Seguidores

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jararaca - o infeliz cangaceiro

Por: José Mendes Pereira


           A história sobre a tentativa de invasão a maior cidade Potiguar, "Mossoró", no dia 13 de Junho de 1927, pelo ainda não tão famoso, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi contada por vários escritores, pesquisadores e historiadores do nordeste brasileiro.

Bando de Lampião
Foto do Blog: "Tok de História"

            Apesar de ter sido considerado como grande estrategista, quando dominava o seu respeitado bando de cangaceiros, mas mesmo assim Lampião bobeou, em mandar um bilhete para o então prefeito Rodolfo Fernandes, comunicando-lhe a sua entrada em Mossoró. Se ele tivesse entrado sem comunicar que estava disposto a fazer a invasão à cidade, teria levado o que ele mais desejava: dinheiro, ouro...

 
Prefeito de Mossoró

           Como não chegou as suas mãos confirmação da quantia solicitada, ao meio dia e meia Lampião escreveu o segundo bilhete. Novamente incumbiu o capanga para que o levasse até a casa do prefeito. E desta vez já com ameaças, caso não lhe fosse atendido o segundo bilhete, não demoraria fazer a invasão, e não se responsabilizaria pelos estragos.

Foto do Palácio da Resistência em Mossoró

            Mas Rodolfo Fernandes amante de Mossoró e zeloso com a sua patente de "coronel", achando que Lampião era quem deveria fazer continência ao passar por ele, já que era apenas capitão, e vendo que o bandido estava disposto a bagunçar a sua amada cidade, disse que não enviaria quantia nenhuma para bandidos, principalmente Lampião que levava a vida roubando dos outros.
            Não arriscaria afirmar que ele não levava as minguadas reservas da  Prefeitura, mas não pensasse que ele iria ficar nas esquinas de braços cruzados, só olhando ele colocar em seu bornal o que não era seu, ou entregar o ouro na bandeja aos bandidos.
           Como não foi enviado a quantia solicitada, Lampião e seu bando deram início ao combate, vingando o desrespeito do prefeito, por não atender a sua solicitação.

O cangaceiro Jararaca

            Como o prefeito  estava preparado para defender a cidade, vendo que não teria sucesso no combate, Lampião se considerou vencido, saindo às carreiras em busca do Estado do Ceará, deixando para trás o cangaceiro Colchete, já morto, e o afamado Jararaca baleado, que se perdera do seu bando.
             No dia seguinte, Jararaca foi preso e levado para a cadeia pública de Mossoró, que não levando sorte, foi covardemente assassinado pelas autoridades.
 
 José Mendes Pereira

Como morre um cangaceiro

           Antes de ser executado, Jararaca riu com as lembranças de sua vida ao lado de Lampião
Leia o que disse  Xico Sá, sobre o que escreveu o jornalista Lauro da Escóssia, na entrevista que fez com o cangaceiro Jararaca


              Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense.       
             O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos  nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia.
            O cabra de Lampião dizia que era por causa das lembranças divertidas do cangaço. Entre as memórias que ouviu do preso, Lauro da Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando.
             Segundo o relato de Jararaca, Virgulino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus.

Vera Ferreira - Neta de Lampião e Maria Bonita

            Vera Ferreira, neta de Lampião, que hoje cuida das memórias do avô em Aracaju, Sergipe, vê muito folclore nesse tipo de história. Nega, a partir das suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo).

Antonio Amaury

           Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira.
           Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: "Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!".

Capitão Abdon Nunes

            O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: "Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia".
             Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

Túmulo do cangaceiro Jararaca
Foto do acervo Ivanildo Alves da Silveira
           Mas me parece que o cangaceiro Jararaca está perdendo a sua santidade. Como eu sou um cativo visitante daquele túmulo, não tenho visto mais velas acesas e nem tão pouco, restos de parafinas.
            Não é de se admirar, nos dois últimos anos foram sepultados dentro da capela de São Sebastião, no próprio Cemitério onde estar o Jararaca, duas grandes ovelhas de Deus, o Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti, que dirigia a Diocese de Mossoró, e as três emissoras, "Rural". 

Monsenhor Américo Vespúcio Simonetti
Ex-diretor da Diocese de Mossoró

           Também foi sepultado nela, o Padre Guido, pároco da Igreja de São José, e diretor do Abrigo Diamantino Câmara.

Padre Guido
Ex-pároco da Igreja de São José

           Eu acredito que por ele ter visto a chegada destas duas ovelhas de Deus, anda se escondendo dos fiéis, para que eles não descubram a sua falsa santidade.  

