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quinta-feira, 6 de abril de 2017

ENCONTRO AFETIVIDADE E SEXUALIDADE - 10 E 11/06/2017


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DOM QUINTINO E LUIZ GONZAGA...


Zona rural de Dom Quintino; distrito a 25 km do centro de Crato, rua da Antena, numero 69. O inusitado habita esse endereço. O sonho de um menino do sertão se manifesta dentro de uma pequena casinha de taipa e se mostra para o mundo. Falo de um pequeno sertanejo chamado Pedro Lucas Feitosa de 11 anos, fundador do Museu do Luiz Gonzaga.

Pedrinho, neto de seu Antonio Feitosa e dona Salete, se descobriu apaixonado pelo Rei do Baião desde os cinco anos de idade quando surpreendia a todos cantarolando Gonzaga. O menino que passou a ser criado pelos avós, logo acabou contagiando a família e ganhou o compromisso do avô de visitar o berço de Luiz Gonzaga: Exu. No ano de 2013, Pedro Lucas , chegava a Exu pela primeira vez e totalmente encantado resolveu criar um Museu de "seu Luiz" em sua querida Dom Quintino, o local escolhido: A casinha de taipa da bisavó, exatamente vizinha à casa de seu Antonio.
Dona Salete, seu Antonio, Caio, Manoel Severo,Pedrinho e Kydelmir Dantas 
Ingrid Rebouças e Pedro Lucas
Logo que chegamos a Dom Quintino, todas as pessoas a quem nos dirigimos orientavam de como chegar ao Museu de Pedrinho. Entra aqui, sai ali, sobe a ladeira e depois de algumas "placas" de cartolina e madeirite chegamos ao lugar. Pedro Lucas não estava em casa mas seu Antônio, o "guardião" do Museu logo se apresentou e mandou chamar o menino que chegou animado a cumprimentar cada um de nossa caravana: Eu, Kydelmir, Ingrid e Nerizangela.

Quando entramos no Museu, seu Antonio foi logo cuidando do "fundo musical", um vinil de Luiz Gonzaga inundava todos os cômodos da casa com "Nem se despediu de mim" em um sistema de som criado pelo próprio Pedrinho; sensacional ! Aqui encontramos cerca de 250 peças devidamente dispostas em todos os locais com destaque para os discos, fotos, artefatos de toda natureza que possuem ligação com o sertão e com o Rei do Baião. Seu Antonio explica:"Quando as pessoas souberam do museu ai começaram a fazer doação e depois muitos pesquisadores de Luiz Gonzaga começaram a trazer presentes para o Museu do Pedro".

 Cariri Cangaço no Museu de Luiz Gonzaga em Dom Quintino, no Crato
Manoel Severo e Antônio Feitosa

Pedro Lucas afirma que a iniciativa não vai parar na infância. Ele que ser um museólogo quando crescer. Conciliará a profissão com a sanfona, diz, instrumento que tem o sonho de aprender a tocar, como o ídolo Luiz Gonzaga.

Pedro Lucas Feitosa
 Mais de 250 peças compôem o Museu de Luiz Gonzaga, do Pedrinho 
 O pequeno Caio ao lado de Ingrid Rebouças, Kydelmir Dantas e Nerizangela 

A dedicação de Pedrinho encontra coro na família, seu Antonio , o pai-avô também já ensaia muito conhecimento sobre o Rei do Baião, dona Salete a mãe-avó, fica "só de longe" mas não dispersa um segundo si quer  nas coisas de Pedrinho e dos convidados, muitos deles ilustres que se deslocam do Brasil inteiro para conhecer a iniciativa. Além deles ainda vamos encontrar o mais fiel colaborador: Caio, um outro abnegado mantenedor do Museu, esse com apenas 7 anos, auxilia em tudo, filme, grava, arruma as coisas e o Pedro e ainda toca Zambumba !!!! Bem essa é a historia espetacular de Pedro Lucas Feitosa e seu Museu de Luiz Gonzaga em Dom Quintino, Crato, Ceará; Pedrinho e sua família estarão em julho realizando outro grande sonho: Participar de um Cariri Cangaço, e desta vez na terra berço de seu ídolo, Exu de Luiz Gonzaga. Avante,

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
Crato, Ceara

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2017/04/dom-quintino-e-luiz-gonzaga.html

