Por Nos Caminhos do Cangaceiro Antônio Silvino
Entrevista concedida
por Terezinha de Jesus Soares e José Soares netos do "Rifle de Ouro"
Antônio Silvino.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Nos Caminhos do Cangaceiro Antônio Silvino
Entrevista concedida
por Terezinha de Jesus Soares e José Soares netos do "Rifle de Ouro"
Antônio Silvino.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Nos caminhos do Cangaceiro Antônio Silvino
Visita do Professor
Julierme a antiga Fazenda Nova Vista do Major Raulino Maracajá.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por TodoNatalense
Você já se
perguntou o porquê do feriado dos Mártires de Uruaçu e Cunhaú? Nesse vídeo a
gente conta um pouco da história de forma descontraída. Não esquece de
compartilhar esse conteúdo com seus amigos
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Ivanaldo Santos, filósofo – Fraternidade São Próspero - (ivanaldosantos@yahoo.com.br)
EXISTE UM CAPÍTULO pouco conhecido e fascinante da história do Brasil. Trata-se do martírio, no século XVII, de um grupo de cristãos conhecidos como os Mártires de Cunhaú e Uruaçu, Protomártires do Brasil e Mártires do Brasil. De forma sintética, resume-se a história desse martírio da seguinte forma:
Mártires de Cunhaú e Uruaçu é o título dado aos 30 cristãos martirizados, no interior do Rio Grande do Norte no século XVII. Foram vítimas de duas chacinas, ambas no ano de 1645, no contexto das invasões holandesas ao nordeste do Brasil. A primeira chacina ocorreu na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú, município de Canguaretama; e a segunda em Uruaçu, comunidade do município de São Gonçalo do Amarante. Nessas duas chacinas, um grupo formado principalmente por soldados e comerciantes holandeses desejava que os fiéis católicos se convertessem ao protestantismo, negassem publicamente a fé cristã, e, por causa disso, ajudassem a combater a insurreição popular contra a invasão holandesa. Naquele momento histórico, essa insurreição acontecia principalmente no estado de Pernambuco. Como os fiéis se recusaram a atender as exigências e a ajudar o invasor holandês, foram assassinados dentro da capela.
Muitos morreram de joelhos e o ato de maior heroísmo se deu por parte de Mateus Moreira que, antes de morrer, gritou a clássica oração: "Louvado Seja o Santíssimo Sacramento". Entre os cristãos martirizados encontram-se o Padre André de Soveral e o Padre Ambrósio Francisco Ferro.
Desde o século XVIII o martírio de Cunhaú e Uruaçu é citado, referendado e investigado por historiadores, cronistas e outros pesquisadores. Entre esses pesquisadores cita-se, por exemplo, Tavares de Lira e Câmara Cascudo. A partir da década de 1980, esse acontecimento histórico foi redescoberto, investigado e analisado por intelectuais como Dom Alair Vilar e o Monsenhor Francisco de Assis Pereira. Entre as consequências positivas desse esforço, dentre outras, consta o processo de beatificação dos mártires.
Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados no dia 5/3/2000 pela Papa João Paulo II. No dia 3/10/2015 o Arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, anunciou oficialmente que o Papa Francisco canonizará, em data ainda não agendada, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu, uma informação que foi confirmada, no mesmo dia, pela Sala de Impressa da Santa Sé. Espera-se que essa canonização aconteça durante a visita do Papa Francisco ao Brasil, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em 2017.
De forma resumida apontam-se seis pontos positivos que envolvem a redescoberto e o interesse histórico em torno dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, um interesse que culminou na beatificação e na provável canonização dos mártires pela Igreja.
Primeiro, importante oportunidade, quase única, de se investigar de forma séria a história colonial e a formação das cidades históricas no nordeste do Brasil e especialmente no Rio Grande do Norte.
Segundo rara oportunidade de se promover e efetivar a preservação do patrimônio histórico (casas, igrejas, prédios, etc.) das cidades históricas do Rio Grande do Norte, como, por exemplo, Canguaretama e São Gonçalo do Amarante.
Terceiro, promoção da cultura por meio das festas, danças e ritos populares.
Quarto, promoção do turismo, especialmente do turismo religioso. Vale salientar que o turismo é uma das maiores fontes de emprego e renda no Rio Grande do Norte.
Quinto, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu devem constar como um importante capítulo nos livros de História do Rio Grande do Norte e de História do Brasil.
