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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Entre Canetas e Bacamartes

Por: Cristina Couto
Fideralina Augusto Lima e a Abertura do IV Seminário Cariri Cangaço - Entre Canetas e Bacamartes.

Lavras da Mangabeira viveu seu apogeu politico nas primeiras décadas do século XX. O poderio do Bacamarte de um coronel, nada convencional para aqueles tempos deu a nossa cidade o título de Princesa do Salgado, mostrando a força e determinação do substantivo feminino.

Nas terras fecundas do Salgado imperou a vontade de uma mulher, Dona Fideralina Augusto Lima, que sendo proprietária de inúmeras terras, muito gado, muitos negros e muitos cabras foi uma das maiores expressões políticas do Estado do Ceará em todos os tempos, tornou-se símbolo de mulher destemida, audaz e guerreira e tem seu nome, hoje, citado no coronelismo, sendo reconhecida e respeitada como tal.

O efervescente conflito entre o rosário dos beatos, a ponta do punhal dos cangaceiros e o bacamarte dos coronéis, mostraram ao Ceará o grande domínio que o Cariri Cearense detinha nesta Região. Os símbolos, os mitos e as crenças determinaram os mandatários locais e a troca de favores em nome do poderio político. 

Cristina Couto recebe de Manoel Severo o Título Cariri Cangaço

Quando o rosário se quebrou, o punhal entortou e o bacamarte caiu, Lavras da Mangabeira não perdeu seu poderio, reconhecida como celeiro de intelectuais seus filhos ilustres assumiram o poder através da caneta, sendo destaque na literatura e nas artes. 

Por essas razões, Lavras da Mangabeira tem a honra de abrir a temporada do IV Seminário Cariri Cangaço em suas terras. Para a cultura lavrense é um verdadeiro resgate histórico daqueles que tanto fizeram pelo nosso município, e durante décadas foram completamente esquecidos e até injustiçados. O tempo passa mais a história registra. A partir desse momento vamos conhecer e reviver o nosso passado de conflitos e de glória.

Cristina Couto
Secretária de Cultura de Lavras da Mangabeira
da família Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com

Monsenhor Américo - Parte I - 12 de Maio de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Américo Vespúcio Simonetti nasceu em Assu/RN em 21 de dezembro de 1929, sendo filho do casal Alfredo Simonetti e Maria Augusta de Sá Leitão Simonetti. Foi o quarto filho de um total de sete irmãos: Maria Amália Simonetti (Ir. Angelina), José Nazareno Simonetti, Maria Anita Simonetti, Joaquim Alfredo Simonetti (Padre Alfredo), João Batista Simonetti, Maria da Salete Simonetti Gomes e um filho adotivo: João Batista. O pai morreu quando Américo tinha apenas 10 anos.


“Eu sou de uma família católica, cresci com o hábito de ir à igreja. Recebi influências tanto da minha mãe como do meu pai. Não houve exigência por parte deles, eu sozinho quis seguir o sacerdócio. Aos poucos, ainda em Assú, fui despertando essa vontade, esse desejo. Foi ai que resolvi ingressar no seminário. A formação católica que recebi tem muito sentido para mim”, declarou Monsenhor Américo numa entrevista que concedeu ao jornal “Gazeta do Oeste” em novembro de 2002.
               
Iniciou seus estudos em Assú. Com dez anos e dois meses de idade, encontrava-se no Seminário de Santa Terezinha de Mossoró, entre os novatos de 1940. Os estudos superiores foram feitos em São Leopoldo/RS, de 1950 a 1952, Filosofia e Teologia entre 1953 a 1956, também em São Leopoldo. Em 1969 fez especialização em Didática do Ensino Superior na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como forma de aperfeiçoar em sua formação. As ordens sacras foram dadas nas seguintes datas: subdiaconato em 01 de janeiro de 1956 em São Joaquim/SC, por Dom Daniel Hostin. Presbiterato a 02 de dezembro de 1956, em Assú, por Dom Eliseu Mendes. Sua primeira missa foi realizada na Matriz de São João Batista, em Assú, no dia 08 de dezembro de 1956. 

Foi nomeado vigário cooperador do Monsenhor Júlio Alves Bezerra, na mesma paróquia. Em 1962 foi chamado pelo então bispo de Mossoró Dom Gentil Diniz Barreto, sendo nomeado vigário da paróquia do Coração de Jesus, onde permaneceu de 1962 a 1964. Assumiu a coordenação da Ação Pastoral na Diocese a partir de 1962, a superintendência da Rádio Rural de Mossoró a partir de 1963 e foi indicado como vigário geral da Diocese a partir de 1969.
              