Marcas da Passagem de Lampião pelo RN

Por: Rostand Medeiros
Rostand Medeiros e Manoel Severo
 
A História da Capela de São Sebastião
 
            Recentemente tive a oportunidade de concluir um amplo trabalho de catalogação sobre o que ficou em termos de memória e de patrimônio histórico, relativo à passagem do bando de Lampião pelo Rio Grande do Norte, entre os dias 10 e 14 de junho de 1927, cujo principal objetivo era o ataque à cidade de Mossoró 
            Apoiado pelo SEBRAE-RN, este trabalho é parte integrante do "Território Sertão Apodi - Nas Pegadas de Lampião", onde o âmago deste projeto está focado na ideia do desenvolvimento territorial de diversos municípios potiguares. Sua fonte de inspiração gravita na estética do cangaço e do sertão, onde o projeto busca criar novos produtos e oportunidades de negócios com base na ideia de "culturalização" da economia, do turismo e do artesanato, ou seja, usar a cultura para agregar valor aos negócios e as atividades econômicas. Como é normal por parte do SEBRAE-RN, busca igualmente desenvolver a região por meio do estímulo ao empreendedorismo, à capacitação, à qualificação e à gestão dos negócios, sempre valorizando as vocações e atividades já existentes no território.


            No meu caso específico, a minha participação neste projeto foi buscar de todas as formas percorrer o mesmo caminho originalmente palmilhado por estes cangaceiros. Para traçar esta rota, além das obras escritas sobre a história da passagem do bando de Lampião pelo Rio Grande de Norte, fiz uso de materiais históricos existentes nos arquivos do Rio Grande do Norte Paraíba e de Pernambuco. 
 

O rei Lampião

            Outro recurso para traçar esta rota foi a utilização de mapas elaborados pelo Exército Brasileiro na década de 1960, em escala de 1:100.000, que tinham como principal valor, apontarem as velhas rotas entre as propriedades rurais. Buscamos as informações existentes neste material mais antigo, com a utilização de sistema G.P.S - Global Position Systen. Isso tudo sem desprezar as informações das populações destas localidades, que parecem já terem nascido com um G.P.S. embutido na cabeça, mesmo em muitos casos ainda utilizando como medida de distância a velha e boa "légua". Após esta fase, partimos para os contatos com órgãos municipais, em busca de apoio e iniciamos o trabalho de campo.
             Após seis meses, foram percorridos, entre idas e vindas, mais de 4.000 quilômetros, onde visitamos 82 sítios, fazendas, comunidades e cidades. Foram entrevistadas 123 pessoas e obtidas mais de 2.185 fotografias. Em grande parte deste trajeto, a motocicleta se mostrou um aliado muito mais eficiente para se alcançar estes distantes locais.
             Os resultados foram extremamente satisfatórios. Apontamos em nosso relatório para o SEBRAE-RN a existência do patrimônio histórico (casas atacadas, locais de combates, etc.), de locais utilizados em prol da memória relativa a estes fatos e os apontamentos transmitidos pelos descendentes daqueles que vivenciaram estes episódios, tentando conhecer o que ficou da passagem de Lampião.
             Um dos aspectos mais interessantes não aponta apenas para os relatos de lutas, resistências, arroubos de valentia, covardias, ou sobre o alívio em relação à fuga dos cangaceiros. Foi possível encontrar em alguns locais, interessantes situações originadas pelo medo da passagem de Lampião, que geraram manifestações que se perpetuam até hoje.


             Comento especificamente sobre uma ermida encontrada no alto de um promontório denominado Serra da Veneza, próximo ao sítio Garrota Morta, na fronteira entre os municípios de Antônio Martins e Pilões. Nesta elevação granítica, que segundo o mapa da SUDENE chega a atingir a altitude de 555 metros, existe uma capela edificada em razão do medo provocado pela passagem do bando.


           Primeiramente havíamos recebido uma informação que este pequeno templo fora erguida pelo fazendeiro Manoel Barreto Leite, conhecido na região como "Seu Leite", proprietário de um sítio conhecido como Veneza e localizado próximo a esta serra. Esta informação dava conta que todos os anos, a família do proprietário rural mandava rezar uma missa como forma de marcar mais um aniversário da libertação de Barreto do julgo do bando. Tanto a construção da capela como a missa rezada anualmente eram parte de uma promessa que devia ser cumprida pela família Leite.


