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quarta-feira, 29 de julho de 2020

TRILHANDO O MESMO CAMINHO DE LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE – AGORA A JORNADA SE TRANSFORMOU EM LIVRO!


ALGUMAS FOTOS QUE MOSTRAM A PESQUISA DE CAMPO QUE REALIZEI SOBRE A PASSAGEM DE LAMPIÃO POR TERRAS POTIGUARES, ALÉM DE OUTRAS ANDANÇAS. TODA ESSA EXPERIÊNCIA SE TRANSFORMOU EM MEU NOVO LIVRO – “1927 – O CAMINHO DE LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE” – QUE LOGO ESTARÁ À VENDA.
Lampião e seu bando após o ataque a Mossoró.
Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
Tempos atrás, em cinco ocasiões distintas e com focos distintos, eu percorri o mesmo caminho originalmente palmilhado por Lampião e seu bando no Rio Grande do Norte, cujo objetivo foi realizar o famoso ataque contra população de Mossoró.
Caminho percorrido na visão do fotógrafo e artista plástico Sérgio Azol, com quem tive a honra de trilhar esse chão.
A primeira vez que realizei essa jornada ela fez parte de uma consultoria que realizei para o SEBRAE-RN, onde percorri desde a cidade de Luís Gomes, na fronteira com a Paraíba, até Mossoró, sendo finalizada na zona rural de Baraúna, na fronteira com o Ceará. Houve outras viagens onde o trajeto foi percorrido no todo, ou em parte, com objetivos variados, mas a essência do caminho foi sempre o mesmo!
O chão do sertão nordestino na visão de Sérgio Azol.
Depois de um tempo de planejamento e execução, foi percorrido muito chão poeirento e visitado quase uma centena de sítios, comunidades, poucas cidades e entrevistadas mais de cem pessoas.
Sérgio Azol.
Em meio a milhares de fotos, um bom tempo de filmagens e de ter conversado com pessoas que dividiram seu conhecimento comigo, trago agora o resultado dessa maravilhosa experiência. Em grande parte deste trajeto, a motocicleta se mostrou um aliado muito mais eficiente para se alcançar esses distantes locais.
Com o Sr. Pedro Belo do Nascimento, Sítio Tigre, zona rural de Luís Gomes, Rio Grande do Norte. Na época da passagem do bando de Lampião, Seu Pedro percorreu as mesmas fazendas pouco tempo depois das depredações e sequestros realizados e viu muita coisa interessante. No alto dos seus 99 anos, encontrei no ano de 2009 um homem de voz grave, lúcido, que contou muita coisa com riqueza de detalhes e fumando um cigarrinho feito por ele mesmo.
O que de melhor ficou desse caminho foi a oportunidade de sentar e ouvir as memórias e sabedorias da gente do nosso sertão. De sentar com essas pessoas fortes e generosas ao extremo, de olhar em seus olhos e observar as buscas que eles realizaram em suas mentes, de maneira aberta e clara, em busca das informações do passado da sua gente e do seu lugar.
Jornal de Caicó, Rio Grande do Norte, noticiando a ataque em 1927.
Tudo isso para ajudar um estranho que eles nunca viram, mas que trazia algumas poucas informações de um passado remoto, que de uma forma e de outra fazia ligação com as histórias de seus antepassados.
Fazenda Campo, em Umarizal, Rio Grande do Norte, onde o bando esteve na manhã de 12 de junho de 1927.
Foi muito sol, muita história e muita poeira, mas valeu!
Junto ao agricultor Pedro Regalado da Costa e sua esposa. Seu Pedro para mim era uma memória viva da passagem do bando na comunidade Traíras, zona rural do município de Apodi, Rio Grande do Norte. Conheci Seu Pedro em 2010 e tornei a me encontrar com esse sertanejo em duas outras ocasiões e esse momentos foram memoráveis. Aqui estamos junto ao falecido cineasta mineiro Sílvio Coutinho, quando realizávamos as filmagens do documentário “Chapéu Estrelado”. Houveram tantos sonhos junto a esse documentário, mas não deu. Entretanto ficou na minha memória e no meu coração a realização de uma grande experiência, junto a um grande profissional!
