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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sabino Cangaceiro: quem era o homem que atacou Cajazeiras?


Sabino Gomes de Góis, alusivamente conhecido com “Sabino das Abóboras” nasceu na Fazenda Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada/PE, próximo a fronteira com a Paraíba pertencente ao respeitado coronel Marçal Florentino Diniz pai de Marcolino Pereira Diniz. No local eram criadas grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. Também existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.

Sabino era filho da união não oficial entre o coronel Marçal Florentino Diniz e uma cozinheira da propriedade. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região. Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na circunvizinhança da fazenda Abóbora.

Para alguns estudiosos do cangaço teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz. E que amizade entre o “Lampião” e o filho bastardo de Maçal Diniz, teria nascida na Fazenda Abóbora e se consolidado a ponto deste último se juntar ao “Rei do Cangaço” e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927. Asseguram também que a inserção de Sabino no cangaço se deu em razão do assassinato de um primo legitimo seu de nome Josino Paulo surdo-mudo, morto por Clementino Quelé - conhecido por tamanduá vermelho, nas pilhérias do cangaço.

Entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras. Marcolino Pereira Diniz desfrutava de muito prestígio político. Era presidente de clube social, dono de uma casa comercial e do jornal “O Rebate”. Tinha franca convivência com a elite cajazeirense. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região.

Foi através do Cel. Marcolino, que Sabino trouxe para residir na cidade sua mãe Maria Paula - carinhosamente chamada pelas pessoas de Vó e suas quatros filhas:  Geni, Alaíde - Nazinha e Maria de Lourdes - Delouza.

Poucos cangaceiros foram tão cultivados, fora o chefe Lampião, do que Sabino Gomes, cuja presença no cangaço a cultura popular se encarregou de perpetuar, a exemplo da trova divulgada pelas banda do sertão, a qual dizia: "lá vem Sabino mais Lampião, Chapéu quebrado, fuzil na mão".

Fontes: blog Cajazeiras de Amor

Manoel Duarte - Combateu Lampião em Mossoró


Manoel Duarte foi apontado como o autor do disparo que alvejou Colchete.

Raul Fernandes conta como tudo aconteceu: "O facínora de "corpo fechado" se levantou para o temerário lance. Com a cabeça à mostra, olhava para a trincheira, através das grades ornamentais de madeira, do muro baixo da casa da esquina. Sem perceber, tornara-se excelente alvo aos olhos do atirador alcanforado, em posição excepcional de tiro. Manoel  Duarte, que no início da luta atirava contra 


Sabino, era calmo e famoso na pontaria. Não podia desperdiçar as 15 balas do bornal, sua munição. Apontou a arma e fez fogo. Dessa vez, o resultado foi diferente. Colchete, com o impacto, é lançado a quase dois metros de distância. O projétil lhe fez horrível estrago na face, arrebentando-lhe a cabeça. Estava foro de combate".

Em depoimento a um de seus netos, Carlos Alberto Duarte, anos depois, Manoel confirmou ter acertado Colchete na cabeça e baleado Jararaca na perna, quando este tentava despojar o companheiro morto.

Extraído do livro
: "Nas Garras de Lampião"
Autor: Raimundo Soares de Brito

Ano de publicação: 2006
Cedido gentilmente pelo poeta e  pesquisador do cangaço:
Kydelmir Dantas

Delmiro Gouveia - Um dos maiores empreendedores do Brasil


O cearense Delmiro Gouveia foi um homem muito à frente do seu tempo. Com ideias revolucionárias criou a primeira hidrelétrica do País. O "Rei do Couro", um dos maiores empreendedores do Brasil é um grande cearense de Ipú.

"Foi o grande Delmiro Gouveia/ que evangelizou o sertão/ que matava a fome alheia/ abrindo as portas à redenção". (Virgílio Gonçalves de Freitas)

Delmiro nasceu no município de Ipu, em 1863. Partiu para Pernambuco por volta de 1872 com a mãe, órfão de pai. Passou de mascate no ramo de peles para "Rei do Couro", exportando peles de bode para a moda de Nova Iorque um século antes de se ouvir falar por aqui no tal do mundo "fashion". Estabeleceu-se como comerciante em Recife e abriu Casa Delmiro Gouveia & Cia.   Em Recife, criou o primeiro Shopping Center do Brasil, o Derby. Fugiu com a filha do Governador de Pernambuco e ganhou neste um inimigo. Perseguido em Pernambuco partiu para as Alagoas, neste Estado se estabeleceu, adquiriu ainda mais prestígio e prosperidade. 

