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domingo, 18 de dezembro de 2011

Messianismo e Cangaço: UNIASSELVI entre Cruz e a Espada

Por: João de Sousa Lima

UNIASSELVI ENTRE A CRUZ E A ESPADA.
Os alunos do curso de história da UNIASSELVI de Paulo Afonso, ciceroneados  pelo professor Alcivandes Santana (autor da biografia de Pedro Batista), visitaram o Museu de Pedro Batista , em Santa Brígida, Bahia, passando antes no Museu Casa de Maria Bonita, no povoado Malhada da Caiçara, Paulo Afonso, Bahia.
O messianismo com seus beatos, romeiros e penitentes deixou um longo capítulo histórico nas páginas da historiografia nordestina. Sobre o tema existem centenas de estudos, teses, textos e reportagens. O professor Gilfrancisco escreveu sobre o messianismo:
“O cristianismo primitivo, ideológico, contraditório no que se refere ao conteúdo social da doutrina, surgiu após a morte de Cristo. Era em sua origem, a expressão dos oprimidos, o escravo, o pobre, os homens privados dos direitos os quais se encontravam subjugados pelo Império Romano. Tal como é o socialismo que prega o término da escravidão e miséria, que em toda sua existência conquistou posição tal, que seu triunfo se encontra assegurado de modo absoluto. Três séculos depois de seu nascimento, Roma reconheceu o cristianismo como religião do Estado e do Império do mundo.
Os movimentos messiânicos existem entre nós desde os primórdios da colonização portuguesa, quando foram registradas as primeiras ocorrências de tais ajuntamentos ou agrupamentos de pessoas, identificadas como fanáticas visionárias e supersticiosas. Tais movimentos nasceram em decorrência da falta a princípio dos jesuítas e mais tarde dos padres, fato que sempre preocupou as autoridades eclesiásticas, e o completo isolamento em que vivia o povo da colônia diante da metrópole. Portanto, surgiram em face do choque cultural existente entre os sertões e o litoral, que se desconhece e se separam, mas esta paisagem continua a mesma, nada foi alterado”.
    No nordeste, entre as histórias de violência e de religião, o sertanejo viveu entre a cruz e a espada. Como toda criação de sociedade, fundamentada pelos conflitos violentos e amenizadas pela ação ideológica do catequizador, vários lideres fizeram história, tendo o  exemplo mais marcante no nordeste o de Antonio Conselheiro, nas margens do rio Vaza Barris, em Canudos, alto sertão baiano, que lutou contra milhares de homens do exército brasileiro, em quatro expedições e acabou sendo dizimado com seus seguidores.
A resistência ficou gravada também na pessoa do padre Cícero Romão Batista, excomungado pela igreja e perseguido pela coluna Prestes, hoje um homem venerado pelas romarias que seguem até Juazeiro do Norte.
O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto surgiu no Crato, interior do Ceará sob a liderança do beato José Lourenço.
Consistia numa comunidade igualitária onde todos os habitantes tinham direitos e deveres iguais. Tal ideal não agradava o governo estadual e os fazendeiros da região.
O Caldeirão era protegido pelo Padre Cicero, que inclusive ajudou o beato José Lourenço a arrendar o terreno. Após a morte do sacerdote, governo e fazendeiros se aproveitaram para destruir a comunidade.
Por volta de 1940, Santa Brígida era apenas um pequeno Povoado do município de Jeremoabo, composto por algumas casas de barro cobertas de palha. A agricultura, mal dava para a subsistência e a pecuária limitava-se mais a criação de bodes e cabras.
Santa Brígida era uma região famosa pela passagem de Lampião.
Em 1942 peregrinava pelos Estados de Alagoas, Sergipe e Pernambuco um penitente de barba e cabelos grisalhos, pregando e curando, que se chamava Pedro Batista da Silva. Serviu o exército aos dezessete anos, sendo deslocado posteriormente para Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, no Paraná. Após desligar-se do exército trabalhou como marinheiro e estivador nos portos do Rio de Janeiro, Santos e Paranaguá, onde se fixou e viveu como pescador. Uma "visão" fez regressar ao Nordeste, onde peregrinou até fixar-se em Santa Brígida com a permissão do Coronel João Sá que acompanhou a chegada dos romeiros até certificar-se de que o movimento não ameaçava se tornar uma nova Canudos. Em suas andanças Pedro Batista ficou famoso pela sua sabedoria em dar conselhos, efetuar curas e libertar pessoas de maus-espíritos.
Esta postura cativou os romeiros que via nele um representante de Deus. Pedro Batista não comentava com os romeiros sobre a sua vida, de onde veio quem era seus pais ou se tinha irmãos, pouco interessava aos seus adeptos. Era como se ele não tivesse tido princípios de dias. Sua chegada a Santa Brígida ocorreu em 14 de junho de1945, tinha como objetivo formar a romaria e desenvolver a agricultura como meio de subsistência para as famílias que ali residiam. Correndo pelo sertão a notícia que o Beato Pedro Batista estava instalado em Santa Brígida, a gente que o conhecia de Alagoas, Sergipe e Pernambuco, veio visitá-lo em romarias. Uns com o fito de se instalar ao pé do "Padrinho", outros traziam dinheiro para comprar terras ou alugá-las, pretendendo ali, viver atraídos pela crença, fé e pela ordem que faziam reinar em torno de si. A exemplo da saudosa Madrinha Dodô, que veio do povoado Moreira, no município de Água Branca, onde conheceu o Beato e resolveu acompanhá-lo por afinidade dos trabalhos comunitários de atendimento ao povo pobre e sofrido da região, tornando-se assim, a pessoa mais próxima do padrinho Pedro Batista. Madrinha Dodô, como era conhecida, foi a grande confidente e herdeira espiritual do Beato, passando a ser respeitada e enaltecida pelos romeiros, que viam nela a sabedoria e a caridade, comparando-a com a saudosa Irmã Dulce da Bahia.
Foi a esse mundo de Santa Brígida, onde o Museu de Pedro Batista guarda seus pertences e suas lembranças que estivemos visitando e conhecendo capítulos dessa história, assim como no Museu da Rainha do cangaço, em Paulo Afonso, uma aula “In Loco” da Mulher Cangaceira e de uma das passagens do messianismo em nossa região, traços marcantes de uma época preservados pela memória coletiva de um povo marcado pelo estigma da violência e da crença incondicional.
Na foto acima um passagem no Museu Casa de Maria Bonita.
Aqui na capela de Dona Generosa, no povoado Riacho. Ela foi grande coiteira dos cangaceiros.
Estátua de Pedro Batista, em Santa Brígida, Bahia.