Igreja de São Vicente em Mossoró, Rio Grande do Norte, marco da Resistência em 1927 ao bando de Lampião.
Foi na figura do comerciante Raimundo Francisco das Chagas (conhecido como “Raimundo Fernandes”),que conseguimos ótimos relatos na Comunidade Santana, Caraúbas, Rio Grande do Norte.
No Sítio Ponta da Serra, em Serrinha dos Pintos, Rio Grande do Norte, um dos locais atacados por Lampião. Na foto estou com os amigos Silvio Coutinho e Rivanildo Alexandrino, de Frutuoso Gomes.
No Povoado Cruz, na zona rural de Frutuoso Gomes, Rio Grande do Norte, encontramos em 2010 o agricultor Glicério Cruz e sua família. Aos 96 anos, seu Glicério continuava altivo e memorioso, onde recordou o medo das pessoas da região quando da passagem de Lampião e seu bando. Este agricultor lembrou com orgulho como participou da manifestação folclórica conhecida como Rei Congo, ou Rei do Congo, onde atuava no papel do monarca. Último remanescente deste grupo folclórico lamentou que a juventude não se interessava mais por este tipo de manifestação cultural e pelos conhecimentos e memórias dos mais velhos.
Mesmo quando passei por fazendas e sítios que não foram atacados pelo bando de cangaceiros de Lampião, encontrava marcas incríveis do povo do sertão nordestino,como aqui nessa foto, realizada na zona rural de Caraúbas,na fazenda São José, Rio Grande do Norte.
Em grande parte do trajeto a motocicleta foi o meu transporte, como na ladeira do Riacho Preto, em Felipe Guerra, Rio Grande do Norte.
Dona Maria Emília, no Sítio Panati, Marcelino Vieira, , Rio Grande do Norte, guarda em sua casa centenária o oratório repeitado pelos cangaceiros.
Nesta residência, na Fazenda Nova, zona rural do município de Pau dos Ferros, Rio Grande do Norte, era comum a apresentação de cantadores de viola afamados da região e até de outros estados, onde o público se acomodava nestas toras de carnaúba colocados em forquilhas. Sempre era solicitado aos cantadores que narrassem à história do fazendeiro Antônio Januario de Aquino, que em 11 de junho de 1927, pediu a Lampião que não deixasse seus homens fazerem mau a suas três belas filhas e ele foi atendido. A fundo da fotografia vemos os contrafortes da Serra de Martins.
Vista da Serra da Veneza, a partir da estrada que liga as cidades de Pilões e Martins, ambas no Rio Grande do Norte. O ponto branco, marcado com um círculo negro, localizado praticamente no meio da serra, é uma capela dedicada a São Sebastião. Ela foi construída como uma promessa pelo fato de três famílias terem escapados incólumes das garras de Lampião.
Na bela cidade serrana de Martins, Rio Grande do Norte.
Capela de Santo Antônio. Construída 1901, estava em festa quando da passagem dos cangaceiros pela vila de Boa Esperança, atual município de Antônio Martins, Rio Grande do Norte.
Trincheira do prefeito Rodolfo Fernandes em Mossoró, Rio Grande do Norte.
Limoeiro do Norte, Ceará.
Dona Terezinha Queiroz, Sítio Juazeiro, zona Rural de Marcelino Vieira, Rio Grande do Norte. Ela me reclamou que os mais jovens da região não se interessavam mais pelas histórias da passagem de Lampião.
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Sérgio Azol – Foto meramente ilustrativa.
O agricultor João de Deus de Oliveira, de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte, no caminho que segue para a ladeira onde o bando de cangaceiros galgou a Chapada do Apodi.
