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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Dinâmica do Cangaço

Por: Paulo Medeiros Gastão


             O sentido da normalidade mostra que todos nós começamos nossas trajetórias, frente ao cangaço, na qualidade de curiosos sobre o mundo cangaceiro. A próxima etapa é tornar-se leitor do tema. Taludos vamos ao campo, onde se descortinou o movimento bélico que mexeu não só com o Nordeste, mas com todo o Brasil.
              Desde o século XIX que a literatura de cordel, tornou-se o veículo eleito para transportar as novas gerações, às histórias mirabolantes dos cangaceiros. Assim podemos citar nomes que fizeram folheto e história ao longo de muitos anos. Citamos: Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athaydé, Rodolfo Coelho Cavalcante, Francisco das Chagas Batista, Dila, J. Gomes, Zé Saldanha, Abraão Batista, José Costa Leite, José Bernardo da Silva e centenas de outros grandes poetas.


               Logo em seguida, ou seja, a partir de 1912 com Carlos Dias Fernandes se deu o início para com as publicações em livro, sobre o tema que ganhava cada vez mais espaço, junto aos leitores curiosos e ávidos por novos relatos.
             Juntaram-se jornalistas, poetas de cordel, escritores, profissionais liberais, religiosos, advogados, membros de academias de letras em nível nacional, estadual e outros, no sentido de ampliar uma história que cativava leitores de todas as camadas sociais.
             O movimento iniciado a mais de um século continua. Parece mais o mar em calmaria, porém, estamos na base de um vulcão sempre emitindo suas larvas e, mostrando as forças que engrandecem ao homem e a natureza simultaneamente.
             O espaço além de folhetos e livros foi ocupado pelo cinema, pintura, televisão, desenho, artesanato em madeira, ferro, fibras, palha, tecidos e uma gama intensa de processos criadores e voltados à manutenção da história dos povos das caatingas.
             Foram estudados coronéis de patente, coiteiros, volantes, rastejadores, comerciantes, políticos e até religiosos. O somatório desses personagens engrandeceu substancialmente a história e ajustou os pontos onde restavam dúvidas ou interrogações da veracidade estabelecida.

Antônio Conselheiro
Antonio Conselheiro
             
                Cangaço e cangaceiros são misturados com a Guerra de Canudos e Antonio Conselheiro - grande líder, a Coluna Prestes, a Revolução de 30, padre Cícero Romão Batista, beatos e religiosidade popular, além de outros motivos bélico-religiosos ou não, que ocorreram nos sertões nordestinos.

Padre Cícero
             
              São inúmeros os casos de pesquisadores que se arvoraram em registrar os momentos ocorridos, tendo-se à frente cangaceiros, volantes e demais participantes da história. Deixaram muitos espaços abertos para futuras investigações. Pois, novos personagens que participaram diretamente das refregas estão aparecendo e prestando suas informações de forma clara e transparente. Novos pontos dentro das fechadas caatingas têm sido visitados e em alguns casos temos os dados registrados pelo sistema oferecido pelo GPS.

      Corisco e o cangaceiro Vinte e Cinco 
       
               Nos últimos tempos temos nos deparado com os depoimentos de Vinte e Cinco & Candeeiro (registrados, porém não divulgados);

O ex-cangaceiro Candeeiro
             Tenente João Gomes de Lira e Neco de Pautilha, hoje residentes em Carqueja, antiga Nazaré;

Manoel Severo e o tenente João Gomes de Lira
            
                 Sílvio Hermínio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, residente em Maceió; Sinhô da Beleza, que canta uma outra versão da música “muié rendeira’,

Aderbal Nogueira e Sílvio Bulhões

            Aderbal Nogueira e Silvio Bulhões exercícios na "Academia". Genésio e Artur Ferreira, primos de Lampião, Dona Especiosa, costureira de Lampião (falecida), e Luiz Flor membro de volante que perseguia cangaceiros, todos, residentes em Serra Talhada, estado de Pernambuco;

Odilon e Luiz Flor
           
               Sargento Elias, residente em Olho d’Água do Casado, Alagoas, remanescente do episódio registrado em Angico, que na época pertencia a Porto da Folha, estado de Sergipe;

Sargento Elias

              Moreno e Durvalina (também chamada de Durvinha), casal residente em Belo Horizonte, Minas Gerais;

Moreno e Durvalina
              
                Maria de Juriti que residia em Canindé do São Francisco e recém falecida; Aristéia, residente em Paulo Afonso, estado da Bahia.