            Na tarde do dia 11 de Junho de 1927, um sábado, quando empreendia uma viagem, na altura do sítio Corredor, a cerca de dez quilômetros de sua propriedade, o fazendeiro Manoel Barreto Leite, foi capturado pela fração do bando comandado por Sabino. Sua libertação foi orçada em cinquenta contos de réis. O mesmo só foi libertado em Limoeiro, atual Limoeiro do Norte, no Ceará, após a derrota do bando em Mossoró.

O cangaceiro Sabino Gomes

            Manoel Leite era um homem conhecido na região, que possuía bons recursos financeiros e extremamente respeitado, por esta razão a existência da capelinha branca no alto da serra homônima de sua propriedade, ficou associada a uma promessa feita pelo fazendeiro sequestrado.
             Mas conforme seguíamos o trajeto, ao perguntarmos sobre este caso, percebemos o desconhecimento das pessoas da região em relação a esta versão. Buscamos apurar os fatos e no sítio Garrota Morta localizado nas proximidades desta serra, encontramos uma senhora chamada Maria Eugenia de Oliveira (Foto) que esclareceu a verdade sobre esta capela.
             Esta senhora, pequena na estatura, mas é forte, voluntariosa, possui uma voz firme e olha direto no olho do interlocutor. Maria Eugenia é daquelas de ficar em casa vendo novelas, já está na faixa dos cinquenta anos, mas todo santo dia trabalha voluntariamente como animadora da congregação católica local. Participando ainda como catequista e ministra da eucaristia. Há alguns anos atrás, por sua própria iniciativa, em meio a este trabalho religioso ela iniciou uma pesquisa histórica com as pessoas mais idosas da sua região, onde apurou entre outras coisas a origem dos nomes dos logradouros, as histórias relativas as famílias da região e os fatos históricos mais representativos do lugar. Mesmo anotando estas informações em um caderno simples, através de sua louvável e comovente iniciativa, foi possível conseguir as informações sobre a origem desta capela.

Maria Eugenia

            Segundo Maria Eugenia foram as idosas moradoras conhecidas como "Francisca do Uru" e "Francisca da Garrota Morta", que lhe narraram os fatos que a comunidade local considera um verdadeiro milagre.
             Na noite de 10 de Junho de 1927, quando Lampião e seu bando se  aproximavam da fazenda Caricé, a cerca de oito quilômetros da Garrota Morta, em meio às terríveis notícias, três fazendeiros da região procuraram refúgio junto às rochas da base desta elevação. Essas famílias eram comandadas respectivamente por Manoel Joaquim de Queiroz, proprietário do sítio Garrota Morta, Vicente Antônio, do sítio Cardoso e Francisco Félix, que habitava na pequena zona urbana que formava a Vila de Boa Esperança, atual cidade de Antônio Martins.
             Durante o período que lá permaneceram, as três famílias não se encontraram e sequer se viram em nenhum momento. Em meio a aflição, estes homens solicitaram junto ao mesmo santo, São Sebastião, que os protegessem contra a ação dos cangaceiros.
             No dia posterior o bando chegou próximo a Serra da Veneza. Os cangaceiros ainda palmilharam algumas casas edificadas dentro dos limites da propriedade Garrota Morta, mas não chegaram próximo aos esconderijos no pé da serra.
              Em meio ao sentimento de alívio que crescia, as três famílias que não se viam choravam de alegria e rezavam agradecendo. O mais interessante, segundo Maria Eugenia, mesmo sem existir nenhuma espécie de combinação, os três homens elegeram a mesma penitência; galgar a Serra da Veneza, erguer um oratório e ali depositar uma imagem em honra a São Sebastião.
             Logo os fazendeiros e seus familiares foram a Vila de Boa Esperança, a treze quilômetros da serra. Como muitos moradores da região, eles foram agradecer na capela do lugarejo, edificada em honra a Santo Antônio, o fato de nada de pior haver ocorrido. Neste local os três homens se encontraram, eram amigos, e logo debatiam sobre os fatos vividos. Para surpresa de todos os presentes, compreenderam que havia ocorrido uma interseção divina com relação a eles terem tido as mesmas ideias e os mesmos pensamentos.
             Em pouco tempo eles adquiriam conjuntamente uma pequena imagem de São Sebastião e logo galgavam a Serra da Veneza, para unidos edificarem um pequeno oratório. A ação dos três fazendeiros e as estranhas coincidências chamaram a atenção das pessoas na região. Outros penitentes passaram a subir a serra para pagar promessas. Mais algum tempo a comunidade da Garrota Morta já organizava uma singela procissão e não demorou muito para que o pároco local também viesse participar. Com o passar do tempo começou a ocorrer a participação de pessoas de outros municípios.
              Em 1948, vinte e um anos após a passagem de Lampião e seu bando e do pretenso milagre, treze famílias da comunidade ergueram treze cruzes, formando uma via sacra entre a base da serra e o local do oratório. Cada uma destas cruzes tinha dois metros de altura e continha uma placa da família doadora. Percebendo o crescimento desta manifestação, conjuntamente estas pessoas deram início a construção da atual capela, em meio a uma intensa confraternização.
              A capela foi construída em um ponto mais abaixo em relação à posição original do antigo oratório. Uma nova imagem de São Sebastião foi levada em procissão e se uniu a que ali havia sido colocada primeiramente.


