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domingo, 22 de maio de 2011

Cangaceira Durvinha: 03 anos de saudades

Por: João de Sousa Lima


            Dia 28 de junho de 2011 faz 03 anos da morte de minha amiga Durvinha. Ela que passou 10 anos no cangaço, foi baleada, picada por cobra, sofreu as dores da saudade e sobreviveu para contar a história.

            Quando fugiram, ela e Moreno, em 1940, saíram margeando o Rio São Francisco, pelo lado pernambucano, até chegarem, depois de vários dias de caminhada, até Bom Jesus da Lapa.


            Em Bom Jesus da Lapa ficaram distante uma légua e meia do centro da cidade, na casa de Gertrudes, depois aproveitaram para ir até a Gruta do Bom Jesus pagar uma promessa que haviam feito para que Durvinha não morresse da picada da cobra. Eles haviam levado um pé de madeira feito por Manuel Miguel, em Tacaratu, Pernambuco. O pé de madeira tinha uma sizura pintada de vermelho, marcando como se fosse o local atingido pelas garras venenosas da serpente.

Moreno e Durvalina 
       
        Na casa de Gertrudes os cangaceiros permaneceram aproxmadamente um mês e meio; Durvinha logo que chegou nessa casa enlouqueceu, correu no quintal quase nua
  
           Um cego que passava por lá e ouviu o corre corre de Moreno segurando sua companheira, foi quem ensinou um remédio para que ela ficasse curada, Moreno foi comprar o remédio, que depois de aplicado como havia recomendado o cego, ela ficou boa.

Aristeia e Durvalina,
que no cangaço eram as maiores amigas

           Quando empreenderam novamente a fuga com destino a Minas Gerais, um cunhado de Gertrudes, chamado Amâncio, acompanhou os dois cangaceiros. No estado de Minas eles se separaram, ficando Moreno e Durvinha no estado mineiro e Amâncio seguindo para São Paulo. Foi uma verdadeira epopeia a fuga do casal para fugirem do cangaço.

            Durvinha deixou saudades, pela amizade construída e por nossa convivência nos últimos tempos, ela se tornou inesquecível, lembro sempre dela e a coloco sempre em minhas orações.
            
             Grande beijo

sábado, 21 de maio de 2011

“ESPÍRITO SANTO: O DEUS DO AMOR”


Por: Kátia Regina Corrêa Santos

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Um pouco sobre Kátia

Kátia é professora e reside na cidade de Bragança,
no Estado do Pará.

           Alguém que acredita no carisma da "COMUNHÃO", da comunhão de vida, e é justamente por esta razão que quero dividir a minha experiência com Espírito Santo com você.

           "Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco...

            É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.

             Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-a todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito. (João 14,15-26)".

Foto Extraída do site: universaljoinville.com.br

“ESPÍRITO SANTO: O DEUS DO AMOR”

O Espírito Santo de Deus
é o Deus do Amor !!!
Ele inflama o nosso coração
do verdadeiro amor,
nos liberta do egoísmo,
nos retira do comodismo,
nos impulsiona a amar,
a fazer o bem pelo outro,
o nosso irmão.

Quando deixamos viver
em nós o Espírito Santo
podemos contemplar
em nós este mistério:
o Espírito Santo de Deus
“a Essência do Amor”
amando através de nós,
maravilhoso mistério
do amor em ação.

Um amor que surpreende
o nosso profundo egoísmo,
o nosso lado humano,
pois nos diviniza no amor
junto com o Espírito Santo:
o “Deus do Puro Amor”,
que gera em nosso coração:
 a solidariedade, a  sensibilidade,
e comunhão com o irmão.

Autora: Kátia Regina Corrêa Santos - Escrito em: 18.12.2010

PAÍSES QUE NOS VISITAM!!!

Extraído do blog: "Doce espírito Santo".








Antônio Silvino visitou Pedra Lavrada, PB.

Por Clodoaldo Melo

A pedra de hoje. Foto de Sávio Perazzo Tavares Cavalcanti


PRIMEIRA VISITA EM 1912


           Pedra Lavrada pode não ter tido o delegado mais valente do mundo, mas já teve o mais “hospitaleiro”, João Jerônimo da Costa. Tratava o cangaceiro Antônio Silvino com a maior deferência do mundo.