Sexto, realização de escavações arqueológicas e de investigações históricas, antropológicas e de outras matrizes nos sítios históricos de Cunhaú e Uruaçu.
Por fim, afirma-se que os Mártires de Cunhaú e Uruaçu são um importante acontecimento histórico, sociocultural e religioso que precisa ser mais investigado e divulgado nas escolas, públicas e privadas, nos centros culturais e de difusão do conhecimento. Trata-se de um dos mais importantes acontecimentos ligados ao período colonial, ao domínio holandês no nordeste do Brasil e a história do Rio Grande do Norte.
Bibliografia consultada:
ANDRADE, Rosa Lúcia. Fé e sacrifício no Engenho Cunhaú. In: A República,
Suplemento 'Nós do RN', Natal, Ano II, n. 20, julho, 2006, p. 3-6.
BETTENCOURT Dom Estêvão. A inquisição protestante, in: Pergunte e Responderemos
n. 500, fevereiro, 2004.
CARVALHO, Alfredo. Um intérprete dos Tapuios. Natal: Sebo Vermelho, 2011.
MONTEIRO, Eymard. Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Natal: Nordeste, 1997.
OLIVEIRA, Luiz Antônio. O teatro da memória e da história: alguns problemas de
alteridade nas representações do passado presentes no culto aos mártires de
Cunhaú-RN. In: Mneme, Revista de Humanidades, v. 4, n. 08, 2010.
PEREIRA, Monsenhor Francisco de Assis. Protomártires do Brasil. Aparecida:
Santuário, 2009.
https://www.ofielcatolico.com.br/2017/04/os-martires-brasileiros-de-cunhau-e.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Wikipédia
Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu ou Protomártires do Brasil é o título dado pela Igreja Católica aos trinta católicos martirizados no interior da capitania do Rio Grande — cujo território daria origem à província do Rio Grande do Norte e posteriormente ao estado do Rio Grande do Norte. Foram vitimas de dois morticínios, ambos no ano de 1645, no contexto das invasões holandesas no Brasil. O primeiro massacre ocorreu na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho de Cunhaú, município de Canguaretama; o segundo foi na comunidade de Uruaçu, no município de São Gonçalo do Amarante.
São vinte e cinco santos e cinco santas. Foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 5 de março de 2000. No dia 23 de março de 2017 o Papa Francisco autorizou a canonização dos trinta mártires do Rio Grande do Norte. A canonização ocorreu em uma cerimônia no Vaticano, em 15 de outubro de 2017.[1][2]
O primeiro engenho construído na capitania do Rio Grande foi palco de uma disputa territorial e religiosa envolvendo colonos portugueses, holandeses e nativos (indígenas Janduís), uma das mais trágicas disputas da história do Brasil. No ano de 1645, a capitania era dominada pelos holandeses.
Jacob Rabbi, um judeu alemão que lá chegou por meio de um convite holandês, casou-se com uma indígena e morou junto da tribo dos Janduís, seguindo os costumes dos nativos. Chegou ao engenho em 15 de julho de 1645, mas já era conhecido pelos moradores, pois havia passado por lá anteriormente, sempre escoltado pelas tropas dos índios Tapuias e Janduís. Nesse dia, veio com mais violência. Além dos Tapuias, trazia alguns potiguares e soldados holandeses. Era domingo, dia 16 de julho de 1645 e, como de costume, os fiéis reuniram-se para celebrar a Eucaristia. Foram à missa na igreja de Nossa Senhora das Candeias, mas Jacob Rabbi havia fixado um edital na porta da igreja: após a missa, haveria ordens do governo holandês. O pároco, padre André de Soveral, responsável pela catequização e disseminação do catolicismo na região, começa a celebração e, depois do momento da elevação do Corpo e Sangue de Cristo, as portas da capela foram fechadas: deu-se início ao ataque pelos nativos e invasores holandeses aos colonos leigos e clérigos que celebravam a missa. Ao verem que seriam mortos pelas tropas, os colonos pediram misericórdia a Jesus "entre mortais ânsias, confessaram-se ao sumo sacerdote pelo perdão por suas culpas", enquanto o padre André estava tendo o seu coração arrancado brutalmente do peito pelo jaguar da floresta".
Em 3 de Outubro de 1645, três meses depois do massacre de Cunhaú, aconteceu outro, desta vez na comunidade de Uruaçu, este também a mando de Jacob Rabbi.