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O SERTÃO

Por Emmanuel Arruda

O sertão é o meu corpo e pensamento
Sou cada pedra do meu solo paraibano
E esse sertão de alegria ou sofrimento
É o sangue da veia e do osso o tutano
É minha casa, meu quintal, minha mobília
Meus amigos, meus amores, toda família
A estrutura que sustenta um ser humano
Durante a noite a cheia lua é o seu guia
Durante o dia quem lhe guia é o sol quente
Fala a vaqueiros e cantadores em poesia
Sobre o sol, sobre a seca e cada enchente
É coração e alma da história do nordeste
Pois cada sertanejo é um cabra da peste
E dentro dele vibra o sertão intensamente


Emmanuel Arruda
Fotografia: @fabioarrudashow

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO FAZ 22 ANOS HOJE! NUNCA FOI FÁCIL, MAS AGORA ESTÁ PIOR! (AVISO: TEXTÃO, MAS VALE A PENA!!!)

Por Caio César Muniz

Conheci a Fundação Vingt-un Rosado um ano após a sua criação. Fui levado por Cid Augusto para iniciar o processo de publicação do meu primeiro livro. Naquele ano também surgiriam para a nossa literatura os poetas Marcos Ferreira e Genildo Costa, Cid já estava na seara, já era gente grande.

Em 1999 fui procurado por Vingt-un Rosado para digitar UM livro, depois, sem uma conversa prévia, digitei dois, três, mil livros... Me tornei um auxiliar próximo de Vingt-un. Que sorte a minha! Não pelo emprego, mas pela oportunidade da convivência. De 1999 a 2005 tive um aprendizado sem igual.

O dinheiro da Fundação vinha de pequeno convênio quase permanente com a Prefeitura Municipal de Mossoró. Nos tempos de Vingt-un ele comprava de papel, de insumos gráficos, depois, com a necessidade de sairmos do ambiente familiar da casa de Vingt-un e ocuparmos um espaço mais neutro, este pequeno convênio servia para pagar o custeio da Fundação: (aluguel, água, luz, telefone, funcionários).

Nunca foi pago em dia, mas saía. Firmamos convênios paralelos, mas específicos para fins de publicação, não podiam ser aplicado e outros fins.

Desde o final do último mandato da prefeita Fafá Rosado a coisa começou a ganhar conotações catastróficas. Os atrasos se tornaram muito grandes e as renovações não aconteceram. Também foram ignorados por Cláudia Regina e por Francisco José Júnior.

Com isto, há cerca de quatro anos, a coisa se tornou insustentável. Era preciso Reduzir custos ao máximo e a Fundação deixou uma sede ampla e acolhedora para ganhar rumos incertos.

Uma organização do acervo, realizado por professores e alunos do curso de História da UERN, foi por água abaixo. Três ano de trabalho e recursos jogados fora.


Aquela mudança dividiu o acervo: uma parte para o Museu do Sertão, na comunidade de Alagoinha, mal acondicionado, empilhado, exposto à umidade e poeira. Outra parte foi para uma residência em um bairro de Mossoró.

Nestas mudanças, sem pessoas qualificadas para tal, só Deus sabe o quanto foi perdido de obras raras da biblioteca particular de Vingt-un, de documentos, de obras da Coleção.

No final do mandato de Francisco José Júnior, para dar uma resposta, mesmo que rasa e paliativa, os acervos foram novamente transferidos de ambiente, agora para o piso superior do Museu Lauro da Escóssia.

Empilhado, empoeirado, sem acesso ao público. Novamente imagine-se no quanto se perdeu do acervo pela má condução.

Nós, os funcionários, fomos dispensados, não havia mais como arcar com a bola de neve que estava se tornando o atraso de salários. A gráfica foi desativada.

Há de se ressaltar aqui o empenho do diretor-executivo Dix-sept Rosado Sobrinho. Somos testemunha do seu esforço, até aqui em vão para erguer a Fundação.

Retirou do seu próprio bolso, comprometendo inclusive seu patrimônio pessoal, recursos consideráveis até aqui.


Agora o acervo faz a sua quarta mudança de local. Vai para a Biblioteca Pública Ney Pontes Duarte. Confio na inteligência e experiência de pessoas como Eriberto Monteiro e Maurilio Carneiro, além de Raniele Costa,que continua realizando o seu trabalho junto à Fundação.

Acho que, enquanto a Fundação Vingt-un Rosado não tiver uma sede própria, ela não estará segura. Assim, mesmo sem apoios financeiros, ela estará guardada em definitivo em local apropriado.

Aos chefes da política e da da cultura de Mossoró, só um pedido: não deixem este patrimônio se perder (mais ainda), tenham sensibilidade para com o nosso passado para que tenhamos um futuro mais digno.