O cangaceiro Antonio Silvino

              Era o cicerone de “Fuzil de Ouro” nas duas vezes que ele visitou a cidade, levando-o de casa em casa e apresentando-o às pessoas mais importantes e prestando continência ao bandoleiro. Aí é o que se pode chamar de desvio de função! Aquela autoridade local era para proteger a cidade dos cangaceiros, mas convivia pacificamente com os facínoras.
             Em 1912, o casal D. Ernestina Carrilho de Oliveira, D. Doninha, e Manoel Júlio Rodrigues de Lima, ambos de Catolé do Rocha, moravam em Pedra Lavrada. Eles tinham um pequeno hotelzinho na cidade. D. Doninha era, e ainda hoje é lembrada pelos netos, como a pessoa mais ignorante, estúpida e inconsequente deste mundo de meu Deus. Nunca levou desaforo para casa. Fazer pergunta descabida ou dar palpites fora de tom ou da hora, era pedir para ouvir o diabo de D. Doninha. Era valente mesmo e não abria para um trem não.   
             Manoel Júlio, um neto, diz sobre ela: “Minha vó, Mãe Doninha, era danada. Não se sabe como se vem ao mundo daquele jeito não – e rindo termina – ou velha ruim danada!” Agora que era direita e honesta, era. Essas duas virtudes chegaram nela e pararam.
            Nessa primeira visita de Antônio Silvino à cidade, D. Doninha enviuvara e tocava o hotelinho, sozinha. Antônio Silvino chegou acompanhado do delegado João Jerônimo no estabelecimento de D. Doninha por volta das nove horas da manhã. O delegado fez a apresentação:
            - D. Doninha este é o capitão Antônio Silvino. Capitão, esta é D. Doninha, a mulher que faz o melhor arroz doce do mundo que lhe falei.
            -Silvino olhou o arroz doce e disse:
            - Vou comer do seu arroz, coloque dois pratos.
            D. Doninha colocou dois pratos cheios de arroz na mesa.
            O Cangaceiro olhou-a e ordenou:
            - D. Doninha pode começar comer o seu!
            D. Doninha perguntou:
            -O que? Comer o quê homem?
            Respondeu o bandoleiro:
            -Não ouviu bem, D. Doninha? Mandei comer do arroz.  Eu só como quando quem prepara minha comida come primeiro.
            D. Doninha lhe respondeu alto e bom som:
            - Pois não vai comer não ou coma se quiser. Eu já comi hoje de manhã e só como na hora certa e quando quero. A essa hora não como nada e não tem quem me faça comer à força!

O impasse estava criado


             Foi quando o delegado engolindo em seco balbuciou pisando macio que só cabra procurando penico cheio com o pé em noite escura:   
            -“Caaapiitão, o seeenhor esesestá diante e uma das mulheres mais direeeita da reeegião. Se ela diz que não vai comer, não comerá mesmo. Eu confiiiiiio nessssta mulheeeeer. Diga qual é o meu prato dos dois, Capitão, que comerei por ela. Esssta coomiidaa não tem veneno não!
           O Capitão Silvino trocou os pratos, deu um ao delegado e os dois homens começaram a comer.
           Comeu, gostou e elogiou o arroz doce depois disse:
           - D. Doninha a senhora tem muito dinheiro!
           D. Doninha responde-lhe:
           -Tenho. Posso não ter o valor que lhe disseram, mas tenho dinheiro.
           Silvino continuou:
           - D. Doninha a senhora tem 200 mil réis para me dar?
           E a senhora disse:
           -Tenho sim.
           Enfiou a mão num bolso de um avental e puxou uma nota
esverdeada e grande, uma nota de 200 mil réis.
           - Tome! - estendeu-lhe a mão com o dinheiro D. Doninha.
           Foi quando o cangaceiro, disse balançando a cabeça:
           - Não, não Dona eu não recebo dinheiro de criança, nem de mulher e muito menos de viúva...
           Aí foi quando D. Doninha rodou a baiana, e disse:
           - Capitão Antônio Silvino, se experimenta fumo, mulher de verdade não!
           O Capitão Antônio Silvino saiu rindo e dizendo ao delegado:
           - Tudo como você me falou. O arroz doce é o melhor do mundo e D. Doninha é a mulher mais malcriada ou valente que já conheci


