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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vídeo com música proibida na Globo...Nós ainda podemos utilizar a internet !!!

Enviado por: Paulo Medeiros Gastão(*)
Paulo Gastão

PARA CONHECIMENTO DE TODOS !!! 

Vídeo com música proibida na Globo. Nós ainda podemos utilizar a internet. 
Festa de Arromba no Jô Soares - não foi ao ar! Vergonha brasileira. 
Será que a justiça vai ser feita, ainda fico com um pé atrás... 
Quem não viu... veja agora e REPASSEM! 
Depois desse programa o quadro - Meninas do Jô - foi retirado do ar por "ordens superiores". 
O cantor e seu conjunto tiveram as contas e sigilos bancários quebrados. 
Nunca mais conseguiram cantar em nenhum lugar. 
Nem mesmo em boates gays... 
Tiveram seus instrumentos confiscados pela Justiça e ficaram presos por 90 dias para averiguações!!! 
E ainda há Petistas dizendo que vivemos em Democracia!!!

(*) É professor universitário, escritor, pesquisador do cangaço e fundador da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Hoje na História de Mossoró - 23 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 23 de agosto de 1908 dava–se a fundação da Sociedade musical “Charanga de Mossoró”, sendo escolhida sua primeira diretoria, encabeçada pelo industrial Hemetério Leite como Presidente.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

LAMPIÃO EM QUEIMADAS

Por: João de Sousa Lima

LAMPIÃO EM SANTO ANTONIO DAS QUEIMADAS (A CHACINA DE QUEIMADAS)

Em agosto de 2012 segui de Paulo Afonso com o amigo Josué Santana até a cidade de Queimadas para conhecer o local da chacina realizada por Lampião quando ele matou 7 soldados.

Em Queimadas pegamos algumas informações com os jovens Floriano Esteves e Robson Ribeiro que nos indicaram o senhor José Ferreira de Santana, advogado conhecido por Zezito.  Seu Zezito é filho de Umbelino Joaquim de Santana, um dos comerciantes que teve seu comércio saqueado pelos cangaceiros.

Também entrevistamos o Padre Carlos Gabbanelli e por fim entrevistamos a quase centenária Zulmira Lima Farias com seus 99 anos de idade, sendo ela uma das primeiras pessoas a ver Lampião entrando na cidade.
  
Lampião e seu bando vieram oriundos de Cansanção e chegaram nas proximidade da cidade em um carro do IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca). Antes de chegarem a Queimadas houve uma discussão entre Zé Baiano e Virginio. Lampião tomou a pistola de Zé Baiano e jogou nas águas do rio. Zé baiano inconformado afastou-se se separando do grupo sendo acompanhado por Antonio de Naro.
  
Na margem esquerda do rio Itapicuru Lampião pegou os irmãos Marques (Hilário, Carlos E Irênio) e ordenou que eles conseguissem canoas para atravessarem os 16 cangaceiros.
    
As 15 horas do dia 22 de dezembro de 1929 os cangaceiros se desembarcaram no local chamado “Passagem”. Aproximaram-se do chalé do Coletor Federal Francisco Lantyer e em uma oficina que ficava na frente do casarão encontraram João Lantyer e o mecânico José de Patápio que consertava o radiador do automóvel.

Lampião perguntou:
- Esse carro tá funcionando?
- Estamos tentando colocar ele em funcionamento!
- É pena, se ele tivesse funcionando a gente ia entrar em Queimadas montado nele!
     
O grupo entrou em Queimadas dividido em duas alas, sendo uma comandada por Lampião e outra por Mariano. A população confundiu os cangaceiros com uma volante pernambucana.
    
A professora de teatro Zulmira Lima conheceu que era Lampião e por mais que alertasse sobre o perigo não lhe deram atenção.
    
