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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

OS MORTOS NO FOGO DA MARANDUBA

Por Aderbal Nogueira
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Esse é considerado pelos pesquisadores/escritores o segundo maior combate entre Lampião e a Força Pública.

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TRÊS CADEIRAS.

 Por Rangel Alves da Costa

 Um dia, caminhando ao vento pelos sertões de Poço de Cima, eis que de repente avistei três cadeiras na calçada de uma casinha. Porta e janela fechadas, curral sem mugido ou presença alguma, apenas o silêncio moldurando aquela singela e bucólica vida matuta tão minha. 

Fui me aproximando cada vez mais e imaginando o porquê daquelas três cadeiras ali colocadas, como se três pessoas ali estiveram conversando ou mesmo esperando a chegada de visitantes. Mas como, se a porta e a janela estavam fechadas e não havia nem sinal de presença de qualquer morador? 

Abaixei o olhar pensativo, mas no instante seguinte, ao olhar novamente adiante, então me vi diante de presenças imaginárias. Disse a mim mesmo que aqueles assentos estavam ocupados por pessoas da terra, por sertanejos que ali passaram e fizeram história, por conterrâneos de um passado de recordações. 

Um velho vaqueiro bebendo da água de seu cantil, um caçador remexendo na fundura de seu aió, uma senhora debulhando feijão de corda num cesto espalhado no colo, um mateiro se preparando para as andanças em meio à caatinga, uma velha senhora passando seu rosário de contas pelos dedos e orando por tudo e por todos. Vi um cangaceiro contando as balas na cartucheira, vi um menino em pé na cadeira e atirando com sua peteca baleadeira. Quase me acerta. 

E vi tudo se esvaindo como névoa em meu olhar, e depois apenas as três cadeiras vazias. Segui até lá e me assentei numa delas. Depois chamei meu pai Alcino e meu avô Ermerindo para conversar. Suas vozes e suas lições ainda estão comigo. Suas presenças ainda levo comigo...

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A MORTE DOS CANGACEIROS MANÉ MORENO, SUA COMPANHEIRA ÁUREA E CRAVO ROXO

 Por Dr. Archimedes Marques

O grupo chefiado por Mané Moreno estava arranchado há três dias na fazenda Jaramataia, em Gararu, propriedade essa pertencente a Antônio Caixeiro, o maior coiteiro de Lampião em Sergipe. Nessa ocasião Antônio Caixeiro ali não estava presente, entretanto, os seus empregados tinham ordem expressa para receber os cangaceiros quando eles bem lhes conviessem, tanto é que a Jaramataia também era um dos portos seguros desses bandoleiros, além de outras tantas fazendas de um lado ou doutro lado do “Velho Chico”, então pertencentes a esse tão importante coiteiro. Assim, provavelmente por conta de informações de moradores circunvizinhos, Odilon Flor ali foi parar no encalço e rastro dos cangaceiros, oportunidade em que os mesmos já tinham “capado o gato”, ou seja, já tinham saído de Jaramataia. Diferente dos policiais sergipanos que não se atreviam a “apertar” os empregados de Antônio Caixeiro em virtude de ele ser o pai do governador Eronides Ferreira de Carvalho, logo, Odilon Flor “pressionou” um vaqueiro e este “vomitou” o trajeto tomado pelos cangaceiros que pararam na casa de Janjão, em Poço da Volta. Neste sentido o mestre Alcino Alves Costa nos ensina que o nome do vaqueiro que delatou a rota dos cangaceiros foi o Pedro Miguel. Tudo ocorreu da seguinte maneira:

Era a tarde do dia 23 de junho de 1937, véspera de São João, e na fazenda vizinha, a Palestina, de propriedade de Nezinho Meia Lasca, fazenda essa situada à beira do rio Gararu, logo mais a noite haveria uma festança em homenagem ao santo mais comemorado do mês junino, entre nós, os nordestinos. Nezinho, além de ser um violeiro famoso era festeiro e assim o São João nas suas terras seria de primeira grandeza e o “arrasta-pé” prometia “pegar o sol com a mão”, ou seja, dança e muita animação até o raiar do dia.

A enorme fogueira acesa no meio do terreiro servia ao mesmo tempo para iluminar a para aquecer, pois o frio era intenso. O sanfoneiro não parava o fole, acompanhado de viola, surdo e pandeiro, um bom “Trio Pé de Serra”. Muita bebida, muitas jovens da redondeza e solteironas atiradas, foguetório, bombas, busca-pés. Mané Moreno dançava no alpendre da casa com a sua companheira Áurea.

Era por volta das nove horas da noite quando Odilon Flor guiado pelo exímio rastejador, o cabo Leonídio que também prestava serviços a tropa de Zé Rufino, ali chegou com os seus outros comandados que não se preocupavam em fazer silencio, vez que tudo era abafado pelo calor da festa, ademais a força policial estava em extrema vantagem, pois se encontrava na escuridão da noite enquanto os cangaceiros estavam no clareado da fogueira, alvos fáceis, além dos candeeiros postados na casa sede da fazenda, sem esquecer do fator surpresa, muito importante em qualquer combate, enfim, tudo estava a favor do bravo Odilon Flor naquela bela noite de São João. Assim, todos os policiais se postaram para o ataque surpresa, imprevisto para os animados festejadores, alvos bem visíveis. Alguns escolheram os seus alvos e com a ordem do comandante Odilon Flor “mandaram bala”, tiro que “só o diabo” e “pernas para que te quero” após o pandemônio da nova situação que quase não deu tempo de reação, apenas alguns tiros em revide contra o clarão que vinha da escuridão, enfim, o melhor era fugir e foi isso que o restante do bando fez, principalmente quando viram que o seu chefe já “alçava voo para se entender com São Pedro em pleno São João”, ou seja, o Mané Moreno havia sido atingido mortalmente. E o resultado desse tiroteio foi que ficaram estendidos sem vida cinco cadáveres: três cangaceiros e um casal de convidados que ali se divertia.

