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terça-feira, 23 de julho de 2019

LAMPIÃO EM ARACI; O VAQUEIRO QUE TEVE SUA CASA INCENDIADA PELO CANGACEIRO MAIS TEMIDO DA HISTÓRIA


Bando de Lampião | Fonte: Reproução

Sabendo dos rumores que Lampião estava na região sisaleira, José Tibúrcio da Silva mandou que sua esposa, dona Marcionília Pinho da Silva fosse dormir na casa de seu cunhado, Martinho Pereira da Silva. Com ela foi Germinia Pinho da Silva, que tinha apenas seis meses de idade no dia. José Tiburcio da Silva, como proprietário da Fazenda Paraíba, transportava peles de ovinos, bovinos e caprinos de Araci para Queimadas, pois lá havia um curtume que era do Coronel Vicente Ferreira da Silva. O coronel era primo de José Tiburcio da Silva. Ao chegar em Queimadas, ele deixava as peles para serem curtidas e as que já estavam curtidas ele levava para Araci. José Tiburcio, que era um vaqueiro, completava a carga com sacas de café que vinham de Jacobina para Queimadas. O vaqueiro era dono de uma tropa de 08 burros. Toda vez que chegava na Vila do Raso, Araci à época, José Tiburcio tinha que ir prestar contas ao Coronel Vicente Ferreira da Silva, pois era ele que dava os fretes e conduzia os trabalhos do vaqueiro.


Esses são relatos de Germinia Pinho da Silva Góes, nascida em 23 de Junho de 1928. Araciense e filha do vaqueiro José Tiburcio, ela foi visitada na infância pelo bando de Lampião. Seu relato feito em dezembro de 2007 a Fernando Tito e publicado no Blog Lampião Aceso.

Lampião em Araci

Foi no período desta viagem que Lampião chegou em João Vieira, arraial de Araci. No mês de dezembro de 1928, ele procurou saber quem era fazendeiro e quem tinha tropas de burros. “Alguém que se dizia ser amigo de meu pai informou a Lampião sobre meu pai e Lampião mandou o cangaceiro Corisco ir até a Fazenda Paraíba, guiado por esta pessoa, pois não sabiam onde era a Fazenda. Ao chegar não encontrando ninguém colocaram fogo na casa. Quando foram 5 horas da manhã (pois eu acordava muito cedo para comer, minha mãe chamou as meninas para ir tirar leite das cabras u só tomava leite de cabra, ela me levava nos braços) ao chegar na malhada ela avistou o fogo em cima da casa e logo viram os cangaceiros com os fuzis, os burros amarrados e etc.”, contou Germinia Pinho da Silva Góes.

Segundo Germinia, sua mãe, respeitando os cangaceiros, não seguiu. Ela pediu que uma das meninas que ela criava voltasse na casa do tio Martinho para chamá-lo para poder encorajá-la. A fumaça já estava em cima do telhado. Os cangaceiros já tinham arrombado a porta e entrado. Já tinham pegado dinheiro, peças de tecido de seda, saqueado a casa e queimado a casa toda.

Palavras de dona Germinia: Então minha mãe disse- Bom dia meus senhores! Com que autoridade vocês fizeram isso? Eles responderam: –A ordem que nós temos é quando chegarmos a uma fazenda e encontrar fechada colocar fogo na casa. Ela respondendo disse: – Fez muito errado. Eles perguntaram: – Cadê seu marido? Por que ele correu? Ela disse: – Ele não correu, está viajando, está em Queimadas. Eles disseram: – Nós soubemos em João Vieira que ele tem uma tropa de burros. Ela respondeu: – Ele está viajando com essa tropa de burros, pois ele é cargueiro. Eles retrucaram dizendo: – Por que a senhora correu? Respondeu ela: – Eu não corri apenas fui dormir na casa do meu cunhado, se eu estivesse corrido não estava aqui com um curral apartado com as cabras e o outro com o gado. Estou vindo agora porque a minha filha que carrego nos braços chorou para comer, então vir tirar leite das cabras para fazer mingau para dar a ela. O cangaceiro disse: – Pois, então rodei e apague o fogo, que lá nos potes tem água. Ela falou: – Tem mesmo, porque quem botou não foram vocês, fomos nós que botamos água nos potes. Minha mãe entrou e apagaram o fogo. Corisco disse: –Viemos porque o meu chefe mandou e se encontrasse seu marido era para arrancar o caco da cabeça dele e levarmos como prova que ele estivesse morto. Ela disse: – Pois não vai arrancar porque ele não correu e nem está aqui, está viajando. Então eles se despediram e voltaram para o arraial João Vieira.