A Estação Ferroviária foi invadida sendo o telegrafista Joaquim Cavalcante e o Agente Manuel Evangelista tornaram-se prisioneiros dos cangaceiros. A bilheteria foi saqueada, o telégrafo foi destruído a coronhadas de mosquetão. O telegrafista foi obrigado a arrumar uma alta quantia em dinheiro para não ser morto. O agente foi obrigado a mostrar as casas dos comerciantes que seriam extorquidos.

No momento da entrada dos cangaceiros o Juiz Manoel Hilário do Nascimento conversava com alguns amigos, dentre eles o Tabelião José Francisco, quando chegou preso pelo cós da calça o Oficial de Justiça 

Alvarino que disse:
- Doutor, o Capitão Lampião!
Lampião a notar que o Juiz, o Escrivão, o Oficial de Justiça e o Tabelião eram negros, disse:
- Que terra desgraçada, toda justiça é negra!
    
O cangaceiro Mariano e seu grupo se dirigiram ao comércio do senhor Umbelino Joaquim de Santana que tinha farmácia e um depósito com produtos da região, tais como: Mamona, Ouricuri, Tecido, Bebidas, Peles e Gêneros Alimentícios. Os cangaceiros comeram, beberam e saquearam vários produtos. Os cangaceiros mostraram uma relação com nomes dos comerciantes que iriam ajudá-los dando dinheiro e o nome de Umbelino vinha em primeiro plano na lista. Umbelino saiu e foi procurar Lampião e quando o encontrou disse que já tinha aberto as portas do seu comércio para os cangaceiros e queria que Lampião tirasse seu nome dessa relação de contribuição, sendo de pronto atendido pelo cangaceiro.
    
Lampião se dirigiu ao quartel e lá chegando pegou os soldados e o sargento desprevenidos dando-lhes ordem de prisão. O cangaceiro soltou os preços das celas e prendeu os soldados.

Os cangaceiros foram à casa do Juiz Manoel Hilário e o Juiz foi quem fez a relação de pessoas que poderiam contribuir com dinheiro. A arrecadação ficou a cargo do coronel Elias Marques.
    
O cantor e violonista Antonio Rosa dos Santos sabendo da invasão dos cangaceiros saiu às ruas para conhecer Lampião. Antonio foi reconhecido pelo cangaceiro e acabou cantando várias músicas que muito agradou a Lampião e seus comandados. Lampião deixou Antonio cantando e foi para o quartel onde foi executar os soldados. Dos 8 policiais presos só escapou o comandante do destacamento, o sargento Evaristo Carlos da costa. O sargento acompanhou os cangaceiros no espaço de tempo que eles permaneceram na cidade, portando um fuzil sem balas no ombro.
    
Quando lampião invadiu a casa do escrivão da Coletoria Federal o senhor Amphilóphio Teixeira, observou que sua esposa Austrialina Teixeira, conhecida pela alcunha de dona Santinha, usava um belíssimo trancelim de ouro no pescoço. Dona Santinha vendo o interesse de Lampião pela jóia retirou-a do pescoço e a ofereceu ao cangaceiro que diante da cordialidade da senhora falou:

- A senhora tem direito de me fazer um pedido, dizem que bandido não tem palavra mais eu quero mostrar a senhora que tem!

Santinha pediu para que não  matassem o sargento Evaristo, pois tratava-se de um cidadão correto, bom pai de família, religioso e de caráter.

O sargento escapou, porém os soldados foram executados barbaramente. Os  soldados mortos foram: Olímpio de Oliveira, Aristides Gabriel de Souza, José Antonio Nascimento, Inácio Oliveira, Antonio José da Silva, Pedro Antonio da Silva e Justino Nonato da Silva.
     
O sargento teve que carregar nas costas a culpa de ter sido traidor e responsável pelo fato acontecido sendo relapso na segurança dos seus comandados e da cidade. Depois do ocorrido o sargento teve que responder um longo processo por negligencia. O processo foi concluído em 1931 e Evaristo foi absolvido por unanimidade. O sargento morreu em Santaluz em 1978, com 86 anos de idade.
    
