Por No Rastro do Cangaço
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024
LAMPIÃO E ZÉ BAIANO EM CANINDÉ – O CARRASCO FERRADOR
SURGE SINHÔ, O MAIOR DOS PEREIRAS, NO CANGAÇO
Por Manoel Severo
O ano é 1915 quando vamos encontrar Né Dadu, retornando da cidade de Triunfo após ser absolvido de crime de morte de João Jovino. Naqueles dias uma volante se formava para capturar um dos maiores desafetos da família Carvalho. Sob o comando do Tenente Teófanes Ferraz Torres e contando ainda com os Carvalho: Antonio e José da Umburana e João Lucas das Piranhas, atacam São Francisco , mas não encontram Né Dadu, espancando fortemente uma negra de nome Antonia Verônica, governanta do lugar, conhecida por “Mãe Preta” e prendem o mais novo dos filhos de D. Constança, irmão de Né Dadu: Sebastião Pereira, então com 16 anos.
A represália dos Pereira veio logo em seguida, quando é morto José da Umburana em emboscada de Vicente de Marina, o morticínio continua, desta feita mais um Pereira tomba, Né Dadu morre em 16 de Outubro de 1916, vítima de covarde traição de um ex-cabra dos Carvalho, Zé Rodrigues, Zé Grande ou simplesmente “Zé Palmeira” que o matou com seu próprio rifle no lugar Poço do Amolar, na fazenda Serrinha. Esse caboclo Zé Palmeira havia se aproximado de Né Dadu após ardilosa trama traçada pelos próprios Carvalho, simulando o rompimento do referido cabra com a família inimiga. Apesar de Atento e desconfiado Né Dadu acabou sendo ludibriado pelo audacioso golpe e acabaria sendo vítima fatal do mesmo.
A morte do irmão empurrou definitivamente o mais jovem da família para o mundo do crime, nascia ali aquele que seria o mais valente de todos os cangaceiros, segundo o próprio Virgulino Ferreira: Sebastião Pereira, vulgo Sinhô Pereira.
Partindo na sanha da formação de seu grupo, Sebastião Pereira partiu em busca do Coronel Zé Inácio, do Barro, conhecido coiteiro e protetor de bandidos, dali saiu com um grupo de 20 cabras, tendo como seu lugar tenente seu primo, Luiz Padre, rumo a Vila Bela, no Vale do Pajeú.
Invadindo São Francisco, depredou e queimou a loja de Antonio da Umburana e tomou a pequena vila, partindo dali para as fazendas dos Carvalho, Umburanas e Piranhas, depredando, queimando, matando animais, destruindo cercas, arrasando tudo. Os Carvalhos diante de tanta fúria se retiraram para a cidade, finalizando assim a primeira grande investida do grande cangaceiro.
Sobre a eterna peleja entre os clãs vamos ter o episódio da invasão à fazenda Piranhas, narrado por inquérito na própria delegacia de Vila Bela, como segue: “... no dia 1º corrente apresentaram-se voluntariamente a prisão os indivíduos José Alves de Barros e José de tal conhecido por José Caboclo e Francisco Alves de Barros, Cincinato Nunes de Barros, Antonio Carvalho de Barros, conhecido por Antonio da Umburana, Antonio Alves Frazão, José André, Feliciano de tal, João Ferreira, Francisco Porphirio, Antonio Teixeira, Antonio Pedro da Costa Neto, Antonio Pequeno, José Flor e João Tapia todos denunciados neste município como incursos no artigo 294 por terem morto ao cangaceiro Paixão na ocasião em que os mesmos se defendiam do ataque feito a fazenda Piranhas pelo grupo chefiado por Sebastião Pereira e Luiz Padre dos qual fazia parte o referido Paixão (Informe ao Chefe de Polícia pelo delegado de Vila Bela, 5/9/17).