João de Sousa Lima e Maria de Juriti

                  Procurados, identificados e carentes de entrevistas temos: Alecrim, Antônia de Gato, Manuel Tubiba, Maria de Pancada, Bem-te-vi, Rita (vitima de Sabiá), Garrafinha.
                A tendência é conseguirmos um maior número de pessoas, desde que o cangaço teve seu término na região abaixo do Rio São Francisco, ou seja, nos estados de Alagoas, Sergipe e Bahia. Procurando com cuidado ainda conseguiremos bons resultados.
               Por outro lado vejamos alguns dados sobre cangaceiros que atuaram na década de 20 do século passado: Félix da Mata Redonda, também conhecido como Félix Caboge.

Félix da Mata
                   Era pardo, alto, desdentado, apresentando ter trinta e cinco anos de idade, no ano de 1925. Residente na localidade Mata Redonda, situada no município de Triunfo, estado de Pernambuco. Fez parte do grupo que assaltou Mossoró. Assaltou com seu grupo a cidade de Triunfo e tornou-se famoso.
                 Esteve ligado aos acontecimentos dos Sítios Alagoa do Serrote e Caboré (detalhes logo abaixo), ambos no município de Princesa, estado da Paraíba. Participou dos bandos que atacaram Mossoró em 1927. O cangaço não se resume à figura de Lampião.

Sabino Gomes
               
               Sabino Gomes identificado também, como Sabino Gore, Sabino Barbosa de Melo, Sabino Goa, Sabino das Abóboras. É na fazenda Abóboras no sopé da Serra de Triunfo, Pernambuco que está localizada a origem deste cangaceiro que recebeu a   patente de tenente na cidade do Juazeiro do Norte, estado do Ceará.
               Era Sabino baixo, pardo, corpulento, de trinta anos de idade, mais ou menos, quando visitou o Rio Grande do Norte. Participou do fogo do Gavião, dos assassinatos ocorridos nos Sítios Alagoa do Serrote e Caboré, no município de Princesa, Paraíba, juntamente com Lampião, Antonio Ferreira, Horácio Novaes, José Cavalcante (vulgo Dé Araújo), Belarmino Novaes, André Sepahuba, Inácio de Tal (vulgo Jurema), Félix Caboge da Mata Redonda, Carolino (vulgo Juriti), Jorge de Tal (vulgo Maçarico), Manoel Izabel, José Rachel, Vicente - filho da negra Penha -, Sebastião Valério, Ricardo de Tal (vulgo Pontaria), Eleno (vulgo Asa Preta), Hermino de Tal (vulgo Chumbinho), José Cesário, Luiz Berto de Lima, Juvenal Porfiro, José Porfiro, Luiz Pedro, Raimundo Novaes, Damásio (vulgo Chá Preto), Antonio de Tal (vulgo Sabiá), Luiz - filho de Nominata - e outros.
               Seus familiares residem atualmente nos estados de São Paulo, Ceará, Bahia, Pernambuco e Paraíba. Um livro sobre sua vida, está sendo escrito por uma de suas netas, que reside atualmente no estado da Paraíba. Visita Mossoró e retorna para morrer em tiroteio na Piçarra, município de Brejo dos Santos, estado do Ceará. Era homem valente e da extrema confiança de Lampião. Continua em aberto o número de cangaceiros que atacaram Mossoró. Em discussão. Você pode habilitar-se. Aproveite o momento.

