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terça-feira, 12 de março de 2024

O RESPEITADO COITO DO CAPITÃO LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS CANGACEIROS.

  Por José Mendes Pereira

Adquira este através deste e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico", que o rei do cangaço Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas imediações do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.       

Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também, precavido com as suas riquezas, isto é, suas joias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.
                                  
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de joias faziam reparos nas suas jóias e de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.


Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado, e bastante honrado. E não querendo ir sozinho até ao reino da majestade, para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix, para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até a corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix - lampiaoaceso.blogspot.com

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.

Fotos do cangaceiro Balão

Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.

O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho!”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

Lampião, o cão e o cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti acompanhado do cão de Lampião viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.

O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.

E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.

Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.           


Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas.

Cangaceiro desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: 

“- Não faça isto, compadre! não faça isto!...”.

Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: 

“- Olhe o sangue, Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.

Diz o escritor Alcino Alves que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.

Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.

Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: 


“- Não faça isto compadre, não faça isto!...”. 

E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.

Conta ainda Alcino Alves que tempo depois, foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar, quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.

Fonte de pesquisas:
Livro: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

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CARTA RARA PARA OS AMIGOS...

 Guilherme Machado pesquisador /historiador.

Mais uma carta rara para os amigos. Em 1926, mais precisamente dia 4 de março, Lampião e mais 49 companheiros chegam ao Juazeiro do Norte-CE. O delegado local, José Antônio do Nascimento tenta agrupar um regimento para combater Lampião. Mas, é impedido pelo Padre Cícero e Lampião acaba sabendo desta traição e escreve uma carta para o delegado. Segue a transcrição (não sei se está certa):

Ilmo, José Antônio

Eu lhi faço este, até não devia mi sujeitar a ti escrever porem sempre mando ti avizar pois eu soube qui no dia que cheguei ahi na fazenda esteve prompto para vir mi voltar porem eu sempre lhi digo qui voce crie juizo, e deixi de violências, a pois eu venho chamado é por home, mesmo asim, com zuada não mi faz medo. Eu tenho visto é couza forte, e não me asombra, portanto deve e tratar de fazer amigos não para fazer como diz voce. Sempre lhe avizo, qui é para depois não se arrepender e nada mais não se zangue, isto é um conselho que lhe dou.

Do Capitam Virgulino Ferreira da Silva.

Fonte. Robério Santos.

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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LAMPIÃO E MARIA. 1936, POR BENJAMIN ABRAHÃO. FICARIA LINDA ESTA FOTO COLORIDA.

 Por Robério Santos

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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COM GEORGE LISBOA E ANTÔNIO AMAURY.

Por João de Sousa Lima.

George Lisboa foi o homem que recebeu. Delmiro Gouveia o telegrama TEM BOI NO PASTO, se referindo a Lampião na região próxima a Piranhas.

Ele foi casado com uma irmã de Chiquinho Rodrigues, o homem que defendeu Piranhas do ataque do cangaceiro Gato.

https://www.facebook.com/groups/893614680982844/?multi_permalinks=2156657834678516%2C2155473158130317&notif_id=1709983852072615&notif_t=group_highlights&ref=notif

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FOTO EXTREMAMENTE RARA...

 Por Helton Araújo

Foto extremamente rara do bando de Mariano, apesar da péssima qualidade é possível identificar dois cangaceiros. Em pé da esquerda para direita, sendo o terceiro, trata-se do cangaceiro Criança lll, ao seu lado da esquerda para direita, está o chefe Mariano.

Na fileira de baixo da esquerda para direita, sendo o segundo abaixado, muito me lembra o cangaceiro Santa Cruz ( mas é achismo de minha parte ).

Foto tirada nas proximidades da cidade alagoana de Pão de Açúcar, em 1936.

E aí, já tinham visto ?

https://www.facebook.com/groups/414354543685373/?multi_permalinks=934611958326293%2C933256725128483%2C933233988464090%2C931552981965524&notif_id=1709747952895511&notif_t=group_activity&ref=notif

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OS MELHORES AMIGOS DOS CANGACEIROS

 Por Paulo Goethe

Em suas andanças por sete estados do Nordeste, Virgulino Ferreira da Silva era manchete constante nos jornais da região de 1920 – quando entrou para o bando de Sinhô Pereira – até a sua morte em 28 de julho de 1938, na grota de Angicos, em Sergipe. Até terminar seu reinado, o mais famoso bandoleiro brasileiro perdeu muitos companheiros de lutas, homens e mulheres que certo ou tarde eram atingidos pelas balas disparadas pelas volantes, forças policiais móveis formadas por sertanejos iguais em tudo na vida.