A SEGUNDA VISITA EM 1913


             Na segunda visita do bandoleiro a Pedra Lavrada ele foi recebido pelo delegado João Jerônimo. O coronel Eugênio Vasconcelos, irmão de Chico Ferreira, tinha uma loja e vendia chapéus.
             Antônio Silvino parou na loja viu um chapéu marca Ramezzoni 3X (o melhor que existia, hoje, seu preço varia entre R$ 174,00 a R$ 240,00), e perguntou o preço:
             - Dez mil réis – respondeu o coronel Eugênio.
             O cangaceiro não regateou e deu uma nota de vinte mil réis para o Coronel. Este conheceu a nota falsa e disse acompanhado de gestos de toda gentileza:
             - Ora, Capitão Antônio Silvino, o senhor acha que eu vou cobrar um chapéu a você. Ora, ora...
             O bandoleiro agradeceu o presente (era educado) e, além de levar o chapéu passando a nota falsa, ainda queria mais dez mil réis de quebra. Mas, com o Coronel Eugênio não conseguiu tal proeza.
             À noite o delegado João Jerônimo fez um baile para os facínoras dançarem. A cidade transformou-se numa festa. A sanfona roncava, o xaxado comia no centro e os bandidos bebiam e dançavam. Às quatro horas da manhã Antônio Silvino chamou o delegado e disse:
              - João, eu vou indo e estou sentindo cheiro de macacos (soldados) por perto, mas me dê um recado a eles. Diga ao Comandante da Volante que não vão atrás de mim não que eu estou cansado, pois dancei à noite toda e um homem cansado não corre, briga! Disse isso e saiu logo.          
              Depressa como os cangaceiros chegaram depressa se foram. Na hora de partir não faziam rodas para não atraírem disparos em cima deles e nem se despediam. Eram como ciganos num instante arribavam, era como serpentes escorregavam e sumiam. De repente nenhum cangaceiro no meio do povo.
             Mais ou menos às sete horas da mesma manhã, a volante comandada pelo tenente Joaquim Henrique e auxiliado pelo cabo Piaba chegaram a Pedra Lavrada. O tenente Joaquim Henrique ainda sentiu nas ventas o cheiro de perfume dos cangaceiros (eles andavam muito perfumados) e mandou localizar depressa o delegado.
              O delegado João Jerônimo às pressas ainda ajeitando o cinturão e o chapéu, disse que o bando de Antônio Silvino esteve ali sim, e tinha deixado um recado. E deu o recado sem tirar nem por, sem engordar, sem emagrecer, nem esticar e nem encolher, ele deixou dito para eu dizer a vocês:
             - João, eu vou indo... etc.
             O delegado João Jerônimo era bom de recado, pois só acrescentou o seguinte:
             - Eles saíram para o lado de Parelhas.


AS SERPENTES E A SUSSUARANA


             O tenente Joaquim Henrique bradou:
             - Atenção, os bandidos estão por perto, estão de cavar com a unha. Vamos pegar esses filhos das putas e de mão... - Sigam-me!
             E saíram em marcha acelerada pelo caminho que levava qualquer um que fosse muito disposto à Parelhas no rio Grande do Norte. O caminho era estreito, tortuoso, acidentado, cheios de pedra, com pedras gigantes que surgiam para fechar o caminho ou deixá-lo quase despencando nas escarpas dos riachos que só tinham águas no inverno.
            A cerca de seis quilômetros do então povoado de Pedra Lavrada fica a Fazenda Maxinaré, do Coronel Graciliano Fontini Lordão. Casa grande edificada no sentido Sul-Norte, com duas portas nas laterais da frente e uma janela no meio e alpendrada; a casa ficava de fronte para o povoado, mas não o avistando por conta das serras entre ela e a cidade. O terreno é muito acidentado.
            O cansaço dos cangaceiros era tanto que só aguentaram chegar até em Maxinaré. O Coronel providenciou logo a matança de um carneiro, galinhas, capões e peru. Mas Antônio Silvino e seus cabras, não ficaram na sede da fazenda. Preferiram ficar mais adiante onde depois de se atravessar um riacho, segue-se pela trilha aberta com o lado esquerdo da vereda, sendo uma escarpa de até trinta metros de despenhadeiro e, o direito, uma elevação de mais de 10 metros de altura sem nenhuma pedra capaz de esconder um homem.
            Ao começar descer a vereda em busca do riacho que dobra à direita, têm-se uns blocos de pedras mais ou menos da altura de um homem dispostos na forma de dominós postos de lado e distantes dos outros em distâncias variadas. Homens, as pedras assim dispostas são trincheiras naturais, colocadas ali pela natureza! Os cabras do Capitão Antônio Silvino dormiam atrás delas como se fossem serpentes prontas para o bote e injetar o veneno mortífero da mais terrível delas. Vir na vereda em buscas daquelas trincheiras rochosas era como ir entrando num funil: de um lado o despenhadeiro, do outro, a subida íngreme; em frente, o encontro com a morte!
           A polícia ia de marcha batida. O rastejador na frente comia a distância entre eles e os cangaceiros. Assim passaram no terreiro da casa grande da Fazenda Maxinaré. A ânsia de pegar os cangaceiros era tanta que nem sentiram o cheiro das carnes nas panelas. Nunca tinha pegado tanta moleza - talvez pensasse consigo o rastejador - pois os rastros eram fresquinhos, os galhos quebrados ainda soltavam o aroma característico de sua planta, as pedrinhas deslocadas pelo solado de couro dos bandidos, o horário era bom porque ainda era de manhã e, como estavam tão perto deles, a noite não os cobririam antes que eles pusessem as armas em cima daquele bando de malfeitores. O Capitão Joaquim Henrique experiente já tinha pegado o coice da tropa. Seus homens estavam com ânimos e o combate estava próximo.