             Atualmente a participação popular só cresce. A cada dia 20 de Janeiro, inúmeros ex-votos são colocados como pagamento de promessas, velas são acesas e fiéis de vários municípios vêm participar subindo a serra. Em meio a um intenso foguetório, sempre as primeiras horas da manhã, um público que atualmente gira entre 400 e 500 pessoas, comparece ao sítio Garrota Morta e com a tradicional fé característica do nordestino, sobrem a serra.
            O sítio Garrota Morta está localizado na área territorial do município de Antônio Martins, as margens da estrada que liga as cidades de Pilões e Serrinha dos Pintos. O dia da nossa visita a região estava particularmente quente, em meio a uma região já bem quente. Além do mais eram uma hora da tarde e nosso tempo era curto. Mas sei que vou voltar e subir esta serra.


Rostand Medeiros é escritor historiógrafo e pesquisador do cangaço. rostandmedeiros@gmail.com


Extraído do blog: "Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro


domingo, 15 de maio de 2011

Fortaleza recebe reunião extraordinária da SBEC

Quem participa do estudo "CANGAÇO" tem que publicar tudo

Lemuel Rodrigues da Silva

            Aconteceu na manhã deste sábado, dia 14, no Auditório Murilo Aguiar, na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, a reunião extraordinária da SBEC. Com a presença de 32 sócios e 21 amigos, o encontro uniu 53 participantes para uma Pauta que envolvia principalmente a aprovação do novos estatutos da Sociedade.
Aderbal Nogueira, Manoel Severo e Prof. Pereira

 Ângelo Osmiro, Haroldo Felinto e Sousa Neto

Lívio Ferraz, Paulo Gastão e Barros Alves

 Comendador Mariano

Afrânio, Prof.Pereira e Tomaz

            Em sua fala, o anfitrião da manhã, representando os sócios de Fortaleza, Manoel Severo, agradeceu à Assembleia Legislativa, através de seu Presidente, dep. Roberto Cláudio e através do dep. Júlio César Filho, a gentileza da cessão do espaço privilegiado da Casa Legislativa cearense para a reunião da SBEC, em seguida foi formada a Mesa com as presenças do presidente da SBEC, Lemuel Rodrigues da Silva e ainda dos sócios, Ângelo Osmiro e Ivanildo Silveira.
 Leo Kawisner, Paulo Gastão e Dario Castro Alves
 Renato Cassimiro e Benedito Vasconcelos
 Tomaz Cisne, Vicente Alencar, Múcio Procópio e Ivanildo Silveira
Júlio César, Juliana Ischiara e Sousa Neto

cap Kelderlan Souza, Manoel Severo e Barros Alves

 Antônio Tomaz, Vicente Alencar, Múcio Procópio e Ivanildo Silveira

Antônio Júnior
(Suponho - Equívoco)

José Cícero e Sousa Neto

           Depois das palavras do Presidente Lemuel Rodrigues, que especificou a pauta da reunião, resumindo-se em Aprovação dos Novos Estatutos e Informes, foi convidada a sócia Juliana Ischiara para auxiliar como relatora dos trabalhos de análise e redação final do Estatuto. A reunião que teve seu início às 9:30h se estendeu até as 14:30h, se configurando também como uma rara oportunidade de congraçamento entre os vários sócios e amigos  da SBEC, espalhados pelo Brasil. Tivemos presenças dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e ainda forte representação de vários municípios do Ceará.
 