Foi professor de psicologia do Curso Normal Regional em Assú, de 1960 a 1961. Professor de Economia Política da Escola Técnica de Comércio, na Escola Nossa Senhora das Vitórias, em Assú, em 1961. Professor de Latim, no Ginásio Pedro Amorim, também em Assú, em 1961. Professor de Literatura Latina, no Instituto de Letras e Artes da Universidade Regional do Rio Grande do Norte, hoje Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN.
               
Foi Reitor durante vários anos do Santuário Coração de Jesus, Diretor do Lar Sacerdotal, Diretor do Departamento Diocesano de Ação Social e da Cáritas Diocesana, Diretor do Curso Superior de Iniciação Teológica, Diretor do Centro Pastoral de Ciências Religiosas e Animador da Ação Católica no setor da Juventude Agrária Católica – JAC, quando ainda se encontrava em sua cidade Assú.
               
Uma de suas mais importantes obras foi a criação da Rádio Rural de Mossoró, com o apoio do bispo diocesano Dom Gentil Diniz Barreto, em 1963. Para isso mobilizou, durante muito tempo, a cidade e a região de Mossoró, com promoções como: A Feira da Providência, o Festival dos Municípios e o Concurso A Mais Bela Voz.
               
Padre Américo Simonetti recebeu o título honorífico de “Monsenhor” do bispo diocesano Dom Gentil Diniz Barreto e, no ano de 1980 foi nomeado pároco da Catedral de Santa Luzia, substituindo o Monsenhor Huberto Bruening .
               
Como pároco, resgatou os festejos da padroeira Santa Luzia e ajudou a transformá-la num dos eventos religiosos mais importantes do Estado do Rio Grande do Norte. Criou um tema para cada ano da festa e foi o incentivador principal da peça do Oratório de Santa Luzia. Sempre promoveu o bem e ajudou a todos que lhe procuravam. Era uma pessoa generosa e responsável por inúmeros trabalhos realizados na Diocese de Mossoró. Foi dele, por exemplo, a famosa frase que acompanha a procissão de Santa Luzia: “Mossoró com alegria, saúda Santa Luzia”.
               
Seu lema era: “Não desanimar nunca, embora venham muitos ventos contrários”.
              
Continua na próxima semana

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:
http://www.blogdogemaia.com

Fideralina Augusto Lima a personagem principal em Lavras.

Por  Dimas Macedo
Dimas Macedo conferencista da tarde em Lavras

O Ponto alto da Abertura do Cariri Cangaço 2013 em sua Avant Premier em Lavras, foi a Conferência do escritor , poeta e membro da Academia Cearense de Letras; filho ilustre de Lavras da Mangabeira; o intelectual Dimas Macedo, sobre a trajetória de vida de Fideralina Augsto Lima, ou simplesmente Dona Fideralina. 

Com uma Mesa onde tínhamos além de Dimas Macedo, o escritor e pesquisador, secretário de cultura de Barro, Sousa Neto, a historiadora e pesquisadora Juliana Ischiara e o pesquisador, escritor e secretário de cultura de Aurora, José Cícero, tivemos a oportunidade de aprofundar neste universo fantástico das raízes de nosso sertão, através da marcante história de vida de uma das personagens mais emblemáticas do Ceará, do final do século XIX e inicio do século XX, que a partir de Lavras levava sua influência para todos os rincões alencarinos.

Dimas Macedo em Conferência ímpar no Cariri Cangaço 2013
Sousa Neto, Juliana Ischiara e José Cícero

Com uma Conferência pontuada por informações preciosas sobre a trajetória de dona Fideralina e a tradicional família Augusto ao longo do tempo, Dimas Macedo nos brindou com um capítulo especial da vida desta Matriarca Lavrense, numa autêntica aula de história, conhecimento e reflexões.

Fatos curiosos, polêmicos e que foram fundamentais pra entendermos boa parte da história de nosso Ceará do inicio do século pasado tiveram em Lavras eum cenário habitual e importante tendo como pano de fundo a presente forte e definitiva de Fideralina Augusto Lima. Para a historiadora Juliana Ischiara, "foi uma tarde noite memorável quando o Cariri Cangaço reverencia de forte solene a memória não sói de Fidera, mas de todo clã dos Augusto". Já o pesquisador José Cícero confirmou " Mulheres como Fideralina e Marica Macedo estavam a frente de seu tempo, e o Cariri Cangaço hoje contribui fortemente para o resgate da história de nosso Ceará." Sousa Neto não deixou de ressaltar a "grande mobilização de toda a cidade de Lavras em torno do Cariri Cangaço: Um evento inesquecível".

Ao final ficou a certeza de muitos outros capítulos em Lavras da Mangabeira no 
Cariri Cangaço 2014.

