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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Ruy Barbosa no Sertão... um toque no Cangaço

Por: Rubens Antonio
Rui Barbosa

A visita de Ruy Barbosa ao sertão, no bojo das suas campanhas, guarda uma interessante relação com o Cangaço. Isto por ele ter sido acompanhado por seu discípulo Bernardino Madureira de Pinho.
Quando do início da campanha contra o Cangaço, na Bahia, Madureira de Pinho exercia a função de Secretário de Polícia e Segurança. Somente perdeu a função quando derrubado o governo baiano pela Revolução de 1930.

 

Foto de Ruy Barbosa, em Senhor do Bonfim, em 5 de dezembro de 1919, à entrada do palacete em que se hospedou, pertencente, então, ao coronel Antonio Felix Martins. 
Acompanham-no nesta fotografia Antonio Felix Martins, Salustiano Figueiredo, Cordeiro de Miranda, Francisco Esteves da Silva e Bernardino Madureira de Pinho. Madureira de Pinho é o calvo de bigode, à direita, na foto.
A matéria no “Correio do Bomfim”, datado de 5 de dezembro de 1919: RUY BARBOSA NO SERTÃO.  Seja bemvindo á nossa terra o Maior dos Brasileiros
Neste epocha de prosaismo deprimento, de preguiça espirital, quando as energias se externam em questiunculas sucessivas, quando, aos beijos das portadas frigidas das desilusões, emmerchece numa agonia extranha a bella flor do patritismo, quando, desalentada e triste, a gente simples do sertam caminha para a convicção perigosa do desespero absoluto de todas as virtudes que formam o caracter cotectivo, assegurado pelo severo cumprimento da lei e respeito à Justiça, a visita providencial desse velhinho glorioso assemelha–se a uma alvorada de crença desabrochando radiosa numa alegria de ressurreição.
Vibram as energias adormecidas a essa voz de apostolado inspirado. Clangoram festivas as manifestações grandiosas.
Opera–se o milagre. A carcassa do velho organismo se movimenta, toma proporções, erguq–se e vai ao encontro do sol.
É o povo. É o povo do sertão que acorda para affirmar a sua existencia, para revelar, num surto magnifico, a sua alma deslumbrada aos clarões do dia que desponta... 
Os desesperados meditam.
É a energia portentosa desse homem extraordinario que desce em effluvios beneficos, chamando–nos ás responsabilidades da vida, á lucta pelo ideal.
Nem tudo está perdido, graças a Deus.
Ruy Barbosa, o maior dos brasileiros, a alma da Republica, o chefe da democracia brasileira, vem ao interior trazer–nos, com os seus setenta annos de gloria, com o fulgor da sua palavra, o banho de fé, a alleluia da nova era que começa a raiar.
Bemdito sejas, ó intemerato lutador!
Bemdito sejas pelo que tens feito, pelo que fazes agora na terra do sol, pelo que farás ainda pela grandeza do nosso Brasil!
Ave!
Chega hoje a esta terra o Maior dos Brasileiros.
A honra excepcional que nos cabe dessa visita, o facto estupendo que vamos registrar, assignalando a pagina mais fulgurante, talvez, da historia desta terra, não chegam para o alcance de todos. Mas, mesmo assim, devemos pesar profundamente a responsabilidade que assuminos, procurando cercar o grande homem de todo o nosso carinho.
Aos filhos de Bomfim, especialmente sobre quem de preferencia recae essa elevada missão de rodear esse ancião admirado pelo mundo, de tudo quanto não lhe possa impressionar mal; aos nossos patricios, sem distincção de classe ou partidarismo injustificavel no momento, lembramos esse dever elevado.
E si porventura algum insensato, – em caso nenhum um filho de Villa Nova, pois isso é inadmissível – tentar interromper a harmonia grandiosa dessa festa do povo, digamos com antecedencia – a lama não atinge o sol. Bomfim quer Ruy Barbosa no seu seio, Bomfim se orgulha e se desvanece dessa distincção com que a honram. Viva Ruy Barbosa!


povo.

No patamar do palacete de hospedagem, para que todos possam ver e ouvir, será pronunciado um unico descurso de saudação – o do orador official dr. João Martins da Silva Telles.

Sobre as demais solemnidades, o programma a ser distribuido hoje melhormente orientará ao publico.A Comitiva

dr. Ernesto Simões Filho
dr. A.G. Medeiros Netto
dr. Bernardino Madureira de Pinho
dr. JoséGabriel de Lemos Britto
prof. de. Fernando S. Paulo
prof. dr. Alvaro de Carvalho
dr. Horacio Cartier, redactor da “A Noite,” do Rio de Janeiro
dr. Raphael Gordilho
dr. Fiel Pontes
dr. Amador Cysneiros, representante do “O Malho” e outras revistas illustradas do Rio de Janeiro
dr. Clovis Spinola, representando o “Correio da Manhã” do Rio de Janeiro
dr. José Cordeiro de Miranda
dr. Archimedes Pires (representando a “A Hora”)
dr. Antonio Marques dos Reis (do “Diario de Noticias”)
dr. Porto da Silveira (redactor do “Diario da Bahia”)
academico João de Mattos Filho (reporter do “O Imparcial”)
As Homenagens
Entre as diversas homenagens projectadas nesta cidade ao eminente brasileiro, figuram:
– A Sociedade “União e Recreio” inaugurará o retrato de Ruy Barbosa no salão nobe de seu edificio. O retracto é uma bella obra d’arte.
O acto da inauguração deverá revestir–se de toda a solemnidade, sendo a hora annunciada com antecedencia. O edificio da brilhante corporação já está ornamentado com muita arte e bom gosto.
– A infancia de Bomfim, guiada pela exma. d. Semirames Oliveira e outras exmas. senhoras da nossa melhor sociedade, cimprimentará o grande homem, indo á sua presença offerecer–lhe um ramalhete de flores. A menina Adelia Kauark saurará o amigo das crianças, em nome de suas companheiras.
– A Liga das Adeptas da Unição e recreio, de que faz parte a mais bella representação feminina desta cidade, entregará ao excelso patricio um cartão de ouro, com dizeres significativos, destinado á Mme. Ruy Barbosa.
– As senhorinhas bomfinenses, cujo enthusiasmo é indescriptivel, pretendem dar um cunho excepcional ás festas, tomando parte em todas as solemnidades.
– O commercio local, num rasgo de civismo para o qaul não regatearemos applausos, resolveu designar uma commissão que o represente nas homenagens ao Senador Ruy Barbosa, a qual se compõe dos srs. cel. Edeltrudes Ferreira da Silva, José Francisco de Carvalho, Arthur Machado, Manoel Teixeira do Amaral e Aurelio Freitas. Espera–se tambem o fechamento de suas portas na tarde de hoje e de amanhã.
A Conferencia