Em viagem para a Europa conheceu a Revolução Industrial. A experiência o fez voltar ao Brasil, em 1910, com a idéia de uma hidrelétrica. A idéia transformou-se na hidrelétrica de Paulo Afonso.  Seu espírito empreendedorista foi além e trouxe ao nordeste brasileiro, cinema, estradas, escolas e toda uma cidade (Delmiro Gouveia - AL). Entre seus negócios, Delmiro Gouveia contabiliza a abertura das linhas Estrela, chegando a produzir 20 mil carretéis por dia e exportando para países como Chile, Argentina e Peru. Delmiro Gouveia foi assassinado em 1917 e até hoje não se conhecem os detalhes desse fato.


Prêmio Delmiro Gouveia

O Prêmio Delmiro Gouveia tem o objetivo de reconhecer as Maiores e Melhores Empresas do Ceará, tanto no desempenho econômico-financeiro quanto no desempenho social, atribuindo assim o destaque necessário para as empresas do estado do Ceará.

DELMIRO GOUVEIA


Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu no dia 05 de junho de 1863, na fazenda Boa Vista (município de Ipu, na serra da Ibiapaba). Filho da paixão e do acaso. Pois o coronel Delmiro de Farias (nome de uma rua que se inicia no bairro Jardim América e chega ao Rodolfo Teófilo), casado e pai de cinco filhos, raptou a jovem pernambucana Leonilda Flora da Cruz Gouveia. Apaixonou-se por ela quando viajou a Recife, a negócios. 

Delmiro Gouveia perdeu o pai na Guerra do Paraguai, em 1867. Dele, herdou a personalidade forte, a coragem e os arroubos da juventude. “Em uma das festas que promoveu, ele se apaixonou por uma condessa italiana. Chegou a passar meses na Itália... Em Alagoas, mantinha duas residências: numa, ficava a irmã e os filhos. No chalé, fora do cercado (região onde estava a cidade), teve muitas mulheres e muitas amantes”, conta Edvaldo Nascimento, da Fundação Delmiro Gouveia (Alagoas).

Após a morte do pai, Delmiro e a mãe escaparam em Pernambuco. Migraram do interior para a capital até o rapaz se estabelecer no ramo de peles. Por essa época, 1883, casou-se com Anunciada Cândida de Melo Falcão (o casal se separou em 1901). O mascate era intermediário entre os produtores do sertão e os comerciantes estrangeiros de Recife. Em 1896, já era proprietário da Casa Delmiro Gouveia & Cia. A sociedade com a L.H. Rossbch, de Nova Iorque, rendeu-lhe o título de Rei das Peles.

Nesse período, Virgulino Ferreira (antes de se tornar o cangaceiro Lampião) foi almocreve de Delmiro. Ele carregava as mulas, pra lá e pra cá, fazendo o 
transporte das peles. Era o início do século XX, e Delmiro seguia a sina do pai: fugiu com a adolescente Carmela Eulina do Amaral Gusmão para Vila da Pedra (Alagoas). Um povoado, como situa Edvaldo Nascimento, na margem do Rio São Francisco, a cem quilômetros de Canudos, a 60 de Angicos e a 150 da terra de Graciliano Ramos.

Em Pedra, Delmiro Gouveia continuou a lida com as peles até viajar à Europa e conhecer a revolução industrial. Do outro lado do mar, trouxe a idéia da hidrelétrica (1910).

"O Povo", 21/10/2007:
http://www.opovo.com.br/opovo/economia/738420.html

CARTA AO FILHO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

                                                      
Desde que acordou abrindo o bico do galo e fez sua primeira oração, a mulher trouxe a imagem do filho ao pensamento. Há muito tempo que não sentia tanta saudade, que não pensava nele daquele jeito.

Saudade de mãe é dor, aflição, angústia, vontade de virar passarinho e se danar pelo mundo para saber como vai sua cria. E isto porque não vem só a recordação, mas também um certo temor que somente mãe conhece a gastura que dá por dentro e faz doer bem no coração.