Logo após o primeiro massacre, o medo se espalhou por aquela e por outras capitanias. A população ficou receosa, pois tinha medo de novos ataques. No massacre de 3 de outubro, foram cenas idênticas, no entanto com mais crueldade. Depois da Eucaristia, fecharam as portas da igreja e os mataram ferozmente, arrancaram suas línguas para não proferirem orações católicas, braços e pernas foram decepados, crianças foram partidas ao meio, e grande parte dos corpos foi degolada. O celebrante, padre Ambrósio Francisco Ferro, pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, mesmo vivo, foi muito torturado. O camponês Mateus Moreira, sacristão da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, mesmo arrancado seu coração, exclamou: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento", e por esse motivo, ele é patrono dos ministros extraordinários da comunhão no Brasil.[carece de fontes]
| “ | São estes os sentimentos que invadem nossos corações, ao evocar a significativa lembrança da celebração dos quinhentos anos da evangelização no Brasil, que acontece este ano. Naquele imenso País, não foram poucas as dificuldades de implantação do Evangelho. A presença da igreja foi se afirmando lentamente mediante a ação missionária de várias ordens e congregações religiosas e de sacerdotes do clero diocesano. Os mártires, que hoje são beatificados, saíram, no fim do século XVII, das comunidades de Cunhaú e Uruaçu, do Rio Grande do Norte. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro – presbíteros e 28 companheiros leigos pertencem a esta geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração de novos cristãos. Eles são as primícias do trabalho missionário, os protomártires do Brasil. Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento | ” |
Os mártires são lembrados em duas datas, no dia 16 de julho em Canguaretama, e dia 3 de outubro em São Gonçalo do Amarante. Esta última data é lembrada a caráter estadual: pela lei Nº 8.913/2006, que declara a data feriado estadual.
São lugares de romarias e peregrinações a Capela dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu em São Gonçalo do Amarante; o Santuário dos Mártires, no bairro Nossa Senhora de Nazaré em Natal, e a capela de Nossa Senhora das Candeias, no antigo engenho de Cunhaú.
Os Santos Mártires foram canonizados pelo Santo Padre o Papa Francisco em 15 de outubro de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano.[1][2]
Por g1 RN
Data é celebrada na próxima segunda-feira (3) com cerimônias em Natal e São Gonçalo do Amarante.
Santuário dos
Mártires de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante — Foto: Sandro Menezes
A data da
Igreja Católica dedicada aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, na próxima
segunda-feira (3), será marcada por celebrações religiosas no Rio Grande do
Norte. O dia é feriado estadual.
Os festejos
acontecem nos dois santuários dos Mártires, localizados nas comunidades de
Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante, e no bairro Nazaré, na Zona Oeste de Natal.
Na comunidade
de Uruaçu, a festa dos Santos Mártires começou no dia 24 de setembro e segue
ate´a segunda (3), com missa, às 5h, recitação do terço às 18h30, e novena às
19 horas, diariamente.
No feriado no
Rio Grande do Norte, a programação será mais intensa, iniciando às 5h30, com
uma caminhada, saindo da Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, com destino
ao Santuário dos Mártires.
Durante o dia
ainda serão celebradas missas às 7h, às 10h e às 12h. A partir das 14h,
acontecerá um momento de louvor, animado pela cantora Fátima Santos, e, às 15h,
apresentação da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte e quinteto violado.
Às 17h, será
celebrada a missa solene, presidida pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Jaime
Vieira Rocha.
No bairro
Nazaré
No Santuário
dos Mártires, no bairro de Nazaré, em Natal, a festa dos padroeiros do Rio
Grande do Norte só terá início na próxima segunda-feira, às 9h, com a missa
presidida pelo arcebispo Dom Jaime Vieira Rocha.
No período
festivo, que se estenderá até o dia 12, também haverá a celebração de novena,
sempre às 19 horas.
Mártires
Os massacres
de Cunhaú e Uruaçu ocorreram em 1645, no Rio Grande do Norte. O relato
histórico oficial conta que holandeses invadiram o Nordeste do Brasil,
interessados nos engenhos de cana-de-açúcar. Os comandos, no país, partiam de
Pernambuco. Além do objetivo econômico, entretanto, os invasores tentavam impor
a religião calvinista por onde passavam.