Algum tempo
depois Sebastião Pereira mataria o assassino de seu irmão Né Dadu, o indivíduo
Palmeira, na localidade de Viçosa em Alagoas, tendo Luiz Padre sangrado o
matador de seu pai Padre Pereira, Luis de França, em São João do Barro
Vermelho. Em outra oportunidade na localidade de Queixada, sob a proteção do
Coronel Pedro da Luz, acabou encontrando Antonio da Umburana que foi sangrado,
esquartejado e queimado, assim se configurava a vingança dos primos, Sebastião
e Luis Padre.
http://honoriodemedeiros.blogspot.com/2012/08/surge-sinho-o-maior-dos-pereiras-no.html
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LIVROS DO CANGAÇO - CANAL CANGAÇO EM FOCO
Por Cangaço em Foco.
https://www.youtube.com/watch?v=Ocp3mtYyjhU&ab_channel=CANGA%C3%87OEMFOCOAlguns autores e livros do cangaço.
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ASCRIM/ACADEM-PRESIDÊNCIA - MENSAGEM DE NATAL E ANO NOVO – CIRCULAR Nº 02/2023, DE 25.12.2023 .
Ascrim/academ-presidência - Mensagem de natal e ano novo – CIRCULAR Nº 02/2023, DE 25.12.2023 .
MOSSORÓ-RN, 31 de Dezembro de 2023.
- REENVIADO A PEDIDOS –
‘RECEBES ESTE EXPEDIENTE PORQUE A ASCRIM O(A)VALORIZA E RESPEITA, PELO ALTO NÍVEL DE QUEM TEM O PRESTÍGIO DE SERASSIM CONSIDERADO(a)!
REVERENCIAL CATÓLICO DO SIGNIFICADO De NASCIMENTO do filho de deus e DAS OITAVAS DO NATAL. A Oitava de Natal exprime de forma especial “um aspecto do testemunho do mistério da Encarnação”, ou seja, nesse período “nos concentramos mais uma vez sobre o grande mistério de Deus que desceu do Céu para entrar na nossa carne” (cf. Papa emérito Bento XVI, 9 de janeiro de 2013).
[1 Salmos LXXXIV, 12.] [2 Salmos CXVII, 24.]. [3 São Mateus XI, 25.].
“A Oitava seria o prolongamento da celebração da Páscoa por uma semana. Bem sabemos que a semana é constituída por sete dias, mas porque então essa semana é chamada de Oitava? Segundo a tradição, a Oitava remete para o dia chamado ‘sem ocaso’, o dia sem fim. Se os dias temporais, a semana histórica é marcada por sete dias, este oitavo dia seria o dia da eternidade, o dia da plenitude”,
Aproveite a Oitava de Natal para continuar vivenciando as graças do nascimento do Menino Deus que se encarnou para salvar-nos, e prolongue os votos de Natal e os gestos de caridade e amor tão presentes nesse período para todo o ano 2023 que se encerra ante o ano 2024 que se inicia
Na Santa Missa do último dia de 2023, celebramos liturgicamente a festa da Sagrada Família, e desejamos colocar toda a nossa vida diante do Menino que nasceu para nós, o nosso Salvador. Um ótimo momento para recapitular, fazer um balanço e agradecer a Deus que quis ficar ao nosso lado em todos os momentos.
Considerando presentes – ainda -, portanto, 0 significado verdadeiro do natal, Retribuímos votos festas natalinas e ano novo, Felicitando pela continuidade desse tempo em que se consagra invocar ao onisciente menino jesus pela paz em todos os lares do mundo !
Reiterado desejos DE AGRADECIMENTOS AOS QUE ESTIVERAM NOS APOIANDO durante 2023, anunciamos
Que Continuaremos FORTES, unidos PELA concretização das atividades em prol das academias, instituições culturais e congêneres, almejando UM AFORTUNADO 2024 que se aproxima !
Que as bênçãos divinas se derramem sobre todos, extensivas aos seus E NOSSOS familiares.
De igual forma, estendemos nossos votos de boas festas a todos o(a)s amigo(a)s com quem convivemos NO ANO PRESTES A SE ENCERRAR !
Abonancemo-nos POIS, - seja - o ANO VINDOURO, FARTO DE Amor, proteção divina, potencialização da fé, Paz, saúde, prosperidade do pão na mesa e prática da caridade para todos !
