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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

OS MISTÉRIOS DO ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ, QUARTA E ÚLTIMA TEORIA, QUINTA PARTE

Por: Honório de Medeiros(*)
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Quarta teoria: o ataque a Mossoró resultou de um plano político (quinta parte)

OS CORONÉIS QUINCAS E BENEDITO SALDANHA

Mas se realmente Massilon tinha, por trás de si, desde o episódio de Brejo do Cruz, PB, até o ataque a Apodi, RN, as figuras maquiavélicas de Quincas e Benedito Saldanha, ainda não há como ligar diretamente os Coronéis paraibanos ao ataque a Mossoró. 

Pelo menos até onde sabemos, mesmo que os coronéis ambicionassem o controle político da Região, como o demonstram suas participações na política de Caraúbas, via o Coronel Quincas Saldanha; de Apodi, por intermédio de Benedito Saldanha, Tylon Gurgel, Martiniano Porto e Luis Ferreira Leite; e, porque não dizer, influência política no Rio Grande do Norte como um todo, haja vista a participação em episódios políticos decisivos no Estado, oriunda das relações políticas com o Interventor Mário Câmara e a histórica campanha da Aliança Social versus Partido Popular, relatada acima, em meados da década de 30. 

Isso, por uma razão muito simples: não teria como haver a invasão de Mossoró sem Lampião e, conforme exposto acima, nem o Coronel Isaías Arruda, tampouco Massilon – homem dos Saldanha –, sabia que o grande cangaceiro se dirigia a Aurora no período do ataque a Apodi.
Recordemos Sérgio Dantas[1]: 

O encontro de Lampião com Massilon deu-se em dias de maio, após o assalto a Apodi. Até aí, Lampião desconhecia completamente o novel bandoleiro. O cangaceiro Mormaço, em interrogatórios consignados nos processos-crime instaurados nas Comarcas de Martins e Pau dos Ferros, ambos em 1927, deixam claro esse particular. Também, nesse sentido, depoimento prestado por Jararaca à Polícia no mesmo ano. Todos são unânimes quanto à época do encontro. 

Ainda: 

O cangaceiro “Mormaço”, em diferentes interrogatórios prestados à Polícia (Martins, Pau dos Ferros, Mossoró e Crato), deixou claro que Lampião desejava chegar ao Ceará para refugiar-se e municiar o bando. Também acrescentou, em diversas oportunidades, que Arruda intermediava, invariavelmente, tais compras de munição. 

A NÃO SER que o projeto do ataque a Mossoró, revelado por Argemiro Liberato e denunciado pela imprensa mossoroense, estivesse na fase de planejamento e, deste, fizesse parte a noção de que somente depois, em uma outra etapa, os líderes cangaceiros seriam procurados por Massilon, etapa que teria sido precipitada para aproveitar a chegada inesperada, em Aurora, de Lampião. 

Pois é fato que, até onde se sabe, nenhuma outra pessoa, fora os Coronéis Quincas e Benedito Saldanha, teriam tanto a ganhar, AO MESMO TEMPO, politicamente, com a invasão de Apodi e Mossoró, e a deposição, pela força das armas, dos Coronéis Francisco Pinto e Rodolpho Fernandes do poder, exceto, também, o próprio Governador José Augusto Bezerra de Medeiros, e Jerônimo Rosado. 

Os Coronéis tinham um sério e quase imbatível adversário político na Região: os Fernandes, e, principalmente, o Coronel Rodolpho Fernandes. 

E dois fatos a favor, digamo-lo assim: a vontade de José Augusto Bezerra de Medeiros de destruir o crescente poderio político dos Fernandes, e a atitude destes em relegar Jerônimo Rosado, um dos dois principais aliados políticos de Francisco Pinheiro de Almeida Castro[2] - o outro era Rafael Fernandes, ao esquecimento, como veremos um pouco adiante.

Rafael Fernandes: até hoje quem mais tempo passou no poder, de forma ininterrupta, no Rn 

JOSÉ AUGUSTO BEZERRA DE MEDEIROS 

Façamos uma introdução à política do estado potiguar: nos anos vinte ocorreram várias mudanças significativas em termos de poder político no Rio Grande do Norte. 