Informações obtidas no Blog Lampião Aceso.

Relacionadas:

Tucano: Último vídeo do projeto “Bora?” resgata as passagens de Lampião e a história de João Abade.

1928: Lampião estava em Tucano quando foi entrevistado para “O Serrinhense”; foi uma das poucas entrevistas dele.

Em 1929 Lampião esteve em Queimadas; conheça essa história do cangaço no sertão Baiano.

Hoje na História: Lampião, morre numa emboscada na fazenda de Angicos, sertão de Sergipe.

Somando 120 anos bem vividos, Dona Eurides diz que chegou a conhecer Lampião e Maria Bonita.

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VOLANTES E FACÕES

Cabo Leonídio e a cabeça de Manoel Moreno 

Como combater os cangaceiros, gente nascida nas caatingas, acostumados a seus caminhos espinhentos, corpo e alma construídos de carências? Felipe Borges comandante do batalhão especial de repressão ao banditismo, concluiu que com soldados trazidos da capital, e vestidos com bota, perneiras, calças culote, dólman, talabartes e chapéus de massa é que não era. O tenente decide usar o próprio sertanejo, quase parentes dos cangaceiros, na busca de informações e combates.
 cel. Felipe Borges de Castro da PM baiana

É tempo de convocações, algumas forçadas, dos conhecedores das trilhas sertanejas. As volantes agora tem os mesmos adereços e equipamentos dos cangaceiros. A caatinga agora fica confusa: não se distingue mais amigo de perdição. E essa mesma indistinção é usada como estratégia de luta.

O cabo Leonídio, conhecido por sua habilidade de encontrar rastros em qualquer tipo de terreno e de, sobretudo, saber diferenciar um rastro de outro, foi convidado a integrar a força pelo seu talento ímpar.

Tal habilidade é puro aprendizado de artimanhas; segue-se o rastro na busca maluca pelo que se poderia chamar de o não rastro, isto é, a observação de uma folha verde no chão, (folha verde não cai, só se alguém mexeu no galho) Uma pedra fora do lugar, (a noite o orvalho lava a pedra e se ela sai do lugar logo se nota a marca dela no chão, a areia em volta, marcada pelo sereno), Chão varrido, (alguém passou, deixou marca e depois tentou apagar varrendo o chão com folhas), pedaços pequenos de roupa nos espinhos e lixo, restos de papel, palha de cigarro, restos de fumo picado que caiu da mão, coisas dificultosas para para os olhos urbanos, menos competentes.

O cabo Leonídio tinha aprendido estas coisas cuidando do gado alheio, desde criança acostumada a correr com boi bravo nos espinhos. E foi promovido a cabo por merecimento. É calado, sisudo e tem um olho torto que olha de lado.
 O cabo Leonídio trabalhou com Zé Rufino,
mas passou a maior parte do tempo sob as ordens de Odilon Flor
e a este fez um grande favor: Cortar as cabeças dos cangaceiros mortos.
- Era dia de são João, às nove horas da noite. Nós demos um combate na fazenda Gararu, em Sergipe. Chovia bala, depois silêncio. Os bandidos tinham ido embora. Procuramos pelos cantos para ver se tinha ferido. O combate tinha sido tão cerrado que não tinha dado tempo de ninguém sair carregando baleado. Encontramos três cangaceiros mortos: Manoel Moreno, a mulher dele Áurea e Gorgulho. Quando foi de manhã, o sargento Odilon juntou a tropa e disse:
- Vamos cortar as cabeças dos defuntos.
Mas ninguém quis ir. Não quiseram ir porque, você já sabe, cortar o pescoço de uma pessoa é preciso que a pessoa também tenha a cara dura, porque se na for, não corta não.
Então ele virou-se para mim e disse: nego, vem cá, apanha aqui este facão e vá onde ta os cangaceiros, corte a cabeça e traga. Então eu fui e respondi pra ele: sargento, o senhor já mandou todo mundo; nenhum quis ir, só eu é que posso cortar? O senhor podia ir, porque o senhor tem mais costume do que eu. Ele então disse: eu quero é que você corte.
Aí eu apanhei o facão e fui. Quando eu peguei no cabelo do cabra, balancei, fechei a cara pro lado assim e sentei o facão, pá-pá, cortei, e joguei pra lá; peguei a mulher, cortei a cabeça da mulher. Peguei no outro cabra, cortei também a cabeça. Peguei todos os três, levei: Pronto, chefe, ta aqui.
 Manoel Moreno