Nós acreditamos na união pacificadora entre os povos e respeitamos as crenças de todas as religiões no mundo.
Entre os dias 25 de dezembro e 1º de janeiro, a Igreja celebra a Oitava do Natal, ou seja, oito dias em que vivemos a alegria da Festa do Nascimento de Jesus.
Ascrimianas saudações
Francisco josé da silva neto
-presidente da ascrim/academ-
Maria goretti Alves de Araújo
Vice-Presidenta interina da ascrim
P.S.: 1. CONSIDERANDO A ESSÊNCIA DA HUMANIDADE INTELECTUAL, INSERIDA NA REPRESENTATIVIDADE DE TODOS SEGMENTOS SOCIAIS ABAIXO RELACIONADOS, ENCAMINHA-SE ESTA CÓPIA ORIGINAL, EM CARÁTER PESSOAL DIRETO AOS INSIGNES DIGNITÁRIOS:
P.S.-2): EVENTUALMENTE – EM RESPOSTA À TRANSMISSÃO DE CONVITE - RECEPCIONAMOS MENSAGENS QUE NOS SÃO ENVIADAS PELOS SIGNATÁRIOS DOS EMAILs DESTINATÁRIOS, AS QUAIS ENVIAMOS PARA OS PATROCINADORES DOS EVENTOS, ATRAVÉS DO NOSSO MALOTE DIGITAL OFICIAL DA ASCRIM-MADA .
P.S.-3): ESTA É UMA CÓPIA ORIGINAL, ENCAMINHADA, OFICIALMENTE, EM CARÁTER PESSOAL DIRETO PARA O(A)S:
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES, DIRIGENTES E AUTORIDADES DE ENTIDADES GOVERNAMENTAIS, JURÍDICAS, MAÇÔNICAS E MILITARES.
REVERENDÍSSIMO(A)S PRESIDENTES, DIRIGENTES E AUTORIDADES DE ENTIDADES RELIGIOSAS.
MAGNÍFICOS REITORES E AUTORIDADES DE UNIVERSIDADES.
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES E INSTI
TUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS.
EXCELENTÍSSIMO(A)S PRESIDENTES DE ENTIDADES CULTURAIS E INSTITUIÇÕES CONGENERES.
ILUSTRÍSSIMO(A)S DIRIGENTES DE INSTITUIÇÕES FILANTRÓPICAS, EDUCACIONAIS E DE CIDADANIA.
ILUSTRÍSSIMO(A)S JORNALISTAS E COMUNICADORES.
ACADÊMICO(A)S DA ASCRIM.
POTENCIAIS CANDIDATO(A)S A ACADÊMICO(A)
ENVIADO PELA "ASCRIM".
A ÍNDIA KATHAUÃ NÃO DEIXA PAI VENDER FILHA PARA SER ESCRAVIZADA POR FAZENDEIROS, CORONÉIS...
José Mendes Pereira
Kathauã foi
uma índia justiceira que nascera nas terras de Mossoró. E era uma espécie de
cangaceira da sua época, que todos os moradores a respeitavam. Ela mantinha a
sua ordem sem armas, apenas usava dois longos chicotes, e que não admitia que
as coisas na cidade fossem levadas do jeito que os políticos, coronéis e
fazendeiros quisessem, principalmente aqueles que se diziam serem homens
poderosos que escravizavam uma boa parte da população mossoroense, e alguns de
cidades adjacentes.
Quem havia
nascido em berço negro e pobre teria que viver a vida inteira trabalhando para
uma porção de oportunistas, carrascos, cruéis? E isso, Kathauã não admitia. E
ainda dizia:
- Respeitar
Mossoró e seu povo é preciso. Eles têm que serem amados e respeitados por
todos. Quem não quiser amar a minha Mossoró e respeitá-la juntamente com os
seus filhos, deixa-os o quanto antes. Vá embora daqui para outras terras que a
ela não as pertencem. Mossoró tem nome para ser zelado. Dizia ela ao prefeito
Antônio Freire de Carvalho, que negro e índio são irmãos do branco e do rico,
que nasceram nesta cidade em berços de ouro.