José Augusto Bezerra de Medeiros, do Seridó, herdeiro político do Coronel José Bernardo de Medeiros, líder regional desde a época do Império, transferira o centro das decisões no Estado para o Sertão, correspondendo esse poderio, no que diz respeito ao econômico, à ascendência da cultura algodoeira no Estado. 

É o que lemos em Luiz Eduardo Brandão Suassuna e Marlene da Silva Mariz[3]: 

José Augusto e Juvenal Lamartine de Faria, seu sucessor e herdeiro político, com o apoio do Presidente Artur Bernardes, conseguiram impedir Joaquim Ferreira Chaves, da oligarquia Maranhão, de chegar ao poder pela terceira vez, e, assim, praticamente decretaram seu fim.

Juvenal Lamartine: teria sido por ordem sua que morreu Chico Pereira 

A linha política do governo José Augusto insere-se na conjuntura nacional, com a oligarquia local em plena harmonia com a oligarquia que detém a hegemonia nacional. Um exemplo desse entrosamento é a visita de Washington Luis, em 1926 (após ter sido eleito Presidente da República), ao Rio Grande do Norte. 

O poder de José Augusto Bezerra de Medeiros será bruscamente interrompido pela Revolução de 1930, embora esteja no cerne da vitoriosa campanha do Partido Popular contra o Interventor Mário Câmara, tão cuidadosamente retratada por Edgar Barbosa em “HISTÓRIA DE UMA CAMPANHA”, já aludido. 

José Augusto Bezerra de Medeiros manobrou, o quanto pode, para instituir uma nova oligarquia no Rio Grande do Norte, relata-nos Gil Soares[4]: 

José Augusto não se limitou a cuidar do seu quatriênio. Preparou sucessões de familiares seus. O “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro anunciou logo isso. Oligarquia. E na modalidade mais rudimentar, que é a do tipo familiar. 

De início julgava-se prestigiado para esse objetivo derrubando, no interior, velhos dirigentes do seu partido, para substituí-los por elementos de sua confiança pessoal. Exemplos: 

Em São José do Mipibu, Inácio Henrique por Monsenhor Antônio Paiva; em Nízia Floresta, José de Araújo por Joaquim Freire; em Goianinha, Gonzaga Barbalho por Manoel Ottoni de Araújo Lima; em Pedro Velho e Santo Antônio, Rodopiano de Azevêdo por Joaquim da Luz e Epaminondas Mendes, respectivamente; em Nova Cruz, Anísio de Carvalho por Nestor Marinho; em Taipu, Rozendo Leite por João Gomes da Costa; em Touros, Francisco Zacarias por Joel Cristino; em Macau, Feliciano Tetéo por Armando China. E assim por diante. 

Manoel Maurício Freire (Neco Freire), de Macaíba, resistiu. Mas ficou muito desprestigiado. Viu o Governador eleger deputado estadual o comerciante Antônio de Andrade Lima, seu velho adversário local. Quando lhe chegou a vez de indicar o nome do prefeito, ei-lo obrigado a aceitar o macaibense Cícero Aranha, Chefe de Serviço do Tesouro do Estado. 

Depois do Seridó, a maior força eleitoral situava-se na Zona Oeste. Liderada pela família Fernandes. Homens pacíficos, muito dedicados a atividades agropecuárias e industriais.  

O plano, aí, seria reduzir-lhe, paulatinamente, o grande prestígio político. 

Começou, pois, o Governador, atraindo para a chapa estadual o médico Antônio Soares Júnior[5], a maior figura da oposição em Mossoró[6].

Antônio Soares Júnior, líder da oposição radical ao Coronel Rodolpho Fernandes

Também: 

No segundo ano do governo de José Augusto, seu primo Napoleão Bezerra, meu velho e saudoso amigo currais-novense, me dizia o seguinte no Campo de Demonstração de Jundiaí, em Macaíba: “Se os Maranhões dominaram a política do estado durante trinta anos, por que não podemos fazer o mesmo?” 

E: 

Naquele ano de 1926 era voz corrente, em Natal, que o “plano político” do governo do Estado seria o seguinte:

1º O governador José Augusto teria como sucessor seu sobrinho-afim Juvenal Lamartine e seguiria, logo, para o Senado; 2º por sua vez, o sucessor de Juvenal Lamartine, em 1932, viria a ser seu sobrinho Cristóvam Dantas; 3º este ingressaria como deputado federal logo no pleito de 1930, a fim de abrir a vaga para Juvenal Lamartine retornar ao Congresso Nacional.  