Este conteúdo foi extraído do blog: Cariri Cangaço",
do amigo Manoel Severo

O Baú de Dona Baló

Por: João de Sousa Lima
 
 
            O povoado Salgadinho, em Paulo Afonso, Bahia, situado nas margens da exuberante Serra do Padre, rendeu-se aos encantos sublimes da mais deslumbrante flor germinada em seus campos: a belíssima Lídia Pereira de Souza. Uma formosa morena de traços perfeitos e sedutores e curvas delineadamente sensuais.
             Lídia Pereira de Souza viria um dia a se tornar a bela cangaceira Lídia de Zé Baiano. Lídia era filha do modesto casal Luís Pereira de Souza e Maria Rosa Figueiredo, conhecida pela alcunha de Dona Baló, uma exímia rendeira e costureira.
             O Salgadinho por ser um dos lugares bastante percorridos pelo Rei do Cangaço e seus seguidores, na época em que a andança do capitão Virgolino atingiu seu apogeu em terras baianas, me foi bastante informativo enquanto eu realizava pesquisas para o livro “Lampião em Paulo Afonso”.
 
O Rei Lampião
 
            Por dezenas de vezes estive naquela localidade, registrando as histórias contadas pelos velhos remanescentes da luta cangaceira e fotografando os lugares que serviram de esconderijos aos cangaceiros. Neste período, uma das coisas que mais despertou minha atenção foi conhecer a casa onde nasceu a bela cangaceira Lídia, de Zé Baiano. Contra todas as possibilidades e intempéries geradas pelo tempo, a casa teimava em continuar erguida, mesmo estando assombrosamente carcomida pelos cupins, resistia imponente e enigmática.

O cangaceiro Zé Baiano

            Muitos estudiosos do tema cangaço estiveram comigo visitando a velha moradia da mais linda das cangaceiras. Em uma das minhas últimas visitas estive lá sozinho, sem pressa e pude apreciar cada canto, cada forma e cada fresta do velho casebre. Em um dos quartos, por uma das rachaduras da parede, divisei, entre centenas de casas de marimbondos, um antigo baú e dividindo o frestal com os morcegos, estava uma velha lamparina. Como é que tinha passado despercebido, aos meus olhos garimpeiros, por tantas vezes, estes velhos objetos? Enquanto no meu silêncio apreciava aquelas relíquias, senti a presença de alguém que se aproximava e despertei com a voz de uma senhora que me trazia a realidade: era dona Nilda, sobrinha da cangaceira Lídia. Nilda é a guardiã da velha casa. Conversamos por alguns minutos e com o consentimento de dona Nilda, acertamos de resgatar todo o material existente naquele cubículo, onde me caberia algumas peças, tarefa não tão fácil, pela dificuldade de transpor a barreira de centenas de vespas com seus ardentes e venenosos ferrões.
             Voltei para Paulo Afonso e me preparei adquirindo equipamentos de proteção para usar, que pudessem me proteger no resgate do tesouro deixado por dona Baló. No dia 15 de maio de 2005, uma fria manhã de domingo, de nuvens negras e ameaçadoras, embarquei com o estimado amigo Ivan Caetano, um aposentado mecânico de aeronaves e que durante muito tempo dedicou sua especialíssima mão-de-obra ao setor de aviação da CHESF. Seguimos viagem, eu, Ivan e sua esposa Leonídia, na boleia da antiga e inseparável "TRUBANA", uma F-1000, vermelha, que Ivan possui há muito tempo.
             No percurso, de aproximadamente 12 quilômetros, sendo a maior parte em estrada de chão, pudemos observar os estragos feitos pela chuva que há dias castigava aquele pedaço de chão. Aos solavancos e pelas mãos firmes do velho amigo, atravessamos uma estrada molhada e escorregadia até chegarmos no povoado Salgadinho. Descemos entre poças de lamas e riachos de águas correntes, bem na frente da casa da cangaceira Lídia e lateral às casas de dona Nilda e Sinhozinho, único irmão vivo da cangaceira Lídia. O verdadeiro nome de Sinhozinho é José Luís Pereira.
 
IMG_0287
Sinhozinho, irmão da cangaceira Lídia. Contam que Dulce era a mais linda das mulheres do Cangaço. Sinhozinho está encostado na casinha onde viveu sua irmã antes de ir para o Cangaço.

             Por alguns minutos conversamos com dona Nilda e depois seguimos na direção da casa de Sinhozinho, onde pudemos saborear uma docíssima melancia, sob a fresca aragem de um frondoso umbuzeiro. Depois da melancia, nos preparamos para a árdua tarefa de resgatar o baú de dona Baló. Coloquei macacão, botas, luvas e um chapéu com uma rede de nylon.
              Seguimos, eu e o Ivan até a parte traseira da casa, local que dava um melhor acesso para entrarmos no quarto, onde se encontrava o baú e a lamparina. Enquanto Ivan se encarregava de ir enchendo dois vasilhames com querosene, eu saía alvejando o mortífero líquido nas casas das ariscas vespas, que aos montes atacavam tentando ferroar-me, sem sucesso.
 

