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sexta-feira, 20 de março de 2015

ENQUANTO NÃO VEM CANGAÇO - UMA AMBIÇÃO INCONTROLÁVEL


O desmatamento das riquezas florestais é um abuso que perdura desde muitos anos. Não se sabe até quando a floresta brasileira deixará de ser assassinada por violentos e ambiciosos madeireiros.

www.ecolnews.com.br

Quem tem força para proibir com severidade os desmatamentos florestais são os congressistas, que lá foram colocados pelo o povo, mas, em vez de criarem leis que evitem a ambição de muitos, tentam aprovar para que assegurem legalmente o desrespeito à flora.

blogdopedlowski.com

O congresso brasileiro deve criar uma lei que: as prefeituras, os Estados e até mesmo o governo federal, ao construírem casas populares, em vez de usarem o teto de madeira, cubram-nas com lajes, isto é, NERVURAS E LAJOTAS, pois todos os componentes de uma laje não têm vidas. Fazendo assim, haverá uma diminuição de árvores mortas. E com o passar dos anos (é claro que seria em longo prazo), a nação iria copiar o modelo, e, cobriria as suas residências também com placas.

Mas para que seja criada uma lei que proteja a floresta é muito difícil, porque deixará os grandes empresários mais pobres, quando muitos são lá do Congresso Nacional Brasileiro, e eles não irão colocar uma corda em seu próprio pescoço, que para eles, seria um suicídio.

g1.globo.com
Não conheço os Estados do nordeste brasileiro, apenas certo tempo indo à Brasília, e que muito me recordo, alguns Estados que eu passei por dentro, as vegetações já eram escassas. Imagine bem nos dias de hoje, com essa ambição do homem em busca do real.

noticias.uol.com.br

O Rio Grande do Norte infelizmente não tem mais árvores nem para se passar uma chuva sob ela, existindo apenas restritas relvas. Que coisa, hein!

www.planetaeducacao.com.br

Mas o Brasil um dia irá ser cobrado por muitos países, quando eles sabem que quem fabrica o ar, são as árvores. E se o pulmão do mundo que é a floresta da Amazônia deixar de funcionar, morreremos em fração de segundo.

Que Deus tenha piedade de nós e da natureza que nos fornece o ar!

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro.


Se você gosta de ler histórias sobre "Cangaço" clique no link abaixo:


ABDIAS, O CABRA DE CONFIANÇA DE ZÉ DE JULIÃO

Por Rangel Alves da Costa*

Hoje vivo catando cada pedacinho de fato para ter uma história. Como os principais personagens da saga sertaneja já não vivem mais, eis que tenho de me contentar em ouvi dizer, em perguntar a um e outro, remendando situações para costurar possibilidades. Mas não era para ser assim, não diante de muitas situações, pois convivi com as mesmas pessoas que agora surgem como de importância primordial para as minhas pesquisas.

Assim aconteceu com Abdias, vaqueiro maior do sertão de Poço Redondo, meu berço de nascimento, e amigo fiel e cabra de confiança do famoso Zé de Julião. 

Enedina esposa do Zé de Julião - foto do acervo do escritor Alcino Alves Costa

Famoso no próprio contexto histórico, eis que além de ter sido o cangaceiro Cajazeira do bando de Lampião - esposo da também cangaceira Enedina, morta na chacina de Angico - foi também um dos personagens mais marcantes da história política sertaneja, e esta com feição de verdadeira tragédia. Sua saga também serviu de mote distanciado ao filme “Aos ventos que virão”, de Hermano Penna.

Zé de Julião o cangaceiro Cajazeiras

Não tive o prazer e a honra de conhecer Zé de Julião, assassinado em 1961, mas conheci e convivi com Abdias durante muito tempo, porém sem saber de sua trajetória ao lado do ex-cangaceiro e político. Sabia apenas de sua história de grande vaqueiro, de destemido homem em cima de cavalo alazão, de sua ligação com a terra e com a vaqueirama. Sem nada conhecer de sua proximidade com Zé de Julião nem do que havia representado no famoso episódio do roubo das urnas, sequer pude lançar qualquer indagação sobre aqueles fatos ainda hoje tão instigantes.

Culpo-me, porém nem tanto assim, pois naqueles tempos ainda não possuía essa sede pela história sertaneja que hoje possuo, ainda não estava atraído pela heroica saga de minha gente matuta. Era apenas um rapazote amigueiro de velhos sertanejos, principalmente daqueles moradores da Rua dos Vaqueiros e arredores, ilustres cidadãos como Chico de Celina, João Paulo, Galego, Neguinho, Humberto, Messias de Zé Vicente, Mané Vítor, Liberato, e tantos outros. E logicamente de Abdias.