As cabeças cortadas pelo cabo Leonídio.
Depois de uns dias, eu senti assim um remorso. De vez em quando, à noite quando eu dormia, sonhando com Manoel Moreno, um pouco assim de nervoso comigo, e coisa. E ele me apareceu um dia, me pegou dormindo. Pela abertura da rede e veio com um punhal em cima de mim; eu então pelejei, não pude fazer nada, gritei: cabra mata o homem, cabra, me dá as armas, cabra, até que dentro do quarto ( eu estava deitado perto da rede de uma criança, meu filho que hoje está em são Paulo), então eu tranquei os pés, a mulher levantou-se, tirou o menino da rede e ficou de lado quando eu ajuntei, pensando que o cabra estava me sangrando.
Levei a rede de uma vez só, agarrei-me nela, pensando que fosse o bandido, levei uma pancada na cabeça, (bati com a cabeça na parede) aí foi que me acordei, cansado, sufocado, sem fôlego, com o aperto que o cabra me deu. Bom, aí eu fiquei, coisa e tal e disse ao sargento Odilon: sargento, eu to me me vendo aperreado com Manoel moreno. Ele então disse: Você vai comigo daqui uns dias na casa de Pedrinho. Então eu fui. Cheguei lá, o Pedrinho fez lá um remédio pra mim e perguntou como era. Eu disse então os sintomas e depois de uns dias foi desaparecendo. Odilon me ensinou um defumador, umas coisas que o Pedrinho ensinou a ele e mandou eu tomar este defumador e com isto desapareceu. Não vieram mais me aperrear.
 Depois da noite na rede a alma de Manoel Moreno tornou a aparecer; e aparecia com os braços estendidos, as mão para cima, pedindo:
Leonídio, cadê minha cabeça que você cortou?

Referencial teórico: Soares, Paulo. Gil. Vida paixão e mortes de Corisco, o Diabo Louro.

Trancrito pelo confrade Ronnyeri Batista síndico da comunidade do Orkut Cangaço, Discussão Técnica


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AUGUSTO SANTA CRUZ

Um Cangaceiro doutor
Por: Pedro Nunes Filho
Pedro Nunes Filho
Um dia, Antônio Silvino, vendo sua fama declinar, queixou-se enciumado: ”De uns tempos desses para cá, só se quer saber de cangaceiro-doutor!”

Referia-se ao Dr. Augusto de Santa Cruz Oliveira, graduado pela Faculdade de Direito do Recife, em 1895. Moço, esquentado e imbuído dos ideais libertários da Casa de Tobias, foi nomeado promotor público em Alagoa do Monteiro, sua terra natal. Naquele tempo, existia a politicagem togada. Juízes e promotores podiam envolver-se em política e até disputar eleições majoritárias. Numa dessas disputas calorosas, Augusto se indispõe com seu opositor, juiz José Neves, de quem descende a clã dos Neves, que até hoje matém tradição de honradez e dignidade na vida privada e no mundo jurídico do Recife. 
Fonte: Tok de historia "Rostand"
Augusto (foto a esquerda) não demora também a discordar da oligarquia que dominava a Paraíba do Norte, rompendo com o presidente da província, João Lopes Machado. Sentindo-se com suas prerrogativas políticas abolidas e com o direito de defesa cerceado, recruta 120 cabras dos porões do cangaço e, no dia 6 de maio de 1911, invade a cidade de Monteiro, quebra a cadeia pública, solta um protegido seu e os demais presos que se incorporam ao grupo armado. Em seguida, encarcera o destacamento de polícia local, pego de surpresa ainda dormindo, numa madrugada-manhã invernosa e fria. 

Depois, os revoltosos avançam contra a cidade, vencem a resistência armada que lhe fizeram as autoridades auxiliadas por alguns cidadãos desafetos do chefe. No final da tarde, a cidade resta dominada e presos o prefeito Pedro Bezerra, o promotor público José Inojosa Varejão, capitão Albino, major Basílio e capitão Victor Antunes, pai do ilustre professor internacionalista da Faculdade de Direito do Recife, Mário Pessoa. No tiroteio, morreram algumas pessoas e, em pavorosa, a população da cidade evade-se, deixando suas casas comerciais e residências abandonadas.Sem condições de resgatar os reféns, o governador João Machado pede ajuda ao governador de Pernambuco, Herculano Bandeira.