Após o sequestro de Egídio Dias, na zona rural do atual município potiguar de Lucrécia, um grupo de parentes e amigos tentou buscar seu resgate na antiga vila de Gavião, atual município de Umarizal. No trajeto o grupo encontrou o bando de cangaceiros e três homens foram mortos. As margens da RN-072, este monumento, conhecido como “A cruz dos três heróis”, lembra os falecidos.
Na zona rural de Lucrécia, Rio Grande do Norte, temos a casa do Sítio Serrota e os membros da família Leite em uma visita em 2010. Na noite de 11 de junho de 1927, o fazendeiro Egídio Dias da Cunha foi sequestrado pelos cangaceiros e sua esposa, Donatila Leite Dias passou por sérios apuros.
Reconhecimento a Egídio e Donatila Leite.
Os defensores de Mossoró.
Pelos caminhos do sertão potiguar.
Pelos Caminhos do sertão potiguar…
Sítio Arapuá, zona rural de Felipe Guerra, Rio Grande do Norte,onde conheci um pouco dos fatos relativos à passagem do bando, através das memórias do agricultor Edmundo Paulino da Silva (de óculos escuros),que se deixou fotografar junto aos seus familiares.
Na região do Sítio Carnaubinha, zona rural de Governador Dix-Sept Rosado, Rio Grande do Norte, onde próximo existia uma pousada conhecida como “Pouso de Pregmácio”, atacada pelos cangaceiros, o senhor Francisco Barbosa de Lima, conhecido em toda a região como “Caiolin”, aponta o caminho que seu pai afirmava ter sido originalmente percorrido pelo bando para realizar o ataque.
Paredão rochoso as margens do rio Apodi/Mossoró, onde existe uma cavidade natural denominada Taipa de Zé Félix. Aqui a família de Teonila Barra, veio procurar abrigo para fugir dos cangaceiros. Teonila era a proprietária em 1927 da fazenda do Mato Verde, saqueada pelo bando. Foto de 2015.
Em 2010, através da atenção e do apoio do amigo Júnior Marcelino, entrevistei o médico aposentado Francisco Javier de Lucena, conhecido na cidade serrana de Martins-RN como Dr. Lacy. Apesar de um pequeno problema auditivo encontrei um homem de rara inteligência, franco, aberto, de opiniões fortes e sinceras. Uma das melhores entrevistas que fiz até hoje. Informou muita coisa sobre a passagem do bando na região.
Uma pausa para um café. Aqui junto ao mototaxista Moisés Pautilho, de Luís Gomes, Rio Grande do Norte. Este sertanejo honesto e trabalhador rodou comigo em sua moto pelos caminhos de Lampião com segurança e satisfação.
Casa do Sítio Cascavel, na zona rural do município de Pilões, Rio Grande do Norte. Esta foi à primeira casa “visitada” pelo bando na manhã de 11 de junho de 1927.
Segundo os moradores da região, esta ermida, em honra a Jesus, Maria e José, foi uma obra edificada para o pagamento de uma promessa feita pela família do coronel Marcelino Vieira da Costa, proprietário da fazenda Caricé, por se salvarem do bando de Lampião.
Memorial da Resistência em Mossoró em 2017.
Casa da Fazenda Morcego, em Serrinha dos Pintos-RN. Abandonada e sem conservação em 2010.
Marca deixada pelo cano de um fuzil de um cangaceiro em uma das janelas da casa do Sítio Serrota. Batiam nas janelas e portas de madeira para assustar os moradores.
Às margens da rodovia estadual RN-117, na zona rural do município de Mossoró, no Sítio Lagoa dos Paus, encontramos o agricultor Expedito Evangelista de Oliveira, que narrou as agruras que seu sogro, João Abdias de Araujo, passou junto ao bando.
1927 – Defesas em Mossoró.
Ponte ferroviária de Mossoró, local importante na história do cangaceiro Jararaca no ataque de 13 de junho de 1927.
Junto ao amigo Sérgio Dantas, o qual seu livro “Lampião e o Rio Grande do Norte – a História da Grande Jornada”, foi meu principal guia nessa empreitada.

