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segunda-feira, 13 de novembro de 2023

TUDO PARECE DEMAIS

Autor: José Di Rosa Maria


Dois passarinhos voando,

Melodiando um poema,

Querendo fazer amor

Num garrancho de jurema.

Ela com o bico nele,

Coçando o pescoço dele

Que ao seu lado cresceu...

Quando essa cena acontece;

Pode não ser, mas parece

Meu desejo atrás do seu.


Dois jovens apaixonados

Negociando carinhos,

A sós num hotel de praia,

Todos dois agarradinhos.

Sem timidez, sem decência,

Na quentura da carência,

Com seus desejos medonhos...

Cada um matando o seu,

Parece você mais eu.

Mesmo que só seja em sonhos.


Dois animais na savana

No tempo de serem pais,

Ela com vontade nele,

E ele a querendo mais.

Penso eu, os vendo assim;

Que ele é igual a mim,

E ela igual a você...

No querer somos iguais;

Tudo parece demais,

Conosco, não sei porquê!


Criação: 05/11/2023.



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LANÇAMENTO...

 Por Manoel Severo Barbosa

Lançamento de “Cangaço em Perspectiva- Sertão em Lutas”, dentro da Visita Técnica do Cariri Cangaço a tradiciLançamento de “Cangaço em Perspectiva- Sertão em Lutas”, dentro da Visita Técnica do Cariri Cangaço a tradicional e histórica cidade de Jardim , no alto da Chapada do Araripe , no Cariri cearenseonal e histórica cidade de Jardim , no alto da Chapada do Araripe , no Cariri cearense.



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O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ – A HISTÓRIA DO MOTORISTA “GATINHO”

 Autor – Rostand Medeiros

Quando Lampião e sua horda de cangaceiros estiveram no Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 14 de junho de 1927, com o objetivo de atacar Mossoró, um personagem deste drama entrou na história quase sem querer, tornando-se por algum tempo um estafeta do “Rei dos cangaceiros”. Este personagem foi o motorista Francisco Agripino de Castro, conhecido em Mossoró como “Gatinho”.

11- Após a derrota em Mossoró, o bando em Limoeiro do Norte-CE

Francisco Agripino de Castro,o “Gatinho”
Francisco Agripino de Castro,o “Gatinho”

Nascido em 1905, “Gatinho” era um jovem de boa índole, simples, que buscava na profissão de motorista uma nova perspectiva em sua vida. Estava ainda na fase de aprendizado, sendo seu mestre o motorista João Eloi, conhecido como “João Meia-Noite”. A prática ocorria em um Chevrolet 1925, cujo proprietário era o Sr. Francisco Paula, para quem “João Meia-noite” trabalhava.

Seja por esperteza, medo ou desinformação, naquele dia 12 de junho de 1927, um domingo, João cedeu o veículo para “Gatinho” fazer o serviço que surgisse e ganhar mais perícia na condução.

“Gatinho”, como todos em Mossoró, estava apreensivo com a notícia da invasão do bando ao Rio Grande do Norte, os boatos sobre o tiroteio ocorrido no dia 10 de junho, no lugar Caiçara (próximo ao atual município potiguar de Marcelino Vieira), as muitas informações desencontradas, a movimentação para a defesa da cidade, a fuga dos moradores e outras situações que alteraram aquela inesquecível semana na “Capital do Oeste”. Mesmo assim “Gatinho” estava pronto para realizar qualquer viagem.

O fazendeiro Antônio Gurgel e framiliares
O fazendeiro Antônio Gurgel e framiliares

Na tarde daquele dia, o carro de Francisco Paula foi contratado pelo comerciante e fazendeiro Antônio Gurgel do Amaral, um rico proprietário que possuía uma fazenda no lugar “Brejo do Apodi”, próximo a então vila de “Pedra de Abelha” (atualmente município de Felipe Guerra). Gurgel estava preocupado com sua esposa, pois a mesma se encontrava na sua fazenda e desejava trazê-la a Mossoró.

