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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

De quando o RN e o Ceará se travaram na bala !

Cel. Salustiano Padilha em  foto de 1897

O público nas ruas de Fortaleza o conhecia pouco. O jornal Unitário perguntava em editorial: "Quem é esse homem, a quem está confiada a tão momentosa tarefa de desafrontar a honra estadual?”.

José Torcápio Salustiano de Albuquerque Padilha nascera na vila de Camocim a sete de setembro de 1861. Considerava o fato de ter nascido na data da independência nacional um presságio. Seus pais morreram quando ele era muito jovem, fazendo com que ele fosse criado por um de seus tios maternos, o farmacêutico João Francisco de Almeida Albuquerque.

Esse tio exerceu grande influência na sua vida, pois fora voluntário da pátria na guerra do Paraguai como alferes, tendo sido inclusive ferido e condecorado. O historiador Soriano Cavalcanti afirma que todas os finais de tarde o jovem Salustiano ouvia seu tio relatar feitos heroicos pela defesa da pátria em meio aos macegais do Paraguai, e que foi isso que acendeu nele a chama do patriotismo.

Em 1878 ou 1879, os registros não são claros, o jovem Salustiano se matricula na Escola Militar de Rio Pardo, formando-se aspirante em 1883. Desde o começo de sua carreira militar Salustiano se destacava pelo seu acendrado patriotismo. Ele reprovava seus colegas quando estes se mostravam mais interessados em bebedeiras, teatros e flertes que em pensar na pátria. Sua companhia era evitada pelos outros oficiais, pois era bem conhecido que ele só tinha um assunto, único e exclusivo: a honra nacional.

O amor de Salustiano pela pátria se torna patente na carta que mandou a noiva, uma de cujas páginas que não se perderam se pode ver à direita, quando do início das querelas com a Bolívia devido à situação no Acre, e que quase levaram os dois países à guerra. Na carta Salustiano confessa seu ódio aos malévolos bolivianos, e mais do que isso, confessa à noiva que seu amor a ela é muito grande, mas que seu amor pela pátria é maior. Escreve também que o desejo mais ardente do seu coração, que o empolgou "desde o primeiro vagido no seio da mãe", é oferecer sua vida em holocausto pela pátria, para salvá-la de algum inimigo pérfido que a ameaçasse. Acrescenta no final da carta que o Brasil é a terra mais privilegiada do Planeta, e por isso é vítima de inveja das outras nações, que pretendem destruir sua glória. Diz que apreciaria morrer no campo de honra, afrontando o inimigo, batendo-se como um leão, enrolado no pavilhão nacional, e liderando a vitória das armas nacionais.

Barão do Rio Branco e Grupo Boliviano por ocasião do Tratado de Petrópolis

O Tratado de Petrópolis em 1903 que resolveu as questões com a Bolívia involuntariamente causou o maior choque da vida de Salustiano, que decepcionado voltou para a sua terra natal, o Ceará, em licença, depois de tanto sonhar com as glórias nas batalhas com o país vizinho. Mas este na verdade seria o prenúncio de seu momento de glória, pois no decorrer de sua licença o rio Mossoró foi cruzado pelas tropas norte-rio-grandense, que conquistaram a cidade de Grossos, no Ceará.

A questão de Grossos, hoje um tanto esquecida, foi um dos casos mais rumorosos que abalou o Norte do Brasil no começo deste século. As tropas do Rio Grande do Norte cruzaram a fronteira histórica entre os dois estados, que era determinada pela larga barra do rio Mossoró, em fins de janeiro de 1904. O governo do Ceará diante dessa afronta não agiu prontamente, gerando uma grande campanha por parte dos jornais oposicionistas, principalmente do Unitário. Multidões se reuniam na Praça Central de Fortaleza exigindo a guerra ao Rio Grande do Norte. E de nada adiantavam as explicações de juristas dizendo que um estado não podia declarar guerra a outro! Finalmente, premido por todos os lados, o líder político do estado, Nogueira Aciolly (ao lado), toma uma providência: nomeia o Tenente-coronel do exército Salustiano Padilha para comandar as tropas estaduais na expulsão das tropas potiguares.

A reação da imprensa e da população foi entusiástica. Por todos os lados o Coronel Salustiano era aclamado como o salvador da honra estadual, era chamado de Leão do Norte, Alexandre o Grande do Ceará, Novo Napoleão. Mas foi de novo o jornal Unitário que lhe deu o epíteto mais marcante: a Altaneira Águia do Apodi.

Alheio a tais glórias o Coronel trabalha com afinco e entusiasmo, finalmente ele iria fazer o que sempre quis: bater-se contra o inimigo! E em pouco tempo a tropa de duzentos e cinquenta homens estava organizada, e a cinco de março de 1904 instala sua base na cidade cearense de Aracati, a apenas oitenta quilômetros da zona conflagrada!

E na verdade aí começaram os grandes problemas de Salustiano. Primeiro, o problema logístico. Pelo mapa abaixo, pode-se ver que as bases potiguares estavam muito próximas do teatro de operações. A base inimiga mais próxima, a cidade fortificada de Mossoró, estava a pouco menos de trinta quilômetros de distância. Enquanto isso Salustiano e suas tropas tiveram de enfrentar cansativas marchas por praias de areias moles e sol causticante, e sem fontes d'água por perto.


Nem mesmo para seus sobrinhos Salustiao quis contar dos sofrimentos daquela marcha, pois para ele, homem de brio, tais sofrimentos pela pátria eram minúcias, indignos mesmo de menção. Mas pode-se imaginar o que ele e seus homens passaram. Diz a história popular que o Coronel Salustiano fez o percurso lendo uma velha edição de Clausewitz ("Da Guerra"), e que teria dado toda a água de seu cantil aos seus soldados, tendo ficado sem nada. Claro que talvez isso seja imaginação popular. O próprio Soriano Cavalcanti duvida que isso tenha acontecido, embora o hoje esquecido poeta José Albano tenha escrito uma ode "Ao Themístocles Cearense!" em homenagem a tal feito. De qualquer forma não deixa de ser bonito pensarmos em um comandante em pleno sol das praias nordestinas sacrificando-se por seus comandados e pensando apenas nas altas questões de estratégia, com o livro de um autor prussiano nas mãos.