Igreja em Santa Brígida


Museu Pedro Batista

Penitentes em Santa Brígida
Pedro Batista ladeado por seus fiéis seguidores da fé.
Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:

Fotos antigas de Mossoró

Praça Vigário Antonio Joaquim, 1945
Praça Vigário Antonio Joaquim, 1940

Se a Torre Eiffel tem sido um dos ícones parisienses mais fotografados daquela cidade, em Mossoró, a Praça Vigário Antonio Joaquim foi um dos espaços preferidos pelas lentes dos fotógrafos locais, em especial, o Sr. Manuelito Pereira (1910-1980). Esta foto, assim como esta anteriormente postada, foi feita do mesmo ângulo, com a diferença, que nesta, o fotógrafo priorizou a vista áerea, à direita, da praça.
Destacam-se as seguintes edificações na foto: 1) primeiro plano, do início da R. 30 de Setembro, o casarão do meio de dois pavimentos, onde funcionava o Studio Fotográfico de Manuelito Pereira, e a Sociedade Beneficiente União dos Artistas, fundada em 14/09/1919. Ao lado direito, após a estreita passsagem, tipo um beco, uma casa comercial intitulada Casa das Tintas. Na parte posterior, vê-se a torre da empresa de energia elétrica, Comensa, e por fim, na extrema direita, ao fundo, são vistos, parcialmente, um pequeno trecho do rio Mossoró e sobre ele, a Ponte Jerônimo Rosado, inaugurada em 1944. Na rua paralela à praça, pelo lado direito, no sentido oeste/leste, a chamada Rua do Triunfo, destacam-se parte do palacete de Delfino Freire e a Casa Episcopal, que depois passou a ser a sede da Rádio Rural, inaugurada em 1963, cujo imóvel foi doado à Diocese pelo Cel. Miguel Faustino do Monte.
Esta fotografia começa a apresentar uma cidade com novas características estéticas, a arborização, cuja explicação fui encontrar neste excelente artigo de Tomislav R. Femenick, sobre a administração municipal do Padre Mota, o JK Potiguar, que a seguir transcrevo pequeno trecho do artigo:
"Entre 1936 e 1940 Padre Mota mandou plantar 1.000 árvores; de 1941 a 1945, mais 500. Todas as mudas que não cresciam por qualquer motivo, eram substituídas por novas. Sempre havia 1.500 pés de “Fícus Benjamim” em Mossoró. Sua grande copa de folha verde escuro amenizava o calor irradiado do sol, que a cidade recebe constantemente. As ruas, já pavimentadas, com uma ou várias camadas de argila e pedra, já não permitiam que o vento nordeste levantasse a poeira do chão e desse uma cor de cinza às fachadas das residências e casas comerciais. A cidade ficou mais acolhedora e humana. Mesmo nos períodos de secas, o verde da fronde dos fícus permanecia e se destacava do imenso pardavasco em que a região se transformava. Segundo Cascudo, o “Padre Mestre venceu a poeira empedrando as vias [públicas]. Só não venceu o calor, mas plantou pés de fícus para cobrir de sombra doce a face candente das ruas”.
Apenas não compreendo um detalhe: para um administrador que tanto fêz pela cidade, porque somente existe uma pequena rua que leva o seu nome? Talvez, a resposta seja simples, nós, brasileiros, parece que gostamos de "honrar" aqueles que não merecem: os corruptos.
 Citarmos as fontes é dar credibilidade ao que escrevemos, Télescope. Fontes de referência: BRITO, Raimundo Soares de. Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário), Vols I e II, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, setembro de 2003;  CASCUDO, Luís da Câmara. Notas e Documentos para a História de Mossoró, Coleção O Mossoroense, Fundação Vingt-un Rosado, 4a. Edição, maio de 2001; COSTA, Josafá Inácio da. Memorial do Seminário de Mossoró-RN, Edição DSLM, 2004; Fotografias de Manuelito Pereira (1910-1980);  Fonte dos arquivos fotográficos P&B.
Categoria: Urbanismo e ArquiteturaEscrito por Copyright@Télescope às 19h44
Extraído do Site: "Memória Fotográfica"

"Abrace seu filho antes que o crack o faça"


"Abrace seu filho antes que o crack o faça"
campanha está sendo desenvolvida em Nova Petrópolis. Reprodução Banner está sendo divulgado em diversos meios de comunicação.