Neném do Ouro e Luiz Pedro

                 Luiz Pedro, também conhecido como Luiz Pedro Cordeiro, Luiz Pedro da Canabrava e ainda Luiz Pedro do Retiro. Não aceitou a retirada do seu nome, que indica o local de origem. O Retiro está localizado no município de Triunfo, estado de Pernambuco. Desta comunidade saíram muitos cangaceiros que ganharam fama e outros ficaram no anonimato. Localidade produtora de farinha - a melhor do mundo - e de punhais tão bem feitos, quanto os produzidos no Juazeiro do padre Cícero.
             O cangaceiro esteve ligado ao bando dos Ferreira desde que adentrou ao cangaço. Esteve na cidade de Mossoró e foi dos raros que chegaram a Serra da Baixa Verde, em Triunfo, e de lá após algum tempo, seguem em busca do território baiano, quando vão viver a segunda fase do cangaço lampiônico.
              Luiz Pedro está registrado nos anais de Princesa, como cangaceiro que atacava aquela região, em represália à forma de tratamento que lhes era dada pelo Coronel Zé Pereira, líder da comunidade que, outrora, era identificada como Lagoa do Pecado. Tinha aproximadamente vinte e três anos de idade, quando da sua passagem pelo município de Princesa, deixando com seus companheiros, os seguintes mortos: Antonio Valdivino, Joaquim Alves - velho de 96 anos de idade -, Manoel Rodrigues de Melo, Ananias Alves, Antonio Zuza, Belizário Zuza e o menino Pedro Valdivino, de doze anos de idade. Fazia Luiz Pedro parte do comando maior de Lampião, valente, bravo e de extrema confiança do chefe. Sua morte em Angico e dos outros dez continua em discussão.

Mossoró, 13.06.08.


Paulo Gastão é escritor, pesquisador. Assessor
de Comunicação da SBEC.

Mendes e Mendes...

Por: Manoel Severo


.           O blog do Cariri Cangaço acabou tornando-se ponto de encontro dos muitos amigos que pesquisam, estudam, discutem e são verdadeiros apaixonados pela temática do cangaço em nosso Brasil. Uns famosos, outros com certeza no mesmo caminho; uns curiosos, participativos, outros ensaiando comentários, enfim.

          Hoje nossa revista eletrônica resolveu prestar uma justa homenagem a um dos mais assíduos leitores de nosso cariricangaco.com; o amigo José Mendes Pereira, de Mossoró, que invariavelmente enriquece nosso blog com seus oportunos comentários, dúvidas, reflexões, provocando a interação que só é possível através deste maravilhoso mundo virtual.

É com você, Mendes e Mendes...

Colecionador do Cangaço, Dr. Ivanildo Silveira

Dr. Ivanildo Alves da Silveira:


              Não sei como é que ainda existem pessoas duvidando da morte de Lampião. Se Lampião tivesse escapado da chacina da Grota de Angicos, na madrugada de 28 de julho de 1938, com certeza, um homem corajoso e destemido como era ele, tinha voltado ao sertão pernambucano, sua terra natal, para dizer aos seus conterrânios: "Eu, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo, capitão Lampião, está vivo, gordo e sadio". Em especial, teria infernado a vida do tenente José Lucena, causador da morte de seu pai.
Senhores escritores e pesquisadores: Pelo amor de Deus, não contrariem a literatura lampiônica, já que foi montado o dominó do cangaço pelos próprios senhores.

José Mendes Pereira - Mossoró - Rio Grande do Norte.

Poeta e escritor Kydelmir Dantas

Ilustre escritor Kydelmir Dantas:

              Tire-me esta dúvida. O cangaceiro que aparece na foto abaixo, ao lado direito de Corisco, é mesmo o cangaceiro Vinte e Cinco? Já encontrei em outros textos como sendo o cangaceiro Rouxinho.


José Mendes Pereira - Mossoró- Rio Grande do Norte.