Tudo sobre a Avant Premier do Cariri Cangaço em Lavras da Mangabeira, voce encontra a partir de hoje aqui no cariricangaco.com

http://cariricangaco.blogspot.com

Convite Missa de 1º Aniversário de Anatália Cristina Queiroga Pereira


Enviado por Jeferson Queiroga
Natal-RN

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Região Nordeste - O Cariri e o Cangaço

Por: Fádina Lacerda
Fádina Lacerda, professor Major e Cristina Couto na Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira

Caros visitantes, tenho feito relatos de minhas viagens à Europa, embora também postado algumas vezes sobre o meu Brasil. Então, quero neste relato, apresentar um evento que está crescendo aqui entre nós, visto que se trata de um propósito, que é preservar e tornar amplamente conhecida a tradição e a cultura nordestina, com os fatos históricos que contribuíram para a sua formação. Neste final de semana, viajei com o o Grupo Cangaceiros Cariri, do Cariri Cangaço, para o evento que marcou o início do Seminário sobre Lampião - O Rei do Cangaço - com o seu bando, nas cidades por onde ele andou, em décadas passadas.

A região Nordeste, é de uma riqueza imensa, muito embora padeça com as intempéries do clima seco e árido, as chuvas escassas e toda a espécie de problemas e suas tragédias causadas por este fenômeno que modifica ocasionalmente a paisagem, exibindo a caatinga  sob traços dramáticos, porém, revestida de enorme riqueza ambiental.


O Boqueirão de Lavras, um lugar paradisíaco que enriquece a região com sua beleza ímpar, e o Salgado, rio mitológico do Cariri. Os habitantes e toda a equipe municipal que organizou e preparou a cidade. para a realização desse  importante evento, de fundamentação histórica não apenas para o povo nordestino, mas também, para todos os brasileiros, contribuindo com a preservação de nossas tradições populares.

A programação conta com  edições em outras cidades, e  ocorrerá em sistema de Seminários com palestras, conferências, apresentações artísticas e visitas destacadas pelo bando de Cangaceiros do Bem, que no seu objetivo maior é manter e preservação a nossa cultura, além de apresentá-la ao mundo, com toda a riqueza que ela concentra e que esteve de certa forma, escondida dos olhares e apagada das nossas memórias. 

Até o próximo!

Fádina Lacerda
Fonte:http://oasisdefadna.blogspot.com.br

http://carircangaco.blogspot.com

Teje intimado a comparecer

O CEEC - Centro de Estudos Euclydes da Cunha apresenta:

Lançamento do Filme: Feminino Cangaço
Direção: Lucas Viana e Manoel Neto
Local: Sala Walter da Silveira - Barris - Salvador/BA
Data: 06 de junho as 19H:30.

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/

Como agiam as volantes

Por: Airton Maciel(*)
A partir da esquerda: Ildefonso Flor, Maneol Gomes de Lira, João Jurubeba de Sá Nogueira ( João Gato), João Gomes Jurubeba e Manoel Gomes de Sá.

Irmãos, primos, famílias inteiras se incorporaram às volantes na caçada a Lampião e seu bando. A violência das volantes pelos sertões é uma mancha registrada pela literatura sobre o cangaço.

João Gomes de Lira

O tenente reformado e ex-integrante de volante, João Gomes de Lira, 82 anos (já falecido - centenário 100 anos próximo mês), autor do livro Memórias de um Soldado de Volante, reconhece ações arbitrárias nas perseguições a Lampião, mas restritas aos "coiteiros". "Nunca soube de morte deles pelas volantes" afirma João Gomes.

Recolhido à pequena Nazaré, vila do município de Floresta, a 470 km do Recife, palco e cenário das primeiras desordens de Lampião, o tenente João Gomes conta o começo da história. Em entrevista exclusiva, por telefone, ao Suplemento Cultural.

Suplemento Cultural - Em Lampião - Memórias de um Soldado de Volante, o senhor conta a origem dos Ferreira e os primeiros atritos da família de Lampião coim os Nogueira, clã do qual o senhor faz parte. Como se deu o seu ingresso na volante?

João Gomes de Lira - Estava em Nazaré, em agosto de 1931, e Lampião assolava, miseravelmente, o Estado da Bahia. O governador baiano pediu socorro ao governador de Pernambuco, Carlos de Lima Cavalcanti, que designou o tenente Manoel Neto para formar uma volante.

Manoel Neto

Ele levou mais de vinte meninos de 16 anos a 19 anos, e alistou em Vila Bela, hoje Serra Talhada. Eu tinha 18 anos. Lá, estava o comandante das forças volantes do interior, coronel João Emerson Benjamin, que ficou surpreso com o recrutamento. Ele disse que a força era de meninos e que o Governo não tinha vaca leiteira para dar leite a todos esses pirralhas.

Suplemento Cultural - Como o tenente conseguiu convencer o comandante a aceitar a volante arregimentada em Nazaré, diante da surpresa que quase representa a desmoralização da Força?

