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segunda-feira, 30 de abril de 2012

UM HERÓI MOSSOROENSE

Por: Honório de Medeiros

Então um preciso tiro de fuzil ecoou no final de tarde nublado do dia 13 de setembro de 1927, e, aproximadamente cem metros além, atingiu o meio-da-testa de um caboclo puxado para o negro aparamentado com a indumentária típica do cangaceiro, prostando-o na terra nua, de barriga para cima, a contemplar com olhos fixos e vazios o céu acima, ali onde a Avenida Rio Branco cruza a Rua Alfredo Fernandes, bem onde, na quina, fica a famosa Igreja de São Vicente cuja efígie, do seu nicho decenal, tudo contemplava. Era o começo do fim. No alto da casa do Prefeito Municipal - o líder que começara a epopéia, no telhado, o atirador viu quando um outro cangaceiro, de um trigueiro carregado, aproximou-se rastejando e disparando da vítima e começou a rapiná-la, retirando freneticamente, de seus bolsos, munição, dinheiro e jóias. Calmamente, mirou e aguardou. Pressentindo o perigo iminente o feroz bandoleiro ergueu o tronco elevando os olhos até o telhado fatídico da casa cuja frente fora tomada por fardos de algodão prensados. Foi apenas um momento, mas foi fatal. Outro tiro de fuzil ecoou e, no mesmo local onde seu companheiro jazia sem vida mais um cangaceiro foi atingido. O violento impacto da bala derrubara-o momentaneamente e desenhara, em seu tórax, uma rosa de sangue. Começou a debandada. Enquanto os resistentes começavam a perceber que a ameaça fora sustada e o recuo dos cangaceiros era generalizado, o atirador recolhia o fuzil e fitava a cidade no prumo que tinha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição como limite. Olhava e pensava. Ele tinha morto um cangaceiro e ferido mortalmente outro. Não havia dúvida quanto à importância desse fato para a vitória. Mas cangaceiros são vingativos, cangaceiros são ferozes, cangaceiros são cruéis. Cangaceiros são dissimulados e não esquecem nunca, matutava ele com seus botões. Se ele aceitasse passivamente as homenagens que lhe seriam tributadas a partir daquele momento tudo poderia, no futuro, desandar no gosto amargo causado pela retaliação de algum anônimo, talvez até mesmo em algum parente, como era prática comum na vida cangaceira. Não que fosse medroso. Ao contrário. Todos quantos lhe conheciam podiam atestar sua coragem e perícia com as armas, que já ficavam lendárias. Mas era melhor precaver-se. Era melhor silenciar. Não seria o caso de negar veementemente, por que não era homem para esse tipo de extroversão. Mas ia silenciar. Não ia comentar nada. O que estava feito estava feito e era de acordo com seu temperamento reservado. Se lhe perguntassem, mudaria de assunto. Se comentassem de alguma roda da qual estivesse fazendo parte, sairia de mansinho. Guardaria a verdade consigo e a contaria apenas para alguns escolhidos, por muito e muito tempo. Até que...
Até que naquele dia banal, sozinho com seu neto de dez anos de idade, sentiu vontade de contar aquilo que nunca contara a ninguém. Era uma necessidade da alma, um anseio de perpetuar um feito honroso, um gesto de heroísmo que o mostrava tão diferente daqueles que tinham fugido em direção ao mar quando os cangaceiros ciscavam nas portas de Mossoró, um gesto que lhe orgulhava por que defendera sua família e sua cidade a um custo alto, que era o de tirar a vida de alguém. Olhou para o neto e compreendeu que ali estava o interlocutor perfeito. Não questionaria, não interromperia, não esqueceria. Guardaria a lembrança do dia e do relato. Assim sendo começou a contar-lhe todo o episódio, detalhe por detalhe. O neto apenas olhava intensamente e sentia que estava sendo transmitido, para ele, algo muito importante e que somente no futuro seria plenamente entendido. Acalmou sua inquietude de menino. Não desgrudou o olho do seu avô, aquele homem reservado e pouco propenso a confidências. No final, quando toda a história havia sido contada, compreendeu que devia guardá-la consigo, até mesmo esquecida, por muito tempo. Guardada até que...
Até que em um final de tarde tipicamente mossoroense, de muito calor, em um café, o neto aproximou-se de uma roda de estudiosos do cangaço e percebeu que discutiam a participação do seu avô na invasão da cidade pelo bando de Lampião. Uns diziam que havia sido ele o autor dos disparos. Outros negavam e apontavam nomes. Quase oitenta anos haviam passado do episódio. O neto, agora, era cinquentão. Sentiu que ali estava o momento certo para contar a história, a sua história, a história do seu avô. Aquela platéia saberia ouvi-lo e entenderia plenamente as razões do silêncio da família. Contou tudo. Fechou-se o ciclo. Dezenas de anos depois já não há mais dúvidas. O atirador postado no alto da casa de Rodolfo Fernandes, o homem que praticamente abortara a invasão lampiônica, o herói entre heróis fora MANOEL DUARTE.
Maoel Duarte
Essa é a verdade, como o sabe sua família e a contou seu neto, Carlos Duarte, jornalista, muitos anos depois, a mim, a Kidelmir Dantas e Paulo de Medeiros Gastão, estes últimos dirigentes da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço – SBEC.
É verdade, dou fé.
Extraído do blog do professor e pesquisador do cangaço:
Honório de Medeiros