O Diário de Pernambuco, graças aos seus correspondentes em toda a região, registrou esta luta em detalhes. Tanto que, em 30 de maio de 1935, há 81 anos, informava aos seus leitores com destaque que Lampião havia sofrido uma grande perda em Tacaratu, após combate com o grupo do tenente Manoel Netto. Dourado, o cão de estimação do cangaceiro, foi varado por uma bala de fuzil disparada por um soldado que ia ser atacado pelo animal feroz, um legítimo Boca Preta Sertanejo, raça nordestina que já era criada pelos índios antes da chegada dos portugueses e hoje é objeto de estudos da Embrapa.

Segundo o Diário, Dourado “ostentava uma custosa coleira com incrustações a ouro e prata”. Amante dos cachorros, Lampião sempre procurou ter estes animais ao seu lado. Um ano depois da perda de Dourado, ele foi fotografado e filmado por Benjamin Abrahão, o libanês ousado que depois virou o personagem principal do filme “O baile perfumado”, ao lado de dois cachorros, Ligeiro (mais claro) e Guarani (mais escuro). Os cães estavam à vontade, sendo até acariciados por Maria Bonita. Ligeiro foi morto a bala. Quando Lampião foi emboscado em Angicos, sobre Guarani, o único que estava com o bando de nove homens e duas mulheres, há duas versões: foi morto junto aos cangaceiros ou adotado por um soldado da polícia de Maceió.

Em dezembro de 1931, em um cerco no Raso da Catarina, na Bahia, Lampião já havia perdido um cachorro atingido na barriga pelas volantes lideradas pelos oficiais do Exército Ladislau, Liberato, Manuel Arrudas, Luís Maranhão e Osório Cordeiro. Os cães, para os cangaceiros, eram companheiros de lida, mas nada amestrados. Os pesquisadores ainda se dividem se eles realmente tinham realmente a função de alertar.

A relação de Lampião com os cachorros vem de antes da sua entrada no cangaço. Em uma das histórias do início da briga da família de Virgulino Ferreira da Silva e o vizinho José Saturnino, em Serra Talhada, consta que um morador da fazenda do inimigo do futuro cangaceiro teria ido reclamar da invasão do pasto pelo gado dos Ferreira. Um dos seus cachorros teria matado um cachorro de Virgulino. Lampião, segundo o sertanejo João Alves Feitosa, em depoimento em 1973, citado no livro “Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro”, da francesa Elise Grunspan-Jasmin, disse que Lampião ficou “bastante agostado”. Foi quando resolveu acertar as contas com Saturnino e sua turma e sua peleja sangrenta começou.

O tema dos animais de estimação dos cangaceiros ainda é periférico nos estudos deste fenômeno nordestino. Graças aos registros fotográficos deixados pelo bando de Lampião e seus seguidores – Corisco também é visto com a sua cadela malhada Jardineira – eles acabaram se tornando divulgadores involuntários da raça Boca Preta Sertanejo, descrita com detalhes por Graciliano Ramos no romance “Vidas secas”. Sim, Baleia tinha parentesco com Dourado, Ligeiro, Guarani, Juriti e Seu Colega, os cães de verdade dos cangaceiros. Eram animais bons “de gado, de caça e de raposa”. E de histórias também.

https://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2016/05/10/os-melhores-amigos-dos-cangaceiros/

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O RESPEITADO COITO DO CAPITÃO LAMPIÃO FOI BAGUNÇADO PELOS SEUS CANGACEIROS.

 Por José Mendes Pereira

Adquira este através deste e-mail: rangel_adv1@hotmail.com

Segundo o escritor e pesquisador do cangaço, da cidade de Poço Redondo, no Estado de Sergipe, Alcino Alves Costa, afirma em seu livro: "Lampião Além da Versão – Mentiras e Mistérios de Angico", que o rei do cangaço Lampião era obcecado pelas redondezas de Poço dos Porcos, em um riacho chamado Jacaré. E costumeiramente fazia o seu merecido descanso por lá. Sua Central Administrativa estava localizada nas imediações do rio São Francisco e de Poço Redondo. No período em que isto aconteceu, já fazia dias que o rei Lampião e a sua respeitada saga estavam guardados e bem protegidos naquele amado lugar.       