João Gomes de Lira - O tenente Manoel Neto não aceitou o argumento e insistiu na continuação da volante. Manoel Neto disse que, quando se encontrasse com Lampião, o Sertão, o Brasil e o Mundo iam saber quem era Manoel Neto e seus meninos. Lampião dizia que a tropa de Manoel Neto era de "cachorrinhos novos que tinha pego em Pernambuco". 12 dias depois do alistamento a gente foi para a Bahia. Lampião andava com 60 a 70 cangaceiros e a nossa volante tinha 45 praças. Em Setembro, no dia 6, Lampião atacou em Santo Antonio da Glória, sertão da Bahia. A volante de Manoel Neto conseguiu alcançá-lo na caatinga. Houve muito tiroteio e feridos, mas ele e o grupo conseguiram fugir. Foi o único confronto qie tivemos.

Suplemento Cultural - As volantes que combatiam o cangaço tinham fama de violência. Há acusações de saques, truculências e atrocidades. As volantes agiam mesmo fora da lei?

João Gomes de Lira - A quantidade de coiteiros não tinha quem contasse. Acoitavam Lampião, informavam ele das volantes. Se a gente perguntava por Lampião, eles diziam que não tinham visto, não sabiam onde estava. Tinham que levar uma surra pra falar, mas nunca vi nenhum coiteiro ser morto.

Suplemento Cultural - Como as volantes conseguiam munições e alimentação para manter a perseguição?

João Gomes de Lira - A munição a gente recebia em Vila Bela, e a comida era mais difícil. A tropa comia muito coroa de frade (planta da caatinga), e carne assada com rapadura e farinha quando tinha. O tenente tinha dinheiro para despesas e a gente comprava nas casas.

Lampião

Suplemento Cultural - Como começaram as desavenças e atritos com os Ferreira, família de Lampião, em Nazaré?

João Gomes de Lira - A minha família era inimiga dos Ferreira. A primeira vez que ele brigou aqui foi em 1919. Na época, havia as famílias Pereira e Carvalho. Sidário Carvalho e seu grupo eram inimigos do cangaceiro Sebastião Pereira.

Sebastião Pereira - o cangaceiro Sinhô Pereira

Um dia se encontraram na vila, discutiram e trocaram ameaças. Meu pai (Antonio Gomes Jurubeba) ficou do lado de Sidário e Lampião o desacatou e a Sidário. Até então, Lampião andava armado, mas ainda não era cangaceiro. Virgulino, Levino e Antonio ferreira tinham frequentes discussões com os  Saturnino e os Nogueira (formada pelas ramificações Jurubeba, Souza Ferraz e Souza Nogueira, e mudaram-se de Vila Bela para Nazaré em 1919. Depois da briga na vila, Virgulino mudou-se para Alagoas, e só retornou em 1922, quando Sebastião Pereira foi para Goiás e Lampião assumiu o seu grupo. Em 1º de agosto de 1923, uma prima de Lampião ia se casar na igreja de Nazaré. Lampião veio pra cá com 15 cangaceiros, mas no caminho cortou a linha do telégrafo e fez 15 chicotes.  Chegaram na vila dizendo que era para dar 15 surras. Meu pai se retirou com a família para o sítio para não haver morte, mas antes chegou a discutir com Virgulino. Foi assim que nasceu a inimizade. Aqui era tudo parente, por isso todo mundo se integrou à volante tempos depois, para perseguir Lampião.

(*) Jornalista. Repórter do Diário de Pernambuco.

Fonte:
Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995

Material cedido pelo escritor, poeta e pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

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Vozes da Seca

Por: Aderbal Nogueira
Paulo Gastão e Aderbal Nogueira

Gravei a uns 6 messes a inauguração de uma grande indústria de roupas aqui no Ceara. A pouco tempo estive lá novamente e na entrada tem cartazes gigantes dizendo: "PRECISA-SE DE COSTUREIRAS", sabe de quantas vagas? 2000 duas mil. 

Dois galpões fechados, simplesmente por que as mulheres não querem perder esse tal de bolsa esmola. Auxilio sim, para doentes velhos e em calamidades. Para quem é são, o velho rei do baião já disse o que acontece. 


http://www.youtube.com/watch?v=bcHziEM2xgs

Extraído do facebook da página do cineasta e pesquisador do cangaço: Aderbal Nogueira

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domingo, 19 de maio de 2013

A solidão do poeta Luiz Campos

Por: Ednilto Neves

Luiz Campos, aos 73 anos, sente dificuldades para escrever ou recitar: ‘Estou cego, meu filho’, brinca

Luiz Campos é uma figura ímpar no meio literário norte-rio-grandense, com uma vida dedicada à poesia e à cantoria, mas também um homem que sente o peso da idade, depois de tantas experiências, de muitos poemas escritos e rasgados, de muitas desilusões e amores fortuitos.