- Sim,
senhora! Timidamente concordava o prefeito.
Em reuniões de
políticos, mesmo não fazendo parte da Prefeitura, nem da Câmara Municipal de
Vereadores de Mossoró, Kathauã participava de todos os encontros, e ai daquele
que não aceitasse a sua presença nos grupos. Vez por outra, Kathauã fazia o seu
discurso dizendo aos vereadores que:
- Todos os
senhores foram eleitos para a ligação entre o governo e o povo. Todos têm
obrigação de ouvir o que os eleitores querem propor, e aprovarem esses pedidos
na Câmara Municipal. Também, todos têm o dever de fiscalizarem, se o prefeito e
seus secretários estão colocando essas demandas em prática, e se não estão
pondo a mão nos recursos da cidade.
Era no tempo
da escravidão. Assim que tomou conhecimento que o índio “Marani” (palavra
indígena o que provoca rixas) havia colocado a sua filha “Indira” (Beleza pura
nome indígena) de 13 anos à venda, para ser arrematada e escravizada por
fazendeiros do lugar, ou por carrascos e poderosos coronéis, a índia Kathauã não
gostou nem um pouquinho. Arrumou o seu cavalo com uma bela sela e arreios que
dias antes havia recebido do seleiro Porfírio de Castro; apanhou os seus dois
chicotes de 3 metros, e foi direta a oca do índio “Manari”, para saber o porquê
de colocar a sua querida e estimada filhinha "Indira" à venda.
Assim que
chegou à sua oca “Kathauã” encontrou “Marani” deitado sobre um jirau, uma
espécie de cama feito de madeira e forrado com palhas da carnaubeira. “Manari”
nem sabia que mulher era aquela, porque ele fazia três anos que ali chegara
vindo de outra tribo, mas ligada à tribos de Mossoró.
A índia
Kathauã vivia mais na cidade, sempre cobrando trabalhos e mais trabalhos do
prefeito. E assim que ela desceu do seu cavalo e foi entrando na oca,
perguntou-lhe:
- O senhor é o
Manari?
- Sou, sim
senhora! – Respondeu ele sem nem ao menos se levantar do seu jirau.
- Eu vim aqui,
porque me falaram que o senhor tem uma filha que está à venda, e eu estou
interessada comprá-la.
Kathauã dizia
só no intuito de saber se era verdade mesmo, que ele tinha colocado a filha à
venda para ser arrematada por fazendeiros. E assim que ela falou que queria
comprá-la, de um só pulo o índio “Manari” se levantou do jirau, já interessado
na venda.
- E qual é o
valor que o senhor está pedindo pela sua filha?
E sem
titubear, o perverso pai disse que a venderia por 2 vacas leiteiras, 100 cuias
de milho, igual feijão, arroz, mais 5 hectares de terras para plantio.
A Kathauã
ouvia isso com paciência. E logo escutou de lá de dentro de um pequeno
compartimento, um choro. Era a “Indira” sua filha que não se conformava com
aquela ideia do pai querer vendê-la. E saindo do pequeno compartimento, veio em
direção à Kathauã implorando-a:
- Pelo amor de
Deus dona senhora, não me compra! É aqui que eu quero viver com ele, com minha
mãe, com meus irmãos e minhas amigas...!
E sem muita
demora, um choro forte e soluço de mulher estrondaram dentro da oca. Era a
Janaina (Significa "protetora do lar", "deusa do mar",
"rainha do mar", "mãe dos peixes"...) a esposa do “Manari”,
mãe da “Indira” que todos os dias protestava, e não admitia que a sua querida
filhinha fosse vendida para nenhum fazendeiro, e nem tão pouco para perversos
coronéis. E aproximando-se da Kathauã, fez-lhe um pedido:
- Dona mulher,
não compra a minha filhinha. Será uma das maiores dores para mim, ver a
“Indira” saindo daqui, da nossa companhia, vendida para ser maltratada por aí!
Pelo amor de Deus, não faça isso!
E voltando
para “Manari”, Kathauã perguntou-lhe:
- Por que o
senhor quer vender a sua filha?
