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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Delegado Archimedes contra o Mata Sete

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Archimedes Marques

Na noite do último dia 02 de junho de 2012, estive participando do lançamento do livro “Lampião Contra o Mata Sete”, do delegado Archimedes Marques, na capital sergipana.
Evento bastante esperado, acabou confirmando as melhores expectativas pelo grande número de afeiçoados pelas coisas nordestinas, as lides cangaceiras de outros tempos, que ali compareceram para prestigiar o autor. E também saborear comidas típicas do ciclo junino. Voltei com o belo exemplar debaixo do braço e muito agradecido pelo que pude presenciar. Numa roda à parte dos convidados estava a nata pesquisadora, entusiasta e escritora sobre a saga do cangaço. Pessoas que acompanham eventos cangacistas onde eles ocorram.
Mesmo adoentado, Alcino Alves Costa, escritor sertanejo de renome nacional, proseava com o também escritor João de Sousa Lima, um pauloafonsino que leva a vida nos passos de Maria Bonita e do Capitão. E para surpresa maior ali também estava o verdadeiro mecenas da literatura nordestina, o Francisco Pereira Lima, mais conhecido como Prof. Pereira.

Archimedes Marques autografa sua obra para João de Sousa Lima

Professor Pereira se faz presente ao Lançamento

Aliás, diz o cartão de visitas do Prof. Pereira que o mesmo é especialista em livros do cangaço, movimentos messiânicos, coronelismo e temas afins. Mas é muito mais, pois responsável pela publicação e reedição de importantes obras sobre tais temas, e que somente através dele puderam chegar ao conhecimento dos pesquisadores e novos leitores. Pois bem, enquanto Alcino, João de Sousa Lima e Prof. Pereira proseavam sobre as trilhas lampeônicas e outras trilhas da história, o delegado e escritor Archimedes Marques autografava livros mais adiante. Aproximei-me com exemplar à mão e logo o mesmo repetia sobre o meu nome também estar constando nas referências bibliográficas, através de artigos e crônicas que subsidiaram a obra.
Contudo, a par da gratidão pelo reconhecimento, o que ouvi ao pé do ouvido só vinha confirmar algo que eu já havia pensado desde o dia que o pesquisador falou-me sobre o lançamento do livro. E confessou-me Archimedes que chegou ao local temendo que um oficial de justiça aparecesse a qualquer instante com uma ordem judicial suspendendo o lançamento da obra. Tinha fundamento a preocupação do escritor, pois o seu livro é praticamente uma contestação, um contraponto a outro livro proibido pela justiça de ser lançado em Sergipe. De autoria do advogado e juiz aposentado Pedro de Morais, o livro “Lampião, o Mata Sete”, até hoje continua sendo objeto de apreciação recursal, vez que um juiz de primeiro grau impediu o seu lançamento.
Acatando ação promovida por familiares de Lampião e Maria Bonita, o livro “Lampião, o Mata Sete” foi proibido de ser lançado. O magistrado de primeiro grau proibiu que o seu teor chegasse ao conhecimento do público por ferir a honra, a imagem, a dignidade, enfim, os direitos da personalidade de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. E tudo porque o livro proibido insinua e tenta provar que o Rei do Cangaço era gay, homossexual. E também que o mesmo não podia gerar filhos e que Maria Bonita o traía com um cangaceiro do próprio bando. E este mesmo seria também o amante de Lampião. Luís Pedro, eis o nome do cangaceiro. Enfim, a história estaria desandada e a família Ferreira desfigurada.