Em terras
potiguares, os holandeses foram liderados pelo alemão Jacob Rabbi, que reuniu
uma tropa formada por soldados e índios e atacou o engenho de Cunhaú, no
município de Canguaretama. O ataque aconteceu na manhã do domingo 16 de julho
de 1645, dentro da Capela de Nossa Senhora das Candeias, onde era celebrada uma
missa. Três meses depois, um novo ataque aconteceu em Uruaçu, em São Gonçalo do
Amarante, também na Grande Natal. Ao todo, 80 pessoas foram mortas.
A celebração da beatificação dos mártires de Cunhaú e Uruaçu aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, no dia 5 de março de 2000. No dia 15 de outubro de 2017, no Vaticano, o Papa Francisco declarou santos, de uma só vez, 30 mártires de Cunhaú e Uruaçu.
https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2022/09/30/igreja-catolica-divulga-programacao-religiosa-do-feriado-dos-martires-de-cunhau-e-uruacu-no-rn-confira.ghtml
http://blogdomendesemendes.blogspot.com
Por Redação do ge — Rio de Janeiro, RJ
O "Galinho de Ouro" enfim descansou. Um dos maiores boxeadores da história, tricampeão mundial do peso-pena, o brasileiro Éder Jofre morreu neste domingo, dia 2, aos 86 anos, em São Paulo. Ele estava internado desde março por causa de uma pneumonia e morreu em razão de complicações da doença. O paulista sofria de encefalopatia traumática crônica, doença conhecida por "demência pugilística", dignosticada em 2015.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/J/4/0Djb6ASW2AKgyBan5veA/eder-jof1.134801.jpg)
Éder Jofre com o cinturão de campeão do peso galo da Associação Mundial de Boxe — Foto: Arquivo Agência Estado
Jofre nasceu no dia 26 de março de 1936, na Rua do Seminário, no Centro de São Paulo e, ao deixar o esporte, tinha construído um invejável cartel de 81 lutas, 75 vitórias (52 por nocaute), quatro empates e duas derrotas. A paixão pelo boxe era algo inerente à família, que chegou a ter sete atletas na modalidade.
Filme vai contar a história do ex-boxeador Éder Jofre
Apesar da tradição familiar no boxe, a paixão pelo esporte ficou adormecida em Jofre, que desejava ser desenhista. Até que o teto do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo caiu e destruiu todo o seu material escolar.
Desiludido e incentivado pelo pai, o argentino naturalizado brasileiro José Aristides Jofre, ou apenas Kid Jofre, o futuro tricampeão mundial de boxe iniciou seus treinamentos. Aos 14 anos, começou a nascer o Galinho de Ouro do Brasil, que ia conquistar os títulos de peso pena pelo Conselho Mundial de Boxe (WBC) e do peso galo também pela WBC e pela Associação Mundial de Boxe (WBA).
- Comecei a treinar para lutar com 14 anos. E com 16 anos fiz o meu primeiro combate, no Campeonato do Sesi, em 1952 - contou Jofre, em entrevista à TV Globo, em 2011.
Kid Jofre foi tudo na vida do filho. Dono de uma academia de boxe, onde atletas do São Paulo Futebol Clube treinavam, ele não só ensinou como esteve ao lado de Éder até morrer de câncer no pulmão, em março de 1974.
- Me lembro da última luta em que ele esteve, já muito debilitado pela doença. Mesmo assim, fez questão de ser meu treinador no córner. E a cada intervalo ele subia e descia os degraus do ringue e fica muito cansado. Então, tentei terminar a luta o mais rápido possível só para ele não ficar cansado - contou Jofre.
Aos 20 anos, um ano antes de se tornar profissional, Éder Jofre disputou aquela que seria a sua única Olimpíada, em Melbourne 1956. A fama do brasileiro que tinha um futuro promissor no boxe já percorria o mundo e ele chegou na Austrália como favorito.
Mas, durante um treinamento, seu pai, Kid Jofre, optou por colocá-lo para praticar contra um lutador de uma categoria mais pesada. E durante a movimentação, Éder teve o nariz quebrado, mas mesmo com dificuldades para respirar decidiu continuar nos Jogos.
