O vídeo trata-se da história de
Valdetário Benevides Carneiro. Natural de Caraúbas/RN, a trajetória de
Valdetário Carneiro é repleta de episódios que ficaram de forma controversa no
imaginário popular, a começar de sua iniciação como fora-da-lei, supostamente
ocasionada por uma prisão por crime que não teria cometido. Valdetário é
considerado o precursor do Novo Cangaço.
Para a sensibilidade poética de qualquer santanense, a chegada das águas mansas, arrastadas, do rio Ipanema, é um verdadeiro poema de amor no ventre do semiárido. Elas vão surgindo fazendo meandros na areia grossa, devagar igual a uma grande jiboia preguiçosa. Chegando e fervendo à areia, preenchendo as baixadas, cobrindo as cacimbas, espantando teiús... Vez em quando a jiboia d’água cerca um caçador desatento, uma lavadeira cantora, um pescador distraído. Mas, ao contrário das cheias bruscas e violentas, o chegar tangido das águas traz esperanças aos ribeirinhos que sonham com peixes maiores e a pesca rudimentar. As florezinhas enroladas do marmeleiro fazem uma saudação perfumosa em suas saudosas margens. As águas confirmam os mandacarus floridos no alto das colinas prenunciando o bom inverno sertanejo.
Rio Ipanema, primeira grande estrada de penetração para os desbravadores do estado do Norte que subiam pela sua foz no lugar Barra do Ipanema, até suas cabeceiras na serra do Ororubá, em Pernambuco. Rio percorrido também em Alagoas pelos índios Carnijós ou Fulni-ôs com sede em Água Belas. Rio em que foi descoberto ouro na sua parte inferior, no antigo tempo das penetrações. Rio que deu lugar aos canoeiros do Ipanema em época de pontes inexistentes.
O rio penetra em Alagoas pelo município de Poço das Trincheiras, banha aquela cidade de fronteira, desce para Santana após banhar o povoado Tapera do Jorge. Arrebanha vários afluentes importantes naquele município e chega à Santana pelo Norte e outrora periferia, hoje urbanizada do Bairro Barragem.
Quando o Ipanema está seco é um jardim. Variados tipos de vegetais nascem na areia grossa e salgada, nas frestas das pedras quebradas com gramíneas, arvores, arbustos e arvoretas. Mas nem sempre esse jardim é respeitado pela população que ali deposita seus lixos doméstico e comerciais, despeja direto de fossas e todos objetos descartados em casa. Mas isso é antigo na história do rio. Quando a chamada Cadeia Velha funcionava na Rua Nilo Peçanha, os presos eram obrigados a jogarem as fezes recolhidas em cubas, no rio Ipanema. Conta-se que o soldado Fonfon era bom atirador e ficava vigiando dos fundos da Cadeia os presos que desciam para o rio. Um deles tentou fugir, porém, Fonfon atirou de fuzil de uma distância enorme e o fugitivo foi baleado nas areias do rio.
Rio meu, rio seu, rio nosso.
ÁGUA CHEGANDO MANSA EM TRECHO DO RIO IPANEMA. (FOTO: ACERVO B. CHAGAS).
A primeira obra é "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS" que já está na 5ª. edição, e aborda o fenômeno do cangaço e a vida do maior guerrilheiro das Américas. Um homem que não temeu às autoridades policiais e muito menos aqueles que lutavam contra a sua pessoa, na intenção de desmoralizá-lo nas suas empreitadas vingativas, e eliminá-lo do solo nordestino. Realmente foi feito o extermínio do homem mais corajoso e mais admirado do Nordeste do Brasil, na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, mas não em combate, e sim, através de uma emboscada muito bem organizada pelo alagoano tenente João Bezerra da Silva.
O Segundo livro da trilogia do escritor e pesquisador do cangaço é: "FATOS ASSOMBROSOS DA RECENTE HISTÓRIA DO NORDESTE" com 332 páginas, e um grande acervo de fotos relacionado ao assunto. E para aqueles que gosta de ler e ver fotos em uma leitura irá se sentir realizado com todas as fotos.
O terceiro livro da trilogia também do escritor José Bezerra Lima Irmão é: "CAPÍTULOS DA HISTÓRIA DO NORDESTE" resgata fatos sobre os quais a história oficial silencia ou lhes dá uma versão edulcorada ou distorcida: o "desenvolvimento" do Brasil, o desumano progresso de colonização feito a ferro e fogo, Guerra dos Marcates, Cabanada, Balaiada, Revolução Praieira, Ronco da Abelha, Revolta dos Quebra-Quilos, Sabinada, Revolta de Princesa, as barbáries da Serra do Rodeador e da Pedra do Reino, Guerras de Canudos, Caldeirão e Pau-de-Colher, dando ênfase especial à saga de Zumbi dos Palmares, Invasões Holandesas, Revolução Pernambucana de 1817, Confederação do Equador e Guerras da Independência, incluindo o 2 de Julho, quando o Brasil se tornou de fato independente... São assunto que dá gosto a gente lê-los.