Sentado numa cadeira, a escutar um noticiário de uma rádio local, o poeta nos recebe para uma conversa descontraída – como devem ser os diálogos com Luiz Campos – e uma boa pitada de sarcasmo. “Não tomo café... me ofende mais que uma dose de qualquer coisa”, brinca.

Na sala, um freezer enferrujado traz a antiga logo da Pepsi e, sobre ele, alguns copos. “Estava ouvindo o noticiário. Ultimamente, tenho sonhado muito com o papa... Há três noites que sonho com ele, com aquela roupa branca, aquela estola amarela, sentado num trono, e também tenho visto vultos, ouvido vozes. Isso tudo é muito espiritual, não acha?”, e sorri, irônico. “Certamente, o papa não quer me levar com ele. Ave Maria!”, diz.
“Tirando as brincadeiras”, o poeta, aos 73 anos, continua afiado, mas sem escrever, pois a visão está quase comprometida. Antes, os versos que vinham à mente eram recitados e um pequeno gravador captava o poema. “Mas esse gravador quebrou e, desde então, estou sem produzir muita coisa, quase nada... também passei por uns momentos difíceis, mas sou um cara que não gosto de estar perturbando ninguém. Em termos de publicação, estou sem condições de escrever ou publicar qualquer coisa. O que eu tenho são cordéis que já foram publicados. Não tenho mais livros para vender. Todos foram comprados”, fala.

Durante a reportagem, várias pessoas o saudaram na calçada. “Poeta Luiz Campos!”, dizia um; “grande Luiz!”, repetia outro... “Não vejo quem é, apenas falo. São pessoas que me ouviram cantar em algum lugar ou mesmo leram meus poemas”, comenta.

O poeta lamenta, porém, sobre uma de suas piores sensações: a de morar sozinho. “Não foi por escolha, foram as coisas e os acontecimentos que me levaram a morar sozinho. A solidão é muito ruim, uma coisa que nos massacra. Mas acredito que, depois de tudo, é isso, realmente, o que eu mereço... não acho que Deus seja injusto comigo, pelo contrário: ele é e sempre será um Deus justo. Eu tenho o que mereço, nesse sentido”, salienta, frisando que a vida do poeta não pode ser fácil.

Adepto da visão clássica de que grandes poetas foram grandes sofredores e passaram por momentos difíceis em suas vidas, Luiz Campos se apega a esse conceito e justifica: “As pessoas elogiam muito os poetas, mas não ajudam na divulgação de seus trabalhos, deixando-os alheios a qualquer coisa. Sempre foi assim. Os grandes poetas viveram e sofreram muito. A vida do poeta é sofrida, cheia de sacrifícios e sofrimentos. Segundo o que eu já li, desde o começo do mundo que os poetas são sofredores”, diz. “Nenhum grande poeta que eu conheci gozou de regalias. Agora, os poetastros, esses, sim, são picaretas. Conheço um bocado”, ironiza. “Os verdadeiros poetas acabam, de certa forma, no esquecimento, abandonados... como Pinto Monteiro, por exemplo”, exemplifica.

Interrompido por uma vendedora, Luiz brinca: “Nem olho pro café!” e compra tapiocas. “Conheço Luiz Campos desde muito tempo, das Cajazeiras”, fala a vendedora. “Ele é um poeta conhecido”, frisa.
Luiz sorri com a simpatia da desconhecida. Fala que, sempre que pode, compra para “ajudar ao pessoal, que está aí na batalha da subsistência”.

A solidão, essa companheira inseparável...

Mesmo se sentindo só e com a visão comprometida, o poeta nunca perdeu o bom humor. “Não sou um cara fechado”, diz, sorrindo, enquanto oferece uma cadeira para o repórter-fotográfico Ednilto Neves. “Por aqui já passaram grandes nomes da poesia nordestina. Alguns, hoje, quando vêm a Mossoró, sequer passam por aqui”, explica. “Esta casa foi quem fez os grandes cantadores. Ivanildo morou aqui, Luiz Pereira, Luiz Antônio, Antônio Lisboa (que eu criei, pois chegou aqui ainda menino e ganhou o seu primeiro dinheiro com cantoria ao meu lado) e tantos outros poetas e cantadores dos bons que estiveram aqui comigo. Como disse, infelizmente muitos se esquecem da gente, mas alguns se lembram, como Ivanildo, que sempre que pode aparece por esses lados e até me deu a honra de me ouvir cantar, já agora, recentemente, quando me apresentei ao lado de Cícero Nascimento. Ele reconhece meu trabalho, lê meus poemas e divulga minha obra”, comenta, agradecido.