Corria o ano de 1911 e confrontavam-se em acirrada disputa pelo governo de Pernambuco, o prestigiado político, comendador Rosa e Silva, e o general Dantas Barreto, herói da Guerra do Paraguai. Em sua mocidade, antes de ir para a guerra, Dantas Barreto havia morado em Monteiro, onde exercia a profissão de relojoeiro e fez amizade com a família Santa Cruz. Por esta razão, o general resolve dar apoio ao bacharel revoltoso. Temendo que durante a disputa política Dantas Barreto pudesse se socorrer do braço armado das hostes guerreiras do paraibano rebelado, o governador de Pernambuco, que era rosista, autorizou um batalhão de 240 praças e 10 oficiais, sob o comando do Major Alfredo Duarte, invadir a Paraíba, munidos de 40 mil cartuchos mauser para guerrear o bacharel-cangaceiro, como o chamavam seus inimigos.

Ao contingente de Pernambuco, somaram-se 120 homens da polícia paraibana. No dia 27 de maio de 1911, um século atrás, atacam a Fazenda Areal, onde o bacharel estava aquartelado e mantinha os reféns prisioneiros. O combate dura uma manhã inteira. Não conseguindo resistir, Dr. Augusto bate em retirada e vai se refugiar no Juazeiro, levando consigo os prisioneiros. Ao longo da fatigante trajetória de muitos dias, vai libertando os reféns um por um, pois não ficaria bem chegar com prisioneiros no reduto sagrado. Na condição de perseguido político, entra no Juazeiro e é recebido pelo padre Cícero que o acolhe, desarma seus homens e arranja-lhes trabalho digno. Naquele mês de junho, o Juazeiro estava em pé de guerra com o Crato, lutando por sua independência e o padre precisava mostrar-se forte.
Homens do Cangaceiro Doutor
O patriarca tenta pacificar a Paraíba e não consegue. O conflito se estende até o ano seguinte e é chamado Guerra de 12. Frustrada em seu intento de resgatar os reféns, antes de deixar o palco da luta, a polícia destrói e queima a fazenda Areal e mais algumas propriedades de familiares do bacharel Santa Cruz.Em 1912, o Dr. Augusto retorna à Paraíba e se junta com o médico-fazendeiro Franklin Dantas, pai de João Dantas. Igualmente insatisfeitos com o desprestígio político que suas famílias estavam sofrendo, os dois doutores formam um exército de 500 homens e saem invadindo as principais cidades do sertão paraibano, com o propósito de depor o governador João Machado. Não conseguindo o intento desejado, Augusto refugia-se em Pernambuco, sob a proteção de Dantas Barreto que havia assumido o governo do Estado. Alguns anos depois, é nomeado Juiz de |Direito de Afogados da Ingazeira. Correto, exemplar e temido por sua história de vida, fez justiça e impôs respeito nas comarcas por onde passou. Morreu na comarca de Limoeiro em 1944. Esse fato histórico está minuciosamente descrito no livro Gurreiro Togado, do autor desta coluna.

Pedro Nunes Filho é advogado tributarista e escritor, sendo o livro Guerreiro Togado a sua obra de mais destaque.
Contato: pnunesfilho@yahoo.com.br
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VOLANTES - TENENTE CIRILO

Por Jair Ferraz
Nascimento: 07 de Julho de 1913     
Falecimento:  28 de janeiro de 2001 em: Recife, PE aos 87 anos


Imagem da época do cangaço...


Ten. Cirilo cumprimenta o primo Ten. Davi Jurubeba, que recebera uma medalha da PM Serra Talhada. Ao lado Cel. Moura.
Acervo: Gildete Vilar (A foto não compõe a matéria original)

Fonte da Pesquisa: Depoimento de Familiares; Jornal Folha do Sertão e Informativo 4ª CIPM Petrolândia PE

Pesquei in Blog do Jair Ferraz


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segunda-feira, 22 de julho de 2019