José Augusto, quando achava necessário, agia com violência, como nos recorda Gil Soares, na mesma obra: 

Causando surpresa, José Augusto demitiu sumariamente o jornalista Pedro Lopes Júnior do cargo de escrivão da Delegacia Auxiliar de Polícia, por causa de comentários desfavoráveis a atos do seu governo. 

Como seria de se esperar, o Tribunal de Justiça, unânime, mandou-o retornar ao cargo. Em ambiente hostil, alta noite, elementos fazendo-se passar por policiais, bateram a sua porta. Pedro Lopes foi, pelo quintal, ocultar-se em casa de um vizinho. Preferiu deixar o Estado. 

Ainda: 

Vitoriosa a Revolução de 1930, o advogado Bruno Pereira em telegrama divulgado pela imprensa, manifestou seu “desafeto”: 

“Interventor Irineu Joffily – Natal. 

Pessoa vossa excelência felicito minha estremecida terra redimida garras mais imoral oligarquia[7] do mundo. Atenciosa saudação. Bruno Pereira”.

                            E, também, Spinelli[8]:

Em 1921, Café Filho e Kerginaldo Cavalcanti apoiaram a Reação Republicana de Nilo Peçanha. Em 1928, Café Filho foi eleito vereador em Natal, mas o governo queimou as atas, procedendo a novas eleições a “bico de pena”. Nesse mesmo ano, o sindicato[9] e o jornal[10] foram invadidos e destruídos pela polícia do governador Juvenal Lamartine, e Café Filho foi obrigado a fugir do Estado, indo conspirar com os políticos e militares da Aliança Liberal na Paraíba.

CONTINUA...
[1] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; Cartgraf – Gráfica Editora; 2005; Natal; RN.

[2] Falecido em 1922.

[3] “HISTÓRIA DO RIO GRANDE DO NORTE”; SUASSUNA, Luiz Eduardo Brandão e MARIZ, Marlene da Silva; Sebo Vermelho; 2ª. Edição; 2005; Natal, Rn.

[4] “O PASSADO VISTO POR GIL SOARES”; MUINIZ, Caio César (organizador); Coleção Mossoroense; Série “C”; volume 1.147; 2005; Mossoró, RN.

[5] Eis o líder da oposição a Rodolpho Fernandes em Mossoró, razão de suas principais divergências com José Augusto. Foi o primeiro mossoroense a se doutorar em Medicina. Filho de Antônio Soares de Góis e Josefa Soares de Góis, nasceu em 4 de maio de 1881, no lugar Barrocas, subúrbio da cidade. Formou-se na Bahia, em 1905. Prefeito de Mossoró de 21 de setembro de 1933 a 4 de novembro de 1935 (dados obtidos em (BRITO, Raimundo Soares de; “RUAS E PATRONOS DE MOSSORÓ”; Coleção Mossoroense; Série “J”; v. 01; dezembro de 2003; Mossoró. Raimundo Nonato lembra, em “MEMÓRIAS DE UM RETIRANTE” (Fundação Guimarães Duque e Fundação Vingt-un Rosado; Coleção Mossoroense; Série “C”; v. 1.235; 3ª edição; 2001; Mossoró), ao relatar um dos embates entre os Fernandes e José Augusto Bezerra de Medeiros, que “Neste particular, a situação do Dr. Soares Júnior era, realmente, privilegiada, pois comandava um forte grupo de oposição, cujo concurso o governador do Estado via com bons olhos.”

[6] Grifei.

[7] Oligarquia liderada por José Augusto.

[8] SPINELLI, José Antônio; “CORONÉIS E OLIGARQUIAS NO RIO GRANDE DO NORTE”; EDUFURN; 1ª edição; Natal; 2010.

[9] Sindicato dos Operários de Natal.

[10] “Jornal do Norte”.

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Ivanildo Alves da Silveira
Natal-Rn

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

O cangaceiro Corisco e o lobisomem

Por: Francisco Carlos Jorge de Oliveira
Corisco
Caro leitor:

Em um vale castigado ao extremo pela cruel estiagem que castigava o sertão baiano, num ranchinho escondido ao lado de um quase escasso olho d'água, morava um velho vaqueiro solitário, que atendia pela alcunha de "Zezim Pebão".

