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sexta-feira, 3 de novembro de 2023

ELISÂNGELA, FILHA DO COMEDIANTE ZACARIAS, MORRE AOS 68 ANOS, APÓS PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA

 Último trabalho da atriz na TV foi em 2019, em 'A Dona do Pedaço'

 Por gshow — Rio de Janeiro;

Elisângela morreu aos 68 anos nesta sexta-feira (4/11) em Guapimirim — Foto: Raphael Dias/Gshow

A atriz Elisângela morreu aos 68 anos nesta sexta-feira (4/11) em Guapimirim, no estado do Rio, conforme noticiou o g1. Segundo o empresário Lauro Santanna, a atriz passou mal em casa e foi pronto atendida pelas equipes do SAMU, mas não resistiu.


"Há uma hora me ligaram dizendo que ela estava passando mal. Ela infartou. Quando o SAMU chegou não tinha o que fazer. Ela morava em Guapimirim há muitos anos", disse o empresário. 


Na televisão, Elisângela ficou famosa por papéis em trama de grande sucesso, como "Ti Ti Ti", "Senhora do Destino" e "A Força do Querer". Sua última participação emma novela foi em "A Dona do Pedaço", de 2019.


Reveja mais


Entenda por que a atriz não usava sobrenome no nome artístico


Relembre os principais trabalhos da carreira da atriz


Famosos lamentam morte de Elisângela


Internação


Com sequelas respiratórias da Covid, Elingela chegou a ficar internada em estado grave em 2022. Ela quase precisou ser intubada, mas os médicos conseguiramam estabilizá-la.


Carreira

Elizângela em 'Roque Santeiro' — Foto: Geraldo Modesto/Memória Globo

Elizângela em 'Roque Santeiro' — Foto: Geraldo Modesto/Memória Globo


Nascida no Rio de Janeiro, Elizângela era a caçula de três irmãs, filha de um executivo e uma dona de casa. Começou na TV ainda criança, no Clube do Guri, em 1965, na extinta TV Tupi. No ano seguinte, foi trabalhar na Globo, onde fez um teste de locução com o produtor e diretor Geraldo Casé e, aprovada, tornou-se assistente de Pietro Mario, em Capitão Furacão, primeiro programa infantil da emissora.


Um dos papéis mais atuais e que renderam muitos elogios da crítica especializada foi em 2017, na novela A Força do Querer. Na trama de Glória Perez, ela era Aurora, mãe de Bibi Perigosa, vivida por Juliana Paes. Seu último trabalho na TV foi em 2019, em A Dona do Pedaço.

Elizangela com Juliana Paes como mãe e filha em 'A Força do Querer' — Foto: Estevam Avellar/Globo

Elizangela com Juliana Paes como mãe e filha em 'A Força do Querer' — Foto: Estevam Avellar/Globo.


Nos anos seguintes, atuou nos longas Quelé do Pajeú, O Enterro da Cafetina e Vale do Canaã. Seu début nas novelas aconteceu quando Elizângela tinha 15 anos, em O Cafona, de Bráulio Pedroso. Na trama, contracenou com Francisco Cuoco e Juan de Bourbon. Sua novela seguinte foi Bandeira 2, em que interpretava Taís, uma das protagonistas, e fazia par com Stepan Nercessian na história de Dias Gomes.

Elizangela revisita sua carreira na televisão em Meu Vídeo é um Show
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Elizangela revisita sua carreira na televisão em Meu Vídeo é um Show

Os anos 1970 foram bastante promissores para a então jovem atriz. Participou de diversos teleteatros, casos especiais e comédias como A Megera Domada, de William Shakespeare; Feliz na Ilusão, de Gilberto Braga; e Somos Todos do Jardim de Infância, de Domingos Oliveira. Elizângela também esteve na primeira versão de Roque Santeiro, em 1975, interpretando Tânia, filha de Sinhozinho Malta. No remake da trama, dez anos depois, ela deu vida à Marilda.