A conferencia do grand ebrasileiro deverá ser realizada amanhã á tarde ou á noite, provavelmente na Praça Benjamim Constant, por offerecer logar sufficiente para se agglomerar a immensa multidão que anceia ouvir a palavra oracular do mestre.
Ultima hora

Pelos telegrammas recebidos por esta redacção, sabemos que o egregio patricio, ao partir da Capital, recebeu extraordinaria ovação do povo.
Em Alagoinhas o enthusiasmo popular attingiu proporções extraordinarias.
E em toda a parte por onde o apostolo passa, pregando ao povo os principios da liberdade, uma vibração intensa sacode as multidões, preparando–as para a luta que ahi vem e na qual se decidira a sorte da nossa Bahia.
– Para a glorificação de Ruy Barbosa, desde a semana passada que chega povo de todas as localidades visinhas, calculando–se em mais de duas mil pessoas vindas exclusivamente ver, ouvir e applaudir delirantemente o pontifice da nossa democracia.
Os commodos nos hoteis se esgotaram.
– Hontem a recepção da Philarmonica “15 de Novembro” de Campo Formoso, feita pela sua co–irmã “União e Recreio” desta cidade, revestiu–se de grande brilho.
Ao chegar á gare da estrada de Ferro, entre espoucar de foguetes, foi a “15” saudada pela palavra inspirada de dr. Xavier da Costa, agradecendo em bello improviso o sr. dr. João Martins Telles.
Em seguida as duas philarmonicas realizaram enthusiastica passeata pela cidade, vindo até em frente a esta redacção onde foram erguidos repetidos vivas ao grande Ruy Barbosa – a bandeira sob a qual se agrupa, neste moment, todo o povo da Bahia para a cruzada gloriosa do seu soerguimento.

Enviado pelo autor deste e administrador do blog: "Cangaço na Bahia": 
Rubens Antonio

GECC Convida.

Wilton Dedé

O GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará e o Conselho do Cariri Cangaço, convidam a todos para a solenidade de posse do confrade José Wilton Soares e Silva, nosso estimado "Dedê", em uma das cadeiras do ICC - Instituto Cultural do Cariri; a se realizar nesta sexta-feira, às 19:30H na sede do instituto, sito à Praça Filemon Teles, em Crato, Ceará.

Ângelo Osmiro
Presidente do GECC 

Manoel Severo
Presidente do CCC

Extraído do Cariri Cangaço



Haroldo Felinto para Jorge Bonessi

Por: Haroldo Felinto

Caro escritor Jorge Bonessi,


No momento em que passamos pela triste notícia descabida daquele Juiz, querendo deturpar a imagem de Lampião, é de grande monta que as duas amostras internacionais de longa metragem apaguem o acontecimento citado.

Agradeço pela informação, informando-lhe que o lançamento de meu livro que se encontra no prelo: 


Curiosidades e Fatos sobre Lampião, que tem o prefácio do colega historiador 


Osmiro Barreto e a orelha do livro pelo 

Danielle e Severo

Severo,  será lançado no  mês de março deste ano. A data do lançamento será avisada.  Conto com sua aquiescência  em divulgar para toda cúpula do GECC,  colegas, amigos de seu convívio social. Fraternalmente agradecido, Haroldo Felinto.

Enviado pelo Capitão Alfredo Bonessi

http://blogdomendesemendes.blogspot.com  

UMA RADIOLA AO LUAR


Rangel Alves da Costa*

Sorte teve o meu pai, que lá pelos tantos idos de 1940 nasceu num sertão ainda virgem, matuto mesmo, de inocência cabocla e de infinito prazer da vivência na terra árida e cativante.

Naquela época certamente a natureza sertaneja ainda estava com o seu corpo imaculado, sem ter sofrido quaisquer desses abusos que hoje em dia nos faz entristecidos. Havia a sequidão pelos campos e matarias sim, pois sem as secas sertão não é sertão. Havia a pobreza grassando de palmo e palmo sim, pois a miséria parece ser filha do lugar e parente de todo mundo.

Mas havia muito mais, muito mais coisas encantadoras que amenizavam os sofrimentos e faziam o sertanejo viver na felicidade que somente ele sabe possuir, pois agradecido demais a Deus pelo galo cantando no alvorecer, pelo cuscuz e o leite tirado do peito da vaca, pelo café quentinho e pelo olhar que encontra sempre um dia bonito para viver.

Sertão é assim mesmo, seu moço! Bicho e poesia, cantiga e lamentação, bom dia e inté mais se ver, boa sorte e que Deus lhe ajude! E pelos caminhos que cortam a vida, os barracos se espalhando feito galinha no terreiro, bicho no berreiro, qualquer coisa no cercadinho e o prazer imenso de dizer isso é meu. Não tem nada não, seu moço, mas tudo é dele. É dele porque o sertão é dele e ele é o sertão em pessoa.