Recordo-me bem que nossos encontros certeiros geralmente ocorriam ali mesmo na Rua dos Vaqueiros (ou Rua de Baixo, depois 31 de Avenida Março e agora Avenida Alcino Alves Costa) e principalmente ao pé do balcão ou ao redor do sinuca do Bar Gineta, de propriedade de Né Cirilo, o Pai Né. Toda essa vaqueirama ali se reunia para talagar casca de pau, conversar sobre chuvas e estiagens, colocar em diante os assuntos próprios do sertão. E eu no meio deles, pois sempre gostei de dar atenção aos velhos conterrâneos e aprender nas suas lições matutas.


Morando por ali, bastava chegar ao local e logo avistava Abdias pelas calçadas conversando com companheiros ou já ao pé do balcão pedindo um angico ou umburana. Homem alto, esguio, sempre de chapéu de couro, a humildade em pessoa, amigueiro e bom de proseado. Naquele tempo eu sabia apenas de sua outra fama, ou seja, que era irmão dos ex-cangaceiros Sila, Mergulhão, Novo Tempo e Marinheiro, e também primo dos irmãos ex-cangaceiros Adília e Delicado.

Verdade é que se Abdias não teve o mesmo destino de seus irmãos, preferindo a vida de vaqueiro nas brenhas fechadas e espinhentas de seu sertão, ainda assim teve participação ativa no “bando” do ex-cangaceiro Cajazeira, o Zé de Julião. Era tido por este como o mais experiente de todos, como o mais fiel e destemido, e por isso mesmo foi escalado para tomar frente ao lado dele no famoso episódio do roubo das urnas nas eleições de 1958, a segunda de Poço Redondo.

A eleição de 1958 era a segunda disputada pelo ex-cangaceiro. Na primeira, após enfrentar perseguições políticas pela sua condição de ex-cangaceiro, experimentar contra si a máquina do poder estadual e todos os tipos de reveses, saiu da eleição derrotado por Artur Moreira de Sá. Havia sido empate: 134 a 134, mas Artur acabou vencendo pelo critério da idade. E a segunda eleição seria ainda mais terrível para Zé de Julião.

Dessa vez, além de as perseguições se redobrarem e as arrumações para a vitória do candidato Eliezer Santana serem vergonhosas, os títulos dos eleitores do ex-cangaceiro não foram entregues. Revoltado ao extremo, profundamente indignado com tanta injustiça contra si praticada, e sabendo que já estava derrotado, o candidato da terra resolveu tomar uma atitude extremada, invadir as seções eleitorais e roubar as urnas. E assim fez.

No dia do pleito, mais de cem cavaleiros amigos se juntaram nos arredores e entraram em audacioso tropel pelas ruazinhas da cidade. À frente seguia Zé de Julião e seu fiel escudeiro Abdias. Na primeira seção que encontrou, o ultrajado candidato desceu do cavalo e entrou calmamente no local de votação. Não demonstrou qualquer brutalidade nem arrogância com as pessoas do local. Mas ao olhar de lado e avistar a urna de votação numa cadeira, abrasou o semblante e, num acesso de cólera, puxou-a com violência. O passo seguinte foi arremessá-la pela janela. E do outro lado estava Abdias para recebê-la.

Em seguida Zé de Julião montou no cavalo e o tropel seguiu em disparada para fazer a catação em outros locais. E essa história continua com cenas realmente cinematográficas, mas absolutamente verdadeiras naqueles idos sertanejos. E exatamente sobre outros fatos dentro desses acontecimentos que eu perdi a oportunidade de conversar com Abdias. Eu perto dele, junto de personagem tão importante na epopeia sertaneja, brindando o sertão com casca de pau, sem jamais ter feito uma pergunta sequer acerca de seu grande amigo Zé de Julião. Que pena!

Poeta e cronista
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Foto de Batizado Protestante, no Rio Itapicuru em 1920. Nota-se o famoso Juazeiro da Pedra, citado como o local em que o bando de Lampião atravessou em dois grupos. Tem uma poesia sobre ele:

JUAZEIRO DA PEDRA

Junto ao rio, bem no alto do granito
- como um fantasma verde e solitário -
um velho juazeiro centenário
está sempre a apontar para o infinito.

Raízes longas nos rachões enterra
atravessando o coração da pedra
e no sol e na chuva vive e medra
na paisagem estival da minha terra.

Símbolo vegetal da natureza
ele mostra que a vida com beleza
até na pedra bruta desabrocha.