A MORTE DE CHICO PEREIRA


Especial obséquio de Ivanildo Silveira

ADAUTO GUERRA FILHO, em “O SERIDÓ NA MEMÓRIA DE SEU POVO”; Julho de 2001; Editora: Departamento Estadual de Imprensa; Natal, Rn; P. 107:
“Apesar de ser uma história longa e complexa, não é difícil entender a razão de tanta contradição. Em primeiro lugar, levemos em consideração uma informação do livro ‘Vingança, Não’ de F. Pereira Nóbrega, o qual diz que os dois Presidentes de Província, Dr. Juvenal Lamartine, então Presidente do Rio Grande do Norte, e João Suassuna, Presidente da Paraíba, fizeram um pacto de morte no dia 18.08.1928. Isto assim se explica: O Presidente da Paraíba não queria entrar em choque com o recém-eleito Cel. João Pessoa, que dera a Chico garantia de liberdade. Então idealizou uma forma de condená-lo fora do Estado. Ele bem sabia que cangaceiro no Rio Grande do Norte tinha vida curta e, por isso, oportunamente se aproveitou do assalto à casa do Cel. Quincó para idealizar uma forma de incriminar Chico Pereira . Isto aconteceria ao induzir o bandido principal, Antônio Jerônimo, conhecido por Antônio Chofer, a dizer que Chico estava entre eles. Pessoas maliciosas vão mais além, afirmando que o assalto fora programado, tanto é que, logo após a ida de Chico para a detenção, em Natal, Antônio Chofer caiu no desinteresse da Justiça, inclusive sendo solto e ficando no anonimato.
Outro fato curioso que nos induz a pensar que o assalto foi programado é o excessivo interesse de Antônio Suassuna – o Tonho, sobrinho do Presidente da Paraíba, pela ‘liberdade’ de Chico Pereira. Ele próprio hospedou Chico em sua casa, na Fazenda Cajueiro, no município de Catolé do Rocha. Ali chegando, Chico foi alvo de sua atenção, havendo Tonho servido de mediador entre ele e João Pessoa, ao levá-lo à presença do Presidente eleito. Naquela ocasião, Tonho convenceu Chico de que, após o júri em Princesa, nada mais lhe aconteceria. Este fato, aliás, o demoveu da idéias de se retirara para Goiás.
Em Acari, Chico Pereira, sentindo o acre da traição, escreveu a Tonho, fazendo paralelos entre a cadeira e a Fazenda Cajueiro e, na doce ilusão de que um dia seria solto, dizia ao traidor que após ficar livre, não hesitaria em matá-lo.
Ainda com referência ao fato, o Sr. Abdias Pereira Dantas, numa conversa com o autor em Nazarezinho, no dia 04.01.1985, assim falou:
‘Só me queixo da morte do finado Chico, de João Suassuna. Depois que Chico morreu, ele mandou me chamar para conversar. Respondi que, com um bandido da qualidade dele, não queria conversa. Quem fez o assalto à casa do Cel. Quincó foi o sobrinho dele.’ 
Ainda para tornar mais clara a contradição da Justiça, o Pe. Francisco Pereira Nóbrega falou ao autor em João Pessoa, em 10.01.1985, que, no momento do assalto, seu pai se encontrava no município de Pombal. Ele é também dos que acreditam na hipótese do assalto ter sido programado naquele lugar.
Pelo menos uma coisa não se põe em dúvida: a morte de Chico estava programada. Isto está confirmado no depoimento de um soldado sobrevivente que reproduziu um diálogo entre Juvenal Lamartine e o Tem. Joaquim de Moura. O Presidente solicitou a presença do Tenente em seu gabinete e a ele assim se dirigiu:
- É verdade que aquele cangaceiro da Paraíba vai voltar para Acari?
- É, sim.
- Olhe! Não quero esse homem vivo.
Essa determinação, a priori, até dispensa pesquisadores de fazer exames mais apurados sobre notas de jornais diversos, tais como:
Correio de Campina – 17.12.1928. ‘Teria sido Chico Pereira vitimado mesmo de um desastre de carro? Pessoas residentes no interior do Estado (Rio Grande do Norte) põem dúvida à afirmação. O Presidente potiguar é acusado de mandar fuzilar sumariamente os sertanejos acusados.’ (Livro Vingança, Não, pág. 254).
Diário da Manhã, de Recife (PE) – 02.11.1928. ‘Chico Pereira, preso há pouco, ao ser transportado para a cidade de Acari, onde devia ser julgado, foi morto de ordem superior pelos policiais que o conduziam. Alegou-se que o carro que o conduzia capotou, verificando-se terrível desastre.’ (Livro ‘Vingança, Não’, pág. 254).”
Pág. 102:
“O Sr. José Pereira da Costa, cidadão de Ouro Branco, tabelião da cidade e curioso das histórias da região, assim detalhou o fato, em 09.07.1984:
‘Chico Pereira chegou preso a Santa Luzia na companhia do Ten. Manoel Arruda e alguns soldados. O Ten. Francisco Honorato, de Serra Negra do Norte, foi indicado para recebê-lo. Chico vinha de paletó e gravata e isso provocou censura da parte do Tenente:
- Como se conduz um bandido de paletó e gravata? Isso é um cachorro de fila.
Em seguida, com arrebates, tirou o paletó e a gravata de Chico e autorizou os soldados a lhe colocarem as algemas. O Ten. Francisco Honorato esperava que o matador de Chico fosse ele. Porém a ordem do governo veio para o Ten. Joaquim de Moura. Ele ficou revoltado."
Extraído do blog do professor e pesquisador do cagaço:
Honório de Medeiros