PS: Hoje (06 de abril) a Fundação Vingt-un Rosado completa 22 anos. Em sua história, nada, nunca foi fácil, mas agora está muito, mas muito pior.

https://www.facebook.com/caiocesar.muniz.3/posts/1242327789218179

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FAMÍLIA PEREIRA DO PAJEÚ DAS FLORES.


Os parentes recepcionando Sebastião Pereira da Silva (Sinhô Pereira) cinquenta anos depois de deixar a sua Vila Bela (Serra Talhada-Pe) largando o cangaço e indo morar na região Centro Oeste do Brasil. Sinhô Pereira foi chefe do cangaceiro Lampião e dos seus irmãos, Antônio Ferreira e Livino Ferreira. 

À direita da foto, José Cassiano Pereira, meu tio avô, irmão da minha avó, Ana Pereira de Sá. 

Foto extraída do livro O Patriarca, do nobre parente Venício Feitosa Neves.



Adquira este livro com o professor Pereira lá de Cajazeiras no Estado da Paraíba, através deste e-mail: 

franpelima@bol.com.br

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1432021780187639&set=a.403796876343473.93818.100001394919228&type=3&theater

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REVIRANDO O BORNAL DE ZÉ SERENO ANTIGO CABRA DE LAMPIÃO.

Por Geraldo Júnior

Uma fotografia que foi registrada entre os anos de 1974 e 1976, não se sabe ao certo, na cidade de Aparecida no estado de São Paulo. Na imagem da esquerda para a direita estão: uma amiga da família, Gila Sousa Rodrigues "Gilaene" filha do casal cangaceiro Sila e Zé Sereno, Arthur Rodrigues esposo da Gila, Zé Sereno (José Ribeiro Filho), Tercília T. de Souza esposa de Ivo Ribeiro de Souza e Ivo Ribeiro de Souza filho de Sila e Zé Sereno. As crianças da esquerda para a direita são: Bira (Ubiratan) filho do casal Ivo e Tercília, Luizinho e Patrícia filhos do casal Gila e Zé Sereno.

A história convencional apresenta apenas os fatos ocorridos durante o cangaço e geralmente não trás ao conhecimento dos interessados (as) pelo assunto a vida dessas pessoas após terem deixado a vida das armas, como é o caso de Zé Sereno, que soube reescrever a sua história com dignidade e decência, levando uma vida longe de problemas após ter sido um dos principais protagonistas de um dos períodos mais sangrentos de toda a história do nosso país. O cangaço.

Não canso de dizer que para mim é uma enorme e grata satisfação poder trazer essas imagens e histórias ao conhecimento de todos (as) os (as) aficionados (as) pela história do cangaço e o melhor, sem nenhum custo.

Agradecimento à minha amiga Tercilia Teco de Sousa e a toda a família do casal Sila e Zé Sereno pela concessão do direito de uso das imagens de seus familiares.

Muito obrigado!

Geraldo Antônio de Souza Júnior

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=744109509086281&set=a.703792683117964.1073741835.100004617153542&type=3&theater

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CORDEL DO MUSEU DO SERTÃO


Recebi do fundador e diretor do Museu do Sertão Benedito Vasconcelos Mendes

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AS DUAS BARRAGENS DO RIO GRANDE DO NORTE

Por Prof. José Antônio Albuquerque

As duas principais barragens do Rio do Grande do Norte: Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, conhecida como Barragem de Açu, que tem a capacidade de armazenar 2.4000.000.000,00 m³ de água, que barra o Rio Piranhas-Açu, desde o dia 24 de março está com 432.630.000, m³; 

Site: Flickr

a outra, que é a segunda maior do estado, Santa Cruz do Apodi, que barra o Rio Apodi e tem a capacidade de armazenar 600.000.000 m³ está com 134.680.414,00 m³ de água acumulada. 



A capacidade destas duas barragens, que é de três bilhões de metros cúbicos de água é quase a capacidade de armazenagem de todo o estado da Paraíba. 

As águas dos Rios Piranhas e Piancó, seguem para a Barragem de Açu.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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BANDO DE LAMPIÃO (1936).

Por Geraldo Júnior

Fotografia registrada por Benjamin Abrahão Botto no ano de 1936.
Apresentando os Cabras.