Ilustre Escritor e professor Romero Cardoso:


              Espero que o senhor não receba esta minha dúvida como crítica, e sim, como uma informação correta sobre a data do assassinato de Cristino Gomes da Silva Cleto, "o Corisco". O notável escritor pôs em seu texto que Corisco foi morto no dia cinco de maio de 1940. Alguns pesquisadores do cangaço, informam que a morte do perigoso bandido ocorreu no dia 25 de maio de 1940. Qual seria a data mais correta do tiroteio que aconteceu na região de Brotas de Macaúbas, na Chapada da Diamantina, quando Dadá enfrentou com garra e destemida o tiroteio?
Respeitosamente:


José Mendes Pereira - Mossoró-Rn.

Esse é o Mendes e Mendes, amigo do Cariri Cangaço, que com certeza já é o campeão de postagem de comentários nas muitas matérias de nosso blog. A você caro Zé Mendes, o nosso abraço.

Cariri Cangaço

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Antônio Porfírio e sua Alagadiço

Sawaninha e a réplica do famoso ferro de Zé Baiano, mantido no Museu de Alagadiço

             Gostaria de compartilhar um telefonema que recebi nesta sexta-feira do confrade Antônio Porfírio, de Frei Paulo, quer dizer, de Alagadiço, Sergipe. Há dois anos tive a satisfação de visitar juntamente com minha família; Danielle, Sawanna, Pedrinho, Emily e Manoela; a simpática Alagadiço, famosa pelos episódios de triste lembrança, perpetrados pelo "Gorila de Chorrochó", Zé Baiano. Ali, sob a orientação do pai do amigo Porfírio, conhecemos boa parte da história de sofrimento da vila e de seu povo.

             Quando Virgulino Lampião estava no auge de seu "segundo reinado" em terras sergipanas, estabeleceu Frei Paulo como sesmaria pertencente ao perverso Zé Baiano, da famosa família de cangaceiros Ingracias. Por ali o grande Rei do Cangaço passou por quatro vezes e ali se deu o episódio de emboscada e morte do ferrador do cangaço Zé Baiano. No local, sob a coordenação do amigo Porfírio foi erquido um mausoléu e um museu, reunindo parte do espólio dos personagens da saga  cangaceira em Alagadiço.

Local da morte de Zé Baiano e seu grupo

              Pois bem, nesta sexta-feira a tarde qual não foi minha supresa ao receber a ligação de Antônio Porfírio, que entre uma conversa e outra, comentava sobre o importante papel do blog do Cariri Cangaço no fortalecimento dos espaços de pesquisa e discussão do tema cangaço, ao mesmo tempo em que nos assegurou a excelente aceitação de nossa humilde revista eletrônica no estado de Sergipe. Em tempo nos convidou para participar no próximo dia 12 dos festejos da padroeira de Alagadiço e confirmou sua presença no Cariri Cangaço 2011.

Ao amigo Porfírio e sua família o abraço do Cariri Cangaço
Extraído do blog: Cariri Cangaço, do amigo Manoel Severo.

Major Zé Inacio, foi aqui que tudo começou...


Casa sede da fazenda Baixa Grande do Major Zé Inácio

           Estar no cariri, mas precisamente no Barro e ter a oportunidade de visitar a lendária Fazenda Baixa Grande, do não menos lendário e emblemático "Major Zé Inácio do Barro", para nós que estudamos a temática cangaço, é no mínimo emocionante. Foi aqui que tudo começou, foi dessas terras que ainda em 1918 saíram os primeiros homens de Sebastião Pereira e Luiz Padre, foi nessas terras que três dos filhos do almocreve do Pajeú, Zé Ferreira, vieram morar, ali formariam ao lado de muitos outros os cabras de Sinhô Pereira; foi dessas terras e dessa casa que partiram os celerados, e daí, o Mito.