Por volta da uma da tarde, os dois seguiram direção sul.

A viagem prosseguia tensa, como não poderia deixar de ser diante da situação reinante. O veículo trafegava por uma estrada irregular, não mais que um caminho estreito, que mal dava para um carro pequeno seguir.

Por falta de conhecimento ou nervosismo, “Gatinho” errou o trajeto e levou seu passageiro para o lugar Apanha Peixe, a 13 léguas da vila de São Sebastião (hoje município de Governador Dix-Sept-Rosado). Nas proximidades se localizava a fazenda “Santana”, de propriedade de Manoel Valentim, que neste momento tinha a sua residência invadida e era prisioneiro do bando de cangaceiros de Lampião.

Eram mais ou menos quatro horas da tarde quando “Gatinho” ouviu tiros que não sabia de onde vinha. O motorista se protegeu como pode, Antônio Gurgel ordenou a parada do veículo. Nove balaços de mosquetão teriam atingido a carroceria do veículo.

Estado de abandono da antiga casa grande da Fazenda Santana, para onde o fazendeiros Gurgel foi levado pelo cangaceiro Sabino e ficou frente a frente com lampião.
Estado de abandono da antiga casa grande da Fazenda Santana, para onde o fazendeiros Gurgel foi levado pelo cangaceiro Sabino e ficou frente a frente com lampião.

Ao levantar a cabeça, “Gatinho” viu um cangaceiro com um fuzil apontado para ele. Era um moreno forte, de estatura elevada, que por esta razão tinha a alcunha de “Coqueiro”.

Este cangaceiro, junto com outros membros do bando, mandou o motorista e o passageiro renderem-se e passou a rapinar os seus pertences. Do fazendeiro Gurgel foram arrecadados uma aliança, um par de óculos, uma caixa com cinquenta balas de rifle Winchester calibre 44, um conto de réis e uma pistola tipo “mauser”. Provavelmente uma pequena pistola com calibre 7,65 m.m., das marca “FN” ou “Colt.

O cangaceiro “Coqueiro” exultava a todo o bando de facínoras a prisão de um “coronelão de muito dinheiro”.

Depois da “coleta”, os dois prisioneiros foram levados à presença de Massilon Leite e Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”.

Imagem1

Junto ao líder dos bandidos estava José Tibúrcio e Fausto Gurgel, irmãos de Antônio Gurgel, que tiveram seus resgates estipulados em um conto e quinhentos mil réis. O bandido Sabino, depois de uma rápida palestra com o novo prisioneiro, estipulou a vultosa quantia de quinze contos de réis para a sua liberdade. Sem condições dos prisioneiros ponderarem, ficou decidido que o irmão Fausto retornaria Mossoró com “Gatinho”, para buscar a dinheirama.

1- Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião

E era realmente muito dinheiro.

Para se ter uma ideia deste valor, vamos observar como exemplo a edição de 18 de junho de 1927, do jornal “A Republica”, onde se encontra um balanço financeiro, listando as rendas postais apuradas em cada uma das agências dos correios existentes no Rio Grande do Norte em 1926. Na progressista Mossoró de então, que possuía Banco do Brasil, um forte comércio de algodão e até funcionava uma Alfândega, os Correios e Telégrafos apuraram em todo aquele ano 10.255$300 (dez contos, duzentos e cinquenta e cinco mil e trezentos réis).

Diante da quantia pedida, Antônio Gurgel preparou uma carta para ser entregue a seu cunhado Jaime Guedes, então gerente da agência do Banco do Brasil em Mossoró e pessoa certa para lhe salvar desta situação.

Neste meio tempo, “Gatinho” realizava pequenas voltas pela propriedade, com o veículo cheio de bandoleiros. Muitos destes cangaceiros estavam tendo o seu primeiro contato com um automóvel. A brincadeira acabou quando a chamado de Lampião, o motorista e Fausto Gurgel receberam a missão de levar a carta de Antônio Gurgel para Mossoró.