Da esquerda para a direita:

1 - Marreca
2 - Português
3 - Catingueira II (Cicero Garrincha)
4 - Desconhecido
5 - Cacheado III
6 - Ponto Fino II 
7 - Sabonete II
8 - Jurity III (Manoel Pereira de Azevedo)
9 - Vila Nova IV 
10 - Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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LIVRARIA-CAFÉ SEBINHO, PREFERIDA DOS UNIVERSITÁRIOS DE BRASÍLIA

Por Luiz Serra

Breve faremos noite de autógrafos no Sebinho Livraria-Café de Brasília, na Asa Norte, 407N, nova exposição e zelo para com nosso livro O Sertão Anárquico de Lampião.Agradabilíssimo ambiente para os admiradores da leitura na capital da República.




A comemorar notícia chegada de Natal, acerca dos 40 livros do nosso Sertão Anárquico vendidos em um mês na Livraria Saraiva do Shopping Midway Mall, na capital potiguar..... Aplausos à nossa agente literária, minha amada Ana Maria, que reitera os contatos culturais na acolhedora cidade nordestina.

Adquira este livro através deste 

E-mail: franpelima@bol.com.br

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

COLABORE COM 1KG DE ALIMENTO NÃO PERECÍVEL


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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UM MENINO DO SERTÃO

*Rangel Alves da Costa

Avisto um menino. Não é um menino qualquer, pois menino do sertão. Por ser menino do sertão já nascido entre luas e sóis, já pisando em terra seca e tendo perante o olhar o mandacaru e o xiquexique, o facheiro e a macambira, o velame e o fedegoso. Mas qual destino está reservado ao menino?

Um menino do sertão
e uma estrada de sonho
num caminho de chão
naquele menino eu
de lua e sol no coração

um menino que partiu
no menino que ficou
aquele mesmo menino
que tanto no mato brincou
e teve por asfalto destino

Aquele menino sertanejo canta seu verso na vida. Sem a poesia na escrita, mas com poesia no seu dia e dia, na sua lide matuta e no seu amor ao rincão. Uma vontade danada de espantar a seca, de espantar sofrimento e dor, de mandar para bem longe a pobreza e a miséria que tanto afligem seus irmãos. Mas acaba compreendendo que ali apenas sertão, uma terra abençoada, porém de angústia e desolação.



Um menino do sertão
e seu embornal de esperanças
com menos suor e mais pão
com mais flores nas andanças
com menos espinhos e desolação

um menino e seu caminho
pela aridez de seu chão
na terra seu refúgio e seu ninho
mundo chamado sertão
mesmo que só lhe caiba tiquinho

Aquele menino que um dia brincou de ponta de vaca, correu atrás de calango, jogou pedra em catingueira, comeu quixaba e araçá, mas que caminhou adiante para reconhecer outro mundo dentro de seu próprio mundo. E avistou um sertão já sem a pujança de outros tempos, sem a grandeza da mata nem o bicho em correria, mas apenas uma terra definhando pelo sol e descamisada pelo próprio homem na sanha de devastação.

Um menino do sertão
aquele menino que chorou
ao reencontrar o seu chão
como um braseiro que queimou
e deixou tudo em clarão

um menino entristecido
que quis todo o sertão mudar
trazer de volta o desaparecido
e tudo poder transformar
naquele livro tanto lido

aquele menino e sua luta
como formiga em trabalho
no dia a dia a labuta
de recolher cada retalho
da memória tão matuta.

Aquele menino sou eu e o sertão é o meu. Sou menino sertanejo sem pressa de envelhecer. Jamais haverá tempo ou idade que afaste do menino o sonho de o sertão não se perder pelo próprio esquecimento dos seus. Um menino envelhecido, mas ainda com forças para buscar o passado e colocá-lo no presente como única história de um só sertão.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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ENTREVISTA DE CANGACEIROS, NA PENITENCIÁRIA DE SALVADOR,1944..

Jornalista: Joel Silveira (Livro: Tempo de Contar)

O grande jornalista "JOEL SILVEIRA", no ano de 1944, realizou uma célebre ENTREVISTA com os cangaceiros ( VOLTA SECA; ÂNGELO ROQUE, SARACURA, CACHEADO, DEUS TE GUIE E CARACOL ), quando todos eles se encontravam presos, na Penitenciária de Salvador/BA, cumprindo pena.

Vejamos, abaixo, o texto na íntegra dessa famosa Entrevista, e tire suas conclusões.

PENITENCIÁRIA DE SALVADOR, março de 1944.