Aposentado, Luiz Campos divide seus dias entre algumas caminhadas, conversas com amigos e diversões eventuais, como ir a alguns eventos, mesmo com todos os problemas de saúde. “O que me machuca mais é a solidão. No resto, estou em paz. Minha solidão é meu castigo, pois durante minha vida deixei muitas mulheres apenas por vaidade e isso pode ter sido o motivo. Também brinquei, juntamente com João Liberalino, certa vez, com a doença de Elizeu Ventania: passamos perto dele, batemos nele, de leve, e não falamos. Ele não nos reconheceu, pois já estava perdendo a visão. Eu e João sorrimos. Não foi uma brincadeira boa. Hoje não estou do mesmo jeito? Manguei dele e estou do mesmo modo”, confessa.

Para ele, quem mora sozinho é discriminado. “Não discrimino nem critico; o ruim é assumir a qualidade do criticado. Moro sozinho e não posso fazer nada quanto a isso. Também não canto mais e nem posso viajar, devido aos problemas de saúde. Dentro da cidade, se tiver transporte para me levar em cantorias, até posso me apresentar. Qualquer pequena viagem de táxi custa certo dinheiro. Às vezes nem compensa participar, pois não sabemos o que a cantoria vai render”, explica Luiz Campos.

VIVER INTENSAMENTE

Para o poeta, a vida deve ser vivida intensamente. “Tive dezessete mulheres que moraram aqui. Tenho, nos dezoito Estados que andei, um filho em cada um. Já fui muito boêmio e, nesse sentido, não tenho do que reclamar”, fala, relembrando alguns períodos da vida de poeta. “Vivi intensamente, meu filho... aos 73 anos, posso dizer que vivi muita coisa. Quando a solidão vem, pego de um copo, tomo alguma coisa e me esqueço. Ela, pelo menos, alivia a solidão, mesmo quando os versos me vêm à noite e, depois, passam, porque não tenho como registrá-los. Lamento essa parte e também lamento não ter sido reconhecido por muitos, pois vejo muitas pessoas ganhando dinheiro às minhas custas, com meus poemas, reproduzindo e vendendo, sem minha autorização. Tive alguns problemas com alguns poemas clássicos meus, como Me enganei com minha noiva, que muita gente reproduz sem, ao menos, me solicitar nada. Isso tem sido uma chateação. Também já vi muita gente fazendo DVD com meus versos e, claro, ganhando dinheiro”, critica.

No Recife, o cordel Julgado pelo destino, onde o poeta narra suas desilusões, está sendo negociado. “Soube por um amigo que muitas pessoas estão comprando esse cordel lá, mas não mandei nada para Recife”, observa, enquanto dedilha a viola, companheira de muitos anos...

http://www.gazetadooeste.com.br/cultura-a-solidao-do-poeta-luiz-campos-8780


Crispiniano Neto - no seu livro poesias com Luiz Campos - pág. 51 - publicado em Julho de 1993 - Segue:

...ele tá comendo fusca 

César, numa das piadas de Luiz Campos, é irmão de um cantador. César é retardado mental, não faz mal a ninguém e é muito querido pelos cantadores, até pela sua completa inocência.

Porém, nos últimos anos, César que sempre andava com um fusquinha de plástico na mão, degringolou e viu sua mania transformada em tara.

Hoje ele é muito conhecido em Mossoró, pela triste mania de "manter relações sexuais" com fusca. Não adianta trazer um carro mais bonito. A tara dele é por fusca. Parece que todo mundo já entendeu que é desvio mental e mesmo quem não o conhece de perto, dispensa sua loucura. Até mesmo as mulheres, olham, riem e passam ao lado.

No começo, nós tínhamos medo de que as pessoas sem conhecê-lo cometessem alguma violência contra ele.

Foi nesse período que Luiz Campos cantava na presença de um dos irmãos de César, quando surgiu este assunto: Aí Luiz disse:

Amigo tenha cuidado
se não seu nome se ofusca
faça alguma diligência
corra mais, dê uma busca
procure mulher pra César 
que ele tá comendo fusca.

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O BARBUDO DE VALDEREDO

Por: Clerisvaldo B. Chagas, 17/18/19 de maio de 2013 - Crônica Nº 1019

O BARBUDO DE VALDEREDO
     
Na década de sessenta, principalmente, foram manchetes em jornais nordestinos e revistas nacionais, os embates no Sertão alagoano. Floro Gome Novais virava mito com suas vinganças pela morte do pai, em Olivença. Nas regiões dos povoados Várzea de Dona Joana e Pedra d’Água dos Alexandres, uma família se digladiava em rixa tremenda. Muitas emboscadas e mortes marcaram negativamente os bons invernos daquela década. Raramente os noticiários do dia deixavam de citar algum acontecimento ligado a Floro Novais ou à família Ferreira. 