Ninguém sabia o seu nome e todos o consideravam como o maior vaqueiro da região, pois seus aboios ecoavam nas caatingas e eram ouvidos à léguas de distância, e segundo os moradores do lugar, este homem perdera sua mulher em uma noite bem escura, quando juntos caçavam tatu, e ela foi picada por uma urutu cruzeira, serpente perigosíssima, a mais peçonhenta das jararacas.

Dizem que ele chorou e sofreu bastante com a perda da companheira, e logo após enterrá-la no cemitério da cidade, ele sumiu montado em seu cavalo ruano e ninguém mais ouviu falar dele.

Alguns caçadores dizem que quando se perdiam durante a noite, sua cantiga os conduziam ao rumo certo. Na quaresma de Março do ano de 1932, o cangaceiro 

Corisco e Dadá

Cristino Gomes da Silva Cleto o "Corisco", junto de Dadá, sua companheira, que na ocasião encontrava-se grávida, deixaram o bando de Lampião e em trajes comuns, atravessaram o sertão pernambucano, penetrando na inóspita região do Raso da Catarina, com destino á cidade de Salgado do Melão, no Estado baiano.

Corisco estava montado em um vistoso e ligeiro cavalo alazão, e a montaria de Dadá era uma mansa e linda mula de pelagem rosilha. 

Eles cavalgavam atentos, e com todo o cuidado, pois o estado de Dadá era totalmente delicado. Foi então que em um lugar longínquo, na região próxima ao Brejo do Burgo, ao cair à tarde, cansados da viagem, Corisco escolheu um recanto seguro, entre umas rochas rodeadas de mandacarus, e sob a sombra de um frondoso pé de jatobá, ali, ele apeou-se e ajudando Dadá a descer da mula, forrou uma coberta sobre a vegetação rasteira, acomodando carinhosamente seu cônjuge. E pegando as cabaças repletas de água, após saciarem a sede, deram água também aos animais, desarreando-os, deixando-os que pastassem amarrados ali perto deles.


Corisco e seus Cães

Corisco tinha uma cadela preta e branca, mestiça, da raça perdigueira, que gostava mais dele do que a própria Dadá, e era ela quem fazia a guarda deles. 

Corisco desembainhou seu facão collins c.o, e foi mais adiante cortar alguns galhos para fazer uma fogueira onde passariam a noite, e quando vinha vindo com o feixe de lenha nas costas, avistou uma cotia, que assustada, cruzou correndo sua frente. 

Corisco fez jus ao nome, e ágil como um raio, disparou um tiro com seu fuzil mauser cal.7 m., vindo a atingir o ouvido do pequeno roedor. 

O jantar já estava garantido. Após comerem, Corisco improvisando um leito e agasalhando sua companheira de maneira cômoda, acariciou seus cabelos, fazendo com que sua amada dormisse tranquila e aconchegante.

Corisco perdera o sono. Sentou-se em uma pedra ali ao lado, fez um cigarro de palha, e ficou observando a lua cheia, que morosamente surgia entre os mandacarus, parecia pressentir o que estava por vir. 

Corisco pensava em chegar logo até Salgado do Melão, pois Dadá estava próxima a entrar em trabalhos de parto, e isto lhe preocupava muito. Mas de repente sua cadela levantou-se e ficou de orelhas em pé.

O Diabo Loiro que não temia nada, vendo algum perigo ali rondar, de imediato acordou Dadá, deixando-a preparada para enfrentar o perigo oculto nas sombras da noite.

A cadela rosnou e ficou ao lado de Dadá. Os cavalos começaram a se agitar, um grunhido estranho e aterrorizante se ouviu à frente. E quando Dadá lumiou com um tição em chamas, pode-se ver de fronte a Corisco, a figura horripilante de um lobisomem.

A besta fera era bem maior que Corisco. Tinha orelhas grandes e eretas. Seus olhos eram vermelhos flamejantes, igual a duas jóias vindas do inferno. Dentro da bocarra espumante havia enormes dentes caninos e pontiagudos, entre eles escorria uma baba fétida, sórdida e gosmenta. As patas superiores apresentavam descomunais garras afiadíssimas e a pelagem negra, ajudavam-no a se ocultar dentro da escuridão da noite.