O “Rei do cangaço” exigia dos dois “estafetas” a maior discrição sobre o caso, se não Antônio Gurgel pagaria com a vida.

No retorno, “Gatinho” e Fausto encontraram dois conhecidos que pediam condução na beira do caminho. Eram Alfredo Dias e Porcino Costa, que se dirigiam a Mossoró.

Buscando informações com os sertanejos, procurando a memória da passagem do bando de lampião pelo Rio Grande do Norte em 1927.
Buscando informações com os sertanejos, procurando a memória da passagem do bando de lampião pelo Rio Grande do Norte em 1927.

Achando estranho o fato de Fausto estar àquela hora de retorno a “Capital do Oeste”, Dias inquiriu-o sobre o que estava fazendo? De onde viam? Se sabiam notícias dos cangaceiros? Fausto no inicio desviou o assunto, mas diante da insistência cedeu e narrou o ocorrido e o suplício por que passava seu irmão.

Um exemplo de como a cidade de Mossoró preserva a memória do ataque de Lampião a esta cidade.
Um exemplo de como a cidade de Mossoró preserva a memória do ataque de Lampião a esta cidade.

Ao chegarem à vila de São Sebastião, atual município de Governador Dix-Sept-Rosado, os dois viajantes pediram para descer do veículo e seguiram para a estação ferroviária, onde deram um alarme para Mossoró através de um telefone existente neste local.

“Gatinho”, para desespero de Fausto, saiu a divulgar pela vila a notícia alarmante; “-Se prepare todo mundo que os cangaceiros vão invadir”. Cinquenta anos depois, em um depoimento prestado ao jornal dominical natalense “O Poti” (edição de 13 de março de 1977), Francisco Agripino afirmava que poucos em São Sebastião lhe deram crédito.

O motorista e Fausto seguiram para Mossoró. Por volta das oito e meia da noite, encontraram-se com Jaime Guedes e o prefeito Rodolfo Fernandes, onde foram narrados os fatos e entregue a carta de Gurgel. O prefeito só ficou satisfeito em relação à veracidade da notícia quando viu a lataria do Chevrolet perfurada de balas.

Nota de jornal sobre o ataque de Lampião a Mossoró.
Nota de jornal sobre o ataque de Lampião a Mossoró.

Nesta mesma noite de 12 de junho, “Gatinho” ainda ajudou na defesa de Mossoró, transportando fardos de algodão de depósitos existentes na cidade, para pontos que seriam utilizados como baluarte de defesa.

“Gatinho” não estava em Mossoró no dia do assalto, fora contratado para seguir para Fortaleza, às nove da manhã de 13 de junho, com a esposa e dois filhos do médico Eliseu Holanda. Segundo o motorista, depois deste episódio, não mais teve notícias se este médico e sua família retornaram a Mossoró, “nem a passeio”.

Igreja de São Vicente de Paula, histórico palco de resistência dos mossoroenses aos ataques dos cangaceiros de Lampião. Anualmente neste local acontece uma encenação do fato dentro do calendário cultural do município.
Igreja de São Vicente de Paula, histórico palco de resistência dos mossoroenses aos ataques dos cangaceiros de Lampião. Anualmente neste local acontece uma encenação do fato dentro do calendário cultural do município.

Em Fortaleza, o “estafeta de Lampião” passou alguns dias esperando a situação se acalmar.

Muitos anos depois, em sua residência na Praça Redenção, 183, na tranquilidade de sua velhice, “Gatinho” narrou ao repórter Nilo Santos, de “O Poti”, as suas inesquecíveis lembranças da meia hora que passou entre o bando de Lampião. Para ele, muitos dos cangaceiros eram demasiado jovens para aquela vida, “umas crianças” ele afirmava. Na sua memória Massilon marcou como um sujeito feio, carrancudo, grosseiro, ignorante, “que dava até medo em olhar para ele”. Lampião lhe deixou uma impressão positiva, apesar da fama, “parecia um sujeito educado, pelo menos neste dia não estava furioso”. Sobre “Coqueiro”, o condutor o considerava um moreno forte, bem disposto e “bastante alto para justificar o apelido”. Quando o cangaceiro “Mormaço”, foi detido, informou as autoridades que “Coqueiro” havia deixado o bando no Cariri e seguira para o Piauí, entretanto, segundo o pesquisador Raimundo Soares de Brito, este cangaceiro foi morto pela polícia cearense, no lugar “Cruz”, aparentemente no município de Maranguape.