Depois da prece pedindo por ele, pela sua sorte na vida e um breve retorno aos braços da família, começou os afazeres matinais. Ralou o milho com o filho no pensamento. Como ele gostava do cheiro e do sabor do cuscuz caseiro. Pisou café no pilão e era como se o seu menino estivesse gritando com uma xícara na mão e perguntando se já estava no ponto.

E a cada pensamento, a cada recordação, um desespero medonho tomando conta de tudo. Olhou o retrato dele na parede para ver se passava, lembrou momentos felizes, fez de tudo para manter o espírito calmo e confortado pela ausência. Mas não tinha jeito. E chorou. Que belamente melancólico é choro de mãe!

Foi enxugar as lágrimas precisamente numa roupa dele. Levantou a camisa e era como se o avistasse dentro dela ali adiante. Mas logo ele volta, não vai demorar muito e a porta vai se abrir para o sorriso, o abraço, o ficar no seu ninho. Pensava enquanto abria gavetas procurando papel de carta e caneta.

Todo aquele pensamente despertou uma vontade danada de escrever uma cartinha, coisa simples, dizendo da saudade que sentia a cada segundo, da falta que ele fazia a todos e da esperança que pudesse voltar sem demora.

Não sabia se o coração ia suportar de tanta alegria e felicidade, mas que prometia um caldeirão de doce de leite com bola, um bolo de macaxeira e uma buchada de bode, bem daquelas com tudo dentro que ele tanto gostava.

A ideia era escrever tudo isso, mas a mão trêmula ganhou vida própria, assenhorou-se do coração de mãe e rabiscou entre lágrimas:

“José, como vai meu filho?
É sua mãe Rosa Maria que lhe escreve pra primeiro dar um abraço e um beijo e depois dizer da imensa saudade que estou sentido. Entra dia e sai dia e eu não consigo esquecer o meu menino um só minuto. Desde que você saiu por aquela porta dizendo que tinha uma sina a cumprir noutro lugar, que não tenho tido mais felicidade na vida.

Se seu pai continuasse com a gente talvez fosse um pouco diferente. Mas a gente sabe que a mão de Deus levou ele pra bom lugar. Sem ele aqui você ficou sendo o homem da família. Tanto pedi e implorei, mas você sempre dizendo desse destino fora daqui e acabou indo. Foi, mas disse que ia voltar. O tempo tá passando, meu filho, e nada de você chegar pra molhar e depois enxugar de vez esses olhos sofridos de sua pobre mãe.

Mandei pintar a casa de branco com rodapé azul esperando você chegar. Ajeitei o seu quarto também, mudei a cama de lugar e comprei um guarda-roupa novo. A roupa que você deixou tá toda guardada lá. Tudo seu tá arrumadinho como deixou.

Me perdoe, meu filho, mas enquanto eu desarrumava o guarda-roupa velho acabei achando um bilhetinho que você acabou escondendo e esqueceu por lá. Li sem querer e até chorei de felicidade pelo que vi. É verdade mesmo que você gosta de Aninha? Gosto tanto dela, acho ela tão bonita, tão fina e educada, uma pessoa decente.

Se isso servir pra alegrar seu coração vou dizer. Nunca vi Aninha namorando com ninguém. O que a bichinha faz é vim aqui todo santo dia perguntar quando você vai chegar. Quando digo que não sei sinto no rosto dela uma tristeza danada. Não duvido meu filho que a mocinha tá apaixonada. E isso a gente logo vê nos olhos tristes dela quando recebe a resposta. Faça ela sofrer não, meu filho. Se você também gosta tanto só basta que arrume a mala e venha encontrar a mulher de sua vida. O seu quarto bem que cabe dois.

Mas tudo que disse sempre fica na vontade de Deus. Por isso mesmo me despeço sem falar no que está aqui lhe esperando quando chegar. Vai ser surpresa, mas antecipo que é coisa que vai gostar muito.

Agora de coração mais aliviado vou fazer minhas coisas. Essa hora e já tem gente batendo na porta e já ouço a voz de Aninha. É ela mesma que mais uma vez vem saber de você. Tudo depende de Deus, mas o amor e a felicidade também cabem a vocês.
Com um beijo e um abraço me despeço.
De sua mãe Rosa Maria”.

Ah, se a gente soubesse o que acontecerá amanhã, e depois e depois...