Corisco que já se encontrava de arma na mão, manobrou seu fuzil e efetuou três disparos em direção do monstro. Mas para sua surpresa, as balas só amorteciam no pelo dele e caiam fumegantes no chão. Corisco nem gastou mais munição. Puxou de seu punhal de prata e ficou na defensiva. O demônio saltou sobre o Diabo Loiro que se atracaram em uma luta mortal sobre a relva molhada de sereno. Num lapso, o punhal escapa das mãos do cangaceiro e caindo, se perde em meio a vegetação rasteira. Nisso, a fera agarra em seu pescoço e vai apertando gradativamente para matá-lo enforcado. 

O valente cangaceiro se esforça inutilmente, e quando vê os seus olhos já sendo coberto pelo véu cinzento da morte, numa derradeira tentativa ele passa a mão sobre a grama achando seu punhal de prata. E assim segurando-o com firmeza, reunindo as últimas energias do seu corpo, o Diabo Loiro serra os dentes e desfere um fatídico golpe que atinge violentamente o sovaco do lobisomem, causando-lhe uma lesão profunda e mortal. A besta solta um urro ensurdecedor, larga o cangaceiro e sai correndo e sangrando caatinga adentro, até desaparecer na escuridão da noite. 

Corisco segurando o punhal manchado pelo sangue da fera vai cambaleando até Dadá, que o abraça e banha com água sua cabeça para ajudá-lo a se recuperar mais rápido, e assim ambos adormecem. 

No alvorecer do dia seguinte Corisco assopra e ateia os tições quase extintos da fogueira, e faz um café. Após quebrar o jejum corisco deixa Dadá em um lugar seguro, e vai campear suas cavalgaduras, e caminhando por alguns minutos, ele localiza os animais a uns oitocentos metros do seu acampamento.

Corisco ao se aproximar, avista um ranchinho ao lado de um pé de aroeira, e  quando chega mais perto, vê pelas frestas de madeira um  velho deitado numa tarimba, gemendo de dor. Corisco pega seu parabelliun 9 m. e vai pra bem perto do cabra,  pergunta:

- Ei! môço, o quê ta se sucedendo com o sinhô?

E o moribundo responde:

- Ai!aaai! eu fui cortá lenha nu mato i trupiquei num cipó i na queda cai com u subacu im cima duma ferpa di pau, ai!ai! óia moço, pega sua muiê e suma daqui antes di iscurecê antis da lua saí.

Corisco perguntou novamente:

- Diga então veio, pelo menu seu nome?

E ele respondeu:

- É "Zezim Pebão".  Agora fais o que tô mandandu. Si arranca daqui cabra da mulestra!

Sem desconfiar de nada o cangaceiro pegou seus animais e se foi. Chegando ao acampamento Corisco arriou os animais e partiu rumo ao lugarejo chamado Salgado do Melão, e assim quase turvando o casal, chegou na supracitada cidade,

Corisco levou Dadá para casa e deixou a companheira aos cuidados dos parentes. E foi até uma venda comprar o que precisava, e lá, bebendo umas pingas e proseando com o povo ele perguntou:

 Arguém di oceis cunhece um tar "Zezim Pebão"?

Dai um sertanejo por nome Zé Osmídio respondeu que sim, e contou toda a verdade a Corisco, que cismado e surpreso, foi para junto de Dadá. No outro dia já estava viajando de volta para Pernambuco, com destino ao coito de seu compadre Lampião.

Pois é amigos, este é mais um fantástico caso do cangaço e de cangaceiros.

 Se é verídico cabe a você analisar.

Francisco Carlos Jorge de oliveira é da policia militar paranaense, e mais uma vez vem postar sua interessante história do cangaço neste blog.

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RENASCENÇA

(Celso da Silveira - Onildo Almeida)
Gonzaguinha e Gozagão

Sr(a)s da REVIVENDO, boa tarde.

Gostaríamos que a gravadora fizesse uma correção, por questão de direito, com relação a música RENASCENÇA, gravada no C- 9914 LUIZ GONZAGA Vol. 4 - RVCD 252, pois a mesma é uma parceria do Onildo Almeida (música) com letra do poeta e escritor potiguar Celso da Silveira; a mesma foi gravada por Luiz Gonzaga apenas em estúdio 
e saiu por este selo em cd.