Depois da longa e cansativa marcha, os homens chegaram ao teatro de operações, tendo os primeiros pelotões atingidos a região na tarde de 11 de março de 1904, para fazer espantosa descoberta: o inimigo tinha fugido!

Perguntas a moradores da região confirmaram tudo. Sabendo da aproximação das tropas cearenses, os potiguares tinham de novo cruzado a barra do rio Mossoró, tendo se reagrupado na cidade de Areia Branca, do outro lado do rio. Um tanto desanimado, Salustiano estabelece seu quartel-general na vilazinha de Grossos, tendo ordenado o hasteamento do pavilhão cearense e que se cantasse o hino, ao crepúsculo do dia 11.

Aí começa o episódio mais glorioso e obscuro da carreira do coronel, e que de certa forma revela toda a grandeza e vileza de que o homem é capaz. A verdade crua é que certos homens, inclusive certos oficiais das forças expedicionárias cearenses simplesmente estavam aliviados por saberem do recuo do inimigo. Estavam certos de que não haveria combate, eles - e a verdade precisa ser dita - estavam com medo da morte, e prezavam mais suas vidas que sua honra.

E foram esses homens que se assustaram quando, por volta de meia-noite, o Coronel Salustiano entrou na tenda dos oficiais e disse que isso não podia ficar assim. A honra estadual não podia ficar afrontada daquele jeito. O inimigo recuara para suas fronteiras, mas não poderia ficar impune: era preciso dar-lhe uma lição. E de nada adiantaram as objeções de alguns oficiais mais medrosos. Salustiano expôs seu plano e deu a ordem: no dia seguinte, eles invadiriam o Rio Grande do Norte! Havia alguns barcos lá por perto, e eles cruzariam a barra do rio Mossoró e invadiriam a cidade de Areia Branca.

O ataque começou logo ao amanhecer. A tropa cearense deveria estar pronta para embarcar nas canoas e seguir o trilho. O historiador Soriano Cavalcanti guarda algumas poucas fotos que sobreviveram, tanto do lado cearense como do lado potiguar, e essas fotos contam como foi a incursão. Ao alvorecer do grande dia o Coronel Salustiano estava eufórico, mas não uma euforia irresponsável e otimista. Não, pelo contrário, ele uma euforia rara nos tempos modernos, a euforia do homem que vai de encontro ao próprio destino, embora esse destino possa ser a morte em alguma salina perdida na costa de um rio esquecido. Salustiano não tinha ilusões quanto à guerra: sabia que nela os homens morrem, matam e são mutilados física e mentalmente. Mas também não tinha ilusões quanto a si mesmo: sabia que seu destino era afrontar o inimigo, e desafiar a morte carregando o Sagrado Pavilhão.

Às sete horas do dia 12 de março de 1904 o Coronel Salustiano, com alguns soldados, pegou o primeiro dos barcos (foto).Nesta foto vemos o Coronel Salustiano com seu uniforme afrancesado, ao lado do homem de cartola, o velho prefeito da cidade cearense de Grossos, que Salustiano acusou de ter fugido covardemente perante o inimigo quando da invasão e por isso obrigou a vir logo na primeira vaga de invasão, composta deste e de alguns outros poucos barcos.

O problema é que nunca houve uma segunda e terceira vagas de invasão. Alguns oficiais, achando que Salustiano estava enlouquecido, atravessaram o rio e entendendo-se com o inimigo conseguiram telegrafar para o Presidente do Estado, e este respondeu que eles não deveriam invadir o estado vizinho. Salustiano negou-se a cumprir tais ordens, por serem uma afronta a sua honra militar, e no comando apenas de poucos homens, empreendeu a travessia.

O combate foi renhido, tendo as poucas tropas de Salustiano lutado bravamente. (ver foto à esquerda). Esta foto da esquerda, diga-se de passagem, talvez seja a mais rara e importante de todas as que estão aqui, pois apesar de sua má qualidade, é a única de combate real, e foi tirada pelo fotógrafo da expedição, o alferes Cristiano de Moraes. O fato é que após renhida luta o Coronel Salustiano, sem apoio, foi obrigado a retirar-se. Esse talvez tenha sido seu grande problema, a retirada. Ele, que passara a vida inteira dizendo que um comandante deveria vencer ou morrer, agora se deixara convencer por seus comandados de que não deveria se suicidar, e assim retirou-se com suas poucas tropas de volta para o lado cearense, deixando os potiguares livres na cidade entrincheirada de Areia Branca, onde orgulhosamente posaram para muitas fotos, como esta abaixo. Logo depois veio a ordem do Presidente da República de que as tropas dos dois lados deveriam recuar para suas bases.

O fato é que depois daquele dia quente de março de 1904, naquela região com um vento penetrado de sal, o Coronel Salustiano nunca mais foi o mesmo. Pediu passagem para a reserva e deixou-se ficar numa cadeira de balanço olhando para o mar na sua casa em Fortaleza, sempre remoendo o momento em que tivera de se retirar, manchando sua honra para sempre. Era um homem acabado. E pouco adiantaram as homenagens que recebeu no decorrer dos anos. Foi condecorado por vários governadores e muitos anos depois ao Presidente Getúlio Vargas enviou um telegrama de enaltecimento ao velho militar.