TERRA DE NINGUÉM

Por François Silvestre
Não há mais crimes cá no interior do Rio Grande do Norte. Liberou geral. Se não há inquérito nem julgamento não há crime. Matar não é crime. Roubar não é crime. Assaltar não é crime. A casa de mãe-joana escancarou-se. Isso vem de longe e só piora.
Os assaltos do Sábado e Domingo, repetidos todos os fins de semana, ficam sem registro de queixa.  Na delegacia da cidade um soldado solitário informa que BO só na Quarta-Feira.
Nem BO, inquérito, ou julgamento; punição? Só para o povo. Terra devastada, que lembra povoado do Oeste americano nos tempos do bang-bang. Só que nos bang-bangs daqui não tem xerife.
Em Umarizal, onde os inimigos históricos decretaram a prescrição do ódio, a paz só existe nas mumunhas políticas. O maior número de assassinatos, no Estado. Martins concorre, no item assalto.
Sabe o que é crime? Não responder ofício estúpido exigindo rampa no Forte do Reis Magos. Sabe o que é crime? Não fazer licitação para comprar passagens de cantores do finado Seis e Meia, com dia e hora certa. Sabe o que é crime? Restaurar a Cidade da Criança, sem licitação, mesmo com prova da obra realizada e do trabalho pago, com custo muito abaixo da obra licitada com empreiteira. Para cada um desses “crimes”, cinco promotores na denúncia. E não há prescrição. Para matar gente a prescrição é automática.
Uma das vítimas de assaltos do fim de semana, pois assalto aqui, no Sábado e Domingo, é como chuva em Belém, só uma questão de hora, procurou o Tenente comandante da “guarda policial” da cidade. Sabe qual foi a providência? O Tenente orientou a vítima: “Tome cuidado”.
Como tomar cuidado? Dormir no mato, como nos tempos de Lampião? Nem na delegacia alguém dormirá sossegado. Já invadiram o Fórum e levaram mais de quarenta armas, que se vinculavam a processos pendentes. Invadiram a sede da Promotoria Pública. Arrobaram os Correios. Explodiram a agência do Banco do Brasil. Não há notícia sobre inquéritos ou roteiro desses crimes. Se as autoridades são roubadas, assaltadas e invadidas; imagine os pobres inquilinos de mãe-joana. Dar parte aos “juristas”? Tem jurista aí a bater de vara.
Desarmaram a população, armam os bandidos. Assaltos todo fim de semana; e não há polícia, nem pra se dar queixa. Aqui, um dia é dos bandidos e o outro também. Vai ter policiamento ostensivo para receber os novos amigos da “paz pública” de Umarizal, com fanfarra e discurso chato. Sobre os cadáveres de crimes impunes. Só não é terra de ninguém porque foi escriturada para os bandidos.
Abandono público, com o poder e juristas banhados de óleo de peroba, onde o povo é clandestino no quintal de mãe-joana. E ainda dizem cretinamente que aqui é lugar de turismo. Só se for pra turista doido. Té mais.

Novo Jornal - 29/04/2012
Adquiri no blog do professor e pesquisador do cangaço:
 Honório de Medeiros

Dia Nacional da Mulher

 
Além do Dia Internacional da Mulher, ocorrido em 8 de março, existe essa data também destinada a apoiar as mulheres pelos justíssimos direitos iguais. Lei Nº 6.791 - 09/06/1980 Foi no dia 30 de abril que nasceu a fundadora do Conselho Nacional da Mulheres, Sra. Jerônima Mesquita. Como homenagem àquela extraordinária mulher, grande filantropa, foi escolhido o dia de seu nascimento para se comemorar o Dia Nacional da Mulher. Derrubaram-se tabus, obstáculos foram vencidos, a ocupação dos espaços foi iniciada. Graças à coragem de muitas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, a chefia dos lares, colocação profissional, independência financeira e liberdade sexual. Apesar de válidas, essas aberturas ainda são uma gota num oceano de injustiças e preconceitos. No último século, o movimento feminista contribuiu imensamente para a efetivação das conquistas das mulheres. Embora muito tenha sido feito, as respostas às questões femininas são pouco eficazes, já que os homens ainda detêm a hegemonia em diversos setores sociais. As politicas públicas ainda devem muitos feitos à população feminina. Prova da necessidade de maior reconhecimento da mulher é a própria institucionalização de uma data-homenagem; se a sociedade efetivamente tivesse incorporado a ideia de que os dois sexos estão em pé de igualdade, não haveria necessidade de se criar um dia para lembrá-la; seria uma atitude inútil e redundante. A busca incessante por um lugar ao sol está apenas começando. As mulheres seguem às voltas com os mais variados tipos de violência: no lar, no trabalho e na sociedade. São vítimas, na maioria das vezes silenciosas e indefesas, de agressões físicas, sexuais e psicológicas de todos os tipos e intensidades. E de outras tantas formas de violência, bem mais sutis, embora não menos perversas, como a desvalorização no mercado de trabalho (recebendo salários sempre menores do que os homens que exercem as mesmas funções), as dificuldades de ascensão a postos de comando (nas empresas e na política) e a dupla jornada, entre outras tantas. Ao contrário do que se possa pensar, não é necessária uma "Guerra dos Sexos" para que o quadro de injustiças se reverta. Sem destituir-se de sua feminilidade, as mulheres podem engajar-se numa luta forte, mas não necessariamente agressiva. Provar ao mundo que não é necessário se revestir de um invólucro masculino para intimidar seus oponentes. A força feminina é suave e poderosa por si só. A história de lutas e conquistas de tantas mulheres, muitas delas mártires de seu ideal, no decorrer de quase dois séculos, leva a humanidade a iniciar um novo milênio diante da constatação de que ela buscou e conquistou seu lugar. Mais que isso, assegurou seu direito à cidadania, legitimando seu papel enquanto agente transformador.
Nosso blog parabeniza todas as mulheres brasileiras nesta data esquecida, mas especial na luta pelos seus direitos!
Fonte: http://www.quediaehoje.net/
Postado por blog do Eurico Paz

COITEIRO, O AMIGO DO REI? (Crônica)

 Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa
                             
                                                             
COITEIRO, O AMIGO DO REI? 