             Enquanto centenas de maribondos voavam desnorteados, eu vasculhava os recantos semi-escuros daquele pavimento. Na verdade, lá dentro, existiam três baús. Um deles, o mais bonito de todos, mesmo sendo recoberto por couro, desintegrou-se quando eu o toquei, tentando arrastá-lo para fora e, de dentro do baú, saíram centenas de abelhas pretas que em vão tentavam picar-me, buscando protegerem uma já esfarelada colméia. Peguei o baú que se encontrava em perfeito estado e dentro encontrei algumas velhas e carcomidas peças de roupa, carretéis de linhas, velhas notas de dinheiro, valendo um, dois, dez, vinte e cinquenta cruzeiros. Deixei o perfeito baú aos cuidados do amigo Ivan e retornei para vasculhar a velha armação de um desintegrado caixote.
No meio das tábuas mofadas e da areia úmida e batida, encontrei coisas mais interessantes, tais como:
 
 
"duas grandes moedas do tempo do Império, datadas de 1831 e que trazem estampadas o numeral 40, dois tinteiros de nanquim, dois punhais, sendo um de 35 centímetros e um menor e mais belo, medindo 23 centímetros trazendo na folha de aço o nome, FAVORITA KOCK e C° KOLM, ST e C, uma mecha de cabelos presa por uma trabalhada peça de ouro, um chicote de couro, um canivete, dois vidros antigos de perfume, duas esporas, uma casca de bala com as iniciais FEAG e datada de 1921, vários botões de tamanhos variados, um dedal, 04 chaves de portas, várias fivelas, um pequeno recipiente de alumínio feito para guardar agulhas, vários carretéis de madeira (escrito em alguns: LINHA BISPO, GLACÊ E ÔLHO), uma almotolia para lubrificar máquina, dois fusos, um vazador de fabricação artesanal, uma moeda de 100 réis, datada de 1928". 
             Das paredes de taipa resgatei a velha lamparina e algumas imagens de santos (estas acabaram ficando com Sinhozinho). Esse era o tesouro de dona Baló, mãe da cangaceira Lídia. Dentro de três velhos baús, peças da época do cangaço se misturavam com outras coisas mais recentes e acabaram despertando o meu lado garimpeiro das coisas do passado.
            Nos despedimos dos amigos já com o horário do almoço ultrapassado e sem que antes saboreássemos uma outra melancia, oferecida desta vez, pelas mãos de dona Nilda.
Saímos do povoado Salgadinho observando no horizonte negras nuvens que caminhavam cercando o antigo povoado. Retomamos o caminho de volta, dando uma parada no povoado Açude, mais precisamente no bar do Bilinho, onde degustamos uma deliciosa galinha de capoeira e o tradicional bode assado.
             Aquele dia, por ser um dia daqueles que dificilmente conseguimos esquecer, havia me proporcionado uma grande felicidade.O verdadeiro tesouro que encontrei naquela nublada manhã de domingo, estava no doce sabor da melancia, na fresca aragem do frondoso umbuzeiro, nas pisadas nos riachos de águas turvas e correntes, nos esporádicos pingos de chuva que nos encharcavam e na alegria do sorriso do meu querido casal de amigos.
 
 
Escritor e Historiador, Membro do Instituto Histórico e Geográfico
de Paulo Afonso. Sócio da SBEC.
 
Extraído do blog: "Lentes Cangaceiras" 
 
 
                 
     

Lampião em Juazeiro do Norte

Por: Aderbal Nogueira

            O Sr. Waldemar Caracas ex-funcionário da RVC (Rede Viação Cearense) é a personagem deste vídeo produzido por Aderbal Nogueira/Laser Vídeo que primordialmente é sobre a história da estrada de ferro no Ceará.

Bando de Lampião no Juazeiro
 
             No meio da conversa ele surpreende nosso amigo relatando um fato histórico "A entrada de Lampião em Juazeiro".


Obs. O Sr. Waldemar foi amigo do Cel. Izaías Arruda.
 
Coronel Isaías Arruda
 
             Ele e o avô paterno de Aderbal Nogueira, trabalhavam nas estações de Aurora e Missão Velha, na época do acontecido, mas isso será apresentado em uma outra postagem. 
 