Cuidadoso com o seu arsenal de armas, o rei já falava que ele precisava de uma manutenção urgente, para olear as partes metálicas, ensebando algumas peças de couro e outros mais. E também, precavido com as suas riquezas, isto é, suas joias, solicitou à presença de um afamado ourives, um senhor chamado Messias, para fazer reparos.
                                  
Era do costume, vez por outra, alguns fabricantes de joias faziam reparos nas suas jóias e de toda cangaceirada. Em especial, as da majestade e as da sua amada rainha Maria Bonita.


Assim que o Messias recebeu o convite, sentiu-se honrado, e bastante honrado. E não querendo ir sozinho até ao reino da majestade, para atender a sua solicitação, convidou o coiteiro Manoel Félix, para acompanhá-lo. Este se deu pronto, e de imediato chamou o seu irmão, o Adauto, para juntos irem até à corte do respeitado rei.

O coiteiro de Lampião - Mané Félix - lampiaoaceso.blogspot.com

O Poço dos Porcos havia recebido um grande colégio de cangaceiros, com uma quantidade de mais ou menos de setenta perigosos asseclas. E lá, o divertimento era de várias formas para alegrarem os seus sofridos corações. Uns jogavam cartas, outros bebiam, outros dançavam ao som do fole, tocado pelo cangaceiro Balão, e o Zabelê, que também era considerado um grande e talentoso poeta, interpretava as suas velhas e bem rimadas canções.

Fotos do cangaceiro Balão

Lampião que se encontrava deitado lá na sua Central Administrativa, sem sair de dentro, e não gostando daquele fuzuê, reclamava os festeiros, dizendo-lhes que deixassem de tanta bagunça, pois aquela anarquia dava uma boa pista para as volantes. Mas os asseclas não lhe davam a mínima atenção. Continuavam bagunçando o coito do rei.

O Messias e os dois irmãos haviam chegado ao coito, no momento em que os asseclas faziam a festança. A malta continuava usando um bordão, “Dança Gavuzinho! Dança Gavuzinho!”, sendo este dirigido ao cangaceiro Juriti, que se requebrava diante dos amigos para fazer graça.

Lampião, o cão e o cangaceiro Juriti

Assim que o cangaceiro Juriti acompanhado do cão de Lampião viu o ourives e os dois irmãos, tomou-lhes a frente, fazendo graça e se requebrando. Adauto tentando ultrapassar para se desviar dele, a bolsa que no momento conduzia em uma de suas mãos, atingiu a cabeça do cachorro de Lampião, ferindo-o de imediato.

O cão ficou uivando como se estivesse pedindo a Lampião que vingasse aquela maldade feita contra ele. E seringadas de sangue saíam por uma das suas orelhas. Temendo ser justiçado por Lampião, Juriti gritou que tinha sido o Adauto que ferira o cachorro.

E como uma fera, Lampião agarrou o seu amado e perverso mosquetão e partiu para cima do pobre homem. O coitado esmoreceu de repente, e não sabia o que fazer.           

Maria Bonita

Maria Bonita, como sempre, protetora dos inocentes, agarrou-o, implorando que tivesse paciência, pois não se matava um homem, só porque tinha ferido um cachorro. E ainda lhe dizia que ele parecia que tinha enlouquecido.

Maria Bonita foi a grande sossega leão de Lampião, pedindo-lhe que não fizesse tantas maldades contra as pessoas. Algumas vezes, ele ficava nervoso com coisas banais, e com essa fúria, além do normal, ela estava sempre ao seu redor para evitar tamanha atrocidade. Ela sabia que muitas vezes, as suas maldades eram justas. Mas outras, praticava pela natureza cruel que ele era dono. Se ela não tomasse as dores de alguém para si, Lampião se tornaria um bandido sem causa e sem ética.           


Assim que Lampião violentou Adauto, o seu amigo e fiel companheiro, o Luiz Pedro, correu e o colocou sobre sua proteção, amparando-o em suas costas.

Cangaceiro desconhecido, Neném do Ouro, Luiz Pedro e Maria Bonita

E de lá, ficou acalmando a suçuarana humana, pedindo-lhe que não se estressasse, deixasse o rapaz aos seus cuidados. E ainda lhe dizia: 

“- Não faça isto, compadre! não faça isto!...”.

Mas Lampião estava fora de si.  Queria matá-lo por ter ferido o seu cachorro, que para ele, era como se fosse um amado filho. E ainda dizia: 

“- Olhe o sangue, Maria! Olhe o sangue Maria, no bichinho!”.