O município de Nova Petrópolis lançou campanha contra o Crack. Serão publicados os "Sete princípios contra a dependência de drogas", dirigido a pais e educadores. É um material elaborado por pesquisadores alemães, que enfoca a prevenção desde a mais tenra infância.

1º. Princípio: As crianças precisam de segurança emocional

Esta é a premissa mais importante para o desenvolvimento psíquico sadio de seu filho, e para a proteção contra os vícios no futuro. As crianças precisam de segurança emocional. Concretamente isto significa que necessitam estar certas do amor e da dedicação de seus pais e de outros adultos que fazem parte do seu mundo.
Neste contexto é muito importante lembrar o seguinte: não basta apenas amar seu filho. É necessário demonstrar esse amor de forma clara, de modo que ele o perceba. O que está em jogo aqui são os sentimentos, e as crianças têm uma forma particular de lidar com eles.
De acordo com a faixa etária, as necessidades emocionais das crianças se manifestam de formas diferentes. Desde o ventre materno a criança ouve a voz de seus pais e provavelmente pode sentir seu amor e dedicação. No caso de bebês e crianças pequenas, o contato da pele é muito importante. Mesmo as crianças maiores querem ser afagadas e abraçadas. Os pais devem tirar o tempo necessário para satisfazer esta necessidade de contato físico com os filhos. Com o tempo, a própria criança dará o parâmetro de quanto tempo de contato físico necessita.
Normalmente as crianças expressam suas emoções de forma mais direta e intensa que os adultos, o que muitas vezes leva a desentendimentos. Os pais não deveriam deixar-se influenciar por isso. Muitos têm, durante muitos dias e também muitas noites, a impressão de estarem sendo super-exigidos por seus filhos. Nem sempre conseguem ter a paciência e a tolerância necessárias para enfrentar essas situações.
Não existem nem jamais existirão pais perfeitos. Enquanto os desentendimentos e as brigas entre pais e filhos não são constantes e não se caracterizam por gritarias e espancamentos, o problema não é tão grave assim. Todavia, existe uma situação na qual você sempre deverá ter a mesma atitude: quando seu filho desejar se afagado e abraçado, seus braços deverão estar sempre abertos.
As crianças necessitam de alguém que as pegue no colo. Principalmente depois de uma briga. Você deverá estar disposto a perdoar e a ceder, mesmo se no momento você esteja convicto de estar com a razão! É muito doloros para uma criança se os seus pais lhe privam o afeto durante horas, ou se os mandam para cama sem um gesto de perdão.
Segurança emocional significa poder dizer: "Mesmo que eu esteja estressado, ou que não tenha tempo para você, ou que estejamos nos desentendendo, apesar de tudo, pode ter certeza de que o amo, assim como você é."
As crianças precisam dessa confiança básica de outras pessoas para que possam criar confiança em si mesmas. Aquelas que têm autoconfiança e que sabem procurar ajuda com outras pessoas, mais tarde não precisarão fugir para as drogas.

(Colaboração do Pastor Paulo Einsfeld, pela Equipe Ecumênica de Nova Petrópolis/RS)
Autor:   A campanha está sendo desenvolvida em Nova Petrópolis - (Colaboração do Pastor Paulo Einsfeld, pela Equipe Ecumênica de Nova Petrópolis/RS)

Extraído do Blog: "Folha do delegado, do Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe.
licoes+de+vida/+abrace+seu+filho+antes+que+o+crack+o+faca+

OUTONO NA PLANTA DE PLÁSTICO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