Adendo de Messier Aderbal

             Quem tiver interesse em conhecer um pouco da história ferroviária no Estado do Coroné Severo, acesse o link para o nosso documentário disponibilizado no youTube: O último apito - A história do trem de ferro no Ceará.

Grande abraço a todos.
Aderbal Nogueira

Este conteúdo foi extraído do blog:
"Lampião Aceso",
do amigo Kiko Monteiro.
Não foi feito nenhuma modificação no conteúdo,
apenas inseri as fotos de Aderbal Nogueira,
do bando de Lampião e do coronel Isaías Arruda. 
 

sábado, 14 de maio de 2011

Lampião - Assaltos e Morte em Sergipe - Por Juarez Conrado



O que será do escritor, pesquisador...,
se em vida não fizer amigos?
Jamais será lembrado!
Unam-se para serem lembrados
José Mendes Pereira

           Todos aqueles que são fanáticos pelas histórias sobre "Cangaço", e se tem interesses de comprar este livro, do então lembrado jornalista Juarez Conrado, devem procurar o seu  filho, Helder Dantas, no endereço de e-mail: heldidantas@bol.com.br, que receberão informações sobre o envio e valor do volume.


Archimedes Marques

           Se desejar ler o que falou este escritor Archimedes Marques sobre a obra do jarnalista, procura nas páginas do blog: "Cariri Cangaço", título: "Lampião - Assaltos e Morte em Sergipe" - Por: Archimedes Marques, pois você terá uma visão sobre  o conteúdo da obra.


Sobre o jornalista Juarez Conrado



Juarez Conrado
            Nascido na Bahia, radicado em Aracaju, e pelos serviços prestados a este Estado, foi reconhecido Cidadão Sergipano pela Assembléia Legislativa em título concedido no ano de 1995. Foi diretor da sucursal do jornal A Tarde (BA) em Sergipe e atuou em diversos veículos de comunicação do Estado.

            A estréia literária acontece com Sindicato da Morte, pesquisa sobre o banditismo organizado no Nordeste Brasileiro, lançado em 1966. Em seguida, revela-se romancista e lança ‘A Dama da Noite’ e ‘O Último dos Coronéis’. Retoma o jornalismo investigativo no ano de 1983 e lança "A Última Semana de Lampião", que foi adaptado para o cinema, num filme de 60 minutos de duração, totalmente gravado em Sergipe, com técnicos e artistas sergipanos.

           No ano de 1990, incursa pelas veredas da Prosa e da Poesia e lança "O Grande Akuntô", sobre a escravidão negra no Brasil. A obra foi traduzida para o francês, inglês e yorubá, e lançado simultaneamente na Nigéria, Angola e Zaire.


Ivanildo Alves da Silveira
pesquisador e colecionador do cangaço

            Segundo Ivanildo Alves, o jornalista Juarez Conrado, na década de 80, escreveu para o Jornal "A TARDE", uma série de 03 reportagens, depois transformada em livro, sobre os últimos dias de Lampião, antes da chacina, que o vitimou, na Grota do Angicos/SE, em 28/julho/1938.

Cabeças dos cangaceiros abatidos na Grota de Angicos

            Com base em depoimentos de coiteiros e ex-cangaceiros, em entrevistas com testemunhas oculares, e apoiado em cuidadosa pesquisa, que incluiu visitas ao cenário dos acontecimentos, o jornalista refez os sete dias, os últimos da vida do Rei dos cangaceiros. 
O coiteiro Manoel Félix  
             Uma das reportagens feitas pelo citado jornalista, foi com o grande coiteiro " MANOEL FÉLIX". Esse coiteiro esteve com LAMPIÃO, na Grota do Angico, em vários dias, seguidos, inclusive, no PENÚLTIMO DIA QUE ANTECEDEU A MORTE DO REI DO CANGAÇO.

Fonte:  Parte do todo.
"Blogdomendesemendes" 
 "Cariri Cangaço"
e
  "Lampião Aceso" 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CANGACEIRO JARARACA

Por: Ângelo Osmiro


           No famoso ataque de Lampião e seus cabras à cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte, dois cangaceiros morreram, um no calor do combate, “Colchete” baleado quando tentava tomar de assalto um dos pontos de defesa da cidade. O outro foi José Leite de Santana o cangaceiro Jararaca.

O cangaceiro Jararaca

           O grupo chegou às imediações de Mossoró com cerca de cem homens muito bem armados. O bando foi dividido em três grupos, cada um atacando por um lado diferente.