Vista lateral

 O que restou do engenho

              Ainda pelos idos do final da primeira década do século passado, a família Pereira, em franco confronto com a família Carvalho, no vale do Pajeú, acabou vindo fixar residência na cidade de Barro. Foram adquiridas as fazendas Timbaúba e Carnaúba, bem próximas a outra fazenda famosa de um contra-parente: A Baixa Grande do Major Zé Inácio. Logo após a morte de Né Dadu, Sebastião Pereira assume o comando do braço armado da família Pereira e desse tripé: Timbaúba, Carnaúba e Baixa Grande, sob os auspícios do Major Zé Inácio, se forma o primeiro grupo de cangaceiros sob o comando de Sinhô Pereira, era o ano de 1918.

Estamos com a vista da fazenda Baixa Grande
em direção a cidade de Barro

Aqui temos a vista da fazenda Baixa Grande em direção
as fazendas Timbauba e Carnauba, no alto do morro,
território da família Pereira.

             Major Zé Inácio era verdadeiramente um dos maiores potentados de toda essa região desse lado do cariri, com influência forte em municípios como Milagres, Mauriti, Aurora, Missão Velha; tinha fortes e importantes aliados, conseguindo formar e fomentar um verdadeiro exercito de cabras e cangaceiros sempre a seu comando. Foi sempre um dos principais personagens em todos os episódios envolvendo conflitos armados na região e passou a ser o mais importante aliado de Sinhô Pereira e Luiz Padre.

Manoel Severo e Sousa Neto na sala principal da Fazenda
Baixa Grande

Quanta coisa aconteceu e foi decidida por esses cômodos
e que passaram por essas portas...
           Com a palavra Virgulino Ferreira da Silva, por ocasião de sua passagem por Juazeiro do Norte em 1926 em entrevista ao médico cratense Otacílio Macedo: " - A meu ver o cangaceiro mais valente do nordeste foi Sinhô Pereira. Depois dele, Luiz Padre. Penso que Antonio Silvino foi um covarde, porque se entregou às forças do governo em consequência de um pequeno ferimento. Já recebi ferimentos gravíssimos e nem por isso me entreguei à prisão...

...Conheci muito José Inácio de Barros. Era um homem de planos, e o maior protetor dos cangaceiros do nordeste, em cujo convívio sentia-se feliz."

 
 
 
 
 
Sousa Neto e Bosco Amdré se despedem da fazenda Baixa Grande do Major Zé Inácio; nosso próximo encontro? Quando Setembro chegar.
Que venha o Cariri Cangaço 2011...
 

            NOTA CARIRI CANGAÇO: Na edição 2011, o Cariri Cangaço terá uma espetacular Conferência sobre a vida deste grande potentado que foi o Major José Inácio de Sousa, como também teremos a oportunidade de visitar a lendária fazenda onde tudo começou...
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Trasladado do blog: "Cariri Cangaço", do amigo Manoel Severo

domingo, 22 de maio de 2011

Morre Geraldo Aguiar.

Por: Manoel Severo

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            Recebemos neste momento, do confrade Paulo Gastão, a informação do falecimento do companheiro Geraldo Aguiar, autor de "Lampião o Invencível"; com a versão da sobre-vida do Rei do Cangaço; o Lampião de Buritis.
 
Lili e Geraldo Aguiar no Cariri Cangaço 2009

             Dona Ednir, esposa de Geraldo, informou que o falecimento se deu na semana passada, e que o sepultamento aconteceu na última quinta-feira.
            Geraldo Aguiar esteve conosco na primeira edição do Cariri Cangaço, quando fez o lançamento de seu livro. Gostaríamos de nos unir às orações da família e nos solidarizar com dona Ednir. 

 
Manoel Severo

 
Extraído do blog: "Cariri Cangaço"
 
Observação:
 
O que houve que os seus familiares
não comunicaram a morte do escritor antes,
ao "Cariri Cangaço", e ao "Lampião Aceso?"
Somente depois de uma semana é que se tem
notícia do seu falecimento, através do escritor
 Paulo Medeiros Gastão, comunicando ao
 amigo Manoel Severo, do blog Cariri Cangaço.
Mas mesmo assim, oremos para que seja
bem recebido pelo pai e pelo o filho.
Finalmente morrer não é o fim.
É a passagem da morte
para a vida eterna. 
 