Antonio Silvino

           Quem sabe, se ao começar descer o riacho depois daquelas pedras postas como se fossem dominós, não descem com a vista no bando de criminosos que fugia entre pedras, feitos cabritos saltadores, pulando sobre e entre elas, com medo da onça suçuarana. Ele, Capitão Joaquim Henrique, era a verdadeira onça suçuarana!


O COMBATE DA FAZENDA MAXINARÉ


          O vigia que tinha ficado entre a casa grande da Fazenda e as trincheiras de pedras onde repousavam os bandidos, ao ver a volante, saiu em disparada e avisou a Antônio Silvino. O Capitão que ficava fora do grupo mandou o portador da má notícia avisar a todos: - Eu mandei avisar ao macaco-chefe que não viesse atrás da gente. Se veio, o diabo vai se soltar. Não quero ninguém nem pensando em fugir. O sangue vai dar no meio da canela. Querem briga e vão ter! O Cabra escorregou do esconderijo do Chefe e deu a notícia aos demais cabras. Eram cerca de 20 homens que há dias não brigavam. Estavam com a brigada toda dentro e muitos ressacados da cachaça da noite anterior. Todos se prepararam.
           Os cangaceiros começaram a ouvir as tropeladas da tropa. Pássaros emudeceram, o vento parou. As primeiras cabeças da volante surgiram na ladeira que antecede ao funil descrito antes, que era a chegada nas pedras em forma de pedaços de muralhas. Vinham quase num trote, arma em punho, vontade de brigar. A vereda estreita deixava os soldados em fila indiana e caminhavam perto demais um do outro. Era quase um tirando o pé e o outro botando no mesmo lugar.
           Os primeiros homens chegaram a quase 10 metros dos primeiros paredões de pedras quando ouviram o grito do Capitão Antônio Silvino:
            - Fogo na macacada! O final de seu comando foi abafado pelo som dos disparos em cima dos soldados. Nem bem terminou os primeiros tiros já vários soldados rolando pelo chão: uns feridos outros tentando escapar da carga mortífera cuspida pelas armas dos cabras de Silvino
              Nesse tiroteio os impropérios gritados eram só dos cangaceiros.
             Os soldados não tiveram tempo de esculhambar as mães e irmãs de cangaceiros como era comum nos combates. Mas, ouviram as risadas, os gritos de deboche e de provocações dos cabras: - Tomem macacada filha de aumenta roxa! Vamos matar todos e se amancebar com as quengas mães de vocês! Ainda hoje dormirei com sua irmã mais nova, macaco filho de uma égua! A tropa só tinha tendência para tentar correr, se livrar das balas inimigas, da carga mortal.
             Os tiros dos cangaceiros se repetiam e quase à queima roupa. Em minutos eram soldados feridos, caídos, fora de combate; tinha também soldados feridos sem ser de tiros, mas da tentativa de fuga e acabaram caindo no barranco com pernas e braços quebrados.
             Era dia, quase meio dia, e foi por isso, talvez, que o local não escureceu de tanta fumaça de tiros. Cascas de paus voavam nos resvalar das balas. Além dos gemidos dos soldados ouvia-se o grito longe do Comandante da Volante, Joaquim Henrique:
              - Recuar, recuar, recuar......recuar!