Mané Moreno e Áurea foram de logo reconhecidos. Quanto ao outro morto pensaram ser o Gorgulho. Depois o identificaram como sendo o Cravo Roxo. Além dos visitantes mortos, havia muita gente ferida, inclusive Nezinho Meia Lasca, dono da casa. Da força de Odilon Flor ficou ferido sem gravidade o soldado Luís Manoel Santos.

Dia seguinte o sargento Odilon Flor apresentou os seus “troféus”, as cabeças dos cangaceiros abatidos, na cidade de Gararu, onde foram fotografadas e de lá seguiu para Jeremoabo, na Bahia, onde esperava a devida promoção por bravura à patente de tenente.

Entretanto, ao invés de Odilon Flor ser promovido, fora severamente repreendido pelo capitão Manoel Campos de Menezes, comandante das F.O.N.E. (Forças em Operações no Nordeste) situada em território baiano. Odilon Flor fora repreendido por conta de interferência política do Estado de Sergipe com a Bahia, vez que além dos cangaceiros abatidos, sua tropa matara um casal de inocentes e ferira tantos outros que não tinham nada a ver com a bandidagem, apenas estavam em local errado, no horário errado, no dia errado, tão comum naquela época em que os cangaceiros intimavam as pessoas para as suas festas que se não fossem atendidos correriam risco de vingança. Vale ressaltar que o capitão Manoel Campos de Menezes nesse mesmo ano veio a falecer, aos 33 anos de idade, vítima de meningite que assolou aquela região baiana.

Aracaju, 03 de novembro de 2020

Archimedes Marques

Pesquisador

Presidente da ABLAC

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91 ANOS DE LAMPIÃO NA CIDADE DE CAPELA

 Por Antônio Corrêa Sobrinho

Capela, sim, ela, a outrora “Princesa dos Tabuleiros”, burgo da zona da mata sergipana, da região canavieira, que na noite de 25 de novembro, uma segunda-feira,

do já afastado 1929, foi "visitada" por Lampião, Volta Seca, Corisco, Zé Baiano e outros célebres cangaceiros. Capela, sim, ela, que recebeu o Capitão (patente esta, é de se lembrar, de ordem do Padre Cícero Romão), desta vez resignada, passiva, o que fez bem; cidade que neste instante avisto de um ângulo da estrada, que me faz parar, admirar, fotografar.

Capela que não esquece o golaço que a história do cangaço nela marcou: a presença no seu interior do maioral dos bandoleiros, o genuíno rei do cangaço, filho do vale do Pajeú, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. 

Ele que, chegado da vizinha Nossa Senhora das Dores, que um dia se chamou Enforcados, porque ali índios no passado era assim sacrificados, na Capela adentrou, esteve em paz e com o povo conversou, sempre acompanhado das autoridades locais, do intendente Antão Corrêa, do telegrafista Zozimo Lima, tendo arrecadado contos de réis, comprado, ganhado presentes, até filme no Cinema assistiu e com a livre Enedina ficou.

91 ANOS DE LAMPIÃO NA CAPELA

Merece mais do que esta minha simples recordação.

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OS FLÔR DE NAZARÉ

Por Manoel Severo

No Rastro de Lampião nos Grandes Encontros Cariri Cangaço, nesta sexta !!! A atual Nazaré do Pico, já foi Carqueja, que já foi Nazaré. A vila que nasceu da antiga fazenda Algodões, foi o resultado de um sonho do filho do professor Domingos Soriano Ferraz, "Manu" ; que via nascer naquele lugar uma vila. Dali até a realização do sonho foi rápido. Ao sonho se uniram outros jovens e entre esses, os filhos de João Flor, era agosto de 1917 quando foi inaugurada a primeira feira de Nazaré. Depois dos primeiros embates entre os "filhos de Zé Ferreira" com Zé Saturnino, a família mudou para os arredores de Nazaré, já estamos em 1919 e a fazenda Poço do Nêgo era a nova morada do futuro rei do cangaço. Dali para frente o conflito entre Virgulino e seus irmãos com o povo de Nazaré só aumentaria e viria a se tornar uma verdadeira saga, envolvendo mais de 100 integrantes do afamado vilarejo que entraram na luta contra o cangaço.

Neste primeiro programa Ao Vivo dos Grandes Encontros Cariri Cangaço sobre a Vila mais famosa do cangaço: Nazaré do Pico, Manoel Severo; curador do Cariri Cangaço; recebe tres descendentes destes valorosos e encardidos nazarenos: Fabiano Ferraz, Euclides Neto e Odilon Nogueira; netos respectivamente dos comandantes nazarenos: Manoel, Euclides e Odilon Flor; para nos trazer o primeiro capítulo desta saga, é nesta sexta, dia 06 de novembro as 20horas, até lá !!!

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SILA E DANIEL LINS.