Francisco Agripino de Castro se tornou um profissional do volante respeitado, era conhecido como uma pessoa calma, amigo de todos e faleceu em 16 de março de 1991.

https://tokdehistoria.com.br/2014/12/06/o-ataque-de-lampiao-a-mossoro-a-historia-do-motorista-gatinho/

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FALECEU EM MOSSORÓ TITICO DUÓ

Por José Mendes Pereira

*10/09/1945 +13/11/2023.

A foto pertence ao acervo do meu primo Jaílson Rodrigues Souza

Faleceu na madrugada de hoje em Mossoró, às 3 horas, e que residia no conjunto Walfredo Gurgel, no grande Alto de São Manoel, o empresário no ramo de calçados FRANCISCO PEDRO DA SILVA (conhecido por Titico Duó.

Sua loja funciona no Mercado Central Público de Mossoró, com o nome de fantasia "ALL STAR CALÇADOS".

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domingo, 12 de novembro de 2023

O FACÍNORA E SANGUINÁRIO CAPITÃO LAMPIÃO

 Por José Mendes Pereira


Afirmam os escritores, pesquisadores e historiadores  do cangaço que o capitão Lampião foi um dos cangaceiros mais inteligente, e além disso: perseguido, perseguidor, traído, respeitado e respeitador, adorado por muitos e rejeitado por outros, exigente, vingativo, cruel, corajoso, destemido aos arrufos de qualquer um, respeitava as opiniões dos seus comandados, mas não admitia covardia. Traições de qualquer um, mesmo que fosse feitas pelos seus melhores amigos da nova e da velha-guarda, imperdoavelmente pagava com a morte, coisa que ele não aceitava ser colocada na sua mesa de bandoleiro traições. Lampião vivia fora da lei, mas mantinha excelente relacionamento com os poderosos. Lampião era protegido por alguns coronéis e políticos. O governador de Sergipe Eronildes Ferreira de Carvalho era um desses, tinha amizade com Lampião e lhe fornecia armamento e munição.

Viveu quase vinte anos nas caatingas nordestinas. Perseguido pelas forças volantes dos governos, mas  mesmo assim, Lampião conseguiu ludibriá-las e manter o seu desastroso movimento social por  sete Estados do nordeste brasileiro, os quais foram: 

a - Pernambuco - sua querida terra natal que o viu nascer e crescer em Villa Bela, hoje Serra Talhada, mas foi uma que o rejeitou sem um tico de respeito, quando ele entrou no Estado com um documento com a patente de capitão que tinha recebido das mãos do padre Cícero Romão  Batista no Juazeiro do Norte. 

Há quem diga que o padre Cícero Romão foi um menino de recado, isto é, fazendo o que o deputado federal Floro Bartolomeu delegava. Mas existem outras informações que o padre Cícero quando desse encontro de Lampião, antes dele chegar a Juazeiro, o padre teria dito em tom de repúdio: "- Agora vem este homem para cá".

b - Alagoas - neste Lampião resolveu atacar fortemente, protestando contra o assassinato do seu patriarca  José Ferreira  da Silva. 

c - Rio Grande do Norte - uma única vez, que no dia 13 de Junho de 1927, foi escorraçado de Mossoró, uma das maiores decepções que o rei Lampião passou.

d - Ceará -  neste o capitão Lampião tinha respeito, afirmando que o padre Cícero Romão era um dos protetores das suas irmãs e do Ezequiel que ainda era muito novo.

e - Bahia - onde ele chegou faminto com os seus homens, mas trazia paz. 

f - Paraíba. - E por lá fez as suas maldades contra alguns.

g - Sergipe - e foi neste aonde o capitão Lampião se tivesse tido tempo teria dito ao seus conterrâneos brasileiros: "- Estou partindo para a eternidade, meus conterrâneos!". 