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Negrume (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa* 


Negrume


Pois sim
ainda que veja o meu sorriso
direi do espelho que carrego
na face que tanto disfarça
e da cortina falsa por cima
desse corpo que não é mais
direi do branco o negro
e do azul escuro o sem cor
do que acham que ainda sinto
tudo que seja menos amor

não posso negar a ninguém
o que doloroso me nego
não posso ser o que pensam
se sei que já sou aquele não
que não se alegra com a manhã
não sente as horas nem os dias
que pinta outra cor no entardecer
que espera a noite logo chegar
para abrir as portas e chamar
a lágrima e a dor que merecer.



Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O cangaceiro Bronzeado

(Foto J. Octávio)

Manoel Ferreira, vulgo Bronzeado, era natural de Lavras, no Estado do Ceará. Era  membro do grupo de cangaceiros do facínora 

Massilon Benevides

Massilon  Benevides ou Leite, e que participou da invasão da cidade de Apodi, no Rio Grande do Norte, em 10 de maio de 1927.

Isaías Arruda

Era cabra do coronel Isaías Arruda, que era chefe de Missão Velha-CE, o protetor de Lampião", diz a fonte consultada.

Lampião

Bronzeado foi preso no município de Martins, no Rio Grande do Norte. Após desorientar-se e perder-se do bando foi capturado e transportado para Mossoró, quando foi justiçado, juntamente com outros prisioneiros, a caminho de Natal em Junho de 1927.

O cangaceiro Mormaço

A exemplo do companheiro Francisco Ramos de Almeida - Mormaço, Bronzeado também deu importantes depoimentos nos interrogatórios que foi submetido.

Fonte pesquisada:

"Nas Garras de  Lampião"
Autor: Raimundo Soares de Brito
Pág: 112
Ano de publicação: 2006

Cedido gentilmente pelo pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Imagens Espetaculares, MUITO BOMM - Parte II

9. Duas vezes ao ano, no Golfo  do  México, as arraias migram. Aproximadamente 10 mil  arraias nadam da Península de Yucatan para a Flórida na primavera e retornam no outono.


10. O maior congestionamento registrado no mundo, foi na China, com 260 quilômetros! (isso porque a pesquisa não foi feita em São Paulo...)


11. Na cidade de Buford (EUA), fora registrado apenas 1 habitante. Ele era o Prefeito!


12. Um  paraíso perdido no oceano Índico. Esta é a ilha de Lamu!


13. Foto de um tornado em Montana (EUA), em 2010. (eu não queria estar no barquinho...)

14. A Pororoca da Dinamarca - Na cidade turística de Skagen, você pode assistir a um fenômeno natural surpreendente. Esta cidade é o ponto mais setentrional da Dinamarca, onde o Mar Báltico e o Mar do  Norte se encontram. As duas marés opostas neste lugar não podem se mesclar, porque eles têm densidades diferentes.


15. Para não atrapalhar a paisagem - A estátua, criada por Bruno Catalano, está localizada na França.


16. Loja de informática em Paris. Na verdade, o piso é completamente plano.

CONTINUA...

Enviado por Neto Silva - do blog do Neto

Cinco anos sem Marinês

 
Inês Caetano de Oliveira nasceu na cidade de São Vicente Férrer no interior de Pernambuco. Ainda criança ela veio morar com os pais em Campina Grande, onde despontou para a música. As primeiras tentativas para se tornar uma cantora do rádio começaram no final da década de 1950, participando de concursos de calouros em um serviço de alto falantes do bairro da Liberdade.

Mas a primeira grande oportunidade veio através da rádio Cariri quando ela participou de um programa de calouros concorrendo com Genival Lacerda e os dois ficaram em primeiro lugar. Para participar desse concurso ela teve que mudar o nome para que os pais não soubessem que ela estava cantando no rádio (naqueles tempos a profissão de cantora não era bem vista). Foi quando surgiu Marinês.

 
No ambiente do rádio ela conheceu o sanfoneiro Abdias, com quem casou e formou um grupo de forró para tocar pelo nordeste.

Nestas andanças o grupo conheceu o rei do baião Luiz Gonzaga, que ficou encantado com o talento dela e decidiu apadrinhar o grupo. Com a proteção de Gonzaga eles chegaram no Rio de Janeiro, onde Marinês gravou os primeiros sucessos, e apresentou - juntamente com Abdias - um programa semanal de forró na Tv Tupi. O programa foi batizado por Chacrinha como “Marinês e sua gente”.