Santo Antonio das queimadas que viu os moribundos sobreviventes de Canudos, o exército que trafegava na velha Maria fumaça que cruzava a cidade, viu também as marcas geradas e deixadas pelo cangaço quando diante da população aflita e indefesa presenciou o assassinato de 7 soldados  da polícia baiana. As marcas permanecem feitas feridas que não saram, as dores eclodem em cada triste lembrança daquele fatídico mês de dezembro de 1929 e hoje quando se comemora o Natal as luzes da cidade acendem velando as almas daqueles homens que foram impiedosamente exterminados pelas mãos que fizeram uma história manchada de sangue, capítulos que não se calam, feito ecos permanentes que se transfiguram nos sons que ecoam nas páginas tristes e sangrentas que permeiam capítulos vividos e que o tempo não apaga de nossas memórias.    

Paulo Afonso, Bahia, Agosto de 2012.

João de Sousa Lima
Escritor e Historiador
Membro da ALPA- Academia de Letras de Paulo Afonso- Cadeira 06.
78-8807-4138 / 9101-2501

Padre Carlos Gabbanelli e João no Chalé da família Lantyer.
O Dr. Zezito (hoje com 85 anos de idade) com seu pai Umbelino Joaquim de Santana. Os cangaceiros saquearam o comércio do senhor Umbelino.
O Comércio do senhor Umbelino saqueado pelos cangaceiros.
O prédio a esquerda é a delegacia onde Lampião e seu grupo matou os 7 soldados.
O advogado Dr. José Ferreira de Santana (Zezito) com João de Sousa Lima, relatando os fatos acontecidos com seu pai.
Fotografia do sargento Evaristo Carlos da Costa, em seu túmulo, na cidade de Santaluz.
João e Floriano tendo por trás a que sobrou da estação invadida pelos cangaceiros.
Zulmira, professora de teatro, uma das primeiras pessoas e ver e reconhecer lampião. (ainda viva com 99 anos de idade)
João e Zulmira Lima Farias, professora que viu Lampião chegando em Queimadas.
Uma das covas dos soldados mortos por Lampião
Outro túmulo.
Túmulo de um dos soldados.
Túmulo de outro soldado.
Túmulo do soldado.
Mais um túmulo.
João de Sousa Lima e Josué Santana, na frente do quartel onde os soldados foram mortos.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

Novos livros na Praça sobre o cangaço

Por: Professor Pereira

Amigo Kydelmir
Acabo de chegar de Fortaleza, onde assistir o lançamento do filme "A Sedição de Juazeiro". Muito legal. Também adquiri os livros:

 "Heróis e Bandidos"
Preço: 40,00

e Almas de Lama e de Aço" de 

Gustavo Dodt Barroso - in Fortaleza Nobre

Gustavo Barroso, que foram reeditados pela Editora ABC de Fortaleza. 

R$ 35,00, JÁ COM O FRETE INCLUSO

Foi uma inicaitiva do diretor da ABC Maurício Xerez.

Divulgue entre os amigos. 

Agradeço a sua força
Abraços Pereira

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço: 
Kydelmir Dantas
http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Faça uma visitinha ao blog "FATOS E FOTOS"
http://sednemmendes.blogspot.com.br

"ACORdo Invisível - Quintana Canta o Amor" - Cia. Pão Doce de Teatro


Cia. Pão Doce de Teatro.
Apresenta:
“ACORdo invisível-Quintana canta o amor”.

A Cia Pão Doce abrirá mais uma temporada de recitais. Desta vez, o poeta inspirador é o Mario de Miranda Quintana.

O poeta e escritor, nasceu em Alegrete-RS, em 30 de julho de 1906, falece no dia 5 de maio de 1994. Homem solteiro, sem filhos, leva a vida do modo mais simples que se pode imaginar, vivendo um dia de cada vez. 
Quintana de muitos amores e desilusõesrelata nas suas poesias a simplicidade de ser como algo que se observa da janela de casa. Num voo de um pássaro, prazeroso e fugaz.