Assim também o amor deixa raízes
e pode, sem saber, tornar felizes,
as almas duras como a rocha.

(Nonato Marques. In Santo Antonio Das Queimadas. pag. 79.)

Fonte: facebook
Página: Robério Santos‎ O Cangaço

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QUEM SÃO ELES?


Segundo a pesquisadora do cangaço (e eu assino em baixo) Francimary Oliveira, os adultos da esquerda para a direita são: Esposo de Expedita Ferreira, filha de Lampião e Maria Bonita. João Ferreira e ao lado direito a Expedita. As crianças os filhos, entre eles Vera Ferreira, a menina maior.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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A Estrada de Ferro de Mossoró - 19 de Março de 2015


Em 26 de agosto de 1875 era dada a concessão, através da Lei nº 742, da Presidência da Província do Rio Grande do Norte, ao comerciante suiço Jonh Ulrich Graff, para a construção de uma estrada de ferro ligando Mossoró a Petrolina, na Bahia. Mas por falta de recursos, o projeto caducou. Graff chegou a criar uma empresa e oferecer cotas às pessoas de recursos, como se dizia naquela época, aqui residentes. Mas não conseguiu o suficiente para viabilizar o projeto. Entendia Graff que o progresso de Mossoró dependia da velocidade com que conseguisse importar e exportar os seus produtos. A tropa de burros, que até então transportava as mercadorias, já não era suficiente para atender a um mercado crescente como o de Mossoró, que naquela época era tida como empório comercial. Fazia-se mister a construção de uma ferrovia, que entre outros benefícios, baratearia os fretes e diminuiria o tempo de transporte. 


Quase quarenta anos depois o sonho de Urich Graf começava a se realizar. Outros passaram a ter o mesmo sonho, e como diz o ditado, “sonho que se sonha só é apenas sonho, mas sonho que se sonha unido é realidade”. E esse novo sonho se concretizou com a Companhia Estrada de Ferro de Mossoró S. A, que foi iniciada pela firma Sabóia de Albuquerque & Cia. em 31 de agosto de 1912. Em 19 de março de 1915, numa Sexta-feira, era inaugurada oficialmente o seu primeiro trecho, entre Porto Franco, em Areia Branca e Mossoró. Esse sonho era compartilhado por toda Mossoró por isso, quando a locomotiva “Alberto Maranhão” chegou à Estação, foi recebida com aplauso. Na plataforma do carro-chefe da composição, viajavam: João Tomé de Sabóia, Cel. Vicente Sabóia de Albuquerque, Farmacêutico Jerônimo Rosado, Camilo Filgueira, Rodolfo Fernandes, Cel. Bento Praxedes, Vicente Carlos de Sabóia Filho, além do mais velho habitante da cidade, o Sr. Quintiniano Fraga, que ostentava o pavilhão nacional. Aquele 19 de março foi realmente uma data muito importante para Mossoró. 

O trecho Porto Franco a Mossoró estava pronto e inaugurado, naquele 19 de março de 1915; mas era só o começo. A partir daquela data, estava aberta a luta pelo prolongamento da Estrada de Ferro, cujos trilhos levariam ainda outros longos 30 anos para fazerem ligação com a Rede Viação Cearense, na cidade de Souza, na Paraíba. 
               
O tempo que Mossoró levou para concluir a sua Estrada de Ferro foi muito longo e quando finalmente ficou pronta, os objetivos dos primeiros tempos já não poderiam mais serem alcançados. O caminhão já havia invadido as estradas, e com ele o trem não podia competir, nem em velocidade nem em tempo. 
               
Apesar de tudo, a ferrovia foi de muita utilidade para Mossoró, sendo, por longo tempo, o meio de transporte mais utilizado pela população, tanto para carga como para passageiros. 
               
Hoje, ninguém fala mais daquele 19 de março de 1915, que tanto orgulho deu ao povo de Mossoró. A Estrada de Ferro que fora inaugurada naquela data, já não existe mais. A estação de embarque, transformou-se em Estação das Artes; seus trilhos foram arrancados em grandes trechos, suas oficinas estão em ruínas e das locomotivas, que antes cortavam a cidade, não se tem mais notícias. A velha \"Maria Fumaça” desapareceu para sempre nas nuvens do esquecimento. Apenas alguns quadros, pendurados nas paredes do museu, lembram da data que pela primeira vez o progresso chegava a Mossoró.


Geraldo Maia do Nascimento

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Fonte:

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ABRINDO UM DEBATE... IDENTIFIQUE O CANGACEIRO DA IMAGEM 2


As fotografias abaixo foram registradas por volta do ano de 1936. nas imagens de número 01 e 03 aparecem o cangaceiro Zé Sereno, que como todos(as) sabem, foi um importante cangaceiro pertencente ao bando de Lampião.