A SAÍDA DE ANTÔNIO SILVINO E O SALDO DA VOLANTE

             Pelo estrago da soldadesca e a condição de vencedor do cangaceiro Antônio Silvino, vê-se que ele não era um facínora sanguinolento. Qualquer cangaceiro, exceto Jesuíno Brilhante, teria caído de assalto sobre a tropa destroçada e ferida e sangrado muito militar. Antônio Silvino preferiu sair escorregando entre as pedras e sumindo em busca de Parelhas. Os cangaceiros não tiveram uma baixa e nem pequenos ferimentos. O prejuízo maior foi não terem se saciado no almoço da Fazenda Maxinaré.
             Já a volante perdeu um homem no local e um gravemente ferido que morreu a caminho de Soledade carregado pelos companheiros em uma rede. O cortejo triste que saiu de Pedra Lavrada em busca de Soledade era desalentador. Os mais feridos em redes; os menos, à cavalo e, os que podiam andar, à pé.
             E o pior de tudo, eram os gemidos dos doentes abaixando ainda mais o moral da tropa destroçada.
             Silvino saiu danado. Passou na Fazenda Retiro, de Zé Gato. Aproximou-se sorrateiramente. O dono da Fazenda estava dentro de casa e escorado numa das janelas, de costas e escorado nos cotovelos e virado para dentro de casa com quem conversava com alguns familiares. Antônio Silvino ao chegar perto da janela, bateu com rifle com força nas pedras do alpendre. O rifle disparou. Seu Zé Gato deu um pulo com o tiro e já caiu de frente para o cangaceiro.
           Silvino impaciente e a ainda movido pela adrenalina do combate, perguntou:
           - Teve medo, Zé Gato?
           - Não – respondeu Zé Gato
           - Eu tive um susto!
          Silvino o encarou, e disse:
          - Zé Gato, hoje estou com o diabo no couro. Matei um bocado de macacos agora, agorinha mesmo. Quero tomar um café amargo. Mande preparar comida e devagar que aquela macacada não vem atrás de mim não. O estrago que fiz na tropa foi grande!
           Completou Zé Gato:
           - Eu escutei os tiros, Capitão. Num se avexe que vai ter café quente e comida pra todo mundo.
           Depois, Silvino alimentado, subiu o Seridó.

 
DEPOIMENTOS


            Manoel Júlio foi quem me falou sobre as visitas de Antônio Silvino e o local do combate. “Na década de sessenta cheguei a visitar o local e cheguei a ver várias árvores, como juremas, pereiro e craubeiras com ferimentos das balas do combate. Manoel Gomes Calisto de Macedo, Manoel Belo, proprietário da Fazenda Maxinaré, nos disse que as árvores feridas no tiroteio entre bandidos e policiais morreram todas. Ficou uma craubeira gigante já na beira do rio, perto do Poço da Menina que a cheia de 1981, que arrombou dozes açudes no mesmo rio, carregou-a.
           O professor Graciliano, neto do professor e coronel Graciliano Fontini Lordão, disse-nos: - De vez em quando achamos cascas de balas quando estamos arrancando macambira para dar ao gado. E acrescentou mais: - Ano passado, encontramos a última e um visitante de Natal, numa hora em que só estava mãe em casa, pediu e ela a deu ao visitante como souvenir.”

Extraído do blog: "Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tenente Pompeu e a Morte de Virgínio

Por: Aderbal Nogueira

Aderbal Nogueira e Aldo Anísio
.
             Companheiros de Cariri Cangaço,

           Segue um trecho importante que gravei com meu amigo Ten. Pompeu Aristides de Moura, em 1996. Vejam que coisa: Estava eu batendo, literalmente, de porta em porta em um bairro meio antigo de Arcoverde - Pernambuco, tentando encontrar alguém da época do cangaço, quando vi um senhor de aproximadamente 90 anos em um portão e, ao interpelá-lo ele me disse que não era dali, era de São Paulo.       
            Nessa mesma hora uma criança passava correndo na calçada e ouviu a conversa, voltou correndo e disse - " meu avô brigou com Lampião e ele mora bem ali". Pois bem, era o Ten. Pompeu, uma pessoa maravilhosa, de quem fiquei amigo e admirador. 


            Nessa época não pertencia à SBEC e nem conhecia o monossilábico amigo Paulo Gastão, a quem tempos depois levei para conhecer o Ten. Pompeu.
 
