no meio do caminho...”
Olhei o mundo pela janela, avistei horizonte e paisagem, um mundo disforme e desconhecido, e juro que tive medo. Depois abri a porta e senti meu olhar cheio de curvas e dúvidas, nada diferente do que estava adiante.
A necessidade me fez caminhar sem temer, a sobrevivência me fez ter coragem e fé, a vontade de viver me fez mais apegado às pequenas coisas para ter sempre mais. E de repente já estava no mundo e rodeado de todas as circunstâncias e consequencias.
Já olhava o mundo da janela de forma diferente, apreciando e valorizando cada motivo bom definido no olhar; não tinha mais medo de abrir a porta, do que havia adiante nem de caminhar por suas curvas; havia encontrado a vida, mas faltava o amor.
Não faltava o amor, faltava amar. E como era difícil amar do jeito que eu via, sentia e queria o amor. Lembro que ainda era um tempo de romantismo, de namoros e bilhetes, de poesias e versinhos apaixonados. Tempo bom, bem lembro...
Era um tempo de riscar os dois nomes, com coração e tudo, no tronco da árvore mais frondosa que existia; era um tempo de colher fruta madura para presentear, de roubar a flor mais bela do jardim, de ficar debaixo da janela esperando que a cortina se abrisse.
Tinha maçã do amor e pirulito, retrato 3x4 propositalmente deixado dentro do caderninho, uma praça e um banco de praça, e sempre um entardecer e uma esperança. Nunca esquecerei desse tempo meu, jamais.
Eclesiastes me ensinou que há um tempo pra tudo. “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz”.
Por isso mesmo sabia que um dia chegaria o meu tempo de amar. Mas não sabia que o meu amor nasceria naquela molecota que rodava faceira na brincadeira de roda, que era pastorinha no cordão encarnado, que pulava, que corria, que dançava.
Um dia, apenas por brincadeira, passei apressado com meu cavalo de pau e disse que ela era linda e ia ser minha namorada. Ela me deu língua e achei a coisa mais feia do mundo de menina fazer. Mas achei a língua bonita, a dona dela e o seu semblante ainda mais.
Os anos passaram e aquela mesma língua um dia estava quietinha na boca que me disse que não sabia responder ainda sobre a minha pretensão amorosa. E continuou sem resposta por muito tempo.
Porque ela não havia me dado uma esperança boa é que olhava da janela temendo a vida também dizer não; não abria a porta com medo dos caminhos; não pegava a estrada temendo seus labirintos. Até que um dia a brisa me soprou no ouvido um segredo.
E com a brisa, que apressada se fez em vento, passei diante de sua janela. Um olhar como resposta e o amor enfim. Um olhar que brilhava e que dali em diante também foi parte dos olhos meus.
E com o amor, tanto amar, os caminhos sem medos e a força para seguir sempre em frente. E quando o olhar me cansa, vejo tudo, enxergo a vida, pela luz do seu olhar, pela luz dos olhos teus.

Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Ao mar... (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Ao mar...

Amar
e ainda nesse porto
com os olhos
voltados ao mar
singrando o azul
tua réstia nas águas
e o coração a navegar

um barco que segue
uma escuna sem norte
meu olhar que navega
a saudade como norte
já não se avista o porto
a margem ficou atrás
e já é noite escura
o mar calmo se agita
ouço o canto da sereia
musa saída da areia
não tenho medo
ela quero encontrar
não sei senão amar
ainda hoje abraçar
a morte ou o amor
por isso estou
ao mar...


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com