 Aderbal Nogueira - Cangaço

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Acho engraçado quando alguns dizem "viraram estrelas, viviam dando entrevistas" Graças a essas entrevistas "cara palida" hoje sabemos um pouco do Cangaço, como ele realmente era, ou será que se nenhum deles Sila, Dadá, Durvinha, Aristeia, Adilia, Candeeiro, Saracura, Labareda etc "etc tivessem dado entrevistas você com sua bola de cristal ia saber o que aconteceu realmente naquele tempo? Tá na hora de muita gente mudar seus conceitos. Mais um depoimento lúcido e importante de Sila

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Sila fala sobre a amiga Dulce, da difícil vida nos matos e também sobre sua relação com a imprensa.

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VISITANDO O BAIRRO NOVO

 Clerisvaldo B. Chagas, 4 de novembro de 2020

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.412


Deixei a baixada da margem do Ipanema e fui visitar o Monte Verde, aqui em Santana do Ipanema. Uma área de terras entre o Bairro São Vicente e a Lagoa do Junco, cortada pela estrada rumo ao povoado São Félix. Terrenos muito acidentados, mesmo assim o homem foi mexendo na engenharia e teve início o povoamento da área formando o complexo da justiça, onde se encontram fórum, OAB, promotoria, etc. Depois disso, inúmeros prédios foram construídos povoando aquele vazio, tantos nos lugares baixos quanto nos altos e nos planos. Formou-se um bairro novo onde foi instalado o hotel de luxo Privillege. Casas e ruas por todos os setores divididas em conjuntos mais modestos e belas mansões modernas. O lugar tornou-se promissor.

Parte é chamada Brisa da Serra e parte chamada Monte Verde que também possui um amplo condomínio. Paisagens não faltam em todos os lados. De um ponto avista-se o Bairro Lajeiro Grande, muito distante. De outro ponto avista-se a Br-316, inclusive, UNEAL. De um terceiro ponto contempla-se toda a pujança do Açude do Bode, belíssimo com sua vazante em forma de bosque amarelo fechado de craibeira, cenário de tirar o fôlego. Quem deixou a terrinha a mais de cinco anos atrás, ficaria até desconcertado em visitar a complexidade benfazeja que marcha com o progresso daquela região, saída para a capital. E se ideias particulares forem em frente, em breve a imensidão vazia entre esse bairro novo e o sítio Barroso, em linha reta (muita longe ainda) estará ocupada das mais diferentes formas.

Vale salientar que, por hora, encontramos apenas dois ótimos mercadões na parte alta, porém, já foi dito sobre o prolongamento do Comércio central de Santana que subiu o bairro Monumento e se alonga atualmente até a UNEAL e mesmo ao Batalhão de Polícia no final do perímetro urbano via-Maceió, Portanto, aos pés do novo bairro: E como estou com interesse em Mestrado na Geografia, o lugar oferece belas teorias à serem apresentadas em planos acadêmicos.

E para conhecer essas maravilhas, o santanense não pode ficar apenas de casa para o centro e do centro para casa. É preciso conhecer uma cidade que nasce, cresce e pulsa dentro da outra.

Lembram de Lulu Félix: “Você não viaja...”.

HOTEL PRIVILLEGE (FOTO; DIVULGAÇÃO).

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UM ENCONTRO MEMORÁVEL COM AMAURY E FREDERICO...

 Por João de Sousa Lima


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PARA SEU ARQUIVO "UNIVERSO" - ESTUDO DE BRASILEIRO RECALCULA O TAMANHO DO SOL COM MAIS PRECISÃO

 O "astro rei" tem 696.342 quilômetros de raio. Medição foi feita com ajuda da órbita de Mercúrio. Tadeu MeniconiDo G1, em São Paulo

Um estudo publicado nesta semana chegou ao cálculo mais preciso já feito do tamanho do Sol. O "astro rei" tem 696.342 quilômetros de raio – com margem de erro de 65 km. A precisão é dez vezes maior que as disponíveis até então.

Como comparação de tamanho, a Terra tem 6.371 km em seu raio médio.

O cálculo foi feito a partir do chamado “trânsito de Mercúrio”, que acontece quando o planeta fica no caminho entre o Sol e a Terra. A pesquisa foi feita na Universidade do Havaí, nos EUA, com a participação do astrônomo brasileiro Marcelo Emílio, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).

Trânsito de Mercúrio (Foto: Nasa)

“Se pudéssemos chegar perto de Mercúrio suficiente veríamos ele [Mercúrio] cobrir todo o Sol, pois eles estariam quase alinhados”, explicou Emílio. “Chamamos de trânsito, pois o tamanho angular de Mercúrio não é suficiente para cobrir todo o Sol. Se assim fosse, chamaríamos de eclipse”, comparou.

saiba mais

Imagens de sonda da Nasa trazem detalhes do relevo de Mercúrio

Maior tempestade solar em cinco anos atinge a Terra

A trajetória de Mercúrio ajuda a observar o Sol porque estes dados já eram conhecidos com precisão pelos cientistas. Assim, com o tempo que o planeta leva para ir de uma extremidade à outra do Sol – de acordo com o ponto de vista da Terra – permite calcular esta distância, ou seja, o tamanho do Sol.

O cálculo se baseou em dados do trânsito de Mercúrio ocorrido em 2003 – o evento não é muito comum, acontece 12 ou 13 vezes a cada 100 anos. O resultado demorou a ser obtido porque foi preciso elaborar um programa complexo de computador para processar os dados corretamente.

Os astrônomos contaram com dados obtidos pelos projetos Soho e SDO, da Nasa feitos para estudar o Sol, que observam o astro a partir do espaço.

“A maioria dos valores publicados não leva em conta os erros sistemáticos. Um deles é a atmosfera da Terra. Medidas espaciais permitem um cálculo mais preciso, pois não há a atmosfera da Terra para interferir na medida”, explicou Emílio.