+ O maior peso-galo da história! Éder Jofre, o "Galinho de Ouro", completa 82 anos
+ Éder Jofre, ex-pugilista, se emociona ao reencontrar adversário de 50 anos
+ O último nocaute: Éder Jofre volta aos ringues e luta contra campeã de boxe
Jofre não participou da primeira rodada, entrou nas oitavas-de-final, enfrentou Theinmyint, da Birmânia (atual Myammar) e avançou às quartas-de-final. Mas contra o chileno Claudio Barrientos perdeu por pontos e totalizou sua primeira derrota como amador.
- Nas Olimpíadas, fui fazer luva com o Celestino, que era peso leve, machuquei o septo nasal e não podia respirar direito, podem até pensar que era desculpa. Mas em 1957, me tornei profissional e depois de quatro ou cinco lutas fui lutar novamente contra o Barrientos. O levei à lona por oito vezes, antes do nocaute final. Queria mostrar que nas Olimpíadas não havia perdido para ele - afirmou Jofre.
No dia 18 de novembro de 1960, Jofre se tornou o primeiro boxeador brasileiro campeão do mundo. Em uma luta no auditório Olímpico, em Los Angeles, ele nocauteou o mexicano Eloy Sanchez no sexto round e conquistou o título do peso galo pela Associação Mundial de Boxe (WBA), aos 24 anos.
Mas, três meses antes, por pouco o triunfo não foi impedido pelo mexicano Joe Medel, naquela que é considerada a luta mais difícil da carreira de Jofre. O vencedor do combate ia disputar o cinturão, o brasileiro foi muito castigado durante o confronto e só resistiu por causa do pai.
- Sentia o sangue escorrer do nariz para a minha boca. Ele me bateu demais e falei para o meu pai que não ia aguentar voltar para o décimo round. Mas o meu pai disse que o Medel estava morto e para eu ir com tudo. Fui e o derrubei - lembrou Jofre.
A conquista do título coroou a trajetória de Jofre. Antes de chegar ao topo, ele já tinha sido campeão brasileiro, sul-americano e latino-americano do peso galo.
Um dos maiores nomes do boxe brasileiro, Éder Jofre sofre com as sequelas da carreira
Jofre continuou sua trajetória vitoriosa e o próximo desafio era o de unificar os títulos do peso galo. No dia 18 de janeiro de 1962, em São Paulo, ao nocautear no décimo round o irlandês Jhon Caldwell, então campeão europeu, ele conseguiu o feito que mais tarde valeria como o título do Conselho Mundial de Boxe (WBC).
- Ele ( Caldwell) falou demais, desfez de mim e do Brasil. Castiguei ele sem pena, porque a gente lutava para engrandecer o nome do Brasil e ele vinha e falava mal? Bati o suficiente para ele não cair. Só quando quis, o derrubei - revelou Jofre.
O campeão brasileiro se manteve no topo do peso galo por cinco anos. Até que o japonês Masahiko "Fighting" Harada impôs as duas únicas derrotas da carreira profissional de Jofre.
A primeira luta aconteceu em 18 maio de 1965 quando Jofre aceitou ir a Nagoia para defender pela oitava vez o cinturão de campeão do peso galo. Após 15 rounds, em decisão dividida dos juízes, Harada foi declarado vencedor, um resultado que muitos especialistas na modalidade contestam até hoje.
Com a derrota, Jofre pediu a revanche e foi atendido. Fez no Brasil uma luta preparatória contra Manny Elias, em que empatou, e viajou para Tóquio, onde encarou novamente Harada.
Em um ginásio lotado por 15 mil pessoas, Jofre e Harada protagonizaram um combate de encher os olhos de qualquer amante do boxe, no dia 31 de maio de 1966. Ao fim de 15 rounds, o japonês voltou a superar o brasileiro por pontos, mas em decisão unânime dos juízes.
- Não é uma desculpa, mas não fui o Éder Jofre naquelas lutas. Lembro que não me adaptei ao fuso, tive de tirar peso. Mas ele era um bom lutador. Ele foi campeão mundial do peso mosca, campeão japonês - disse o brasileiro.
Ao voltar para o Brasil, após sofrer somente a segunda derrota da carreira, Jofre decidiu se aposentar. Iniciou uma série de lutas de exibição em circos, praças e ginásios.
Em muitos desses confrontos, era acompanhado pela tia, Olga Zumbano, que também lutava e conhecida por "Rainha do Ringue". Ela que o levou a muitas apresentações em circos, onde realizava seus shows.
