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segunda-feira, 8 de abril de 2019

NOVAS HISTÓRIAS SOBRE A SEGUNDA GUERRA

Documentos, fotos e novos capítulos sobre a participação do RN na história do conflito mundial estão em coleção de livros da Caravela Cultural. Uma dessas informações inéditas está em “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, do historiador Rostand Medeiros, que resgata a história de uma queda de avião no Seridó. A série faz parte de edital lançado pelo SEBRAE
Yuno Silva – Repórter
Publicado no jornal Tribuna do Norte, edição de quartafeira, 27 de março de 2019, na primeira paginado Caderno Viver.
“A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial” ainda rende, e muito! A cada remexida em arquivos e documentos, surgem novas memórias, detalhes e curiosidades sobre esse período importante para a história mundial e que as cidades de Natal e Parnamirim ainda não souberam preservar e nem tiara nenhum proveito turístico e/ou museógrafo. Foi aqui, nessa esquina continental, no início da década de 1940, onde mascaram o primeiro chiclete, beberam o primeiro chope de máquina, vestiram a primeira caça jeans e jogaram a primeira partida de fliperama da América do Sul.  
Parnamirim, por sua vez, abrigou um dos maiores entrepostos comerciais do planeta na época do conflito; só aqui no RN era possível compara meia calça de nylon – no restante dos países, todo o estoque do tecido sintético criado em 1935 já tinha virado material para fabricação de paraquedas.
A Segunda Guerra se estendeu entre 1939 e 1945, o Brasil se envolveu oficialmente a partir de agosto de 1942, e perceber o que restou do legado norte-americano em terras potiguares exige um olhar atento.
É nesse momento, da necessidade do “olhar atento”, que entram em cena três novos motivos para revisitar aquele momento de efervescência urbana, cultural e social que sacudiram Natal e Parnamirim a editora Caravela Selo Cultural lança no próximo dia 2 de abril, às 11 horas, na sede do SEBRAE-RN, os três livros que integram a coleção “A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”.
São três obras independentes, com abordagens diferentes, que se complementam e acrescentam mais “molho” no que já se sabe. “São livros diferentes sobre a mesma temática, e que trazem informações inéditas sobre o assunto”, assegurou o jornalista, engenheiro civil e pesquisador Leonardo Dantas de Oliveira, coautor do livro “A engenharia norte-americana em Natal na Segunda Guerra Mundial”, que ele assina junto com Osvaldo Pires de Souza e Giovanni Maciel de Araújo Silva.
Completam a coleção uma coletânea “Observações sobre a Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, reunindo artigos científicos e organizados pelo escritor e editor da Caravela José Correia Torres Neto; e o livro “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, do pesquisador e historiador Rostand Medeiros.
A coletânea, explicou José Correia, reúne textos atuais produzidos por especialistas e estudiosos da UFRN e de outras universidades de outros estados. “Boa parte do material que estamos publicando já vinha sendo organizado e catalogado pelos autores, e quando decidi editar a coleção tivemos seis meses para deixar tudo pronto para impressão”, lembrou o editor, que aproveitou o edital Economia Criativa 2018 do SEBRAE-RN para viabilizar o projeto.
“O lançamento da coleção no SEBRAE-RN vai coincidir com o lançamento da edição 2019 do edital”, avisou Correia.
Papagaio de guerra
O volume da coletânea organizado pelo editor da Caravela Selo Cultural traz oito artigos científicos e pelos títulos percebe-se que as abordagens buscam ir além do lugar comum.
Entre os textos publicados destaque para “Cabarés de Natal: do esplendor do Cabaré de Maria Boa ao ostracismo do Beco da Quarentena (1942 – 1950)”, escrito por Jéssica Freire Dalcin, Monique Maia de Lima e Yasmênia Evelyn de Barros.
Outros artigos buscam ir mais fundo para instigar a reflexão, como “A busca de um tesouro perdido: o desejo das elites de Natal (RN) em torná-la uma cidade moderna no século 20”, de Giovana Paiva de Oliveira; e “Uma cidade marcada por perdas e sonhos: a Natal da Segunda Guerra Mundial”, de Giovana Paiva de Oliveira em parceria com Ângela Lúcia Ferreira e Yuri Simonini.
Documentos, fotos e novos capítulos sobre a participação do RN na história do conflito mundial estão em coleção de livros da Caravela Cultural. Uma dessas informações inéditas está em “Sobrevoo – Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do Norte”, do historiador Rostand Medeiros, que resgata a história de uma queda de avião no Seridó. A série faz parte de edital lançado pelo SEBRAE
Já o livro de Rostand Medeiros faz, literalmente, um “sobrevoo” sobre o momento histórico com textos curtos recheados por curiosidades, detalhes e passagens que ainda não tinham sido revelados.
Relatos e depoimentos se misturam a uma narrativa alicerçada por documentos que comprovam cada afirmação. Medeiros aborda desde a “Influência das tripulações alemãs em Natal”; casos de espionagem; o resgate das primeiras vítimas da guerra em Rio do Fogo, litoral norte do RN, em 1941; e a presença de “Parnamirim Field” na imprensa internacional.
Os autores Leonardo Dantas, José Correia Torres Neto e Rostand Medeiros, junto ao jornalista Yuno Silva, da Tribuna do Norte.
No tocante às curiosidades, destaque para “A pitoresca história de um papagaio que voou em combate nos céus da Europa”; e a queda de um avião de guerra modelo Catalina na cidade de Riachuelo, agreste potiguar. O papagaio “Jock”, inclusive foi notícia em vários jornais e Rostand Medeiros comprova a história emplumada com fac-símile de uma manchete publicada no jornal carioca A Noite em 19 de janeiro de 1944 – naquele momento, de acordo com o jornal, “Jock” acumulava 50 horas de voo e havia sido indicado para receber medalha do Exército americano.
“Muitas das informações são inéditas, extraídas de documentos e diários que só foram liberados recentemente”, disse Leonardo Dantas, que buscou no diário de obras dos batalhões de engenharia notas sobre o legado deixado pelos norte-americanos na infraestrutura urbana: “Avenidas que hoje são importantes vias que cortam a capital do RN foram construídas naquela época. A primeira ‘pista’ de asfalto do Estado foi construída pelos soldados, e ia do Colégio Ateneu até a base de Parnamirim”.       
Nesses diários, também foram colhidos relatos sobre a alimentação e de como era a hora de descanso dos trabalhadores braçais que prestaram serviço para o Exército dos Estados Unidos. “Veio gente de outros estados para trabalhar, pois não tinham mais quem contratar aqui em Natal e Parnamirim para fazer o que eles precisavam”, completou Leonardo.
Coleção “A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”
SERVIÇO
Lançamento da coleção “A participação do Rio Grande do Norte na Segunda Guerra Mundial”, dia 2 de abril, às 11 da manhã, na sede do SEBRAE-RN em Lagoa Nova. Após o dia de lançamento, os livros estarão disponíveis na livraria da Cooperativa Cultural da UFRN.
Extraído do blog Tok de Histórias do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros.
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MORRE MENINA DO RN QUE PASSOU POR TRANSPLANTE DE CORAÇÃO NO RECIFE