Em 1974, teve sua única filha, Marcelle, do casamento com o engenheiro Jorge Humberto Moreira, com quem se relacionou durante sete anos. Nos anos seguintes, vieram trabalhos marcantes como Paraíso (1982), Pedra sobre Pedra (1992), Por Amor (1997) e Senhora do Destino (2004).

https://gshow.globo.com/tudo-mais/tv-e-famosos/noticia/elizangela-morre-aos-68-anos-apos-parada-cardiorrespiratoria.ghtml

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O CANGAÇO EM SERGIPE A PIA DAS PANELAS

 *Por Eduardo Marcelo Silva Rocha


Sergipe foi um dos locais mais destacados na metade final da história do cangaço lampiônico. Uma vez que nessas paragens o valente de Vila Bela encontrou pouso e proteção de destacados coronéis da região do São Francisco. Ele pôde se estabelecer, recrutando diversos do povo para encorpar suas hostes.

Lampião ao se radicar na região de SE/BA/AL, alterou o funcionamento de seu grupo, que foi dividido em vários (sub) grupos menores, com áreas territoriais de atuação definida, em um processo de delegação de funções, nomeando chefes de bando em diversas localidades, sendo o mais famoso destes, o cangaceiro Zé Baiano, que atuou na região agreste do Estado, tomando Frei Paulo como uma dessas referências.
Essa tranquilidade, somada ao consórcio com “coronéis” da região, permitiu-lhe diminuir seu ritmo de ação, transformando-se em uma espécie de gestor dos seus delegados: Zé Sereno, Labareda, etc. É óbvio que existiam outros aspectos, como o cansaço daquela vida dura, e mesmo, a admissão de mulheres ao bando.

Enfim, Lampião construíra em Sergipe um sólido “modelo de negócio” que lhe deu a oportunidade de desfrutar momentos de tranquilidade como nunca dantes. Depoimentos de pessoas da época dão conta de visitas a cidades, como Propriá e Laranjeiras, em busca de tratamento médico, por exemplo. Além de incursões como a de Capela, onde Lampião chegara a assistir ao filme “Anjo da rua” (Street angel), estrelado por Janet Gaynor.

O fato é que a região era, no geral, um bom coito para Lampião e seu bando, como vimos acima. Mas não apenas isso. Em um dos locais de pouso estabelecido na região catingueira do nosso Estado, Lampião estabeleceu uma espécie de quartel, onde podia reunir-se e tratar de outros assuntos diferentes da rotina de lutas.
 

Trata-se da Pia das Panelas, no atual município de Poço Redondo. Escondido por grandes propriedades, o citado coito era tão bem localizado no que tange à segurança, que os relatos dão conta de que nunca houve ataque por partes das volantes ao referido local.

Diante dos fatos é possível inferir que em um local seguro deste, não era incomum a presença de coiteiros responsáveis pelo fornecimento de víveres e demais produtos. Em conversas com Manoel Belarmino, morador da região e pesquisador independente, consideramos a possibilidade, de devido à segurança do coito, os cangaceiros receberem visitantes, acompanhados de crianças, ao menos em companhia de coiteiros.

O nome “pia” não era fantasia, consistindo em uma espécie de lajedo de pedra, seus buracos eram capazes de armazenar água por muito mais tempo que os riachos que secam logo após o inverno. No caso da Pia das Panelas, existem vários buracos onde se armazena água, tanto que os moradores da região, hoje, enchem os buracos de pedras, como forma de prevenção a acidentes com animais que ainda buscam o refúgio para a sede naquele antigo coito.

Além disso, o local consiste também em uma pequena elevação que somada às características da vegetação mais baixa, fornecia vantagem estratégica aos que ali repousam.