OUTONO NA PLANTA DE PLÁSTICO
Não gosto que duvidem daquilo que digo que é verdade. Passa uma ideia de invencionista, de loroteiro ou coisa mais feia de se dizer. Ademais, não é nem nunca foi do meio feitio falar sobre coisas que não existem. Às vezes exagero um pouco, mas apenas no sentido de proporcionar maior veracidade aos fatos.
Por essa e outras que já decidi cortar relações verbais com muita gente, e exatamente porque ouviam sem querer acreditar. Disse a um que já tinha visto nego d’água e fogo-corredor e ele não acreditou; a outro confirmei ter ouvido o canto de uma sereia; e ainda outro asseverei que os bichos tinham a mania de falar comigo. Todos duvidaram e tive que tomar providências, ficando logicamente de mal.
Problema maior surgiu quando eu disse, confirmei, jurei por tudo na vida, que umas plantas de plástico que enfeitam minha casa sofrem as mesmas conseqüências que as plantas normais, aquelas que estão fincadas na natureza, quando chegam ao outono. O amigo me olhou desconfiado, pigarreou, ficou meio sem saber o que dizer, mas depois procurou ser gentil e se informar melhor sobre essa história.
E deu um trabalho danado pra explicar e convencer o homem. Comecei dizendo que bastava olhar para a paisagem outonal e para o semblante das minhas plantas para se certificar da coincidência, das mesmas feições entristecidas, emagrecimento e total desbotamento. Quem olhar pra um pé de roseira da minha sala vai encontrar a mesma coisa no roseiral do jardim.
Verdade é que no outono a natureza fica triste, acinzentada, num desfalecimento que faz cortar coração. Nessa estação tudo parece morrer para ir renascendo aos poucos, na estação seguinte. E dizem que isto ocorre porque nessa época os dias ficam mais curtos, os raios solares diminuem e as plantas quase não produzem mais clorofila.
Com a falta dessa substância as folhas começam a perder sua cor verdejante, tornando-se ocres, amareladas, cinzas, marrons. E com a diminuição de nutrientes, hormônios se instalam na região fragilizada e fazem com que as folhas se rompam e caiam. E muitas vezes nem precisam se desprender, pois basta o vento mais forte do entardecer para encher o chão de folhas mortas.
Nas plantas e folhas da minha casa acontece o mesmo fenômeno, parecendo mesmo que estou em meio à natureza, numa praça, num lugar onde antes era tudo alegre e vicejante. Já no mês de março, com o fim do verão e o início da nova estação, já sinto as dependências mais calorentas, mais abafadas.
Verdade é que chega a assustar quando vejo os caqueiros esturricados, os vasos de barro criando fendas; o plástico verde que forma os troncos ressecando, rachando, perdendo a cor; os amarelados, vermelhos e lilases das flores perdendo a viscosidade, o brilho, a intensidade, e se tornando todas numa cor pálida e terrosa.
As flores caem antes que as muitas folhas deixem os galhos totalmente despidos. E se esqueço as janelas abertas e a ventania invade a casa então encontro o chão, o tapete e tudo que for lugar tomado de resto da natureza sintética. Se descuido e saiu andando por cima desses restos caídos ouço o gemido do plástico esvaído sendo esmagado pelos meus sapatos, num gemido de dor numa vida que não custou mais de que alguns trocados, mas era encantadora natureza ao olhar.
Desse modo, disse ao meu amigo, que não sabia se acontecia o mesmo com as plantas e flores da casa dele, mas que na minha causava uma angústia muito grande todas as vezes que chegava o outono. Até que ele parecia convencido com minhas explicações. E o inesperado aconteceu, pois em seguida me perguntou se com a primavera aquela mesma natureza de plástico ganhava nova vida, rejuvenescia.
Tive que responder que sim, que tudo voltava ao normal e até parecendo que um novo jardim havia surgido em minha casa, principalmente porque comprava tudo de novo, tudo numa loja especializada em enfeites de plástico. E sempre colocando uma avenca ou uma orquídea nova, uma flor diferente na minha cesta de primavera.

Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dialogando com o Mestre Alcino Por: Juliana Ischiara

Luis Pedro ao lado do líder maior; Virgulino Ferreira, em foto de Benjamim Abraão

Concordo com suas palavras, a historiografia nunca deu a Luis Pedro o lugar de destaque que ele fez por merecer enquanto cangaceiro, principalmente por ter pertencido ao estado maior do Cangaço. Infelizmente, boa parte dos pesquisadores não enxergou outro personagem histórico além de Lampião. Por décadas, o grande líder cangaceiro reinou absoluto na historiografia e, só há pouco tempo, foi se dando oportunidade aos demais personagens, deixando que emergissem do ostracismo em que foram lançados.

Quando falo, só há pouco tempo me refiro aos muitos anos de pesquisas acerca do cangaço em que só se soube falar sobre Lampião. Concordo que ele reinou absoluto pelos sertões nordestinos, porém, não reinou sozinho e, em nenhum momento, enfrentou o poder de polícia do Estado só. Homens e mulheres tiveram suas vidas ceifadas durante o processo, seja por cangaceiros, seja pelo Estado que, por não ter tido tempo de treinar aqueles que iria combater o bando criminoso, se valeu de indivíduos corajosos e com disponibilidade de adentrar a caatinga na caça de seus pares, pois, em ambas as facções, imperavam a coragem e o destemor, bem como a ignorância, a violência e a falta de piedade para com os sertanejos desprotegidos e relegados à própria sorte.

Como vemos, a historiografia cangaceira tomou novos rumos depois de uma safra mais recente de pesquisadores. Falo de 20 e poucos anos até os dias atuais, onde houve uma oxigenação nas pesquisas, pois, escreviam-se memórias ou, se muito, falava-se tão somente de Lampião, dando uma leve pincelada em um ou outro personagem, mas apenas como subterfúgio para se enriquecer o texto, sendo que o foco principal sempre fora o grande líder do bando criminoso. Um bom exemplo do que estou falando é “Maria Bonita”, que fora relegada ao esquecimento e ou ostracismo histórico por boa parte dos pesquisadores com mais tempo de pesquisa. Bastou que um começasse a estudá-la seriamente, investigando-a e dando a devida visibilidade que a mulher teve enquanto parte integrante do bando cangaceiro, para despertar a sanha midiática de muitos. 

