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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

JUDEUS EM NATAL – A SAGA DOS PALATNIK

Autor – Rostand Medeiros

Um Grupo de Judeus Que Começou Sua Vitoriosa Trajetória Empresarial Trabalhando Junto aos Mais Pobres de Natal

A foto e o texto acima mostram o lugar onde os destinos administrativos de Natal, capital do Rio Grande do Norte, são traçados e executados desde 1922. Oficialmente conhecido como Palácio Felipe Camarão é um marco na cidade, mas o que importa mesmo nessa nota de jornal é um pequeno detalhe no final do texto. Ali ficamos sabendo que os móveis construídos na época da inauguração desta marcante edificação, que não sei se ainda estão por lá, foram executados pela firma “Tobias Palatnik & Irmãos”.


Os proprietários desta empresa, com um sobrenome tão diferenciado dos tradicionais nomes familiares de origem portuguesa existentes em Natal, eram os membros de uma família de judeus ucranianos, que em poucos anos foram considerados os membros mais proeminentes da comunidade judaica em Natal.

3 de janeiro de 1947

Nada mal para estes imigrantes que haviam chegado apenas dez anos antes ao Brasil e tinham começado suas atividades na capital potiguar vendendo seus produtos diretamente nas casas dos moradores da pequena urbe. Trabalharam sem diferenciar classe nem cor, atendendo inclusive os mais humildes.

Em Busca de Novos Espaços

Segundo a historiadora Luciana Souza de Oliveira, através de sua monografia de mestrado em História “A fala dos passos: imigração e construção de espaços judaicos na cidade do Natal (1919-1968)”, a história dos judeus na capital potiguar começa a ser contada no ano de 1911, com a chegada ao Brasil de Tobias Palatnik e seus irmãos Adolfo, Jacob e José (este último com apenas 16 anos) e um tio Beinish (Brás) Palatnik. Eles deixaram para trás a fria região da Podólia, no sudoeste da Ucrânia e seguiram esperançosos para recomeçar a vida no grande país tropical.

Judeus expulsos dos seus lares na Europa Oriental – Fonte – https://en.wikipedia.org

Para a historiadora este processo migratório dos judeus vai muito além de uma mera necessidade econômica. A questão judaica na Europa durante o século XIX até a primeira metade do século XX foi marcada por pressão e opressão, onde o espírito antissemita se manifestou nas esferas política, econômica e social, atingindo grande parte da população que hostilizava e culpava os judeus por toda sorte de mazelas. Deixar a Europa no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX representava para eles antes de tudo uma questão de sobrevivência.

Em calientes terras tupiniquins o Rio de Janeiro foi a primeira parada de Tobias Palatnik e seus parentes. Mas foi por um período curto e logo aqueles judeus seguiram para Salvador. Mas também a capital baiana não foi o melhor dos destinos e eles partiram para o norte, em direção à cidade do Recife, onde os Palatnik começaram a fazer sua clientela, em grande parte composta por operários.

Luciana Souza de Oliveira aponta que na cidade conhecida como “Veneza Brasileira” eles aprenderam que, além do comércio realizado de porta a porta, mesmo falando o português ainda de forma rudimentar, eles podiam comprar no atacado e com exclusividade. Neste período a cambraia bordada foi seu principal produto.

Recife certamente ajudou os irmãos Palatnik a assegurar alguns lucros, mas a concorrência comercial na cidade era um problema complicado, que contava naquele período com 80 judeus atuando como prestamistas. Segundo a autora estes judeus que já atuavam em Recife eram em sua maioria rapazes solteiros, provenientes da Bessarábia (região histórica da Europa Oriental, cujo território se encontra principalmente na atual Moldávia), Polônia e a Ucrânia, que batalhavam duro para poder concretizar um objetivo comum – o desejo de conseguir meios para poder se estabelecer na Palestina com os demais familiares que deixaram na Europa Oriental. 

Tobias Palatnik – Fonte –

Foi então que Tobias Palatnik, o mais velho dos quatros irmãos, resolveu transferir-se para Natal objetivando fugir daquela concorrência.

Vencendo Onde os Outros nem Percebiam que Existiam Consumidores
Para a autora do texto a escolha de pegar o trem e seguir em direção a Natal foi a melhor decisão que Tobias tomou quando chegou ao Brasil. Nessa época Natal ainda era uma pequena capital com população inferior a 25.000 habitantes, com apenas 27 famílias formada por estrangeiros, três linhas de bondes elétricos, uma catedral, um cinema mudo e que estava começando a passar por intensas transformações. A cidade estava aos poucos desabrochando e vivenciando o início da modernidade tão desejada pela elite local.

Navios no Rio Potengi, em Natal

Mas se por um lado a elite natalense se deleitava com os avanços e belezas da “Belle Époque”, uma grande parcela da sua população – os mais pobres – eram tratados de maneira verdadeiramente invisível.

Aqueles ucranianos, que sabiam bem o que significavam as violentas exclusões dos pogroms contra judeus na Europa Oriental, certamente perceberam que também havia exclusão em Natal. Mas esta era extremamente sutil, realizada de maneira covarde, praticada sem violência física contra uma massa morena, mas carregada de extrema hipocrisia. A exclusão em Natal diferenciava os seres humanos principalmente pela cor e condição socioeconômica.

Acredito que Tobias Palatnik percebeu de maneira muito correta que aquelas pessoas excluídas, mesmo com uma condição financeira mais limitada, apontavam para a possibilidade de um mercado consumidor extremamente promissor em Natal. Já a maioria dos seus concorrentes, membros de uma elite branca e racista, que praticavam intensos atos de exclusões sociais contra aquelas pessoas consideradas ralé, jamais iriam ate eles, bater nas portas dos seus “mocambos” para vender alguma coisa.

Os conhecidos Mocambos, as moradias dos mais pobres de Natal

Tobias Palatnik se deparou com um espaço que estava pronto para ser explorado. Percebeu que a venda a prestação tinha futuro na cidade e que a oportunidade comercial era bem melhor que em Recife. Logo avisou aos seus irmãos e estes seguiram para o novo destino e começaram um novo investimento.