Alguns acontecimentos convergem para a ideia de que ali se tratavam assuntos de ordem “administrativa” do bando. Nesse sentido, exemplo maior é a morte de Lídia – dizem ter sido a mais bela – companheira do cangaceiro Zé Baiano – ao que se sabe, no mesmo dia da morte do Padre Cícero.

Após ter sido delatada pelo cangaceiro Coqueiro, que a teria visto deitar com o cangaceiro Bem Te Vi, Lídia fora arrastada para o famoso umbuzeiro que, ainda existe, no entorno do lajedo, onde esperaria amarrada pela morte a pauladas na manhã seguinte.

 

"Coqueiro", não se salvaria vivo, pois a delação era uma forma de traição, mesmo aquela, tão específica. Bem Te Vi, o conquistador, este salvou-se da morte, seja por proteção ou por haver fugido assim que soube do intento de Coqueiro – pois há quem defenda as duas versões.

Existe alguma divergência sobre como se deram os fatos com o conquistador, mas seja como foi, sabe-se que em algum momento ele fugiu, livrando-se de qualquer ato de violência física. O conquistador não sofreu nada.

Mas não foi somente esse assunto que terminou em morte naquele local: ali ainda morreram outras pessoas sob o manto das decisões gerenciais do cangaço. Uma, foi Rosinha, que após a morte do cangaceiro Mariano, viúva, declarou querer sair do cangaço e, a mando de Lampião, foi resgatada da casa dos pais e morta próximo ao Riacho do Quatarvo - imediações do coito.

Outro foi o sertanejo Zé Vaqueiro, que encontrou o cangaceiro Novo Tempo, que se arrastara ferido até a Fazenda Paus Pretos (de propriedade do Coronel Antônio Caixeiro, pai do Interventor Eronides de Carvalho, local onde fica a Pia das Panelas).

Sabendo do tiroteio que acontecera dias antes, o vaqueiro decidiu executar o cangaceiro, que conhecia muito bem, para ficar com os seus bens, afinal, o fogo da lajinha ocorreu em local diverso ao da Pia das Panelas, onde estavam eles, naquele momento.

O plano do vaqueiro deu errado, o cangaceiro não somente sobreviveu ao disparo feito por Zé Vaqueiro, como conseguiu fugir. Dias depois, Novo Tempo já recuperado e com o bando, pegaram Zé Vaqueiro e o executaram às margens do riacho, queimado, após o seviciarem até sua exaustão.

Outra morte registrada no local, foi a de Preta de Maria das Virgens, que teve a cabeça esmagada pelo namorado Zé Paulo, que não queria assumir a responsabilidade da gravidez da moça.

Os cinco casos relatados têm a traição em diversas perspectivas como ponto comum. Coqueiro, Lídia e Zé Vaqueiro morrem porque traem. Rosinha morre pelo medo que a sua “deserção” causa, dada a possibilidade de traição que rondaria sua reintegração à vida normal, sendo ela conhecedora de coitos e coiteiros. E Preta de Maria das Virgens morre à traição, esta encetada pelo próprio namorado, pai do filho que esperava em seu ventre.

É característica da traição marcar a terra com sangue.

Sobre cemitérios, conta-se que o local que circunda a Pia das Panelas era antes um Campo Santo/Cemitério indígena. O local sob o Umbuzeiro onde supõe-se estar enterrado o corpo de Lídia de Zé Baiano é recoberto por pedras, que lhe facilitam identificá-lo e o fizeram famoso.

Mas sob um olhar mais atento, é possível observar que existem ainda muitas formações de pedras que sugerem ser demarcadoras de local de enterramentos humanos. É fato que, o local já foi remexido para exploração agrícola e, certamente, muitos vestígios arqueológicos já se perderam.
Por outro lado, certamente por questões culturais, alguns espaços como o entorno próximo da Pia e o umbuzeiro com o pretenso túmulo de Lídia ainda resistem.