José Mendes Pereira 

Vem aí a 3ª edição de “O "canto do acauã"

Convite para relançamento de
um dos livros mais recomendados
da literatura cangaceira. 
 
 
              No dia 26 de Maio além do Seminário na Academia Brasileira de Letras a literatura cangaceira tem um outro grande motivo para comemorar.
 
              As 18h30min no Memorial da Medicina de Pernambuco - (Recife) - a escritora Marilourdes Ferraz, filha do famoso cel. Manoel Flor, "Nazareno" grande perseguidora de Lampião, estará autografando a terceira edição da sua monumental obra, "O canto do acauã ", livro que enfoca as memórias de seu famoso pai, sobre a luta das forças volantes contra o cangaceirismo.

Manoel de Sousa Ferraz - Manoel Flor

            O livro virá com aproximadamente, 660 páginas, com novas informações e fotos inéditas. Sairá, ao preço médio de R$ 70,00 a unidade.

Capa da nova edição
               Convém informar, que as edições anteriores dessa obra, já estão esgotadas no mercado, há muitos anos. O professor Pereira é um dos que dispoem da primeira edição para a venda.

   
O convite
 
 
           Assista a entrevista concedida pela autora ao programa "Pernambuco documenta" apresentação de Raymundo Campos. Créditos para Artur Carvalho participante da comunidade do Orkurt: Lampião, Grande Rei do cangaço.

 
 
             Obs.: Agradeço ao amigo, Dr. Paulo Brito pelas informações que me foram fornecidas, sobre esse evento. Toque de Ivanildo Alves Silveira
 
 
ADENDO LAMPIÃO ACESO

             Não deixem passar essa oportunidade de adquirir uma das obras de melhor conceito no estudo do cangaço.
Extraído do Blog: "Lampião Aceso" - do Kiko Monteiro
 

A GRUTA DO CANGACEIRO JESUÍNO BRILHANTE – PATU-RN

Mapa do Rio Grande do Norte, mostrando no quadrado negro, a localização da cidade de Patu
 
            No Município de Patu, Rio Grande do Norte, encontramos a cavidade natural conhecida como Casa de Pedra de Patu. Mas por ter sida utilizada na segunda metade do século XIX como local de abrigo pelo cangaceiro Jesuíno Brilhante e seu bando passaram a ser bastante conhecida.
 
Maciço rochoso granítico da Serra do Lima. A cidade de Patu fica na base desta elevação

        Desde o final do século XIX o local passou a ser citado por folcloristas, historiadores e pessoas que pesquisam o cangaço e a vida deste cangaceiro, porém nunca havia sido abordada em um estudo que integrasse o lado histórico-cultural, com a sua relevância em relação ao patrimônio espeleológico nacional. Esta lacuna começou a ser preenchida em Abril de 1998 pela organização não governamental de pesquisas espeleológicas SEPARN-Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte, que iniciou uma série de levantamentos espeleológicos na gruta e seu entorno, tendo as pesquisas continuado em visitações ocorridas respectivamente em Fevereiro de 2002, Março e maio de 2005, Junho de 2007 e Setembro de 2008.

1998-Foto da primeira visita da SEPARN a gruta do cangaceiro Jesuíno Brilhante, em época de chuva. Da esquerda para a direita estão os amigos Adeilton Rigaud Lucas Santos, Joaquim das Virgens Neto e o autor deste artigo. Adeilton e Joaquim atualmente são respectivamente geólogos da Petrobrás e do CPRM
 
           Nessas oportunidades foi possível avaliar as condições de preservação do local, alvo de visitações irregulares, e também foi possível produzir o mapeamento topográfico do interior da cavidade, auferir sua posição exata, produzir estudos sobre a geologia da área, além de lançar as bases e diretrizes para elaboração de um pretenso plano de aproveitamento turístico racional da área.