Percebi lendo o texto da historiadora Luciana Souza de Oliveira e os jornais de época, que para os Palatnik a diferenciação dos natalenses abonados com os “negros”, como os mais ricos da cidade pejorativamente chamavam os mais pobres (que nem precisavam ser claramente afrodescendentes para assim serem classificados), era algo que nada lhes importava.

O que importava mesmo era negociar, chegar até o cliente, atender o desejo das pessoas, independente de onde eles moravam, ou da cor da sua pele…

As Rocas, área de atuação dos Palatnik em Natal

Logo na primeira investida Tobias Palatnik pôde observar que só nas Rocas, a região dos pescadores, onde viviam os mais pobres da cidade, ele poderia conquistar facilmente mais de 200 clientes. Outra coisa que certamente o judeu percebeu foi que aquelas pessoas, não obstante suas limitadas condições financeiras, possuíam um acentuado sentido de honra em relação a quitação de suas dívidas financeiras, onde poucos se davam ao papel de caloteiros.

Era tudo que um prestamista desejava!

Assim os produtos foram sendo oferecidos de porta em porta e logo se estabeleceram fortes laços econômicos. Mensalmente os irmãos passavam nas casas dos clientes, oferecendo novas mercadorias e estes pagavam as parcelas dos produtos que haviam sido anteriormente vendidos. Esse tipo de procedimento tornava a relação entre comerciante e cliente mais estreita, fazendo com que os anseios de consumo da sociedade local, mesmo dos mais humildes, fossem supridos de maneira pessoal. Segundo Luciana Souza de Oliveira os irmãos Palatnik foram os primeiros que trouxeram para a cidade essa nova maneira de comercializar.
Natal no início do século XX

Com arrojo e garra, aliado ao desejo de trabalhar e de prosperar em Natal, Tobias e seus irmãos alcançaram seus objetivos iniciais em menos de seis meses, quando conseguiram conquistar cerca de mil clientes.

Boa Relação Com os Natalenses, Mas Mantendo as Tradições

A prosperidade econômica veio logo, rápida mesmo.

A historiadora Luciana Souza de Oliveira aponta que 1915 os Palatnik puderam adquirir uma fazenda com uma usina de açúcar, álcool e aguardente. Mas o forte daqueles judeus era o comércio e foi com ele que a família Palatnik escreveu uma história de prosperidade na cidade.

Familia Palatnik – Em pé, a partir da esquerda: Adolfo Palatnik, Jacob Palatnik, Brás Palatnik, Tobias Palatnik, José Palatnik, Tobias Prinzak, Moisés Kaller e Horácio Palatnik. Sentadas: Cipora Palatnik, Dora Palatnik (com Chimonit Palatnik no colo), Rivca Palatnik, Olga Palatnik (com Ester Palatnik no colo), Sônia Palatnik, Dora Kaller e Augusta Palatnik.

Com a estruturação e o crescimento econômico daqueles judeus em Natal, esses jovens tiveram a oportunidade de ir à Palestina algumas vezes visitar seus parentes. Foi nessas poucas visitas que os jovens Palatnik constituíram suas famílias com as moças que residiam na chamada “Terra Santa”.

Mesmo construindo as suas vidas em Natal, mesmo aqui sendo a cidade que esses judeus escolheram para desenvolverem suas famílias, a cidade não poderia lhes oferecer alguns elementos responsáveis pela continuidade de sua identidade.

O escritor Luís da Câmara Cascudo participou da festa do Yom Kippur junto aos judeus de Natal e descreveu a visita em um interessante artigo – Fonte – Jornal ” A República” 12/11/1933

Faltavam-lhes garotas que professasse a mesma fé e que tivesse os mesmos conceitos e valores para manter uma identidade judaica em seus lares. Vale ressaltar que aqueles jovens judeus conseguiram se relacionar muito bem com as pessoas em Natal, mesmo criando essa delimitação de não envolvimento de caráter íntimo e pessoal com aqueles que eram diferentes a sua cultura.

Ocorreram então várias uniões a partir de 1920. Com esses casamentos, muitos outros familiares, entre eles primos, irmãos, pais, tios e outros membros, decidiram deixar seus países e foram atraídos para a capital potiguar.

Jose e Sonia Palatnik

Essas ramificações e parentescos foram os elementos principais para que a família Palatnik se destacasse, tornando-se os membros proeminentes para o estabelecimento de uma comunidade judaica na cidade, pois o número de pessoas que gravitavam em torno deles crescia com o passar dos anos.

Preocupações Com Coisas da Vida e da Morte

Segundo informa o site judaismohumanista.ning.com, em 1925 foi fundado na capital potiguar o Centro Israelita, que funcionava também como uma sinagoga.

Ainda na década de 1920 os judeus natalenses foram os primeiros a construir um jardim de infância, que até aquele período não havia sido estabelecido na cidade de Natal. Esta escola para crianças começou a funcionar, junto a um programa de educação judaica complementar e uma de suas professoras foi a Sra. Sara Branitzak, que teria vindo da Palestina e, segundo a historiadora Luciana Souza de Oliveira, chegou em 1927, mas ela passou pouco tempo neste trabalho.

Jardim de Infância Palatnik – A partir da esquerda, em pé: Eliachiv Palatnik, Sofia Kaller, Ester Palatnik, David Fassberg, Ester Palatnik (filha de Elias) e Moisés Palatnik. Sentados: Aron Horovitz, Aminadav Palatnik, professora Sarah Branitzky, Sarita Volfzon, Raquel Horovitz, Nechama Kaller e Simon Masur. Na frente: (?), Nechama Palatnik, Achadam Masur e Genita Volfzon.

Muitas crianças judias que nasceram em Natal participavam não apenas da vida judaica, também se relacionavam com as outras crianças da cidade sem, no entanto, esquecer que mesmo sendo Potiguares, eram acima de tudo judeus, guardando e seguindo as tradições que eram ensinadas pelos seus pais. Uma destas crianças foi Uma das crianças judias nascidas em Natal, mais precisamente em 19 de fevereiro de 1928, foi Abrahan Palatnik.[1]

Ainda segundo o site judaismohumanista.ning.com, um censo oficial da cidade de Natal em 1940 registrou um total de 54.836 habitantes e 109 eram judeus.