EPÍLOGO

Ao visitarmos locais como esse, de sofrimento e dor – que representam histórias com muito sangue, ao menos para quem crê em vida além da vida – devemos considerar o peso que esses eventos carregam, nesses lugares, de energias ligadas as emoções de quem viveu tais situações. Se não quisermos pensar em energias (se está cético, se pergunte sobre o que se capta do corpo humano em um eletroencefalograma, por exemplo) pensemos no seguinte: quem gosta de reviver momentos ruins? Ou de ouvir pessoas recontando nossas péssimas experiências?

Longe de querer limitar ou ser contra as visitações aos sítios históricos, mas sim deixar aqui uma reflexão sobre como nos portamos nesses locais e como, respeitosamente, devemos nos portar neles.

Por fim, o local da Pia das Panelas, além de um sítio de interesse histórico, possivelmente, também se trata de um sítio de interesse arqueológico – cemitério indígena, a  despeito de já haver sido bem modificado pela ação da atividade agropecuária nas últimas As décadas. Muitas das pedras, se foram usadas para demarcar sepultamentos, hoje certamente já estão fora do seu local de origem.

Mas ainda há um pequeno espaço central – exatamente onde fica o lajedo da Pia das Panelas – preservado, inclusive em seu entorno próximo, assim como o umbuzeiro onde se supõe estar Lídia enterrada, onde encontramos um pequeno ajuntamento de pedras, em padrão que vemos em covas rasas.

Agora é a vez do IPHAN. 

* É tenente coronel da PM/SE e membro da Academia Brasileira de Letras e Artes do cangaço. (eduardomarcelosilvarocha@yahoo.com.br)






http://lampiaoaceso.blogspot.com/ 

O CANGAÇO EM SERGIPE A PIA DAS PANELAS


*Por Eduardo Marcelo Silva Rocha


Sergipe foi um dos locais mais destacados na metade final da história do cangaço lampiônico. Uma vez que nessas paragens o valente de Vila Bela encontrou pouso e proteção de destacados coronéis da região do São Francisco. Ele pôde se estabelecer, recrutando diversos do povo para encorpar suas hostes.

Lampião ao se radicar na região de SE/BA/AL, alterou o funcionamento de seu grupo, que foi dividido em vários (sub) grupos menores, com áreas territoriais de atuação definida, em um processo de delegação de funções, nomeando chefes de bando em diversas localidades, sendo o mais famoso destes, o cangaceiro Zé Baiano, que atuou na região agreste do Estado, tomando Frei Paulo como uma dessas referências.
Essa tranquilidade, somada ao consórcio com “coronéis” da região, permitiu-lhe diminuir seu ritmo de ação, transformando-se em uma espécie de gestor dos seus delegados: Zé Sereno, Labareda, etc. É óbvio que existiam outros aspectos, como o cansaço daquela vida dura, e mesmo, a admissão de mulheres ao bando.

Enfim, Lampião construíra em Sergipe um sólido “modelo de negócio” que lhe deu a oportunidade de desfrutar momentos de tranquilidade como nunca dantes. Depoimentos de pessoas da época dão conta de visitas a cidades, como Propriá e Laranjeiras, em busca de tratamento médico, por exemplo. Além de incursões como a de Capela, onde Lampião chegara a assistir ao filme “Anjo da rua” (Street angel), estrelado por Janet Gaynor.

O fato é que a região era, no geral, um bom coito para Lampião e seu bando, como vimos acima. Mas não apenas isso. Em um dos locais de pouso estabelecido na região catingueira do nosso Estado, Lampião estabeleceu uma espécie de quartel, onde podia reunir-se e tratar de outros assuntos diferentes da rotina de lutas.
 

Trata-se da Pia das Panelas, no atual município de Poço Redondo. Escondido por grandes propriedades, o citado coito era tão bem localizado no que tange à segurança, que os relatos dão conta de que nunca houve ataque por partes das volantes ao referido local.