LAMPIÃO MORREU NO DIA 28 DE JULHO DE 1938

Por Kydelmir Dantas

Madrugada de 28 de julho de 1938. Na grota da Fazenda Angico, município de Poço Redondo - SE, cercados pela Polícia de Alagoas morrem Lampião, Maria Bonita, Enedina e mais 9 cangaceiros. Só um soldado da PM, Adrião Pedro, foi morto neste combate. 82 anos após, em pleno Séc. XXI, lembramos da música LAMPIÃO FALOU, dos compositores Venâncio e Aparício Nascimento, gravada em 1981 no Lp A Festa, por Luiz Gonzaga o Rei do Baião... No verso final mas atual:

O CANGAÇO CONTINUA
DE GRAVATA E JAQUETÃO.
SEM USAR CHAPÉU DE COURO,
SEM BACAMARTE NA MÃO.
E MATANDO MUITO MAIS,
TÁ SOBRANDO LAMPIÃO.
E MATANDO MUITO MAIS...
TÁ CHEIO DE LAMPIÃO
NA CIDADE E NO SERTÃO.




Fotos: Cabeças cortadas e expostas na escadaria da Prefeitura Municipal de Piranhas-AL, feitas por um fotógrafo local... cor by Rubens Antônio; contracapa do LP A Festa (1981 - RCA); foto da cruz do Soldado Adrião ( Afranio Gomes)

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terça-feira, 28 de julho de 2020

LUTO! APRESENTADOR RODRIGO RODRIGUES MORRE AOS 45 ANOS


O Unimed-Rio informou, no começo da tarde desta terça-feira, o falecimento do jornalista, escritor e músico Rodrigo Rodrigues. Segundo o hospital onde ele estava internado desde sábado, foi confirmada a morte encefálica dele. Ele estava em coma induzido e o estado era grave.



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RENATO BARROS DA BANDA RENATO E SEUS BLUE CAPS, MORRE NO RIO

Renato Barros, vocalista do Renato e Seus Blue Caps — Foto: Arquivo Pessoal
Sucesso nos anos 1960

Cantor estava internado havia 10 dias num hospital de Jacarepaguá, depois de passar por uma cirurgia no coração. Ele teve complicações pulmonares e não resistiu.

Por G1 Rio
28/07/2020 13h45  Atualizado há uma hora

Renato Barros, vocalista da banda Renato e Seus Blue Caps, morreu nesta terça-feira (28), aos 76 anos, no Hospital de Clínicas de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Ele estava internado havia 10 dias, após uma cirurgia cardíaca, e teve complicações pulmonares.

Durante a cirurgia, o cantor já havia apresentado problemas e chegou a ficar 30 minutos sem as funções vitais.


Nos anos 1960, a banda fez sucesso com hits como “Até o fim”, " Menina Linda ", “Não te esquecerei” e “Feche os Olhos”.

O nome "Renato e Seus Blue Caps" foi inspirado em uma banda americana. A banda de rock era a que estava há mais tempo em atividade no Brasil.

Em entrevista à GloboNews em 2012, Renato contou como surgiram os sucessos inspirados nos Beatles. O primeiro grande sucesso da banda, "Menina Linda ", de 1964, é a versão de uma música da banda.

Segundo ele, o produtor musical Carlos Imperial pedia para que eles aprendessem a tocar as músicas da banda inglesa de um dia para o outro.

“A gente não sabia falar inglês e não conseguia decorar as letras, o jeito era inventar em português.. Foi assim que começamos a fazer as versões das músicas dos Beatles”, conta.

Autora do livro "Renato Barros: um mito, uma lenda", Luzinha Zanetti se despediu do amigo em uma rede social.

"Nosso amado e muito querido cantor, compositor e guitarrista não suportou tanto sofrimento e descansou! Foi tocar sua guitarra no plano superior, onde está agora ao lado de seus pais e de sua amada esposa Lúcia Helena."


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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:

franpelima@bol.com.br

Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
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PUTA MERECE RESPEITO

Por José G. Diniz

Puta merece respeito
É ser humano também
A pobre mundana tem
Da vida o mesmo respeito
Se entrega a qualquer sujeito
A fim de ganhar o pão
E atos de humilhação
É o que mais lhe acontece
Mulher mundana merece
Nossa consideração.

Eu acho uma covardia
De quem usa uma mundana
Que a maltrata e engana
Com a irrisora quantia
Pois apesar de ser fria
Ela também é cristão
Transa mas sem sensação
O ato não lhe estremece
Mulher mundana merece
Nossa consideração

Já tenho visto muitos pais
Bater em mulher da rua
Sem pensar que uma filha sua
Venha a ser uma das tais
Pois o destino é sagaz
Cheio de contradição
A vida é uma ilusão
O tempo nos esclarece
Mulher mundana merece
Nossa consideração.