CARNAVAL, O SONHO QUE PASSOU

Francisco de Paula Melo Aguiar

Na Praça Getúlio Vargas
Heraldo Gadelha e Antonio Gomes
Recepcionam o Rei do Baião Luiz Gonzaga
Marcus Odilon e Lero
Recepcionam o Povo da Silva, em 1976.
Depois dos Gomes de Melo, 1890
Dos Ferraz, Ferreira, Carvalho, Silveira,
Veloso Borges, Ribeiro Coutinho,
Teixeira, Morais e Maroja
Dos Anzóis do sapato de pobre
É tamanco, da lira vencedora, dos piratas
E do comercial, Santa Cruz e Guarany
Do Cruz Maltino, CTP, Onze,
E de etcétera e tal, o raio que os partam,
Haja troça, papangu e xirumba com força
Animação coletiva ou individual
Sem divisão das classes sociais do local
Bloco de sujo de rico ou de pobre
Lança perfume, alegria do nosso carnaval.

Aqui tinha o Rei de tudo,
Das peladas de futebol
Das jornadas das lapinhas
Do cordão azul e encarnado
Do pastoril e do circo de Querenca

Das mulheres de vida livre
Da rua do cantinho, do melão e da viração
Do pobre querendo ser rico
Do velhaco...
Do botador de chifre...
Do cachaceiro...
Do capanga valentão...
Do cachorro sem lenço ou documento...
Rei e rainha do bem e do mal.

Vestimenta de improviso...
Fantasia de arrancar zombaria, riso
O povo era feliz e não sabia
Misto de riqueza e pobreza
Algazarra, pó e serpentina
Liderança política e alegria
Matinês no Santa e Tênis Clube
Festa da meninada no carnaval.

O bloco do rei da viração Geraldo Jibóia,
Sem manha, sem luxo, do lixo,
Não importa se Rei ou não,
Aqui tudo e todos eram iguais
Em todos carnavais!...

Do Coreto ou “Pires” da João Pessoa
A Tribuna meia lua da Getúlio Vargas
Na frente do Avenida, Quartel general da folia
Carnaval transmitido por seu Tatá, ta?

Pelas ondas da Rádio Sociedade de Santa Rita.
Ao vivo e a cores desfilam os blocos
Sujos, granfinos, ricos e pobres
Cheirosos e fedorentos, haja pó...
Femininos, masculinos e afeminados
O povo caía na gandaia, em delírio...
Tamanha era a satisfação popular
Alegria de todos no carnaval local.

Lá vem, dona Isabel Bandeira
Vestida de rainha, montada em seu cavalo
Com apito na boca provocando o povo
Tamanha era a alegria e gritaria ...
Lá vem “Vassoura”, mulher de corno
É vocês filhos da puta...filha de rapariga
O palavrão era maior do que alegria popular
Tudo tinha a cara de nosso povo.

Nosso povo brincava como menino
Xirumba, fantasia masculina e feminina
Índio, pirata, capitão do mato, veado...
Palhaço, mambembe e brincalhão
Era todos, Zé ou João de tal.
Povo da Silva!

O povo era feliz e não sabia
O tempo passou, a CTP fechou
Assim como a Santana e Santa Rita
Todos os engenhos de fogo morto

Sobra bóia fria por falta de eito e cambão
Para espanto de todos e com razão
A gula da politicagem local...
Sem aviso prévio nosso carnaval levou
Cabe assim as novas gerações
Trocar a fantasia de Arlequim, Colombina e Pierrô,
Principais figuras do carnaval
Pelo terno, gravata e anel de doutor.

Atualmente o nosso carnaval
Não tem rei, nem rainha
Nem folia, entrudo, urso, índio,etc
Marujo, mulher vestida de homem
Homem vestido de mulher boxuda
Liderança política misturada com o povo
Falta tudo, inclusive doutor.

Uma coisa é certa todos os anos
Em vez da alegria popular,
O povo desfila, sozinho e de cabeça baixa,
O bloco da dor e dos esquecidos...
Na quarta feira ingrata ou de cinzas
Lastimando da vida, povo sem sorte e sina
Carnaval, o sonho que passou.

Enviado pelo autor

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JARARACA O CANGACEIRO ENTERRADO VIVO QUE VIROU MILAGREIRO EM MOSSORÓ

Por: Everton Dantas

Conheça a história de José Leite Santana integrante do bando de Lampião que renasceu no imaginário popular como santo capaz até de fazer uma pessoa ganhar na loteria.