Meu pai nasceu num lugar assim, nessa vastidão sertaneja onde tudo mundo era feliz e não sabia. Somente mais tarde, quando o filho de Dona Emeliana e Seu Ermerindo ouviu pela primeira vez uma autêntica cantiga sertaneja, um legítimo violar caipira, é que começou a juntar a letra da moda de viola com a terra que pisava e a realidade vivida e decisivamente concluiu que as belezas do sertão são melodias de se caminhar e pegar com a mão.


Foi nesse momento que a viola caipira de Tonico e Tinoco entrou melodiosamente no coração de Alcino. 


Aquele rapaz, já político e prefeito do lugar, logo ao amanhecer escurecido ligava seu velho e potente rádio Philips, de quase meio metro de diâmetro, e sintonizava nas emissoras paulistanas onde sabia que não demoraria muito para ouvir a voz inconfundível da dupla coração do Brasil.

Sou filho - e por isso mesmo posso falar - que o rapaz já casado ainda assim era um inveterado namorador. Todo mundo sabe disso até hoje. 

Assim, quando um dia um primo seu chegado do sul lhe trouxe de presente uma radiola portátil novinha, pequenininha e azul, todas as noites, e sempre já em altas horas, Alcino seguia em direção à praça da matriz, colocava seu toca-discos em cima de um banco e ia escolhendo a dedo as músicas de Tonico e Tinoco.

Muitos dizem que ele fazia serenata louvando as belezas do luarar sertanejo, outros afirmam que era serenata mesmo, mas com outras motivações apaixonadas. De qualquer sorte, invariavelmente se ouvia todas as noites “Tristeza do Jeca”, “Eu e a lua” e “Pé de ipê” nas doces e inconfundíveis vozes de Tonico e Tinoco.

E se ouvia na “Tristeza do Jeca”: 

“Nestes verso tão singelo
 minha bela, meu amor 
pra você quero contar 
o meu sofrer e a minha dor 
Eu sô igual a um sabiá
 quando canta é só tristeza
desde um galho onde ele está
 nesta viola eu canto e gemo de verdade 
cada toada representa uma saudade...”.

Na “Eu e a lua”: 

“Eu me desperto em arta madrugada 
Em arvorada ponho-me a cantar 
Em tom profundo lamento em meu pinho
Triste sozinho vivo a recordar
 Vem ouvir ingrata quem deixou de amar
 Somente a lua no céu estrelado
 Está a meu lado, surgiu num clarão
 E tu querida nem abre a janela
 Vem ouvir donzela a minha canção 
Tu foi aquela muié sem coração...”.

E “Pé de ipê”: 

“Eu bem sei que adivinhava 
quando as veiz eu ti chamava 
de muié sem coração 
Minha vóiz assim queixosa 
vancê é a mais formosa 
das cobocra do sertão 
Certa veiz tive um desejo
de prová ao meno um beijo
 da boquinha de vancê 
Lá no trio da baixada
 pertinho da encruziada 
debaixo de um pé de ipê...”.

Até hoje, já depois dos 70 anos, Alcino continua ainda mais apaixonado pela autêntica música caipira. Naqueles idos suas paixões eram muitas e até dizem que muitas eram as mocinhas que choravam nos travesseiros ou pertinho das janelas, com os apertos nos corações que sempre chegam altas horas da noite e com a serenata sertaneja de Alcino.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com 

Enviado pelo poeta e escritor: 
Rangel Alves da Costa  

Viva Luiz: o Brasil conhece um mestre

 

1961 - Morre Santana, mãe de Luiz Gonzaga, de doença de Chagas. O compositor Rosil Cavalcanti estreia nesse ano com a marchinha Faz Força Zé, em disco 78 rpm.

Dona Santana e Januário - pais de Luiz Gonzaga

1962 – O disco Ô Veio Macho desse ano sai com seis composições inéditas do novo parceiro de Luiz Gonzaga, o paraibano José Marcolino. É o maior feito desse gênero em termos de lançamento de obras de outros parceiros. O compositor João do Vale estreia nesse ano obra luiz-gonzaguiana. Morre o compositor Zedantas, aos 42 anos de idade.


1963 – Músicas destaques do disco Pisa no Pilão (A Festa do Milho), Pronde tu vai, Baião? e a música desabafo de Luiz Gonzaga, o clássico A Morte do Vaqueiro, em homenagem a Raimundo Jacó, o vaqueiro primo do Rei do Baião, assassinado.
1964 – No disco Sanfona do Povo, desse ano, começa a se popularizar o caso do roubo da sanfona de Luiz Gonzaga. Ele lança, também nesse ano, o disco da toada A Triste Partida, do poeta cearense Patativa do Assaré.
1965 – Lança o disco Quadrilhas e Marchinhas Juninas, com lado instrumental do repertório junino-joanino luiz-gonzaguiano. No outro lado do disco se destacam polquinhas de José Marcolino. O cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré grava a Asa Branca, a primeira manifestação de reverência de artista jovem da MPB, dos anos 60 do século XX, à obra imortal do Rei do Baião.

 

1966 – Luiz Gonzaga amargando desprestígio da sua gravadora, ausente da mídia de televisão, com as vendas de disco em baixa, vive a sua pior crise da carreira artística após o reinado do baião. Nesse ano, ele não grava disco nenhum.  Mas publica a sua biografia O Sanfoneiro do Riacho da Brígida – Vida e Andanças de Luiz Gonzaga – o Rei do Baião, de autoria do paraibano Sinval Sá.
1967 - Os líderes do movimento Tropicalismo, os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, expoentes da nova geração da Música Popular Brasileira dessa década, dizem na imprensa da influência de Luiz Gonzaga na formação deles e da MPB em geral. O jornalista Carlos Imperial espalha o boato da gravação Asa Branca, pelos Beatles. Luiz Gonzaga, de novo notícia, é convidado para programas, inclusive de televisão, e ganha dinheiro, numa fase financeira dele bastante crítica. Lança o disco Óia Eu Aqui de Novo, em tom de volta por cima. É o ano de O Xote dos Cabeludos e do disco O Sanfoneiro do Povo de Deus, o de maior conteúdo religioso popular da sua carreira.