Caipira de Poço Redondo Alcino Costa e João de Sousa Lima no Lançamento

 Neli Conceição presente ao Lançamento de Archimedes Marques

Logicamente que os cangaceirólogos, os pesquisadores do cangaço e grande parte da população nordestina ficaram revoltados com as aleivosias gratuitas, as calúnias e difamações levadas a efeito, sem qualquer fundamento de verdade, contra um dos símbolos maiores da história nordestina e brasileira. Ferir simplesmente por ferir a honra pessoal e familiar daqueles dois, com único objetivo de atrair holofotes, seria algo inaceitável diante da seriedade em que se assenta a história do cangaço.
E lembro como hoje o instante que um amigo de Archimedes chegava ao meu escritório, em nome dele, para xerocar o livro proibido. O autor, amigo do meu pai Alcino Alves Costa, dedicou-lhe o livro antes mesmo de ocorrer a sanção judicial. E o livro estava comigo. E a partir daquele instante Archimedes começou a traçar as linhas da resposta que daria ao embusteiro e mentiroso sobre a vida do rei dos cangaceiros.
Daí ter nascido o “Lampião Contra o Mata Sete”, como confrontação e contestação a tudo aquilo que levianamente fora exposto no “Lampião, o Mata Sete”. E as respostas são apresentadas como se fossem teses derrubando os argumentos apresentados no livro proibido. Quer dizer, as presunções e suposições mentirosas dão lugar a fatos com força de veracidade e fere de morte o invencionismo maldoso e leviano.
E tais teses, apresentadas em capítulos, são: A Origem do Mata Sete e a resposta de Lampião; O porquê da luta de Lampião Contra o Mata Sete; Uma “Malaca” nas orelhas do Mata Sete; Oleone como coiteiro do Mata Sete; O Mata Sete insulta a História, ultrapassa direitos e indigna muita gente; O Mata Sete contra a família Ferreira; O Mata Sete e o “Menino Sapeca”; O Mata Sete e o “Lampião Apaixonado”; O Mata Sete e o suposto “Lampião Eunuco”; O Mata Sete contra os supostos “homossexuais” Virgulino E Zé Saturnino;  O Mata Sete apela ao cangaceiro Volta Seca: O Mata Sete e a misteriosa Tese da Universidade de Sorbonne; O Mata Sete e os seus “armados e amados” policiais volantes; O Mata Sete em proteção às autoridades sergipanas; O Mata Sete e “as travessuras de Maria do Capitão”; A guerreira Maria Bonita transforma paradigmas  e muda o cangaço construindo eterno amor por Lampião; O cabra-macho Lampião se livrando da máscara do Mata Sete; As demais trapalhadas do Mata Sete; Será o fim do mata Sete?
Noutra oportunidade certamente faremos uma análise mais aprofundada sobre o conteúdo e as teses apresentadas pelo delegado Archimedes, autoridade da história que doravante pode se reconhecido como aquele que desmascarou de vez a mentira e jogou-a nos porões do esquecimento.
 

(*)Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com


NOTA CARIRI CANGAÇO: Para adquirir a obra do confrade Archimedes, entrar em contato com o email do autor: archimedes-marques@bol.com.br

Vem aí o V FESMUZA


No ano do centenário de nascimento do Rei do Baião, vem aí o V FESMUZA - Festival de Músicas Gonzagueanas, que acontecerá no dia 18 de agosto de 2012 na Fazenda Cidade; em São João do Rio do Peixe, Paraíba. O Regulamento, inscrições e maiores informações, já podem ser adquiridas clicando no endereço abaixo:


http://www.portalcaldeiraopolitico.net/noticia.php?mostrar=noticiacompleta&id=7f49e60aa9


Cortesia do envio: Kydelmir Dantas - Mossoró

http://cariricangaco.blogspot.com

Recado de Napoleão !

Napoleão Tavares Neves

 Anteriormente, já ouvira falar em Aroldo Ferreira Leão, através do nosso amigo comum, Agliberto Bezerra, ambos agregados ao serviço público estadual da Bahia. Através de conversas esparsas, soube ser ele percuciente pesquisador do Cangaço, além de inspirado poeta já de mil estrofes nascidas da sua inspiração sertaneja! Somente isto. Pelo meu inicial entendimento, era ele uma futura estrela da literatura cangaceira que despontava no horizonte do controvertido tema. Tudo bem.

No ano de 2010, um certo dia, recebi em minha residência, em Barbalha, a visita de Aroldo Ferreira Leão que, estando na Estância – Balneário do Caldas, desceu até a cidade para conhecer-me. Veio com a esposa e filha e conversamos a tarde toda. Quanto mais se conversava, mais havia o que se conversar. De logo, vi tratar-se de um exímio comunicador: simpático, comunicativo, extremamente versátil, sabendo na ponta da língua estrofes variadas do cancioneiro popular sertanejo e fatos detalhados da turbulenta cena cangaceira dos sertões. De logo, senti estar ali um notável pesquisador do sempre momentoso tema Cangaço.Após prolongada conversa, no aperto de mão de despedida, veio o que eu não esperava: “O senhor vai prefaciar o meu livro sobre o Cangaço!”