Porém a imagem número "02" ainda hoje gera dúvidas e discussões sobre sua verdadeira identificação.

Analisem e comparem as imagens abaixo e deixem suas opiniões na janela de comentários deste blog. Afinal, trata-se ou não da mesma pessoa?

Fonte: facebook

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FOTO HISTÓRICA - BACAMARTE


O bacamarte do cangaceiro Jesuíno brilhante.
Acervo: Colecionador Particular

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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CANAPI, REBOLADO E O MATADOR

Por Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2015 - Crônica Nº 1.391

Fomos escalados para dá suporte a uma turma de pesquisadores de Maceió, em Canapi. Pessoal novato, jovens que nunca estiveram no semiárido, ganhando bem, eles iam trabalhando e se deliciando com as coisas do sertão. Juntamo-nos a eles. Notamos que o que mais causava prazer a essa turma, era comer passarinho torrado no óleo. Não era só rolinha, não. Era tudo que enfeitava os ares. Não havia ainda esses movimentos ecológicos de agora. Na ponta da rua, do lado esquerdo de quem chegava do entroncamento Carié, havia um barzinho que nem prateleira tinha. Os cabras descobriram ali que o dono prestava esse serviço e, era um devorar de passarinho que não tinha fim; até gavião (que come cobra) mastiguei com eles e achei bom.


Na outra ponta da rua que seguia para Mata Grande, havia uma fábrica de queijo. Mas a fábrica não conseguia atrair os jovens que preferiam o barzinho miserável no pé de um lajeiro.

Dali mesmo, nessa ou em outra ocasião, ainda no município de Canapi, fomos pesquisar em um lugar chamado Pilão do Gato. Entramos por um sítio chamado Baixa do Milho e fomos sair bem pertinho da divisa com Pernambuco. Ali tinha sido o lugar do primeiro tiroteio de Virgolino com a polícia, antes mesmo do apelido Lampião. No meio de tantos caboclos sertanejos semelhantes, surpreendi-me com uma bela fazenda muita plana e bem cuidada, dominada por homens brancos, altos, fortes e de olhos verdes.

Era como se de repente houvéssemos entrado no estrangeiro.

Havia um rapazinho gorducho apelidado pelos da fazenda de “Rebolado”. Coloquei o estranho apelido na cabeça.

Anos e anos mais tarde, escrevendo meu segundo romance, “Defunto Perfumado”, precisava de um nome ou apelido para um personagem negro, matador de aluguel. Quebrando e quebrando a cabeça, solucionei o caso. Fui buscar o vulgo do rapazinho de Canapi, sítio Pilão do Gato, “Rebolado”, que estava armazenado na cabeça e carimbei meu personagem.

Nunca mais andei para aquelas bandas. Não sei como está o sítio Pilão do Gato e nem se o rapazinho é vivo, mas imaginem a surpresa se eu fosse visitá-lo, contasse a história para ele e lhe mostrasse o personagem!

Canapi também participa de minha história de vida real e dos meus romances. Saudade daquela terra


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quinta-feira, 19 de março de 2015

CANGACEIRO PONTARIA (ZÉ VELHO)


Essa fotografia é uma velha conhecida daqueles que já estudam e pesquisam sobre o cangaço há algum tempo, mas tenho certeza que muitos amigos(as) que estão chegando agora em nosso grupo ainda a desconhecem.

O nome verdadeiro desse cangaceiro era Ricardo Rocha, conhecido no cangaço como Pontaria ou Zé Velho, foi morto no ano de 1938 por uma equipe de soldados comandada pelo sargento Aniceto Rodrigues pertente a força policial volante comandada pelo então tenente João Bezerra... que para não perder o costume e nem a prática... cotaram-lhe a cabeça.

Geraldo Antônio de Souza júnior (administrador)

Fonte: facebook

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ESPINHOS, URTIGAS E URUBUS

Por Rangel Alves da Costa*

Pisando em espinhos, lanhado por urtigas e cansanção, assim João Bonome despontou na vereda. Não podia seguir por outro atalho, por uma estrada aberta, pois se assim o fizesse seria avistado pelos soldados da volante.

Na verdade, entrou na mataria calçado em roló, com perneira até o calcanhar e roupa dura de enfrentar as durezas da lide. Mas logo torceu o pé se desvencilhando das pedras e num repente parecia que não cabia mais no sapato sertanejo. Teve de se desfazer do calçado e seguir pisando por cima do que encontrasse pela frente.