Brunna Silveira Lopes que veio transferida do RN para o Recife em busca de um coração, morreu na tarde deste domingo (7) — Foto: Reprodução/TV Globo.

De acordo com a direção do IMIP, onde ocorreu a cirurgia, Brunna Silveira Lopes, de 7 anos, morreu na tarde deste domingo (7).
Por G1 PE.

Morreu na tarde deste domingo (7) a garota Brunna Silveira Lopes, de 7 anos, que estava em estado grave após um transplante de coração realizado no Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira (Imip), no Recife. A menina tinha uma cardiopatia grave e saiu do Rio Grande do Norte, onde morava com a família, para se submeter ao procedimento cirúrgico.

Por meio de nota, a direção do Imip informou que Brunna morreu no fim da tarde. A unidade de saúde disse, ainda, que “prestou toda a assistência necessária para a criança e para a família dela”.

Menina do RN que fez transplante de coração no

Menina do RN que fez transplante de coração no Imip passa por nova cirurgia
Brunna chegou ao Recife, em um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) na tarde de quarta-feira (3), Ela veio para a capital pernambucana com a mãe, Núbia Barbosa, de 46 anos.

O transplante ocorreu na madrugada da quinta-feira (4). Na tarde do mesmo dia, a garota passou por uma nova cirurgia para conter um sangramento. (Veja vídeo acima).

Em entrevista ao G1, na quinta-feira, Núbia disse que gostaria de conhecer a família do doador do coração. No sábado (6), os três irmãos mais velhos e o pai visitaram a menina no Imip.

Antes de conseguir o novo órgão, Brunna foi mantida viva por estar ligada a uma máquina de "oxigenação por membrana extracorpórea", conhecida como ECMO.