Mesmo surpreso com o convite, puz-me à disposição do visitante para prefaciar o seu futuro livro. O tempo foi passando, passando e eis que agora, em junho de 2.012, recebi das mãos do amigo comum, Agliberto Bezerra, o “boneco” do livro: “LAMPIÃO: UM ESTUDO DE BUSCAS E ESSÊNCIAS”. De logo, comecei a folhear a grossa e densa brochura e em cada página virada, uma surpresa com muita admiração da minha parte!

Inicialmente, pincei alguns capítulos ligados ao nosso Cariri, tais como: A morte de Gonzaga, em Belmonte, A morte de Sabino Gomes e outros mais chegados a nós do Sul do Ceará. Com surpresa, notei a verdade histórica “merejando” dos textos escritos pelo arguto autor. Pensei comigo mesmo: esta obra deveria ser prefaciada por Frederico Pernambucano de Melo, ou Ariano Suassuna ou Pedro Nunes Filho... mas, não poderei furtar-me ao atencioso convite do competente autor e eis-me aqui a elaborar o prefácio pedido.

Aroldo Leão ao lado do inesquecível Ten. João Gomes de Lira

De início, logo no capítulo de abertura do suculento livro, fiquei realmente surpreso com a beleza do texto “O SERTÃO, O SILÊNCIO DOS INSTANTES!”.

 Que beleza! Dir-se-ai Euclides da Cunha Redivivo, ou Guimarães Rosa Nordestino. Que primor literário, que vivo colorido vernacular! Do autor eu já esperava muito, mas, não tanto! O livro é bom, é intuitivo, é didático, é brilhante! O texto é extremamente rico em metáforas! O vernáculo é primoroso, às vezes condoreiro e até gongórico! A fauna e a flora do sertão foram postadas em cada frase! Os usos e costumes sertanejos parece saltarem de cada capítulo! O vernáculo é escorreito, castiço mesmo!

Cada tema é exaustivamente debatido, documentado, tudo com as fortes nuances da verdade histórica. A riqueza iconográfica salta aos olhos de cada leitor. O potencial bibliográfico é extremamente abrangente. No livro há cerca de 203 fotos de informantes e entrevistados! Da saída de Lampião das tórridas terras do Pajeú e regiões vizinhas, o inspirado autor diz o seguinte:

"No dia vinte e três, Lampião, rês que desfez em si os augúrios e arrepios da dexcomunhão, na região do Navio, pernoita no lugar Ponta Fina, com Ponto fino e mais sete cabras. Estava, sem sobras nem dobras, vivenciando as obras do extermínio do bandidismo no Sertão pernambucano. No cano do fuzil confiava, fiava suas ações e deserções, porções de senões a invadi-lo e aturdi-lo sistematicamente. Visivelmente fragilizado, não se entregava a dissuasões, suava, sugava o aroma do abandono, sumia, surgia, em locais os mais variados, antigo balaio baio. Maio o impulsionava para Alagoas, entre mágoas e vagas, nódoas e chagas.”.

Sintam os leitores como, vez por outra, o poeta emana em cada frase buscando libertar-se do casulo do Cangaço!  Afinal, gostei do livro e o recomendo à leitura de todos os pesquisadores e poetas, curiosos e historiadores. Assim, de parabéns está o competente autor e a literatura cangaceira que incorpora agora mais um profundo conhecedor dos seus ricos e tortuosos meandros, vez por outra navegando nas asas da poesia. 

Napoleão Neves - Médico, Memorialista, Escritor - Barbalha
Conselheiro Cariri Cangaço

NOTA CARIRI CANGAÇO: É sempre um prazer compatilhar com a família Cariri Cangaço as pérolas de Napoleão. Antes mesmo de postar seu prefácio da obra de Aroldo Leão, recebemos do Mestre o simpático email, que transcrevemos a seguir: Prezado Severo, abraços. Recebi para prefaciar um magnífico livro cangaceiro, vindo de Juazeiro da Bahia: "Lampião, Buscas e Essências" do grande poeta e pesquisador Aroldo Ferreira Leão. É um livro para marcar e ficar, extremamente documentado e com 203 fotos de informantes e entrevistados. Pesei o seu 'boneco' hoje e deu 1kg e meio de peso. Veja que trabalheira para o autor e para mim.

http://cariricangaco.blogspot.com

Sebastião Pereira da Silva - O Sinhô Pereira

Por: Nertan Macedo
Sinhô Pereira - Foi primero e  único patrão de Lampião
Conheci Sinhô Pereira em Julho de 1975. Não está enrugado, não está trôpego  porém. Postura de soldado, postura de combatente.