Também a roupa foi logo pinicada pelas pontas dos espinhos arbustivos. Já estava em frangalhos quando resolveu jogar o resto da camisa fora e ficou somente de calça rasgada. Estava quase nu no meio do mato, envolto em galhos cortantes, urtigas valentes e cansanções desatinadas.

A dor era tão forte, os lanhos pelo corpo eram tantos e insuportáveis, que certamente desfaleceria se parasse à sombra de qualquer pé de pau. Os espinhos deixavam os pés sangrando, as pernas sem proteção se viam lanhadas pelos açoites pontiagudos, o restante do corpo fervilhava pelo contato com as plantas urticantes.

Mas tinha de suportar muito mais. O sol sertanejo parecia abrasado, a pela queimava como toucinho em fogueira. O calor era tão forte que o corpo inteiro se derramava numa graxa líquida e malcheirosa. Porém tinha de seguir, tinha de andar o mais depressa possível. Muito dependia de seu esforço em alcançar o destino.

Seu nome, como dito acima, era João Bonome. Um nome sertanejo acrescido do nome de uma árvore que simboliza a força nativa do sertão. Um homem de puro destemor, aguerrido e valente. Não valentia de matar, de ferir, de violar a vida alheia, mas na luta debaixo de tanto sol.


Mas por que João Bonome estava fazendo aquele percurso com tanto sacrifício e sofrimento? Simplesmente para avisar a Lampião e seu bando, arranchado numa coito da região, que a soldadesca perseguidora estava pelos arredores e, portanto, no seu encalço.


Esse era um trabalho geralmente feito por coiteiros, que eram as visões exteriores do cangaço. Um bom coiteiro não só fornecia ao bando o que ele precisasse na sua estadia num coito de ribanceira ou meio do mato, como servia de emissário e de informante acerca de tudo o que estivesse acontecendo pelos arredores, principalmente sobre a presença da volante.

E João Bonome não era coiteiro, sequer conhecia ou mantinha amizade com qualquer cangaceiro, não tinha, pois, nenhuma obrigação moral de manter o Capitão Lampião informado sobre o perigo que o rondava. Mas por que ele se dispusera a tanto sacrifício para chegar a tempo ao local do coito?

O ódio, apenas o ódio. Ou, somente para acrescentar, uma desenfreada ojeriza e aversão, revolta e repugnância que sentia pelos perseguidores de Lampião. Não que fosse a favor ou admirador do cangaço, pois até temia suas repentinas investidas pelas povoações sertanejas, mas não suportava mais ver tantas atrocidades praticadas pelos soldados.

Ele mesmo já tinha presenciado as consequências da desmedida violência. Encontrou seu vizinho Berdué pendurado de cabeça pra baixo numa baraúna, todo sangrando e sem um pedaço de língua sequer. Nunca soube os reais motivos, pois o homem enlouqueceu daí em diante, mas certamente porque não deu nenhuma informação sobre o paradeiro do Capitão. Era sempre assim.

Quando a polícia volante despontava na estrada o mundo parecia que ia acabar. Quem fosse encontrado tinha de cumprir com uma dívida logo cobrada. Tinha que dar dinheiro, entregar pertences, ser açoitado, e ainda assim sem certeza de continuar vivendo. Mas era pelos arredores, nos casebres mais afastados, que a desumana volante buscava suas vítimas de sangue. Dizer que nada sabia sobre o bando era pedir pra morrer. Mentir era pedir pra ser trucidado.

Tudo isso foi revoltando cada vez mais João Bonome. Então jurou a si mesmo que na primeira oportunidade iria dar o troco. Por isso mesmo que quando soube da presença da soldadesca na região não pensou duas vezes. Logo se meteu no meio do mato para alcançar o bando a tempo de o Capitão preparar uma emboscada bem feita pra macacada.

Só havia um problema. Por ali não havia nem sombra de Lampião e seu bando. Os cangaceiros estavam no oco do mundo, bem distante dali. Mas a raiva do homem era tanta que se danou assim mesmo. Sangrando no corpo inteiro, porém já insensível pela insanidade que logo lhe tomou o juízo, apenas seguia pisando em espinhos, lanhado de cima abaixo.

E seguiu e seguiu, como um vulto ensanguentado no meio do mato, avançando, correndo, caindo, levantando, sem jamais se cansar. Mas tombou. E ao avistar os urubus se aproximando disse suas últimas palavras: Seus covarde. Soldados não, vosmiceis parece urubu!