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SANTANA E A FEIRA DA FARINHA

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de julho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.354

Farinha de mandioca sempre foi mercadoria gostosa e sem valor comercial. Nos tempos de muita mendicância nas ruas, era o principal produto para os esmoleres. Aplicava-se a denominação de farinheiro ao cidadão que vendia farinha, deixando bastante gente conhecida com esse falso sobrenome. Em Santana do Ipanema, a farinha era vendida em sacos brancos com bocas arregaçadas, em qualquer lugar das feiras livres. Depois os farinheiros ficaram juntos, pela organização da prefeitura, mas ainda no meio da turba. Assim foi criada pelo povo, a expressão “feira da farinha”.  A aglomeração foi dividida por títulos e lugares: feira da farinha, feira das panelas, dos porcos, dos mangalhos, das frutas, do fumo e assim por diante. Mas foi feita outra mudança na feira e os farinheiros passaram a vender a farinha de mandioca, em casa de esquina no início da Rua Tertuliano Nepomuceno (defronte ao hoje mercadão Todo Dia). Houve estranheza do povo. Todos os farinheiros num salão só, na casa, talvez comprada pela prefeitura e cedida para esse fim. Antes, ali funcionava uma barbearia.

MERCADO DE CEREAIS PRECISANDO REPAROS, EM 2013.
(FOTO: LIVRO 230/B. CHAGAS)

Mais tarde foi construído pela gestão do prefeito Adeildo Nepomuceno Marques, o Mercado de Cereais, em terreno baldio no bairro monumento por trás do, então, Hotel Santanense, de Dona Beatriz, entre 1960 e 1970. O povo estranhou mais ainda, por ficar o lugar muito distante do centro de compras. Mas, o próprio Mercado ajudou a estirar a feira de baixo para cima chegando à sua calçada e ruas próximas. O Mercado de Cereais passou a negociar também feijão e arroz. Depois foi criado um compartimento para vender peixe.  Muitos farinheiros deixavam seus boxes para colocar a mercadoria no corredor de entrada do Mercado, na ambição de vender, dificultando o tráfego de pessoas.
Vários farinheiros se destacaram pelo tempo na profissão, entre eles, os irmãos Camilo: Valdemar, Agenor, José e seu filho Bilola (ô) que depois virou soldado de polícia. O Mercado continua de pé, sofrendo desgastes, mas resistindo ao tempo vendendo farinha.
A mandioca não dá em todo tipo de terra. Mas, dos agricultores que trabalhavam com esses roçados, muitos deixaram o plantio da mandioca e até casas de farinha modernas, cerraram suas portas. Entretanto, vindo dos quatro cantos do mundo, a farinha continua chegando à cidade. E quando o sujeito não presta é chamado no sertão, de farinha: “Aquilo é um farinha”.
E o terreno baldio em que se armavam os circos que chegavam à cidade, passou da alegria temporária ao mister de matar a fome dos seus antigos espectadores.
                                                             
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2020/07/santana-e-feira-da-farinha.html