Tem um quê de Graciliano Ramos. Os cabelos brancos são ralos e finos. A barba, pouca espessa, que lhe emoldura o rosto bronzeado e severo, faz com que eu me recorde de um dos últimos retratos, em vida, de


Charles Maurras, o velho escritor monárquico francês, quando deixou o cárcere no pós-guerra, para morrer em liberdade. Ali está Sinhô Pereira, sombra, fantasma, reminiscência do sertão antigo.
Há mais de meio século, longe dos seus e do seu amado Pajeú selvagem, entocado naqueles ermos de Minas Gerais.


Não me desilude. É educado, simples, agradável no trato. Fala lenta, pausadamente. Correto, na linguagem. Quase não gesticula. Converso com ele horas a fio. Almoço na sua mesa, limpa, sóbria, acolhedora. Suas maneiras ilhanas, seu tipo lazarino, o modo de narrar os acontecimentos passados causam-me viva impressão.


O homem que ensinou e comandou Lampião teve berço. Vê-se que não era um bandoleiro comum, de vocação. O destino lhe reservava o papel “de rifle vingador” dos seus. Nada de exibicionismo, nenhuma bravata. Conta o seu passado de lutas com uma clama naturalidade. Em Goiás e Minas, Sinhô não é Sinhô. Mudou de nome, mais de uma vez. Para viver em paz. No local onde vive, não é Sinhô Pereira: é “Seu Chico Maranhão”, ou “Seu Francisco Araíjo”. Quando abandonou Pernambuco, foi também Chico Piauí. Sebastião já desapareceu há muito, muito tempo.

http://cangacoarte.blogspot.com/

Segundo informações do pesquisador e colecionador do cangaço,

 Dr. Ivanildo Silveira, João de Sousa Lima e Alcindo Alves da Costa

Segundo Dr. Ivanildo Alves da Silveira, Sinhô Pereira faleceu numa manhã no dia 21-08-1979 , em Lagoa Grande, Estado de Minas Gerais, deixando para trás uma vida e uma história marcadas de angústia, dores e vontade de viver feliz com sua família e amigos.


Informação ao leitor: 

"A fonte pesquisada não tem o dia, mês e ano em que Nertan Macedo fez  esta entrevista com o ex-cangaceiro Sinhô Pereira".

NOSSA SENHORA DA VELA APAGADA (Crônica)


Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

NOSSA SENHORA DA VELA APAGADA

Falei sobre Nossa Senhora da Vela Apagada porque também existe uma Nossa Senhora da Vela Acesa. Sou devoto das duas e de todas as Nossas Senhoras que possam existir.

Há tempo certo atrás desconhecia totalmente tanto a da vela acesa como a da vela apagada. Contudo, depois que adquiri um oratório e o coloquei por cima de um móvel, bem guarnecido por algumas belíssimas imagens sacras, estas duas santas, numa só santidade, passaram a fazer parte do meu cotidiano religioso.


Eis que acostumei ter sempre uma vela acesa ao lado do oratório, logicamente bem protegida contra algum incidente que provoque incêndio. E pela necessidade de ela estar sempre acesa, então optei por utilizar velas de sete dias. Uma vez acesa, somente depois desses dias para renovar a chama.

Contudo, pessoas conhecidas chegam diante do meu oratório e logo procuram também acender uma vela, só que dessas menores, comuns, que sempre tenho à disposição numa espécie de armário envidraçado ao lado do pequeno templo.

E quando as pessoas se aproximam, em tom de brincadeira, vou logo perguntando se veio acender uma vela para Nossa Senhora da Vela Apagada. Tal fato virou costume e tradição, ditado normal que todo mundo acostumou a repetir: Vim acender uma vela pra Nossa Senhora da Vela Apagada!

Lembram da vela apagada, acendem a chama, e depois começam a orar para Nossa Senhora da Vela Acesa. Não que exista uma imagem representativa de uma ou outra santa, apenas a vela acesa ou apagada, mas certamente há uma intencionalidade tão forte que pressuponho a mais pura afirmação da fé.