 Juliana Ischiara e Alcino Alves Costa, em dia de Cariri Cangaço

Dar visibilidade e trazer à tona outros personagens é extremamente salutar, mas deve-se fazê-lo com responsabilidade. As pesquisas necessitam de novos olhares, novas investigações. Não se pode analisar um fenômeno como o cangaço pegando um personagem isolado como âmago de um grande e duradouro processo social, histórico e cultural. O que me causa certo temor em relação aos novos rumos da história, em especial ao do cangaço, é perceber que muitos tem se dedicado ao tema de forma leviana, buscando tão somente fama e sucesso. Chego até a me perguntar em que estes “ditos” pesquisadores diferem dos cangaceiros, objeto de suas pesquisas? Porque vejamos, assim como os cangaceiros, eles roubam dos interessados no tema a oportunidade de saber o que de fato ocorreu, enganando, de forma insidiosa, aqueles que estão começando a pesquisar e que ainda não tem um embasamento sedimentado o suficiente para não se deixarem enganar e, de forma contumaz, mentem, inventam e ou aumentam os fatos, seja por fama, dinheiro, notoriedade. 

Nos últimos anos foram propaladas coisas tão levianas e descabidas, que chega a ser nauseante. Senão vejamos: Ezequiel viveu até a velhice no interior piauiense; Lampião não morreu em Angico e sim numa cidade no interior de Minas, depois Lampião deixa de ser o “cabra macho” que assolava o sertão nordestino e passa a ser visto como o Clodovil das caatingas, que passava horas e horas bordando, costurando, pregando botões, fazendo barras de saias e calças e daí para tornar-se homossexual foi um pulo.

Juliana Ischiara ao lado de Lily e Paulo Moura em dia de Cariri Cangaço

Por fim ou até que enfim, chegamos à era dos descobrimentos. Agora vamos saber os porquês dos nomes, Maria, que nunca foi chamada de Bonita por Lampião ou qualquer integrante do bando e que só veio a ser chamada de Maria Bonita pela imprensa, terá revelado, agora, a versão oficial e verdadeira sobre a origem de seu nome de guerra. Já estou esperando a próxima novidade: - Lampião, enquanto bordava florzinhas e estrelas, cruzava as pernas e determinava que o chamasse de “Sabrina”.Como vemos, a vaidade e a busca desenfreada por um lugar na mídia têm sido cada vez mais exageradas. Mas enquanto batermos palmas e parabenizarmos aqueles que dizem besteiras para se promoverem, teremos muitos “Pedro Moraes” pela frente. 

Mesmo tendo sido o autor de “Lampião – mata sete”, infeliz e leviano para com a história, não o considero o cavaleiro do apocalipse, mas apenas um adorador, como muitos outros, do cavaleiro e suas insignes profecias e não ficarei surpresa se, em meio a tudo isso, surgir uma sociedade secreta...

Juliana Ischiara  
Diretora do GECC, Membra da SBEC
Conselheira Cariri Cangaço
Extraído do Cariri Cangaço

Rara Fotografia de Lampião e Seus Cabras em Queimadas na Bahia.

Por: Guilherme Machado
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Logo depois do massacre à Vila de Santo Antonio das Queimadas em 1929. A foto é em frente à Delegacia de Queimadas.


Extraído do blog: Portal do Cangaço de Serrinha
do amigo Guilherme Machado


ZÉ DO TELHADO

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Foi o famoso Zé do Telhado soldado no Regimento de Cavalaria nº 2, Lanceiros, chegando mesmo a alcançar o posto de Sargento, como há quem o afirme?
A primeira biografia do romântico bandoleiro saiu da pena do maior romântico da nossa literatura, Camilo Castelo Branco.
 