Rui Barbosa

Para não deixar a história sem final, acrescento que a região do Apodi e de Grossos, objeto do litígio entre os dois estados, acabou sendo decidida no Supremo Tribunal Federal, onde o Rio Grande do Norte teve a esperteza de contratar o melhor advogado que havia na época, o baixinho e ranheta advogado baiano Ruy Barbosa, o homem que se agarrava aos livros como se fossem ouro. Com um homem desses acabou sendo barbada para os potiguares, e eles ficaram com a região.

Quanto a Salustiano, morreu numa data muito infeliz, 11 de julho de 1932, quanto os olhos de todo o país estavam voltados para a Revolução que estourara em São Paulo. Poucas pessoas foram a seu enterro, a maioria familiares, e dizem que o enterro foi rápido, devido a uma chuva fina de fim de estação. Sua lápide ainda hoje pode ser vista no cemitério de Fortaleza, e nela está escrito muito simplesmente: "Aqui jaz José Torcápio Salustiano de Albuquerque Padilha, a Altaneira Águia do Apodi". 

* José de Arimatéia Bandeira publicou no grupo O Apodi que queremos !

Fonte: 
www.honoriodemedeiros.blogspot.com.br
Também postado no blog: 
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Manoel Severo recebe Título de Cidadão de Missão Velha

 Manoel Severo e o Presidente da Câmara de Missão Velha, vereador Cícero Macedo

Aconteceu na manhã do último sábado de Janeiro, na Câmara Municipal de Missão Velha a entrega do Título de Cidadão Missãovelhense ao Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo Gurgel Barbosa. A propositura do vereador Cícero Macedo foi aprovada ainda em 2011 por unanimidade, tendo sido passada às mãos do criador do Cariri Cangaço naquele final de semana.

"Severo é um desses cabras da peste, trabalhador, empreendedor, que tem levado o nome de nossa cidade de Missão Velha para o Brasil e para o mundo através do Cariri Cangaço e que tem por nosso município um grande amor, por isso é mais  do justo o título de cidadão ora concedido por nossa Câmara Municipal" diz Bosco André, pesquisador e memorialista.

 Pedro Luis, Bosco André, Manoel Severo, Cícero Macedo, José Cícero e Sousa Neto.

"Para mim é uma sensação extremamente feliz. Tenho por todo o Cariri e em especial por Missão Velha um grande amor. Desde o primeiro dia em que aqui aportamos que fomos recebidos com todo o carinho e respeito e já se passaram mais de 15 anos, dessa forma foi um presente mais que precisoso o Título de Cidadania me concedido pela Câmara Municipal através de meu amigo Cícero Macedo" assegura Manoel Severo, idealizador do Cariri Cangaço.

Além dos vereadores e outras lideranças do município, estiveram prestigiando ao evento, vários representantes do Conselho do Cariri Cangaço, como o secretário de cultura de Aurora, professor José Cícero, o secretário de cultura de Barro, Sousa Neto e o Promotor de Justiça de Crato, Dr. Pedro Luis Camelo.

Heldemar Garcia
Assessor de Marketing

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Cangaceiro Esperança.

Por: João de Sousa Lima

A fazenda Quirino, no povoado São Francisco, Macururé, Bahia, era um  dos coitos do bando de Lampião e principalmente reduto dos cangaceiros nascidos entre Macururé, Brejo do Burgo, Santo Antonio da Glória  e Chorrochó. Entre eles Gavião, Azulão, Esperança, Cocada, Zé Sereno, Zé Baiano e Gato.  No povoado São Francisco a mãe de Esperança, dona Andressa, tinha terras por lá, porém ela residia na Várzea da Ema. O comandante de volante que destacava na Várzea da Ema era Antonio Justiniano e dois dos soldados que ele comandava eram irmãos de Esperança: Vicente, apelidado de Medalha e Ananias.


A fazenda Quirino pertencia a Ludugero, tio do cangaceiro Esperança.
    
Esperança, Cocada, Pancada e Gavião, encontravam-se acoitados próximo ao sítio Quirino. Dentro de um cercado os cangaceiros catavam imbu quando chegou o dono do terreno e Cocada o prendeu e depois o soltou. O sertanejo correu e foi avisar policia do encontro que teve com os cangaceiros.

Izidoro, João Lima e José Pororô. Sobrinhos de Esperança abraçando o escritor João de Sousa Lima.

Dona Andressa sempre que precisava ir ver suas criações no São Francisco tinha que pedir autorização ao comandante do destacamento e foi em uma dessas viagens que ela travou diálogo com o contratado Reginaldo que lhe sugeriu pedir para que Esperança se entregasse que nada lhe aconteceria, de preferência que ele trouxesse a cabeça de um companheiro que sua vida tava garantida. Andressa levou o recado ao filho que mesmo relutante acabou cedendo aos apelos da querida mãe. Reginaldo mandou roupas novas de mescla azul para Esperança. O cangaceiro ainda relutante disse a mãe que não tinha coragem de se entregar e a mãe saiu triste.

João e Jovelina Barbosa, irmã do cangaceiro Azulão, povoado São Francisco.

Era março de 1933, no coito encontrava-se Esperança, Cocada, Gavião e Pancada.  Esperança chamou Cocada para irem pegar água em um caldeirão ali próximo. Os dois seguiram na direção do caldeirão. Diante quando chegaram ao caldeirão sentaram-se e ficaram conversando. Cocada limpou sua arma e depois pediu a arma do amigo para ele limpar e Cocada entregou seu mosquetão. Esperança limpou, colocou uma bala na agulha e detonou. O cangaceiro com o impacto do tiro caiu uns dois metros de distância e sem saber de onde tinha partido o disparo pediu socorro:

- Me acode Esperança, não deixe os “MACACOS” me matar!
    