Em meio à conversa, fiz a pergunta inesperada: os antigos companheiros e comandados de Lampião se entreolharam, silenciosos. Angêlo Roque (Labareda) baixou a cabeça e Saracura, a fisionomia carregada, pois se a olhar pela janela aberta. Segundos depois, CAHEADO me encara com seu rosto de criança, ilumina-se num sorriso cândido e me diz:

- A gente matava como uns danados. - E acrescenta: - Mas a culpa não era da gente.

ÂNGELO ROQUE, o " velho Ângelo", aprovou com a cabeça. E, Cacheado continuou:

- Se os homens educados não auxiliassem a gente com MUNIÇÃO, a história seria outra. Não teria se dado nada do que se deu. Pensando bem, os criminosos são eles. Uma pessoa de bem não ajuda bandido.

É uma tarde de quinta-feira, e estamos aqui, num dos mais amplos salões da Penitenciária da cidade de Salvador, diante dos seis famosos ex-cangaceiros: Volta Seca, Ângelo Roque (Labareda), Saracura, Cacheado, Deus Te Guie e Caracol.

DEUS TE GUIE é quase um menino, mas Ângelo Roque já vai se aproximando dos cincoenta anos: tem um rosto grave, de uma tristeza séria. O sertão deixou nele profundas marcas - as faces cortadas por rugas como talhos e nos olhos um brilho de sol inclemente. Antes de começar a tomar os meus apontamentos, o diretor da penitenciária fizera um pequeno discurso aos seis antigos bandoleiros. Aquilo seria, disse ele, uma espécie de mesa-redonda, na qual o jornalista e os prisioneiros debateriam assuntos ligados ao cangaço.

Que cada um contasse a sua história, as razões que o haviam levado a deixar a Lei, suas roças e seus empregos para a tremenda aventura do banditismo sertanejo. E que falassem, com toda a sinceridade.

ÂNGELO ROQUE fez um aparte, numa voz rouca:

-Eu sempre falei com sinceridade.

E me conta, dando início á conversa, que entrou para o cangaço para desafrontar a sua honra. "Sempre fui um homem de ordem. Sempre vivi honestamente do meu trabalho".

Sua história é simples, e escuto do próprio "velho Ângelo", na sua linguagem seca e típica. Ângelo Roque da Costa nasceu em Jatobá, Tacaratu, em Pernambuco. Entrou para o banditismo em 1928, quando conheceu LAMPIÃO. Seu primeiro encontro com VIRGULINO foi na Fazenda Arrasta-Pé, na margem baiana do São Francisco.

-Não me esqueço da primeira impressão que LAMPIÃO me deu: a de um homem tão sujo que dava nojo.

Pouco antes de 1928, em Jatobá, um soldado da força local DEFLOROU uma irmã de Ângelo, é o que me diz. O caso foi para a Justiça, mas o soldado era protegido da política "de cima" - as queixas de Ângelo de nada valeram.

- "Então resolvi fazer justiça com as minhas próprias mãos. Fui na casa do soldado, mas só estava lá a mulher dele. Esperei na porta até que ele chegasse. De noitinha ele apareceu, e então eu lhe disse que ia morrer. Atirei duas vezes. O "praça" caiu de bruços, mas não morreu. Me disseram depois que andou muito tempo á beira da morte, mas não morreu".

O medo da prisão jogou Ângelo Roque na caatinga: durante vários meses, andou como um sem pouso pelos áridos caminhos do sertão. Pouco aparecia nas cidades. Trabalhou em roças, dormia no mato. Conheceu, depois, os cangaceiros CORISCO e ARVOREDO, e os dois lhe explicaram que a única maneira de viver tranquilo, longe da polícia, era entrar para o cangaço. Em 1928, quando conheceu LAMPIÃO, se decidiu. Mas demorou pouco tempo ao lado de VIRGULINO.

- Lampião não podia ficar parado num canto, e eu nunca fui homem viajeiro. Além disso, de vez em quando, a gente se encrencava. Um dia tive uma briga mais séria com ele, por causa de uma coisa sem importância. A gente estava de emboscada, na caatinga, á espera de um caminhão. Mas depois aconteceu a disgraceira.

O culpado da "disgraceira", me explica Ângelo Roque, foi o promotor de Coité que, em 1941, requereu na Justiça estadual a prisão do velho e dos seus companheiros.

- Este homem sempre me quis o mal, não sei por quê. Nunca fiz nada com ele.

A Justiça foi implacável para com os antigos reis do cangaço: Ângelo e seus amigos foram condenados, cada um, a trinta anos de prisão.