Segundo o médico Madson Vidal, que acompanhou a menina no Rio Grande do Norte, ela nasceu com um problema chamado "transposição das grandes artérias" e passou por um cirurgia paliativa ainda quando bebê.

Brunna, que é paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), sempre recebeu acompanhamento médico pela sua condição, mas, nas últimas duas semanas, precisou passar por um novo procedimento para melhorar a sua oxigenação, porque seu tom de pele estava cada vez mais "roxo". Neste novo procedimento, no entanto, o coração não suportou a circulação, segundo Vidal.

Aeronave da FAB deixou Base Aérea de Natal no início da tarde, levando Bruna Silveira Lopes, de 7 anos, para Recife — Foto: Klênyo Galvão/Inter TV Cabugi

Em busca do transplante

O Imip foi acionado pelo Sistema Nacional de Transplantes para receber Brunna e ela entrou na lista de prioridade máxima para doação de coração. Antes disso, a Central Nacional de Transplantes e a Justiça haviam negado autorização para o transplante no Hospital Rio Grande, onde ela estava internada.

A situação gerou um desabafo do médico Madson Vidal, que repercutiu redes sociais. Após uma mobilização de vários órgãos, foi viabilizada a transferência de Brunna para o Recife, em uma operação que envolveu 20 profissionais de diferentes áreas.

Fila

Dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), na quarta-feira (3), apontam que mais de mil pessoas estão na fila de espera para transplante de órgãos em Pernambuco. O número, segundo o governo estadual, poderia ser menor, caso mais famílias aceitassem doar os órgãos de entes falecidos.

Nos dois primeiros meses do ano, o índice de recusa foi de 36%. Segundo a Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), um percentual aceitável de negativas deveria ficar em torno de 30%.

Entre janeiro e fevereiro de 2019, Pernambuco realizou 93 transplantes de órgãos sólidos, entre coração (8), rim (56) e fígado (27) - um a mais que o mesmo período em 2018.


No Brasil, a doação só pode ser efetuada com a autorização de um parente de até segundo grau. De acordo com a pasta, a dificuldade em diminuir o número de pacientes na fila de espera por transplantes está diretamente ligada à falta de informações e preconceito.

https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2019/04/07/morre-menina-do-rn-que-passou-por-transplante-de-coracao-no-recife.ghtml

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domingo, 7 de abril de 2019

CONHEÇA A RELAÇÃO DAS GRANDES FORTUNAS EUROPEIAS COM O NAZISMO

Empresas alemãs ou simpatizantes do nazismo tiveram íntima relação de fornecimento com o regime, e o dinheiro acumulado na época está até hoje em grandes fortunas da Europa
Festa Nazista e o “Carro do Povo” – Fonte – Tima/Life
A ligação do nazismo com grandes empresas é notória, com diversas marcas que existem até os dias atuais tendo em seu passado ligação íntima com o regime de Adolf Hitler. A Mercedes-Benz era a marca oficial dos carros do III Reich, enquanto Hugo F. Boss, fundador da marca que leva seu nome, era o designer dos uniformes da Alemanha nazista. Já as químicas Bayer e BASF (na época sob o nome de I.G. Farben) tem em seu currículo a terrível mancha de terem fabricado e fornecido o gás usado nos campos de concentração.
Logomarca da extinta IG Farben, produtora de variados produtos químicos, como o famigerado Zyklon-B, utilizado nas câmaras de gás de diversos campos de concentração na Europa, com o único objetivo de exterminar em massa judeus e outros inimigos da Alemanha Nazista. .
No entanto, as relações do nazismo com grandes indústrias se estende para outras marcas, com o dinheiro acumulado naquela época passado para as novas gerações, sendo parte de algumas das maiores fortunas da Europa nos dias de hoje. Caso da família Reimann, dona da holding JAB que detém as redes de restaurantes Krispy Kreme, Panera Bread e Preta Manger. Albert Reimann e Albert Reimann Jr., eram dois alemães entusiastas do nazismo, que utilizaram mão de obra escrava em troca de ajuda ao regime. Hoje a fortuna da família está estimada em US$3,7 bilhões.