Diante dos fatos é possível inferir que em um local seguro deste, não era incomum a presença de coiteiros responsáveis pelo fornecimento de víveres e demais produtos. Em conversas com Manoel Belarmino, morador da região e pesquisador independente, consideramos a possibilidade, de devido à segurança do coito, os cangaceiros receberem visitantes, acompanhados de crianças, ao menos em companhia de coiteiros.

O nome “pia” não era fantasia, consistindo em uma espécie de lajedo de pedra, seus buracos eram capazes de armazenar água por muito mais tempo que os riachos que secam logo após o inverno. No caso da Pia das Panelas, existem vários buracos onde se armazena água, tanto que os moradores da região, hoje, enchem os buracos de pedras, como forma de prevenção a acidentes com animais que ainda buscam o refúgio para a sede naquele antigo coito.

Além disso, o local consiste também em uma pequena elevação que somada às características da vegetação mais baixa, fornecia vantagem estratégica aos que ali repousam.

Alguns acontecimentos convergem para a ideia de que ali se tratavam assuntos de ordem “administrativa” do bando. Nesse sentido, exemplo maior é a morte de Lídia – dizem ter sido a mais bela – companheira do cangaceiro Zé Baiano – ao que se sabe, no mesmo dia da morte do Padre Cícero.

Após ter sido delatada pelo cangaceiro Coqueiro, que a teria visto deitar com o cangaceiro Bem Te Vi, Lídia fora arrastada para o famoso umbuzeiro que, ainda existe, no entorno do lajedo, onde esperaria amarrada pela morte a pauladas na manhã seguinte.

 

"Coqueiro", não se salvaria vivo, pois a delação era uma forma de traição, mesmo aquela, tão específica. Bem Te Vi, o conquistador, este salvou-se da morte, seja por proteção ou por haver fugido assim que soube do intento de Coqueiro – pois há quem defenda as duas versões.

Existe alguma divergência sobre como se deram os fatos com o conquistador, mas seja como foi, sabe-se que em algum momento ele fugiu, livrando-se de qualquer ato de violência física. O conquistador não sofreu nada.

Mas não foi somente esse assunto que terminou em morte naquele local: ali ainda morreram outras pessoas sob o manto das decisões gerenciais do cangaço. Uma, foi Rosinha, que após a morte do cangaceiro Mariano, viúva, declarou querer sair do cangaço e, a mando de Lampião, foi resgatada da casa dos pais e morta próximo ao Riacho do Quatarvo - imediações do coito.

Outro foi o sertanejo Zé Vaqueiro, que encontrou o cangaceiro Novo Tempo, que se arrastara ferido até a Fazenda Paus Pretos (de propriedade do Coronel Antônio Caixeiro, pai do Interventor Eronides de Carvalho, local onde fica a Pia das Panelas).

Sabendo do tiroteio que acontecera dias antes, o vaqueiro decidiu executar o cangaceiro, que conhecia muito bem, para ficar com os seus bens, afinal, o fogo da lajinha ocorreu em local diverso ao da Pia das Panelas, onde estavam eles, naquele momento.

O plano do vaqueiro deu errado, o cangaceiro não somente sobreviveu ao disparo feito por Zé Vaqueiro, como conseguiu fugir. Dias depois, Novo Tempo já recuperado e com o bando, pegaram Zé Vaqueiro e o executaram às margens do riacho, queimado, após o seviciarem até sua exaustão.

Outra morte registrada no local, foi a de Preta de Maria das Virgens, que teve a cabeça esmagada pelo namorado Zé Paulo, que não queria assumir a responsabilidade da gravidez da moça.

Os cinco casos relatados têm a traição em diversas perspectivas como ponto comum. Coqueiro, Lídia e Zé Vaqueiro morrem porque traem. Rosinha morre pelo medo que a sua “deserção” causa, dada a possibilidade de traição que rondaria sua reintegração à vida normal, sendo ela conhecedora de coitos e coiteiros. E Preta de Maria das Virgens morre à traição, esta encetada pelo próprio namorado, pai do filho que esperava em seu ventre.