Gil, Dominguinhos e o seu Lula, em 1980

1968 – É o ano do disco Canaã de Luiz Gonzaga. O destaque são as músicas de autoria de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga Jr. de conteúdo profético, libertário e de protesto, gravadas nos dias da implantação do Ato Institucional Nº 5, o famoso AI-5, que instaurou a fase mais aguda de censura do regime militar no Brasil, de 1964 a 1984. (Fonte: http://www.museuluizgonzaga.com.br)


Já que entramos nesse assunto... Luiz Gonzaga e a Ditadura (publicado no jornal Folha Solta de dezembro de 2011)
Março de 1972, ditadura militar no auge, Luiz Gonzaga se apresenta no Teatro Tereza Raquel no Rio de Janeiro. Na plateia, políticos, como o deputado cearense Armando Falcão, intelectuais e, em grande parte, jovens estudantes opositores ao regime. Luiz não tinha sequer ideia do papel desempenhado pelo dois únicos partidos políticos existentes, o MDB e a Arena. Seu interesse pela política era zero, porém seu discurso parecia bastante politizado.
Durante a apresentação, se colocou numa situação constrangedora ao brincar com o amigo, então deputado, Armando Falcão, um "general civil". Contou quando foi convidado para tocar numa república de estudantes cearenses, no Rio: "Me apresentaram o presidente da república. Sabem quem era? Armando Falcão! E o homem quase que foi o presidente da República, mesmo! Bacharel, deputado, líder, ministro... faltou pouco para ser presidente da República! Foi no governo de Juscelino que ele manobrou, manobrou na política... Tem nada não, nós tamo aí, o senhor na sua e eu na minha..."
Em outro momento,  ao apresentar uma de suas músicas, disse: "Êh, sertão! Sertão das fultricas, sertão dos políticos enganadores, enhin deputado?" Aplaudido, com seus causos, Gonzagão arrancou risos da plateia que reconhecia sua ingenuidade política. Para alguns, Luiz Gonzaga foi um entusiasta da ditadura militar, mas, no mesmo show de 1972, o rei do baião declara: "minha cooperação é tocar!"

Postado por Ailton Fernandes

Extraído do blog: "Luz de Fifó"

Hoje na História - 07 de Fevereiro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 07 de fevereiro de 1915 o jornal O Mossoroense anunciava a chegada a Mossoró do primeiro trem da Companhia Estrada de Ferro de Mossoró, em viagem experimental entre Porto Franco e esta cidade. A locomotiva vinha dirigida pelo maquinista João Marques de Melo, sendo foguista João Delmiro de Melo, além de Inácio Lopes como mestre de linha. A cidade tomou aspecto desusado, com a ansiedade demonstrada pela população em presenciar a chegada da possante máquina à estação improvisada no local em que hoje está construída a mesma, na praça Roderick Creandall.

Houve regozijo, com vivas e aplausos pela presteza com que foi construído o trecho ferroviário de Porto Francisco a Mossoró, confiada à tenacidade dos técnicos e construtores Sabóia Filho e Pedro Leopoldo.
A inauguração do trecho ficou marcada para o dia 19 de março. 
               


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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:

NAS VEREDAS DA MISÉRIA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

NAS VEREDAS DA MISÉRIA
                                                             
O conceito academicista que sempre conferem à miséria está muito longe de sua realidade. Não precisa sentir na pele, no estômago e nas entranhas da alma para saber do que verdadeiramente se trata. Adentre as brenhas sertanejas e sinta. Não sinta repugnância, não olhe enviesado, não fuja da ferida aberta na pele e no olhar.

Ao cuidar da miséria os teóricos logo sintetizam acerca da desqualificação do status social. Dizem da pobreza, da fome, da condição social desfavorável, alguma ou outra vez apontando a falta de políticas públicas como uma de suas causas. Esquecem, contudo, de falar do olhar do povo, das mãos ossudas e calejadas da gente, do retrato de sua moradia e do que tem lá dentro, bem como de quantas panelas e pratos existem e qual a sua serventia.

Mas vamos lançar um rápido olhar ao que os livros pregam.Miséria é definida como a inexistência, por absoluta falta de condições de determinado povo, do que é necessário para satisfazer as necessidades básicas – alimentos, vestuário, habitação e cuidados de saúde. É a absoluta falta de recursos múltiplos, que predispõe a um estado quase permanente de ausência de condições básicas de sobrevivência e à privação física. É, enfim, estado de penúria, de miserabilidade; é a indigência social e o desprezo por parte da sociedade.

Verdade é que a miséria está além da pobreza, da fome, da falta disso ou daquilo. Forçosamente não há que se verificar permanente falta de comida na mesa, ausência de quilo disso ou daquilo no armário, dificuldade na obtenção de água para beber, carência de escolas ao redor, falta de serviços de saúde e de assistência social, quase inexistência de uma roupa minimamente decente para se vestir, distanciamento dos serviços públicos ou quaisquer outras carências para se ter a configuração da miséria.

Não. E não porque o abandono premeditado e persistente do povo sofredor também é miséria; a mentira política ao percorrer barraco a barraco em época de eleição também é miséria; o nojo, o preconceito, a discriminação, o afastamento, a falta de reconhecimento e a desvalorização também são misérias absolutas. E há miséria maior do que reconhecer num povo a morte em vida e ainda assim lavar as mãos?

E são estágios reconhecíveis de miséria a população já carente de tudo e ainda ter de se submeter às esmolas governamentais, de políticos, de candidatos, de pessoas que não estendem a mão sem estar pensando em tirar algum proveito. Não ter políticas honestas e eficazes de combate à seca também é miséria; não possibilitar o aproveitamento produtivo das águas de um rio que passa diante da pobreza absoluta também é miséria.