Esperança pegou o facão da marca jacaré, partiu na direção do moribundo e o degolou ainda com vida. Pegou os bornais, armas, a cabeça do cangaceiro e foi se entregar a policia. Na Várzea da Ema ele se entregou  as autoridades, contou detalhes da morte que fez, denunciou os coitos dos cangaceiros na região. Com dez dias  depois  foi encaminhado para a cidade de Uauá, onde o capitão Manoel Campos de Menezes que o livrou da prisão e o incorporou na volante policial do tenente Santinho como contratado . Ficou sendo o corneteiro do grupo. Trabalhou em Jeremoabo e faleceu tempos depois na cidade de Juazeiro, Bahia.

AINDA NA PRISÃO EM VÁRZEA DA EMA.

O cangaceiro Esperança quando preso, já atendendo agora por Mamede, seu nome real, encontrou o com o jovem sobrinho José  Gonçalves Varjão, apelidado de Pororô e lhe confidenciou que na frondosa árvore lateral a casa de sua família, enterrado próximo ao seu tronco, tinha um material guardado e que ele tirasse e entregasse a seu pai. Pororô procurou ao redor da árvore mais diante da pouca idade não encontrou forças para continuar a empreitada de escavação no duro chão de cascalhos. O tempo passou, Pororô cresceu e retornando certo dia de uma caçada, quando se aproximava de sua velha residência, viu quando seu cachorro passou acuando um preá, o cachorro parou próximo a antiga e frondosa árvore, Pororô se aproximou e viu o cão rosnando e olhando para um pé de macambira, Pororô tirou a cactácea e avistou uma lajota cobrindo um buraco, tirou a pedra, o preá correu com o cachorro latindo atrás, Pororô puxou um tecido em farrapos que cobriam algumas peças, entre elas: Uma colher de prata, 160 cartuchos de fuzil, um punhal, uma espora e algumas moedas. Era esse o tesouro de Esperança que ele havia pedido para o sobrinho guardar. Pororô vendeu os cartuchos a um dos prefeitos de Macururé. A colher de prata, algumas moedas, o punhal e uma das esporas ele me presenteou. Na colher encontramos as letras: MA. Talvez o cangaceiro tenha tentado escrever seu verdadeiro nome: MAMEDE. No punhal tem um “NA” ou “NH”.

Sargento Otávio Farias, radiotelegrafista da policia baiana, serviu na Várzea da Ema, enviava sempre as mensagens contando os combates dos cangaceiros contra as volantes.

Pororô ainda reside e seu irmão Izidoro ainda residem no São Francisco e os Quirino é herança que ficou com a família. Aquele longínquo pedaço de chão ainda guarda as histórias do cangaço vivido em suas terras, memórias ainda latentes de um tempo que teima em não ser esquecido e nem deve....

Cabeça do Cangaceiro Cocada, morto por Esperança.

SEGUE EM ANEXO A ESSE TEXTO UMA DAS CARTAS DE INTERROGATÓRIOS REALIZADOS PELA POLÍCIA E QUE MOSTRA A IMPORTÂNCIA DESSES LUGARES CITADOS COM A HISTÓRIA DO CANGAÇO E A REFERÊNCIA COM PESSOAS DA LOCALIDADE. A CARTA VAI TRANSCRITA NA INTEGRA COM OS ERROS E INCORREÇÕES:

“Aos três do mês de maio de 1932, no arraial de Várzea da Ema em casa de residência do segundo tenente Antonio Justiniano de Souza, sub delegado de policia, foi interrogado o bandido acima referido que disse:
    
“Em 1929, estando ele bandido, em seu rancho no lugar denominado São Francisco, foi surpreendido pelo grupo de Lampião que ali chegava a mando do Cel. Petronílio de Alcântara Reis, para que fosse as imediações do Icó e ali receber dinheiro enviado para Lampião, cuja importância era 20:000$000, mas só foram entregues 18:000$000 e que dois restantes Lampião disse que dava por recebido, quando lhe mandasse um cunheito de munição; o que não sabe-se se isso efetuou-se,  mais depois ouviu do bandido ferrugem a declaração de que teve referido Cel. Petronilio havia comprado munição. E que devido a esse encontrão foi ele depoente obrigado a refugiar-se nas Caatingas, pois as forças andavam a sua procura tendo por isso de quando em vez constantes encontros com os cangaceiros, merecendo do mesmo consideração a ponto de lhe ser entregue por “Lampião” um rifle com cem cartuchos, os quais conservou até a data de sua prisão, não tendo, porém feito uso da dita arma para a prática de crime.

Punhal de Esperança
    
Que sempre foi seduzido por “Lampião”  para fazer parte do seu grupo, mas nunca aceitou, apesar de ter parente no grupo, como sejam: Azulão, Carrasco e Moita Brava. Que esses encontros se efetuavam no lugar denominado Quirino para Lagoa Grande, sendo os sinais convencionados para os referidos encontros, três  pancadas em um pau seco, ou então berrando como boi; que nunca recebeu dinheiro de “Lampião” a não ser algumas roupas dadas pelos cãibras.
    
Colher de prata de Esperança presenteada ao escritor João de Sousa Lima pelo sobrinho do cangaceiro.

Que nos últimos encontros que “Lampião” teve com as tropas. Ele respondendo notou que alguns companheiros estavam desgostosos por verem os sacrifícios da causa, que nessa data viajaram nos “cascalhos” das aroeiras com direção a Várzea pernoitando a três quilômetros de distância.
    
Que nessa mesma noite desligou-se do bando a meia noite com Manoel Sinhô de Aquileu, sem que fossem pressentidos pelos outros e vieram pairar nas “Canouas” onde foram informados por Pedro de Aquileu que havia garantia para todos aqueles que tinham ligações com cangaceiros, uma vez que procurassem as autoridades para se entregarem.

Detalhe do cabo do punhal de Esperança.

E baseado nisso em companhia de Pedro veio à procura do Tenente Justiniano em Várzea de Ema onde se acha. Disse mais que “Lampião” depois do combate do touro com o Tenente Arsênio cuja força foi imboscada e morreu quase toda, escapando o referido oficial, pois é um herói que infrentou o grupo que era numeroso, com um fuzil metralhadora dando somente três rajadas conseguiu matar o irmão de Lampião, Ponto Fino e sendo forçado a abandonar a arma deixando-a inutilizada pelos bandidos.