 
Do rádio para o disco, do disco para a tv, da tv para o cinema. Em 1957 Marinês foi convidada pelo diretor estreante Roberto Farias para participar do filme “Rico ri a toa”. Depois ela faria mais um filme com o mesmo diretor.

Com dezenas de discos gravados Marinês foi o primeiro grande nome da música regional nordestina a fazer sucesso em todo país, influenciando outras cantoras que surgiram depois dela, como é o caso da paraibana Elba Ramalho.

Vivendo boa parte da vida dela no Rio de Janeiro, a cantora nunca esqueceu Campina Grande (que ela considerava como sua verdadeira terra natal) e nos últimos anos antes de morrer viveu aqui na cidade.

Marinês morreu no dia 14 de maio de 2007 na cidade de Exú, pernambuco , vitimada por um AVC. Ela deixou dois filhos, Marquinhos – maestro, compositor e produtor musical - e Celso - produtor de eventos. O corpo da cantora está enterrado no cemitério Campo da Paz, em Campina Grande.

Missa em sufrágio da alma de Padre Cícero mudará de local neste domingo - Por Demontier Tenório


A tradicional missa do dia 20 em sufrágio da alma de Padre Cícero vai mudar de local neste domingo por conta do fechamento do adro da Capela do Socorro, onde estão sepultados os restos mortais do sacerdote. É que há alguns dias o local transformou-se em um canteiro de obras do Projeto Roteiro da Fé, mas os fiéis poderão cumprir o ritual posterior de depositar flores no túmulo do “Padim”, segundo garantiu o Secretário de Turismo e Romarias José Carlos dos Santos.

Para evitar acidentes e incidentes, o prefeito Dr. Santana determinou a montagem de um altar nas imediações da portaria da SETUR na parte detrás do Memorial Padre Cícero. Assim, a multidão vai se concentrar na Praça Senador Carlos Jereissati, ao lado do Grupo Padre Cícero, e nas ruas Leandro Bezerra e Monsenhor Juviniano Barreto. A liturgia será presidida pelo Bispo Diocesano, dom Fernando Panico na quinta celebração do ano.

O prefeito garantiu ainda que a transmissão em rede nacional está garantida após contatos com a Bulhões Produções. Uma equipe técnica já esteve visitando o local nesta quarta-feira para evitar contratempos. A celebração do mês de junho será no mesmo local já que, de acordo com Dr. Santana, a Construtora Borges Carneiro tenciona entrega a nova Praça do Socorro e o Complexo Memorial Padre Cícero antes do dia 20 de julho quando Juazeiro estará vivenciando as festividades de encerramento do ano centenário.

Postado por BETO FERNANDES

MEMÓRIA DAS ÁGUAS (Crônica)

  Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa


O riachinho tem um nome, uma história, uma vida. Uns chamam de rio Jacaré, outros de riacho Jacaré, mas prefiro o apelido de riachinho, pois foi assim que cresci nas suas margens, nas suas vizinhanças, acostumado a viver o seu percurso em épocas de cheias e também sofrer com a visão do seu leito vazio e feio. Menino sapeca, traquina, ali me fiz criança sertaneja encantada com as águas e vivi os melhores anos de minha infância.

Se o Tejo é rio mais belo porque é o rio que passa pela aldeia de Fernando Pessoa, o Jacaré é também o mais belo porque é o riachinho que passa pela minha aldeia de Nossa Senhora de Poço Redondo, onde nasci lá nas lonjuras áridas e secas do mais ensolarado sertão sergipano. Um município de sequidão infindável, sofrido demais, ainda que às margens do Velho Chico.

Mesmo sendo afluente do São Francisco, o riachinho que passa pela minha aldeia é quase sempre encontrado seco, fenômeno que pode permanecer durante anos seguidos. Como consequência, por muito tempo pode ser visto sem um filete sequer de água correndo, pois cheia em riacho sertanejo só mesmo quando chove lá pelas cabeceiras. E por estar numa região marcadamente seca, com estiagens que sempre avançam os dois anos, fica até difícil imaginar quando ocorrerá uma enchente.

Ensolarado como é, num esturricamento até dizer chega, com tanque e barreiro enlameados, maior sequidão ainda no seu leito, que só vê água quando chove muito mais adiante, na sua nascente. Aí sim, chegam as enchentes, enxurradas fruto das trovoadas, mas que infelizmente não dura muito para tudo ir empoçando novamente, secando, sumindo toda água acumulada.