Poeta e cronista
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CORPOS DOS SETE SOLDADOS MORTOS EM QUEIMADAS PELOS CANGACEIROS


Fonte da imagem: Diário de Notícias 22 de junho de 1932. PS: o acontecido foi em 1929, a matéria é sobre Arsenio de Souza.

Fonte: facebook
Página: Robério Santos‎

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A REVOLTA DE PRINCESA – GUERRA NA CAATINGA

Material do acervo do historiógrafo Rostand Medeiros

A Revolta de Princesa, em 1930, foi um acontecimento que marcou e transformou a vida estadual e teve repercussão nacional. Tudo começou através de discórdias políticas e econômicas, envolvendo poderosos coronéis do interior do estado e o governador eleito da Paraíba em 1927, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. O principal deles era o chefe político de Princesa Isabel, o “coronel” José Pereira de Lima, detentor do maior prestígio na região, que se tornou o líder do movimento. Era a própria personificação do poder político. Homem de decisão e coragem pessoal, também era fazendeiro, comerciante, deputado e membro da Comissão Executiva do partido.

No dia 22 de outubro de 1928, na qualidade de presidente (governador) do estado da Paraíba, assumiu o governo Dr. João Pessoa Cavalcante de Albuquerque.


João Pessoa discordava da forma como grupos políticos que o elegera, conduziam a política paraibana, onde era valorizado o grande latifundiário de terras do interior, possuidores de grandes riquezas baseadas no cultivo do algodão e na pecuária. Estes “coronéis” atuavam através de uma estrutura política arcaica, que se valia entre outras coisas do mandonismo, da utilização de grupo de jagunços armados e outras ações as quais o novo governador não concordava. Nos seus redutos, eram eles que apontavam os candidatos a cargos executivos, além de nomearem delegados, promotores e juízes. Eles julgavam, mas não eram julgados. Verdadeiros senhores feudais, nada era feito ou deixava de ser feito em seus territórios que não tivesse a sua aprovação. Mas João Pessoa passou a não respeitar mais as indicações de mandatários para nomeações de cargos públicos.

Antigo casarão do coronel José Pereira

Por esta época, esses coronéis exportavam seus produtos através do principal porto de Pernambuco, em Recife, provocando enormes perdas de divisas tributárias para a Paraíba. Procurando evitar esta sangria financeira e efetivamente cobrar os coronéis, João Pessoa implantou diversos postos de fiscalização nas fronteiras da Paraíba, irritando de tal forma estes caudilhos, que pejorativamente passaram a chamar o governador de “João Cancela”.

A gota dágua foi a escolha dos candidatos paraibanos à deputação federal. Como presidente do estado, João Pessoa dirigiu o conclave da comissão executiva do Partido Republicano da Paraíba que escolheu os nomes de tais pessoas. A ideia diretriz era a rotatividade. Quem já era deputado não entraria no rol de candidatos. Tal orientação objetivava afastar o Sr. João Suassuna, grande aliado de José Pereira que, como presidente do estado que antecedeu a João Pessoa, teria maltratado parentes de Epitácio na cidade natal de ambos, Umbuzeiro. No entanto, João Pessoa deixou na relação dos candidatos o nome de seu primo, Carlos Pessoa, que já era deputado. Isso valeu controvérsia na comissão executiva e apenas João Pessoa assinou o rol dos candidatos.

No dia 19 de fevereiro de 1930, o presidente do estado da Paraíba, João Pessoa, na tentativa de contornar a crise política provocada pela divergência na composição da chapa para deputado federal, viaja a Princesa. A chapa para deputado federal fora publicada um dia antes da viagem, no jornal “A União”. O presidente é recebido com festa. Por falta de habilidade política, o presidente João Pessoa e o “coronel” José Pereira, chefe político princesense, não encontraram um denominador comum.


Em 22 de fevereiro de 1930, o “coronel” José Pereira rompe oficialmente com o governo do Estado, através do telegrama n.º 52. José Pereira conta com o apoio dos Pessoa de Queirós (os irmãos José e João Pessoa de Queirós), primos do presidente João Pessoa e donos de um grande empório industrial, jornalístico (Jornal do Commércio) e mercantil (João Pessoa de Queirós e Cia.), no Recife, rebelou-se contra o governo estadual. Com o apoio discreto, mas efetivo, do Presidente da República e dos governadores de Pernambuco, Estácio de Albuquerque Coimbra, e do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine de Faria, o coronel José Pereira decidiu resistir a essas investidas contra seus poderes. Partiu então para a arregimentação de aliados.