Adquira-os com o professor Pereira através deste e-mail:
Cangaço - A Polêmica
Morte de Neném O pesquisador Antônio Porfírio nos narra como foi a morte de
Neném de Luiz Pedro. Link desse vídeo: https://youtu.be/gTtjc5Fvk3I
Faleceu hoje
em Serra Talhada o senhor Camilo Nogueira, que era proprietário da Fazenda
Ingazeira, que pertenceu ao pai de Virgulino e local onde Lampião nasceu. Tive
o prazer de conhecer o Senhor Camilo e lamento por sua partida. Um dos últimos
elos de ligação com o passado. Link desse vídeo: https://youtu.be/FabE_bi-EeM
Você já ouviu falar em Arnica, Mastruz, óleo de Copaíba e Terebentina? Quando não havia médicos no sertão de Alagoas, esses nomes acima estavam sempre presentes no conhecimento popular. Quando as pessoas adoeciam entravam em ação as rezas e os remédios do mato, os mesmos das tradições indígenas e dos repasses pelos mais velhos. Em casos mais complicados quem tinha condições viajava a Palmeira dos Índios, no agreste, mais perto da capital ou mesmo para Garanhuns, Pernambuco, conhecido como lugar de bons profissionais da medicina. Afora as orações e os remédios da vovó, havia ainda as garrafadas, ervas e raízes de vários tipos, dentro de uma garrafa, preparada pelo raizeiro, benzedor ou garrafeiro, que tanto vendia o seu produto curativo nas feiras livres quanto aguardavam específicas encomendas.
As parteiras foram essenciais nos campos e nas cidades. Muitas delas ficaram famosas porque nunca perderam uma só criança. A parteira também possui as suas orações particulares. No campo era praxe o curador de cobras. Eram curados até cercados onde as cobras que havia se retiravam e as de fora não entravam naquela propriedade. Da mesma maneira que havia ervas medicinais para os humanos, a prática sertaneja também curava todos os tipos de animais: galinha, cavalo, vaca, carneiro, bode... Pois sempre havia alguém com algum conhecimento sobre o tema, uns superficialmente, outros, profundos conhecedores dos efeitos transformadores da flora.
Em Santana do Ipanema, o Dr. Arsênio Moreira, foi o primeiro médico de fora. Já trabalhava para o Batalhão de Polícia de combate aos cangaceiros e também ficou atuando em sua própria residência. Daí em diante muita coisa mudou no sertão. Foi o doutor Arsênio quem examinou o frasco de veneno que Lampião carregava. Isso após a hecatombe de Angicos. Arsênio chegou a morar no edifício onde hoje funciona o Museu Darras Noya. O segundo médico a clinicar em Santana, foi o Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo, filho da terra, vindo da zona rural, trazido pela família que fora importunada pelos sequazes de Virgulino Ferreira, o Lampião. Clodolfo atendeu muita gente no campo e atuou em cursos para parteiras leigas.
Já havia as chamadas boticas. Com as chegadas de médicos, também foram implantadas farmácias e chegando medicamentos modernos.
O padre Cícero do Juazeiro era profundo conhecedor da flora sertaneja. Gostava de receitar mastruz com leite para pessoas com problemas de pulmões. Nós sertanejos confiamos na medicina, mas dificilmente você encontrará uma residência que não guarde no armário um chazinho qualquer, tirado da mata catingueira ou dos terrenos baldios de periferia.
" CULTURA
", resgatar sempre é preciso, é garantir sua existência e seus
conhecimentos. A memória é imprescindível prá cidadania. Ajude a resgatar, não
podemos parar.
Pedra de Lampião no
sítio Sucego- JATI-Ce
Casa onde nasceu
Otacílio Ancelmo e Silva, primeiro Escritor filho de JATI, 09/12/1909.
Foto Luís Bento, Rio
dos porcos JATI Ce.
Luís Bento no Museu
do Cangaço, Serra Talhada Pe.
Encontro do Rio/Canal
transposição.
Encontro do Rio dos
porcos/canal Transposição
Canal Transposição
JATI Ce
Canal Transposição
JATI Ce
Parede do antigo
Açude Quebrado JATI Ce
Pedra de Lampião,
sítio Sucego-JATI-Ce
Luís
Bento, Vilson Teixeira. Sentados no (Banco) onde muitas as vezes ocupado por
Antônio Teixeira Leite, Antônio da Piçarra e Lampião para colocarem os assuntos
em dias.
Volante. Antônio
Matias de Santana, cabo Santana, genro do tenente Arlindo Rocha.
Benedito Vasconcelos Mendes é professor, escritor e pesquisador do cangaço, um dos sobralenses que mais Mossoró admira. Foi diretor da ESAM - Escola Superior de Agricultura de Mossoró - atualmente Universidade
Federal Rural do Semi-Árido durante 24 anos. A sua biografia é vasta. Esta cabeça está localizada no Museu do Sertão Rancho Verde, na Estrada de Alagoinha em Mossoró
"BENEDITO
VASCONCELOS MENDES Formação & Titulação Engenheiro-agrônomo pela
Universidade Federal do Ceará (CE), graduado em 1969. Mestrado: Universidade
Federal de Viçosa (MG) - Dissertação: Histopatologia de raízes do cafeeiro
parasitadas por Meloidogyne exigua. Ano de Obtenção: 1975.