É característica da traição marcar a terra com sangue.

Sobre cemitérios, conta-se que o local que circunda a Pia das Panelas era antes um Campo Santo/Cemitério indígena. O local sob o Umbuzeiro onde supõe-se estar enterrado o corpo de Lídia de Zé Baiano é recoberto por pedras, que lhe facilitam identificá-lo e o fizeram famoso.

Mas sob um olhar mais atento, é possível observar que existem ainda muitas formações de pedras que sugerem ser demarcadoras de local de enterramentos humanos. É fato que, o local já foi remexido para exploração agrícola e, certamente, muitos vestígios arqueológicos já se perderam.
Por outro lado, certamente por questões culturais, alguns espaços como o entorno próximo da Pia e o umbuzeiro com o pretenso túmulo de Lídia ainda resistem.

EPÍLOGO

Ao visitarmos locais como esse, de sofrimento e dor – que representam histórias com muito sangue, ao menos para quem crê em vida além da vida – devemos considerar o peso que esses eventos carregam, nesses lugares, de energias ligadas as emoções de quem viveu tais situações. Se não quisermos pensar em energias (se está cético, se pergunte sobre o que se capta do corpo humano em um eletroencefalograma, por exemplo) pensemos no seguinte: quem gosta de reviver momentos ruins? Ou de ouvir pessoas recontando nossas péssimas experiências?

Longe de querer limitar ou ser contra as visitações aos sítios históricos, mas sim deixar aqui uma reflexão sobre como nos portamos nesses locais e como, respeitosamente, devemos nos portar neles.

Por fim, o local da Pia das Panelas, além de um sítio de interesse histórico, possivelmente, também se trata de um sítio de interesse arqueológico – cemitério indígena, a  despeito de já haver sido bem modificado pela ação da atividade agropecuária nas últimas As décadas. Muitas das pedras, se foram usadas para demarcar sepultamentos, hoje certamente já estão fora do seu local de origem.

Mas ainda há um pequeno espaço central – exatamente onde fica o lajedo da Pia das Panelas – preservado, inclusive em seu entorno próximo, assim como o umbuzeiro onde se supõe estar Lídia enterrada, onde encontramos um pequeno ajuntamento de pedras, em padrão que vemos em covas rasas.

Agora é a vez do IPHAN. 

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𝐒𝐔𝐀𝐒𝐒𝐔𝐍𝐀𝐒

Jaozin Jaaozinn

Registro de alguns membros da família Suassuna, na fazenda local da Paraíba.

Numerados estão: 1 𝑱𝒐𝒂̃𝒐 𝑺𝒖𝒂𝒔𝒔𝒖𝒏𝒂, 2 𝑪𝒉𝒓𝒊𝒔𝒕𝒊𝒂𝒏𝒐 𝑺𝒖𝒂𝒔𝒔𝒖𝒏𝒂 (irmão de João), 3 𝑨𝒏𝒕𝒐̂𝒏𝒊𝒐 𝑺𝒖𝒂𝒔𝒔𝒖𝒏𝒂 (irmão de João).

Os demais, segundo o registro, são também parentes, porém, não estão identificados.

𝑭𝑶𝑵𝑻𝑬: 𝑪𝒐𝒓𝒓𝒆𝒊𝒐 𝒅𝒂 𝑴𝒂𝒏𝒉𝒂̃, 1930.

 https://www.facebook.com/groups/179428208932798

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O TÚMULO DO EX-CANGACEIRO VINTE E CINCO - JOSÉ ALVES DA MATA.

Em 15 de junho de 2014, faleceu José Alves de Matos, vulgo Vinte e Cinco em Maceió, Alagoas, aos 97 anos de idade. O ex-cangaceiro foi enterrado no cemitério Porquê das Flores.