Eugène Paul Louis Schueller (20 de março de 1881 – 23 de agosto de 1957) foi um farmacêutico e empresário francês, fundador da empresa LÓreal, , empresa líder mundial em  cosméticos e beleza. Durante o início do século XX, Schueller forneceu apoio financeiro para La Cagoule, na própria sede da L’Oréal. Esse era um violento grupo fascista francês, antissemita e anticomunista, cujo líder formou o partido político Movimento Social Revolucionário – MSR (Mouvement Social Révolutionnaire), que na França Ocupada apoiou a colaboração com os conquistadores da Alemanha nazistas. Esse envolvimento foi extensivamente pesquisado pelo israelense Michael Bar-Zoharem seu livro Bitter Scent.
Outra empresa cuja fortuna remonta ao nazismo é a francesa L’oréal, cujo fundador Eugène Schueller era um notório anti-semita e que durante o Reich era codiretor da empresa de tinta e vernizes Valentine, que em parceria com a alemã Druckfarben fechou contrato para fornecimento de material para a marinha alemã. Entre 1940 e 1943, seus registros de impostos mostraram que sua fortuna aumentou quase dez vezes. Hoje sua neta, Françoise Bettencourt Meyers é uma das mulheres mais ricas do mundo ao ter herdado participação de quase US$ 50 bilhões da gigante de cosméticos.
Uma das principais moedas de troca dos nazistas para as empresas era a mão de obra escrava, oriunda de prisioneiros de guerra, políticas antissemitas e anexação de territórios estrangeiros. Ela foi usada pela BMW, que em contratos com o governo de Hitler, estabelecia a troca de escravos por armas que a empresa fabricava na época. Maior acionista da montadora atualmente, a família Quandt também possuía na época a Accumulatoren Fabrik AG, que realizava a troca dos prisioneiros por baterias, armas e munição para o exército alemão. Os Quandt se tornaram acionistas majoritários da BMW após a guerra, e atualmente Stefan Quandt, tem uma fortuna estimada em US$ 17,3 bilhões.
Hitler conhecendo os primeiros protótipos do carro popular VW – Fonte – Time/Life
Hoje um dos maiores grupos de mídia alemão, a Bertelsmann teve sua grande ascensão durante o final da década de 1920, quando começou a publicar textos de conteúdos anti-semita e nazista aproveitando a onda que iria varrer a Alemanha e culminar com o governo de Hitler. Ela se tornou a principal fornecedora de material escrito para o exército alemão com versões de bolso para soldados, e segundo um relatório encomendado pela própria empresa em 1998, utilizou mão de obra escrava de judeus para aumentar sua margem de lucro. Hoje a vice-presidente do grupo é Elisabeth Moon, filantropa e nora de Heinrich Moon, que começou a relação com o nazismo apesar de não ter sido membro do partido. Hoje ele trabalha para reparar erros do passados e em 2000 juntou-se a mais de 6 mil empresas alemãs para realizar um pagamento coletivo de US$ 4,5 bilhões a pessoas que foram vítimas de trabalhos escravos durante o III Reich.
Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros .
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LAMPIÃO NO MUNICÍPIO DE AURORA PARTE 2

Por Amarílio Gonçalves Tavares

Arte de Aldemir Martins

"Fugindo de Mossoró e tendo no encalço as forças volantes do Rio Grande do Norte e Paraíba, totalizando mais de 200 homens, Lampião descamba para a região do Cariri cearense, rumo a Aurora, para o refúgio de Izaias Arruda...Chegando ao lugar Ribeiro..."

A tropa que teve encontro com os bandoleiros foi a do tenente Arruda, em piquetada no sítio Ribeiro, onde aconteceu um fato tão misterioso, quanto engraçado. Não obstante o lugar se achar “ bem guarnecido “, ao clarear a barra , “ O Grupo de Bandoleiros, sem sofrer o menor revés, passou entre as trincheiras, nas quais os soldados dormiam, para só despertarem depois, com cerrada fuzilaria, quando os bandidos não estavam mais ao alcance da pontaria da polícia” O Grupo ocultou-se no vale do Bordão de velho.

Do local onde estava, lampião enviou dois cabras ‘a casa de João Cabral, morador ali perto, convidando-o a vir a sua presença. João Cabral atendeu e Lampião disse-lhe estar com fome e sede, pedindo alimento e água para o grupo, no qual foi atendido. Marchando pelo pé da Serra da Várzea Grande, Lampião chega a fazenda Malhada Funda, onde faz alto, sendo recebido por Gregório Gonçalves, que, após saber com quem estava falando, perguntou a Lampião em eu podia servi-lo.