Família Ferreira

Nos duelos sem fim que dizimavam jovens e adultos dos Ferreira, ganhou destaque o senhor Valderedo. Mesmo assim outros personagens da mesma família eram citados como ágeis e valentes. Valderedo e Floro tornaram-se amigos, mas Floro não se metia na briga interna dos Ferreira e nem aprovava os combates do mesmo sangue. No final de tantas lutas, Floro Novais foi emboscado e morto com um simples caroço de chumbo que lhe atingiu o coração. Valderedo desencarnou depois, dizem, vítima do próprio coração.

 
foto: (passosmgonline).

Certa feita, um vizinho nosso estava em um bar no cruzamento urbano Maracanã, em Santana do Ipanema. Gostava ─ como ainda hoje ─ de andar barbudo. Ao passar pelo local, sempre alerta e desconfiado, Valderedo avistou o cliente e agitou-se. Confundi-o com um dos seus terríveis inimigos. Quando estava pronto para eliminar o pobre caminhoneiro, foi convencido por alguém que aquele barbudo não era o fulano e sim, um rapaz muito trabalhador, motorista e conhecido de todos na cidade. Valderedo ainda demorou em acreditar no que lhe diziam, por causa da semelhança das pessoas em causa. Entretanto, o trabalho de convencimento teve êxito. Não temos certeza, todavia, se ao desistir do intento Valderedo ainda chegou a pedir desculpas à suposta vítima. Estar certo o que filosofa: “quem de uma escapa, cem anos vive”. Vez em quando passo e cumprimento o meu vizinho que continua barbado e caminhoneiro.

Muitas vezes a vida não passa de ilusão de ótica ou de cabeça. Quantos covardes e traidores surgem entre os que você julgava amigos! Quanto alívio se sente ao saber que o inimigo estava apenas na ilusão, como O BARBUDO DE VALDEREDO!.

Autobiografia

CLERISVALDO B. CHAGAS – AUTOBIOGRAFIA
ROMANCISTA – CRONISTA – HISTORIADOR - POETA

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei. 
Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.
Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados).


Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático);Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado(romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema (história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).
Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho.

(Clerisvaldo B. Chagas – Autobiografia) 
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Lampião, o invencível - duas vidas, duas mortes"

Livro escrito por José Geraldo Aguiar
Lili, filha de Moreno e Durvalina e José Geraldo Aguiar

Não me atrevo em dizer que as informações que segundo o livro do escritor José Geraldo Aguiar foram criadas por ele, mas este suposto Lampião era na verdade, um verdadeiro mentiroso, querendo ser Lampião até fisicamente.


Leia o que segue:

Livro garante que Lampião passou seus últimos anos de vida no Norte de Minas

Por: Avay Miranda
Colaboração para O NORTE

BRASÍLIA-DF - A morte do mais famoso cangaceiro brasileiro, Lampião, tem causado muitos debates, informações desencontradas e dúvidas, ao longo da história, desde aquele dia fatídico, 28 de julho de 1938, quando as forças policiais promoveram uma emboscada a um grupo de cangaceiros, na localidade de Angico, Município de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, matando 11 pessoas e apresentando às autoridades suas cabeças, dizendo que se trata de Virgulino Ferreira da Silva, sua mulher Maria Bonita e de alguns seguidores.

A grande imprensa do país tem se dedicado ao assunto e nos últimos 15 anos vem noticiando que um fotógrafo de São Francisco estava fazendo pesquisa para publicar um livro, provando que Lampião não foi degolado naquele dia, mas, armou um esquema com as autoridades e fugiu para Minas Gerais, tendo residido em várias cidades do Norte Minério, usados diversos nomes e faleceu em 1993, na cidade de Buritis, no Noroeste de Minas Gerais.

Trata-se de José Geraldo Aguiar, 59 anos, que, como fotógrafo, em São Francisco, com muitos contatos, tomou conhecimento dos rumores na região de que Lampião estaria vivendo naquele Município.

José Geraldo Aguiar, autor do livro
"Lampião, o Invencível: duas vidas, duas mortes".

Passou a pesquisar e encontrou um homem sisudo, estranho, com um defeito no olho direito, usava óculos escuros e que não era de ter amigos. Procurou se aproximar daquela pessoa, travando conversas, puxando assunto, até que ficou sabendo de se tratar de João Teixeira Lima
.
Os contatos foram aumentando. João Teixeira Lima passou a ter confiança em Geraldo Aguiar, como é conhecido em São Francisco. Muitas informações foram transmitidas ao fotógrafo, até que num determinado dia, João Teixeira confessou que era, na realidade, Virgulino Ferreira da Silva, narrando toda a história de sua vida e como ele renunciou ao cangaço e fugiu para Minas.

Certo dia, em 1992, Geraldo Aguiar disse para João Teixeira que queria escrever a sua história, para corrigir o equívoco daquele episódio de Angico. Ele disse: “meu passado foi muito problemático, não posso aparecer. Faça o que for possível, mas, não anuncie nada antes da minha morte. Vou morrer no ano que vem. Deixo minha mulher autorizada a colaborar com você em tudo que for possível.”