Antigamente tentavam combater as misérias sertanejas, principalmente em épocas de estiagens, oferecendo emprego aos homens na construção de açudes, estradas e na infraestrutura das cidades. Os flagelados formavam imensas filas orando para obter uma vaga nas frentes de trabalho, para se tornar “magnu”, ou magro e nu. Ou faziam isso ou colocavam toda a filharada em perigo ainda maior.

Todo final de semana pagavam com duas moedas e ofereciam uma cestinha de alimentos contendo farinha, feijão, açúcar, massa de milho, lata de óleo para cozinhar o nada e ainda um naco de jabá ou mortadela. Enganava-se a miséria, mas ao menos as famílias se fortaleciam na ilusão de um trabalho garantido enquanto durasse. Era, assim, a miséria produtiva.

Hoje procuram combater a miséria fortalecendo o sentimento de miserabilidade, de imprestabilidade, da preguiça contumaz e da passividade diante das esmolas dadas. Com as oferendas populescas e assistencialistas do governo, disseminou-se sertão adentro e por todo lugar a cultura da mendicância oficializada, da miséria como garantia para se ter a desavergonhada esmola, da indolência e da lassidão como cultura do entorpecimento. É a miséria desonrada, com fins meramente politiqueiros.

Mas nada disso tem o dom de esconder um outro tipo de miséria que está sempre escondida por trás dessas dissimulações. Falo da miséria visceral, miséria na pele e no osso, no olhar e no sentimento de impotência, no passo que de tão desamparado não se encoraja mais para ir a lugar nenhum. Já orou pedindo chuva, já implorou pedindo pão, já chorou a lágrima dos esquecidos, já inundou e desesperou diante do pranto e do grito inocente dos filhos.

Conheço uma miséria que é alegre, amiga, recebe qualquer um de braços abertos, oferece o resto do que ainda tiver. Aceite o convite e entre porta adentro, barraco adentro, se assente no tamborete e converse com esse povo. A miséria também é humana, logo saberá. Disfarce, mas de vez em quando olhe de canto a outro para ver o que encontra por cima do fogão de lenha apagado ou da mesinha de madeira.

Os olhos profundos e tristes são como poços vazios, esquecidos no tempo, sem mais esperança de umedecer. O corpo inteiro é aquilo mesmo que você enxerga adiante, nem um quilo a mais ou a menos. Da pele ao osso tudo se confunde, e nos dedos longos e ossudos as marcas de tanto buscar sem nada encontrar. Fazer o que, meu Deus, se a vida insiste em possuir esses eternos penitentes na grande procissão do sacrifício e do sofrimento?

E possa ter certeza que ao se despedir ouvirá de cada um que tenha paz, saúde e felicidade. Depois é só seguir pela estrada imaginando que não fazemos nada por aqueles que nos desejam tudo do bom e do melhor que precisamos: paz, saúde e felicidade. E a eles – que também somos nós -, além de tudo isso, também a vida.


Rangel Alves da Costa 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Da guerra e da paz (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa

Da guerra e da paz


A última bandeira que tinha
rasguei sem querer a galope
na última batalha do amor
cansado de tanta luta
sentimentos sangrando
com o coração despedaçado
por tudo aquilo que lutei
só me restou a certeza
de que a paz seria melhor

uma casa e uma varanda
uma tarde e um sombreado
um vento que chega e vai
uma rede dolente balançando
um cheiro bom de café
um bolo de milho ao forno
o rio chama para o banho
sigo abraçado à nudez
da minha flor meu amor

não esperava certos visitantes
mas a discórdia bateu à porta
a intriga chegou sem avisar
o ciúme apareceu de repente
e só tive tempo de fugir a galope
levando comigo a incerteza
de sentir o pavor da guerra
sem jamais querer lutar
e quando a bandeira rasgou
e o meu cavalo cansado deitou
pedi perdão por não saber lutar
e ouvi que na guerra do amor
quem ama só sai perdedor.



Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Mestre Joca Leiros


“Minhas homenagens ao Mestre Joca Leiros que, dos caminhos e veredas de Macaíba, passou a caminhar sob as estrelas e pelas Estradas do etéreo, onde caminham os anjos e arcanjos da Paz e do Amor de DEUS”.

 Ode à batuta do Mestre!

Numa tarde que findava parei pra ver se lembrava
Das Retretas da Pracinha, onde grupos de mocinhas
Passeavam de mãos dadas, em torno das  balaustradas
Flertando como sentiam quem melhor se apresentava
No coreto e seu entorno, ali ficavam escolhendo,
Os parceiros desejados ou com quem sintonizavam,
 na Praça de Macaíba, pois, era o grande momento.

Pouco tempo se passava  e a Banda, então, descia
Com instrumentos na mão  Aplausos da freguesia
A banda ali se formava, primando pela postura.
Na linha pela estatura, a farda qual armadura
E ali, os componentes, da Banda a desfilar
Mas o que mais empolgava era a batuta no ar.
Batuta do Mestre Joca, bem garboso a comandar.

Eis aqui, doces lembranças do Maestro e da Batuta
Pois um exemplo de luta, sonhando executar
Poesias musicais  que o viram consagrar
Como excelente Regente com a batuta no ar.
Eis homenagem singela, que fizemos  alcançar,
O pergaminho da glória e a batuta a atacar.

Jansen Leiros


Bosquejo biográfico de
JOÃO VITERBINO DE LEIROS

João Viterbino de Leiros era meu avô materno. Professor da Escola de Artífice de Natal, chefe da Funilaria, musicista. A Tuba como seu instrumento principal. Compositor de música sacra e autor de vários, dobrados, hinos e marchas, dedicou-se às valsas e à regência de corais. Além de sensível musicólogo, João Viterbino de Leiros era possuidor de dotes mediúnicos, promovendo administração de curas magnéticas em pacientes portadores de pequenos incômodos, comuns aos moradores da pequena cidade de Macaíba, onde morava e onde exercia suas faculdades transcendentais.