Em 19 de julho de 1927, numa noite clara, José Leite Santana, na época com 26 anos, foi retirado de uma cela onde estava preso na cidade de Mossoró. A informação que lhe deram foi que ele seria transferido para Natal, onde receberia cuidados médicos: ele havia sido baleado próximo ao pescoço e na perna.

No caminho, coincidentemente, o veículo quebrou em frente ao cemitério São Sebastião. José então foi conduzido por soldados armados até uma cova aberta. Lá, foi baleado e jogado no buraco.

Em algumas versões dessa história, teria sido enterrado vivo. Em outras, antes de morrer, fez questão de afirmar que era “um dos homens mais corajosos que já havia pisado no…”. A frase jamais foi terminada, pontuada por um tiro na cabeça ou uma coronhada.

Há ainda outras versões nas quais ele próprio teria cavado sua cova e que além dele também pensaram em matar o coveiro, que viu tudo.

De um modo ou de outro, todas as histórias têm em comum o relato da crueldade com a qual foi morto. E isso acabou semeando sua história num terreno ocupado por poucos, o dos milagreiros nordestinos.


 Imagem da prisão de Jararaca, feita em 1927.  -  Foto: Reprodução/J. Otávio

Mas isso não seria possível se José fosse só mais um, sem carinho ou discurso. José floresceu santo na morte porque em vida foi um dos cangaceiros mais temidos de Lampião, o Jararaca, preso durante a tentativa do bando de invadir Mossoró, em 1927.

Há relatos de que ele foi baleado quando tentava despojar outro cangaceiro, Colchete, esse sim morto durante o conflito. Depois de ter sido ferido, foi capturado e ficou para trás após o grupo de cangaceiros ser derrotado pelos moradores de Mossoró.

A forma cruel como foi morto e sua coragem diante da cova aberta – esse relato – ganhou credibilidade graças a uma entrevista dada por um dos policiais que participou do assassinato. Diante da valentia do cangaceiro, a ação policial acabou sendo tachada de covarde.

Com o tempo, a tradição oral e a imprensa escrita espalharam os feitos de sua vida e o relato de sua morte. Quando esse efeito encontrou-se com o das orações feitas por sua alma, erigiu-se o culto.

Em 1976 túmulo de Jararaca já era o mais procurado


Há muitos anos, seu túmulo, destaque no cemitério de São Sebastião, é o mais visitado. O registro mais antigo dessas visitações encontrado no acervo do extinto jornal Diário de Natal é do dia 5 de novembro de 1976. Foi feito numa reportagem sobre o Dia de Finados em Mossoró, com o título “Muita gente foi rezar no túmulo do cangaceiro”.

No texto é relatado que das cerca de 20 mil pessoas que foram ao cemitério São Sebastião, milhares visitaram o túmulo do cangaceiro. E que “de alguns anos pra cá” a popularidade da sepultura teria crescido “depois das primeiras manifestações tidas como milagreiras”.

Nos dias atuais, nos dias de Finados, são tantas pessoas orando, pagando promessa e pedindo graças que o local se tornou ponto obrigatório para qualquer jornalista que trabalhe no dia dos mortos.

Há relatos de que algumas vezes foram tantas velas colocadas acesas que o Corpo de Bombeiros precisou ser chamado.

Literalmente, Jararaca ainda arde em Mossoró.

Cangaceiro apareceu em sonho e disse os números da loteria
As pessoas que passam por lá trazem suas histórias de graças atendidas para si ou para outras pessoas. Há inclusive histórias de riqueza obtida.

Uma delas foi contada à pesquisadora Eliane Tânia Freitas, doutora em Antropologia pela UFRJ. Ela é autora da tese “Como nasce um santo no cemitério: Morte, memória e história no Nordeste do Brasil” e, em 2000, entrevistou aos pés do túmulo do cangaceiro uma mulher de 46 anos identificada como Terezinha de Jesus.

De acordo com o relato dela, Jararaca lhe apareceu num sonho. “Eu pedi um teto a ele, que eu não tinha. Morava em casa alugada há muitos anos. E ele foi e me mostrou assim um letreiro de luz. ‘Tá aqui! Agora, você não diga a ninguém’. Ele atirava assim com o revólver, aí eu via numa pedra os números da loteria”, contou.

Ao acordar, ela anotou os números, jogou e ganhou. “Deu pra mim comprar um carro, uma casa boa. (….) Ele é bem moreno. Fiquei em choque, porque eu queria falar, mas não podia, só podia escutar”, contou, há 18 anos.