Paulo Gastão e Aderbal Nogueira
 
             Nesse primeiro contato gravei aproximadamente 8 horas com ele e um dos fatos é esse que envio a vocês  - "A morte de Virgínio e uma perseguição ao bando em Serrinha do Catimbau".
 
Bando de Virgínio Fortunato

           Quase uma década depois, ciceroneado pelo amigo Vilela; que apesar do tênis vermelho e do bornal coloridíssimo; é um cabra arretado de quem eu tenho orgulho de ser amigo, desses que a gente guarda do lado esquerdo do peito,
 
Antônio Vilela ao lado de dona Belizia
 
nos guiou por Serrinha do Catimbau onde pude gravar os outros dois depoimentos das senhoras Josefa e Maria do Carmo, que foram testemunhas oculares do ataque de Lampião àquela localidade e na qual o Tenente Pompeu veio em perseguição ao bando.
 
Bando de Lampião
 
Espero que gostem do vídeo.

 
Aderbal Nogueira
 
 
Extraído do Blog: "Cariri Cangaço"
 
 
Comentário sobre o vídeo de Aderbal Nogueira
Por: Ivanildo ALves da Silveira

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgry747JaM6E0Qh1V0zoIi_6lC1zibnDxXUzscvh_HoGC3N5tzp8BJlmRqCUlqwc3FrqeaoVondKcjlu8LVld4Mphtl0zAvVd0LvrIhZe_Ber135LFl4rVzChRrPKh74rAsKuwjw_Wptg/s320/IVANILDO+(543).JPG

    Observo nesse importante vídeo do rastejador Aderbal , o seguinte:

            1º) Não se sabe exatamente, qual o soldado que matou" VIRGÍNIO", cunhado de Lampião, pois eles atiraram simultaneamente no grupo de cangaceiros, conforme relata o Tenente Pompeu.

            2º) O Tenente Pompeu informa que em um combate no Estado de Alagoas, as "balas" usadas pelo grupo de Lampião, eram do ano de 1932, enquanto que as usadas pela polícia datavam de 1912/13.

            Se nós vermos o depoimento do Tenente Zé Rufino, no documentário de Paulo Gil, "Memória do Cangaço", o mesmo informa, exatamente, o que o Tenente Pompeu narrou, logo acima, ou seja, as "balas" usadas em combate pelo grupo dos cangaceiros de Lampião, eram sempre "Balas Novas", enquanto a polícia usava uma munição mais antiga.

            3º) O Árabe Benjamin Abrahão, o qual filmou Lampião e seu grupo, foi encontrado várias vezes na caatinga à procura do chefe cangaceiro, sem que a polícia o repreendesse, ou tomasse qualquer atitude contra o mesmo.

Benjamim Abraão

             4º) No combate de Serrinha do Catimbau/PE, Lampião teve sua amada (Maria Bonita) ferida, com uma certa gravidade, além de ter perdido um cachorro, que foi fuzilado pelo grupo de civis, que defenderam aquele arraial do ataque cangaceiro.

A rainha do cangaço Maria Bonita
  
     5º) Comungo com o pensamento daqueles que entende, que ainda, falta muita coisa a ser estudada/explorada no ciclo cangaceirístico.

              6º) O amigo Aderbal possui as grandes qualidades de preservar a memória do cangaço, além de partilhar com os amigos, as informações e os fatos que detém, em seu acervo, O que não acontece, infelizmente, como muitos estudiosos do cangaço.

              É por ai....

Abraço a todos.
IVANILDO SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Natal/RN

"Amigo: Tu és culpado também de eu te amar"

Por: Kátia Regina Corrêa Santos

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"AMIGO: TU ÉS CULPADO TAMBÉM DE EU TE AMAR"

Me imagino juíza e bato o martelo e declaro:
amigo, tu também és culpado de eu te amar,
é sim, porque tu também te fizeste ser amado,
ser querido, estimado, cativado e conquistado.

Pois, na vida encontramos inúmeras pessoas,
que às vezes suportamos, toleramos, odiamos,
ou que fazemos um grande esforço de amar,
existem pessoas que simplesmente amamos.

E não sabemos como explicar este amor,
este milagre que ocorre no coração humano,
é uma experiência maravilhosa este amor,
quando o outro também se deixar amar.

A vida promoveu este nosso encontro,
e nos tornamos amigos, parentes, irmãos,
por isto não só eu tenho culpa de te amar,
tu também tens culpa de me fazer te amar.