Diz o escritor Alcino Alves que o ourives Messias, com medo de ser morto, não suportando as agressões de Lampião, querendo matar o coiteiro, desmaiou.

Manoel Félix não esperou que a suçuarana se acalmasse. Correu em direção ao seu animal, que estava amarrado em uma árvore. O que ele desejava no momento era sair de lá o mais rápido possível. O pior foi que o animal estava preso à árvore, e não podia sair do local. Quanto mais ele açoitava, mais o apanhador se encolhia, mostrando-lhe que se não o soltasse, ele não iria para lugar nenhum. O medo de Manoel Félix foi tão grande, que não percebeu que o pobre do animal não saía do local porque ainda estava amarrado. E só notou momentos depois, quando tudo havia passado.

Luiz Pedro e Maria Bonita foram grandes protetores de Adauto. Lampião cheio de ódio apontou a sua arma para o coiteiro. Mas o compadre se adiantou dizendo-lhe: 


“- Não faça isto compadre, não faça isto!...”. 

E até que enfim, Lampião se viu dominado pelos conselhos de Luiz Pedro e Maria Bonita.

Conta ainda Alcino que tempo depois, foi que Messias deu sinal de vida. Mané Félix, só se deu conta de que o jumento estava no mesmo lugar, quando alguns asseclas o rodearam, zombando do medo que ele teve da suçuarana. Lampião havia endoidecido. E não queria perdoar a maldade que sem querer, Adauto fizera contra o seu amado cachorro.

Fonte de pesquisas:
Livro: Lampião Além da Versão - Mentiras e Mistérios de Angico
Autor: Alcino Alves Costa

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segunda-feira, 11 de março de 2024

O CANGACEIRO SERRA DO UMÃ

Por José Mendes Pereira

O cangaceiro Serra do Umã.

Segundo o escritor historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros, nos informa que na sexta-feira do dia 22 de julho de 1927, o telégrafo estalou em Recife com a notícia da captura naquele mesmo dia do cangaceiro Serra do Umã, que também era alcunhado Mão Foveira. 

Seu nome de batismo era Domingos dos Anjos de Oliveira, de cor negra, jovem, e no cangaço era tido como valente. Natural da grande Serra do Umã, uma elevação natural do sertão pernambucano cheia de histórias.

Serra do Umã era irmão do cangaceiro alcunhado Azulão, morto no dia 10 de junho de 1927 pelo soldado da polícia potiguar José Monteiro de Matos, no lugar Caiçara, próximo a povoação de Vitória, durante a primeira resistência ocorrida contra Lampião e seus homens no Rio Grande do Norte.

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CANGAÇO: LAMPIÃO E O CORONEL JOÃO SÁ.

 Por Fatos na História

https://www.youtube.com/watch?v=5zhnf0cAY1c&ab_channel=FatosnaHist%C3%B3ria-Canga%C3%A7oeNordeste

Narrativa sobre o encontro de Lampião, o Rei do Cangaço, com o Coronel João Sá. Referências: ENCONTRO DO CORONEL E DO CANGACEIRO LAMPIÃO - TOK DE HISTÓRIA - AUTOR: Rostand Medeiros Imagens: .TOK DE HISTÓRIA .Pinterest

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IVANILDO VILA NOVA LANÇA LIVRO COM O TÍTULO O SERTÃO EM VERSO E PROSA.

 Por Dideus Sales

Ivanildo Vila Nova, o maior poeta cantador do Brasil, com o livro O SERTÃO EM VERSO E PROSA. Você pode adquiri-lo comigo através deste número: 88 9 9778.8399.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=7375776722442586&set=a.239365579417105

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FAMÍLIA DE LAMPIÃO REUNIDA...

 Por Ivan Almeida

A Família de Lampião reunida pela última vez em Juazeiro do Norte 1926.

https://www.facebook.com/photo/?fbid=1753837584826747&set=a.213141822229672

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FEITA PARA O POETA MARCOS TEIXEIRA.

Por José Di Rosa Maria

Um temporal lírico naufragou meus barcos
Numa noite plena de construções éticas,
No impacto forte das ondas poéticas
Do mar filosófico e genial de Marcos.
Seu Qi volcânico ressecou meus charcos
Derreteu a seda da minha bandeira,
Reduziu a fúria da minha carreira
Desfez o sucesso do meu bate-papo,
Minha espaçonave tremeu no sopapo
Do grito poético de Marcos Teixeira.
05/02/2015. (José Ribamar)

https://www.facebook.com/jose.ribamar.3939

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domingo, 10 de março de 2024

DESEJO-TE

 Por Hélio Xaxá


Desejo-te em dobro

O que desejas de mim...