Mestre Joca, como era carinhosamente chamado pelo povo, tinha acesso a todas as camadas da comunidade. Era maçom, como todos os varões da família (do tronco Fagundes). O Vigário Bartolomeu Fagundes, irmão de sua avó, Duvina Renovata da Rocha Fagundes (nome de solteira) fora o responsável pela iniciação de quase todos os componentes daquela família.

Com os paramentos da maçonaria, ele incorporou os filhos, netos e colaterais aderentes, transmitindo-lhes os ensinamentos da Instituição e sua filosofia milenar.

Com esse perfil, João Viterbino de Leiros (neto do Pe. Antônio Gomes de Leiros) transformou-se em meu ídolo.

Professor nato e pedagogo por transferência genética, aproveitava todo e qualquer momento vago para repassar seus conhecimentos, parte adquirido nos bancos escolares, parte pelo aprendizado empírico que sedimentou seu acervo respeitável.

Sem dúvidas, João Viterbino de Leiros foi o responsável pela projeção da família, a partir de suas próprias qualidades e, líder desde rapazola, conquistou uma série de seguidores, principalmente no seio da família.

Possuidor de bela oratória, onde harmonizava o sacro e o maçônico era um metafórico por excelência e foi ele que me conduziu aos estudos dos textos sagrados, da filosofia maçônica e, principalmente, foi ele quem me iniciou nos conhecimentos da Doutrina dos Espíritos, a partir do pentatéutico kardequiano.

Minhas homenagens ao Mestre Joca Leiros que, dos caminhos e veredas de Macaíba, passou a caminhar sob as estrelas e pelas

Estradas do etéreo, onde caminham os anjos e arcanjos da Paz e do Amor de DEUS.

Fonte:

Aristéia, fonte de vida e experiência

Por: Wescley Rodrigues
João de Sousa, Lili, Wescley e Aristéia

Fiquei surpreso quando, na tarde do dia 28 de janeiro, abri o email enviado pelo amigo e pesquisador João de Sousa Lima, comunicando o falecimento da ex-cangaceira Aristéia. Logo me veio a memória o início do mês de junho de 2011, quando tive a oportunidade de conhecer aquela mulher de uma grandeza e força inquestionável, e a fragilidade de uma menina no auge dos seus 98 anos. Essa é uma boa lembrança que Fortaleza me deixou como marca indelével.

Não sei ao certo distinguir os sentimentos que se misturavam e imbricavam naquele momento, apesar da experiência enquanto historiador, as teorias a respeito das fontes e documentos, eu via naquela mulher mais do que uma ex-cangaceira, mais do que uma fonte para compreender o fascinante e complexo mundo do cangaço.

Como nos lembra o filósofo Walter Benjamin, aquela era uma fonte de experiência, um livro que nunca será escrito devido a sua complexidade, um livro que nunca será lido e compreendido no seu todo devido a sua profundidade. Temos que nos contentar, enquanto historiadores, curiosos, pesquisadores e estudiosos do cangaço, com os pequenos vestígios que vão sendo deixados, haja vista a vida humana ser muito mais do que podemos entendê-la e condensá-la em palavras.


As experiências vivenciadas por Aristéia naquele meio áspero do cangaço, que ela fazia questão, inúmeras vezes, de salientar que aquela era uma “vida de cão”, sofrimento, que não guardava nenhuma saudade daqueles tempos idos, infelizmente morreu junto com ela. Mais uma fonte de história e vida se esgotou, resta-nos satisfazer-nos com os seus depoimentos, em linguagem simples, por vezes tímida, pragmática, mas com uma riqueza inquestionável. Alguns pesquisadores questionam a importância daquela mulher para o cangaço, haja vista não ter tido uma participação efetiva no meio do bando e ter passado pouco tempo no conviveu dos cangaceiros, relegando-a a um patamar inferior. No entanto, sempre questionei essa visão, pois, como nos é ensinado nos bancos acadêmicos, não podemos hierarquizar fontes, fontes são fontes, cada uma com suas peculiaridades, limitações e riquezas.

O grande valor daquela mulher foi, sem sombra de dúvidas, a sua experiência. Talvez muitos pesquisadores não davam-lhe grande crédito porque ela não dizia o que nós queríamos escutar, ela não fazia apologia ao cangaço, revestindo-o com as vestes do heroísmo, mas não cansava de afirmar a miséria daquela vida, o quanto aquilo era ruim, depoimento que acaba convergindo para o que afirmavam as ex-cangaceiras Sila e Adília.
Durante as mais de duas horas que passei conversando com dona Aristéia no quarto daquele hotel, entre risos, lágrimas, raiva e dor, pude beber daquela fonte, deleitar-me com tanta sabedoria advinda daquela mulher já marcada pelo tempo, com o corpo frágil e as rugas que dava-nos a dimensão do tempo vivido por ela e da credibilidade de suas palavras.

Lembrava com saudade das comidas do cangaço, talvez única lembrança boa guardada na sua memória referente ao tempo de bandoleira, de como os cangaceiros cozinhavam bem. Revirando os escombros da sua memória trazia a tona o cheiro dos perfumes usados sob aquele sol escaldante das caatingas sertanejas. Parecia está novamente tendo em mãos aqueles frascos com odores de um passado remoto. Eis a riqueza da memória, primeira guardiã da história, primeira forma de história, sem rigidez de método, técnica, rigor acadêmico, mas sim seguindo as suas próprias nuanças, as do tempo vivido, das experiências. Resta-nos apenas a lembrança daquela mulher e a alegria de um dia ter os nossos caminhos se cruzado. Que o repouso eterno possa trazer-te a paz que tanto almejavas, sem dores, sofrimento e perseguição. Fica a saudade!