Fez o seu último coito na Grota do Angico, em Porto da Folha, atualmente terras da cidade de Poço Redondo, onde lá os policiais tinham preparado a sua última refeição. 

Na madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, ele foi morto, juntamente com a sua rainha e mais 9 cangaceiros que pertenciam a sua Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.

Nos anos trinta, do século XX, Lampião resolveu colocar em seu bando uma senhora, Maria Gomes de Oliveira, que no bando ficou conhecida como dona Maria quando falavam diretamente a ela, e ou dona Maria do capitão, esse último era quando falavam nela. 

Ela nasceu no dia  8 de Março de   1911 em  uma minúscula fazenda em Santa Brígida, no Estado da Bahia. (existe uma outra data adquirida através do pesquisador Voldir de Moura Ribeiro. - Clique neste link para ter mais informações: https://tokdehistoria.com.br/2011/10/25/sociologo-encontra-novas-informacoes-sobre-maria-bonita/, 

Era filha do sofrido casal José Gomes de Oliveira e Maria Joaquina Conceição Oliveira, tendo como irmãos:   

Benedita,  Antonia, Amália (não confundir com Anália que era irmã de Lampião. Joana, Olindina, Francisca, José, Arlindo, Ananias,  Isaías Ozéas todos sendo Gomes de Oliveira.

Aos 15 anos de idade, Maria Bonita resolveu se casar, tendo como marido, o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Nené, que não levando sorte, durante o tempo em que viveram juntos, a sua vida foi infernizada pelo desastroso casamento, quando o sapateiro não a valorizava, e com isso, as brigas eram constantes no lar.
          
Apesar de ser cangaceiro, os pais de Maria Bonita tinham admiração por Virgulino Ferreira da Silva.

Existem registros por aí, que afirmam que, quando Maria Bonita se juntou a Lampião, o seu pai debandou-se por aí, porque não queria tal união). 

O que sentiu Lampião por Maria Bonita foi sem dúvida, o tipo físico de mulher brasileira,  olhos e cabelos castanhos que fazia com que muitos a desejassem, por ser  considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca entre os dois que posteriormente Lampião a convidou para fazer parte do seu respeitado bando.                  
               
Após a entrada de Maria Bonita na empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia muitos asseclas levaram as suas amadas para as caatingas, como o cangaceiro Corisco que raptou uma jovem de 13 anos (mas existem registros que afirmam que Dadá não foi raptada, foi para o cangaço  por espontânea vontade), para acompanhá-lo na mais perigosa vida, que é a de viver em correria dentro das matas, quando eram perseguidos pelas volantes.

Mas mesmo usando o seu malabarismo, finalmente, na madrugada de 28 de Julho de 1938, na Grota do Angico, Lampião e mais dez cangaceiros, foram  executados pelas forças volantes, comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, e entre eles, estava a sua rainha Maria Bonita.

Uns dizem que Lampião havia chegado a sua hora. Outros dizem que Lampião foi envenenado. Outro dizem que Lampião fugiu do cerco e foi embora para o Norte de Minas Gerais. Outros afirmam que a morte do rei e da rainha aconteceu devido um bom cerco policial que o seu matador havia preparado. O certo é que o compadre Lampião chegou ao fim, e que eu acho que ninguém se esconde de ninguém por muito tempo. Um dia chegará a sua vez. O Lampião verdadeiro lá de Serra Talhada do Estado de Pernambuco se foi, mas muitos Lampiões surgiram continuam roubando, matando inocentes, depredando o que se adquiriu com tanto esforço, desflorando crianças e moças e ferreteando-lhes o rosto e as partes prudentas sem que as autoridades tomem providência. 