Nos tempos do cangaço reinando pelos sertões nordestinos, coiteiro era a denominação recebida pelo matuto que servia de ponte para o abastecimento e comunicação do bando de cangaceiros. Não houve reconhecimento maior por parte da história, mas dele muitas vezes dependia a vida e a sorte dos cangaceiros que se amoitavam nos esconderijos mais impensáveis.

Decorrente da expressão coito ou couto, significando lugar de abrigo, local de refúgio, o coiteiro passou a significar aquele que guardava o abrigo, que vigiava o refúgio, que tinha o coito ou esconderijo sob sua responsabilidade. No mesmo sentido, numa versão mais populesca, coiteiro é aquele que dá abrigo a bandidos e os protege.

Mas perante o cangaço não era sempre assim, pois o coiteiro geralmente era um humilde sertanejo que, vivendo nas proximidades do abrigo, procurava ajudar os cangaceiros nas suas necessidades e ser vigilante perante o mundo exterior, mais adiante. Assim, nem sempre era dono do lugar onde o bando buscava refúgio, mas simples mateiro, caçador ou alguém que convivia no seu cotidiano com aquelas paisagens.

Verdade é que o bando de cangaceiros também se escondeu em terreno da família do próprio coiteiro, como ocorreu na Gruta do Angico, às margens do São Francisco, no atual município de Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo. Como se sabe, a gruta estava localizada dentro de uma propriedade da família de Pedro de Cândido e seu irmão Durval, sendo aquele tido como o delator da localização do bando à volante comandada pelo Capitão João Bezerra.

Ademais, se a expressão coiteiro se voltasse apenas para designar aquele que dá refúgio e proteção a cangaceiro ou bandido – pois insisto que cangaceiro jamais foi bandido, ainda que a expressão bando de cangaceiros dê essa conotação, mas tão-somente rebelde contra as injustiças do seu tempo, sofrendo constante perseguição -, muitos coronéis nordestinos poderiam ser considerados coiteiros.

E coiteiros porque davam abrigo e proteção ao bando nas suas propriedades, bem como abasteciam do que necessitassem. Mesmo que os cangaceiros não ficassem na casa-grande ou seus arredores, e sim em lugares mais afastados dentro do reduto coronelista, ainda assim nenhuma volante se atrevia a botar os pés ali ou perseguir quem estivesse sob os auspícios do poderio político e econômico. E de lá saíam munidos de um tudo, desde armas a munição até vestuário e adornos de ouro.

Desse modo, delimitaram-se quem era simples coiteiro e quem era grande protetor. Aquele o homem da mata, o amigo do bando, o farejador, o que tinha olhos e ouvidos para sentir a presença do inimigo, o que não deixava faltar a carne de bode, o pano para a vestimenta, a agulha, a tesoura, a máquina de costurar. E este outro, o coronel, a quem cabia fornecer armas, proteção e dinheiro, se preciso fosse.

O verdadeiro coiteiro não só servia como elemento estratégico para o abastecimento do bando como exercia outras funções essenciais. Levava recados e bilhetes, trazia respostas e encomendas; procurava sentir a presença de inimigos na região e repassava para o chefe o pressentimento; tomava par de tudo que estava acontecendo ao redor para não permitir que o pior pudesse acontecer a qualquer momento.

Não era do bando, mas era como se fizesse parte como um tipo de correspondente de determinada região. Morando ali, conhecendo todos os caminhos, grutas e veredas, tornava-se essencial tanto para a subsistência como para sobrevivência dos cangaceiros. Daí também ser caracterizado como pessoa de extrema confiança. Seria impensável que um coiteiro revelasse a estranhos o local do esconderijo ou que falasse qualquer coisa que indicasse a presença dos cangaceiros nas redondezas.
Mas ainda assim houve traições. Quando Lampião e seu bando, no mês de julho de 1938, escolheram a Gruta do Angico para descansar um pouco das pegadas sangrentas deixadas pra trás desde o Raso da Catarina, ali se refugiaram com plena convicção de que estariam em segurança.

Ora, a gruta ficava na beira do rio mas dentro da propriedade de gente conhecida, cujos filhos Pedro de Cândido e Durval serviam como hábeis coiteiros e amigos do bando. Por isso jamais passaria pela cabeça de Lampião que Pedro de Cândido delataria, num dia de feira no outro lado do rio, em Piranhas, a sua presença ali.

Uns dizem que o jovem coiteiro foi torturado para dizer onde o bando estava. Hipótese frágil, porém, vez que se houve tortura para o conhecimento do local foi porque a volante já sabia de alguma coisa. Para outros, apenas a fraqueza de um jovem sertanejo que nem de longe imaginaria que estaria selando o destino do grande rei do cangaço, sua Maria Bonita e mais nove cangaceiros. E também o fim do cangaço.


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Teus sinais (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

Teus sinais


Cheiro de manhã
fruta macia maçã
minha doce cortesã
abra a janela e venha
que a vida te espera
assim tão bela e bela
com tua cor e feição
princesa na cidadela
do meu coração
eternamente apaixonado
menino de flor à mão
caminhando esperançoso
seguindo na direção
da brisa com teu aroma
violeta perfumada
ramalhete entrelaçado
tanto e tão nada
para o que mereces
ser em meu ser
destino nessa estrada.



Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

domingo, 29 de abril de 2012

Poesia de Edimar Monteiro

 
AGRADEÇO AO MEU DEUS
Edimar Monteiro


Agradeço ao meu Deus
Por minha mulher dizer
Meu querido no jantar
Pouco temos pra comer
Eu olho pra ela e digo
Só em você está comigo
Muito tenho a agradecer


Agradeço ao meu Deus
Por minha filha falar
Não quero lavar a louça
Nem a roupa engomar
Isto me deixa contente
Pois a filha adolescente
Ao meu lado sempre está


Agradeço ao meu Deus
Pelas broncas do gerente
A maioria das vezes
Magoa demais a gente
Isso é coisa do passado
Ainda estou empregado
De Deus isto é um presente


Agradeço ao meu Deus
Pelo estrago que ficou
Depois daquela festinha
Que muito me alegrou
Pois sei que estou rodeado
De amigo por todo lado
Honras que Deus ofertou


Agradeço ao meu Deus
Por muito ter engordado
Porque isto quer dizer
Que estou bem alimentado
Não me falta suprimento
Isto é um lenimento
Neste mundo flagelado


Agradeço ao meu Deus
Por ser justo e fiel
E por ter o meu espaço
Nesta torre de Babel
Louvo-te de coração
Por me dar a permissão
De fazer este cordel


Marcos Mairton
http://mundocordel.blogspot.com.br/2012/04/poesia-de-edimar-monteiro.html

ZEN & MIDIA com CPI - Por: Marcos Costa

HQ                                                                                                     MESTRE ZEN
CHARGE
CPI da MÍDIA. 

EU APOIO !

Enviado por Marcos Costa do blog da Costa

O cangaceiro Balão enfeitou as suas respostas mais do que devia

Por: José Mendes Pereira

Em 1973, o cangaceiro Balão cedeu entrevista à Revista Realidade, e para mim, não sei se estou certo, Balão foi o cangaceiro que mais fantasiou as suas respostas. É claro que cada um deles queria levar a sardinha para o seu prato, mas não era necessário tanta fantasia.

O cangaceiro Balão

“-Estávamos acampados perto do Rio São Francisco. Lampião acordou às 5 horas da manhã e mandou um dos homens reunir o grupo para fazer o ofício de Nossa Senhora. Enquanto lia a missa em voz alta, todos nós ficamos ajoelhados ao lado das barracas, respondendo amém e batendo no peito na hora do Senhor Deus".
 Continua: "-Terminado o ofício Lampião mandou Amoroso buscar água para o café. Mas quando ele se abaixou no córrego veio o primeiro tiro. Havia uma metralhadora atrás de duas pedras, a 20 metros da barraca de Lampião. Pedro de Cândido, um dos nossos, havia nos traído, e acho que tinha dado ao sargento Zé Procópio até a posição das camas."

"-Numa rajada de metralhadora serrou a ponta da minha barraca..."

E continua o cangaceiro Balão: "-Meu companheiro Mergulhão, levantou-se de um salto, mas caiu partido ao meio por nova rajada. Eu permaneci deitado, e com jeito coloquei o bornal de balas no ombro direito, o sobressalente no esquerdo, calcei uma alpargata. A do pé esquerdo não quis entrar, e eu a prendi também no ombro. Quando levantei, vi um soldado batendo com o fuzil na cabeça de Mergulhão. De repente ele estava com o cano de sua arma encostada na minha perna e eu apontava meu mosquetão contra sua barriga. Atiramos. Caímos os dois e fomos formar uma cruz junto ao corpo de Mergulhão. Levantei-me devagar. O soldado estava morto e minha perna não fora quebrada.

"-Então vi Lampião caído de costas, com uma bala na testa..."
Continua  Balão: "-Moeda, Tempo Duro (este não aparece na lista oficial dos abatidos, e nem tão pouco na lista de Alcino Alves Costa); Quinta-feira, todos estavam mortos. Contei os corpos dos amigos. Nove homens e duas mulheres. Maria Bonita, ferida, escondeu-se debaixo de algumas pedras. Mas foi encontrada e degolada viva. Não havia tempo para chorar. As balas batiam nas pedras soltando faíscas e lascas. Ouviam-se os gritos por toda parte. Um inferno. Luiz Pedro ainda gritou: -Vamos pegar o dinheiro e o ouro na barraca de Lampião. Não conseguiu. Caiu atingido por uma rajada".

Em minha opinião esta afirmação do cangaceiro Balão contraria o que disse Mané Veio, pois nas declarações que deu aos repórteres, o policial  levou um bom tempo para assassinar Luiz Pedro.
Continua: "-Uma vez me perdi do bando e fiquei um ano nas caatingas de Bebedouro, Jeremoabo, Cipó de Leite, sem ver uma alma viva. No começo eu estava com ANJO ROQUE e sua mulher".
Continua o depoente: "-Corri até ele, peguei seu mosquetão e com Zé Sereno conseguimos furar o cerco. Tive a impressão de que a metralhadora enguiçou no momento exato. Para mim foi Deus".
Minhas inquietações:

1 - Será mesmo que depois da missa ele voltou a se deitar?

2 - Como foi que ele viu que a bala que atingiu o rei foi mesmo no meio da testa, quando ele diz que Lampião estava de costas?

3 - Como foi que no meio de um cerrado tiroteio ele teve coragem de ir pegar o mosquetão de Luiz Pedro que já estava morto?