Desejo o teu ombro

E o que estiveres afim...


Desejo-te tudo de bom

Desejo o teu abraço...

Desejo ser o teu tom

E recanto no cansaço...


Desejo-te felicidade

E vôos de beija-flor...

Desejo-te na verdade

Muita paz e amor.


Desejo-te Amor...

Desejo-te, Amor!

Desejo-te

Meu amor!


https://www.facebook.com/helio.xaxa

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O CANGACEIRO BEIJA-FLOR

 Por José Mendes Pereira

Segundo o escritor, historiador e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros, afirma que os escritores pesquisadores do cangaço, Frederico Bezerra Maciel e Bismarck Martins de Oliveira, este era Arthur José Gomes da Silva, o cangaceiro Beija Flor. Filho natural do estado de  Pernambuco, e era filho do ex-praça da polícia pernambucana Arsênio José Gomes e de Maria Tereza da Conceição. O cangaceiro tinha como irmão Euclides José Gomes, o cangaceiro Cacheado. 

Os pesquisadores ainda afirmam que ele teria acompanhado seu irmão e o bando de Lampião durante a ida deste a cidade cearense de Juazeiro do Norte, quando em 6 de março de 1926, houve o encontro de Lampião e Padre Cícero. 

Montagem desta foto. Não existe foto de Lampião com o Padre Cícero.

Os autores apontam que os irmãos Gomes participaram da maior batalha da história do cangaço, a da Serra Grande, próximo a Vila Bela, em 26 de novembro de 1926.

Fonte de pesquisa:

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Andorinha

ANDRÉS ZAMBRANO, O ESTRANGEIRO QUE PEITOU LAMPIÃO

 Imagine-se no início do ano de 1936, andando a pé pela caatinga. A 14 léguas de Águas Belas, em Pernambuco, de repente você é surpreendido por bandoleiros armados. Levado até Lampião, é acusado de ser espião da polícia, mesmo falando castelhano. Após levar uma coronhada no peito, já de pé mas seguro por dois homens, diz na cara do rei do cangaço: “O senhor deve me tratar como eu mereço. Sou um estrangeiro e tenho direito a ser respeitado. O senhor está desrespeitando a sua lei e o seu governo”.

O autor desta suposta resposta, que saiu vivo para contar a história, publicada no Diário de Pernambuco no dia 22 de fevereiro de 1936, chamava-se Andrés Zambrano, um venezuelano de 22 anos, capitão de um grupo de 20 escoteiros que resolveu conhecer toda a costa brasileira, partindo de Caracas no dia 12 de dezembro de 1934.

O Diario apenas reproduziu o relato que Zambrano deu, no Rio de Janeiro, ao Diario da Noite, outro jornal dos Diários Associados. Para a imprensa do Sudeste do país, relatos sobre a brutalidade de Lampião sempre atraíam leitores e a existência de um estrangeiro que conseguiu ser libertado depois de enfrentar o maior dos cangaceiros era mais do que o esperado.

Na verdade, Andrés Zambrano, que apareceu na redação do diário carioca vestido de uniforme cáqui, com galões de capitão e um grande chapéu de feltro, de abas largas, era espalhafatoso demais para descrever o ocorrido da forma como realmente aconteceu.

Segundo a conversa de Andrés Zambrano, os escoteiros estavam merendando à sombra de uma árvore quando foram cercados por 24 cangaceiros. Os venezuelanos receberam ordem de acompanhar o bando, andando cerca de cinco léguas em uma caatinga fechada. Ao chegar no esconderijo, Lampião estava contando dinheiro e perguntou quem eram aqueles rapazes fardados. “Quem é o chefe deste batalhão?”, inquiriu Virgulino. Foi quando Andrés Zambrano se apresentou, afirmando ser da Venezuela e não trabalhar para a polícia.

Depois de ter exigido respeito no tratamento, ele teria ouvido Lampião dizer que a “lei era ele”. Os escoteiros foram todos amarrados depois de ficarem devidamente nus. Morreriam no dia seguinte, como vingança à perda de quatro cangaceiros por causa do último ataque do tenente Manuel Neto.

Lampião não teria ido com a cara do estrangeiro insolente. Mandou servir café salgado para ele e depois água com pimenta. A história só não teve fim ali mesmo porque por volta da meia-noite teria aparecido Maria Bonita. Ela teria se interessado pela confusão e conversado com os escoteiros. Convenceu Lampião a soltá-los, depois dos “visitantes” terem dado sua palavra de honra de que não informariam à polícia o paradeiro do bando.