Túmulo de Rosinha Palatnik no Cemitério Público do Alecrim – Foto do autor.

Com o natural crescimento da comunidade local, que passou a contar com mais de trinta famílias de judeus, logo não eram apenas os aspectos ligados a vida terrena que preocupavam esta comunidade, as questões de morte também se tornaram uma preocupação.

Em 10 de janeiro de 1931, através de contatos entre os líderes da comunidade e a Prefeitura de Natal, cujo prefeito a época era o Sr. Gentil Ferreira de Souza, foi doada uma quadra murada no Cemitério Público do Alecrim para que os membros da comunidade judaica fossem enterrados mediante seus rituais tradicionais. Igualmente foi fundada uma sociedade funerária chamada Chevra Kadisha.

Rosinha Palatnik

Até hoje existe este espaço exclusivo no Cemitério do Alecrim e entre os vários judeus natalenses enterrados está a lápide de Rosinha Palatnik. Ela faleceu no dia 7 de agosto de 1936, com apenas 20 anos de idade, depois de uma permanência no hospital de um mês e quinze dias em razão de uma apendicite. Rosinha era carioca, nascida Rosinha Tendler, filha de Boris e Anna Tendler e era casada com Horácio Palatnik (ver jornal “A República”, edição de domingo, 9 de agosto de 1936).

Crescimento dos Negócios


O trabalho dos Palatnik prosperou ao longo dos anos e foi se diversificando.

De prestamistas eles abriram uma fábrica e uma loja de móveis chamada Casa Sion, sendo localizada a rua Dr. Barata, número 6, no bairro da Ribeira, uma das principais artérias comerciais da cidade na época.
Brás Palatnik

Já Brás Palatnik surge com uma casa comercial na década de 1920, que inclusive era batizada com o seu nome e ficava localizada igualmente na rua Dr. Barata, nos números 204 e 205 e ali parece que ele vendia de tudo um pouco. Anúncios no jornal “A República”, o principal da cidade, mostra uma propaganda onde se oferecia guarda-chuvas, cobertas para camas, calçados para homens, tolhas, tecidos de cambraia e muitas outras coisas. Tempos depois esta loja mudou para a rua Ulisses Caldas, na esquina com a rua Felipe Camarão, no Centro da cidade, muito próximo, ou mesmo vizinho, ao Centro Israelita.

Em 1931 os irmãos Tobias e Braz Palatnik estão com uma fábrica de mosaicos 

na rua Extremoz e uma loja destes produtos na rua Dr. Barata, mas no número 190. Tinham também uma serraria na rua Ulisses Caldas e mantinham a Casa Sion para vender os móveis por eles fabricados.

5 de fevereiro de 1937

Em 1936 o antigo e marcante cinema Polytheama, referência da sétima arte na história da cidade e localizado na Praça Augusto Severo, 252, se torna a Casa Palatnik. Como em outros comércios destes judeus a diversificação e a variedade de produtos é a tônica da casa comercial. Ali se vendia desde camas de ferro, passando por móveis de vime e junco e até mesmo pedras para túmulos.

Conforme os Palatnik vão prosperando, eles vão participando de atividades junto à sociedade natalense. José Palatnik, por exemplo, se torna conselheiro da Associação Comercial de Natal e do conselho fiscal do Banco Industrial Norte-rio-grandense S.A.

25 de janeiro de 1939

Além da diversificação de negócios, pesquisando nos jornais antigos fica patente como os Palatnik investiram forte na aquisição de imóveis por toda a área de Natal. Nessa época era normal que os documentos emitidos pela prefeitura da cidade nas negociações ligadas a imóveis, com exceção de valores, fossem divulgados nos jornais locais. Neste aspecto, principalmente no início da década de 1940, os Palatnik estão sempre presentes com pagamentos de impostos referente a muitas aquisições e venda de imóveis. Provavelmente perceberam que, mesmo de forma lenta, a cidade se expandia e a compra de imóveis era outra nova oportunidade de negócios a ser trabalhada.

A Jerusalém do Brasil

O jornal Tribuna do Norte, na sua edição de 22 de novembro de 2013, informa que os irmãos Palatnik investiram na construção civil em Natal. Eles foram pioneiros na construção de conjuntos habitacionais: as primeiras casas da Ponta do Morcego (numa delas veraneava o governador Juvenal Lamartine) e a famosa Vila Palatnik, pegando a avenida Deodoro, rua Ulisses Caldas (em frente ao Colégio da Conceição) e rua coronel Cascudo.

Região da Ponta do Morcego, em Natal

Durante a Segunda Guerra Mundial o Rio Grande do Norte sediou uma das maiores bases de aviação dos Aliados no hemisfério ocidental, a famosa Parnamirim Field. Este fato, ocorrido antes mesmo da declaração formal de guerra do Brasil contra os países do Eixo, proporcionou a chegada de muitos militares estadunidenses a Natal. Logo alguns soldados judeus servindo as forças armadas dos Estados Unidos começaram a participar e animar a vida comunitária dos judeus em Natal.

Em agosto de 1942 era o próprio Brasil que entrava na Segunda Guerra Mundial. Em Natal e a população foi chamada para participar do esforço de guerra, com ações da defesa passiva. A tradicional comunidade sírio-libanesa de Natal, tendo a frente Neif Habib Chalita e Kalil Abi Faraj, participou deste processo junto com outras colônias de estrangeiros que viviam na cidade, entre estas os judeus. Nestas atividades eles eram liderados por José Palatnik e Leon Volfzon. Não sabemos em que grau ocorreu a participação destas comunidades no processo de defesa passiva de Natal, nem como foi a interação de sírio-libaneses e judeus neste objetivo, mas tudo leva a crer que transcorreu sem maiores alterações em razão da inexistência de notícias apontando problemas.

Participação da tradicional comunidade sírio-libanesa de Natal no processo de defesa passiva da cidade durante a Segunda Guerra Mundial, juntamente com a comunidade judaica.