4 - Como foi que ainda deu tempo para ele contar os mortos, pois no meio de um tiroteio, qualquer ser humano não espera por nada, muito menos para contar quem lá morreu?

5 - Como foi que ainda deu tempo para ele calçar as alpargatas?

6 - Por que Balão caiu quando ele e o policial ambos atiraram, se ele não sofreu nenhum impacto para ser derrubado?

7 - Balão disse que após o massacre ao grupo de cangaceiros passou um ano nas caatingas sem ver um pé de pessoa, comendo carne de bode. Onde ele arranjava fósforos para fazer fogo e cozinhar a carne? 

O amigo Balão fantasiou algumas respostas. Muitas verdades, é claro, mas outras, fantasiadas. Gostaria muito que as suas respostas fossem verdades. Mas pelo que ele disse, não há como eu acreditar em todas.

Este artigo foi também publicado no blog Cariri Cangaço, com o título:
 Um pouco mais Angico, só para não perder o ritmo.... Por: Mendes e Mendes

http:/cariricangaco.blogspot.com

Clique neste link para você ler com mais detalhes a entrevista que o cangaceiro Balão cedeu à "Revista Realidade"

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2011/06/cangaceiro-balaosensacional-entrevista.html

Se você não o leu, clique no link abaixo:

http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2012/04/o-cangaceiro-balao-enfeitou-as-suas.html

“VÁ NÃO ZEZIM!...” – “EU VOU, EU VOU!” (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

A linda sertanejinha entrou em casa correndo, assustando sua mãe. Jogou-se na cama aos prantos e ali ficou em tempo de se acabar. Cruel destino esse de amar alguém que agora decidia arrumar o embornal e cortar as estradas sangrentas dos sertões, saber que cada momento não era garantia de um só instante amanhã.
Ser amigo das catingueiras, dos bichos do mato, mas também inimigo das tocaiais e das emboscadas; ser amigo do sol e da lua, de cada poço d’água encontrado, mas também inimigo da curva da estrada, do morro adiante, da mataria silenciosa demais; ser amigo da sorte e do perigo, da vida aventureira e da luta contra as injustiças dos poderosos, mas também inimigo das forças governamentais, das armas da volante, dos coronéis mancomunados.
A mãe implorou de joelhos, pediu por tudo na vida e por todos os santos que o seu menino deixasse pra trás aquela decisão tomada. Não suportava imaginar ter o seu filho único, tendo deixado o cheiro de mijo há tão pouco tempo, sendo cangaceiro do bando de Lampião, arriscando a vida em que cada passo que desse. Tinha só coisa de quinze anos, portanto molecote ainda pra seguir destino tão arriscado.
Seu pai, o vaqueiro ainda novo e tão já envelhecido pelas lutas na vaqueirama, preferia não dizer nada sobre a decisão ostentada pelo filho. Verdade é que era tomado por uma sensação estranha por dentro. De um lado o orgulho pela valentia e destemor do seu menino, mas de outra banda o medo pelo desconhecido, pela entrega sem volta do seu a um mundo cercado por confrontos sangrentos, fugas desesperadas, ataques morticidas.
Enquanto a mãe chorava e fazia orações pelos cantos do velho casebre, o pai se punha de cabeça baixa sentado num tronco derrubado lá fora. Era uma agonia danada, uma dor no peito de não querer passar mais. Ele já tinha chamado o menino num canto e perguntado por que de repente havia decidido entregar sua vida e seu destino ao mundo cangaceiro.
O menino ficou de cabeça baixa e demorou a responder. Mas depois disse que sentia sangue de homem valente e que gente nessa qualidade não suporta ficar sem fazer nada a não ser ficar dia e noite olhando pra cima pra ver se tem alguma nuvem de chuva se formando, sofrendo junto com os bichinhos que não tinham nem o de comer nem o de beber, naquele desvão da vida que não trazia esperança alguma.
O pai sofria ainda mais ouvindo cada palavra do filho, mas também sabia que era coisa de sertanejo verdadeiro tomar a decisão que quisesse sobre sua vida. E sem querer entrar em outros detalhes, apenas apelou para algo que talvez amolecesse o seu coração e o fizesse desistir da partida, daquela viagem de difícil volta. Então perguntou por que ele ia abandonar Mariazinha que demonstrava gostar tanto dele.
E fui a vez de o mundo parecer se abrir aos pés do menino Zezim. Virou as costas pro pai, deu uns passos à frente, olhou para o mundo ao redor, percebeu tudo anuviado pelos olhos marejados e disse:
“Mai foi pru causo dela mermo que tumei essa decisão. Gosto tanto de Mariazinha que bem sei qui ela merece muito mais do qui um simple rapaiz sertanejo. Já dixe a ela qui vou ficá uns tempo no bando de Lampião e adespoi que já tivé famoso vou vortá e casá cum ela de veiz. E quano eu vortá ninguém vai mai me oiá cuma oia agora, quasi cuma um zé ninguém. Mai tomem tem outa coisa, pai. E vou tumem qui é pá o pai dela nunca mai dizê que num aceita ela cum eu. Se é caba macho, homi valente, vai ter...”.
Ainda de costas, agora limpando os olhos com as costas da mão, nem percebeu a visitante que havia chegado e silenciosamente se colocado ao lado de seu pai. Ainda sem ele perceber, Mariazinha se aproximou um pouco mais e disse: “Vá não Zezim! Vá não que agora já sei qui vosmicê é o homi da minha vida...”. Ele se voltou espantado, envolvido de um sentimento profundo ao ouvir aquela voz tão doce e conhecida, mas preferiu dizer: “Eu vou, eu vou. Mai vorto, mai vorto...”.
Não havia mais o que fazer, pensou ela enquanto o abraçava apaixonadamente. Foi quando lhe segredou alguma coisa ao ouvido. E no outro dia os dias tomavam o rumo das caatingas, de mãos dadas pelos caminhos cangaceiros dos sertões nordestinos.