Iniciais MA escrito no cabo da colher de prata. A prata foi muito usada pelos cangaceiros para testarem bebidas e comidas se estavam envenenados.

Que nessa ocasião encontrou Lampião cartas ao Cel. Petronilio acusando Lampião, por isso Lampião resouveu queimar algumas fazendas referido Cel. Petronilio.
    
Disse mais que ouviu de Lampião dizer que tinha mil tiros de fuzil enterrados em um ponto lá para baixo, não declarado ao certo o lugar e que ia também a Curaçá a procura de outros mil tiros que tinha para lá.
    
Quanto ao armazenamento sabe que Lampião tem alguns  rifles ensebados em ocos de pau (ensebados, para não darem o bicho próprio de madeira).

Detalhes do punhal e da colher de prata.

Perguntado quais são as pessoas que fornecem armas a Lampião respondeu que não conhece mais sabe que nas fazendas Juá, Várzea, e São José há “coitos” onde lhes prestam bastante serviços em abastecimentos.

Ludugero, tio de Esperança, dono da fazenda Quirino.

E por nada mais dizer nem lhe ser perguntado deus-se por findo estas declarações ao presente auto que vae por todos assignados pelo tenente e testemunhas.

Várzea da Ema, 7 de maio de 1932”
   
Paulo Afonso, Bahia, 16 de fevereiro de 2013

João de Sousa Lima, Historiador e escritor, Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso. Membro do IGH- Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso Membro do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará- Fortaleza- CE.

Enviado pelo autor:
http://www.joaodesousalima.com

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mais Lançamentos no Cariri Cangaço 2013 !!

Por: Gilmar Teixeira

Caro amigo Severo, é com satisfação que confirmo minha presença em mais um Cariri cangaço, evento este considerado a Meca dos Estudos sociais do povo nordestino; cangaço, messianismo, coronelismo e temas afins; estarei presente sim, e espero poder contribuir com o evento, com o lançamento de meu mais novo curta, "Os últimos dias de Aristéia", contando os últimos dias de vida da ex-cangaceira Aristéia. Assim também como o lançamento de mais um livro nosso, neste grande evento, este livro voltado ao tema cangaço.

Minha filha, Louise Farias, também estará presente e lançará no evento seu curta, nota 10, "Lá pras bandas de Maria”, aproveitando a oportunidade Severo, acho que o evento merece um dia dedicado ao cinema e vídeo, onde os amantes da sétima arte poderiam exibir seus trabalhos alusivos ao evento, fica a dica e desde já me coloco a disposição dos amigos organizadores pra o que der e vier.

Abraços a todos e que venha o cariri cangaço 2013.

Gilmar Teixeira
Pesquisador, Escritor e Cineasta
Paulo Afonso - BA

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Aderbal Nogueira em Diálogo...


O lado B de um pesquisador - Diálogo com Aderbal




Estava justamente buscando fugir do lugar comum e explorar um pouco das atividades extracurriculares dos escritores, pesquisadores, enfim, gostaria de compartilhar um outro cotidiano destes vaqueiros. Por exemplo: para o entrevistado do vídeo abaixo, Cangaço é uma entre tantas paixões. É o segundo assunto da pauta, e só pra variar é o que domina o papo recheado de boas histórias de aventuras.

Assista aí, o Programa Diálogo da TV Ceará com apresentação de Ricardo Guilherme que recebeu o nosso confrade o pequisador, esportista, multimídia etc Aderbal Nogueira.

Aproveitando a deixa...


Atenção cangaceirólogos da terra da Iracema. Neste sábado, 16 o também pesquisador, escritor e presidente do Grupo de estudos do cangaço do Ceará - GECC Ângelo Osmiro Barreto é o entrevistado do programa "Papo Literário" com Monica Silveira a partir das19h 30min na TV Ceará Canal 5. E pro resto do país? Assim que o vídeo estiver disponível na web compartilharemos com toda certeza.



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O Coronel Franklin Maxado...


Meu caro Manoel Severo, parabéns por sua luta e pelas novas iniciativas. Aqui  o que sei de Cangaço, é que seu xará, o prof. Manoel Neto está gravando para o CEEC da Universidade Estadual da Bahia, UNEB tendo como profissional operador o  mesmo câmera  que Glauber Rocha  empregou em seus filmes...

Por outro lado faço um papel de coronel no filme de cangaço  rodado aqui em Feira de Santana - Foi Assim no Sertão - Thriller - que tem uma mostra na YouTube e pode ser acessado. Também, recentemente, a Editora Queima bucha de Mossoró republicou o meu livro "O Que é Cordel" no qual consta uma parte sobre o cangaço no cordel.

Sem mais, confessando admirador do seu trabalho, 
Franklin Maxado
Feira de Santana - BA

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Convento de São Pascoal em Mossoró - 10 de Fevereiro de 2013

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Folheando o livro “Os Religiosos no Brasil: Enfoque Histórico / Riolando Azzi, José Oscar Beozzo (organizadores). São Paulo: Paulinas, 1986”, tomo conhecimento de um projeto para a construção de um convento franciscano em Mossoró e uma matriz. Diz o texto que “o motivo principal que levou a Província de Santo Antônio a fundar uma residência franciscana na cidade de Mossoró, foi o pedido do seu primeiro bispo, Dom Jaime Câmara”. E atendendo ao pedido do Bispo, a Direção da Província, a 19 de maio de 1941, se comprometeu com a Diocese a aceitar o encargo da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, apesar de não ver grande vantagem em Mossoró. Para tanto, Dom Jaime tinha prometido aos franciscanos a aquisição do terreno e mais uma contribuição monetária no valor de 35 contos de réis, para a construção do convento e matriz. A Direção da Província enviou inicialmente, em 1940, Frei Francisco Solano a fim de sondar o local que havia sido cedido pela Diocese de Mossoró para a construção do convento.
               