Com a chegada dos estadunidenses houve um aporte financeiro muito intenso na capital potiguar. Consequentemente a cidade se encheu de forasteiros em busca dos preciosos dólares e este aumento populacional trouxe consequências para Natal. Entre estes figuram o aumento da carestia e a falta de moradias e esse ultimo fato motivou os Palatnik a abrir um novo negócio – Uma loja de material de construção para abastecer um mercado que construía novas casa.

Mas a pequena e calma cidade, que crescia a olhos vistos, já não atraia os judeus como no passado.
Vila Palatnik

Após a Segunda Guerra Mundial tem início a migração dos judeus natalenses para outros centros urbanos como Rio de Janeiro e Recife, mas alguns seguiram para o recém-criado Estado de Israel. Assim, com o número de judeus extremamente reduzidos em Natal, as atividades do Centro Israelita foram encerradas em novembro de 1968.

Segundo a historiadora Luciana Souza de Oliveira a história da presença dos judeus em Natal foi algo expressivo. Eles foram os responsáveis por construir na capital Potiguar uma das comunidades judaicas mais atuantes do Brasil, que chegou a ser conhecida na Palestina como a Jerusalém do Brasil.

Irmãos Palatnik

As famílias judias que se estabeleceram na cidade mudariam não apenas a história dos judeus em Natal, mas o próprio espaço urbano e cultural. Foi na capital potiguar que eles tiveram a oportunidade de (re)construir as suas vidas oferecendo a cidade o que eles tinham de melhor: o trabalho e suas mercadorias. Em contrapartida a cidade os recebeu consumindo os seus produtos importados e dando a eles uma condição de vida digna na qual puderam oferecer a suas famílias o suprimento de suas necessidades.

A imigração deste grupo de judeus para Natal representou mais que um simples evento, foi a importante inserção de um povo, de uma cultura, uma religião, uma economia, organização espacial e social, bem como a (re)construção do “seu lugar” na capital Potiguar.

VEJA MAIS POSTAGENS SOBRE TEMAS LIGADOS A JUDEUS NO TOK DE HISTÓRIA 


REFERÊNCIAS

CASCUDO, Luís da Câmara. Yom Kippur em Natal. Jornal A República, Natal, n. 881, p.7, 12 nov. 1933.
OKSMAN. Sérgio (dir.). Irmãos de Navio: Histórias da Imigração Judaica no Brasil. São Paulo: Documenta Filmes, 1996. DVD (60 min), son., color.
ROZENCHAN, Nacy. Os judeus de Natal: Uma comunidade segundo o registro de seu fundador. Revista Herança Judaica, n. 106, abr. 2000. São Paulo: B´nai B´rith 2000.
SCHEINDLIN, R. História ilustrada do povo judeu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.
WOLFF, Egon; WOLFF, Frieda. Natal, uma comunidade singular. Rio de Janeiro: Cemitério Comunal Israelita, 1984
NOTA
[1] Abrahan Palatnik é filho de Tobias e Olga Palatnik e com apenas quatro anos de idade imigrou de natal para a região onde, atualmente, se localiza o Estado de Israel. Entre 1942 e 1945, frequenta a Escola Técnica Montefiori, em Tel Aviv, e se especializa em motores a explosão. Só retorna ao Brasil, para o Rio de Janeiro, em 1948. Por volta de 1949, inicia estudos no campo da luz e do movimento, que resultam no Aparelho Cinecromático, exposto em 1951 na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, onde recebe menção honrosa do júri internacional. Desenvolve a partir de 1964 os Objetos Cinéticos, um desdobramento dos cinecromáticos, mostrando o mecanismo interno de funcionamento e suprimindo a projeção de luz. O rigor matemático é uma constante em sua obra, atuando como importante recurso de ordenação do espaço. É considerado internacionalmente um dos pioneiros da arte cinética. Abraham Palatnik é consagrado pioneiro, o primeiro que explorou as conquistas tecnológicas na criação de vanguarda brasileira, tornando as máquinas aptas a gerarem obras de arte. Ver –https://www.escritoriodearte.com/artista/abraham-palatnik/

Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

https://tokdehistoria.com.br/2016/10/12/judeus-em-natal-a-saga-dos-palatinik/

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CANGACEIRISMO MODERNO VERSUS ORDEM E PROGRESSO

Por Geraldo Ferraz

O sábio grego, Aristóteles, há mais de dois mil anos, disse que o homem é um "animal político". A frase significa, como todos já sabemos, que o homem por instinto e por necessidade - só pode viver na "polis", isto é, no agrupamento e na companhia de semelhantes. Como a palavra "político" tem hoje sentido diferente do entendido em outros tempos, a frase de Aristóteles pode ser perfeitamente expressa: "o homem é um animal social". 

Desde a formação do primeiro grupo social - a família, célula mater da sociedade - local onde recebemos a herança genética ou material, principalmente moral, o homem, por numerosas necessidades de alimentos e defesa, sentiu a permanência de estabelecer ordem, crença religiosa, diversões, entre outras, a fim de compor uma sociedade estatal ou política. Dessa forma, o homem, este animal social, não poderia dispensar o convívio com outros semelhantes, para se alcançar um determinado fim e, muito menos, prescindir de uma organização grupal.

A organização social permite-nos viver em conjunto e em determinada ordem, realizando tarefas de cooperação. A não existência da organização na sociedade humana faria com que os homens vivessem como bandos de animais, os fortes destruíram os fracos e não existiria nenhuma espécie de progresso. O Estado, compreendendo-se a existência de três elementos fundamentais: o povo, território e a organização política, é um dos meios que o homem utiliza para alcançar o seu aperfeiçoamento físico, moral e intelectual.

Entre as funções do Estado, a defesa do cidadão e a manutenção de ordem interna, proteção da propriedade..., nunca estiveram tão em cheque quanto agora. O cidadão questiona a morosidade da justiça, está descrente com o aparelho estatal de vigilância e repressão, não acredita mais em seus políticos, não encontra de uma perspectivas de uma melhor qualidade do ensino e,para piorar tudo isto, encontra-se encurralado e entregue a sanha dos bandidos cada vez mais afoitos e violentos.