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Fotos inseridas sem autorização

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Inseri nesta página várias fotos de cangaceirólogos sem autorização. Mas se algum estudioso do cangaço não quiser que a sua foto permaneça nesta página, ou mesmo da sua esposa, basta enviar-me e-mail: josemendesp58@hotmail.com, pois será excluída sem nenhum constrangimento, já que nenhuma delas foi autorizada pelo seu dono.

José Mendes Pereira

A Revolta da chibata-Guerra dos cangaceiros


A Revolta da Chibata
Local: A Revolta da Chibata foi um movimento de militares da Marinha do Brasil, planejado por cerca de dois anos e que culminou com um motim que se estendeu de 22 até 27 de novembro de 1910 na baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, à época a capital do país
Causas: Os castigos físicos, abolidos na Marinha do Brasil um dia após a Proclamação da República (1889), foram restabelecidos no ano seguinte (1890) por um decreto nunca publicado no Diário Oficial, o qual, mesmo assim, foi tomado por base pela Marinha de Guerra, estando nele previstas:
“Para as faltas leves, prisão a ferro na solitária, por um a cinco dias, a pão e água; faltas leves repetidas, idem, por seis dias, no mínimo; faltas graves, vinte e cinco chibatadas, no mínimo."
Os marinheiros nacionais, quase todos negros ou mulatos comandados por um oficialato branco, em contato cotidiano com as marinhas de países mais desenvolvidos à época, não podiam deixar de notar que as mesmas não mais adotavam esse tipo de punição em suas belonaves, considerada como degradante. O uso de castigos físicos era semelhante aos maus-tratos da escravidão, abolida no país desde 1888. Paralelamente, a reforma e a renovação dos equipamentos e técnicas da Marinha do Brasil eram incompatíveis com um código disciplinar que remontava aos séculos XVIII e XIX.
Objetivos: O objetivo dos revoltosos era acabar com as chicotadas ou chibatadas, que ainda faziam parte do código de disciplina da marinha.... além disso, as condições de trabalho eram terríveis, a comida, de péssima qualidade... foi contra isso que os revoltosos tomaram o controle dos navios e ameaçaram bombardear a capital brasileira.
Reação do governo: O governo manda prender João Cândido e seus companheiros. Dois anos depois, eles são julgados e absolvidos.
Curiosidades: De acordo com Marco Morel, uma das curiosidades dessa história é que tanto o autor do livro quanto o personagem principal foram perseguidos por seus feitos. Após a vitória do movimento, o gaúcho João Cândido foi preso por um tempo, sofreu torturas e foi expulso da Marinha.
Guerra dos cangaceiros
Local: Ocorreu no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX.
Causas: As causas do surgimento do cangaço foram de natureza variada. A pobreza, a falta de esperanças e a revolta não foram as únicas. Isso é mais que certo. Mas foram estas circunstâncias as mais importantes para que começassem a surgir os cangaceiros. Muitos, como dissemos, eram pequenos proprietários, mas mesmo assim tinham que se sujeitar aos coronéis. Do meio do povo sertanejo rude e maltratado surgiram os cangaceiros mais convictos de que lutavam pela sobrevivência.
Objetivos: Era simples, conforme declarou o cabo Gregório do Nascimento, que assumiu o comando do navio São Paulo: conseguir o fim do castigo corporal e melhorar a alimentação.
Curiosidades: O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", denominado o "Senhor do Sertão" e também "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do Nordeste brasileiro.
Por parte das autoridades Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra.
Postado por Carlos

Uma moeda de cangaceiro à venda

Por: Rubens Antonio
 
Esta moeda pertenceu à bandoleira de um cangaceiro, estando, atualmente, em posse do estudioso Orlins Santana. Este divulga, neste site, o seu interesse em negociá-la.

Para contatos, estes devem se dar pelo email
orlins@hotmail.com

Enviado pelo professor e pesquisador do cangaço:
Rubens Antonio

Sempre eterno (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Sempre eterno


Li da garrafa
jogada ao mar
que o amor não é
nem o amor será
senão a eternidade
de cada instante
construído na feição
para se eternizar
para apaixonar
para ter o durar
do amor enquanto
quiser se eterno
feito garrafa ao mar
amor navegante
até um dia repousar
no leito da saudade
que só é permitida
ao que pode lembrar
do amor de um dia
e do seu continuar.



Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 28 de abril de 2012

No meu pensar - O vingativo Lampião

Por: José Mendes Pereira

Em 1927 Lampião resolveu invadir Alagoas, alegando que era protestando contra Zé Lucena por ter assassinado o seu pai, e Zé Saturnino, que segundo ele era o causador das declinações da família Ferreira, privando o direito deles serem felizes onde moravam, obrigando-os a fugir de Pernambuco e os empurrando para as terras alagoanas.
                 
Em Pernambuco ele e os seus familiares deixaram para trás tudo que haviam adquirido com muito esforço: propriedade, agricultura, criações e principalmente sonhos e muitos sonhos que pretendiam realizar.
               
Já residindo em Alagoas passaram por dois grandes desgostos: O primeiro foi quando viram a mãe cair em depressão. Ela se sentindo desgostosa com o desrespeito do Zé Saturnino por ter afetado o caráter de José Ferreira da Silva, seu coração não aguentando as maldades, faleceu em 1920.