Aos repórteres do Diário da Noite, Zambrano teria ainda afirmado que Maria Bonita quis saber da sua idade e dito que ele era bem bonitinho, batendo no seu ombro. E ele nu, amarrado na árvore…

No dia seguinte, os venezuelanos foram soltos. Perderam as roupas, uma máquina fotográfica e o equivalente a quatro contos de réis. Da turma toda, somente Zambrano resolveu continuar suas andanças pelo Brasil. Foi assim que ele apareceu, vivinho da silva, na redação do jornal carioca. Contando uma história que Lampião não iria gostar nem um pouco.

Pesquei no Diário de Pernambuco

Repesquei no blog Lampião Aceso do Kiko Monteiro.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Andr%C3%A9s%20Zambrano

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LUIZ GONZAGA FALA DE LAMPIÃO.

 Por Historias de Luiz Gonzaga

https://www.youtube.com/watch?v=Yk5AOsv5E-c&ab_channel=HISTORIASDELUIZGONZAGALUIZGONZAGA

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PADRE JOSÉ KEHRLE E OS CANGACEIROS

 Por Beto Rueda

Padre José Kehrle, homem admirável, culto, proveniente de família Judia, nasceu em 19 de maio de 1891, na cidade de Rheinstetten, Alemanha. Cursou medicina na Universidade de Munique tendo desistido da carreira no último ano de faculdade para ingressar no seminário e tornar-se sacerdote. Veio para o Brasil em 1909, optando pela vida religiosa e ordenou-se em 14 de março de 1914, no Mosteiro de São Bento, em Olinda-PE.

Transferiu-se no ano seguinte para Quixadá-CE., onde chegou a ter contato com o Pe. Cícero, em Juazeiro do Norte. Foi encarregado de assumir a secretaria do bispado de Floresta, onde ficou por quatro anos. Tornou-se o primeiro pároco de Rio Branco, atual Arcoverde.

Assumiu a paróquia de Nossa Senhora da Penha, em Vila Bela (atual Serra Talhada), ficando também responsável pela paróquia de São José do Belmonte.

Conheceu Virgolino Ferreira, o Lampião, ainda no começo de sua vida como cangaceiro, sendo inclusive seu conselheiro. Ainda em sua missão pelo Sertão pernambucano, o padre alemão passou pelas cidades de Venturosa, Afogados da Ingazeira, Brejo da Madre de Deus e Moxotó. Por fim, chegou em Buíque no ano de 1947.No ano de 1967, a pesquisadora e escritora Aglae Lima de Oliveira, foi a Buíque e coversou com ele: segundo Oliveira(1970, p.126)."Tive a satisfação de conhecê-lo pessoalmente. Pesquisador do banditismo, inteligente, forte sotaque germânico, estimadíssimo na cidade. Conta com 76 anos de idade. Possui vasto documentário sobre o cangaço. Conheceu de perto todos os problemas desse fenômeno. Recorda-se de Lampião como cangaceiro iniciante em Vila Bela.Perguntei:

- Padre, Lampião e os cabras confessavam-se com o senhor?

- Não.

Nunca se confessaram comigo, os outros padres, tenho certeza, não os receberam no confessionário.

- Fale padre, sobre a personalidade de Lampião, pois tão bem o conheceu.

- Eu fui vigário em Vila Bela, conheci Lampião quase menino. Ele me obedecia. Tomava-me a benção, desarreado e desarmado. Todos os cangaceiros assistiam a Santa Missa, com os chapéus na mão, respeitosos.

No momento que chegavam às capelas, as armas eram ensarilhadas, guardadas e trancadas na sacristia.

Os cabras não perdiam missa, principalmente se incursionassem nas fazendas e povoados pertencentes a paróquia onde eu era vigário. Eram fiéis as missas celebradas por mim. Prestavam atenção ao aviso das próximas, fitavam-me com respeito e absoluto silêncio.

- A polícia sabia que Lampião assistia a missa nas capelas da sua Paróquia?

- Sabia, e nunca foram procurá-los nas igrejas.

- Padre, fale sobre Sinhô Pereira.

- Conheci muito. Era de família nobre, neto do barão Andrelino Pereira do Pajeú. Teve suas razões para entrar no cangaço.

- Padre Kehrle, conheceu outros cangaceiros?

- Conheci todos em minha região, até 1940.