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LIÇÃO DA NOITE

*Rangel Alves da Costa

Anoitecer normal, noite com seu percurso de jantares ou arremedos, noticiários, novelas e proseados, até o passar das horas e chegar o instante dos recolhimentos. Preces, orações, leituras por cima da cama, uma música ao ouvido, tantas vezes tristeza e solidão. Insônia em uns, cochilos em outros, adormecimento total na maioria.
A noite se prolonga com seus intervalos de saudades, lágrimas, amores, sonhos, fome e sede, inusitados e pesadelos. Na madrugada adentro é que o sono parece chegar mais pesado. Contudo, não demorará muito para o galo cantar, o relógio da igreja despertar, a primeira alva do dia surgir pela fresta da janela ou no telhado quebrado lá em cima. Também nos relógios, despertadores, nos instintos próprios de cada um.
Contudo, aquela noite foi longa demais. Até eterna, como afirmaram depois. Gente que abriu o olho no meio da escuridão achou tudo de uma estranheza sem igual. Tudo escurecido, puro negrume. O relógio havia parado sem qualquer explicação. Adormeceu novamente na expectativa de já despertar com os primeiros sinais da manhã.
Dormiu profundamente e acordou num pulo. Não deveria ter dormido tanto, mas olhou de canto a outro e a mesma escuridão da noite mais fechada. O relógio não saía do lugar, o galo não cantava, não havia nenhum barulho próprio do amanhecer. Quem abriu a janela só avistou a lua brilhando lá em cima. Os grilos continuavam com seus barulhos noturnos.
Com todo mundo estava acontecendo o mesmo, com essa noite que parecia não ter fim e uma manhã que nem dava sinais que logo mais iria surgir. Muita gente, porque já havia dormido o suficiente ou porque tinha certeza que já devia levantar, saiu da cama quase que para acordar a manhã, chamá-la, fazê-la existir.
Mas nada da luz da manhã aparecer. E o pior que a escuridão parecia ainda mais fechada e noturna. Em todo lugar, a madrugada vem trazendo consigo uma cor diferente, um sombreado que aos poucos vai clareando. Contudo, era noite sem madrugada e sem qualquer sinal que a manhã teria de acontecer.
E realmente não aconteceu. Os relógios recomeçaram seu funcionamento normal, os minutos passavam, a hora matinal já sendo marcada, porém nada de qualquer luz do alvorecer. Um desespero total entre todos, pois todos já haviam despertado e levantado e agora procuravam, espantados e amedrontados, uma explicação para aquilo tudo.
Queriam saber por que a noite não ia embora, porque aquele negrume fechado não se findava de vez, porque a escuridão continuava tomando o lugar do despertar da natureza, do canto dos pássaros, das janelas abertas, dos primeiros de sol. Queriam principalmente saber se aquele acontecimento logo passaria ou seria prolongado. E se a noite não fosse mais embora e a manhã jamais voltasse a brilhar?
Então começaram as preocupações mais acentuadas, as lágrimas, os desesperos, as tristezas, as agonias, as aflições. Gente ajoelhada orando, de mãos dadas em rogos e promessas, debruçada pelos cantos imaginando o pior. Uns diziam que era o fim dos tempos, outros afirmavam que o pecado do homem havia provocado aquele eclipse eterno.
Uma multidão nas portas, janelas, calçadas, no meio das ruas, nas praças, em todos os lugares. Palavras, gritos, murmúrios, soluços, um desespero total. Olhando para o alto, implorando por um pouco de luz da manhã, gritavam e repetiam que juravam jamais deixar de aproveitar o melhor que as manhãs pudessem oferecer e a luz do dia permitisse realizar para o bem de todos.
Uns falavam em regar os jardins todas as manhãs, em fazer as orações matinais, em colher frutos para distribuir com os pobres, em semear a terra e fazer o bem desde o amanhecer. Outros diziam que iriam transformar totalmente suas vidas, aproveitando cada instante de luz que a vida lhes oferecesse. Já outros, em total desespero, revelavam abertamente seus pecados e crimes, e ajoelhados afirmavam que nunca mais trairiam, roubariam, mentiriam ou injustamente difamariam o próximo.
O alvoroço era tanto que quase ninguém percebeu quando uma nuvem se abriu e um pedaço da luz da manhã começou a brilhar. Depois disso foi uma festa só. E quando o amanhecer surgiu completamente, lindo e inspirador, cada um tomou o seu rumo, deixando para trás as promessas feitas.
E tudo voltou à normalidade entre as pessoas, com os mesmos ódios, pecados e desperdícios da grandiosidade da vida.

Escritor
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MORRE O PROFESSOR E ECONOMISTA CARLOS ESCÓSSIA


Por Ismael Sousa

Faleceu nesta segunda-feira (27 de julho) o economista e professor universitário Carlos Escóssia.

Ele era filho do ex-prefeito do município de Mossoró João Newton da Escóssia, e irmão do ex-vereador e presidente da Câmara dos Vereadores Júnior Escóssia.

Carlos foi diagnosticado há alguns meses com câncer no fígado. Com o avanço da doença, ele dedicou seus últimos momentos de vida aos filhos e amigos mais próximos do bairro Doze Anos.


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GROTA DO ANGICO, FEVEREIRO DE 2020.

Por Ronaldo Oliveira

Ha exatos 82 anos, ao amanhecer do dia 28 de Julho de 1928, sucumbiu nesta local, Virgulino Ferreira da Silva o famigerado Lampião, sua amásia Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita, 9 de seus asseclas, como também o jovem Soldado Adrião Pedro de Sousa da Força Pública Alagoana.


Comandada pelo Tenente João Bezerra da Silva, esta volante interrompeu um ciclo de terror e violência imposto ao povo Nordestino por aquele que por aproximadamente 20 anos foi chamado de: O Rei do cangaço.