Em seu velório ao lado do caixão podemos ver (mesmo que de forma embaçada) uma foto do bando de Lampião.

Foto: ITAWI ALBUQUERQUE / FUTURA PRESS

AGRADECIMENTOS: A FAMÍLIA DE VINTE E CINCO

EDIÇÃO ARQUIVO DIGITAL HELTON ARAÚJO

https://www.facebook.com/groups/179428208932798

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INACINHA DO CANGACEIRO GATO.

Mulher de tez morena, cabelos ondulados. Em suas pupilas, o negrume das jaboticabas maduras, olhar fugaz, nariz e boca pequenos, condizentes ao seu rosto.

Tinha nas veias o sangue dos povos nativos, descendia dos índios Pancararés.

Em avançado estado de gestação, foi ferida por arma de fogo e capturada em combate travado entre cangaceiros e a volante de João Bezerra em um memorável 26 de Outubro de 1936, em razão de sua captura, caiu por terra seu companheiro, o cangaceiro Gato, este, tombara na luta inglória pelo resgate de sua companheira.

Baiana de Brejo do Burgo, sobreviveu ao cangaço e segundo pesquisadores, teve sua vida abreviada no ano de 1957 vitimada por doença no colo do útero.

Ela foi Inácia Maria das Dores, a cangaceira Inacinha ou ainda, Inacinha de Gato.

(Foto do domínio público, na ocasião de sua captura pela polícia de João Bezerra em Piranhas Alagoas no ano 1936).

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" OS ALGOZES DE ZÉ BAIANO E SEU BANDO "

 

Pousam para fotografia, apresentando aos objetos de Zé Baiano e seu bando os seis sertanejos de Alagadiço. Sendo eles da esquerda para direita : Pedro Guedes, Pedro de Nica, Dedé de Lola, Antônio de Chiquinho, Birindin e Toinho.

Foto raríssima dos seis homens que mataram em 7 de junho de 1936, Zé Baiano ( o chefe ), Demudado, Chico Peste e Acelino em São Paulo, atual Frei Paulo na região do Alagadiço em Sergipe.

Os algozes do temido Zé Baiano apresentaram na capital sergipana objetos que estavam em poder do perigoso bando. Os itens citados pelo periódico foram os seguintes : 6 contos em dinheiro, um gigantesco punhal do cabo de prata, pistolas, outros punhais menores, luvas, alforges, preciosas jóias como anéis de ouro, alguns com pedras preciosas, medalhas, trancelins, relógios de ouro, além de um ferro de marcar suas vítimas com as iniciais " JB ".

Esse fato se deu no dia 25 de Junho de 1936, dezoito dias após os bravos sertanejos darem cabo dos cangaceiros.

Por : Helton Araújo

Foto : Jornal Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Conheciam a foto ? Gostaram das informações ?

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ASPIRANTE FRANCISCO FERREIRA DE MELO, CHICO FERREIRA.

Aspirante Franscisco Ferreira de Melo, o Chico Ferreira, um dos grandes destaques da emboscada em Angicos.

Foto : Jornal Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Falem um pouco sobre Chico Ferreira ?

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FOTO DE SERRINHA.

Fotografia rara de alguns dos defensores do povoado de Serrinha/PE. Entre eles, está o Capitão Miguel Calmon, 1935.

No dia 20 de julho do mesmo ano, Lampião estava nas regiões de Pernambuco após ser chamado pelo Coronel Zezé Alíbio, para que fosse cobrado o fazendeiro José Gomes Bezerra, conhecido como Zé Gomes, o que devia para Alíbio.

Com isso, Virgulino partiu para a morada de Bezerra, juntamente com os cangaceiros Cabo Velho, Medalha, Maçarico, Gato, Moita Brava, Maria Bonita, Maria Emma e o cachorro por nome Dourado.