Pelé e Éder Jofre se encontram em Santos
Uma das exibições que mais chamaram a atenção foi a luta contra o cantor Nelson Gonçalves. O músico também era pugilista, chegou a ser campeão em São Paulo do peso médio, mas sucumbiu ao vício das drogas.
Para mostrar que o amigo estava recuperado, Jofre aceitou o desafio. O confronto aconteceu, em 1967, no Ginásio do Ibirapuera, sem um vencedor declarado. Mas após cair ante o campeão mundial, Nelson se levantou e entoou versos da música "Castigo", de Lupicínio Rodrigues: "Homem que é homem faz qual o cedro que perfuma o machado que o derrubou".
Após parar por três anos, Jofre resolveu voltar ao boxe. Já veterano, optou pelo peso pena e demonstrou que, além de estar em forma, continuava com a técnica responsável por torná-lo um lutador único no mundo.
A nova fase foi coroada no dia 5 de maio de 1973, em Brasília, quando ele derrotou o cubano naturalizado espanhol José Legrá e se tornou o novo campeão mundial da categoria peso pena.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2020/C/Z/2LGCrYSPirsAJQbAs1Mg/ederjofre17.114701.jpg)
Éder Jofre (em pé) derrota por nocaute o cubano naturalizado espanhol José Legrá e conquista o título mundial do peso pena — Foto: Arquivo/Agência Estado
Com uma carreira vitoriosa, Jofre ainda lutou por mais três anos até se despedir definitivamente do boxe. E, em São Paulo, no dia 8 de outubro de 1976, um dos dez maiores lutadores entre todas as categorias, se despediu dos ringues com uma vitória contra o mexicano Octavio Gomez.
- Meu golpe preferido era aquele que acertava o adversário. Me sinto orgulhoso por ter subido ao ringue e defendido o meu país de maneira digna. Sou um homem completo em todos os sentidos - ressaltou Jofre.
Um dos maiores reconhecimentos da importância de Jofre para o boxe mundial ocorreu em 1992, quando ele foi imortalizado no Hall da Fama, que fica na cidade americana de Cannastota, em Nova York. O International Boxing Hall of Fame foi criado em 1989 e até o momento o tricampeão mundial é o único brasileiro a ter recebido a honraria.
Em 2021, Jofre foi homenageado por um segundo Hall da Fama do boxe, da Costa Oeste dos Estados Unidos. A solenidade ocorreu em um hotel em Los Angeles, ao lado da Calçada da Fama e do cinema que abriga o Oscar. Apesar dos riscos pela pandemia de Covid-19, Jofre quis receber a honraria pessoalmente. Um desejo atendido pela família.
Após se despedir do boxe profissional, Jofre voltou a realizar lutas de exibição, foi treinador e exerceu por quatro vezes o mandato de vereador, durante 18 anos. E, um de seus orgulhos, era o fato de ter aprovado 26 leis de sua autoria.
Duas das leis que Jofre aprovou foram a de nº 12.093/1996, que obrigou a permanência de UTIs móveis nos estádios, ginásios e locais com grande concentração de pessoas durante um evento e a de nº 11.603/1994, autorizando o uso de gás natural como combustível nas frotas de veículos oficiais e no transporte público
Em 2018, a vida e a gloriosa trajetória de Éder Jofre foram parar nas telas de cinema, no flime "10 segundos para vencer", da Globo Filmes. O longa, que depois virou minissérie exibida na TV Globo e está disponível na plataforma Globoplay, teve a direção de José Alvarenga Jr. e foi protagonizada pelos atores Daniel de Oliveira, que deu vida ao pugilista, e Osmar Prado, no papel de Kid Jofre, o pai do boxeador.
/s.glbimg.com/es/ge/f/original/2018/09/21/wf2a0077.jpg)
Daniel de Olveira, Osmar Prado e Éder Jofre na pré-estreia do filme — Foto: Divulgação
Apesar de debilitado pela doença, Jofre foi ao cinema assistir ao filme. Durante o longa, se emocionou por diversas vezes ao lembrar das dificuldades que teve para chegar à gloria no boxe, sempre na companhia de seu pai, Kid Jofre.
Eder Jofre assiste pré-estreia de filme que conta sua trajetória no boxe
https://ge.globo.com/boxe/noticia/2022/10/02/eder-jofre-tricampeao-mundial-de-boxe-morre-aos-86-anos-em-sao-paulo.ghtml
http://blogdomendesemendes.blogspot.com