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AS MENINAS DOS MEUS OLHOS


Por Veridiano Dias

As meninas dos meus olhos
Foram embora te buscar
Já não lembro em lembrar
Quanto tempo eu espero
Eu não sei porque razão
Sofre tanto o Coração
Nessa vida desespero

Cada vez mais te quero
Prá poder te abraçar
Já não posso mais chorar
Meu olhar é muito incerto
Sem ter você aqui agora
É como um disco sem vitrola
É um céu sem ser aberto

É um choro bem discreto
Sem ter lágrimas prá pingar
É um amor sem se amar
É um sonhar sem ter retina
Feito uma eclipse na lua
É uma vida bela e tão crua
Sem ter nos olhos as meninas.

Poeta VERÍ do país de Caruaru-PE
25/07/20
DIA DO ESCRITOR


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JOSÉ FELIPE DE OLIVEIRA PAI DE MARIA BONITA NÃO SE AFINAVA COM O SEU GENRO CAPITÃO LAMPIÃO

Por José Mendes Pereira

Parece que o que dizem sobre Virgolino Ferreira da Silva o capitão Lampião que era bem recebido na casa do José Felipe de Oliveira, seu sogro, não tem muita credibilidade. Aqui eu apresento aos amigos o trabalho abaixo do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros. O natalense fala claramente sobre a recusa de José Felipe de Oliveira com o seu novo genro que era Lampião, companheiro da sua filha Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita. 

Se você quiser saber tudo sobre o que disse o pai da Maria Bonita ao repórter A. C. Rangel do periódico carioca “O Jornal”, que era autodenominado o “órgão líder dos Diários Associados”, e tinha como poderoso chefão o paraibando de Umbuzeiro o jornalista, empresário e político brasileiro Francisco Assis Chateaubriand, clique no link abaixo e faça uma boa leitura. É bem redigido pelo o Rostand Medeiros. Gostosa e prazerosa leitura.

Vamos ouvir em segredo o que o historiógrafo diz sobre eles: 

Historiógrafo Rostand Medeiros

(...) Vinte anos após a morte de Lampião e Maria Bonita na Grota do Angico, o repórter A. C. Rangel e o fotógrafo Rubens Boccia seguiram para o sertão a serviço do periódico carioca “O Jornal”.

Este era autodenominado o “órgão líder dos Diários Associados”, sendo o primeiro veículo jornalístico adquirido pelo poderoso Assis Chateaubriand e se tornou o embrião do que viria a ser a empresa jornalística Diários Associados. O objetivo dos profissionais da imprensa era realizar uma entrevista com o pai de Maria Bonita o José Gomes de Oliveira mais conhecido como Zé Felipe.

O pai de Maria Bonita nada narrou sobre a esterilidade do sapateiro e nem sobre o primeiro marido da sua filha, mas comentou que ficou arruinado com a união de Maria e o “Rei do Cangaço”. Ele afirmou ao jornalista que em consequência daquela união passou oito anos andando pelo norte do país, verdadeiramente como um “cão escorraçado e sem sossego”.
"Se ele passou oito anos fora de casa possivelmente não estava nem um pouco satisfeito com aquela união".

Zé Felipe comentou que após Maria decidir seguir os passos de Virgulino Ferreira da Silva o Lampião, nas poucas vezes que pode estar frente a frente com a sua filha, buscou convencê-la a deixar aquela vida. Atitude bastante razoável para um pai diante daquela situação. Comentou que Lampião vivia como um “alucinado” e que não parava em parte alguma. Mas como bem sabemos, ele não conseguiu convencer a filha.

(...) O jornalista Rangel informa que Zé Felipe lhe narrou que em uma ocasião em meio a uma caminhada forte, com a polícia seguindo nos calcanhares, Maria Bonita foi ficando cada vez mais para trás, pois trazia embalada uma criança sua, com pouco tempo de nascida. Sem explicar como, a reportagem informa que a cangaceira com seu filhinho pegou um cavalo e conseguiu chegar próximo ao bando. Como a criança chorava muito, Lampião se exasperou e, para evitar que o bando fosse encontrado pela polícia, quis “sangrar” com um punhal seu próprio filho. Mas Maria saltou de punhal na mão e encarou o chefe cangaceiro frente a frente e este desistiu de sua ação. 