Segundo o astrônomo, medidas mais precisas devem ser obtidas em pouco tempo, a partir do trânsito de Vênus, que acontece em junho.

tópicos: Nasa

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/03/estudo-de-brasileiro-recalcula-o-tamanho-do-sol-com-mais-precisao.html

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JÔ SOARES

José Eugênio Soares, mais conhecido como Jô Soares ou simplesmente Jô (Rio de Janeiro16 de janeiro de 1938), é um humoristaapresentador de televisãoescritordramaturgodiretor teatralator e músico brasileiro. Apresentou de 1988 a 1999 o Jô Soares Onze e Meia no SBT e de 2000 a 2016 o Programa do Jô na Globo.[1]

Biografia

É o único filho do empresário paraibano Orlando Heitor Soares e da dona-de-casa Mercedes Pereira Leal. Pelo lado materno, é bisneto do conselheiro Filipe José Pereira Lealdiplomata e político que, no Brasil Imperial, foi governador do Estado do Espírito Santo. Por parte de seu pai, é sobrinho-bisneto de Francisco Camilo de Holanda, ex-governador da Paraíba.[2]

Jô queria ser diplomata quando criança.[3] Estudou no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, no Colégio São José de Petrópolis e em Lausana, na Suíça, no Lycée Jaccard, com este objetivo. Porém, percebeu que o senso de humor apurado e a criatividade inata apontavam para outra direção.[4]

Carreira

Detentor de um talento versátil, além de atuar, dirigir, escrever roteiros, livros e peças de teatro, Jô Soares também é um apreciador de jazz e chegou a apresentar um programa de rádio na extinta Jornal do Brasil AM, no Rio de Janeiro, além de uma experiência na também extinta Antena 1 Rio de Janeiro.

1967 - Em "Família Trapo", roteirizava ao lado de Carlos Alberto de Nóbrega e atuava como Gordon, o mordomo - TV Record-SP.

1970 - "Faça Humor, Não Faça Guerra" foi primeiro humorístico da TV Globo a contar a com a participação do comediante. O programa em meio à Guerra Fria e ao conflito do Vietnã brincava com o slogan pacifista hippie "Make love, don't make war" (Faça amor, não faça a guerra).

1973 - "Satiricom", novo humorístico da TV Globo, com direção de Augusto César Vanucci, realizava roteiros com Max Nunes e Haroldo Barbosa. A atração satirizava o título do filme homônimo de Federico Fellini - "Satyricon". Na promoção do programa, todavia, diziam que era a "sátira da comunicação" num mundo que tinha virado uma "aldeia global", expressão que esteve na moda depois dos primeiros anos da TV via satélite.

1976 - "Planeta dos Homens", nova sátira com o cinema - desta vez, a série cinematográfica "O Planeta dos Macacos", atuava com roteiros de Haroldo Barbosa.

1981 - "Viva o Gordo", com direção de Walter Lacet e Francisco Milani, foi o primeiro programa solo dele. Tinha roteiros de Armando Costa. Deu origem ao espetáculo do gênero "one man show" de Jô chamado "Viva o Gordo, Abaixo o Regime" (sátira explícita ao Golpe Militar de 1964 ainda vigente àquela época). As aberturas do programa brincavam com efeitos especiais usando técnica de inserção de imagens de Jô entre cenas famosas do cinema (como em "Cliente Morto Não Paga" e "Zelig") ou "contracenando" com políticos nacionais e internacionais, como Orestes QuerciaJânio QuadrosRonald Reagan etc.

1982 - Participação no "Chico Anysio Show".

1983

Participação no musical infantil "Plunct, Plact, Zuuum".

Comentários no Jornal da Globo até 1987.

1988 - "Veja o Gordo", estreia no SBT com o mesmo estilo do "Viva o Gordo" da Rede Globo. Estréia neste ano, ainda no SBT, o talk -show "Jô Soares Onze e Meia" 1988-1999.

2000 - Participação no especial de Natal do programa "Sai de Baixo" - episódio "No Natal a Gente Vem Te Mudar" (sátira ao título da peça de Naum Alves de Souza, "No Natal a Gente Vem Te Buscar".

2018 - Participa como comentarista do programa Debate Final, no Fox Sports, debatendo sobre a copa do mundo de 2018.[5]

Vida pessoal

Entre 1959 e 1979, Jô Soares foi casado com a atriz Therezinha Millet Austregésilo, com quem teve um filho: Rafael Soares (1964-2014), que era autista.[6] Entre 1980 a 1983, foi casado com atriz Sílvia Bandeira, doze anos mais nova. Em 1984 começou a namorar a atriz Claudia Raia, romance que durou dois anos.[7] Já namorou a atriz Mika Lins e em 1987, casou-se com a designer gráfica Flávia Junqueira Pedras, de quem se separou em 1998. O apresentador admitiu sofrer de TOC. Em sua casa os quadros precisam estar tombados levemente para a direita.[8] Jô é sobrinho de Togo Renan Soares, conhecido como "Kanela", ex-treinador da seleção brasileira de basquetebol. No dia 1 de outubro de 2012, levou ao ar um programa especial que reprisou uma entrevista com Lolita Rodrigues e Nair Bello em homenagem à apresentadora Hebe Camargo, com quem declarou ter vivido intensas alegrias.