Amarílio Gonçalves Tavares

Este respondeu “ só quero comida para minha rapaziada. Gregório Mandou matar o boi que estava no curral, e duas ou três ovelhas. Os cangaceiros estavam com tanta fome, que não esperaram. Comendo as carnes sapecadas. Os quartos de Ovelha, eles colocaram nos bornais sobressalentes, junto com farinha e rapadura. Ao retirar-se, Lampião levou João Teófilo como guia. Este saiu montado num burro que o bandoleiro havia tomado de um cidadão que estava comprando rapaduras. O Bando saiu na direção sudeste do município. Lá muito adiante, o guia foi substituído por outro de nome David Silva, tendo Lampião recomendado a João Teófilo pra só voltar quando escurecesse, e que não fosse pelo mesmo caminho.

Continuamos a narrativa, baseada no livro do Major: “Em sua marcha, Lampião procurou a Serra do Coxá, na divisa do município de Aurora com o de Milagres, burlando a vigilância dos policiais, de tal modo que estes se afastavam do ponto em que estavam os bandidos, tomando o rumo de Boa Esperança, serrote do Cachimbo, Riacho dos Cavalos, Ingazeiras e Milagres. Como se Vê, Lampião era um perito em estratégia Militar. Uma de suas táticas consistia em ludibriar a polícia que andava no seu encalço, como fez, quando procurou a Serra do Coxá. Deste modo, tornou-se inócua a providência do Major Moisés, designando o tenente Caminha para colocar piquetes nas estradas, uma vez que, por estas, não passarias o grupo de bandidos.


Enquanto Lampião ficava escondido na Serra do Coxá, O tenente Manoel Firmo seguia para o lado oposto, isto é com a sua tropa, passava de trem por Aurora, em demanda ao cariri, sem dar satisfações ao seu chefe, major Moisés, que naqueles dias se encontrava em nossa cidade, em tratamento de saúde. Com o tenente Manoel Firmo, viajavam os tenentes Luis Leite, Laurentino, Moura Germano, em passeio a Juazeiro e Crato, totalmente despreocupados com os bandidos. Para piorar a situação do “comandante das tropas“ em operações”, chegavam em Aurora o contingente comandado pelo tenente Agripino de Lima, que conduzia trinta e quatro animais de montaria, tomados a fazendeiros de Icó, Pereiro e Jaguaribe.

Virgulino Lampião

Quando o Major pensava que o oficial vinha em seu auxilio, o tenente Agripino comunicava-lhe que resolvera abandonar a campanha e voltar pra o Rio Grande do Norte. Diante disso, o Major Moisés apreendeu os referidos animais, entregando ao sr. Vicente Leite de Macedo, com a recomendação de devolvê-los aos respectivos donos. Além dos animais tomados a sertanejos, o Major Moisés constatou irregularidades na tropa do tenente Agripino, como a venda de munição feita por praças e muitas destas se entregando ‘a embriaguez. A Atitude do tenente Manoel Firmo, viajando para juazeiro e Crato, arrastando o grosso da tropa e quatro tenentes, deixou o comandante Moisés “num mato sem cachorro“ . O Major viu-se na contingência de pedir ajuda – imagine o leitor a quem _ Ao coronel Isaias Arruda, o mesmo que, tempos atrás, havia acoitado Lampião,mas que, agora, dava uma de perseguidor do bandoleiro, pondo oitenta e sete cabras á disposição do major Moises.

Se no combate travado com os bandidos, na serra da Macambira, havia cerca de 400 praças, como se explica ter o major Moisés levado para Ipueiras apenas 15 soldados. Descoberto o paradeiro de Lampião no alto da serra do Coxá, destacaram-se elementos de confiança para, aproximando-se do grupo, conhecerem melhor a sua posição, dentre eles Miguel Saraiva, tio de um dos bandoleiros e morador nas proximidades. Foi então que o Major Moisés e Isaías Arruda conceberam um estratagema, que consistia em preparar um almoço para Lampião e seus cabras, na casa de José Cardoso, em Ipueiras, e juntos, abaterem o bandido, e juntos, abaterem o bandido nas hora conveniente.