Há meses atrás, o antigo bandoleiro trabalhou numa Horta da Vitória da Legião Brasileira de Assistência e, diariamente, sem qualquer vigilância, tomava o bonde e ia para o bairro de Brotas, como um passageiro comum.

De todos os seis cangaceiros presentes, o único que tentou fugir da cadeia foi "VOLTA-SECA".

Pergunto ao famoso cabra de LAMPIÃO, seu lugar-tenente, o que pretende fazer ao recuperar a liberdade. VOLTA SECA - é o mais vivo, o mais alegre e o mais inteligente de todos - me responde num sorriso:

- "VOU CUIDAR DA MINHA VIDA".

- E depois ?

- "Me meto num lugar bem longe, tão longe que ninguém vai ouvir falar de mim. Mudo o nome, e vou viver tranquilo. O que passou, passou".

Sua FUGA, há pouco mais de um ano, foi um prodígio de habilidade e sangue-frio: com uma lima rústica, VOLTA SECA conseguiu serrar uma das grades da prisão, e seu corpo fino e elástico, corpo de menino, deslizou pela pequena abertura e, em seguida, por um reduzido espaço entre fios elétricos do muro da penitenciária.

- " Em pouco mais de vinte dias, fui a pé daqui da Bahia até Santa Luzia, em Sergipe. Não fui em menor tempo, porque um companheiro meu, que também havia conseguido escapar, adoeceu no caminho ".

Converso com esse rapaz de 26 anos de idade (parece ter apenas vinte), e ás vezes me esqueço que foi ele próprio, há uns dez anos, quem comandou uma série de horrores numa fazenda de uns parentes meus, no Sul de Sergipe. Seu bom humor é contagiante, e é impossível deixar de rir quando VOLTA SECA nos revela, na sua maneira dialogada, ecos de sua fuga recente:

-" Uma tarde cheguei numa roça e pedi emprego. A dona da roça me olhou, perguntou depois: " VOCÊ NÃO É O VOLTA SECA ?". Dei um pulo para trás, gritei: "DEUS ME LIVRE, MINHA SENHORA ! ISSO É COISA QUE SE DIGA ! ".

Então a moça continuou: "POIS JA VI O RETRATO DE VOLTA SECA E O SENHOR SE PARECE MUITO COM ELE. " Respondi:

"POIS ENTÃO, DONA, ME PAREÇO COM O DIABO ! ".

Peço a VOLTA SECA sua opinião sobre LAMPIÃO, e ele me responde:

-LAMPIÃO sempre foi um homem dificil de explicar.

- Mas era valente ? Perguntei-lhe.

- " Homem, não sei. Rodeado de amigos e bem armados e dispostos, todo mundo é valente... Nunca vi ele brigar sozinho. LAMPIÃO só andava rodeado, e assim qualquer trabalho fica fácil "

Aponta para ÂNGELO ROQUE, afogado na sua gravidade:

- Valente era aquele ali. Isto sim. Já vi várias vezes o velho Ângelo enfrentar sozinho vários "macacos" (soldados das volantes).

Também VOLTA SECA brigou, certa vez, com LAMPIÃO. Foi uma briga muito séria, me diz ele, e DEUS TE GUIE conforma.

-Naquele dia, eu tinha certeza que um dos dois ia deixar de viver: ou VOLTA SECA ou LAMPIÃO.

O mal-entendido entre o Chefe do bando e o seu cabra mais famoso teve lugar em 1931, após um duro combate com a força policial. Um dos bandoleiros, "BANANEIRA", havia sido ferido pelos soldados, e, ficara estendido na estrada. VOLTA SECA procurou LAMPIÃO e pediu-lhe autorização para ir buscar o amigo ferido. VIRGULINO achou que a empresa era perigosa e que a ida de VOLTA poderia facilitar aos soldados a pista do bando.

Mas VOLTA SECA não podia deixar o companheiro morrer, explica DEUS TE GUIE. Então, surgiu o primeiro atrito entre os dois. Em companhia de CARACOL (também presente á entrevista, com seu rosto parado), VOLTA SECA conseguiu arrastar BANANEIRA até um lugar seguro. Mas BANANEIRA estava muito ferido e teve que ser transportado numa rede.
-BANANEIRA pesava como o diabo - me diz VOLTA SECA.

Quando os dois chegaram com o companheiro ferido, LAMPIÃO e o resto do bando já haviam ido embora. Voltaram depois, e VIRGULINO procurou VOLTA SECA:

- "Menino, a gente tem que andar depressa. Os "macacos" estão por perto. Solte o ferido ai, e monte no seu cavalo."