O apresentador fala, com diferentes níveis de fluência, cinco idiomas: portuguêsinglêsfrancêsitaliano e espanhol, além de bons conhecimentos de alemão. Traduziu um álbum de histórias em quadrinhos de Barbarella, criação do francês Jean-Claude Forest.[9] Jô Soares é católico, sendo devoto de Santa Rita de Cássia.[10] No dia 25 de julho de 2014, Jô Soares foi internado no Hospital Sírio-Libanês, para tratar de uma pneumonia, permanecendo no hospital por 22 dias.[11][12]

No dia 31 de outubro de 2014, morreu seu único filho, Rafael Soares, no Hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro. No dia 3 de novembro, Jô dedicou o programa ao seu filho, em que fez um discurso contando um pouco da história dele.[13] No dia 4 de agosto de 2016, foi eleito para a Academia Paulista de Letras, assumindo a cadeira 33, que pertenceu ao escritor Francisco Marins.[14]

https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%B4_Soares#:~:text=Jos%C3%A9%20Eug%C3%AAnio%20Soares%2C%20mais%20conhecido,Programa%20do%20J%C3%B4%20na%20Globo.

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terça-feira, 3 de novembro de 2020

LUTO!

 Por José Tavares De Araújo Neto

Acabei de saber da triste notícia do falecimento do meu querido e eterno Professor Lourival.

Homem simples, de família humilde, que exerceu trabalho braçal para financiar seus estudos. Era um dos melhores do corpo docente da UFPB. Mas gostava de contar sobre as dificuldades que enfrentou para chegar aonde chegou.

Fui seu aluno no Colégio Agrícola Vidal de Negreiros, em Bananeiras/PB (1975/1977), como também na Escola de Agronomia, em Areia/PB (1978/1982).

Mais do que um excelente professor, Lourival era um grande amigo dos seus alunos.

Naquela época, participei de alguns momentos de descontração em sua Granja no município de Arara.

Sou eternamente grato por tudo que ele me ensinou e pelos conselhos que me deu.

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A NOITE

 

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“PAJEÚ EM CHAMAS: O CANGAÇO E OS PEREIRAS”

 

Recebi hoje do Francisco Pereira Lima (Professor Pereira) lá da cidade de Cajazeiras no Estado da Paraíba uma excelente obra com o título "PAJEÚ EM CHAMAS O CANGAÇO E OS PEREIRAS - Conversando com o Sinhô Pereira" de autoria do escritor Helvécio Neves Feitosa. Obrigado grande professor Pereira, estarei sempre a sua disposição.


O livro de sua autoria “Pajeú em Chamas: o Cangaço e os Pereiras”. A solenidade de lançamento aconteceu no Auditório da Escola Estadual de Educação profissional Joaquim Filomeno Noronha e contou com a participação de centenas de pessoas que ao final do evento adquiriram a publicação autografada. Na mesma ocasião, também foi lançado o livro “Sertões do Nordeste I”, obra de autoria do cratense Heitor Feitosa Macêdo, que é familiar de Helvécio Neves e tem profundas raízes com a família Feitosa de Parambu.

PAJEÚ EM CHAMAS 

Com 608 páginas, o trabalho literário conta a saga da família Pereira, cita importantes episódios da história do cangaço nordestino, desde as suas origens mais remotas, desvendando a vida de um mito deste mesmo cangaço, Sinhô Pereira e faz a genealogia de sua família a partir do seu avô, Crispim Pereira de Araújo ou Ioiô Maroto, primo e amigo do temível Sinhô Pereira.

A partir de uma encrenca surgida entre os Pereiras com uma outra família, os Carvalhos, foi então que o Pajeú entrou em chamas. Gerações sucessivas das duas famílias foram crescendo e pegando em armas.

Pajeú em Chamas: O Cangaço e os Pereiras põe a roda da história social do Nordeste brasileiro em movimento sobre homens rudes e valentes em meio às asperezas da caatinga, impondo uma justiça a seus modos, nos séculos XIX e XX.

Helvécio Neves Feitosa, autor dessa grande obra, nascido nos Inhamuns no Ceará, é médico, professor universitário e Doutor em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal), além de poeta, escritor e folclorista. É bisneto de Antônio Cassiano Pereira da Silva, prefeito de São José do Belmonte em 1893 e dono da fazenda Baixio.

Sertões do Nordeste I

É o primeiro volume de uma série que trata dos Sertões do Nordeste. Procura analisar fatos relacionados à sociedade alocada no espaço em que se desenvolveu o ciclo econômico do gado, a partir de novas fontes, na maioria, inéditas.

Não se trata da monumentalização da história de matutos e sertanejos, mas da utilização de uma ótica sustentada em elementos esclarecedores capaz de descontrair algumas das versões oficiais acerca de determinados episódios perpassados nos rincões nordestinos.
Tentando se afastar do maniqueísmo e do preconceito para com o regional, o autor inicia seus estudos a partir de dois desses sertões, os Inhmauns e os Cariris Novos, no estado do Ceará, sendo que, ao longo de nove artigos, reunidos à feição de uma miscelânea, desenvolve importantes temas, tentando esclarecer alguns pontos intrincados da história dessa gente interiorana.

É ressaltado a importância da visão do sertão pelo sertanejo, sem a superficialidade e generalidade com que esta parte do território vem sendo freqüentemente interpretada pelos olhares alheios, tanto de suas próprias capitais quanto dos grandes centros econômicos do País.

Após a apresentação das obras literárias, a palavra foi facultada aos presentes, em seguida, houve a sessão de autógrafos dos autores.

Quem interessar adquirir esta obra é só entrar em contato com o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br
Tudo é muito rápido, e ele entregará em qualquer parte do Brasil.