Segundo o coronel reformado da polícia militar de São Paulo, José Vicente da Silva Filho, um dos maiores estudiosos de temas ligados à criminalidades, em matéria publicada na revista Veja, "os criminosos fazem hoje em dia um cálculo próprio dos investidores do mercado financeiro, analisando a relação custo-benefício da sua operação. Se o risco de ser preso for alto, o bandido pensa duas vezes antes de agir. Quando o risco é baixo, a audácia e a violência aumentam.

Como a probabilidade de reação dos órgãos responsáveis é reduzidíssima, fica-se naquele entendimento de que "o crime compensa", naturalmente na cabeça desses duvidosos cidadãos. Caso a ação dos meliantes finalize cm a morte de um cidadão honesto, a hipótese de punição é quase uma balela. Observe-se que a afoiteza dos bandidos, nos dias atuais, é tamanha que nem mesmo os prédios da polícia estão imunes aos seus ataques. 

Segundo o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, "a impunidade estimula a delinquência e o cidadão fica perplexo e indignado diante da indiferença do Estado, incapaz de punir os que transgridem as leis". 

No século passado, em pernambuco, com maior ênfase nas décadas de 10 e 20, tivemos várias invasões de valores, com a tentativa de se estabelecer, naquela oportunidade, um Estado Paralelo em nossa sociedade, mais exatamente nos longínquos Sertões nordestinos.

A máquina Estatal, talvez escudada no tripé religioso, pátria e família, e dando realmente "ouvidos" ao clamor público, volta suas ações para um combate efetivo ao banditismo reinante em nosso Estado.

A população, à medida que via o empenho do Estado em extirpar o câncer incrustado no "tecido social", através de um desarmamento geral da população, tropas sob o comando de pessoas experientes e comprometidas com a causa, armamentos e toda uma logística de apoio indispensável para a consecução de tão nobre objetivo, passou não só a dar credibilidade como também em ajudar o governo e a finalizar tão árdua tarefa.

Segundo Frederico pernambucano de Melo, "A criminalidade dos dias atuais vai da expressão mínima que se contém no fenômeno endêmico ou crônico - sujeito à compressão embora inextinguível, além de tolerado, costumeiramente pelo geral da população - até aquilo que o general Prim chamou de guerra social, ao se debruçar sobre o quadro criminal de algumas porções da Espanha de 1870, sobretudo a Andaluzia. Naquele momento delicado do país peninsular, não se estava vivendo apenas um susto de epidemização do crime, brotado do aquecimento contingente do fenômeno endêmico, tradicional por sua Antiguidade e alastramento, mas uma espécie de tradução doméstica, internacional, não raro regional".

Continua o citado autor: "Eurico de Souza Leão, chefe de polícia de Pernambuco, teve a sensibilidade de cuidar das vocações para o trabalho de polícia, prestigiando, além de nomes novos, o daqueles que já dispusessem de uma mística de sucesso junto aos companheiros de trabalho e, tano que possível, junto à opinião pública. E é assim que seu caminho vem a se cruzar com o do então major da Força Pública do estado, Theophanes Ferras Torres, um pernambucano de Floresta que ainda o verdor dos 20 anos, como alferes, tivera a fortuna de aprisionar, ferido pelo fogo de sua volante em combate verificado num grotão do município de Taguaritinga, em fins de 1914, o mais famoso bandoleiro do país à època, o chefe de cangaço Antonio Silvino. Meses antes, em Serra Talhada e em Triunfo, o quase menino Theophanes dera prova de seu valor entrando em combate desassombradamente com os cangaceiros - chefe de bandos, ambos - José Crispiano e Manoel Soares. 

Como braço fardado do duro chefe de polícia do governo Estácio Coimbra, Theophanes divide com este as honras da introdução em Pernambuco da polícia científica e da moderna administração da defesa social, a ele cabendo, em boa parcela, a expulsão do rei do cangaço (Lampião), de nosso território. E tanto assim que ao fazer um raid vitorioso por todo o sertão do estado, no final de janeiro de 1928, Eurico se faria acompanhar de Theofphanes. De um Theophanes tão credenciado por serviços que estava prestando ao perrepismo, em ocaso, na direção de governos sucessivos da República Velha, que queda desta, em 1930, o arrasta ao xadrez na Casa de Detenção, para onde havia enviado tantos criminosos. Ao tacão do capitão revolucionário  Muniz de Farias, agora o bandido era ele. Theofphanes, que da planície, colhe então a maior homenagem a que pode aspirar um policial reto e comedido:  o reconhecimento dessas virtudes por aqueles a quem expugnou no cumprimento do dever. Ao marchar de cabeça erguida para a cela que lhe tinha sido destinado, o famoso oficial colhe o respeito do cangaceiro Antonio Silvino e dos demais presos, sobre os quais o condotierismo das caatingas exercia liderança indiscutível".

Os criminosos, assumindo o papel do agente Estadual, mo vácuo provocado pela falta de um conjunto de medidas organizado contra o crime (repressão), institucionalizam o seu desgoverno paralelo. 

Aliados  por aparelhamento bigh tech (armamentos sofisticados, sistema de comunicação de ponta...), estes cangaceiros modernos encontram-se infinitivamente superiores aos agentes de defesa do Estado. Conseguem, de forma planejada e organizada, assumir até mesmo a direção dos nossos presídios, deparando-se aí com um sistema prisional falido e sem controle efetivos.

Uma coisa que atormenta bastante é o atual estado cataclástico em que se encontra a população, acostumando-se (se é que podemos utilizar deste termo) com a inépcia do Estado, e já não mais se surpreendendo com as espetaculares e audaciosas ações desses criminosos (sequestro relâmpago; assaltos aos bancos, carros-fortes, firmas e as residências; cobrando de pedágio; extorsões, entre tantas outra). A falta de credibilidade e a ausência de um clamor público são elementos preponderantes, mesta situação, pois, o cidadão observa que quem deveria dar-lhe total proteção é, na realidade, quem quem mais está precisando dela.