Estamos, pois sentenciados por lei ao amor,
a amar, a morarmos um no coração do outro,
a destruirmos os poderosos muros da solidão,
a sermos felizes sendo bons amigos, irmãos.

A experiência de amar e se deixar amar,
revelam que Jesus tinha e tem toda razão,
de ter indicado como distintinvo do cristão,
(João 13, 34-35)
a amor: força que retira o egoísmo do coração.


 

OBRIGADO PELA VISITA!

Kátia é professora em Bragança, no Estado do Pará.

Extraído do blog: "Só os apaixonados por Jesus"

terça-feira, 17 de maio de 2011

Meus olhos viram novamente tanta beleza...

 Por: João de Sousa Lima
.
 
            Um dia, em um passado ainda próximo, falei de momentos tão belos que meus olhos viram. Desejei ver tudo novamente; O destino brincou de ironizar com minha visão: Tive graves momentos visuais, lutei, superei, sem antes, homem rude como sou, ajoelhar-me aos pés do Cristo Piedoso; Implorei mais uma chance, o Misericordioso Homem de Deus atendeu meu pedido: Avistei velhos amigos, abracei todos, como se fossem meus últimos dias, senti a vida acarinhando meu coração ainda assustado.

             Nas colinas verdejantes avistei distantes paisagens, respirei os ares vindos das terras dos Cariris, ventos circundantes nas Serras do Araripe. Senti frio, ouvi o assovio dos redemoinhos enquanto fitava aquela imensidão bela. Nos chalés acolhi-me cansado e feliz por jornadas diárias, todos os dias. Pisei solo sagrado do Beato Zé Lourenço.
 
José Lourenço Gomes da Silva
 
             Visitei cruzes aonde a morte chegou sem avisar e sem perdão, senti os remorsos dos dias passados, cruzes erguidas em solo seco e pedregoso, o silencioso Alto do Leitão.
 
Padre Cícero
 
             A história ainda latente em um casarão de tantos anos atrás. Nas paredes marcas de uma defesa talvez inexistente, nas torneiras, paredes furadas, sangrias no barro, defesa de homem polêmico, Cícero Romão Batista, adorado por tantos fiéis, ignorado por leis católicas.


            Homenagem em vida, ao grande Mestre, meu Mestre Amaury, emoção, tímidas lágrimas, merecedor do pouco que se fez, merecedor do muito que se faça, Mito das Letras, da História Oral, perseguidor Incansável das tantas histórias, maior conhecedor delas. Uma simples placa e um coração de amigo junto.
 
Antonio Amaury e João de Sousa Lima 

             Vi um menino ligeiro, correndo sem parar, sorriso sempre presente, como se não houvesse falhas, cansaço ou qualquer pingo de desânimo. Menino grandioso, sorriso farto, abraço verdadeiro: Menino Severo, Severo amigo, Severo Presente, presente da vida; Severo: Digno de ser amado por todos.
 
Manoel Severo e João de Sousa Lima

             Aprendi muito, com palavras de tantos, com as vozes de todos; Sonhei nas imagens do tempo, no tempo do Luiz Lua Gonzaga, sonhos do passado esbranquiçado em películas; Sorvi a semente plantada por Seraine, no canto e no aboio do Rei do Baião.
 
Luiz Gonzaga

               Meus olhos viram tudo de novo, visualizei amigos, abracei tantos; Beijei faces, amei pessoas reais. Vi o belo, como desejei, como pedi novamente; na solicitude de homem rude descobri misericórdia. A vida bela sorriu-me e ingenuamente pedi a Deus para permitisse ver tudo de novo e quando chegar um novo Cariri Cangaço, eu quero estar lá, quero ver as paisagens belas do Cariri, quero abraçar amigos, subir nos tablados, fazer homenagens, ouvir cantos, me encantar com palavras, saber mais das histórias, aprender com tantos, ouvir o canto do vento, no redemoinho do tempo...

               Permita-me Deus, ainda ver outros Cariris Cangaço, entrego-vos meus olhos, em ti descanso, me regojizo, espero; Pagarei com amor ao próximo, amando os amigos, apreciando tuas obras, a natureza fecunda que circunda os Vales Cearenses.
 

João de Sousa Lima
Poeta, pesquisador e escritor
Paulo Afonso BA
 
 
Extraído do blog: "Cariri Cangaço", do amigo Manoel Severo