- Porque me
vejo sem condições de alimentar todos os meus filhos...
- E o senhor
está trabalhando?
- Não senhora.
- E por que
não está engajado em um serviço qualquer?
- Dona, os
coronéis e fazendeiros pagam muito mal e só querem escravizar a gente. É um
sofrimento para quem trabalha para aquele povo.
- Quer dizer
que o senhor não quer ser escravizado pelos coronéis e fazendeiros, mas quer
que a sua filha que tanto o senhor a beijou quando pequenina, agora quer que
ela seja escravizada por esta gente.
Ouvindo estas
palavras o índio “Manari” calou sua voz. Não disse mais nem uma e nem duas.
- O senhor já
ouviu falar na índia Kathauã, aquela que não dá chance a nenhum malandro que
não quer trabalhar?
- Já ouvi, sim
senhora...
- Pois saiba
"bichim", que a Kathauã sou eu. Levante-se e vá logo procurar
trabalhos por aí. Não quero mais ouvir falar que o senhor está querendo vender
sua filha! Não só coronéis e fazendeiros têm serviços, como vários donos de
vazantes e agricultores têm trabalhos para quem quiser trabalhar. Eu vou
embora, mas se eu ainda ouvir falar que o senhor vendeu ou continua querendo
vender a sua filha, eu retorno aqui, e o senhor não se livra de jeito nenhum
dos meus chicotes. – Dizia ela em voz alterada e enraivada.
E montando-se
no seu cavalo, chicoteou-o e foi-se embora.
O índio
“Manari” foi trabalhar e desistiu da ideia de vender a sua querida filhinha.
Sabendo que o
índio “Manari” obedeceria as suas ordens, Kathauã nunca mais voltou à sua casa.
O
"Manari" já tinha conhecimento dos seus arrufos e não era maluco de
desobedecê-la.
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A ÍNDIA KATHAUÃ NÃO DEIXA PAI VENDER FILHA PARA SER ESCRAVIZADA POR FAZENDEIROS, CORONÉIS...
José Mendes Pereira
Kathauã foi uma índia justiceira que nascera nas terras de Mossoró. E era uma espécie de cangaceira da sua época, que todos os moradores a respeitavam. Ela mantinha a sua ordem sem armas, apenas usava dois longos chicotes, e que não admitia que as coisas na cidade fossem levadas do jeito que os políticos, coronéis e fazendeiros quisessem, principalmente aqueles que se diziam serem homens poderosos que escravizavam uma boa parte da população mossoroense, e alguns de cidades adjacentes.
Quem havia nascido em berço negro e pobre teria que viver a vida inteira trabalhando para uma porção de oportunistas, carrascos, cruéis? E isso, Kathauã não admitia. E ainda dizia:
- Respeitar Mossoró e seu povo é preciso. Eles têm que serem amados e respeitados por todos. Quem não quiser amar a minha Mossoró e respeitá-la juntamente com os seus filhos, deixa-os o quanto antes. Vá embora daqui para outras terras que a ela não as pertencem. Mossoró tem nome para ser zelado. Dizia ela ao prefeito Antônio Freire de Carvalho, que negro e índio são irmãos do branco e do rico, que nasceram nesta cidade em berços de ouro.
- Sim, senhora! Timidamente concordava o prefeito.
Em reuniões de políticos, mesmo não fazendo parte da Prefeitura, nem da Câmara Municipal de Vereadores de Mossoró, Kathauã participava de todos os encontros, e ai daquele que não aceitasse a sua presença nos grupos. Vez por outra, Kathauã fazia o seu discurso dizendo aos vereadores que:
- Todos os senhores foram eleitos para a ligação entre o governo e o povo. Todos têm obrigação de ouvir o que os eleitores querem propor, e aprovarem esses pedidos na Câmara Municipal. Também, todos têm o dever de fiscalizarem, se o prefeito e seus secretários estão colocando essas demandas em prática, e se não estão pondo a mão nos recursos da cidade.