- O que achava da personalidade deles, da religião, costumes e da vida que levavam?

- Observava que o meio e as injustiças sociais foram responsáveis por todos os bandidos do Nordeste. Sobre a religião, eu ficava impressionado diante da fé e da confiança. Não desviavam a atenção das imagens e da minha pessoa. Ouviam o meu sermão cabisbaixos. Rezavam rosários e orações fortes.

- Padre Kehrle, fico impressionada com a personalidade complexa dessa gente. Eles não temiam a surpresa de as volantes cercarem as capelas?

- Não.

As volantes também me respeitavam e jamais escolheriam as igrejas para cercar bandos desarmados. A polícia também nunca castigou padres. Lembro-me de que, depois da missa, eu retirava do bolso da minha batina a chave da sacristia e Lampião distribuía as armas e os arreios.

Anotei os costumes e a vida que levavam e consegui encher uma mala cheia de documentários.

- Padre, o senhor aparenta gostar também do assunto?

- Imensamente.

Sou alemão de nascimento mas amo profundamente o Brasil. É a minha segunda pátria, vivo a muitos anos nos sertões.

- O que mais o impressionou em Lampião?

- Seus modos. Era calmo. Falava manso. Atendia aos meus pedidos.

- O senhor lhe solicitava que abandonasse o cangaço?

- Sim. Várias vezes.

Ele baixava a cabeça, segurava o fuzil e dizia:

- Padre José, não tem mais jeito."

José Kehrle faleceu em Buíque no dia 06 de agosto de 1978, aos 87 anos. Sua grandiosa contribuição é lembrada para a história do interior de Pernambuco.

REFERÊNCIAS:

OLIVEIRA. Aglae Lima de. Lampião, cangaço e Nordeste. 2.ed. Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1970.

MELLO, Frederico Pernambucano de. Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil. São Paulo: A Girafa, 2004

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ZÉ SERENO, CABRA DE LAMPIÃO.

Por Beto Rueda

Lampião, ao atravessar o Rio São Francisco em direção a Bahia, conheceu muitos homens dispostos que fizeram parte seu grupo. Entre eles, Zé Sereno.

José Ribeiro Filho nasceu em vinte e dois de agosto de 1913, nas proximidades do município de Chorrochó, Bahia.

Seu pai, José Ribeiro dos Santos, faleceu meses depois do seu nascimento. A mãe, Lídia Maria da Trindade, era irmã dos cangaceiros conhecidos como os Engrácias, Antônio e Cirilo. Também do conhecido Cionário, cujos filhos Antônio e Luiz foram igualmente cangaceiros. Outro irmão de Lídia era vulgarmente chamado de Faustino Mão de Onça e pai do afamado Zé Baiano.

Zé de Lídia, como era chamado, teve vários irmãos: Rufino, o mais velho, deixou a casa para constituir sua própria família. Pobre, não tinha condições de ajudar nas despesas da casa materna. Antão, sentou praça na polícia, destacado para a vila de Capim Grosso. Também não deu nenhum apoio a viúva. Matias, caiu no mundo e sumiu. Leocádio, morreu cedo. Zeca, de saúde frágil, esteve muito tempo adoentado. As irmãs eram três, Lúcia, Otília e Luiza.

Na sua infância sofrida e sem perspectivas, fazia pequenos serviços para ajudar no sustento de casa. Comprava e vendia peles de bode e outros pequenos negócios. Com quinze para dezesseis anos passou a montar burros bravos e andava pelos matos a procura de reses desgarradas, ficando entre a vida de domador e vaqueiro.

Por motivo da doença de seu irmão Zeca, mudaram-se para Capim Grosso, onde morava o mano Antão, que os recebeu com indiferença, negando-lhes qualquer auxílio. José, ainda adolescente, ficou com a responsabilidade do sustento familiar. Trabalhou muito, não enjeitava serviço.

Depois de mais um período enfermo, Zeca não resistiu e também faleceu.

O tempo passou e Zé de Lídia, após uma briga feia com um soldado de nome Lau, jurado de morte e aconselhado por amigos, resolveu procurar um coiteiro do bando cangaceiro dos tios Antônio e Cirilo de Engrácia, ligados a Lampião. Chegou em casa e contou para a mãe que ia participar de uma novena em um sítio distante. A velha deu a benção ao filho, jamais imaginou que seria a última vez que o veria, a despedida.