Mas quando as águas vão chegando é uma festa, uma barulhada diferente de cortar coração, um cenário de vida vencendo a morte, acontecimento difícil de ser descrito. Primeiro as águas surgem mansinhas, sonsas, como quem não quer nada, para ir, aos poucos, ganhando força e largueza, já trazendo por cima tudo que é encontrado, arrastando pedaços de paus, galhagens, cercados, ossadas de animais mortos, objetos desconhecidos.

E se torna feito serpente arisca, apressada, cortando caminho nas curvas sertanejas. A cobra grande, sinuosa, bonita, misteriosa nas águas barrentas, deixando sobressair as pedras grandes e os galhos mais altos das árvores fortes e troncudas. Ao anoitecer se ouve o murmurejo encantado, as vozes dos animais que insistem em não adormecer, as pedras falando entre si, os negos-d’água fazendo festim.

Dias após, contudo, aos poucos vai se transformando em serpente ressequida, fininha, desfalecida, até se contentar em ser um veio inexpressivo, quase parado, quase sem vida. E no passo, na manhã do dia seguinte, já uma pequena acumulação de água aqui e ali, útil somente para o banho dos bichos e o passeio dos seres noturnos. E o que era festança aos olhos, conforto ao coração sertanejo, vai retomado seu lugar de entristecimento e desolação.

Mas há explicações para a passagem e sumiço tão rápido das águas do riachinho. No leito seco, sujo, sem a quantidade de pedras de antes, sem as areias grossas que chupavam as águas e permitiam a formação de poços mais tarde, se acumulam ainda restos de árvores mortas e lixo jogado pelos próprios moradores das proximidades.

Como não bastasse tal imundície, muitos se acham no direito de utilizar o local para fazer chiqueiros de porcos e encher ainda mais o leito de porcaria. Fazem isso sabendo que quando as águas chegam velozes não gritam antes pedindo para que saiam da frente. Mesmo que o leito não tenha sido diminuído pelo acúmulo de lixo, as margens praticamente não existem mais. As árvores que formavam fronteira entre as águas e arredores não existem mais, estando tudo transformado em barranco liso e sem proteção alguma.

Depois de três anos ou mais sem água suficiente para correr por ali, o riachinho vive num estado dramático, feio, entristecido, emporcalhado, nem de longe parecendo com a festa das águas velozes correndo. E mesmo que as trovoadas caíam fortes nas cabeceiras, as enchentes não são mais como antes. São mais velozes e perigosas, mais destruidoras porque correm como se fossem num largo esgoto.

E toda essa visão é triste demais ao coração de quem cresceu ali sonhando em chegar o dia - dois dias depois das águas passarem limpando tudo – do subir na pedra e se jogar de braços abertos no leito caudaloso do riachinho que passa pela minha aldeia.  


Poeta e cronista
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Coisas que sei (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*


Coisas que sei


Sei da tarde
pela janela aberta
pela folha passando
uma lágrima descoberta

sei do entardecer
pelo horizonte vermelho
pela tristeza infinita
pelo choro no espelho

sei do anoitecer
pela alma em agonia
pela vida escurecida
noite sem outro dia

sei do amanhã
pela carta que chegou
sem jamais ter sido aberta
porque aqui não estou.



Poeta e cronista
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Noite de Gala para Napoleão Tavares Neves

Napoleão Tavares Neves ao lado de Diana Lopes e Professor Pereira

Hoje temos a satisfação de convidar a todos para participar , logo mais as 20 horas no auditório da Universidade Federal do Ceará em Fortaleza, da solenidade de recebimento do Título de Sócio da Academia Cearense de Medicina de nosso estimado Conselheiro Cariri Cangaço,
Napoleão Tavares Neves.

Realmente um ser humano sem igual. 
Querido Napoleão, receba o cordial abraço de toda família Cariri Cangaço.

Manoel Severo

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Prévia - A Sedição está literalmente em ponto de bala

Por: Aderbal Nogueira

Clip de divulgação do Making of da minissérie "Sedição de Juazeiro" com música de meu cumpadi Camilo Vidal. Tá prontinha visse, e logo a FGF TV vai exibí-la para todo o estado do Ceará.
Abraço a todos!