Era no tempo da escravidão. Assim que tomou conhecimento que o índio “Marani” (palavra indígena o que provoca rixas) havia colocado a sua filha “Indira” (Beleza pura nome indígena) de 13 anos à venda, para ser arrematada e escravizada por fazendeiros do lugar, ou por carrascos e poderosos coronéis, a índia Kathauã não gostou nem um pouquinho. Arrumou o seu cavalo com uma bela sela e arreios que dias antes havia recebido do seleiro Porfírio de Castro; apanhou os seus dois chicotes de 3 metros, e foi direta a oca do índio “Manari”, para saber o porquê de colocar a sua querida e estimada filhinha "Indira" à venda.
Assim que chegou à sua oca “Kathauã” encontrou “Marani” deitado sobre um jirau, uma espécie de cama feito de madeira e forrado com palhas da carnaubeira. “Manari” nem sabia que mulher era aquela, porque ele fazia três anos que ali chegara vindo de outra tribo, mas ligada à tribos de Mossoró.
A índia Kathauã vivia mais na cidade, sempre cobrando trabalhos e mais trabalhos do prefeito. E assim que ela desceu do seu cavalo e foi entrando na oca, perguntou-lhe:
- O senhor é o Manari?
- Sou, sim senhora! – Respondeu ele sem nem ao menos se levantar do seu jirau.
- Eu vim aqui, porque me falaram que o senhor tem uma filha que está à venda, e eu estou interessada comprá-la.
Kathauã dizia só no intuito de saber se era verdade mesmo, que ele tinha colocado a filha à venda para ser arrematada por fazendeiros. E assim que ela falou que queria comprá-la, de um só pulo o índio “Manari” se levantou do jirau, já interessado na venda.
- E qual é o valor que o senhor está pedindo pela sua filha?
E sem titubear, o perverso pai disse que a venderia por 2 vacas leiteiras, 100 cuias de milho, igual feijão, arroz, mais 5 hectares de terras para plantio.
A Kathauã ouvia isso com paciência. E logo escutou de lá de dentro de um pequeno compartimento, um choro. Era a “Indira” sua filha que não se conformava com aquela ideia do pai querer vendê-la. E saindo do pequeno compartimento, veio em direção à Kathauã implorando-a:
- Pelo amor de Deus dona senhora, não me compra! É aqui que eu quero viver com ele, com minha mãe, com meus irmãos e minhas amigas...!
E sem muita demora, um choro forte e soluço de mulher estrondaram dentro da oca. Era a Janaina (Significa "protetora do lar", "deusa do mar", "rainha do mar", "mãe dos peixes"...) a esposa do “Manari”, mãe da “Indira” que todos os dias protestava, e não admitia que a sua querida filhinha fosse vendida para nenhum fazendeiro, e nem tão pouco para perversos coronéis. E aproximando-se da Kathauã, fez-lhe um pedido:
- Dona mulher, não compra a minha filhinha. Será uma das maiores dores para mim, ver a “Indira” saindo daqui, da nossa companhia, vendida para ser maltratada por aí! Pelo amor de Deus, não faça isso!
E voltando para “Manari”, Kathauã perguntou-lhe:
- Por que o senhor quer vender a sua filha?
- Porque me vejo sem condições de alimentar todos os meus filhos...
- E o senhor está trabalhando?
- Não senhora.
- E por que não está engajado em um serviço qualquer?
- Dona, os coronéis e fazendeiros pagam muito mal e só querem escravizar a gente. É um sofrimento para quem trabalha para aquele povo.
- Quer dizer que o senhor não quer ser escravizado pelos coronéis e fazendeiros, mas quer que a sua filha que tanto o senhor a beijou quando pequenina, agora quer que ela seja escravizada por esta gente.
Ouvindo estas palavras o índio “Manari” calou sua voz. Não disse mais nem uma e nem duas.
- O senhor já ouviu falar na índia Kathauã, aquela que não dá chance a nenhum malandro que não quer trabalhar?
- Já ouvi, sim senhora...