Serra do Cajueiro, na verdade uma continuidade geológica do maciço rochoso da Serra do Lima

             A gruta está localizada na Serra do Cajueiro, no imóvel Fazenda Cajueiro, propriedade rural às margens da RN-078 distante 5,6 Km do centro urbano, sendo o proprietário o Sr. Jorge Pereira de Castro, que é conhecido na região como Jorge Baiano. Durante o chamado período do ciclo do algodão no Nordeste, mais de 150 famílias chegaram a viver na propriedade, sendo um importante centro produtor desta malvácea. Atualmente ainda existem as benfeitorias da época, como a casa sede, capela, os currais e outras casas diversas.

Casas principais da fazenda Cajueiro. Todas com mais de um século

             Já a história do cangaceiro Jesuíno Alves de Melo Calado (1844-1879), o Jesuíno Brilhante, está associada à Casa de Pedra de Patu por influências familiares, uma vez que o descobridor da gruta foi seu tio materno, José Brilhante (1824-1873), igualmente cangaceiro e conhecido como “Cabê”. A pouca bibliografia existente sobre a vida de Jesuíno Brilhante conta que o velho cangaceiro José Brilhante, estava abrindo veredas de fuga em meio a uma grande mata e topou com a entrada da gruta.

A trilha de acesso a fonte de água e a cavidade

             Se a história é verdadeira não sabemos, mas é nítido como o local é um esconderijo seguro e estratégico. Devido principalmente à sua altitude, a parte superior da cavidade proporciona uma bela visão de todo a região, dando condições de visualização contra seus potenciais perseguidores, numa evidente vantagem tática. Associado a este fator o local onde se encontra a cavidade é de difícil acesso. O fato de existir uma saída lateral, o que proporcionaria uma área de escape do local em caso de emboscada, foi criada pela remoção de blocos graníticos e é creditada a uma intervenção dos cangaceiros na gruta.

Em 2005, este foi o estado em que os membros da SEPARN encontraram a entrada da gruta. As maiorias das pichações foram feitas com carvão e corretivo branco, modelo escolar

              Inúmeras informações foram colhidas através de entrevistas junto aos moradores da região, onde foi possível conhecer a associação entre seus antepassados e gruta, além do conhecimento das práticas comuns daqueles que viviam a vida no cangaço.

No interior da gruta encontramos estas duas estacas de baraúna. Segundo o pessoal da região, estas estacas estão aqui desde o tempo do cangaceiro Jesuíno Brilhante e serviam para armar uma rede. Posso garantir que desde 1998 elas estão lá, já se foram colocadas na década de 1870, aí é outra história

            Na gruta não estão caracterizados sinais evidentes de ocupação por indígenas, mas nada impede que eles tenham utilizado a gruta, vistos os mesmos terem deixados vários registros rupestres nas redondezas e o fato da cavidade ser um abrigo natural próximo à água.

5 de agosto de 2005-Participação no Seminário Jesuíno Brilhante, promovido pela SBEC-Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, em Mossoró. Da esquerda para direita Ricardo Sávio (SEPARN), Kidemyr Dantas (na época presidente da SBEC) e o autor deste artigo.

               Os elementos que apontam a entrada de Jesuíno Brilhante na vida do cangaço são os comuns neste tipo de situação; injustiça social, perda da posse da terra, afronta aos valores socioculturais ligados ao meio e consequências ligadas ao fenômeno das secas. Até 1871 Jesuíno trabalhou como lavrador e vaqueiro, era casado e possuía cinco filhos. Porém seus problemas tiveram início com o roubo de alguns de seus caprinos, fato atribuído aos seus vizinhos, a família Limão.

No local do olho d’água encontramos esta árvore marcada por disparos. As pessoas da região afirmam terem sido produzidas pelos cangaceiros. Mas esta versão, sem uma análise mais apurada, não pode ser confirmada

             Não bastasse o sumiço dos animais, alguns dias após o acontecido, um irmão de Jesuíno foi agredido por um membro da família Limão na feira da então Vila de Patu. Movido pela defesa da honra, Jesuíno matou o agressor de seu irmão e com poucas alternativas à sua disposição, tornou-se o cangaceiro mais famoso do Rio Grande do Norte.
             Perseguido, seu principal refúgio era a gruta, escondendo-se com o seu bando e sua família, tendo travado combates com policiais. Nunca foi capturado no local, tendo sido morto na Paraíba em 1879, no sítio Riacho dos Porcos, do município de Brejo do Cruz (PB). Morreu em combate aos 35 anos de idade.