VOLTA SECA respondeu que não podia fazer aquilo. BANANEIRA iria com ele - e montou o ferido no seu próprio cavalo. VIRGULINO, enfurecido, ordenou a VOLTA SECA que desmontasse BANANEIRA.

- "Então, o sangue me subiu á cabeça. Disse que não desmontava. LAMPIÃO pegou a carabina, mas fui mais ligeiro do que ele. Apontei bem no peito dele e lhe disse: "Se o senhor bulir com as pestanas, atiro. "LAMPIÃO estava verde de raiva. Ficamos assim um tempo grande, um olhando para o outro. Depois os companheiros serenaram a coisa. De noite no meu rancho, fui avisado por QUIXABEIRA e GAVIÃO que LAMPIÃO ia me matar no dia seguinte. Então dei o fora"

VOLTA SECA tinha apenas 14 anos quando entrou para o bando de VIRGULINO. Nascera em Itabaiana, no centro de Sergipe, fugiu de casa menino e andou sozinho pelo sertão. Encontrou-se com LAMPIÃO, em Goroso, no município de Bom Conselho, na Bahia. Ele me diz agora que no princípio apanhava quase que diariamente de LAMPIÃO. De Virgulino e dos outros:

- "Todo mundo gostava de enxugar a mão em mim. Até o velho ANGELO ROQUE.

Mas depois endureci o cangote, e o primeiro que me apareceu com ares de pai, recebi com a mão no rifle ".

VOLTA SECA me garante que quase todas as histórias que contam a seu respeito não são verdadeiras.

- "Gostavam de contar, por exemplo, que eu só matava á traição. Uma calúnia. Eu posso ser tudo, meu senhor, posso ser ruim de doer, uma coisa , no entanto, não sou: covarde e traidor. Nunca matei ninguém pelas costas, mas sempre em defesa própria. E sempre fui amigo dos meus amigos. Eu podia ter matado LAMPIÃO, naquele dia da briga, matar pelas costas, friamente. Mas não matei, porque era feio".

Pergunto a VOLTA SECA os nomes de alguns dos coiteiros mais importantes e mais chegados ao bando. Ele sorri e responde:

-"O QUE PASSOU, PASSOU".

Mas, o cangaceiro CACHEADO toma a palavra:

- "Quase todo dono de fazenda era coiteiro. Os coiteiros sempre foram a nossa perdição. Eles nos davam dinheiro, comida e munição. E eram sempre eles que nos entregavam aos macacos (policiais)."

VOLTA SECA tenta inocentar os coiteiros:

- "Eles tinham que ajudar a gente. Senão a gente queimava as fazendas deles e matava o gado".

O CANGACEIRO "SARACURA", de pele esverdeada pelo impaludismo, tem o olhar distante, perdido no mundo lá fora que a janela aberta deixa ver: o telhado comprido da estação de Calçada, as casas equilibradas no morro ao lado, a chaminé comprida da fábrica. É um rapaz calado que de vez em quando morde os lábios. Suas respostas são quase monossilábicas. PERGUNTO:

- Como você SARACURA, começou essa vida de bandoleiro? Ele responde:

- A gente nunca sabe.

Ângelo Roque é da mesma opinião.

- "Nunca se sabe. Uma coisa digo ao senhor: "NINGUÉM NASCE BANDIDO". Vamos dizer que aquele soldado casado não tivesse feito mal á minha irmã: tudo seria diferente. Eu continuaria na minha rocinha, talvez tivesse hoje umas economias, talvez até fosse dono do sítio. Nunca fui um homem da maldade. Depois que a gente vai pelo caminho, é que é o diabo.

O medo da prisão transforma o indivíduo NUMA FERA".

O cangaceiro CARACOL, tão calado, parece despertar, e começa a falar numa espécie de explosão:

- Por ai só se fala nas crueldades dos bandidos. Mas o senhor ande pelo sertão, converse com o povo pobre de lá: todo mundo dirá ao senhor que muito mais barbaridades do que nós, praticavam os soldados da força volante. E os coronéis, também. Eu poderia citar casos e mais casos de coisas horrorosas que eles fizeram por estes sertões. Bandidos como a gente. Por isto é que, em muitas cidades e povoados, nós, os "cabras", éramos recebidos como salvadores. Em certos lugares, meu senhor, o povo tinha mais confiança na gente do que nos "macacos" das volantes.