Agradecemos a compreensão.
Kydelmir Dantas


(autor do livro LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE, 2012). 
(See attached file: Luiz Gonzaga e o RN_Kydelmir Dantas.jpg)

Mossoró-RN.

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Vem aí "O Cangaço em Itabaiana Grande"

 Por: Robério Santos

O meu quarto livro, "O Cangaço em Itabaiana Grande" está praticamente pronto para ser lançado ainda este ano. Teremos em torno de 350 páginas de pesquisa sobre a relação deste fenômeno com a cidade que amo e moro (Itabaiana-SE).

Muitas histórias, fotografias inéditas e descobertas. De brinde fiquem com um desenho de Volta Seca feito por Napoleon Potyguara Lazzarotto, conhecido simplesmente como Poty (Curitiba, 29 de março de 1924 — Curitiba, 8 de maio de 1998) que ilustra uma edição de 1982 de Capitães da Areia do mestre Jorge Amado que imortalizou o cangaceiro Criança. Se quiserem fazer alguma pergunta esta é a hora!

Robério Santos
cangaceirólogos/facebook

Faça uma visitinha ao blog "Fatos e Fotos" http://sednemmendes.blogspot.com, para você ler as crônicas e poesias dos escritores: Rangel Alves da Costa e Clerisvaldo B. Chagas.

Corisco - o Diabo Loiro


Corisco foi companheiro de Lampião por muito tempo. Separou-se de Lampião para formar seu bando. Dizia para Lampião que seu bando jamais importunaria o seu, e se preciso fosse lutaria ao lado de seu bando. 

Uma semana depois do massacre do bando de Lampião,Corisco (o diabo loiro) desfechou ataques fulminantes sobre cidades a margem do Rio São Francisco, como vingança da morte de seu amigo. 

Jurou matar todas as pessoas de sobrenome Bezerra. Enviou algumas cabeças cortadas ao prefeito do povoado de Piranhas, com um bilhete: 

"Se o negócio é cabeças, aí vai  em quantidade". 

Corisco, o Diabo Loiro foi assassinado pela volante do tenente Zé Rufino, no dia 25 de Maio de 1940. Com a morte do cangaceiro o cangaço foi enterrado com ele.

http://mariolopomo.zip.net

Lampião Contra o Mata Sete


Autor: Archimedes Marques

Preço: R$ 50,00
BANCO DO BRASIL
Agência: 3088-0
Conta: 33384.0
Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
E-mail
archimedes-marques@bol.com.br

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Comentário

Por: Maria Cícera Linhares

Lampião e Maria Bonita

A ilusão do cangaço pode ser constatada ainda hoje; porque será que o cangaço que acabou ha mais de 80 anos ainda desperta tanto interesse nas pessoas? 

Aderbal Nogueira - pesquisador

Pensando bem o artigo do escritor Aderbal Nogueira tem muito sentido, as mocinhas daquela época também viviam a ilusão do cangaço, a libertação da vida sob o julgo dos pais, numa sociedade pra lá de machista e patriarcal, além do desejo contido de viver aventuras, dinheiro, poder, um sem fim de ilusões que povoavam a cabeça dessas meninas-moças; amor pode até ter havido, mas na maioria acho que foi mesmo ilusão. Parabens a cariri cangaço pelo debate de alto nível engrandecendo a história do nordeste e do cangaço com pesquisadores sérios e comprometidos com a verdade.

Maria Cícera Linhares
Juazeiro do Norte
Ceará

Manoel de Assis - 12 de Novembro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Era natural do antigo município de Santana do Matos, hoje pertencente a Ipanguaçu. Nasceu a 01 de julho de 1883, sendo filho de Francisco Assis Cabral e dona Joaquina Maria da Conceição. Chegou a Mossoró em 31 de dezembro de 1919, “tornando-se mossoroense pelos seus 50 anos de vivência útil a terra e a sua gente”, segundo as palavras de Raimundo Soares de Brito. Foi professor do Ginásio Santa Luzia, ensinou particularmente em sua residência e nas próprias residências de alunos; lecionou ainda nas cidades de Assú, Jucurutu, Ipanguaçú e Mossoró. Foi orador do Centro Esportivo e Presidente da citada agremiação e foi também orador e presidente do Sport Club de Mossoró. Colaborou na Revista “Palavras Cruzadas”; nos jornais “O Nordeste” e em “O Mossoroense”.