Como resposta, no dia 24 de fevereiro de 1930, o presidente João Pessoa, visando desestabilizar o poder de mando do “coronel”, retira os funcionários do Estado, lotados em Princesa; quase todos os parentes do “coronel”, e exonera o prefeito José Frazão de Medeiros Lima, o vice-prefeito Glicério Florentino Diniz e o adjunto de promotor Manoel Medeiros Lima, indicados pelo oligarca princesense. O juiz Clímaco Xavier abandonou a cidade por falta de garantias. O jornal “A União” de 28 de fevereiro de 1930, trazia decretos de exoneração do subdelegado de Tavares, Belém, Alagoa Nova (Manaíra) e São José, distritos de Princesa na época. Com o rompimento oficial do “coronel” José Pereira em 22 de fevereiro de 1930 no município de Princesa, a justiça deixou de funcionar, as aulas foram interrompidas e foi suspensa a arrecadação de impostos.


Como resposta José Pereira declarou a independência provisória de Princesa do Estado da Paraíba. Neste mesmo dia 28 era publicado o Decreto nº 01 foi aclamado pela população, que declarou oficialmente a independência da cidade (República de Princesa), com hino, bandeira e leis próprias. Ainda em 28 de fevereiro de 1930, data aceita como início da Revolta de Princesa, João Pessoa mandou a polícia estadual ocupar o município de Teixeira, sob o comando dos capitães João da Costa e Irineu Rangel reduto dos Dantas, aliados de José Pereira, prendendo pessoas da família e impedindo que ocorresse votação naquela cidade. Houve reação armada dos Dantas.


O “coronel” não era homem de se intimidar com pouca coisa e enviou 120 homens armados para Teixeira, que foi retomada pelos rebeldes.José Pereira tinha armas em quantidade, recebidas do próprio governo estadual, em gestões anteriores, para enfrentar o bando de Lampião e mais tarde a Coluna Prestes. Seu exército era estimado em torno de 1.200 a 1.500 combatentes, onde diversos desses lutadores eram egressos do cangaço ou desertores da própria polícia paraibana. Com esse poderio bélico e seu prestígio político, começou a planejar o que ficou conhecido como “A Revolta de Princesa”.

Essa rebelião atingiu também diversos municípios como Teixeira, Imaculada, Tavares e outros. A cidade, que já tinha visto passar diferentes grupos de cangaceiros, passou a ser reduto de valentia e independência.


O Governo do Estado prepara o golpe que supunha fatal e envia à Princesa 220 homens em doze caminhões e farta munição sob o comando do tenente Francisco Genésio, e, pasmem, para espanto dos leigos e estrategistas, um feiticeiro que “benzia a estrada, a cada parada, dizendo: ‘Vamos pegar Zé Pereira à unha!’. Os soldados sentiam-se mais protegidos e aplaudiam com entusiasmo o novo protetor, pois com ele estariam imunes às balas. Não foi o que aconteceu. Ao chegarem ao povoado de Água Branca, no dia 5 de junho de 1930, foram recebidos à bala, numa emboscada fulminante. O primeiro a ser atingido, com um tiro na testa, foi o dito feiticeiro. Os caminhões foram queimados; quem não conseguiu fugir, morreu; inclusive o tenente Francisco Genésio. Mais de cem mortos e quarenta feridos.

João Pessoa tenta nova investida. Incapaz de dominar a cidade rebelde, ele apela para a guerra psicológica. Uma avioneta, pilotada por um italiano, lança panfletos sobre Princesa, exortando a população a depor as armas. Caso contrário, haveria bombardeio aéreo. Mas a resistência continua e as bombas não vêm. Nas semanas seguintes, os homens do “coronel” José Pereira, usando táticas de guerrilha, espalham sua ação pelo sertão, dando a entender que o conflito seria longo.

Casa de Marcolino Diniz, em Patos de Irerê, destruída pela polícia paraibana

Foram travadas sangrentas batalhas e inúmeras vidas foram perdidas. Princesa se tornou uma fortaleza inexpugnável, resistindo palmo a palmo ao assédio das milícias leais ao governador João Pessoa.

Mas a luta estava para terminar, com um desfecho imprevisto. João Pessoa foi assassinado no Recife por um desafeto, João Dantas, por motivos mais pessoais do que políticos. Foi na confeitaria Glória, no Recife, às 17 horas do dia 26 de julho de 1930. É que João Dantas teve a sua residência e escritório de advocacia na capital da Paraíba invadida pela polícia estadual, tendo parte de seus documentos apreendidos e divulgados pelo jornal A União, quase um diário oficial do estado. Vieram à luz detalhes de suas articulações políticas e de suas relações com a jovem Anayde Beiriz. Em uma época em que honra se lavava com sangue, Dantas sabendo que João Pessoa estava de visita ao Recife, saiu em sua procura para matá-lo.