Noutra ocasião Zé Felipe narrou ao jornalista Rangel que Maria tinha ficado raivosa com o companheiro e chegou a quebrar-lhe uma cabaça d’água na cabeça. [2]
Em outra parte da narrativa, o velho Zé Felipe narrou uma desobediência de sua filha perante Lampião. (...)

Não deixa de fazer uma visitinha ao Rostand Medeiros. Basta clicar no link abaixo. Seus trabalhos são excelentes, tanto faz cangaço como aviação e outros.

https://tokdehistoria.com.br/

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CANGAÇO & BANDITISMO NO NORDESTE BRASILEIRO - O "Corisco Preto"


Por Francisco Aleluia*

Em meio às minhas pesquisas sobre o cangaço, deparei-me com a figura de MANOEL LUIZ DE JESUS, este nascido a 3 de janeiro de 1897 na cidade de Frei Paulo, município localizado na região do agreste e sertão do estado de Sergipe. Figura até então, por mim, desconhecida - talvez até pela minha condição de iniciante nos estudos do Banditismo e do Cangaço no Nordeste Brasileiro sendo que, o único CORISCO de que tinha ciência foi o "Diabo Loiro", cujo nome era Cristino Gomes da Silva Cleto, também conhecido como O VINGADOR de Lampião.

Segundo pesquisa de Petrônio Domingues, da Universidade Federal de Sergipe, em artigo intitulado O "CORISCO PRETO": Cangaço, raça e banditismo no Nordeste Brasileiro, o nosso personagem Manoel Luiz ganhou fama no Sertão sergipano como uma espécie de "lampiãozinho" que, com sua astúcia, buscou pegar carona na fama de Virgulino Lampião e Corisco, tirando proveito em suas andanças criminosas na cidade de Frei Paulo e região circundante.

O que fica evidente é o fato, segundo o autor, que o nosso "lampiãozinho" tenha buscado inspiração no Diabo Loiro para incorporar o cangaço em sua vida saindo, dessa forma, do anonimato. Assim escreve Petrônio Domingues: "Manoel Luiz talvez tenha gostado de ter recebido a fama dos 'feitos do Diabo Loiro ou pelo menos nele se inspirou quando decidiu ingressar na criminalidade. Prova disso é que, em algumas ocasiões, passou a se autointitular Corisco Preto, ..." (DOMINGUES, 2017, p. 13).

Mas essa fama lhe trouxe um inconviniente: os tentáculos da lei transformaram -se em sombras indesejadas ao ponto de, em 21 de janeiro de 1931, após meses de ter a polícia e volantes em seu encalço, após abertura de inquérito pela polícia, Manoel Luiz, o "Corisco Preto", teve decretada sua prisão preventiva decretada, sendo preso a 16 de março de 1931 e "recolhido à Penitenciária do Estado, em Aracaju". (DOMINGUES, 2017, p. 19).

Assim resume o autor: "Acabava assim o drama de um negro que - acoimado pelo aparato policial, condenado pelo poder judiciário e apreendido como objeto de laboratório pelos ditames da antropologia criminal -, viveu como poucos as aventuras, desventuras e encruzilhadas relacionadas ao cangaço, à raça e ao banditismo rural". (Idem, p. 36).

Esse é mais um personagem que se soma ao complexo e fascinante universo do Cangaço no Nordeste Brasileiro.

(*) Graduado em História.


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PRESENTE DE DEUS


Por Hélio Xaxá

Deus
Enviou um presente para mim
Porque o Amor é mesmo assim
Dá-nos a felicidade ao dar-se...

E eu
Agradeço em oração todos os dias
Essas pequenas grandes alegrias
Cuidar de um sonho é cuidar-se...

Quem diria que um sorriso me bastasse...
Para ser feliz me basta olhar-te...

Deus foi muito amoroso comigo
Deu-me de presente um futuro amigo...

Já fico imaginando-o
Correndo livre sob o sol
Dois garotos jogando
Aos domingos, futebol
Nada será mais gostoso...

Nas nuvens, desenhando
Bichos, castelos e sereias
Com o cachorro brincando
Pés descalços na areia
Meu Deus, que maravilhoso!

De noite, uma historinha
Depois uma grata oração
Pegar suave sua mãozinha
E cantar uma bela canção
Para o Senhor Grandioso.

Hélio Xaxá


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