José Saturnino, inimigo nº. 1 de Lampião 
               
O segundo e mais doloroso foi quando viram o pai envolvido em um horroroso lençol de sangue, todo crivado de balas pelas armas do tenente Zé Lucena.
           
Os desrespeitos que surgiram contra a sua família  deixaram Lampião e seus irmãos sem rumo e sem decisões para enfrentarem as maldades dos perseguidores.
           
Dizia o rei que o principal culpado das suas desventuras era o Zé Saturnino, por não ter assumido a sua desonestidade, quando o assecla viu peles dos seus animais na casa de um dos moradores da Fazenda Pedreiras. Se o fazendeiro tivesse assumido o feito, não teria sido necessário ele e seus irmãos viverem embrenhados às matas, escondendo-se dos policiais.    
          
O rei ainda se lastimava que todos os seus antes amigos viviam passeando pelas redondezas do lugar,  livres de perseguições, e diariamente aconchegados às mocinhas do povoado, frequentando festas e bailes. E enquanto os outros gozavam da liberdade, eles eram privados de participarem dos divertimentos que o povoado oferecia. Infelizmente teriam que passar a vida inteira se amparando às árvores, castigados pelas chuvas, sol, poeiras, dormindo no chão, misturados com caranguejas, lacraias, cobras e no meio de combates, tentando se livrarem dos estilhaços de balas. E na maioria das vezes, fome, fome e muita fome, vivendo um horroroso sofrimento.                                                
               
Lampião assumia o seu feito dizendo que antes da morte do seu pai, já havia praticado crimes. E em um desses, findou a vida de um sujeito que lhe roubara uma das suas cabras. Mas que todos que o julgavam como um bandido cruel, entendessem o porquê da sua prática criminosa. Fizera para defender o que lhe pertencia, e em prol de sua própria honra. Se ele não defendesse o que era seu, com o passar dos tempos, todos iriam querer pisá-lo como se ele nada valesse na vida.
          
Lampião alegava ainda que se o Zé Saturnino não tivesse manipulado tenente Zé Lucena para assassinar o seu pai, quem sabe, talvez ele não tivesse se tornado um bandoleiro, e sim, um fazendeiro, um engenheiro, um rábula qualquer ou outra coisa parecida. Ou ainda teria se casado e construído uma linda e maravilhosa família. 

Tenente Zé Lucena
          
E agora, depois das grandes decepções que passaram, principalmente a morte do pai, como os irmãos Ferreira se vingariam das maldades que fizeram contra eles?                         
            
Lampião e seus manos, decepcionados, fizeram um juramento: o seu luto, até a morte iria ser o rifle, a cartucheira e os tiroteios. E a partir dali, decidiram que a solução seria magoar todo povo que morava em Alagoas, vingando-se a seu modo. Já que tinham perdido o respeito, uma desordem a mais não influenciava nada.
               
E a partir de 11 de janeiro de 1927, partiram para bagunçarem o Estado de Alagoas, onde destruíam tudo que viam pela frente. E geralmente rios de sangue ficavam escorrendo por onde os vingadores passavam.

José Mendes Pereira
               
Fonte de pesquisas:
"Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angicos"
Alcindo Alves da Costa.

Índia potiguar Clara Camarão (batizada como Clara Filipe Camarão)


CLARA CAMARÃO E SEU MARIDO FELIPE CAMARÃO

Foi uma indígena brasileira provavelmente da tribo potiguar no bairro de Igapó na cidade do Natal, então Capitania do Rio Grande (hoje o Estado do Rio Grande do Norte), nascida na metade do século XVII que foi catequizada por padres jesuítas, juntamente com seu marido Filipe Camarão, adotando o mesmo sobrenome que ele.

É considerada uma das precursoras do feminismo no Brasil, já que ela rompeu barreiras acabando com a divisão de trabalho da tribo ao se afastar dos afazeres domésticos, para participar de batalhas junto ao seu marido, durante as invasões holandesas em Olinda e no Recife.

Clara também liderou um grupo de guerreiras nativas na luta contra os holandeses durante a colonização na cidade Porto Calvo no Estado de Alagoas em 1637. Não há registro do local e data de sua morte.

A Refinaria da Petrobras Potiguar Clara Camarão localizada no município de Guamaré/RN homenageia o seu nome. É a primeira refinaria do Brasil a ser batizada com um nome de uma mulher.
Fonte: Wikipédia

Atenciosamente,
Neto - Natal/RN

Extraído do blog do Neto

ENQUANTO NÃO VEM CANGAÇO - VAMOS REVIVER OS ANOS SESSENTA

Vendi os Bois



Vendi Os Bois - Os Incríveis


Vendi os bois.
O filho moço vai casar.
É feriado hoje, a roça vai parar.
Vem cá depois,
Preciso mandar ver peru
Oh rosa! vê se os dois preferem um tatu.

Sela meu burro, Zé!
Vai convidar Tião.
Traz da cidade um pano pra mulher.
Hei, Rosa, olhe o pirão,
Põe caldo de feijão,
Faz da maneira que o pai dela quer.

Vendi os bois.
O filho agora vai casar.
Vai ser a melhor festa que eu dei no lugar.
Vem cá depois.
Preciso mandar ver melão.
Oh, Rosa! Vê se o doce é melhor que mamão.

Sela meu burro, Zé!
Vai convidar Tião.
Traz da cidade um pano pra mulher.
Hei, Rosa! Olhe o pirão,
Põe caldo de feijão,
Faz da maneira que o pai dela quer.


Por Johwanny m. Cavalcante
(Goiânia)