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LIVRO “O SERTÃO ANÁRQUICO DE LAMPIÃO”, DE LUIZ SERRA

 


Sobre o escritor

Licenciado em Letras e Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Linguagem Psicopedagógica na Educação pela Cândido Mendes do Rio de Janeiro, professor do Instituto de Português Aplicado do Distrito Federal e assessor de revisão de textos em órgão da Força Aérea Brasileira (Cenipa), do Ministério da Defesa, Luiz Serra é militar da reserva. Como colaborador, escreveu artigos para o jornal Correio Braziliense.

Serviço – “O Sertão Anárquico de Lampião” de Luiz Serra, Outubro Edições, 385 páginas, Brasil, 2016.

O livro está sendo comercializado em diversos pontos de Brasília, e na Paraíba, com professor Francisco Pereira Lima. 

franpelima@bol.com.br

Já os envios para outros Estados, está sendo coordenado por Manoela e Janaína,pelo e-mail: 


Coordenação literária: Assessoria de imprensa: Leidiane Silveira 

– (61) 98212-9563 

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O CEASA DE SANTANA

 Clerisvaldo B. Chagas, 3 de novembro de 2020 - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica: 2.411

Quando o, então, prefeito Nenoí Pinto, disse que iria construir um Centro de Abastecimento Hortifrutigranjeiro em Santana do Ipanema, houve muita alegria e esperança de melhores dias. Foi desapropriada uma área de terra, próxima ao açude do Bode e as máquinas ainda chegaram a trabalhar naquele chão que já fornecera material para o açude e para a BR-316. Portanto um terreno que deixou de ser agricultável. Todavia, a obra parou de repente e o lixo logo tomou conta do local. Sobre a desistência de continuar os trabalhos, só o prefeito da época poderá dizer o motivo. As donas de casa engoliram seco e continuam abastecendo as suas respectivas cozinhas, chorando com o preço absurdo de feira livre e casas comerciais.

Houve-se muito a frase de que Santana do Ipanema é a melhor cidade do interior de Alagoas, para se viver, mas ela tem seu calcanhar de Aquiles há décadas: a carestia. Lembremos dos versos de um poeta sertanejo anônimo, da metade do século XX:

Maceió é pra negócio

Santana pra carestia

Mulher feia só no Poço

Ôi pelado n’Água Fria

Cachaceiro no Chicão

E ladrão na Maravia...

Portanto, continua a necessidade de um Centro de Abastecimento onde qualquer pessoa possa comprar em grosso por um preço razoável e abastecer sua casa e de familiares. Está aí uma sugestão de suma importância para os seis candidatos a prefeito de Santana.  Aliás, o Centro de Abastecimento não é só para a cidade, mas serviria à toda região do semiárido. Temos que avançar em diversos setores, principalmente para facilitar uma alimentação em conta, farta e saudável.

Quanto ao local, o que não falta nos presentes dias, são terrenos à venda por todas as periferias de Santana

Hoje, onde funcionaria o Centro, tem uma belíssima creche e um posto de Saúde.

Quando virá o nosso CEASA?

CEASA DE MACEIÓ (FOTO: bairros de Maceió.Net).

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DADÁ E FAMÍLIA. ACERVO ESTÁCIO DE LIMA.

Por Indaiá Santos

Dadá comigo no colo, minha mãe e ao  lado estão meus irmãos.

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" O ARMAMENTO DE LAMPIÃO ".

Por Luis Bento Sousa

O Deputado Federal, Floro Bartolomeu da Costa havia trazido para Juazeiro cerca de 2 mil fuzis zerados, ainda encaixotados da fábrica, armar o bando de Lampião, com a finalidade de barrar possível passagem da Coluna Prestes pelo Cariri.

Lampião recebeu de 50 a 60 fuzis e o restante ficou guardado no depósito da Prefeitura Municipal. Alguns foram vendidos ou ofertados aos coronéis do Cariri. Tempos depois, veio um Oficial do Exército e recolheu o restante do armamento.

Lampião não se deu bem com os fuzis: além de pesados, tinham o cano longo, dificultando a macha dentro do mato, sem falar na munição que era difícil. Passando por Jardim-CE sob o peso de tão incômodo armamento, Lampião mandou serrar os canos dos fuzis, transformando-os em mosquetões. Em Jardim os ferreiros encarregados do serramento dos fuzis foram Zuca de Barro, Juvêncio de Barros e José Pereira, que fundiram facas lombadas muito bonitas, verdadeiros mimos, chamadas pelo povo de " Facas Jardineiras ".

Estava devidamente explicada a grande mudança do armamento de Lampião. Com os fuzis mauser modelo brasileiro do ano de 1909, Lampião não conseguiu barrar a Coluna Prestes, porque ela não passou pelo Cariri. Assim sendo, o armamento privativo do Exército, oferecido a Lampião, praticamente não serviu de nada, porque os Cangaceiros preferiam mesmo era o conhecido rifle " Papo Amarelo ", leve, portátil, funcional, e de munição encontrada em Juazeiro e outras Cidades de igual porte.

É o caso de se dizer como o povo:

" Pimenta do reino não é para caititu ".

Fonte: Cariri, Cangaço, Coiteiros e Adjacências de Napoleão Tavares Neves Pág. 68.

LUIS BENTO DE SOUSA

Diretor de Cultura

APOIO

Prefeitura Municipal de Jati-Ce.