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LAMPIÃO UMA VIDA MARCADA POR MUITAS DECEPÇÕES E GERALMENTE, VINGADAS.

  Por José Mendes Pereira - (Crônica 76)

No dia 28 de julho de 2022, completaram 84 anos que o homem mais procurado do Nordeste Brasileiro, e conhecido no mundo inteiro, o pernambucano lá da Villa Bella, atualmente denominada de Serra Talhada, o Virgolino Ferreira da Silva - alcunhado “Lampião”, deixou o nosso planeta, partindo para outra esfera (suponhamos) depois de tantas crueldades praticadas por ele e seus comparsas, que viajaram juntos, num total de 11 delinquentes.   

Benjamin Abraão Botto, Maria Bonita e o capitão Lampião

Lampião repousava na Grota do Angico, nas terras de Porto da Folha, atualmente pertencem à cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, e lá, ele e a sua rainha Maria Bonita estavam protegidos pela sua malta, no seu coito, e se sentindo seguro, enfiado em sua famosa "Central Administrativa". 

Os calendários da humanidade indicavam o dia 28 de julho de 1938, e os relógios do mundo inteiro, marcavam mais ou menos  5:30 da madrugada desse dia, quando ele, Maria Bonita e sua cabroeira, foram atacados e abatidos; mais um policial de nome Adrião Pedro de Souza (total de 12 mortos na Grota do Angico), chacinados pelas volantes policiais, comandadas pelo tenente João Bezerra da Silva, da gloriosa Polícia Militar do Estado de Alagoas.

Segundo alguns pesquisadores, naquele coito, o capitão Lampião se sentia seguro, achava muito difícil que uma suposta volante chegasse ali, e que somente eles, sabiam muito bem chegarem naquele lugar,  porque, habitualmente, eram conhecedores de todos os terrenos que ofereciam difíceis acessos nas caatingas do nordeste brasileiro.  

O cangaceiro Corisco

Mas o valente cangaceiro Corisco, duvidava que aquele coito tinha segurança, porque, ele chegou a dizer que ali era como uma ratoeira, caso fossem atacados, seriam pegos, só existia uma entrada, e que ela também seria a saída para que eles se livrassem de um possível ataques de policiais. E se caso as volantes descobrissem que a Grota só tinha uma saída, com certeza, todos os cangaceiros estariam ferrados.

Grota do Angico em Poço Redondo-SE.

Com exceção dos que ganhavam dinheiro do rei do cangaço, o nordeste brasileiro vibrou e bateu palmas com a sua morte, com o seu fim, porque, muitos que estavam marcados para morrerem, e outros que,  mesmo não estando na lista de morrer,  se livraram de passar pelas mãos vingativas do sanguinário, perverso Lampião e seus comandados.

Enquanto outros não gostaram nem um pouquinho do seu extermínio, porque viviam exclusivamente dos favores que faziam ao rei e a rainha do cangaço, como também prestavam os seus serviços à toda sua cabroeira, e a recompensa era valiosa, mesmo arriscando as suas vidas, valia muito mais prestarem serviços a um bando de feras humanas, do que ficarem do lado da polícia militar, porque, nada ganhavam, ao contrário, eram humilhados e maltratados pelas autoridade policiais, para que eles entregassem o rei Lampião, Maria Bonita e seus homens, indicando o lugar dos coitos feitos por eles na caatinga nordestina. 

EM ALGUM MOMENTO NA VIDA TERIA LAMPIÃO SE ARREPENDIDO DO QUE FEZ E CONTINUAVA FAZENDO?

Eu acho que sim. Lampião ainda continuava no cangaço, porque era constantemente perseguido pela polícia, e ele como rancoroso, vingativo, perverso e sanguinário, não iria se humilhar à autoridade nenhuma. Suponho eu que se as autoridades tivessem dado-lhe uma oportunidade, perdoando o que ele tinha feito antes, muitas vidas de sertanejos e de alguns pequenos fazendeiros teriam sido poupadas, porque, Lampião  se intercalaria à sociedade, e cuidaria de construir um lá com a sua companheira Maria Bonita.