Miguel Saraiva se faz acompanhar de oito homens que se apresentam a Lampião, fingindo que são perseguidos pela polícia, e para melhor comover o chefe do bandoleiros, lamentam e choram a sua desgraça, tentando com isso, infiltrar-se no bando. “Alguns bandoleiros aceitaram a presença de novos companheiros, mas Lampião logo faz sentir que não acolhia em seu grupo pessoas que lhe fossem estranhas” os oito homens de Miguel Saraiva tinham recebido instruções para atacar os bandido na hora em que o grupo “ descansasse” a armas para almoçar.
Simultaneamente, os soldados e jagunços puseram-se discretamente em volta de casa, prontos para fechar o cerco aos bandidos, no momento oportuno. Mas o ardil fracassou, porque Lampião, sagaz, arisco e desconfiado, chegou e rejeitou o almoço oferecido por Miguel Saraiva. E colocou sua gente em pontos diversos e estratégicos.Eis como o major Moisés descreveu o tiroteio:


Izaias Arruda

“ Conhecido o fracasso do estratagema, fomos impelidos a atacar os bandidos, com ímpeto, de sorte que, em pouco tempo, estavam debaixo de cerrada fuzilaria. A luta teve início pouco mais ou menos ‘as 12 horas do dia 7 de julho, tendo uma duração de mais de três horas, terminou infelizmente, porque os bandido caíram em fuga, e no campo deixaram dois mortos, um queimado, que recebeu vários ferimentos, e outro também morto na ocasião em que fugia”. Essa foi a história narrada pelo major Moisés no citado livro. Entretanto, existe outra versão para o episódio segundo nos contaram Róseo Ferreira e Vicente Ricante que , na época, moravam nas proximidades da fazenda Ipueiras, a coisa aconteceu assim.

O Major Moisés Leite e o Coronel Isaías Arruda combinaram um plano de acabar com Lampião, assim que este chegasse em Ipueiras, pois sabiam que o grupo vinha desmuniciado e bastante desfalcado, em conseqüência da derrota sofrida em Mossoró e das deserções que se seguiram ao frustrado ataque aquela cidade norte riograndense. Lampião ficara na manga com a cabroeira. Convidado pra almoçar na casa de José Cardoso, na citada fazenda Ipueiras, o Rei do Cangaço compareceu com alguns dos seus rapazes. Quando Miguel Saraiva chegou e pôs sobre a mesa o alguidar contendo o almoço envenenado, Lampião tirou do bornal um colher de latão e meteu-a na comida. Quando puxou a colher, o bandido notou mudança de cor e deu alarme.
“ninguém come desta comida. Esta comida está envenenada! Nisso, Lampião e seus cabras conseguem romper o cerco de um cordão de jagunços e soldados a paisana que se formara em volta da casa, e correm pra a manga onde ficara a maior parte da cabroeira, sendo atacados pelo cabras de Isaías e soldados do major Moisés.


Arte de Aldemir Martins

Ao mesmo tempo em que estrugiu a fuzilaria, os atacantes lançaram fogo na manga, por todos os lados do local em que estavam os cangaceiros. Lampião investiu várias vezes contra os atacantes, conseguindo, por fim, escapar por um corredor. Lampião perdeu dois cangaceiros, um queimado e ferido por ocasião do ataque. O Outro, com ferimento no ouvido, ficou em Ipueiras, em tratamento, mas os coiteiros acabaram de mata-lo, tocando fogo no cadáver... Ao escapar do cerco de Ipueiras, lampião tomou o rumo da serra do Góes, perto de São Pedro do Cariri, atual Caririaçu. Veja o leitor o Zig- zag feito por Lampião para confundir a polícia. No dia 7 de julho, saiu de Ipueiras, desceu pelo riacho do Pau Branco, atravessou o rio Salgado no lugar Barro Vermelho, passou pelos sítios Jatobá e Brandão, fazendo “ alto “ em Vazantes.

Na serra dos quintos, fez um refém – o Sitiante Joaquim de Lira – para ensinar o caminho para a serra do Góes, onde chegou, no início da noite. Na manhã do dia 9, Lampião deixou a serra do do Góes e rumou para o município de Milagres, atravessando a via ferrea no lugar Morro Dourado. O Major Moisés havia mandado tomar as ladeiras da Serra do Mãozinha e São Felipe, por onde poderia passar o bandoleiro. Mas Lampião, mais uma vez, conseguiu burlar a força policial e penetrou no estado da Paraíba, pela serra de Santa Inês, no rumo de Conceição do Piancó, de onde prosseguiu em fuga para Pernanbuco.