Camilo conheceu-o na prisão da Relação do Porto, onde ambos comungavam as instalações, a níveis distintos e por diferentes razões. O escritor ouviu-lhe as confissões eivadas de fantasiosos adornos ou então cruas e prosaicas na rudeza simples do salteador. Camilo apercebeu-se do filão literário e o seu extraordinário génio ficcionista talhou de forma credível o retrato deste  Robin dos Bosques português, e integrou-o nas suas “ Memórias de Cárcere “, publicadas em 1861. Antes de passar à narração, Camilo lamenta que o país, por demasiado humilde, não gere “salteadores de fama“, matéria prima para o folhetinesco e onde os confrades estrangeiros ganham renome nas obras de Shilher, de Hugo, e outros demais gigantes das letras. E sem se furtar a alguma crítica social, passa a narrar a história do Zé do Telhado, no seu estilo incomparável, mas, arredado de uma verdadeira pesquisa, perde-se da realidade para criar o mito.
Diz-nos Camilo que Zé do Telhado nasceu em 1816, na Aldeia de Castelães, Comarca de Penafiel, filho de um capitão de ladrões e no seio de uma família onde extorquir o alheio era actividade de raízes fundadas.
Ora Zé do Telhado, a dar fé do registo baptismal, terá nascido em 22 de Junho de 1818 (dois anos depois do que nos dá conta Camilo; dois anos que serão cobertos pelo hipotético serviço militar em Lanceiros). A dado passo, eventualmente por razões familiares, teria vindo para a capital, ou como escreve Camilo “foi o moço para Lisboa, e jurou bandeiras no segundo Regimento de Lanceiros, denominado da Rainha”. O escritor não assinala datas e a designação de Lanceiros da Rainha fora extinta em 1834, passando a RC n.º 2, Lanceiros, donde a ser verdade o militar Zé do Telhado, de seu verdadeiro nome José Teixeira, ou José Teixeira da Silva ou ainda José Teixeira de Matos, só poderia eventualmente ter assentado praça no Regimento de 1835 a 1837, ano este em que (voltamos a Camilo) terá feito parte da escolta de Saldanha durante a aventuresca revolta do Marechais.
Acontece, porém, que uma consulta por nós feita nos arquivos regimentais de 1835 a 1938, (relações nominais de efectivos, existentes no Arquivo Histórico Militar), não é referido nenhum soldado com o nome igual ou parecido com o do famoso salteador, e a referência única de um tal José da Silva não oferece verosimilhança por quanto não teve este qualquer diligência prolongada e mantinha-se ainda no regimento de 1888, altura em que Zé do Telhado teria dado baixa do serviço e casado, fixando a sua residência em Caíde do Rei, Lousada.
Afigura-se também fantástica a participação do Zé do Telhado nas correrias de Saldanha, onde teria tido o privilégio de  ter sido sucessivamente ordenança do Barão de S. Cosme (esta não vem de Camilo, mas de outro autor posterior) e do General Schwalback, Conde de Setúbal, e nessa qualidade, teria combatido em Ruivães e Chão da Feira.
Outros autores, na senda do autor de “Amor de perdição“, vão falar de Zé do Telhado, e um mesmo, Eduardo de Noronha, produz duas obras de história ficcionada sobre este herói popular: José do Telhado e José do Telhado em África. Desenha um homem pleno de virtudes a quem o destino arrasta fatalmente para a desgraça. Dá-lhe destaque como soldado de Lanceiros, escolhendo-lhe mesmo um número, o 9, e uma 1ª Companhia, só se esquecendo do Esquadrão – O Regimento tinha então 3 Esquadrões divididos em 2 Companhias. O 4º Esquadrão estava destacado em Espanha, incorporando a Divisão auxiliar.
Não se nos afigura que Zé do Telhado pudesse servir sob falso nome, para mais quando no Regimento de Lanceiros se exigia recomendação para os recrutas portugueses (o Regimento ainda tinha cerca de um quarto do efectivo estrangeiro, especialmente o 1º Esquadrão onde serviam os veteranos da Guerra Civil, sob o comando do Capitão Mello e Castro), recomendações que incluíam atestado dos párocos locais.
Quanto ao facto de ter sido Sargento, contou Zé do Telhado a Camilo que o fora durante a Patoleia, pois a insistência dos populares da sua terra, se juntara à Junta do Porto que o fizera Sargento dum Corpo de Cavalaria (a) e lhe atribuíra as funções de segurança do General Visconde de Sá da Bandeira. A dar crédito a Zé do Telhado, no combate de Valpassos, ele próprio havia salvo a vida ao glorioso maneta e este, perante tal rasgo, havia retirado do próprio peito a Comenda de Torre e Espada e colocara-a no peito do famoso bandoleiro. Acontece que a ser verdade, esta Torre e Espada não tinha qualquer valor, pois Sá da Bandeira combatia como insurrecto contra a Rainha, única entidade que podia conceder tal mercê ou delegá-la nos seus generais. De facto, na lista conhecida dos contemplados com a condecoração também não figura o nome do José Teixeira da Silva. Para mais Sá da Bandeira várias vezes Ministro da Guerra e Presidente do Governo, nunca ratificou oficialmente este pretenso acto, nem concedeu a Zé do Telhado ou seus filhos os benefícios que ele próprio criou para os detentores da condecoração. No relato dos factos mais marcantes da sua vida, Sá da Bandeira também não refere o acontecimento, muito embora dê notícia dum acontecimento passado num encontro em Coruche em 1825, quando ainda capitão era perseguido por dragões miguelistas.
É curioso notar que a sua comenda da Torre e Espada já lhe havia salvo a vida em 1832, quando durante a Procissão do Corpo de Deus em Lisboa, fez resvalar uma baionetada desferida por um guarda nacional.
Derrotada a Patoleia, Zé do Telhado conta que arrancou as divisas e regressou a casa, findando aqui a sua experiência militar, salvo quando, anos mais tarde, e á frente da sua quadrilha haver posto em fuga uma força de Caçadores 2. A ser verdade, difícil é prová-lo pois não será possível encontrar registos dos irregulares arregimentados pela Junta Setembrista do Porto.
Não é pois digna de crédito, e até prova em contrário, a real participação do mais famoso bandido português, quer como militar de Lanceiros 2, quer como Sargento de Cavalaria ou mesmo como condecorado com qualquer grau da Ordem de Torre e Espada.