Assim como os demais que foram cangaceiros e beneficiados com o indulto do presidente da república Getúlio Vargas, nenhum deles voltou ao antigo passado, e assim, o rei também mudaria de pensamentos, caso tivesse sido beneficiado.

O que passou, passou, e daquele dia em diante, Lampião gozaria de proteção, foi assim que aconteceu com os seus comandados, que mostraram que eram capazes de viverem em sociedade.

Somente Severino Garcia Santos, o ex-cangaceiro Relâmpago, que era funcionário da "Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia.", do afamado Lampião, apesar de sua idade, com 83 anos, o Relâmpago fora preso por esfaquear o agente de trânsito do Detran "Jorge de Oliveira Ribas", de 66 anos, após uma discussão sobre o preço de uma cabeça de peixe num bar na Praça Tiradentes. Na época, o ex-cangaceiro se vangloriava dizendo que, quando vivia no sertão, tivera 12 mulheres e matara mais de 20 pessoas com Lampião. (Confira esta informação clicando no link abaixo da foto do ex-cangaceiro Relâmpago).

O cangaceiro Relâmpago - http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2013/11/o-globo-19-de-abril-de-1991-ex_2.html

Não sou analista sobre nada, mas acho que Lampião, quando se deitava um pouco, em sua "Central Administrativa", sozinho no seu “eu”, muitas vezes, pensou que um dia poderia ser um homem da sociedade, e não nômade criminoso e desordeiro como era. Mas o destino foi cruel com Lampião, não lhe deu uma oportunidade na vida. E penso eu que, sempre passou no seu “EU”. E quem sabe, tenha pensado isto ou semelhante o que segue:

“Eu não sei porque a vida preparou para mim um mundo tão triste, tão cheio de decepções. Entregou-me uma agenda só com coisas ruins que eu terei que cumprir ou passar por elas. Matar os meus semelhantes, matar gado e criações de proprietários que não querem me aceitar nas suas terras, e procuram me eliminar do sertão; roubar, odiar, vingar, depredar, incendiar fazendas e cercados, só horrores terei que fazer. Mas será que eu não sou filho também de Deus? 

Às vezes me ponho a imaginar as grandes crueldades que fiz com várias pessoas sertanejas, e muitas delas, estavam pagando um preço caro, e nem mereciam passar pelas minhas mãos vingativas, ou de meus comandados. Lembro como foi assassinado o Briô, na mais triste morte. O cangaceiro Vulcão. Os que eu autorizei, que os meus cangaceiros os capassem, outros que ficaram sem orelhas, mulheres ferradas, Rosinha do meu amigo da velha guarda Mariano Laurindo Granja, ordenei que a matasse na mais covarde morte. Cristina do cangaceiro Português, só pelo fato dela tê-lo traído. Foi morto também o Sabiá que estuprou uma jovem, mas este era merecedor. Lá no Rio Grande do Norte, em São Sebastião, eu assassinei um jovem maluco, só porque ele não obedeceu as minhas ordens. E assim, tudo que eu tenho feito de ruim, eu culpo a natureza, que não teve um tico de dó de mim.