No alto da Gruta do Cangaceiro Jesuíno Brilhante, em 2008, ano de muita chuva. O cenário aponta em direção à sede da fazenda Cajueiro

               Conforme comentamos anteriormente, são diversos os escritores e pesquisadores do fenômeno do cangaço atestam a utilização desta gruta por este cangaceiro, dentre eles Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) com o seu livro “A Flor de Romances Trágicos”. O primeiro livro publicado que faz inúmeras vezes alusão a esta caverna, é a do escritor cearense Rodolfo Teófilo (1853-1932) com o seu romance, “Os Brilhantes” de 1895. Depois vieram outros literatos, escritores e pesquisadores como Eloy de Souza (1873-1959), Gustavo Barroso (1888-1959).
               Em 19 de janeiro de 1969, o escritor Raimundo Nonato (1907-1993) visitou a caverna com a intenção de coletar dados mais fidedignos para a realização do seu livro “Jesuíno Brilhante – O Cangaceiro Romântico”.

Operação de limpeza da pichação da gruta

              O escritor Raimundo Nonato relata o quanto foi difícil o acesso e compreende a razão do cangaceiro haver resistido a várias incursões de forças do governo, dentre estas uma comandada pelo então oficial de polícia e futuro senador e ministro Amaro Bezerra Cavalcanti.

Pichação na entrda

             Já a literatura de cordel versa muito pouco sobre o local, já que os poetas populares fixaram-se na figura do cangaceiro e sua vida de lutas, deixando muitas vezes de referir-se ao seu esconderijo.

Resultado do trabalho

             Não existem registros fotográficos de Jesuíno Brilhante, contudo a sua caverna-esconderijo é um dos símbolos mais importante de suas aventuras e desventuras.
            Restou a fama de cangaceiro romântico, que não desonrava as senhoras, supostamente roubava dos mais ricos e doava aos mais pobres e protegia os sertanejos dos abusos dos coronéis.
 
Reultado da limpeza. Participaram moradores da fzenda, professores da rede de ensino de Patu e o então secretário de turismo da cidade, Fany Carlos

               Na Serra do Cajueiro, desde a base até as altitudes mais elevadas, existem abrigos criados pelo rolamento de blocos de granito. Estes blocos são formados devido ao intemperismo e falhamentos que atuam na rocha. Um destes abrigos é a caverna de Jesuíno Brilhante.
                 Durante da visita conjunta SEPARN, foi realizada uma topografia preliminar que definiu como área total de progressão da caverna de 60,46 metros, desnível de 6,72 metros, extensão norte a sul de 14,64 metros, extensão leste a oeste de 14,22 metros e altura média de 2 metros. As seções transversais são irregulares, pela acomodação dos blocos. Sua localização em coordenadas geográficas em UTM ficou definida em: área 24 648736E 9319399N. Da sede da propriedade para a caverna percorre-se uma distância de 1.800 metros.

Caminhos utilizados na região de Patu

              Atualmente, apesar da visitação desordenada, podemos adiantar que a gruta encontra-se em razoáveis condições de preservação e com real potencial para a sua utilização dentro do contexto de turismo ecológico.


Extraído do Blog: "Tok de História", do próprio escritor deste artigo, Rostand Medeiros

Paulo Afonso e a bela Cachoeira Veu de Noiva 

Por: João de Sousa Lima

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            Uma das mais belas visões da cachoeira de Paulo Afonso é a visão da cachoeira Veu de Noiva.


             Apesar de hoje só ser vista quando chove no norte de Minas e o Rio São Francisco recebe grande quantidade dessa cheia.


Extraído do blog: "João de Sousa Lima"