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ACERVO DO ANTÔNIO CORRÊA SOBRINHO

 “EXISTIU UM DIGNO SERGIPANO OBSCURO DE ORIGEM, POIS QUE NASCERA NUM ALMADRAQUE DE SENZALA COM O ESTIGMA IGNOMINIOSO DE ESCRAVO, QUE BEM ALTO SE ELEVOU”

“EM SERGIPE É ELE TOTALMENTE OLVIDADO OU TALVEZ DESCONHECIDO. FOI ELE O NEGRO QUINTINO DE LACERDA”

Zozimo Lima

Conheçam a história do herói abolicionista sergipano, nascido em Itabaiana, o ex-escravo que liderou o quilombo do Jabaquara, foi o primeiro vereador negro do Brasil e recebeu a patente de Major honorário do Exército Nacional; participou ativamente de, pelo menos, dois grandes eventos nacionais: a Revolta da Armada e o processo de desestruturação do sistema escravista no Brasil, sendo considerado o mais atuante fomentador da abolição no litoral paulista.

No ano do centenário de QUINTINO DE LACERDA, o jornalista e historiador ZOZIMO LIMA, publicou, nas páginas do extinto jornal "Correio de Aracaju", a breve biografia, em sua homenagem, que trago a seguir.

QUINTINO DE LACERDA

O sergipano, embora mal nascido, afloradas nas primeiras manifestações da inteligência, sedento de triunfo, procura sempre gasalhado longe de seu berço e raramente recua ou tomba na peleja sem agitar na destra os florões simbólicos da vitória.

Aqui, na terra em que veio à luz da vida, é que dificilmente ele consegue alçar o voo pouco além do da coruja.

Possuidor de qualidades excepcionais que propendam para as letras ou para as artes, contra si levanta-se a maioria composta de medíocres, incapazes e invejosos.

Razão tinha o douto filósofo e sociólogo conterrâneo, autor da HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA, quando, da tribuna da Câmara Federal, em memorável discurso na sessão de 7 de abril de 1902, afirmara: “Onde encontrardes uma inteligência sergipana a brilhar em qualquer sentido, em qualquer das manifestações do espírito, ficai certos de que essa inteligência, esse talento teve de, coagido, emigrar da pátria”.

É uma verdade a afirmativa do ilustre sergipano, reconhecida por eminentes personagens de outras terras do Brasil. O saudoso Barão do Rio Branco, tivera para nossa terra a denominação de “cárcere do gênio”, e o notável estadista Nilo Peçanha, que, também, quando lhe permitiam os folgares da política partidária, se entregava ao arroteio das boas letras e da História, chamou-a “mãe da espiritualidade”.

Existiu um digno sergipano obscuro de origem, pois que nascera num almadraque de senzala com o estigma ignominioso de escravo, que bem alto se elevou elevando a sua gleba, em longínqua província brasileira onde tem memória veneranda perpetuada em magnífico mausoléu ereto pelo povo que muito o quis e o admirou pelo seu civismo incomparável.

Em Sergipe é ele totalmente olvidado ou talvez desconhecido.

Foi ele o negro Quintino de Lacerda, grande pelo amor aos seus desgraçados irmãos de cativeiro e maior ainda pelo destemor com que, afrontando as iras dos potentados escravocratas do Império, organizara por determinação de figuras notáveis da campanha abolicionista de São Paulo, um quilombo de pretos fugidos nos arredores da cidade invicta de Santos.

Quintino de Lacerda nasceu em Itabaiana, neste Estado, no ano de 1855, não se sabe o dia certo, e ali viveu até 1874, quando foi vendido, aos 19 anos, para Santos, pelo seu senhor, o major Antônio dos Santos Leite, pai do atual e conhecido livreiro desta praça Sr. Agripino Leite.

Moleque ativo, simpático, afável, inteligente, dócil, afeiçoara-se à família de seu senhor o Cel. Antônio de Lacerda Franco, de quem adotara o sobrenome, e com as suas sinhás-moças estudara os rudimentos da leitura e da escrita após os fazeres da cozinha, conseguindo, depois de oito anos de serviços como escravo, a carta de alforria, se bem que fosse por toda Santos considerado um liberto, com os privilégios da consideração a poucos brancos concedidos pelo seu riquíssimo e fidalgo possuidor.

No auge da campanha abolicionista em que batalhavam com denodo e fé um ex-escravo já ilustre, Luiz Gama e mais Antônio Bento, João Otávio, Lobo Viana, Augusto Bastos, Robim César Américo Martins, Afonso Veridiano (que eu conheci em 1911 no exercício de tabelião e com ele mantive estreitas relações), Vicente de Carvalho, Silvério Fontes (sergipano, pai do grande poeta paulista Martins Fontes), Martin Francisco, Jorge Montenegro, Geraldo Leite, Ricardo Pinto e muitos outros vitoriosos idealistas, o preto de Itabaiana Quintino de Lacerda, que então era capataz de turmas nos armazéns recebedores e exportadores de café, entre os seus companheiros fazia intensa propaganda, liderava o movimento libertador, alcançando com a sua catequese cívica prestígio extraordinário. A massa proletária seguia-o cegamente.

A sua influência e poder de sedução eram tão grandes, o seu nome era tão querido e respeitado, tão proclamada a sua audácia, que os abolicionistas de Santos, não podendo conter mais em suas residências particulares o número crescente de negros fugidos do chicote dos ferozes fazendeiros, dirigiram-se lhe, por intermédio do seu ex-senhor e amigo Lacerda Franco, pedindo-lhe organizasse e assumisse o comando do reduto estabelecido nas próximas matas de Jabaquara.

É agora que começa a obra que devia elevá-lo às cumeadas da fama que o sagrou cavalheiro da cruzada santa da libertação.