Lembro que o Santo da Fazenda Mandassaia, empregado do fazendeiro Manoel do Brejinho, foi morto pelo cangaceiro Corisco, e quem causou a sua morte, fui eu. O vaqueiro guardava em sua casa uma quantia em dinheiro que o Manoel do Brejinho tinha mandado para o Corisco, cuja, solicitada pelo mesmo. Ao chegar ao meu conhecimento, fui até a sua casa e pedi que me entregasse a quantia que eu acertaria com Corisco, porque eu estava precisando daquele valor. E assim ele fez, me entregando toda quantia em dinheiro do Corisco. Mandei pedir outra quantia ao Manoel do Brejinho, que seria para devolver ao Corisco, que eu havia pego aquela primeira, e foi honrado o meu pedido por ele. Se ele fez cara feia, eu não sei, mas enviou a quantia pelo Santo, e com esta em seu poder, aguardava a chegada do Corisco para entregá-la. Mas dois policiais patenteados, tomaram conhecimento da quantia em poder do Santo. Foram alta hora da noite, e um deles se fez ser o Corisco. Pediu que trouxesse o dinheiro, mas não precisava abrir a janela, bastava entregar por uma fresta, pois tinha pressa. Dias depois, Corisco vai à casa do Santo, pegar o dinheiro. Santo não tinha mais, porque a quantia já tinha sido entregue a ele, assim pensava o pobre vaqueiro que tinha sido ludibriado pelos policiais desonestos. Corisco enlouqueceu, dizendo que ele estava querendo enrolá-lo, e findou assassinando-o, sem merecer o pobre vaqueiro Santo da Fazenda Mandassaia.

Uma das coisas que mais me irrita, é ser excluído pelos meus irmãos (de modo geral), que nunca me viram com bons olhos. Eu faço parte da mesma comunidade humana, e por que quase todos os meus irmãos me odeiam? Enquanto eles riem de mim, pelo mundo que recebi da natureza, caladamente eu choro, choro e choro muito, choro, e choro muito forte, por não ter tido a mesma sorte  que tiveram todos os meus irmãos fraternos, e que fazem o bem. 

Se me dessem uma oportunidade, eu abandonaria o mundo do crime e me intercalava novamente à sociedade dos homens, e iria praticar só o bem. Mas os meus crimes foram maiores do que o coração da sociedade, e ninguém me ver com bons olhos. Por onde eu ando e tento um apoio, pelo menos para o meu cansado corpo repousar e descansar um pouco, mas todos viram as costas para mim, e com medo da minha pessoa, fogem para as matas como se eu fosse o maior animal feroz do mundo. Não tenho culpa, foi a natureza que errou quando me fez, e assim, sou um dos erros do mundo. 

Infelizmente, o sol não nasceu para mim. Será que eu sou filho de Deus ou do Diabo? Perseguiram tanto os meus pais que minha mãe não suportando as pressões dos poderosos, infartou e dias depois veio a óbito, e um mês depois, os policiais que eram comandados pelo tenente José Lucena, invadiram  a residência de José Ferreira dos Santos, o meu pai, e o assassinaram, que nada tinha a ver com as nossas brigas. E minhas irmãs sofreram o que o diabo rejeitou. Todo tipo de perseguição, elas foram vítimas. 

Quando você quiser desejar o mal a um inimigo seu, deseja o mundo que eu herdei da natureza, porque, não tem outro mundo pior do que o que eu ganhei".

Há 84 anos findava a carreira criminosa de Virgolino Ferreira da Silva o Lampião, onde foi localizado na Grota do Angico, no Estado de Sergipe e executado com mais dez cangaceiros, pela volante comandada pelo Tenente João Bezerra da Silva, da Polícia Militar do Estado de Alagoas, no dia 28/07/1938.

Informação ao leitor: 

O que eu escrevi, não tem nenhum valor para a literatura lampiônica, e não tem problema se você discordar. Lampião nunca disse isso.
Você leitor, poderá me perguntar: "E se não tem valor para a literatura lampiônica e por que você escreve?" 

Eu escrevo o que penso sem atrapalhar o que já escreveram os escritores e pesquisadores. São apenas as minhas inquietações assim dizia o saudoso escritor e pesquisador do cangaço Alcindo Alves Costa o caipira de Poço Redondo.  

Eu escrevo para aqueles que gostam de ler, quando existem pessoas que leem até bula de remédios, e também para  me divertir com este tema tão polêmico que é “Cangaço”, principalmente quando se trata de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião e sua companheira Maria Gomes de Oliveira a Maria Bonita. Os meus escritos não atrapalham os pesquisadores e nem os escritores.

Eu sempre chamo a atenção do leitor para não usá-los na literatura lampiônica. 

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