Doutorado:
ESALQ/USP-Piracicaba (SP) – Tese: Histologia de galhas da coroa de chuchu (Sechium
edule) induzidas por Agrobacterium tumefaciens e infestadas por Meloidogyne
incognita e desenvolvimento de dois sistemas de cultivo in vitro para
Meloidogyne javanica. Ano de Obtenção: 1980.
Vínculos institucionais &
Atuação profissional 1) Docente (Prof. Titular) e Diretor da Universidade
Federal Rural do Semi-Árido, antiga ESAM/Escola Superior de Agricultura de
Mossoró, RN (1970-1994).
2) Pesquisador/Dirigente da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária – CPA do Meio Norte (1997-1999).
3) Docente (Prof.
Adjunto IV) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – Mossoró, RN
(1999- ). Endereço: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte Centro de
Estudos e Pesquisas do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Departamento
de Geografia Fafic Caixa Postal 70 59600-970 - Mossoró, RN - Brasil Telefone:
(84) 3152 2197 Ramal: 197 Fax: (84) 3152 2197 E-mail:
beneditovasconcelos@uern.br
Posições ocupadas na SBN Presidente (1980-1983) e
Vice-Presidente (1977-1978 e 1985-1986), organizando as 3ª e 10ª Reunião
Brasileira de Nematologia, ambas em Mossoró (RN), em 1978 e 1986. Acesso ao
Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/1770891942535885".
As fotos foram gentilmente cedidas pelo professor.
Morreu na
manhã desta quinta-feira o repórter policial Francileno Góis, da TCM Telecom.
Ele é mais um quadro da imprensa potiguar que perde a vida para a covid-19.
Francileno foi
internado na UTI do Hospital Regional de Pau dos Ferros no dia 8 de abril e foi
intubado ontem.
A morte dele
foi lamentada por colegas de TCM nas redes sociais. “Perdemos um dos maiores
repórteres do Brasil”, escreveu Vonúvio Praxedes. “Francileno era uma das
pessoas mais dedicadas que eu conheci. Fazia o que gostava como poucos. Adorava
brincar. Nesse sentido, a gente se identificava muito. Sempre brincávamos que
estar na TV era um sonho. Meu amigo, e o nosso cafezinho? Nossa divisão de espaço
na mesa?”, postou Larissa Maciel.
Apesar de
atuar na imprensa mossoroense, Francileno, morava em Caraúbas. Ele tinha
50 anos e deixa viúva e duas filhas.
Francileno é o
terceiro profissional de imprensa do RN falecido por causa da covid-19. Os
outros foram Emery Costa e Paulo Macedo.
Nota do Blog:
trabalhei com Francileno na TCM e lamento demais a morte de mais um colega de
profissão.
Chegou mais 2 inquilinos de peso!! Livros do professor Rubens Antônio. 950 páginas, com vastas fotos. Material de qualidade. Recomendo aos amigos do cariri cangaço.
Vale apena adquirir. Parabéns professor Rubens Antônio. Abraço fraterno a todos.!
O Vereador
Jairinho, antes de consumar a morte do pequeno Henry, com a megera Monique, já
batia na cabeça do menino e dava-lhe pontapé na barriga. Jairinho é político
carioca - a maior concentração de desordeiros e ladravazes, por quilômetros
quadrados, do mundo.
Monique sabia
das perversidades praticadas pelo psicopata e fazia vista grossa. A megera era
divorciada do pai do infante e queria, junto com o carrasco, divorciar-se do
menino.
O que causa
maior repugnância na chacina é que a megera era a única alternativa de
sobrevivência do próprio filho, quem poderia e deveria ter-lhe salvado a vida,
porque engravidara e fora sua maternidade natural.
Se o Cérebro é
a sede da Razão, e o Coração é o termômetro do Amor, de que artefatos humanos é
formado este casal de namorados, estes fantoches do Mal. Não são loucos, porque
loucos não sabem o que fazem nem como se defender. Eles são psicopatas, porque sabem
o mal que praticam e tentam forjar inocência para fugir do castigo. São tarados
que se saciam na amargura do semelhante, sádicos empedernidos, desalmados
sanguinários. São cúmplices na execução do menino que lhes serviu de nutriente
à sede incontida de sangue.
A diferença
entre Herodes e os infanticidas de nosso tempo é que Herodes não era pai das
crianças que mandou matar.
O MUSEU DO
CANGAÇO precisa garantir sua resistência, a cultura não pode parar, a memória é
imprescindível pra cidadania. Portanto, disponibilizamos vendas de livros do
cangaço, de diversos autores.