Ora, à primeira vista, uma vela apagada, ou apenas um restinho de vela, ou ainda somente o local de colocá-la, não possui nenhuma significação especial. Contudo, basta lembrar o fato de que o pensamento na vela apagada logo desperta a necessidade de acendê-la na intenção de Nossa Senhora, então logo se conclui da força significativa que possui essa vela ainda inexistente ou abrandada.


A vela apagada chega à mente como uma necessidade espiritual, algo de fé que precisa ser providenciado. Lembrar que naquele local existe uma vela e que precisa ser acesa para que sua prece, sua oração ou seu pedido seja atendido, caracteriza-se como devotamento e reconhecimento da importância até daquela chama que falta e precisa ser acesa.

Mas há que se considerar que o fato de a vela estar apagada ou acesa não implica em pensar em luz e escuridão, em treva e fulgor, em obscuridade e clareza. Não se concebe assim porque a chama apagada está na presença de uma Nossa Senhora, do mesmo modo quando está acesa. Há que se considerar, isto sim, que uma Nossa Senhora espera a presença do devoto para fazer-se luz conjuntamente; enquanto que a outra Nossa Senhora confirma a luz do devotamento.

Compreender a importância de Nossa Senhora da Vela Apagada seria também entender o significado profundo que possui uma vela que ainda não foi acesa. E para que os cristãos, devotos, beatos e demais religiosos precisam de velas? Ora, basta a sua visão ou imaginação para afirmá-la como luz, como instrumento de aproximação da santidade, como chama clareando o encontro com a divindade.

Ainda que esteja apagada, a vela logo é luz aos olhos de todos. Daí a importância de Nossa Senhora da Vela Apagada, que nada mais é do que essa ideia de chama, esse brilho poderoso adormecido, onde alguém é convidado a acendê-lo para chamar outra santa para a benção da fé. Para invocar Nossa Senhora da Vela Acesa.

Como observado, o que começou como verdadeira brincadeira logo se transformou em crença absoluta. Ao menos para mim e aqueles que compartilham do meu oratório. E assim também é com a religião, a fé e a inabalável crença que possuímos na força da santidade. Tudo existe, mas cabe a cada um, dentro do seu pensamento e do seu coração, confirmar sua existência.


(*)Poeta e cronista
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

O cantor João Mossoró se apresentará no "Mercadão Cadegue"



O cantor João Mossoró fará show no Rio de Janeiro, no bairro Benfica, no dia 7 de Julho no "Mercadão Cadegue". 

Uma festa portuguesa, aonde o cantor  apresentará no "Cantinho das Concertinas", a partir das 12;00 horas.

Será uma festa linda e bastante animada, quando o artista cantará: “O Meu Pé de Serra”, do Gonzagão, e “O Meu Verde Vinho” com um tok nordestino.

Prestigie o artista participando desta grande festa.

MOSSORÓ EXPULSOU O BANDO DE LAMPIÃO A BALA - DISSE NÃO À EXTORSÃO DO CANGACEIRO - UM GRANDE FATO NA HISTÓRIA DO NORDESTE - FATOS E FOTOS!

Mossoró nos dias atuais - Em destaque a Catedral Diocesana de Santa Luzia
Igreja de São Vicente de Paula, construída por retirantes na seca de 1915. Uma das trincheiras para impedir que Lampião invadisse Mossoró

Dia 13 de junho de  1927, após dizer não a Lampião, que cobrou 400 contos de reis (em moeda da época 400  milhões de reis – atualmente uns 20 milhões de reais) para não invadir a cidade, começava um tiroteio entre moradores da cidade e os cangaceiros, que se dividiram em 03, forçando a cidade a levantar várias trincheiras, sendo as principais: a  Estação Ferroviária, hoje uma casa de cultura; a sede da prefeitura, hoje Palácio da Resistência e a trincheira no Campanário da Capela de São Vicente de Paula, que Lampião denominou de “ Igreja da Bunda Redonda”.