VOLTA SECA aparteia:

- "É isso mesmo: os crimes dos "macacos" foram iguais aos nossos. Mas nada aconteceu com eles. E com os coiteiros ? Os homens importantes e ricos do sertão, que nos ajudavam, nos davam armas, dinheiro e comida, continuam ricos e importantes."

CACHEADO volta com seu riso de menino:

- "A gente matava muito, a gente matava como uns danados. Mas a policia e os coronéis, matavam muito mais."

Ângelo Roque faz um gesto com a mão, e o silêncio volta á sala. Agora só se ouve a voz grossa do " velho Ângelo", que diz, o rosto fechado:

- "Mas não vamos falar mais nisso. O que passou, passou, já disse. O que adianta agora é que nos dêem a liberdade prometida. Sou ainda um homem moço, quero ficar livre, trabalhar e cuidar de minha vida."

VOLTA SECA se volta para mim:

- "Veja o que o senhor pode fazer por nós. Até agora ninguém nos ajudou. Chegam aqui os doutores, pedem para ver a gente e saem prometendo mundos e fundos. Mas a verdade é que continuamos aqui. Já passei um tempo medonho na prisão, mais de dez anos, quero a liberdade. Fugi, há pouco tempo, porque não aguentava mais. Se eu não fugisse ficava maluco"

O cangaceiro "DEUS TE GUIE" acrescenta:

- "Seu Ângelo não gosta que a gente fale, mas é preciso que se diga que houve muita injustiça por esses sertões. Por que foi que "ARVOREDO" ficou criminoso? Por causa das barbaridades que os "macacos" fizeram com a sua familia."

E é VOLTA SECA quem me conta a história:

- "O pai de ARVOREDO vivia em Santo Antônio da Glória. Numas eleições, o velho deixou de votar no chefe politico do lugar. O chefe mandou uma volante no seu sítio e eles fizeram horrores: estupraram as duas filhas e mataram os quatro filhos do velho, inclusive duas criancinhas de berço. Só escapou ARVOREDO. Acabou bandido. E o velho se tornou coiteiro. Foi preso., morrendo aqui nesta penitenciária, há dois anos atrás, quase com oitenta anos."

O próprio SARACURA parece, agora, sair do seu sono triste. Pede a palavra e conta:

- " Posso falar do meu caso. Peguei na espingarda quase obrigado, para mim vingar das misérias que fizeram com meu pai. Um dia, no Coité, uma volante invadiu o nosso sítio. Queriam á força que meu pai desse notícia dos cangaceiros, como se ele fosse um coiteiro. O velho não sabia de nada, e então os "macacos" começaram a supliciar o pobre: arrancaram as barbas dele, fio a fio, arrancaram suas unhas com alicate; se o senhor pensar que estou mentindo, vá lá no Coité e procure André Paulo Nascimento, que mora nas redondezas. É o meu pai. Ele dirá ao senhor se estou ou não falando a verdade. Ele mostrará ao senhor o estado em que ficaram seus dedos. E eu próprio, antes de pegar na espingarda, fui um dia violentamente espancado na Fazenda Curral, perto do Coité. Os "macacos" haviam dito que eu era coiteiro, mas na verdade é que, até então, eu nunca vira um bandido na minha vida".

SARACURA me revela mais que é casado e tem três filhos, que de vez em quando o visitam.

A conversa chega ao fim, e peço aos antigos companheiros de Lampião que permitam ao meu fotógrafo uma série de instantâneos, coletivos e individuais.

Instintivamente, "DEUS TE GUIE" abotoa a blusa e passa a mão nos cabelos lisos. "VOLTA SECA" diz, num sorriso:

- "Só deixo tirar meu retrato se o senhor mandar uma cópia para mim".

E quando o violento magnésio da câmara fotográfica do meu amigo Brito rebenta na sala, como um tiro de canhão, o ex-lugar-tenente do Capitão VIRGULINO dá um pulo da cadeira:

-" Um tiro desgraçado ! Parece pólvora seca".

E ao lhe pedir uma pose especial, "VOLTA SECA" chega até a janela aberta e diz:

- "Quero tirar um retrato olhando para fora, com a cara triste. Para mostrar aos doutores que estou doidinho para sair daqui."

Há uma larga distribuição de charutos e, ao se despedir, o velho "Ângelo", aperta minha mão com força:

- "Disponha aqui de um criado ás ordens. Desminta as calúnias que dizem a nosso respeito e veja o que o senhor pode fazer por nós..."

PENITENCIÁRIA DE SALVADOR/BAHIA, MARÇO DE 1944.

Fonte: Volta Seca

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