- Pois saiba "bichim", que a Kathauã sou eu. Levante-se e vá logo procurar trabalhos por aí. Não quero mais ouvir falar que o senhor está querendo vender sua filha! Não só coronéis e fazendeiros têm serviços, como vários donos de vazantes e agricultores têm trabalhos para quem quiser trabalhar. Eu vou embora, mas se eu ainda ouvir falar que o senhor vendeu ou continua querendo vender a sua filha, eu retorno aqui e o senhor não se livra de jeito nenhum dos meus chicotes. – Dizia ela em voz alterada e enraivada.
E montando-se no seu cavalo, chicoteou-o e foi-se embora.
O índio “Manari” foi trabalhar e desistiu da ideia de vender a sua querida filhinha.
Sabendo que o índio “Manari” obedeceria as suas ordens, Kathauã nunca mais voltou à sua casa.
O "Manari" já tinha conhecimento dos seus arrufos e não era maluco de desobedecê-la.
DOIS RANCOROSOS PATENTEADOS SE ENCONTRAM PARA AMENIZAREM RIXAS PASSADAS.
Por José Mendes Pereira
Como Lampião queria na força e na raça ser governador do sertão e o coronel Joaquim Resende achando que o rei não podia lhe dar ordem, o assecla se sentindo desprestigiado, organizou uma maneira de atormentar a administração de Joaquim Resende. E sempre que colocava os pés naquela região sertaneja fazia invasões com depredações e ainda praticava mortes.
Como o rei ficou chateado com o que dissera o oficial contra a sua pessoa o capitão Lampião resolveu fazer uma perseguição a alguns dos seus amigos. E assim que principiou o ataque aos amigos do coronel, este não querendo deixá-los sozinhos, isto é, entregue às vontades do perigoso Lampião, passou a apoiar as decisões que os seus aliados tomavam contra o assecla.
Mas como em todas as brigas tem sempre uma pessoa que faz o papel de sossega leão, um senhor chamado Zuza Tavares, foi um dos incumbidos pelos amigos para resolver a questão entre os dois indomáveis leões.
- Logo no início do ano de 1936.
- E o local do encontro?
- Seria na Fazenda Floresta, lá nas terras sergipanas, no Maitá, já que o rei e sua respeitada saga estavam de redes armadas e cachimbos acesos naquele lugar.
- E quem ficaria encarregado de providenciar o transporte até à fazenda?
- O grande honrado para adquirir o transporte foi um senhor chamado Messias de Caduda.
- E qual seria a locomoção que o famoso rei iria até a casa do coronel Joaquim Resende?
- Lógico que seria em uma bela e zelada canoa, já que no lugar não tinha iates, barcos ou outra coisa parecida.
- E de quem seria esta canoa?
- Seria a canoa de um senhor de nome João de Barros porque apesar de ser pescador, era um homem de grande confiança.
Este foi o confiado para levar o rei ao encontro do coronel. E sem muita demora, foi feito o contrato do aluguel da canoa para este fim.
João de Barros se sentindo importante, por ter sido escolhido para transportar a majestade, deu início a uma grande limpeza no honrado transporte, tirando o excesso de salmouras de peixes entre as tábuas. Afinal, nele iria entrar um dos homens mais importantes do nordeste. Depois o higienizou com um cheiroso detergente. E em seguida, partiu para o local combinado. Canoa pronta, sua majestade dentro dela. E sem mais tardar, João de Barros remou o belo transporte em direção a Pão de Açúcar, até a Fazenda Floresta.
Messias ao entrar na casa deu início à revista. E enquanto fazia a revista, olhou para um dos lados e viu um senhor que pelo seu jeito de se vestir, pareceu-lhe ser uma autoridade. E era mesmo. Sem dúvida, o coronel Joaquim Resende, o grande e respeitado oficial. O Messias que ainda não o conhecia, depois de algumas conversas, pediu que o perdoasse por ter entrado ali sem a sua generosa autorização, e alegou que era ordem do capitão Lampião para revistar o ambiente.
Quando terminou o encontro os amigos de ambas as partes se sentiram realizados, uma vez que as queixas de Lampião contra o pessoal do coronel Joaquim Resende, principalmente uma que ele tinha com um fazendeiro de nome Juca Feitosa, as rixas, e as amizades foram vistas com carinho, bons olhos e reconquistadas.