 

 Casou-se com Maria Tibúrcia da Câmara Assis, com quem teve 11 filhos.
              
 O escritor Walter Wanderlei, que era seu amigo, assim o descreveu:
               
 “... Vejo-o, assim, nesta ressurreição pela saudade, amigo de todos, bonachão, fumando o seu cachimbo sarrento, deitado na sua espreguiçadeira, mestre das palavras cruzadas, fazendo versos, adorando acrósticos, charadista, professor de tantas gerações, homem de letras.
               
Fomos amigos. E entre nós existia algo de afinidade que fazia com que nossos encontros fossem marcados pelo sinete de uma amizade sincera, a despeito mesmo da distância da faixa etária em que nos achávamos situados. E isso é o que ele procurava me explicar em carta que me fez no ano de 1964; na qual dizia a certa altura: “... Entretanto, às vezes a gente vê pela primeira vez um indivíduo e sente nascer em nossa alma uma amizade e uma confiança recíproca tão positiva e completa, tão sincera, como se já fôssemos velhos conhecidos. Este fenômeno eu notei entre nós, desde o momento em que tive a oportunidade de conhecê-lo...”.
               
O escritor Raimundo Nonato também escreveu sobre Manoel Assis: “Manuel Assis é um retrato na vida de Mossoró, que marca a intensidade de uma geração, talvez de várias gerações. É um idealista, quase utópico. Um sonhador. Amante das letras e da presença dos seus amigos. Jornalista da velha-guarda, que vendia nas ruas do Açu o “jornaleco domingueiro” para ganhar o pão da semana, amargo e ingrato pão, que nem ao menos era o de cada dia.
               
Homem simples e bom, interiorano, nascido na bacia das águas que se espraiam na gleba da ribeira do Açu, do Piranhas mais remoto. Representa, no seu mundo, o milagre da libertação do autodidata. Um milagre luminoso, que os deuses arrancaram das trevas, onde tudo era o nada. Portador de uma cultura invulgar. Dono de uma memória que fazia inveja àquele grego miraculoso, que a certa época sabia pelos nomes, todos o habitantes de Atenas.
               
Mais do que tudo, no entanto, um grande sertanejo, um espírito banhado pelo entusiasmo da brasilidade, que sonha o magnífico Brasil.
              
Enfim, Manuel Assis é um homem que sabe viver a vida.
               
Ainda agora, vivendo seus 84 janeiros, diz, risonho, para o tempo: - Quando eu ficar velho, vou escrever minhas memórias.
               
Um adorável filósofo.”
               
O professor Manuel Assis faleceu em Mossoró a 24 de julho de 1969. A cidade o homenageou emprestando o seu nome a uma de suas artérias e como patrono de uma escola municipal. É também patrono da Cadeira 31 da Academia Mossoroense de Letras.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:
http://www.blogdogemaia.com/#

100 anos de Gonzagão

Para você ler aumente as imagens.

Enviado pelo poeta, escritor, pesquisador e membro da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, Kydelmir Dantas

Cordélia Silva - 11 de Novembro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 14 de abril de 1931 morria, em Alagoa Grande/PB, a professora, musicista, poetisa e jornalista Maria das Mercês Leite, que se tornou conhecida com o pseudônimo de Cordélia Silva. Mossoró prestou-lhe uma homenagem gravando seu nome em uma artéria da cidade.

               
Maria das Mercês Leite, ou Cordélia Silva, nasceu em Mossoró no dia 11 de novembro de 1888, num belo dia de Domingo. Era filha legítima de Tomé Leite de Oliveira e de Maria das Mercês Leite.
               
Sua infância deu-se em Mossoró, sua terra natal, onde iniciou os seus estudos. A família mudou-se para Macau e depois para Alagoa Grande, na Paraíba, em 1902. E é nessa cidade paraibana que a nossa futura poetisa fez o seu curso de humanidades e música. Foi também em Alagoa Grande que começou a sua vida profissional, lecionando por vários anos. Em 1908 fundou a revista “O Batel”, que circulou por vários anos. Foi colaboradora de vários jornais e revistas da época, entre os quais podemos citar a revista “A Estrela”, de Aracati/CE, que era dirigida por sua amiga Francisca Clotilde, além dos jornais “Jornal do Comércio, de Recife/PE, “O Nordeste” e a “Imprensa” de João Pessoa/PB e em outros periódicos sulistas.
               