Aderbal Nogueira

Imagens Espetaculares, MUITO BOMM - Parte I


1. O carrossel suspenso mais alto do  mundo, localizado em Viena, com seus 117 metros.


2. Jantarzinho íntimo - Restaurante na falésia, na costa leste de Zanzibar. Dependendo da maré, o restaurante poderá ser alcançado tanto a pé, quanto de barco.


3. No stress - “Cano-escritório” da Selgas, em Madri.


4. Deserto com phacélias. Elas florescem uma vez de anos em anos.


5. Balões na Capadócia


6. Dubai! Arranha-céu BurjKhalifa (vista para baixo). Altura: 828 metros.


7. Estas árvores nasceram em uma floresta próxima a Gryfino, Polônia. A causa destas curvaturas é desconhecida.


8. A divisa entre a Bélgica e a Holanda se dá em um café!

CONTINUA...

Enviado por Neto Silva, do blog do Neto

Crânio de Maria Bonita

Imagem

Maria Bonita conviveu durante oito anos com o rei do cangaço - o Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez.

Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na Grota de Angico, em Poço redondo, no Estado de Sergipe, durante um ataque ao bando um dos casais mais famosos do país foi brutalmente assassinado.

A partir da esquerda:
Benjamim Abraão, o fotógrafo do caral, Lampião e Maria Bonita 

Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, afirmaram que a rainha Maria Bonita foi degolada ainda viva.

O cangaceiro Luiz Pedro


Após a morte de Antonio Ferreira da Silva, irmão de Lampião, o cangaceiro Luiz Pedro transformou-se no braço direito de "Lampião", além de compadre.

Fez a célebre "promessa de cangaceiro": "No dia que o compadre morrer eu morro junto".

Essa promessa do cangaceiro Luiz Pedro o motivo foi que ele por acidente em um jogo de cartas havia assassinado Antonio Ferreira. Sendo perdoado pelo rei do cangaço, fez esta promessa.

Na madrugada do ataque das volantes dos governos do nordeste, lá na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, Luiz Pedro já havia furado o cerco da Polícia, quando foi alertado por um companheiro de que Lampião e Maria Bonita haviam morrido no tiroteio.

Lembrando da promessa que fizera diante do seu chefe, voltou ao local do combate e tombou próximo ao amigo e compadre, conforme Antonio Amaury C. de Araújo em "Assim Morreu Lampião".

Pesquisado no livro: "Nas Garras de Lampião" 
 Autor: Raimundo Soares de Brito 
Página: 62 
 Gentilmente cedido pelo pesquisador do cangaço:  
Kidelmir Dantas

CAMARADA LAMPIÃO (QUANDO O COMUNISMO SE INFILTROU NO CANGAÇO) (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa
CAMARADA LAMPIÃO (QUANDO O COMUNISMO SE INFILTROU NO CANGAÇO)

Lá pelos idos de 1936, o camarada Josef Stalin, dirigente máximo da União Soviética, recebeu um relatório sobre a atuação do Partido Comunista na América do Sul e ficou boquiaberto com o que leu.

Constava do confidencial documento, denominado “Relatório Vermelho”, que a absorção pelos sul-americanos dos ideais comunistas estava casa vez mais difícil, principalmente no caso brasileiro, onde a Intentona Comunista ou Revolta Vermelha de 35 havia fracassado e os ideários revolucionários haviam perdido forças e começavam a se esfacelar.

Conta-se que Stalin deu um muro na mesa e perguntou o que poderia urgentemente ser feito, vez que o Brasil era considerado país estratégico para a disseminação da doutrina bolchevique. Preparar o povo para alcançar o poder através da revolução seria também uma forma de fragilizar esse povo quando o comunismo fosse instalado enquanto governo.

Quer dizer, a revolução levaria o povo ao poder, mas este mesmo poder seria repassado para uma classe dirigente que tomaria para si todos os meios de produção em troca da igualdade na distribuição de riquezas, fruto do trabalho de cada um. Ao menos era isso que se desejava por aqui.