Acompanhado do coiteiro, seguiram em direção as caatingas existentes da fazenda Retiro. Quando chegaram na metade do caminho, o guia tomou outra direção e ensinou José o caminho a seguir para encontrar os outros cabras que o levariam até Cirilo e Antônio. José desarmado, ficou aguardando no lugar combinado. Nesse intervalo de tempo, aconteceu a morte de Antônio, assassinado pelo próprio irmão Cirilo, que ficou como líder do grupo.

Logo depois apareceram seus dois primos, Sabonete e Manoel Moreno, que tinham entrado no grupo dias antes. Deram a ele uma Mauzer e os três foram ao encontro de Cirilo. Era o princípio do mês de junho, de 1931.

No dia seguinte ao seu ingresso, foram encontrar Lampião que estava acoitado no Raso da Catarina. Zé Baiano apresentou o rapaz ao chefe maior. A partir desse encontro, recebeu a alcunha de Zé Sereno.

Meses depois, Lampião seguiu para Pernambuco e Cirilo ficou com os seus parentes, Manoel Moreno, Zé Sereno e Jararaca. Após alguns dias de viagem, José se desentendeu seriamente com Moça, companheira de Cirilo. O tio, que tinha ido buscar algumas encomendas de um coiteiro, quando voltou, tomou as dores da amada e foi tirar satisfação com o sobrinho, querendo bater. José manobrou o fuzil e disse: - Me bate e eu não conto os buracos!

Jararaca e Manoel Moreno ficaram atrás de Sereno cobrindo-lhe as costas, afirmaram o seu apoio ao primo. Resolveram deixar o tio. Viajaram os três e nunca mais encontraram o parente. Esse foi o início da sua ascensão. Era o ano de 1932.

- Julho de 1935 - Morre Cirilo de Engrácia.

- 1936 - Visita de Zé Sereno e Mariano a fazenda Barra do Ipanema em Alagoas.

- 07 de junho de 1936 - Morte de Zé Baiano e seus três cabras no lugar Alagadiço, Sergipe.

- 1936 - Zé Sereno une-se a Sila em Sergipe.

- Agosto de 1936 - Zé Sereno e Lampião prendem Dao de Chico Carvalho.

- Janeiro de 1937 - Os irmãos de Sila entram no grupo de Zé Sereno.

- 1937 - Tiroteio na lagoa do Crauá ou fogo da lagoa de João Domingos, ferimento do cangaceiro Novo Tempo, irmão de Sila.

- Junho de 1937 - Nasce João do Mato, primeiro filho de Zé Sereno e Sila.

- 1937 - Zé Sereno e seu grupo entram na vila de Gado Bravo, Sergipe.

- 1937 - Zumbi, um dos cabras de Zé Sereno, é morto no tiroteio da fazenda Salobro.

- Junho de 1937 - Morre Manoel Moreno, primo de Zé Sereno.

- 28 de julho de 1938 - Angico: morte de Lampião, Maria Bonita e mais nove companheiros. Morre também o soldado Adrião. Zé Sereno e Sila que estavam presentes, conseguem escapar.

- Agosto de 1938 - Tiroteio em Pinhão, Sergipe.

- Fins de agosto de 1938 - Entrega de Zé Sereno e mais vinte cabras em Serra Negra, Bahia.

- 1938 - Zé Sereno e outros cangaceiros ajudam na perseguição dos grupos de Corisco e Ângelo Roque, o Labareda.

- 1939 - Zé Sereno e outros cangaceiros são levados a Salvador, para prestar depoimentos.

- 1939 - Vinte dias depois Zé Sereno e seus companheiros retornam para a cidade de Geremoabo.

- Fins de 1939 - O capitão Aníbal aconselha Zé Sereno a ir embora da região onde vivera como chefe de grupo.

Após deixarem o cangaço, Zé Sereno e Sila andaram pelo Sul da Bahia, Minas Gerais, interior de São Paulo, retornaram a Minas Gerais e finalmente mudam para a capital paulista em 1945, onde fincam raízes e formam família.

Em dezesseis de fevereiro de 1981, Zé Sereno, um personagem real figura controversa e importante para o estudo do tema cangaço, que percorreu as caatingas dos Estados da Bahia e Sergipe como chefe de grupo de Lampião, morre no Hospital Municipal de São Paulo aos 67 anos de idade.

REFERÊNCIAS:

ARAÚJO, Antônio Amaury Corrêa de. Gente de Lampião: Sila e Zé Sereno. São Paulo: Traço, 1987.

ARAÚJO, Antônio Amaury Corrêa de. Lampião: As mulheres e o cangaço. 2.ed. São Paulo: Traço, 2012.

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