A 28 de julho de 1941 partiram do Recife para Mossoró, os três primeiros franciscanos que iam construir a comunidade inicial. O local em questão era um bairro pobre da periferia da cidade, chamado Alto da Conceição, onde ficava a residência provisória, doada pela diocese, e que lhe serviu de primeiro convento.
               
A denominação desse bairro merece um parágrafo a parte: Raimundo Soares de Brito em seu livro “Rua e Patronos de Mossoró: Dicionário – Fundação Vingt-un Rosado, 2003”, registra que a região antes se chamava Mariseira dos Macacos e depois Alto dos Macacos. Em 1896 uma comissão composta de Manoel Francisco de Borja, Silvério José de Morais, sob a presidência do professor Manoel Antônio, deliberou que a partir daquela data (03 de dezembro), o local não se chamaria mais Alto dos Macacos, mas sim, Alto da Conceição. E com essa denominação permanece até os dias atuais.
               
Voltando ao assunto, mesmo com a chegada dos franciscanos, os serviços de construção do convento e da igreja não puderam ser iniciados, uma vez que justamente nesse ínterim houve a transferência de Dom Jaime Câmara para Belém do Pará, devendo se esperar o novo Bispo, a fim de se levarem a cabo os entendimentos com a diocese e, conseqüentemente, com a Santa Sé. O novo Bispo foi nomeado na pessoa de Dom João Batista Portocarrero Costa, que manteve todo o acordo firmado pelo seu antecessor. Tiveram ainda problemas na aquisição do terreno para construção, mas também esse problema foi resolvido. E finalmente a obra foi começada, tendo sido a primeira pedra do convento lançada em 3 de dezembro de 1944. Um ano e meio depois, ou seja, em fins de maio de 1946, já se transferiria a comunidade para este novo convento.
               
Quanto à igreja, a pequena capela, que existia ao lado, foi transformada numa grande e espaçosa matriz. A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição foi criada em 15 de agosto de 1941.
               
Com relação aos trabalhos apostólicos, esses se iniciaram logo após a chegada dos franciscanos. Mas, pelo menos nos primeiros anos, não foram de tudo satisfatórios. Faltava, principalmente, pessoal. A solução encontrada pelos religiosos foi à formação de 15 centros catequéticos pelas várias partes da paróquia. E para maior eficiência e constância do ensino religioso, dada a deficiência numérica de sacerdotes, procurou-se formar um grupo de catequistas, ministrando-lhes uma instrução mais sólida e profunda.
               
Com o tempo foram se formando várias associações religiosas: o Apostolado da Oração, a Pia União das Filhas de Maria e a Cruzada Infantil.
               
Apesar do árduo trabalho que tinham pela frente, os franciscanos, não obstante o pequeno número de padres (três, e às vezes só dois), tomaram sob seus encargos, por algum tempo, as paróquias de Alto Santo e Frade, na diocese de Limoeiro, no Ceará, e ordinariamente pastorearam a paróquia anexa de São Sebastião, hoje Governador Dix-sept Rosado.
               
O convento de São Pascoal em Mossoró não figura entre as grandes fundações da Província, sejam quanto as suas dimensões ou ao número de religiosos. No entanto, não obstante suas limitadas possibilidades procuraram seus religiosos escrever uma página de franciscanismo nas terras mossoroenses.
               
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Fonte:
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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento
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O ALEMÃO QUE NÃO FEZ A SAUDAÇÃO NAZISTA – QUANTOS DE NÓS TERÍAMOS A MESMA CORAGEM?

Por: Rostand Medeiros

Hamburgo, Alemanha Nazista, 1936, uma multidão de pessoas se reuniu em um estaleiro para assistir ao lançamento do navio-escola da marinha SSS Horst Wessel, em que o próprio Adolf Hitler estava presente. Enquanto centenas levantavam obedientemente seus braços em uníssono na saudação nazista, um homem na parte de trás da multidão ficou com os braços cruzados sobre o peito e apertando os olhos para quem estava fazendo a saudação.

No destaque vemos  August Landmesser sem realizar a saudação nazista, em uma solenidade onde o próprio Hitler estava presente
No destaque vemos August Landmesser sem realizar a saudação nazista, em uma solenidade onde o próprio Hitler estava presente

Esta figura era desconhecida até 1991, quando a sua famosa foto foi publicada em 22 de março, no jornal alemão “Die Zeit”. Logo uma de suas filhas o identificou como sendo August Landmesser, um trabalhador do estaleiro Blohm + Voss, da cidade de Hamburgo.

August Landmesser
August Landmesser

Landmesser, nascido em 24 de maio de 1910,  foi inclusive membro de carteirinha do Partido Nazista, onde entrou em 1931 na esperança de conseguir um emprego, mas tinha uma razão muito pessoal para não fazer mais a infame saudação. No verão de 1935, de acordo com o ”Nürnberger Gesetze” (“Leis de Neuremberg”), o Estado nazista proibia Landmesser, como um não judeu, a se casar com Irma Eckler, a sua amada companheira.

Consta que a condição de judia de Irma não era totalmente correta. Seu pai, Arthur Eckler, nasceu da união de uma mãe judia e um pai não judeu. Com a morte de seu pai, seu padrasto conseguiu convencer Irma, sua mãe e suas irmãs a se converterem ao protestantismo e serem batizadas. Mas para o regime de Hitler a jovem Irma era uma judia.

Irma Eckler
Irma Eckler

Independente disso o casal seguiu adiante na sua luta para continuarem unidos. Em 29 de outubro de 1935 nasceu a primeira filha, chamada Ingrid. Em 1937 a família tentou fugir para a Dinamarca, mas Landmesser foi preso e se tornou conhecido que Irma estava grávida.