A história dos Palmares repete-se, sem o drama trágico da derrota nas planícies e alcantis que formam o inexpugnável reduto da Jabaquara.

O negro filho de Itabaiana desdobrou-se em atividade, caminhou resoluto para frente sem temer os perigos que se lhe ofereciam na campanha. As palavras inflamadas, candentes, destruidoras de Silva Jardim e José do Patrocínio, que ele ouvia nos comícios da Praça dos Andradas e no Teatro Guarani, davam-lhe estímulo e forças de um Anteu. O negro destemeroso tomava agora parte em todas as conspirações libertadoras, iludia a vigilância da polícia e da tropa de linha postada nas estradas para capturarem os fugitivos, subornava os capitães do mato, subia e descia serras e montanhas, galgava Monte Serrate e Cubatão, fazia reconhecimentos perigosos nas estradas do Vergueiro, e assim, sempre vigilante, noite e dia, povoava o quilombo da Jabaquara, que, na sua ausência, era guardado por outro negro valoroso conhecido por pai Felipe.

Santos, que considerava abolida do seu seio, desde 1886, a escravidão, era agora o refúgio dos negros que de modo próprio se davam à liberdade, fazendo longas e arriscadas caminhadas através das matas em busca do asilo que lhes preparava Quintino de Lacerda.

Quando, a 13 de maio de 88, chegara a Santos o decreto que extinguia o cativeiro foi como se propagasse a loucura coletiva entre seu povo. Bimbalhavam os sinos das igrejas, apitavam as embarcações surtas no porto, homens, mulheres e crianças de todas as classes e categorias sociais, gritavam e choravam de contentamento. Fechara-se o comércio. Toda a população negra de Jabaquara, composta de 2023 cativos com Quintino à frente, veio às ruas cantando e empunhando palmas e estandartes.

À noite houve luminárias e passeatas e festas populares que se prolongaram por dez dias.

No sexto dia, narra Carlos Vitorino nas suas Reminiscências, Quintino recebia tocantes homenagens promovidas por parte das comissões organizadoras dos festejos, como justo prêmio que cabia ao abolicionista fervoroso. E ele era, agora, ídolo do povo santista. Evaristo de Morais em substancial trabalho sobre a abolição focaliza a ação do negro sergipano que foi Quintino de Lacerda.

Passada a fase árdua da obra redentora, trabalhava-se, agora, em abater o trono.

Com esse fim Quintino organizou o batalhão Silva Jardim, no qual fora investido no cargo de seu supremo chefe, no posto de capitão. Com a proclamação, pouco depois, da República, Quintino é promovido a major honorário por merecimento. As patentes eram distribuídas aos mais dignos, capazes.

Candidatara-se ele à vereança municipal e foi eleito. Alguns colegas de representação, por preconceito racial, asseveram uns, por iliquidez do pleito, afirmavam outros, impedem a entrada de Quintino no recinto do Conselho. Quintino queda-se no seu posto, surdo aos protestos de seus pares. Os dissidentes chegam a um acordo honroso, mas procede-se a nova eleição dias depois, sendo reconduzido o abolicionista sergipano.

As classes trabalhadoras e o comércio prestaram-lhe, por mais esse triunfo, que demonstrava a sua popularidade indiscutível, significativa manifestação de apreço.

A influência política e moral de que dispunha Quintino de Lacerda revertia em proveito dos seus camaradas de jornada que não tinham amparo.

Filantropo, suas portas sempre estavam abertas aos desgraçados, aos náufragos de todas as travessias por entre tormentas e procelas da existência. Por isso a sua voz era sempre ouvida com atenção e ao seu apelo não lhe fugiam os votos nos renhidos prélios eleitorais.

Assim, por exemplo, quando em 1891 e 1892 declararam-se em greve dois mil trabalhadores no porto de Santos, foi o então major Quintino quem conseguiu voltassem os paredistas pacificamente ao trabalho, recebendo, por esse serviço relevante, uma pública e significativa homenagem do comércio.

O despeito dos seus colegas de representação no Conselho do Município mais uma vez trouxera-lhe momentos de desgostos.

Mas ele era um homem forte, de têmpera de aço, limpo de caráter e dominado pela mística de Deus e da Justiça.

Certa feita descobrira uma conspiração entre os camaristas. Puseram Quintino violentamente para fora do recinto e do ocorrido telegrafara ao presidente Bernardino de Campos, que logo interveio com imediatas providências a bem da ordem. E Quintino continuou a fazer parte do Conselho até 1896.

Terminado o seu mandato legislativo e não querendo mais tornar às lides partidárias da política, recolheu-se ao lar pobre mas honrado, recebendo por essa ocasião calorosa ovação do povo que sempre o acompanhou com abnegação nas campanhas em prol da redenção da raça negra.

Morreu Quintino a 13 de agosto de 1898. O seu enterro teve as pompas fúnebres a que têm direito os vultos singulares que se enobrecem e passam a enriquecer a História.

No cemitério do Paquetá descansam os seus despojos sob grandioso monumento levantado pela gratidão dos filhos da terra de Braz Cubas.

Eu lá estive várias vezes contemplando-o com cívica devoção e comigo mesmo lamentando que, enquanto naquela grande e orgulhosa terra um negro adventício sergipano recebia as honras que só se tributam a quem tem mérito real, Sergipe, a sua e minha terra, jamais teve a lembrança de lhe perpetuar o nome ao menos numa escura via pública de subúrbio.

"Correio de Aracaju" – 23/02/39

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