Contudo, ao não despertar a conscientização do povo, a capacidade de arregimentação dos revolucionários passou a ser vista com desconfiança pelos camaradas do Partido em Moscou. E o relatório apontava exatamente isso, bem como a necessidade urgente de encontrar outros meios de disseminação da doutrina. E somente uma pessoa seria capaz de aglutinar forças para expandir o comunismo no Brasil. E este seria o camarada Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Imediatamente o camarada Pedrovitch foi indicado para a espinhosa missão de seguir até o nordeste brasileiro e se infiltrar no bando do Capitão Virgulino Lampião. Ora, mas não era nenhuma missão impossível para o agente, vez que o mesmo já falava bem o português e até havia percorrido muitas léguas das caatingas nordestinas quando estivera por aqui para ensinar táticas de guerrilha aos tenentistas.

Em missão ultrassecreta, o agente Pedrovitch partiu de Moscou diretamente para as terras baianas da Serra Negra, povoação onde havia um poderoso coronel com tendências comunistas. Havia sido o primeiro coronel nordestino a abrir seus latifúndios para que sertanejos empobrecidos ali produzissem o que a terra permitisse. Como contrapartida exigia somente a obediência do voto.

Contudo, o que mais pesou na escolha era a reconhecida amizade que o coronel mantinha com o Capitão Virgulino, recebendo-o juntamente com o seu bando todas as vezes que passava por aquela região. E tudo mundo sabia que o poderoso fornecia armas, dinheiro e os mantimentos que o rei dos cangaceiros precisasse. Eram, assim, amigos íntimos e com ideais até estranhamente parecidos.

Se Lampião também tinha por bandeira de luta acabar com as injustiças sociais que imperavam no sertão, o coronel - ainda que muitos desconhecessem essa faceta - era um intransigente defensor dos fins dos privilégios governamentais, dos altos impostos cobrados e da vergonhosa escravização das classes subalternas.

Ao chegar tendo às mãos a carta de Moscou, o coronel abriu seu latifúndio e poder para o que o camarada precisasse. Mandou chamar uns cinco cabras preparados e ordenou que se embrenhassem na mata com o estrangeiro, ensinando-o tudo o que sabiam sobre o sertão, sobre seus bichos, caminhos, veredas, tocaias, assaltos, defesas, principalmente como deveria ser a vida cangaceira.

Assim que o homem voltou, todo lanhado e cheio de espinhos, estropiado mesmo, porém preparado o bastante para a breve estadia no cangaço, o coronel fez do próprio punho uma missiva pro Capitão e mandou que levassem aquele homem até onde o bando estivesse. Depois de dois dias e duas noites cortando as brenhas esturricadas, enfim pediu a um coiteiro que fosse dizer ao Capitão que ali estava um enviado do Coronel Zé Lucena da Serra Negra.

Não demorou muito e Lampião já estava limpando o óculo para ler a missiva. Em seguida, olhou o estrangeiro de cima a baixo e perguntou seu nome verdadeiro. Quando o homem disse que se chamava Pedrovitch, logo ouviu que esquecesse esse nome, ao menos enquanto estivesse ali. Dali em diante o seu nome seria Vermelho. O cangaceiro Vermelho.

Desse modo, o camarada bolchevique, então cangaceiro Vermelho, começou a agir como um verdadeiro nordestino em missão de sangue e espinho. Tentava não demonstrar, contudo, que a sua verdadeira missão ali era interferir na cabeça, na mente do Capitão, transformando-o num ferrenho praticante e defensor dos ideais comunistas.

Após conseguir tal façanha, o passo seguinte seria fazê-lo aceitar receber no seu bando guerrilheiros treinados por Moscou e assim prosseguir na tomada de todo o sertão nordestino. Quando toda a região estivesse em seu poder, então ali seria o centro de partida para que o comunismo se instalasse de vez no governo. Através da guerra contra as forças governamentais, se preciso fosse.

Mas certas atitudes começaram a atrapalhar os planos do camarada e cangaceiro Vermelho. Chamava cachaça de vodka, pandeiro de balalaica, forró de dança cossaca e cismou que o São Francisco era o Rio Volga. E o pior, constantemente bêbado e dizendo que sentia frio naquele calor de lascar, subia nas pedras chamando Lampião de camarada e dizendo que ia prender os soldados da volante e mandá-los pra Sibéria.

O jeito que teve foi o Capitão mandar o enlouquecido de volta pra fazer sua revolução noutro lugar. E montou ele num jumento e disse que a Rússia ficava um pouco mais na frente. E nunca mais o camarada Pedrovitch foi visto.


Poeta e cronista
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