OBS: São
livros da Loja de Artesanatos. Não são livros do acervo de pesquisa da
biblioteca do Museu do Cangaço.
Confira na
lista abaixo, solicite o seu e enviaremos pelos correios.
Faça seu
pedido pelo telefone/watsap: (87) 3831 3860 / 996642964 / 999165897 /
996525914.
• CANGACEIROS
E JAGUNÇOS (RENATO L. BANDEIRA).
• LAMPIÃO NA
BAHIA (OLEONE C. FONTES).
• MARIA BONITA
(ANTÔNIO AMAURY).
• LAMPIÃO .NEM
HERÓI NEM BANDIDO. A HISTÓRIA (ANILDOMÁ W. DE SOUSA).
• LAMPIÃO E O
SERTÃO DO PAJEÚ (ANILDOMÁ WILLANS DE SOUZA).
• GENTE DE
LAMPIÃO DADÁ E CORISCO (ANTÔNIO AMAURY).
• ASSIM ERA
LAMPIÃO E OUTRAS HISTÓRIAS (ÂNGELO OSMIRO BARRETO).
• LAMPIÃO
CONQUISTA A BAHIA ( LUIS RUBEN F. DE A. BONFIN).
• LAMPIÃO A
RAPOSA DAS CAATINGAS ( JOSÉ BEZERRA LIMA IRMÃO).
• VILA BELA OS
PEREIRAS E OUTRAS HISTÓRIAS - LUIS WILSON
• BONITA MARIA
DO CAPITÃO (VERA FERREIRA).
• LAMPIÃO AS
MULHERES E O CANGAÇO (ANTÔNIO AMAURY).
• LAMPIÃO E OS
INTERVENTORES (LUIS RUBEN).
• A DONA DE
LAMPIÃO (WANESSA CAMPOS).
• LAMPIÃO
SEGREDOS E CONFIDÊNCIAS DO TEMPO DO CANGAÇO (ANTÔNIO AMAURY).
• LAMPIÃO E A
MARIA FUMAÇA (LUIZ RUBEN).
• COMO
CAPTURAR LAMPIÃO ( LUIS RUBEN).
• NOTICIAS
SOBRE A MORTE DE LAMPIÃO (LUIZ RUBEN F.A.BONFIM).
Jânio da Silva Quadros nasceu no dia 25 de janeiro de 1917, na cidade de Campo Grande, no então estado de Mato Grosso e atual capital do Mato Grosso do Sul. Era filho de Gabriel Quadros e de Leonor da Silva Quadros e foi criado em Curitiba, no Paraná, onde estudou em colégios estaduais. Tempos depois sua família mudou para São Paulo, onde Jânio estudou no Colégio Marista Arquidiocesano e em 1935 ingressou na prestigiada Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, ou Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, uma academia que formou nada menos que treze presidentes da república brasileira.
Após a formatura Jânio Quadros montou um pequeno escritório de advocacia no centro da capital em 1943 e depois começou a lecionar em dois colégios. Foi também professor de direito processual penal na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Jânio da Silva Quadros.
Político de Ascenção Meteórica
Em 7 de maio de 1947, por determinação geral do então Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, ocorreu a cassação do registro do Partido Comunista Brasileiro – PCB. Por isso muitas cadeiras na Câmara Municipal de São Paulo ficaram vagas. Jânio então teria sido um dos suplentes chamados a preencher esses lugares em 1948. Essa versão é contestada por alguns, que afirmam ter sido Jânio Quadros um dos três vereadores efetivamente eleitos pelo PDC.
Independente dessa questão, o certo foi que a ação de Jânio como vereador foi decisivo para projetá-lo na vida política paulista. Ele ficou conhecido como o vereador de todas as casas legislativas do país no período a apresentar a maior quantidade de proposições e projetos de lei, além de discursos. Jânio foi igualmente considerado o vereador que assinou a grande maioria das propostas e projetos considerados favoráveis à classe trabalhadora.
Quadro de votação na época da campanha de Jânio Quadros para preidente.
Com esse currículo logo foi consagrado como o deputado estadual mais votado em São Paulo, com mandato a ser exercido entre 1951 e 1953. Jânio percorreu todo o interior do estado de São Paulo, sempre insistindo na bandeira da moralização do serviço público e pedindo sugestões ao povo para resolver os problemas de cada região.
No início de 1953 a capital paulista assistiu à primeira campanha eleitoral para a prefeitura em 23 anos, desde a Revolução de 1930. Jânio foi lançado candidato do PDC em coligação com o Partido Socialista Brasileiro – PSB, vencendo por larga margem as principais máquinas partidárias locais. Essa vitória foi tida como uma grande façanha, pois Jânio enfrentou bloco formado por oito partidos políticos e um adversário, o professor Francisco Antônio Cardoso, que tinha uma campanha milionária, com uma enxurrada de material de propaganda e com apoio ostensivo das máquinas municipal e estadual.
Assumiu a prefeitura de São Paulo aos 36 anos e um dos seus primeiros atos foi promover demissões em massa de funcionários, iniciando uma cruzada moralizadora que marcou sua gestão.