O recital com duração de aproximadamente 30 minutos, possui um elenco de 4 atores e dois músicos. As poesias e canções que serão representadas nos revelará uma vida modesta, intensa e calorosa.
 As apresentações acontecerão nos dias,24 e 31 de agosto às 22:00 horas no Cafezal-Memorial da Resistência.
Informações:

Data: 18- 24- 31 de Agosto
Horário: 22h00min
Local: Cafezal- Memorial da Resistência

Ficha Técnica:
Direção: Chico Window
Roteiro: Chico Window e Flávia Maiara
Direção Musical: Romero Oliveira
Figurinos: Chico Window
Produção: Cia. Pão Doce
Fotos: George Vale
Elenco: Bianca Costa
Layâna de Castro
Ligia Kiss
Romero Oliveira
Músicos: Artur Gois
Osman Carlos

Contatos:
Chico Window – 84 9160-9674
Bianca Costa – 84 8812-9744 / 84 9925-0905

Enviado pelo poeta, escritor e pesquisador do cangaço:
 Kydelmir Dantas

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Os Rifles vingadores do Pajeú

Por: Hilário Lucetti
http://images.orkut.com/orkut/photos/RAAAAL6N_EG4TSviVRH2jlCw82uUEQKP4eHPKr2AYmx9mBMpM6jHmKkQVk8QGkkPqy2hsvMFFzBW7wnmZj09RJJjCmjZCC1VISxbUMmNpn0KdIXpAJtU9VCoj3hddc9_l9hinu_pwewvPbuarA.jpg

Material adquirido no acervo do pesquisador e colecionador do cangaço:
Dr. Ivanildo Alves da Silveira

http://www.orkut.com.br/Main#Album?uid=3576836947407549387&aid=1340373774

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Novas imagens - Prints do filme de Abrahão

Por: Ivanildo Alves Silveira

Para o bem da história e alegria dos cangaceirólogos a Abafilm, com apoio da Petrobrás e da Cinemateca Brasileira conseguiram recuperar mais quatro minutos do famoso filme sobre Lampião e seu bando , feito por Benjamin Abrahão, em 1936.

Abaixo, temos algumas imagens, onde se vê, "Lampião”, como garoto propaganda da empresa Bayer, distribuindo aos seus cangaceiros, a aspirina contra dores e resfriados. O quê o árabe Benjamin Abrahão conseguiu de Lampião não foi tarefa fácil para um homem comum.

Vejamos as magníficas imagens extraídas da película:


O rei do cangaço divulga, atesta...

 

... e oferece os comprimidos de Aspirina Bayer aos seus cabras.


Cangaceiros devidamente identificados


O "sagrado coração”, os cangaceiros " Lampião e Maria " ajoelhados, rezando, sendo seguidos pelo grupo.


Sob as lentes de Benjamin Abrahão, mais um close de "Corisco - o diabo loiro”, e sua famosa companheira " Dadá ".


E que tal esta do Rei cego?

Nesta última foto, o rei do cangaço aparece sem chapéu e muito próximo da objetiva, mostrando o seu perfil frontal, cabelos compridos,... Outros detalhes interessantes são os óculos e o fuzil.

Um abraço a todos
Ivanildo Alves Silveira
Colecionador do cangaço
Conselheiro do Cariri-Cangaço
Sócio da SBEC
Natal/RN



Um presentão do colecionador e pesquisador do cangaço: Dr Ivanildo Alves Silveira

A vida e a história do maior mito do Sertão


Por: Redação Notícias do Sertão
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Disseram que Lampião estava em Paulo Afonso 
... “Tem boi no pasto”. 