“Foi Cordélia Silva de uma dedicação exemplar ao desenvolvimento cultural da mulher, dando prova exuberante de sua privilegiada inteligência, como fundadora e diretora de uma revista, em colaboração com Célia Adamantina, que era o pseudônimo de Rita de Miranda Henrique”, nas palavras de Lauro da Escóssia.
               
O historiador Raimundo Soares de Brito em suas “Notícia Biográfica de Alguns Patronos de Ruas de Mossoró, assim se expressa sobre a personalidade de Cordélia Silva: “Descendia dos troncos ilustres, que em Mossoró tiveram suas origens no Sargento-Mor José de Oliveira Leite, a primeira autoridade da então ribeira de Santa Luzia de Mossoró. Seus pais foram: Tomé Leite de Oliveira, também mossoroense e dona Maria das Mercês Leite, cearense da cidade de Pereiro”.
               
Causava admiração, na época, o fato de duas moças, numa pequena cidade do interior, conseguir sustentar por tanto tempo uma revista literária, quando na capital todas as publicações desse gênero tinha vida curta, como nos informa ainda o historiador Raimundo Soares de Brito. Tinha também predileção pela música, deixando alguns interessantes trabalhos.
               
Em dezembro de 2000, a POEMA – Poetas e prosadores de Mossoró – lançou, através da Fundação Vingt-un Rosado, o livro “100 Poetas de Mossoró”. Trata-se de uma antologia aos poetas da cidade. E como não podia deixar de ser, a nossa poetisa em foco, Cordélia Silva, se fez presente com o poema intitulado “O Batel”, um dos mais bonitos de sua criação. A própria autora gostava muito desse poema, tanto é que foi com esse nome que batizou a revista que criou em 1908.
               
Cordélia, como tantas outras mulheres mossoroenses, destacou-se por suas atuações empreendedoras, numa época de puro machismo. É mais uma a figurar na galeria das grandes personalidades mossoroenses.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:
http://www.blogdogemaia.com/#

"João no coito de Vinte e Cinco"

Por: João de Sousa Lima

Uma visita a um dos últimos guerreiros de  Lampião

José Alves de Matos, o ex-cangaceiro Vinte e Cinco é um dos três últimos cangaceiros vivos. Ainda lúcido tem uma memória privilegiada e apesar dos seus 95 anos de idade, sempre recebe visitas em sua residência na capital alagoana para falar do seu tempo de cangaceiro. Ele lembrou de nosso último encontro há exatos seis anos.

José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos  e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.

 Corisco e Vinte e Cinco em plena atividade, posaram para Benjamim Abrahão em 1936/37.

Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião Vinte e cinco havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres. Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe, acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo.

 Período das entregas: "25", sentado ao centro de óculos escuros.

Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro, convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda, pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha.

O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante, o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase. Na segunda fase se classificou entre os melhores, e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabéllum, e teve que atirar com um "38", só passando depois que atirou com o parabélum e acertou o alvo, depois de duas sequências de erros com a outra arma. 

Hoje José Alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.

João de Sousa Lima, José Alves de Matos e Josué Santana.

José Alves com sua família, a esposa  Mariza, as filhas Dilma e Dalma, o Genro Givanildo, a Neta Juliana, o neto João Pedro e a bisneta Maria Eduarda.

José Alves e a esposa Mariza

Adendo Lampião Aceso

Via comentário o confrade Fábio Menezes nos chamou a atenção para um possivel lapso de memória do "Vinte e Cinco": Quando ele se refere que no dia 28 de julho estava numa missão acompanhado dos irmãos "Atividade" e "Velocidade... Quanto ao cabra "Velocidade" é bem provável, mas e o companheiro Atividade? morto desde o 5 de junho de 1938? Como apresentado na pesquisa de Ivanildo Silveira Leia aqui comungando com outros trés autores, entre estes: Bismarck Martins, Elise Jasmin na página 146 do seu livro "Cangaceiros" com foto e legenda cedida por Frederico Pernambucano de Mello.

Fontes:
http://www.joaodesousalima.com/
http://lampiaoaceso.blogspot.com.br