De Governador a “Salvador da Pátria”
Ademar de Barros, de chapéu.
Em 1954 Jânio Quadros desincompatibilizou-se do cargo de prefeito para candidatar-se a governador do estado de São Paulo e filiou-se ao Partido Trabalhista Nacional – PTN. Ganhou por uma pequena margem de votos, de cerca de 1%, do grande rival Ademar Pereira de Barros, um político popularmente conhecido pelo bordão “Rouba, mas faz”.
Jânio foi empossado governador em 31 de janeiro de 1955 e durante o seu mandato procurou executar ações que transmitisse uma imagem de moralização da administração pública e de combate à corrupção, aliadas a um empreendedorismo que buscava destaque e projeção.
Uma prática comum do governador Jânio era a das visitas surpresa às repartições públicas, a fim de verificar a qualidade dos serviços oferecidos à população. Outra foi a criação de novos serviços e órgãos estaduais, ou a construção de grandes obras.
Desde o início do seu governo Jânio procurou ampliar seu espaço político no nível nacional, estabelecendo positivos contatos com o potiguar João Café Filho, então Presidente da República. A aproximação entre ambos criou condições mais propícias para o governo paulista realizar um trabalho de recuperação financeira do estado. Tudo isso angariou grande popularidade e consagrou Jânio como um líder entre os paulistas.
Com a chegada do mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira, o JK, a Presidência da República, houve um foco muito intenso na criação de uma política desenvolvimentista, que foi realizada através da aplicação do chamado “Plano de Metas” e provocou um grande crescimento em diversas áreas e setores no país. São Paulo foi um dos estados mais beneficiados com a implantação de novas indústrias e a concentração de crédito e essa expansão econômica se refletiu no aumento da receita tributária do estado e na criação de condições favoráveis à diminuição do déficit financeiro herdado dos governos anteriores. Apesar de todas as vantagens que São Paulo usufruiu no governo JK, matreiramente Jânio permaneceu alinhado com a oposição em relação a importantes aspectos da política econômica vigente. E isso foi muito útil ao governador paulista, pois apesar do impulso desenvolvimentista, o governo JK gerou um panorama de forte inflação e crise econômica.
Diante do difícil quadro nacional, o nome de Jânio Quadros começou a surgir como alguém que poderia solucionar os problemas e colocar o Brasil em um bom rumo. Um novo “Salvador da Pátria”.
Jânio em campanha.
No dia 20 de abril de 1959, um grupo reuniu-se na Associação Brasileira de Imprensa – ABI no Rio de Janeiro e fundou o Movimento Popular Jânio Quadros – MPJQ, lançando nessa ocasião a candidatura do ex-governador de São Paulo à presidência da República.
Nove Meses de Campanha: A Vassoura Janista na Caça ao Voto.
O homem do “tostão contra o milhão” chegava ao topo da escalada que o conduziria ao Palácio da Alvorada.
Não que fosse um caminho fácil. O líder que granjeara sua popularidade junto às massas operárias de São Paulo, que quando prefeito da capital paulista chegou mesmo a apoiar a greve de 1953 e, como governador, não adotou atitudes repressivas contra os trabalhadores, via-se agora na contingência de conquistar a simpatia de todos os brasileiros — ricos, pobres, remediados, urbanos, rurais, ignorantes ou letrados.
As vassouras de Jânio em suas campanhas.
O povo delirou quando Jânio deixou bem claro a todos os partidos que o apoiavam a sua posição extremamente personalista e autoritária, alheia as agremiações partidárias, as quais ele ignorava até o desprezo. Conter a inflação e governar acima dos partidos era seu propósito. Sobretudo porque, percebendo a fragilidade das plataformas partidárias do momento, ele podia agir dessa maneira.
O “justiceiro” prometeu um governo de austeridade, onde aglutinou setores militares e da classe média (com promessas de “limpeza” na administração e estabilização da economia), das elites empresariais (com afirmação de fé na livre iniciativa) e dos trabalhadores (com promessas de uma ordem social mais justa). Descontentes com a carestia, a maioria dos brasileiros preferiu ir beber nas águas populistas de Jânio Quadros.
Em 30 de setembro de 1960 era encerrada a tumultuada campanha eleitoral de Jânio Quadros à presidência da República. Em meio a cartazes, animação de bandas de música, fogos de artifício, papéis picados, vassouras, além da marchinha antológica que tinha esses versos – “Varre, varre, varre, varre, vassourinha./ Varre, varre a bandalheira./ Que o povo já está cansado/ De sofrer desta maneira./ Jânio Quadros é a esperança deste povo abandonado”.
Marechal Teixeira Lott, derrotado por Jânio Quadros.
Nas eleições de 3 de outubro de 1960 quase seis milhões de eleitores fazem Jânio o 22º Presidente do Brasil, sendo até então a maior votação da história no país. O marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, o segundo colocado, foi vencido de forma arrasadora com mais de dois milhões de votos de vantagem.