Não queremos, com o presente texto, justificar qualquer ato de violência, para e simplesmente, mas sim, dizer da necessidade, em certos casos, de contrapor a violência ao mal, pois os elementos maus por índole (criminosos renitentes, cruéis, sub-humanos), são imunes à persuasão e aos conselhos.

Caros leitores, a população do Brasil do Território Mileno, não merece ser tratado assim, precisamos, a rodo custo, fazer valer a máxima do lema do nosso pavilhão nacional - ORDEM E PROGRESSO -, frase indivisível que tão bem nos ensina como viver em paz e em sociedade. Necessitamos, na realidade, agir, urgentemente, para que os nossos governantes tomem uma decisão forte (repressão efetiva) a fim de não transformar, de uma vez por todas, o nosso querido país em uma nova Colômbia, desta feita de dimensão quase continental.

Para orgulho e tranquilidade de uma sociedade organizada, rogamos a Deus que, no Estado e, mais especificamente, em nossa gloriosa e secular Polícia Militar, continuem a existir outros Theophanes, heróis-militares sempre merecerão o nosso respeito e  nossa confiança. Que o aparelho Estatal esteja sempre azeitado para combater qualquer tentativa de criação de um Estado Paralelo de Desgoverno.

Geraldo Ferraz é natural do Recife–PE. Nascido aos 30 de dezembro de 1955. Primogênito do casal Geraldo Ferraz de Sá Torres (falecido) e Maria José de Holanda Torres. Viveu em várias cidades pernambucanas, entre elas, Triunfo, Taquaritinga e Gravatá. Artista plástico, com diversas exposições (individuais e coletivas), Administrador de Empresas e, atualmente, aposentado da Prefeitura do Recife. Casado com a Sra. Rosane de Oliveira Ferraz Torres, com quem tem duas filhas: Ana Paula de Oliveira Ferraz Torres e Monique de Oliveira Ferraz Torres. Faz parte do Centro de Estudos de História Municipal – CEHM (1984). É sócio fundador das instituições "Amigos do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano", do Núcleo Pernambucano de História – UBE/PE, e da Sociedade dos amigos da Briosa – SABRI (2010). Membro das seguintes associações: Instituto Cultural Gravataense, Gravatá – PE (2006); Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC, Mossoró – RN (2005); da União Brasileira de Escritores - UBE - Secção Pernambuco, Recife – PE (2001); União Nacional de Estudos Históricos e Sociais - UNEHS, São Paulo (2008); Academia Serra-Talhadense de Letras – Serra Talhada - PE, na qualidade de correspondente (2006); da Academia de Letras e Artes de Gravatá - ALAG, Cadeira nº 09, Gravatá – PE (2009); e Academia de Letras e Artes do Nordeste – ALANE, Cadeira nº 29, Recife – PE (2010). 

Fonte: "Jornal da SBEC.
Ano: XV.
Número: 05
Cidade: Mossoró-RN
Data: 13 de junho de 2008
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Nascimento (Chagas Nascimento). 

Nota: Desculpem-me alguma falha na digitação, sou um pouco cego. Se faltar alguma letrinha na palavra, mas você entenderá o significado.

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A BALAIADA FOI UMA REVOLTA OCORRIDA NO MARANHÃO ENTRE OS ANOS DE 1838 E 1841.


Antecedentes[editar | editar código-fonte]

No Maranhão havia dois partidos, os liberais (chamados de bem-te-vis, por causa do seu jornal, chamado O Bem-te-vi) e os conservadores (cabanos, por analogia com os cabanos do Pará, Pernambuco e Alagoas). [1]

A revolta dos balaios[editar | editar código-fonte]

Memorial da Balaiada em Caxias, no Maranhão.

A revolta tomou o nome de Balaiada porque Balaio era o apelido de um de seus principais líderes, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira. Ele era um fabricante de balaios, e fora vítima da violência policial, que havia violentado uma de suas filhas, sem que houvesse punição nenhuma.

A principal causa da revolta foi a detenção do irmão do vaqueiro Raimundo Gomes, o Cara Preta[2], acusado pelo subprefeito da Vila da Manga [1] (atual Nina Rodrigues)[carece de fontes], José Egito, um cabano. No dia 13 de dezembro de 1838, Raimundo Gomes, com nove outros homens, invadiu o edifício da cadeia pública da povoação e libertou-o, reforçando seu grupo com os prisioneiros soltos e vinte e dois soldados encarregados da segurança policial da Vila.[1]

Raimundo Gomes conseguiu o apoio de Lívio Pedro MouraMulunguetaManuel Francisco dos Anjos Ferreira e do Balaio, o que deu nome ao movimento.[1]

Os revoltosos, após destruir e saquear fazendas e vilas, investiram contra a Vila de Caxias, que, sob a liderança civil de João Paulo Dias e do capitão militar Ricardo Leão Sabino, conseguiram resistir, inclusive com o apoio de mulheres, a quarenta e seis dias sob o cerco do bando de Raimundo Gomes.[1]

Quando não havia mais como defender a vila, o capitão Sabino simulou haver aderido à revolta, mas disparou um canhão, causando pânico entre os balaios, o que permitiu que a vila fosse evacuada. Esta vitória animou o partido dos Bem-te-vi, que enviou emissários à capital São Luiz, pedindo a rendição ao presidente do Maranhão.[1]

Os balaios, porém, eram desorganizados, sem unidade de comando, e perderam um de seus líderes, o Balaio, que foi atingido por um projétil atirado de seu próprio bando e morreu de gangrena.[1]

A repressão[editar | editar código-fonte]

Vestígios arquitetônicos no Memorial da Balaiada.

Para combatê-los a Regência enviou ao Maranhão, como Presidente e Comandante das Armas da Província o coronel Luís Alves de Lima e Silva, que tinha experiência militar por ter lutado na Guerra de Independência e na Guerra da Cisplatina, de 1825 a 1828. Ele recebeu o comando de todas as tropas em operação no Maranhão, Piauí e Ceará, e assumiu o comando em7 de fevereiro de 1840.[1]

A Balaiada (1838).