Marcas de balas campanário onde ficaram os mossoroenses

Do Jornal o Mossoroense sobre a história da Igreja:

“Aquele templo é uma dádiva de suor, sangue e lágrimas dos retirantes de 1915. Merece um poema à memória de um êxodo forçado”. E o próprio professor Barreto faria esse poema, quando apelava: 
“Mossoroenses, quando passardes diante da Igreja de São Vicente de Paula, prestai o vosso culto, não só ao orago do templo, como aos seus construtores, quase todos desaparecidos já, porém, ainda mais rendei o vosso preito àqueles humildes grandes, que fabricaram, de graça, o material para o citado templo”.

 Igreja São Vicente de Paula - Construída por retirantes na seca de 1915
Marcas de balas no campanário  - onde ficou a resistência de Mossoró

Findando com a expulsão dos cangaceiros, a morte de alguns deles e a prisão do temível Jararaca, enterrado vivo no cemitério da cidade, após cavar sua própria cova. O interessante é que hoje é visto como santo pelo povo, devido a crueldade com que foi morto. Recebendo o seu túmulo visita de milhares de pessoas em dias de finado e ao longo de todo ano. Na verdade mais prestigiado que o túmulo de muitos políticos famosos nacionalmente, enterrados no mesmo cemitério e ao longo do ano utilizado pelos gatos e outros animais como abrigos. Mostrando que nem sempre o séquito que em vida rodeia os poderosos permanece uma vez morto. Ironicamente ao contrário do cangaceiro.


Mossoró, depois de Natal, é a maior cidade do Rio Grande do Norte. Tem  quase 300.000 habitantes e uma economia poderosa, baseada sobretudo no petróleo e na produção de sal marinho. Uma das grandes e poderosas cidades da Região Nordeste. A origem do nome Mossoró está ligada  ao rio, à beira do qual floresceu, Rio Mossoró, nascido na chapada do Apodi, que rasga a terra com vigor, criando seu leito, rompendo-a, por isso tendo o nome ligado à ruptura, que em Tupi Guarani é Mossoró. O que rompe, o que rasga poderosamente.

Placa de homenagem aos heróis que expulsaram Lampião de Mossoró em 13/06/1927

Num lugar assim, Lampião deveria ter pensado duas vezes antes de tentar invadir e ser expulso de forma humilhante, assim historicamente a cidade ligou seu nome ao famoso personagem Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, a exemplo de Juazeiro do Norte, que jamais ousou invadir, pois temia Padre Cícero com seu poder religioso e político. Bom destacar também que Mossoró foi a primeira cidade do Rio Grande do Norte a libertar seus escravos, a exemplo de Redenção no Estado do Ceará.

Placa de homenagem aos heróis que expulsaram Lampião de Mossoró em 13/06/1927

Anualmente, em frente  à igreja que funcionou como trincheira é encenado um musical chamado: CHUVA DE BALA NO PAÍS DE MOSSORÓ, que remonta todo o fato histórico e mantém viva a memória.

Prefeitura de Mossoró - Palácio da Resistência - uma das Principais Trincheiras

O cordelista Zé Lacerda, no Cordel: JARARACA – O CANGACEIRO ARREPENDIDO.  
(link: http://www.cordelnarua.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=2765774  ) falou assim de Jararaca:

Já falei da Jararaca
Num cordel anterior
Disse que esse cangaceiro
Em santo se transformou
Sua vida e desacato
Mas não expliquei o fato
Que o povo o beatificou.

A injustiça o transformou
Num terrível cangaceiro
Aliou-se a Lampião
Se tornando um desordeiro
Os cantos que ele passou
E os crimes que praticou
Contei no cordel primeiro
Naquele grande entrevero
Que Massilom projetou
De assaltarem Mossoró
Jararaca se animou
Afoito, sempre na frente,
Mas a coisa ficou quente
Pois Mossoró revidou.

Abaixo fotos do Memorial ao Cangaço e à Resistência:


Monumento ao Cangaço e à Resistência de Mossoró

Com Gilberto - Mossoroense que nos guiou pelos monumentos e história

Placa com fotos dos heróis da Resistência de Mossoró
Único caso em que Lampião foi derrotado numa invasão
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA

Aviso de possível invasão a Mossoró - cidade já rica em 1927
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA

Mossoroense capturado  por Lampião manda aviso que Mossoró
Deve pagar o resgate de  400 contos de reis
O equivalente a 400 milhões de reis da época
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA

Bilhete do Próprio Lampião ao prefeito de Mossoró
Ameaçador - Foi invadir e houve o conflito e bateu em retirada

MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

Valdecy Alves - Ativista
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros - 