Mas nem tudo foi positivo para Jânio. Como naquela época votava-se separadamente para presidente e vice, apesar de todo prestígio Jânio não conseguiu eleger Milton Soares Campos, o candidato a vice-presidente de sua chapa. O escolhido foi o gaúcho João Belchior Marques Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB.
Governo de Altos e Baixos
Após a vitória sem precedentes, o presidente eleito partiu para Europa, em uma viagem de “concentração e retiro”. Somente três meses após as eleições, em 31 de janeiro de 1961, Jânio Quadros e João Goulart foram empossados. Contrariando a expectativa geral, o discurso de posse do presidente foi discreto e gentil, chegando a tecer elogios ao governo anterior. Porém, na noite desse mesmo dia, Jânio atacou violentamente o governo Juscelino Kubitschek em cadeia nacional de rádio, atribuindo ao ex-presidente a prática de nepotismo, ineficiência administrativa, responsabilidade pelos altos índices de inflação e pela dívida externa de dois bilhões de dólares.
Não demorou e o novo presidente decepcionou pela primeira vez seus correligionários, ao desfazer a expectativa dos que previam que ele realizasse um governo de composição ou união nacional, ou que tentasse obter, através da nomeação ministerial, a maioria parlamentar de que não dispunha.
Jânio compôs seu Ministério contemplando uma mistura de elementos da União Democrática Nacional – UDN e representantes de partidos menos expressivos. Surpreendeu a todos ao nomear cinco ministros do Norte e Nordeste e disse que isso foi feito para honrar compromissos de sua campanha. O Ministério da Fazenda foi confiado a Clemente Mariani Bittencourt, líder da UDN baiana, que fora presidente do Banco do Brasil em 1954 e 55. Afonso Arinos de Melo Franco, da UDN mineira ficou com a pasta das Relações Exteriores. O Ministério era formado ainda por Clóvis Pestana, do Rio de Janeiro (Viação e Obras Públicas), Oscar Pedroso d’Horta, do Ceará (Justiça e Negócios Interiores); Romero Cabral da Costa, de Pernambuco (Agricultura); Brígido Fernandes Tinoco, do Rio de Janeiro (Educação e Cultura); Francisco Carlos de Castro Neves, de São Paulo (Trabalho); Edward Cattete Pinheiro, do Pará (Saúde); João Agripino Vasconcelos Maia Filho, da Paraíba (Minas e Energia) e Artur da Silva Bernardes Filho, de Minas Gerais (Indústria e Comércio). Já os ministérios militares foram preenchidos pelo marechal Odílio Denys (Ministério da Guerra, que teria sua denominação alterada durante o governo do general Costa e Silva para Ministério do Exército), o brigadeiro Gabriel Grüm Moss (Aeronáutica) e o vice-almirante Sílvio de Azevedo Heck (Marinha), os três do Rio de Janeiro.
Reunião ministerial do governo Jânio Quadros.
No início do seu governo Jânio tomou uma série de pequenas medidas que ficaram famosas, destinadas a criar uma imagem de inovação dos costumes e saneamento moral. Também investiu fortemente contra alguns direitos e regalias do funcionalismo público. Reduziu as vantagens até então asseguradas ao pessoal militar ou do Ministério da Fazenda em missão no exterior e extinguiu os cargos de adidos aeronáuticos junto às representações diplomáticas brasileiras.
Tal como aconteceu quando era governador paulista, Jânio Quadros pretendia prescindir da maioria parlamentar, mas duas reações foram imediatas: a dos que o acusavam de veleidades ditatoriais e desprezo pelo Poder Legislativo, e a dos setores nacionalistas, que viam na composição do novo governo uma prova de submissão ao FMI – Fundo Monetário Internacional, pela nomeação do banqueiro Clemente Mariani para o Ministério da Fazenda.
Seguindo um amplo programa anti-inflacionário, em 13 de março de 1961 o Presidente Jânio decretou uma reforma cambial, cuja consequência imediata foi a desvalorização do cruzeiro (a moeda brasileira da época) em 100% e o corte dos subsídios na importação de trigo e gasolina. Disso decorreu um galopante aumento do custo de vida, coincidindo com o congelamento dos salários e restrição ao crédito, o que gerou imediatos protestos sindicais.
Embora contasse com o apoio tácito do Congresso Nacional para sua política de austeridade, Jânio encontrou sérias resistências, mesmo entre seus correligionários, em relação a outros projetos em andamento, como o da reforma da lei antitruste, o da remessa de lucros, o do imposto de renda e o da reforma bancária.
Segundo o seu ministro das Minas e Energia, o paraibano João Agripino, “Jânio atraía contra seu governo todos os grupos econômicos deste país e ao mesmo tempo impunha aos humildes sacrifícios quase insuportáveis”.
Na tentativa de agradar o FMI pela austeridade, a classe média pela sindicância moralizadora dos escândalos financeiros e as camadas populares pelas reformas, Jânio conseguiu, em poucos meses, multiplicar as oposições.