Ao chegar no local, Lampião fala o motivo de sua visita e cobra que seja acertado o que estava devendo; Zé Gomes acaba afrontando o temível bandoleiro, assinando, assim, sua sentença de morte. A notícia de seu assassinato rodou a região, alertando todos os povoados, especialmente Serrinha. O inspetor de quarterão, por nome João Caxeado, e seu auxiliar, Oséias Correia, montam uma resistência na cidade, afim de expelir o ataque cangaceiro. Lampião iria passar no povoado, pois ainda tinha um serviço de Zezé Alípio para cumprir: da cabo do Sr. Chiquito.

Em Serrinha, Lampião bateu na porta da casa de Chiquito, e acabou sendo recebido a bala, juntamente com os seus comandados. No tiroteio, Maria Gomes e Maria Emma acabam sendo acertadas e o cachorro vai a óbito pelos tiros dos cidadãos, expulsando, assim, o bando.

Acaba indo para a Serra do Tará, no entanto, foram cercados pelas tropas do Capitão Miguel Calmon, o Tenente José Joaquim e o Sargento Jorge Peseilio, onde conseguem fugir. No dia 02 de agosto de 1935, nas regiões de Moxotó e/ou Mata Grande, a tropa do Tenente Mané Neto desembarcou para confrontar os cangaceiros. Segundo informações, a polícia acabou prendendo José Salles, sendo acusado de ter ajudado na morte de José Gomes e também por ter roubado o fazendeiro Luiz de Barros, de São José.

𝙁𝙊𝙉𝙏𝙀: 𝑫𝒊𝒂́𝒓𝒊𝒐 𝒅𝒂 𝑵𝒐𝒊𝒕𝒆-1935; 𝑪𝒂𝒓𝒊𝒓𝒊 𝑪𝒂𝒏𝒈𝒂𝒄̧𝒐.

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CORONEL JOSÉ LUCENA DE ALBUQUERQUE MARANHÃO.

Foi um grande expoente no combate ao banditismo rural. Em contrapartida, sob seu comando a polícia em ação totalmente imprudente, executou o senhor José Ferreira, pai de Virgolino Ferreira da Silva, o afamado Lampião.

Em busca de prender os filhos do proprietário da casa que eram criminosos, a volante comandada por Zé Lucena, falhou vergonhosamente, pois dessa ação morreram dois inocentes, o senhor Fragoso proprietário do local e como supracitado acima, José Ferreira. Nenhum dos criminosos foi morto ou preso nessa ação descabida.

Obs : Deixamos claro que Lampião e seus irmãos já viviam no mundo do crime quando seu pai foi morto, porém esse fato fez com que os irmãos Ferreira mergulhassem de vez no mundo hostil do cangaço.

Foto : Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

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CHAPÉU...

Arquivo do Helton Araújo

Era 06 de Agosto de 1938, em mais uma matéria de jornal que circulava pelo Brasil e mundo, é apresentado com mais detalhes os objetos que estavam em posse de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, em 28 de Julho de 1938, dia em que o famigerado cangaceiro foi morto e decapitado na grota do Angico no estado do Sergipe.

Assim foi descrito : O chapéu de Lampião adornado de moedas e medalhas de ouro, ao lado Parabellum do rei do cangaço e do seu enorme sinistro punhal, cujo cabo é, em parte de marfim, com incrustações de ouro.

Fonte e Foto : Jornal A Noite

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Gostaram das informações ?

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FOTO COMPLETA, RARÍSSIMA DE : FRANCISCO RAMOS DE ALMEIDA, VULGO MORMAÇO.

Por Helton Araújo

Mormaço foi fuzilado pela polícia junto com o cangaceiro Bronzeado no dia 13 de Março de 1928, entre Mossoró e Assú no sítio Lagoa Serrada.

Foto : Jornal Diário da Manhã

Edição Arquivo Digital Helton Araújo

Conheciam o cangaceiro Mormaço ?

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