Landmesser então foi acusado pelas leis nazistas de “desonrar a raça”. Ele argumentou que não sabia se Irma era totalmente judia e foi absolvido por falta de provas em 27 de maio de 1938. Mas com o aviso de que uma reincidência resultaria em uma pena de prisão de vários anos.

Mesmo com o perigo a espreita, Landmesser e Irma continuaram seu relacionamento publicamente e esta atitude foi fatal.

No dia 15 de julho de 1938 ele foi novamente preso por ter se apaixonado e condenado há dois anos e meio em regime fechado. Entre as peças de acusação estava a foto que se tornaria famosa. Landmesser cumpriu a pena no campo de concentração de Börgermoor, onde os presos foram usados ​​para o trabalho forçado em fábricas de armamento e estaleiros.

Já Irma foi detida pela Gestapo e colocada na prisão de Fuhlsbüttel, em Hamburgo, onde ela deu à luz uma segunda filha, Irene. De lá ela foi enviada para o campo de concentração de Oranienburg, depois para o campo de Lichtenburg e em seguida campo de concentração das mulheres de Ravensbrück.

Ficha de Irma
Ficha de Irma

Suas filhas foram inicialmente levadas para o orfanato da cidade de Hamburgo. Ingrid mais tarde foi autorizada a viver com uma avó e Irene foi adotada por outra família. Algumas cartas de Irma Eckler chegaram até suas filhas em janeiro de 1942. Acredita-se que Irma foi levada para o chamado Centro de Eutanásia de Bernburg em fevereiro de 1942, onde ela foi morta na câmara de gás junto com outras 14 mil pessoas.

Landmesser foi libertado em 1941 e viveu como capataz de uma fábrica. Mas em fevereiro de 1944 ele foi convocado para servir no batalhão penal Bewaehrungsbattalion 999 (uma unidade do exército alemão formada por ex-criminosos). Foi declarado desaparecido em ação e supostamente morto durante combates ocorridos na Croácia, em 17 de outubro de 1944.

Landmesser, Irma e suas filhas
Landmesser, Irma e suas filhas

Irene Eckler publicou em 1996 o livro “Die Vormundschaftsakte 1935-1958:einer Familie Verfolgung wegen Rassenschande”, onde conta a história da destruição de sua família pelas leis racistas da Alemanha nazista. Publicado em alemão e em inglês, obteve grande sucesso na Alemanha e em outro países da Europa.

A autora buscou familiares da sua mãe que tivessem sobrevivido a guerra para descobrir o máximo que pudesse acerca do seu passado e esteve nos tribunais locais em busca de documentos. O livro inclui uma grande quantidade de fotos de materiais originais, como cartas de sua mãe e documentos de instituições estatais.

Quando eu olho para a fotografia de August Landmesser, eu vejo um homem que se recusou a realizar um nefasto gesto coletivo e, assim, optou por não ficar em silêncio e viver junto de quem amava.

August Landmesser em momentos mais aprazíveis
August Landmesser em momentos mais aprazíveis

Tenho certeza de que no meio da multidão naquele dia, havia muitos mais que desejariam não realizar aquela saudação infame, mas não tiveram a coragem de repetir o mesmo gesto de Landmesser. Quase oitenta anos depois é fácil ser crítico de todos aqueles que são vistos saudando. Mas isso é uma reação simples.

Mais instrutivo é olhar no espelho e se perguntar: “Qual tipo de sacrifício eu realmente faria por quem eu amo?”.

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Paulo Afonso será noticia no programa Aprovados

Por: João de Sousa Lima(*)

Nesse sábado, dia 16 de fevereiro de 2013, a cidade de Paulo Afonso será notícia no Programa "Aprovados" na TV Bahia.


O ator global Jackson apresentará o programa que mostrará os pontos históricos e culturais da cidade, apresentados por Antonio Galdino, João de Sousa Lima e a bióloga Aline.


O Raso da Catarina e alguns povoados de Paulo Afonso foram vasculhados para contar a história do cangaço, pontos onde Lampião andou com seus comandados.


(*) Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. 

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DEPOIMENTO DE NATALIA QUEIROZ SOBRE A INVASÃO DE LAMPIÃO A MOSSORÓ EM 13/06/1927



Natália Queiroz minha mãe, foi entrevistada em 1990 Esse texto foi extraído do meu livro “memorias de um tempo fugaz”, Eis a entrevista:

P - onde a senhora estava na véspera do ataque de Lampião a Mossoró? A senhora fugiu no trem para Areia Branca?

N - Estava na casa do prefeito Rodolfo Fernandes, com um grupo de amigos e familiares, todos curiosos com a evolução dos acontecimentos, pois o ataque de Lampião a Mossoró poderia acontecer a qualquer momento. Sei bem que Júlio Maia (um dos líderes da resistência e primo do prefeito), chegou e disse que nós tínhamos que ir também para Areia Branca de trem. Continua Natália – os homens estavam se organizando em trincheiras. O prefeito foi muito corajoso, decidido, isso é que é a verdade, acho que fomos no último trem, já muito lotado. Foi uma verdadeira folia. Eu era muito jovem, claro que estava com medo, mas naquela idade tudo era aventura. Eu ainda não conhecia João Almino. Passamos três dias em Areia Branca. Era tanto boato!  As informações eram desencontradas, mas voltamos no primeiro trem.

P- Já sabiam que Lampião havia sido derrotado?