Os Famosos “Bilhetinhos”
Jânio Quadros na capa da revista americana Times.
Alpargatas, blusões folgados, os famosos slacks com jaquetas tipo safari (também conhecidos como pijânios) — era a imagem tropical de um novo estilo de presidente.
Parte dessa performance foram os não menos famosos “bilhetinhos” que Jânio enviava diariamente a funcionários dos mais diversos escalões, como parte de sua estratégia moralizadora da administração pública.
Esperados muitas vezes com humor pela imprensa, esses pequenos recados causavam frequentemente irritação e até desespero nos que os recebiam. Prova é que, dos 1.534 bilhetes ditados durante a presidência, apenas onze foram de elogios ou homenagens.
O ministro da Fazenda, Clemente Mariani, por exemplo, foi vítima de cerca de 600 deles, o que contribuiu sensivelmente para o desgaste de suas relações com o presidente. Certa feita, o Ministério da Agricultura foi contemplado com um bilhetinho que dizia literalmente: “O objetivo da próxima safra de amendoim deve ser o do atendimento do mercado interno, com largas sobras para exportação, dobrando-se, pelo menos, essa cultura em relação à safra de 1959/60”.
Jânio Quadros e Carlos Lacerda.
Na prática, essas pequenas notas funcionavam, sobretudo como decretos oficiosos, transformando em “lei” várias das pequenas decisões quase legendárias de Jânio.
O funcionalismo público foi o alvo predileto dos “bilhetinhos”: sindicâncias, horário de dois turnos com aumento da jornada de trabalho, cortes de gastos de representação e até ordem para à devolução de carros luxuosos. Muitas vezes justos, a maioria desses bilhetes tratava de assuntos que, sem dúvida, não competiam ao presidente da República.
Jânio também proibiu o biquíni na transmissão televisada dos concursos de miss, acabou com as corridas de cavalo em dias úteis, com as rinhas de galo, com o lança-perfume em bailes de carnaval e regulamentou o jogo de carteado. Por mais hilárias que possam ter parecido essas medidas na ocasião, 60 anos depois todas essas leis editadas por Jânio ainda continuam em vigor.
Política Externa Radical
Enquanto aplicava uma política interna de austeridade, submissa às orientações do Fundo Monetário Internacional, Jânio Quadros radicalizava progressivamente na chamada Política Externa Independente – PEI.
Essa diretriz introduziu grandes mudanças na política internacional do Brasil, transformando as bases da sua ação diplomática e representou um ponto de inflexão na história contemporânea da política internacional brasileira, que passou a procurar estabelecer relações comerciais e diplomáticas com todas as nações do mundo que manifestassem interesse num intercâmbio pacífico. Essa modalidade de fazer política externa foi firmemente conduzida pelo chanceler Afonso Arinos de Melo Franco.
Jânio levou adiante seu projeto de estabelecer relações com as recém-independentes nações africanas e do bloco socialista. Nomeou Raimundo Sousa Dantas embaixador do Brasil em Gana, sendo este o primeiro embaixador negro brasileiro. Por meio de um sem-número de bilhetes recomendava o reatamento diplomático com os países do Leste, alegando objetivos econômicos. Pronunciou-se contrário à tradição brasileira de apoio às potências colonialistas, sobretudo na África portuguesa, e favorável à admissão da China nas Nações Unidas. Em maio de 1961 recebeu no palácio do Planalto a primeira missão comercial da República Popular da China enviada ao Brasil.
O cosmonauta soviético Yuri Gagarin (a direita), o primeiro homem a ir ao espaço, recebe a Ordem do Mérito Aeronáutico de Jânio Quadros e do brigadeiro Gabriel Grüm Moss, Ministro da Aeronáutica.
O mesmo fato se repetiu em julho com a missão soviética de boa vontade, que pretendia incrementar o intercâmbio comercial e cultural entre o Brasil e a União Soviética. As primeiras providências para o reatamento diplomático entre os dois países começaram a ser tomadas em 25 de julho, mas o processo só seria concluído durante o governo Goulart. Antes disso, em julho de 1961, Jânio Quadros condecorou com a Ordem do Mérito Aeronáutico o cosmonauta soviético Yuri Alexeievitch Gagarin, o primeiro homem a ir ao espaço e que visitava o Brasil.
Essa radical mudança na política exterior do Brasil não foi bem vista pelos Estados Unidos, nem por vários grupos econômicos que se beneficiavam da política anterior e nem pela direita nacional, em especial por alguns políticos da UDN, que apoiaram Jânio Quadros na eleição.
Uma Medalha para o Che
Entre os dias 5 e 17 de agosto de 1961 ocorreu em Punta del Este, Uruguai, a reunião do Conselho Interamericano Econômico e Social da Organização dos Estados Americanos – OEA. Nela estiveram reunidos ministros e dirigentes das economias dos países latino-americanos, incluindo Ernesto Rafael Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara, revolucionário marxista e então ministro da Economia de Cuba. A finalidade desta reunião foi discutir o então novo programa da política externa dos Estados Unidos para a América Latina, a Aliança para o Progresso, cujo intuito era desenvolver economicamente e socialmente os países latino-americanos.