Henrique Quinta-Nova
Artigo retirado do site: Lanceiro
Mais sobre o Zé do Telhado em:
Wikipédia - Por: Chinezinha
Extraído do blog: "Vestigem"

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Rarissimas Fotografias do Jovem Virgulino Ferreira da Silva Bem Antes da Guerra do Cangaço

Por: Guilherme Machado
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Raríssimas fotografias do jovem Virgulino Ferreira da Silva bem antes da Guerra do Cangaço


Virgulino Ferreira da Silva

 
Virgulino Ferreira da Silva
 
Extraído do blog:
 
Portal Do Cangaço de Serrinha Ba. Email (guilhermemachado60@hotmail.com)

Personalidades do samba comentam a morte a Joãosinho Trinta

O carnavalescco faleceu na manhã deste sábado (17)
O carnavalesco Joãosinho Trinta, que morreu nesta manhã está sendo homenageado por sambistas, diretores de escolas de samba e personalidades do Carnaval. Laíla, diretor de carnaval da Beija-Flor disse que Joãosinho é parte importante da história do carnaval. 
"Ele tinha um espírito inovador e ousado e foi peça importante para a transformação dos desfiles das escolas de samba no espetáculo que temos hoje. A Beija-Flor está profundamente consternada e tenho certeza que é o mesmo que está sentindo toda a nossa comunidade."
Joãosinho faria parte da comissão de carnaval da Beija-Flor em 2012. Segundo Laíla, o carnavalesco estava muito animado.
"Ele estava muito animado, seria o destaque principal do último carro e receberia uma grande homenagem da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí”.
Já a acadêmicos do Viradouro, escola que ganhou o título do carnaval em 2007 com Joãosinho Trinta, vai prestar uma homenagem ao carnavalesco ainda hoje durante o ensaio da escola, segundo o presidente da agremiação, Gusttavo Clarão.
"A  Viradouro está ligada diretamente à história dele. Em 1997, fomos campeões com muitos méritos dele. O mundo do samba perde muito  e está triste. Com ele era perfeito. Com certeza vamos fazer uma homenagem. Não ensaiaremos na quadra, mas no Fluminense vamos prestar a nossa homenagem. Tudo para homenageá-lo ainda é pouco."
Não foram só os sambistas que prestaram, homenagens ao grande carnavalesco. A governadora do Maranhão Roseana Sarney também públicou sua mensagem de luto para o ilustre cidadão.
“Joãosinho Trinta elevou o nome do Maranhão com sua maestria e genialidade, transformando o Carnaval do Rio de Janeiro e do Brasil, esbanjando irreverência e criatividade. Ele será lembrado eternamente por sua capacidade de vencer desafios e traduzir em belos enredos a alegria de ser brasileiro."
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Hoje na História - 27 de Agosto de 2009

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 27 de agosto de 1966 dava-se o falecimento do Monsenhor Luis Ferreira da Cunha Mota, mossoroense nascido a 16 de abril de 1897.
Padre Mota
Padre Mota fez seus primeiros estudos no Colégio Santa Luzia e Grupo Escolar 30 de Setembro, após o fechamento daquele educandário em 1909. Em 1911 ingressou no Colégio Santo Antonio, de Natal, tendo também freqüentado o Colégio Pernambucano. Em 1914 seguiu para Roma, ingressando no Colégio Latino-Americano. Concluído o curso eclesiástico após oito anos, formado em leis canônicas, o Padre Doutor Luiz da Mota, o Luizinho, como em família era chamado, regressa a Mossoró.
Da esquerda para a direita: Frente: Paulo Guttenberg de Noronha Costa, já falecido; Senador Dr. Francisco Duarte Filho, já falecido; o locutor Tarcísio Soares;  escritor Walter Wanderley;  Antônio Rodrigues de Carvalho, e  Lauro da Escóssia. Atrás: Canindé Queiróz,  Professor Hermógenes Nogueira da Costa, já falecido; ex-prefeito e ex-vice de Mossoró, Joaquim  Felício de Moura. Arquivo "Jornal O Mossoroense" - Emery Costa http://www2.uol.com.br/omossoroense/210107/conteudo/emery.htm
O escritor Walter Wanderley, em brilhante trabalho posteriormente enfeixado no obra GENTE DA GENTE, traça a vida do digno sacerdote durante sua atuação social, religiosa e política em nossa terra, dizendo: 
“Padre Mota chegou a Mossoró numa tarde cheia de sol. Foi recebido na Estrada de Ferro pelo povo. Enorme multidão, formando-se um extenso cortejo com foguetes e banda de música até a matriz, hoje Catedral, onde o pai, o Cel. Mota, de fraque, calça listrada, de pé virado, bengala na mão, óculos grossos, o recebeu na porta principal, abraçou-o demoradamente e, em seguida, apontou com a mão direita o altar-mor de Santa Luzia. Isso ao som do “Sacerdus Magnos” e palmas da multidão. Lá, o Padre orou e pela porta principal deixou a matriz, ainda acompanhado pelo povo e banda de musica. 
Os anos vão se passando. Em 1926, Padre Mota é nomeado Vigário da Matriz de Santa Luzia, seu grande sonho como o fora seu parente, o Vigário Antônio Joaquim Rodrigues, chefe conservador do município, Vigário Colado, deputado, inimigo político do meu bisavô Irineu Soter Caio Wanderley, Chefe Liberal”. 
Tomou parte saliente na defesa da cidade, a 13 de junho de 1927, quando a horda de Lampião tentou invadir a cidade. Nos instantes iniciais da luta, quando retornava da residência do
Cel. Rodolfo Fernandes, juntamente com o Cônego Amâncio Ramalho, uma bala do grupo assaltante quase o atingia. Em 1936 foi ocupar uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado. Posteriormente eleito Prefeito Constitucional de Mossoró, com posse a 7 de setembro de 1937.
Continuou no governo do município durante todo o período após o golpe de 10 de novembro, administrando Mossoró até 1945. Foi o governante de maior período administrativo no município. Construiu praças e jardins, calçou várias artérias, além de fortalecer o nosso civismo com a promoção de reuniões, concentrações, desfiles escolares em datas nacionais e nas comemorações ao 30 de Setembro. Sua administração foi das mais eficientes e honestas. Foi pároco colado da Paróquia de Santa Luzia e Vigário Capitular na renúncia de D. João Batista Portocarrero Costa. 
Mossoró teve no ilustre sacerdote uma de seus mais eficientes administradores, sendo de sua gestão a construção de maior número de praças e jardins, bem como o prolongamento do serviço de arborização e calçamento a paralelepípedos, perfuração de poços tubulares, balaustrada do rio Mossoró, além de maior sentido às festas cívicas e de regozijo social.