A frase foi transmitida pelo telégrafo da Estação Ferroviária de Piranhas para o tenente João Bezerra, que estava em Delmiro Gouveia seguindo a pista errada sobre o paradeiro de Lampião e seu bando. O autor da mensagem foi o telegrafista Valdemar Damasceno, avô do desembargador Washington Luis e do acadêmico de História, Inácio Loiola.

Inácio nasceu muito tempo depois de a polícia fuzilar Lampião e mais 11 cangaceiros, mas a frase repetida pelo avô nunca lhe saiu da memória. Era um código para avisar ao tenente Bezerra que Lampião estava mesmo em Angico, uma fazenda localizada no município sergipano de Poço Redondo, às margens do Rio São Francisco.

Autor de um livro sobre Lampião, mas que ele foi desaconselhado a publicar por conter revelações que podem, ainda hoje, lhe trazer problemas com os descendentes, Inácio reproduz o que ouviu do avô – que foi testemunha e personagem do final do maior líder de cangaceiros.
“Disseram que Lampião estava em Paulo Afonso e o tenente Bezerra colocou a tropa num caminhão e foi para Delmiro Gouveia, mas Lampião estava mesmo era em Angico, que fica em Sergipe. Aí, o sargento Aniceto, que tinha ficado em Piranhas, procurou meu avô e pediu para ele passar o telegrama para a estação de Delmiro avisando o tenente Bezerra da presença de Lampião em Angico. Mas, não podia ser assim direto, de uma forma direta. Daí, eles usaram o código: tem boi no pasto”, lembra Inácio.

A volante alagoana se recompôs com três colunas – uma comandada pelo tenente Bezerra, outra pelo aspirante Ferreira e a terceira pelo sargento Aniceto. A tropa amanheceu no cerco; era um dia de terça-feira e quando a primeira luz do sol iluminou a caatinga, Lampião não teve tempo de sorver o café matinal – um tiro certeiro varou-lhe o tórax; ele caiu e veio a saraivada. Era o dia 28 de julho de 1938.

Trama envolveu pedido de Getúlio Vargas

Mas não foi fácil pegar Lampião. Durante 22 anos, ele comandou as ações nos Sertões de cinco estados. A versão mais aceita para o cerco fatal a Lampião vem do empenho do, na época, ditador Getúlio Vargas, que cedeu à pressão de uma multinacional do petróleo – que teve um geólogo sequestrado pelo bando de cangaceiro, quando realizada pesquisas no Raso da Catarina, na Bahia.

Getúlio Vargas convocou os governadores (na época, interventores) dos estados nordestinos onde Lampião atuava e pediu que acabassem com o cangaço. A ordem expressa do chefe da Nação levou o interventor alagoano, Osman Loureiro, a reunir os “coronéis” políticos suspeitos de ligação com o cangaceiro para repassar a ordem de Getúlio Vargas.

Vingança, queijo e traição

Para chegar até Lampião e surpreendê-lo no esconderijo, a polícia alagoana contou com acontecimentos extras que lhe foram favoráveis. Por exemplo: a briga do coiteiro Pedro de Cândido com o fabricante de queijo conhecido como Joca Bernardes – e a disposição deste em se vingar, denunciando Pedro à polícia.

Joca Bernardes estava com uma carga de queijo para entregar em Pão de Açúcar, quando Pedro de Cândido apareceu querendo comprar a produção. Joca se negou a vendê-la alegando que o queijo era de um cliente em Pão de Açúcar, mas Pedro de Cândido não atendeu e levou todo o queijo que conseguiu juntar; levou e não pagou – segundo disse a Bernardes – em represália por ter se negado a vendê-lo.

A fama de que Pedro de Cândido era coiteiro de Lampião já havia se espalhado pela região e, com a atitude de levar toda a produção de queijo, Joca Bernardes não teve mais dúvida. Pedro de Cândido não negociava com queijo e se levou toda a produção era para servir a muita gente; e se era para servia a muita gente, só podia ser o bando de Lampião que estava por perto.