Pescado em Op9



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HEROÍNAS DO RIO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de julho de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.148
LAVADEIRA. (FOTO: CORONEL EZEQUIEL BLOG.).
Antes da água encanada do São Francisco, década de 60, não era fácil a vida das lavadeiras profissionais em Santana do Ipanema. Lembramo-nos das que atuavam no trecho das três olarias do rio que corta a cidade. A passagem pelo rio, da antiga rodagem que ia de Santana a Olho d’Água das Flores, chamava-se Minuíno, palavra que arrancou muitos cabelos em busca de um significado, sem êxito. Pois era ali no tal Minuíno que as lavadeiras ganhavam a vida na profissão. Escavavam no leito seco do rio Ipanema com uma cuia ou outra vasilha e logo a água assoberbava na cacimba rodeada de areia grossa. Faziam um jirau com varas esqueléticas e cobriam-no com palha de coqueiro ouricuri e panos velhos. Debaixo daquela fragilidade contra o Sol de mais de trinta graus, lavavam-se roupas da classe mais aquinhoada da sociedade.
Sempre se encontravam lavadeiras com trouxas de panos à cabeça descendo às ruas em direção ao Panema. Raras dessas senhoras também engomavam. Se se fazia uma coisa, não se fazia outra. Havia uma diferença profissional em que a engomadeira estava em patamar mais elevado, embora ambas fossem subalternas.
A apreciação romântica no saudosismo poético visto por alguns escritores, não existia nas lavadeiras do selvagem e rude rio Ipanema. Havia a dura labuta, sem cânticos, sem afeto, sem porvir, daquelas fêmeas rijas e batalhadoras para levar o pão à mesa. Mulheres do Ipanema, companheiras inseparáveis do tempo, filhas da favela e do alastrado.
Após luta feroz, o advento da água encanada, foi aos poucos extinguindo as profissionais lavadeiras e os botadores d’água em jumentos (mais de cem), em Santana do Ipanema. Assim também, a ponte sobre o rio – década de 60 – afastou banhistas e lazer do mais famoso e aprazível Poço dos Homens, no mesmo rio Panema.
Tempos depois surgiram algumas lavanderias que abriam e fechavam às postas, como até os dias atuais.
Vou historiando à minha terra na hora de botar roupa na máquina de lavar. Também virei moderna lavadeira... Ou lavadeiro? Sei apenas, compadre, que a roupa sai cheirosinha e chega à memória um preito de gratidão e carinho às antigas lavadeiras, heroínas anônimas do meu amado rio Ipanema. Saudade... .



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E-MAIL ENVIADO PARA MIM POR MOEMA COVELLO ARAÚJO NETA DO FAMOSO CANGACEIRO LUIZ PADRE.

Por José Mendes Pereira
Filhos do cangaceiro Luiz Padre: Da esquerda para a direita: Vilar, Wilson e Hagahus;

Este foi um e-mail enviado para mim por Moema Covello Araújo neta do famoso cangaceiro Luiz Padre, primo legítimo do mais famoso ainda o cangaceiro Sinhô Pereira. 

Sinhô Pereira e Luiz Padre

Ele foi o primeiro e único patrão de Lampião como fora da lei.

Segue abaixo:

Amigo José Mendes Pereira, no dia 17/de janeiro de 2017, faleceu em Palmas/TO, meu tio Vilar Araújo e Póvoa, irmão do meu pai Hagahus e terceiro filho do casal Luis Padre e Amélia Póvoa.

Noema Covello neta de Luiz Padre. - Foto do acervo do pesquisador do cangaço Sousa Neto

O sepultamento ocorreu na cidade em que morava: Dianopolis/TO, dia 18/01/2017.
Abraço
Moema Araújo

Sousa Neto e Hagahus. Sousa Neto lá da cidade de Barro no Ceará é quem mais tem contato com os familiares de Luiz Padre

Leitor e pesquisador que tiver interesse de manter contato com Moema Covello neta do cangaceiro Luiz Padre aqui está o seu e-mail: moema.covello@bol.com.br

Ela me falou em outro e-mail que é um prazer conversar com quem tem interesse de saber algo sobre o cangaceiro seu avô Luis Padre e Sinhô Pereira.

Se você quiser ler um pouco sobre Sinhô Pereira e Luiz Padre escrito por Manoel Severo Barbosa clique aqui: 


São excelentes informações sobre os dois primos cangaceiros.


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