Amarílio Gonçalves Tavares
TEXTO RETIRADO NA INTEGRA DO LIVRO AURORA HISTÓRIA E FOLCLORE, 
AMARÍLIO GONÇALVES TAVARES P. DE 138 A 146 IOCE, 1993 - CAPÍTULO 15
(Cortesia do Envio: Luiz Domingos de Luna)
FONTE:http://www.icoenoticia.com/2009/05/lampiao-no-municipio-de-aurora.html


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SEJAMOS FIÉIS ÀS NOSSAS CRENÇAS

*Rangel Alves da Costa

É preciso acreditar, eis o dizer popular. Mas é verdade, sem acreditar naquilo que se deseja ou se tem como verdade, impossível ir adiante com objetivos de vida.
Somente acreditando é possível lutar, ter esperança, seguir em frente em busca de sonhos e de melhores perspectivas. Ser movido na direção daquilo que se deseja alcançar.
Como o crente vislumbra na fé seu poder de cura, igualmente os demais devem abraçar essa religião de si mesmos. O simples fato de não desistir já indica força espiritual.
A crença conduz o ser humano, não que duvidar. A descrença faz desistir, faz com que a derrota chegue quando a vitória já estaria garantida mais adiante.
O próprio significado de crença já diz desse desejo íntimo e que deve servir como guia na existência. Crença nada mais é que a confiança que o sujeito tem em conseguir seus objetivos.
Mas também a valorização de objetos, símbolos e situações, como meios que permitem o alcance dos objetivos. A crença da cura através da oração, da promessa ou dos ofícios religiosos, situa-se nesse contexto.
A crença também como atitude mental em ver as coisas como possibilidades. Acredita que vai conseguir e faz de tal perspectiva como um caminho que vai sendo percorrido.
Quando alguém diz que acredita em milagre, por exemplo, torna sua crença em algo dependente de forças superiores. Por consequência, a crença maior está na própria intercessão da força superior.
Existe crença que é assemelhada às esperanças. A crença que vai chover, que vai semear e colher. A crença que mesmo o sofrimento não consegue afastar a bonança que logo virá.


Muita gente acredita que pode mudar o mundo. Sabe que o mundo não está sob suas mãos e que será impossível transformá-lo como num passe de mágica. Mas vai fazendo sua parte porque acredita que sua ação, somada a outras ações, terá resultados positivos.
E até crenças absurdas, como as de achar que políticos que se comprometem respeitarão suas promessas mais adiante. Ou a de que todo mundo é amigo e, por isso mesmo, deve em todos confiar.
As crenças pessoais são, contudo, aquelas que mais verdadeiramente frutificam, eis que não dependem de terceiros ou de intervenções outras para se realizarem. Dependem sempre da própria pessoa.
A crença que somente através do trabalho terá seu futuro menos angustiado. A crença que o estudo abre caminhos e uma boa formação possibilita melhor qualidade de vida. A crença que ser honesto permite maior aceitação social.
Tudo isso está na dependência do próprio sujeito. Como se diz, por ser dono do próprio destino, então deverá saber o melhor que deseja a si mesmo. E fazendo disso uma crença que vai conseguir.
De qualquer forma, sempre sejamos fiéis às nossas crenças, De vez em quando imaginar que somos capazes de tudo. E dessa força, dessa ambição boa e positiva, tecer o próprio mundo e o que nele deseja encontrar.

Escritor
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MOVIMENTO CULTURAL CARIRI CANGAÇO....10 ANOS ..!



"Próximo de completar uma década a invenção do Cariri Cangaço tem se configurado como um importante instrumento de promoção da história e da cultura genuinamente nordestina, ao passo que também apresenta para o resto do Brasil e para o mundo, coisas interessantes que só existem por aqui, nos nossos sertões.

Por isso mesmo, presta um imenso serviço à cultura e a história de uma região que, infelizmente, ainda hoje é vista de soslaio pelos chamados poderes do litoral, acostumados demais às mesmices e invencionices dos enlatados alienígenas."

Fonte: Blog Cariri cangaço
Foto: Cangaceiros Cariri / LOCAL: Patos de Irerê - PB
OBS: Matéria publicada no aludido Blog, a algum tempo atrás.


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A MORTE DO PADRE CÍCERO

Por José Bezerra Lima Irmão

Excerto do capítulo 181 de Lampião – a Raposa das Caatingas.

José Bezerra é pesquisador do cangaço e de tudo o que diz respeito à história do Nordeste envolvendo as figuras fantásticas de Padre Cícero, Antônio Conselheiro, José Lourenço, Severino Tavares e Quinzeiro, e os trágicos episódios de Canudos, Caldeirão, Pau-de-Colher, Serra do Rodeador e Pedra Bonita do Reino Encantado ou Pedra do Reino. É autor do livro Lampião – a Raposa das Caatingas, uma biografia completa do Rei do Cangaço.