Ernesto Che Guevara sendo condecorado por Jânio Quadros.
Ao fim da reunião Che Guevara viajou para a Argentina e na sequência para o Brasil. Jânio aproveitou a passagem de Guevara para pedir, com êxito, a libertação de 20 padres espanhóis presos em Cuba, que estavam condenados ao fuzilamento, exilando-os na Espanha. Aproveitaram e discutiram as possibilidades de intercâmbio comercial por meio dos países do Leste europeu. Finalmente, em 18 de agosto o presidente condecorou o ministro cubano com a Grã Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, o que provocou a indignação dos setores civis e militares mais conservadores.
As possíveis consequências desse ato foram mal calculadas por Jânio. Sua repercussão foi a pior possível e os problemas já começaram na véspera, com a insubordinação da oficialidade do Batalhão de Guarda que, amotinada, se recusava a acatar as ordens de formar as tropas defronte ao Palácio do Planalto, para a execução dos hinos nacionais dos dois países e a revista dos militares. Só a poucas horas da cerimônia, já na manhã do dia 19, conseguiram os oficiais superiores convencer os comandantes da guarda a se enquadrarem e participarem da cerimônia.
O Fim no Dia do Soldado
Uma verdadeira cruzada passou a ser desencadeada contra a Política Externa Independente de Jânio. Para seus críticos essa política nada mais era do que declarações e ações com fins publicitários e vista por muitos como uma tentativa de atenuar a tensão provocada pelas decepções com sua política interna. O certo é que a condecoração de Che Guevara foi o bastante para o jornalista Carlos Lacerda, então governador do Rio de Janeiro, da UDN, romper publicamente com Jânio Quadros. O presidente perdia assim a sua frágil base parlamentar no Congresso.
Em várias oportunidades, o ministro da Guerra, Odílio Denys, também chegou a adverti-lo sobre a insatisfação da alta hierarquia militar. No plano internacional, a situação não melhorou para o governo.
Jânio parecia ter conseguido com suas ações desagradar a gregos e troianos.
Fotograma da película que mostra a cerimônia do Dia do Soldado em 25 de agosto de 1961, o último ato que Jânio Quadros participou como presidente do Brasil.
Em 25 de agosto de 1961, Dia do Soldado, o presidente Jânio Quadros apresentou à nação sua carta de renúncia. O seu último ato presidencial foi um terrível equívoco, uma tentativa de golpe mal arquitetada. O objetivo de Jânio Quadros era criar um clima de comoção nacional de tal modo que os ministros militares, o Congresso e a população pedissem para que ele ficasse. Seu objetivo era negociar sua permanência na presidência da República com poderes excepcionais.
O Congresso, segundo a Constituição, não tinha poderes para negociar uma renúncia, que era um ato unilateral do presidente. A única obrigação do Congresso era investir os poderes ao vice.
Jânio Quadros, ao receber a notícia de que sua renúncia foi acolhida, chorou copiosamente. Seu mandato presidencial de 206 dias (quase sete meses) foi um dos mais breves na história da presidência do país.
A população, frustrada com as medidas econômicas rígidas e com os decretos moralistas, não reagiu como o Presidente esperava. Os ministros militares se limitaram a publicar um manifesto atestando que o vice-presidente, João Goulart, que se encontrava em visita oficial à China comunista, não deveria assumir a Presidência da República por representar um perigo aos quadros democráticos e constitucionais, pois Jango seria apoiado por elementos do clandestino Partido Comunista.
O país estava à beira de uma grave crise por conta da obsessão anticomunista de parcela significativa das Forças Armadas brasileiras. O conflito, entretanto, foi evitado graças a uma solução política negociada: a criação da Emenda Parlamentarista.
O sistema parlamentarista era um paliativo, pois garantia a posse de Goulart, ao mesmo tempo em que retirava os poderes políticos do Executivo federal e o transmitia para o Congresso Nacional, que indicaria um Primeiro-Ministro. Desta forma, Goulart poderia voltar ao Brasil e tomar posse. Foi escolhido como Primeiro-Ministro o político mineiro Tancredo de Almeida Neves. Para Juscelino Kubitschek, que na época era senador, declarou que “a Emenda Parlamentarista foi aprovada por pressão militar”.
O sistema parlamentar, entretanto, teve vida curta. Em 6 de janeiro de 1963, um plebiscito aprovou o retorno ao regime presidencial e, segundo os próprios militares, aquilo foi o início da contagem regressiva para o golpe contra Jango.
O resultado está estampado na manchete abaixo…
Extraído do blog Tok de História do historiógrafo e pesquisador do cangaçoRostand Medeiros.https://tokdehistoria.com.br/2021/04/12/janio-quadros-na-presidencia-do-brasil-da-esperanca-em-um-salvador-da-patria-ate-a-renuncia-no-dia-do-soldado/ http://blogdomendesemendes.blogspot.com