Prof. Ms. Wescley Rodrigues 
Sousa -PB

Extraído do Cariri Cangaço


Documento - 17 de agosto de 1929

Por: Rubens Antonio

O estudo de fontes documentais é básico, para os que contemplam a história. Aqui, um exemplo de documento relacionado ao Cangaço.

De Bomfim, 10-12 de Março de 1929. 

Dr. Madureira de Pinho Chefe Policia Bahia. Confirmando telegramma dirigi hontem vossencia foram presos João Agostinho Silva conhecido Nonato e irmão Saturnino Roberto da Silva vulgo Juca, o primeiro na fazenda Morro Branco, pelo Sargento Flavio, o segundo em Carrapichel, pelo 1o Sargento Octacilio Alves Senna, os quaes estão aqui presos pt Estes individuos são os mesmo conhecidos como gente de 


Lampeão que anno passado ordenado vossencia apresentei-os com tres Irmão delegado regional Petrolina donde fugiram pt. Baldados cerco casa e batidas Matto Catuny para captura bandido criminoso Faustino ou Fausto Gomes, vulgo Banzé, informando mulher mesmo elle e filhos apareceram e voltaram logo dizendo virem pegar em armas pt. Este vcriminoso é pae bandido Hortencio Silva, 


vulgo arvoredo, pertencente grupo Lampeão e meu conhecimento por José Lima, em Jaguarary, quando anno passad alli estive, continúo xxx em outras observações. Saudações. (a) Capitão José Galdino

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Como citar

Extraído do blog: "Cangaço na Bahia", do professor Rubens Antonio


GECC Informa: Cangaceiros em Mostra Internacional


Os Últimos Cangaceiros, mais recente longa-metragem do cineasta cearense Wolney Oliveira, foi selecionado para mais duas mostras internacionais : o 27º Festival Internacional de Cinema em Guadalajara, México, que acontece de 2 a 10 de março e para a Mostra Panorama do 24º Cinélatino , do 24º Festival de Cinema Latino-americano de Toulouse, na França. O evento se realiza de 23 de março a 1º de abril.

O FILME já conta com três prêmios, entre eles o Terceiro Coral de Melhor Documentário do 33º Festival Internacional do Cinema Latino-americano, de Havana, e já tem distribuição garantida pela empresa Imovision, de São Paulo. Será lançado nacionalmente a outubro de 2012.

FONTE: Coluna de Sonia Pinheiro do Jornal O Povo de 06/02/2012.

Ângelo Osmiro
Presidente do GECC

Extraído do Cariri Cangaço

A Cangaceira Basé

Por: Rubens Antonio

18 de maio de 1935, no “Diario de Noticias”:


No rosario de crimes e destruição, uma historia de amor...

Cangaceira Otilia Teixeira Lima:
– Tive a sorte de travar relações com “Basé”, e então a vida melhorou para mim.
Diário de Notícias:
– E quem é esse “Basé”? – indagamos.
Cangaceira Otilia Teixeira Lima:
– Esse, não! “Basé” é a mulher de Lampeão. O nome della é Maria, mas todos a chamamos Basé.

De bom coração...

Cangaceira Otilia Teixeira Lima:
– É uma moça bôa e de bom coração – continúa. Morena clara, cabelos castanhos, estatura média. Era casada com José de Manguinhos e residia nas mattas da Caiçára. Um dia, Lampeão passou por lá, engraçou–se della e carregou–a com elle. “Basé” é muito bonita. Vive sempre a brigar com Lampeão, quando este não quer submetter aos seus conselhos. Diz que uma hora destas vai se entregar á policia.

Diário de Notícias:
– E Lampeão vai tambem para a frente?
Cangaceira Anna Maria da Conceição:
– Sim, senhor. Lampeão é uma féra. Não tem mêdo de nada. É o primeiro que atira e vai na frente. Quando eu entrei no bando, Lampeão estava com duas marcas de bala. Uma, no pé, e outra no braço. Foi nessa occasião que “Gato” foi ferido tambem... “Basé”, sua madrinha, foi quem o curou. Tambem, se não fósse ella...

* Parte da matéria do dia, colocada aqui à parte, em função da referência que contém.

Para utilizar as matérias deste blog, atentar para:


Extraído do blog "Cangaço na Bahia" 
do professor Rubens Antonio

Invasão de Lampião teria fundo político, diz pesquisador



Para o advogado e escritor Honório de Medeiros, a invasão do bando de Lampião a Mossoró no dia 13 de junho de 1927, não teve apenas uma motivação financeira.


Ele abre um novo viés de discussão sobre o assunto, 80 anos depois do episódio.

Em palestra que proferiu hoje pela manhã no Teatro Lauro Monte Filho em Mossoró, Honório afirmou que há fortes indícios apontando para motivação política no fato.


Os cangaceiros estariam a serviço de opositores de Rodolfo Fernandes, herói da resistência. O objetivo primordial era matá-lo, tanto que a estratégia de combate foi toda centrada no cerco à casa do prefeito, em vez – por exemplo – da agência do Banco do Brasil, arguiu o palestrante.

"A verdadeira história da invasão não foi contada", afirmou. Ele participou do X Fórum do Congresso da Sociedade Brasileiro de Estudos do Cangaço (SBEC).

Publicado em 2007, no blog:
"Coluna do Herzog"

LUIZ EDUARDO COSTA E SUA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO (Artigo)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

LUIZ EDUARDO COSTA E SUA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO


Nosso querido e saudoso Jorge Amado, num de seus romances cuida exatamente da escolha dos literatos para integrar a Academia Brasileira de Letras. Assim, em “Farda, Fardão, Camisola de Dormir”, o escritor tece uma irônica crítica às maracutaias e conchavos vergonhosos na escolha daquele que deve ocupar a cadeira de imortal.