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Na manhã de 20 de julho de 1934, aconteceu uma coisa terrível na Cidade Santa do Juazeiro: morreu o Padre Cícero Romão Batista.

Mais de quarenta mil pessoas haviam passado a noite em vigília. Quando se espalhou a dolorosa notícia – “Padim Ciço morreu!!!” –, teve início um espetáculo assombroso. As pessoas choravam, abraçadas umas às outras, rezando ou gritando como loucas, acotovelando-se, atropelando-se, esmagando-se na ânsia de chegar à casa do reverendo – as ruas não tinham como conter tanta gente.


A situação agravou-se quando os telegramas chegaram às cidades próximas. Logo, caminhões e mais caminhões superlotados começaram a despejar romeiros que vinham ao sepultamento do Pai dos Pobres. Uma verdadeira onda humana tomou a Rua São José, onde morava o Padre Cícero, invadindo todos os espaços, rompendo obstáculos, derrubando portas, passando por cima de tudo. O delegado de Juazeiro, vendo que a polícia era impotente diante da multidão sem controle, lavou as mãos com uma desculpa razoável:

"– O Padre Cícero era do povo e continua a ser do povo".

O caixão mortuário foi colocado numa janela, quase em posição vertical, num estrado de madeira, e durante o dia inteiro ficou ali, aberto, para que o corpo fosse visto pela multidão. Enquanto isso, milhares de pessoas continuavam a chegar a Juazeiro, a pé, a cavalo, de caminhão, de automóvel. Às quatro horas da tarde, ouviu-se um ronco nos céus, como um trovão prolongado – eram aviões do Exército que chegavam de Fortaleza com um barulho ensurdecedor, lançando-se de ponta para baixo em voos rasantes, passando a poucos metros do telhado da casa do Padre Cícero.


Àquela altura, a colmeia humana já ultrapassava a casa dos 60 mil. Ninguém se lembrava de comer ou beber. Não havia sequer uma casa de comércio aberta. O prefeito decretou luto oficial por três dias. Nas cidades vizinhas aconteceu o mesmo. A Bandeira do Brasil foi hasteada nas repartições públicas e em várias casas, com uma faixa negra, de luto.


A multidão passou a noite em frente à casa do Padre, rezando, chorando, lastimando-se.


No dia seguinte, às 7 horas, 9 padres, liderados pelo monsenhor Shoter, deram início ao cortejo, descendo com o féretro pela Rua São José em direção à Praça da Matriz, onde foi feita a encomendação do corpo pelo monsenhor Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves, acolitado pelos demais sacerdotes, representantes do clero que tanto criticara e combatera o injustiçado Santo do Juazeiro. Por volta das 10 horas, reiniciou-se o cortejo, levando o corpo para a capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Vencendo os guardas que tentavam proteger o féretro, a multidão apossou-se do caixão, e foi assim que o Padre Cícero chegou à sua última morada – o caixão, suspenso nos braços do povo, parecia flutuar no céu como uma pluma.


O Padre Cícero foi sepultado em frente ao altar da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – que ele chamava de Capelinha do Socorro.


Quando Lampião soube que o Padrinho havia morrido, ficou paralisado. Virgínio e Luís Pedro choraram. Lampião mandou comprar faixas de crepe, e durante oito dias todos os cangaceiros usaram uma tarja preta no braço, em sinal de luto. Como todo nordestino, ele não podia compreender como era possível que o Padrinho tivesse morrido, pois o Padre Cícero era considerado imortal, um santo, uma entidade divina.


E de fato o Padre Cícero é imortal. E é um santo. Representa um oásis de esperança na seca espiritual do mundo sertanejo, somente equiparável ao Padre-Mestre Ibiapina. 


Pessoas ignorantes e pesquisadores unilaterais ou apressados em suas conclusões, desconhecedores da História, que interpretam os fatos do passado com a visão do presente, pintam de negro sua alma cândida e simples. 


Tinha defeitos? Tinha, porque era humano, mas seus defeitos eram uma revelação de sua ingenuidade e boa-fé, e não de maldade, coisa que o seu coração desconhecia. 


Como disse muito apropriadamente Frederico Bezerra Maciel, “Padre Cícero é o Santo por excelência dos humildes, que nele depositam sua fé, esperanças, dele recebem o consolo, a segurança e a força da resignação cristã”.

Padre Cícero no caixão

O Padre Cícero é o Santo Padroeiro da Nação dos Nordestinos – canonizado pelo povo.

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Ilustrado por José Mendes Pereira

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