Com sua morte, o movimento armado de Princesa, que pretendia a deposição do governo, tomou novo rumo. Os homens de José Pereira comemoraram, mas o coronel, pensativo, teria dito: “Perdemos…! Perdi o gosto da luta. Os ânimos agora vão se acirrar contra mim”. Essa data é considerada para o encerramento do conflito, faltando dois dias para completar quatro meses.


E conforme sua previsão, os paraibanos ficaram chocados com o assassinato (a partir daí criou-se todo um mito). O crime foi apresentado como obra dos perrepistas, o Partido Republicano Paulista. Seus partidários, em retaliação, foram perseguidos e tiveram suas casas incendiadas, além de sofrerem outros tipos de perseguição e violência. O Presidente da República, Washington Luiz, decidiu então terminar com a Revolta de Princesa e o “coronel” José Pereira não ofereceu resistência, conforme acordo prévio, quando seiscentos soldados do 19º e 21º Batalhão de Caçadores do Exército, comandados pelo Capitão João Facó, ocuparam a cidade em 11 de agosto de 1930. José Pereira deixa a cidade no dia 5 de outubro de 1930.

No dia 29 de outubro de 1930, a Polícia Estadual ocupa a cidade de Princesa com trezentos e sessenta soldados comandados pelo capitão Emerson Benjamim, passando a perseguir os que lutaram para defender a cidade ameaçada, humilhando e torturando os que foram presos, sem direito a defesa. A luta teve um balanço final de, aproximadamente, 600 mortos.

FONTE – http://culturapopular2.blogspot.com.br/2011/02/revolta-de-princesa.html

http://tokdehistoria.com.br/2015/03/18/a-revolta-de-princesa-guerra-na-caatinga/

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

É Hoje !!! Cariri Cangaço Princesa 2015


Cariri Cangaço Princesa 2015
Programação Completa

19 de Março de 2015
Quinta-Feira
19:00h 
Abertura Oficial – Acqua Clube Hotel
Solenidade de Homenagem do Cariri Cangaço
Às Personalidades e a Canhoto da Paraíba
Apresentação do Grupo Cultural Abolição
Palavras das Autoridades
Manoel Severo – Cariri Cangaço
Benedito Vasconcelos – Presidente da SBEC
Narciso Dias – Presidente do GPEC
Prefeito Domingos Sávio

19:40h 
Conferência: Território Livre de Princesa
Conferencista: José Romero Cardoso
Moderador: Wescley Rodrigues
Debatedores: Paulo Mariano e Juliana Pereira

23:00h
Seresta Homenagem Canhoto da Paraíba
Praça Nathália do Espírito Santo

20 de Março de 2015
Sexta-Feira
08:30h - Saída para São José de Princesa
9:00h - Visita ao Casarão de Patos de Irerê
9:10h - Apresentação do Grupo
Bacamarteiros do Vale do Pajeú
-Santa Cruz da Baixa Verde-
9:50h - Visita a Casa de Marcolino Diniz
10:30h - Visita a Capela de Patos de Irerê
Conferencia: "Marcolino e Virgulino –
Elos de um Passado Presente”
João Antas
Moderador: Ângelo Osmiro
Debatedores: Jorge Remígio e José Cícero Silva

15:00h - Retorno a Princesa Isabel
15:30h - Visita ao Palacete do coronel José Pereira 

19:30h - Grito Rock Princesa
Praça Nathália do Espírito Santo

21 de Março de 2015
Sábado
9:00h – Local – Acqua Clube Hotel
Apresentação da Cia de Teatro Sound Clash
Conferencia: Maria de Lampião e 
as Mulheres no Cangaço
João de Sousa Lima
Conferência: 100 anos da Prisão de Antônio Silvino
Geraldo Ferraz
Debatedores: 
Aderbal Nogueira 
Archimedes Marques
Narciso Dias
Emmanuel Arruda

14:30h - Saída para Nazaré do Pico em Floresta

15:30h - Visita à Vila de Nazaré do Pico,
Visita ao Monumento em homenagens aos Nazarenos,
Visita ao Monumento a João Gomes de Lira,
Visita ao Cemitério onde repousam os Nazarenos,
Visita à fazenda Poço do Negro
 Hildebrando Ferraz Neto (Netinho)
Euclides Ferraz Neto e Ulisses Ferraz

18:00h – Retorno a Princesa Isabel

Noite de Encerramento com Show 
Seu Pereira e Coletivo 401
Sansaruê

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2015/03/e-hoje-cariri-cangaco-princesa-2015.html

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