            O grupo que o cangaceiro Jararaca fazia parte já se aproximava bastante das defesas da cidade, quando em um ato de ousadia, o cangaceiro Colchete avançou quase sem proteção, sendo atingido mortalmente pelos tiros dos homens da resistência; vendo seu companheiro caído, Jararaca correu para “desarriar” o companheiro baleado.

            No linguajar dos cangaceiros, isso significa retirar todos os seus pertences, só que sua ousadia também lhe custou caro, quando ele já ia saindo foi atingido por um tiro, mesmo assim continuou andando, tendo sido alvejado mais uma vez, agora em uma das pernas, ainda assim conseguiu fugir se arrastando. Alcançou uma casinha perto da estrada de ferro, onde bateu a porta e pediu socorro, prometendo todo o dinheiro e ouro que carregava ao dono da casa, o homem abriu a porta e o deixou entrar, dando-lhe os primeiros socorros, deixando-o deitado para que se recuperasse dos ferimentos.
 
Jararaca quando se encontrava preso, na cadeia de Mossoró/RN.
Notar o ferimento, em cima do tórax.
 
           No outro dia pela manhã o sertanejo resolveu ir até a cidade sem que o cangaceiro percebesse, e o denunciou a polícia, que o prendeu sem a mínima resistência, em virtude do estado em que se encontrava o jovem cangaceiro. Jararaca foi levado preso para a delegacia, onde foi fotografado e entrevistado pelo jornalista Lauro da Escóssia do jornal O Mossoroense.

           Depois de alguns dias preso, as altas horas da madrugada, alguns militares chegaram à delegacia com intuito de levar Jararaca, a justificativa seria a transferência do cangaceiro para a capital. Jararaca foi colocado dentro de um carro e conduzido, não para Natal, mas sim direto para o cemitério da cidade, onde já havia sido cavada uma cova lá no seu final. O cangaceiro Jararaca entrou sem dá uma palavra e caminhou escoltado pelos homens até a cova.

           O cangaceiro do grupo de Lampião foi assassinado pelos policias, seu corpo foi jogado na cova, que na pressa para cavar, tinham feito o buraco menor que o defunto, no lugar de alargarem a cova, preferiram quebrar as pernas do prisioneiro, estava consumado o ato macabro dos defensores da lei.

Túmulo do cangaceiro, situado no cemitério de Mossoró/RN.

            Hoje a cova do cangaceiro Jararaca é a mais visitada no cemitério de Mossoró, inúmeras velas são acesas em sufrágio de sua alma, promessas são pagas à beira do túmulo do cangaceiro, o fim trágico de Jararaca transformou um cruel cangaceiro, pelo menos na memória popular na incrível história do “cangaceiro que virou santo”.
 
Prefeito Rodolfo Fernandes

 
Túmulo de Rodolfo Fernandes - Cemitério de Mossoró/RN.
 
Ângelo Osmiro é Escritor/Pesquisador do cangaço e membro da SBEC

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgry747JaM6E0Qh1V0zoIi_6lC1zibnDxXUzscvh_HoGC3N5tzp8BJlmRqCUlqwc3FrqeaoVondKcjlu8LVld4Mphtl0zAvVd0LvrIhZe_Ber135LFl4rVzChRrPKh74rAsKuwjw_Wptg/s320/IVANILDO+(543).JPG
Ivanildo Alves Silveira
Escritor, pesquisador e colecionador do cangaço
OBS: As fotos foram acrescentadas ao texto, pelo reverendo Ivanildo Alves da Silveira, no sentido de enriquecê-lo.


quinta-feira, 12 de maio de 2011

Cinco vaqueiros do cangaço




          Olhar para essa foto, que foi publicada recentemente no Jornal Folha Sertaneja, fotografia realizada em Canindé do São Francisco, Sergipe, durante as comemorações do Centenário de Maria Bonita, traz uma certa recordação do amigos que aqui abrilhantaram o evento.
 
Maria Bonita

             Ela se torna enigmática por alguns aspectos claros, visíveis:
 
            Paulo Gastão com a boca fechada, João de Sousa Lima entre dois homens, Vilela contrastando seu chapéu de couro com uma suspeita fechada de perna, Alcino com uma sandália de couro e Severo olhando para o infinito e sua teimosa câmera fixa para o chão.
 
           Quem conhece as figuras sabe do que estou falando.

           Brincadeiras à parte, desejo saúde e paz aos amigos. abraço para...
 
 
Esta matéria pertence ao blog do escritor:
 "João de Sousa Lima"
Não houve nenhuma modificação sobre o conteúdo,
apenas inseri a foto de Maria Bonita.