Lima e Silva criou a Divisão Pacificadora, dividindo em três colunas, comandadas por Sérgio de Oliveira, que ocupou as comarcas de Caxias e Pastos Bons, João Thomaz Henrique, que atuou em Vargem Grande e Brejo, e Souza Pinto Magalhães, que ocupou a Vila Icatu e as margens do rio Mearim.[1]

A estratégia dos revoltosos era de guerrilha rural, atacando só os pontos fracos da defesa do governo; a resposta estratégica foi manter suficientemente guarnecidas todas as vilas e cidades importantes para os revoltosos. Destes pontos fixos, Lima e Silva combateu a Balaiada, usando muitas vezes o cerco contra grupos de rebeldes.[1]

Os balaios ainda tiveram o apoio de três mil escravos, que fugiram das fazendas, se aquilombaram e depois ficaram sob a liderança do negro Cosme Bento das Chagas.[1]

Em 23 de agosto de 1840, quando foi proclamada a maioridade do imperador Dom Pedro II, Lima e Silva anunciou aos maranhenses a quase extinção da guerra civil.[1]

Lima e Silva receberia, mais tarde, o título de Barão de Caxias por esta campanha.[3]

Referências
Ir para cima↑ Arruda, José Jobson de A.; Piletti, Nelson TODA A HISTÓRIA: História Geral e História do Brasil 5ª edição 1996, ISBN 8508052022
Ir para cima↑ Artigo sobre o tema do cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais, Renato Cancian - UOL Educação, em 31 de julho de 2005.
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
MIRANDA,A. Balaios e Bem-te-vis: a guerrilha sertaneja (2a. ed.). Teresina: Instituto Dom Barreto, 2002.
JANOTTI, Maria e Lourdes Mônaco. A Balaiada. São Paulo: Brasiliense, 1987. 74p. il.
OTÁVIO, Bigode Janeiro: Imprensa Nacional, 1942.
OTÁVIO, Rodrigs". São Paulo: Siciliano, 2001. 75p. ISBN 8526708694

SANTOS, Maria Villela. A Balaiada e a insurreição de escravos no Maranhão. São Paulo: Ática, 1983. 145p.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Balaiada

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AS 10 CIDADES MAIS ARBORIZADAS DO RN


Os dados, retirados do Censo do Entorno do IBGE, mostram o percentual de casas com uma árvore por perto dentro da cidade.

Major Sales – 99,3%
João Dias – 99,1%
Timbaúba dos Batistas – 99,0%
Lucrécia – 97,8%
Pedra Grande – 96,9%
Jardim de Angicos – 96,9%
Água Nova – 96,7
São Vicente – 96,5%
Pedro Avelino – 96,4%
Viçosa – 96,1%

FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de dados do Censo Demográfico 2010: Características urbanísticas do entorno dos domicílios.

Gentilmente enviado por e-mail pelo Prof. Dr. Carlos Alberto Nascimento de Andrade (UERN/FE/DE)

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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REVOLUÇÃO PRAIEIRA


A Revolução Praieira, também denominada como Insurreição Praieira, Revolta Praieira ou simplesmente Praieira, foi um movimento de caráter liberal e federalista que eclodiu, durante o Segundo Reinado, na província de Pernambuco, no Brasil, entre 1848 e 1850.

A última das revoltas provinciais, está ligada às lutas político-partidárias que marcaram o Período Regencial e o início do Segundo Reinado. Sua derrota representou uma demonstração de força do governo de D. Pedro II (1840-1889).

REVOLUÇÃO PORPETICA:
-1875- apoio dos liberais

Reivindicava as suas glorias, seus propôs, assim ficou conhecido como revolução porpetica de forma global, inscreveu-se no contexto das revoluções liberaissocialistas e nacionalistas que varreram a Europa neste período do século XIX, incluindo a Revolução de 1848 na França que promoveu a extinção do absolutismo no país.

Em nível local foi influenciada pelas ideias liberais dos que se queixavam da falta de autonomia provincial, sendo marcada pelo repúdio à monarquia, com manifestações a favor da independência política, da república e por um reformismo radical.

Com fundo social, econômico e político, contou com a participação das camadas menos favorecidas da Província de Pernambuco, oprimidas pela grande concentração fundiária nas mãos de poucos proprietários. Como exemplo, uma quadra popular à época, refere à poderosa família Cavalcanti:

"Quem viver em Pernambuco
não há de estar enganado:
Que, ou há de ser Cavalcanti,
ou há de ser cavalgado." (Quadra popular)

Ainda como fundo socioeconômico, registra-se a histórica rivalidade com os portugueses, que dominavam o comérciona província. Em síntese, as principais causas da Rebelião Praieira foram:[1]

o predomínio do latifúndio;

a dependência e marginalização do pequeno agricultor;
o encarecimento dos gêneros de primeira necessidade;
o papel monopolizador dos comerciantes portugueses;
o êxodo rural;
a crise da economia pernambucana.


A revolta teve como causa imediata a destituição, por D. Pedro II, do Presidente da Província Antônio Pinto Chicorro da Gama (1800-1887), representante dos liberais. Durante quatro anos à frente do poder, Chicorro da Gama combatera o poder local dos gabirus, grupos mais poderosos da aristocracia latifundiária e mercantil, ligados ao Partido Conservador.

A substituição deste liberal pelo ex regente Araújo Lima, extremamente conservador, foi o estopim para o início da revolução, que já acumulava insatisfação com a política imperial e dificuldades devido ao declínio da economia açucareira.

Os rebeldes queriam formar uma nova Constituinte para alterar a Constituição brasileira de 1824, visando a efetiva liberdade de imprensa (uma vez que esta estava limitada, extinguindo artigos que ferissem a família real ou a moral e os bons costumes), a extinção do poder moderador e do cargo vitalício de senador, voto livre e universal, garantia de trabalho, além da nacionalização do comércio varejista que estava nas mãos dos portugueses

Em abril de 1848, os setores radicais do Partido Liberal pernambucano – reunidos em torno do jornal Diário Novo, na Rua da Praia, no Recife, e conhecidos como praieiros – condenaram a destituição de Chichorro da Gama, interpretando esse gesto como mais uma arbitrariedade imperial.