Realmente, João Teixeira Lima veio a falecer no ano seguinte, o óbito foi registrado em nome de Antônio Maria da Conceição e a sua então mulher, Severina Alves de Morais, conhecida por Firmina, outorgou procuração para José Geraldo Aguiar, prestou todas as informações necessárias e entregou documentos importantes.

Geraldo Aguiar pesquisou o assunto durante 17 anos, entrevistou dezenas de pessoas ligadas ao cangaço e terminou de escrever o livro, com o título “Lampião, o Invencível: duas vidas e duas mortes.” Está sendo editado pela Thesaurus Editora, de Brasília e sairá até o fim deste mês, cujo primeiro lançamento será feito num Congresso sobre o Cangaço, em Crato, no Ceará, nos dias 22 a 26 do corrente mês e outros lançamentos serão feitos em várias cidades do Norte de Minas.

Na pesquisa, especialmente com as entrevistas com familiares de Lampião, Geraldo Aguiar conseguiu obter informações importantes e inéditas, que irão mudar o rumo da história do cangaço no Brasil.

LAMPIÃO TERIA RESIDIDO EM VÁRIOS MUNICÍPIOS

José Geraldo Aguiar, fotógrafo em São Francisco, escreveu um livro, com o título “Lampião, o Invencível: duas vidas, duas mortes”, para demonstrar que o cangaceiro mais conhecido do país, renunciou ao cangaço, fugiu do Nordeste em 1938, passou por diversas cidades do Norte e Noroeste de Minas e viveu seus últimos dias na cidade de Buritis, onde faleceu no dia 3 de agosto de 1993, com 96 anos de idade, uma vez que nasceu em 7 de julho de 1897, em Pernambuco.

Desde que renunciou ao cangaço, em julho de 1938, que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, mudou de nome e, com Maria Bonita e outros seguidores, fugiram para a cidade de Paulo Áfono e de lá foram margeando o Rio São Francisco até entrarem em Minas pela cidade e Manga.

Lampião e Maria Bonita, em cada Município que chegavam, adotavam nomes diferentes, procuravam abrigo mais seguro na zona rural, alugando mangas e criando bovinos, evitando contados mais estreitos com pessoas estranhas.

Assim, eles residiram nas localidades de Itacarambi, Missões, Povoados de Brejo do Amparo, São Joaquim e Tijuco, em Januária, Pedras de Maria da Cruz, Matias Cardoso, Burarama, hoje Capitão Enéas, Arinos, Urucuia, São Francisco e finalmente em Buritis, onde faleceu.

Em São Francisco, Lampião encontrou local seguro para residir e comprou uma fazenda às margens do Rio São Domingos, onde ficou por muitos anos, até a sua velhice. Depois se mudou para a cidade de Buritis, onde conseguiu se aposentar pelo FUNRURAL. Voltou para São Francisco, indo residir na cidade.

Enquanto residia em Minas, Lampião foi algumas vezes a várias cidades das Bahia e chegou a voltar à sua terra, em Pernambuco, porém, disfarçado.
Para manter o seu disfarce, Lampião usou os nomes de Antônio Teixeira Lima, João Teixeira Lima, José Pereira, João Baiano, João Pernambucano, João Bogó, João Mangabeira, Policarpo Lima, Antônio Luiz de Lima, Luiz Antônio de Lima, Luiz Fulício Lima e, quando faleceu, o registro foi feito em nome de Antônio Maria da Conceição, porém, na cruz, colocada na sepultura, consta o nome de Antônio Teixeira Lima.

Segundo o autor do livro sobre as duas vidas de Lampião, o que houve em Sergipe, em 1938, quando as forças policiais mataram 11 cangaceiros e disseram que Lampião e Maria Bonita estavam entre eles, foi um amplo acordo de Lampião com as autoridades locais para ele fugir.

Lampião contava com 41 anos de idade, estava certo que não tinha mais condições de chefiar o seu bando, já manifestara, por diversas vezes, que queria deixar o cangaço e viver uma vida descente.

Governava Sergipe, na época, o Dr. Eronildes Carvalho, que era amigo e protetor de Lampião, assim como o famoso Padre Cícero, também apoiava o chefe do cangaço. Com eles, Lampião negociou o acordo para deixar o cangaço e fugir das caatingas do Nordeste.

Virgulino Ferreira da Silva teve mais dez filhos com Maria Bonita, em Minas Gerais, tinha três filhos com outra mulher e, quando faleceu, sua companheira Severina Alves de Morais, que ainda vive em Buritis, teve três filhos com ele.

Facebook - página do pesquisador Guilherme Machado

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