N- Deram ordem para a gente voltar, pois Lampião já havia saído, mas tinha sempre aquelas pessoas que duvidavam de tudo. No percurso, acho que já bem perto de Mossoró, avistamos um carro, e o trem diminuiu a marcha para saber notícias. Nessa ocasião o pai de Idália, (esposa de Chico Xavier de Queiroz), o senhor Antônio do Carmo, muito nervoso perguntou ao motorista do carro em voz alta, como estava a cidade. O motorista respondeu:- “tudo em paz”, mas ele entendeu “tudo em bala”. Ficou então gritando para o trem parar. E dizia: – Tá vendo, tudo em bala”. Foi um verdadeiro alvoroço. Algumas pessoas choraram, mas o maquinista desceu e foi conversar com o motorista do veículo, ficando esclarecido que estava tudo em paz. O trem prosseguiu viagem.

P-  o trem estava muito cheio?

N- Sim, estava, mas nem todo o pessoal que tinha ido a Areia Branca voltou naquele dia, alguns ainda permaneceram por vários dias, e a cidade de Mossoró ainda passou quase um mês com boatos. Diziam que Lampião ia retornar ou que estava na Passagem do Rio. Lembro-me de Jararaca na cadeia, fui olhar. Dr. João Marcelino foi o médico que o atendeu. Dizem que Jararaca foi enterrado vivo, pelos policiais que iam levá-lo para natal.

P- o que aconteceu após a fuga de Lampião?

N-  Sim, mas o bando de Lampião fugiu em direção a Jucuri e de lá até a fazenda Veneza, que era uma propriedade de Alfredo Fernandes. O gerente dela era Childerico (Childerico  Fernandes de Souza), primo de seu pai. Chegaram de manhã cedo (dia 14). A Bebela (Felisbela Rodrigues Fernandes) me disse muito depois o sofrimento que passaram. Acabaram com toda a comida existente lá, estoque de carnes, mataram muitas galinhas a tiro e mandaram fazer comida.  Eram mais de 50 cangaceiros. Saquearam tudo e ainda levaram 15 contos de reis que Childerico estava guardando para compra de umas reses. Bebela me disse também que só conseguiu guardar um queijo que caiu e ela jogou para debaixo de um armário. A certa altura Lampião perguntou se Childerico era primo do prefeito. Ele disse que sim. Não houve confusão por isso, mas tinha um cangaceiro chamado Massilon que evitou muito as agressões que alguns queriam fazer. Eles ficaram na fazenda por todo o dia 14 e depois seguiram para Limoeiro do Norte. Concluiu Natália: – eu não conhecia ainda João Almino. Minhas amigas é que falavam dele e diziam que ele era irmão de Celso Almino. Ora, se eu também nem sabia quem era Celso.

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Cordel - A casa que a fome mora


Por: Antonio Francisco - Cordel 
A casa que a fome mora.


Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão,
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe vi a cor
Da casa que a fome mora:

Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmãos dos raios da lua,
Com as costas semi-nuas
Tatuadas de caliça
Pedindo um pão da justiça
Do outro lado da rua.

Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela,
O jejum numa janela
Dizendo: aquí ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas, não vi o rosto dela.

Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava
Amolecia e matava
E ninguém matava ela?

No outro dia eu saí
De novo á procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.

Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?

Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome.
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.

Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pros bolsos dos marajás
E me escondo por tráz
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população.

Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida,
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.

Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas
Nunca vão me encontrar,
Eu vou continuar
Usando meu terno xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da burrice de vocês.

FIM - Autor: Antônio Francisco
Coleção Queima-bucha de Cordel -
Mossoró-RN, Outubro de 2006
Postado por Mariadapaz.com

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O maior do Brasil !

Por: Ivanildo Silveira

Amigo Severo e companheiros da família Cariri Cangaço, meu forte e saudoso abraço. Confirmamos nossa presença no Cariri Cangaço 2013, que com certeza será coroado de sucesso, como em todas as edições anteriores.

O Cariri Cangaço é verdadeiramente uma Construção Coletiva, na qual Severo é nosso timoneiro, e todos procuram dá algo de si para o engrandecimento e sucesso do mesmo.

Nunca é demais repetir; a partir do trabalho de todos; o Cariri Cangaço é hoje o maior evento do gênero de todos os tempos no Brasil.

Abraço a todos e desde já conte conosco 
no que for possível.

IVANILDO ALVES  SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e do Cariri-cangaço
NATAL/RN

http://cariricangaco.blogspot.com.br

domingo, 10 de fevereiro de 2013

LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE


À venda nos seguintes locais
Mossoró - RN:
Praça da Convivência - Corredor cultural - Centro
CAFÉ E ARTESANATO
Natal - RN:
LIVRARIA NOBEL - Avenida Senador Salgado Filho, 1782. fone: (0xx) - 84 - 3613-2007
Campina Grande - PB:
Vila do Artesão
FURLÃO ARTE EM COURO - Biagio Grisi


R$ 35,00

OBS: 
Para encomendas externas, há o acréscimo da taxa dos correios.

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Manuel Moreno, sua esposa Áurea e o cabra Gorgulho


Subgrupo de Lampião eliminado enquanto festejavam  na Fazenda Poço da Volta, em Porto da Folha/SE. Foram execultados pela volante baiana do Sargento Odilon Flor, a 23 de junho de 1937, durante as festas de São João.

Fonte: Livro Guerreiros do Sol, Frederico Pernambucano de Mello.

Creditos:
Ivanildo Alves  da  Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e do CARIRI-CANGAÇO
Natal / RN

http://lampiaoaceso.blogspot.com

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Livros sobre "Cangaço"

1938 - Angico

Autor: Paulo Medeiros Gastão


Lampião de "A a Z"


Os livros 1938 - Angico e Lampião de "A a Z" podem ser
adquiridos através
deste e-mail:
paulomgastao@hotmail.com
Diretamente com o autor (não está a venda em livrarias).
Preço por exemplar:
R$ 20,00 (vinte reais+ frete).

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Faça uma visitinha a este site:

http://cantocertodocangaco.blogspot.com

Observação:

Este endereço tem a palavra "Cangaço", mas não tem nada a ver com o tema, foi um erro no momento de sua criação. Ainda não conseguimos fazer outro link de acordo com o material postado.