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Autor:
Geraldo Maia do Nascimento

Lauro Reginaldo da Rocha - "Bangu"

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Era o nome de guerra do mossoroense Lauro Reginaldo da Rocha na história do Partido Comunista Brasileiro.
Lauro Reginaldo da Rocha
Foi operário, sindicalista, militante político, Secretário Geral do Partido Comunista Brasileira (PCB) aos 24 anos de idade e hóspede involuntário de várias prisões, onde viveu a experiência da violência até o limite da tortura, tudo em nome de uma causa: a causa do proletariado brasileiro. Há uma frase do grande lider Martin Luther King que diz:
“O homem que não descobriu uma causa pela qual possa morrer, não merece viver!” Lauro Reginaldo da Roca (Bangu) viveu plenamente a sua causa.
Nasceu em Mossoró no dia 17 de agosto de 1908, sendo o último dos filhos de uma família numerosa e pobre. Com menos de um ano de idade, perdeu o pai vítima de uma infecção pulmonar. Estudou no Grupo Escolar 30 de Setembro, tendo como professora
D. Célina Guimarães, que vendo a dedicação do aluno, passou a utilizá-lo como auxiliar no “desarnamento” dos mais atrasados.
Em fins da primeira grande guerra mundial, deixou o Colégio 30 de setembro e passou a freqüentar a Escola Paulo de Albuquerque, da qual era professor seu irmão mais velho, Raimundo Reginaldo da Rocha. Essa mudança gerou no menino Lauro uma reviravolta completa, que influenciaria sua vida futura. O seu irmão e professor, Raimundo, era filósofo e as sua aulas e palestras fascinavam o irmão mais novo. “Nas suas aulas de educação, moral e cívica aprendi que o benefício que se presta ao próximo só tem valor quando desprovido de interesses ou segundas intenções.”  O professor Raimundo Reginaldo foi o primeiro a lançar idéias marxistas-leninistas em Mossoró e incentivas os seus irmãos a organizarem os primeiros núcleos do “partido da classe operária” em terras nordestinas. Na revolução de 1935 ele lutou de arma na mão nas ruas de Natal, ao lado de sua filha Amélia, de 16 anos de idade. Libertou todos os presos da Cadeia Pública. E após a tomada do poder, distribuiu fartamente gêneros alimentícios à população necessitada, em nome do Governo Revolucionário.


Lauro ingressou na Escola Normal de Mossoró de onde saiu professor em 1925, com apenas 17 anos de idade. Mas não foi fácil freqüentar o curso. Para se manter, teve que trabalhar muito. Pela manhã, trabalhava na fábrica de cigarros de Humberto Jovino ou na Hemetério Leite, o que lhe rendia alguns trocados para as pequenas despesas. A tarde ia à escola. Como não podia comprar livros, estudava com os colegas Raimundo Nonato, Mário Cavalcanti e Lauro da Escóssia.


Se as dificuldades da vida não influenciaram no seu desenvolvimento intelectual, o mesmo não se pode dizer do desenvolvimento físico. Tornou-se uma figura pequena, de uma fragilidade física marcante, tímida e extremamente modesta. Mesmo assim desempenhou formas diversas da luta pela sobrevivência: foi pintor de parede, agricultor, professor e tipógrafo.
Com apenas 15 anos, juntamente com seu irmão Raimundo Reginaldo, criou a primeira célula da Juventude Comunista em Mossoró, no ano de 1925. Entre os anos de 1929 a 1931, estava em Fortaleza/CE, reorganizando o Partido Comunista local.  Com 24 anos foi eleito Secretário Geral do Partido Comunista do Brasil, e como tal integrou uma comitiva que participou de um congresso em Moscou.


Pagou um preço muito alto por sua luta em prol do proletariado: prisões, torturas, a Ilha Grande, que era considerada o pior dos presídios, fome, sede, etc.  Mas nada o fez mudar de idéia. Continuou lutando, enquanto dele o Partido precisou.


Como dizia Machado de Assis, “A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal!”
Lauro  Reginaldo da Rocha morreu no dia 04 de abril de 1991, aos 83 anos de idade, consciente de ter  dedicado a vida a uma causa justa. Viveu e lutou por um ideal, e sua luta não foi em vão.  Lauro “transcendeu sua condição individual, para, generosamente, empenhar sua vida na realização da utopia de uma sociedade justa”.

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Geraldo Maia do Nascimento