A revolta contra o novo governo da Província eclodiu em Olinda, a 7 de novembro de 1848, sob a liderança do general José Inácio de Abreu e Lima, do Capitão de Artilharia Pedro Ivo Veloso da Silveira, do Tenente Coronel da Guarda Nacional Bernardo José da Câmara, futuro Barão de Palmares, do deputado liberal Joaquim Nunes Machado e do militante da ala radical do Partido Liberal, Antônio Borges da Fonseca. O presidente nomeado da Província, Herculano Ferreira Pena, foi afastado e o movimento espalhou rapidamente por toda a Zona da Mata de Pernambuco.

A sua primeira batalha foi travada no povoado de Maricota (atual cidade de Abreu e Lima).

Em 1 de janeiro de 1849, os revoltosos lançaram o seu programa, um documento que denominaram Manifesto ao Mundo, de conteúdo, em sua maior parte, social liberal (voto universal, liberdade de expressão, garantia de trabalho, separação dos poderes, direitos individuais na esfera jurídica) [2], supostamente escrito por Borges da Fonseca, um jornalista. O manifesto defendia:

voto livre e universal do povo brasileiro;
a plena e absoluta liberdade de comunicar os pensamentos por meio da imprensa (liberdade de imprensa);
o trabalho, como garantia da vida para o cidadão brasileiro;
comércio a retalho só para os cidadãos brasileiros;
a inteira e efetiva independência dos poderes constituídos;
a extinção do Poder Moderador e do direito de agraciar;
o elemento federal na nova organização
a completa reforma do Poder Judiciário, de forma a assegurar as garantias dos direitos individuais dos cidadãos;
a extinção da lei do juro convencional;
a extinção do sistema de recrutamento militar então vigente.

Apesar do caráter liberal da revolução, os revoltosos não cogitavam a abolição da escravidão.

Depois de receber a adesão da população urbana que vivia em extrema pobreza, pequenos arrendatários, boiadeiros, mascates e negros libertos, os praieiros marcharam sobre o Recife em fevereiro de 1849 com quase 2.500 combatentes, mas foram rechaçados. Marcharam em três Divisões, uma comandada por João Inácio de Ribeiro Roma, a segunda por Bernardo Câmara e a terceira era comandada por Pedro Ivo Veloso da Silveira.

A repressão[editar | editar código-fonte]

A província foi pacificada por Manuel Vieira Tosta, indicado como novo presidente, auxiliado pelo Brigadeiro José Joaquim Coelho, novo Comandante das Armas. As forças rebeldes foram derrotadas nos combates de Água Preta e de Igaraçu.

Os líderes do movimento pertencentes à classe dominante, foram detidos e julgados apenas em 28 de novembro de 1851, quando os ânimos na província já tinham serenado, ocasião em que o governo imperial pôde lhes conceder anistia. Voltaram, assim, a ocupar os seus cargos públicos e a comandar os seus engenhos.

Por outro lado, os rebeldes das camadas sociais menos privilegiadas - rendeiros, trabalhadores e outros - não tiveram direito a julgamento e, ou sofreram recrutamento forçado ou foram anistiados por intervenção de seus superiores para retornarem ao trabalho, exceto aqueles que foram sumariamente fuzilados durante e logo após os combates.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Com o fim da Praieira, no início de 1850, iniciou-se outra parte do Segundo Reinado, um período de tranquilidade política, fruto do parlamentarismo e da política de conciliação implantados por D. Pedro II, e da prosperidade trazida pelo café.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Praieira


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ENCAMINHAMENTO DE CHAPAS CANDIDATAS AS ELEIÇÕES DA ASCRIM BIENIO 2017/2018


ASCRIM/PRESIDENCIA – RECEBIMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS ELEIÇÕES DA ASCRIM  - OF. Nº 270/2016.

MOSSORÓ-RN, 12 OUTUBRO de 2016

PREZADOS ASSOCIADOS DA ASCRIM,

ACUSAMOS, AGRADECEMOS E REGISTRAMOS O RECEBIMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS ÀS ELEIÇÕES DA ASCRIM PARA OS CARGOS DA DIRETORIA EXECUTIVA DA ASCRIM E DO CONSELHO FISCAL DA ASCRIM, NAS QUAIS HONRA-NOS SABER QUE O NOME DOS SENHORES INDICADOS CONSTA NO ROL DOS CANDIDATOS.

CONFORME SOLICITAÇÃO QUE NOS FOI FEITA PARA ENCAMINHAMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS AS ELEIÇÕES DA ASCRIM BIÊNIO 2017/2018, À COMISSÃO ELEITORAL DA ASCRIM-CEA, O FAREMOS AMANHÃ(13.10.2016), DATA EM QUE SE OFICIALIZA O FUNCIONAMENTO DA CEA, NA FORMA ESTATUTÁRIA, JUNTAMENTE. JUNTO AO ENCAMINHAMENTO DAS CHAPAS CANDIDATAS ENVIAREMOS – CONDIÇÃO “SINE QUA NON” - A “DECLARAÇÃO DE CANDIDATOS APTOS AS ELEIÇÕES DA ASCRIM”.

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS,

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO
-PRESIDENTE DA ASCRIM-

De: SILVA NETO <planesilva@msn.com>

Enviado: quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Para: ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES MOSSOROENSES ASCRIM; ceicaomaciel@yahoo.com.br;eheronildes@uol.com.brfratermanoel@yahoo.com.br; goretti alves alves; lucioney@ymail.com;ludimillaoliveira@globo.com; Maria do Socorro Albuquerque Gurgel; martanmedeiros@gmail.com; SILVA NETO; susanalimaleitems@gmail.com; Vanda Maria Jacinto; Wilson Bezerra de Moura; Jose Romero; Expedito de Assis; Milton Marques
Assunto: ENCAMINHAMENTO DE CHAPAS CANDIDATAS AS ELEIÇÕES DA ASCRIM BIENIO 2017/2018

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso.

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