O último nome do cangaceiro é: Santa Cruz e não Salta Cruz

MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

O LENDÁRIO CANGACEIRO LAMPIÃO - VIRGULINO FERREIRA
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros
MEMORIAL DO CANGAÇO E DA RESISTÊNCIA
Paineis de Cangaceiros

Um mistério fica no ar: POR QUE O SANTIFICADO É UM CANGACEIRO E NÃO UM DOS RESISTENTES? POR  QUE NÃO SANTIFICARAM O PREFEITO DE MOSSORÓ QUE LIDEROU A RESISTÊNCIA?  POR QUE AS FOTOS DOS HERÓIS DA RESISTÊNCIA SÃO TÃO PEQUENAS E A DOS CANGACEIROS PAINEIS ENORMES? PARECE QUE O POVO DE MOSSORÓ NÃO SE IDENTIFICOU MUITO COM OS HERÓIS DA RESISTÊNCIA! Que interesses realmente defenderam??? De toda forma foram bravos sim!Com a palavra os historiadores.  Abaixo fotos do túmulo do Cangaceiro Jararaca, ou melhor São Jararaca:


Foto odo Túmulo do cangaceiro  Jararaca
Santificado pelo Povo - Enterrado Vivo

Foto odo Túmulo do cangaceiro  Jararaca
Santificado pelo Povo - Enterrado Vivo
Túmulo mais visitado em dia de finados e ao longo do ano inteiro

Foto odo Túmulo do cangaceiro  Jararaca
Santificado pelo Povo - Enterrado Vivo
Túmulo mais visitado em dia de finados e ao longo do ano inteiro

SOBRE A FAMOSA SANTIDADE DO JARARACA DIZ A MÍDIA, que é fato: 

O jornal Gazeta do Oeste em 12 de junho de 1994 publicou uma entrevista com o bioquímico, e hoje Assessor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), Paulo Medeiros Gastão, onde o Jornal perguntava sobre o fato da devoção hodierna à Jararaca quando muitas pessoas acham que ele obra milagres e a visão do pesquisador, respondeu: "A história do milagre se confunde muito com o misticismo, com a conduta cultural de um povo. Jararaca, apenas foi consagrado, por conta de sua bravura. O povo sempre busca o menor para enaltecê-lo. Nós sentimos isso no próprio cemitério, quando o túmulo de Rodolfo Fernandes, não recebe o mesmo número de visitas correspondentes ao túmulo onde está Jararaca".

Valdecy Alves visita o Túmulo do cangaceiro  Jararaca
Santificado pelo Povo - Enterrado Vivo
Túmulo mais visitado em dia de finados e ao longo do ano inteiro

AS MAIS FAMOSAS CANGACEIRAS



AS MAIS FAMOSAS CANGACEIRAS

A presença de mulheres no Cangaço aconteceu a partir de 1930, com a chegada de Maria Bonita. Logo depois, foi a vez de Marquinha, sua cunhada e companheira de Labareda e Dadá, de Corisco. Aos poucos, as demais foram se agregando até atingir 40, já nos últimos anos.

Os motivos eram diversos, mas a maioria queria se livrar do mando paterno, ter uma vida mais livre, andando “pelo mundo” sem ter medo de ser feliz. Outras acompanhavam seus maridos, mas Adélia entrou no Cangaço por um motivo fútil: queria usar rouge, batom e pó de arroz, coisas que o pai não permitiu. O importante era ser dona do seu nariz.

Todas, vindas da zona rural, eram jovens, bonitas e alegres, sabiam que era um caminho sem volta, mas mesmo assim, queriam ter aquela vida perigosa e sobressaltada.

Cada uma tem sua história, e vamos contar aos poucos aqui, a vida delas. Entre as mais famosas, estão:

Maria Bonita – Lampião



Dadá – Corisco


Cristina – Português

Português é o primero da esquerda - A mulher que aparece não é Cristina

Neném – Luiz Pedro



Inacinha – Gato


Lídia – Zé Baiano

Lídia não dexou foto

Durvinha – Moreno


Dulce – Criança

Dulce está atrás do escritor João de Sousa Lima - Foto do seu acervo

Todas elas, e cada uma, têm uma história a ser contada. Afinal, fizeram história sem ter essa noção ou pretensão. Aí está o valor de cada uma.