Escritor sem ter escrito nada, gente que se eleva à glória de literato através da encomenda de textos, rabugentos que deveriam se contentar com a insignificância de suas rimas pobres ou de seus discursos mesmistas, tudo isso é retratado no universo amadiano. Algo assim extremamente parecido com a Academia Sergipana de Letras.

Nos seus túmulos revirariam os grandes nomes da verdadeira literatura, das letras jurídicas, da melhor poesia. E isto diante da vergonhosa opção em deliberadamente rasgar seus estatutos; desconhecer o que seja ser escritor e literatura; a nata da intelectualidade; e fazer daquele prédio outrora tão respeitado, uma vergonhosa teia política, de apadrinhamento e acolhimento de qualquer um, principalmente que não seja escritor e nem tenha qualificação alguma para a imortalidade literária.

É vergonhoso que a Academia Sergipana de Letras mais recentemente se paute pelo acolhimento de tanta insignificância no mundo das letras. Urge lembrar que a Academia é de letras e não de compadrio. Lamentável demais para uma casa onde já tiveram assento Antonio Garcia Rosa, Hermes Fontes e Ranulfo Prata, dentre outros de ilustre memória. E que dirá dos patronos Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Ivo do Prado, Gumercindo Bessa!

Talvez recebendo os maus exemplos da Academia Brasileira de Letras, que também se transformou numa palhaçada para receber os Maribondos de Fogo da vida e os Mervais sem história, fardões que lamentavelmente se confundem com as galhardias palacianas. Collor de Mello também já foi imortalizado na Academia Alagoana de Letras. Dizer mais o que?

Seguindo esses maus exemplos, nossa Academia há muito deixou de refletir a intelectualidade, o cerne da mais lídima cultura sergipana e o respeito pela criatividade literária e pela pesquisa, para ser alçada ao panteão de qualquer um. Assim, qualquer um ex-deputado, ex-governador ou pseudo-literato que tenha influência no metiê, basta mandar imprimir seus discursos feitos por outros, seus poemas de rima quebrada ou qualquer insignificante brochura que ainda assim terá escolha unânime.

E agora me vem o jornalista, secretário de Estado e também imortal, Luiz Eduardo Costa, anunciando numa notinha de canto na sua página dominical do Jornal do Dia (5/6 de fevereiro de 2012), que com a morte de Seixas Dória já se ventila a possibilidade de que o nome do governador Marcelo Déda seja indicado para concorrer à vaga aberta. Igual Tribunal de Contas ou de Justiça, lá também se dará por indicação, aclamação geral, numa vergonhosa bajulação.

E diz o imortal jornalista: “Há um forte movimento entre os membros da Academia Sergipana de Letras para convencer Marcelo Déda a ser o substituto de Seixas. Alegam que só um grande tribuno, intelectual, partícipe dos mesmos sonhos e também governador, estaria credenciado a sentar na cadeira que foi de Seixas”. Fala-se então em convencer o homem, não precisando nem ser votado, e porque o mesmo é tribuno, intelectual e governador. Absurdo dos absurdos. Igualzinho a Collor que já foi até presidente.

Não tenho certeza, meu caro Luiz Eduardo Costa, mas creio que a produção literária do Senhor Marcelo Déda deve ser mínima, principalmente enquanto poeta, trazendo os resquícios ainda das tantas lutas estudantis onde esboçava sonhos em letras apressadas. Mas somente isso, a não ser que pretendam ver na sua oratória espontânea palavras tão grandiosas que cimentam no espaço. Talvez também estejam lendo os seus discursos enquanto parlamentar e governador e vendo ali um verdadeiro Cícero.

Por causa disso, por essas escolhas políticas que se faz até mesmo na Academia, é que a cultura e a literatura sergipanas não alcançam o prestígio que deveriam merecidamente ter. Ora, os bons e verdadeiros escritores não são reconhecidos nem valorizados, os pesquisadores se esmeram em codificar verdades essenciais apenas para o desconhecimento, para tudo ser relegado ao plano do esquecimento.

Tem gente imortalizada com um livreto da gráfica do senado, outro com um caderno que diz ser de poesia, e já outro sem jamais ter escrito uma linha sequer na vida. Verdade é que a Academia Sergipana de Letras acolhe com honrarias gente desse quilate, sem qualquer qualificação cultural ou literária. E tudo porque há safadeza, maracutaia braba, processo eleitoral criticado (que o diga Mellins), suspeitas de toda ordem na indicação e escolha daqueles que tenham força política.

Politicamente tenho tudo contra o Senhor Marcelo Déda, mas até que gostaria de resenhar alguma obra sua, ler algumas páginas de sua profícua inteligência. Dizer o que, em comparação à obra literária de Seixas Dória? “Eu, réu sem crime”, por exemplo, ou os cadernos vermelhos de um petista sem cor?

Não se compara o que não existe, mas nesse fosso de separação é que pode ser avistada a vergonhosa opção que poderá recair sobre os acadêmicos. Mas há que se observar que a maioria dos que estão ali não pode nem levantar qualquer crítica, vez que alcançou a imortalidade dentro do mesmo vergonhoso processo. É o compadrio, o apadrinhamento, a indecência vestida de fardão e tecendo suas conveniências por debaixo do pano.

Monsenhor Fernandes da Silveira, Manuel Luiz, Jackson Figueiredo, Gilberto Amado, Artur Fortes, Costa Filho, Monsenhor Carlos Costa, Clodomir Silva, Helvécio de Andrade, Hermes Fontes, Oliveira Teles, D. Mário Vilas Boas, Pires Wynne, Alfeu Rosas, Maurício Cardoso, João Passos Cabral, Orlando Dantas, Silvério Fontes, Prado Sampaio, Julio Albuquerque, Carvalho Neto, Florentino Menezes, Gervásio Prata.Vocês não mereciam isso, juro que não mereciam.


Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com