Vaqueiro, almocreve, cangaceiro e poeta

Aquele sujeito alto e magro, que passava comandando a tropa de burro carregada de algodão para a fábrica de Delmiro Gouveia confundia-se com o agricultor sertanejo comum: calejado pelo sofrimento de viver numa região assolada pela seca, mas forte igual a um touro.

Assim era Virgolino, o filho mais velho de José Ferreira. Era ao mesmo tempo almocreve, vaqueiro, poeta e depois cangaceiro – o mais famoso dos chefes do cangaço. E nem mesmo nas refregas com os “macacos” – era assim que ele se referia à polícia – perdia o mote.

Roberto Vilanova – Repórter
Fonte: O Jornal
http://www.noticiasdosertao.com.br/ultimas/cultura/4520-vida-histria-maior-mito-Serto.html

VIRGULINO LAMPIÃO DEPUTADO FEDERÁ

Por: Jessier Quirino

Um pouco sobre a vida de Jessier Quirino

Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Paraibano de Campina Grande filho adotivo de Itabaiana onde reside há dezessete anos. Autor dos livros: Paisagem de Interior (poesia), Agruras da Lata D'água (poesia), O Chapéu Mau e o Lobinho Vermelho (infantil), Prosa Morena - acompanhado de CD com declamações de alguns poemas, musicas e causos, Política de Pé de Muro, A Folha de Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes, além de causos, músicas, cordéis e outros escritos. Todos publicados pelas Edições Bagaço - Recife/PE.

Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.

"A poesia matuta já é um estilo consagrado da literatura brasileira. Nomes como Patativa do Assaré, Catulo da Paixão Cearense e Zé da Luz são conhecidos em todo o país como os principais representantes do gênero. Um pouco menos famoso que os três, mas podendo ser considerado tão importante quanto, é Jessier Quirino, poeta paraibano que vem se destacando por seu estilo humorístico."

http://www.enciclopedianordeste.com.br/nova269.php

Vamos ao vídeo

Virgulino Lampião, Deputado Federá - Jessier Quirino

Vídeo enviado pelo poeta Jessier Quirino ao escritor e pesquisador do cangaço: Dr. Archimedes Marques

http:blogdomendesemendes.blogspot.com 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

História dos Volantes - Mané Véio, O carrasco de Angico

Por: Alcino Alves Costa

Todos foram endeusados, ganharam fama, glórias e troféus especialmente o comandante da Força responsável pelo grande feito, o Tenente João Bezerra e seus imediatos Aniceto Rodrigues e Francisco Ferreira de Melo. No entanto o que não se pode esconder é a bravura de alguns dos participantes daquela memorável batalha, homens como o Cabo Bertoldo, Cabo Juvêncio irmão do afamado rastejador Gervásio da volante de Zé Rufino, Panta de Godoy (possível matador de Maria Bonita), Zé Gomes, Noratinho e Abdom. Homens que faziam parte de um contingente de verdadeiros heróis.

Todavia não tem como esquecer a bravura e a coragem daquele que foi sem nenhuma dúvida o grande baluarte, o gigante de Angico, o verdadeiro comandante daquela inigualável batalha o extraordinário 


Mané Véio

Manoel Marques da Silva famosamente conhecido pelas alcunhas de Mané Veio e Antonio Jacó. Mané Veio era baiano de Santa Brígida, ele e o Cabo Juvêncio deixaram as forças de seu estado e foram trabalhar sob as ordens de João Bezerra.

Vale a pena enfatizarmos a História desse titã de Santa Brígida. Manoel Marques da Silva é o seu nome de batismo. Era filho de Jacó Marques da Silva e Jovina Maria da Silva, sendo sobrinho de outro valentão, o lendário Elias Marques, morto no fogo da Maranduba e primo do filho deste o não menos famoso Procidônio. Pai e filho formam a dupla infernal que costumava brigar unida em memoráveis batalhas, contra os grupos cangaceiros. Na Maranduba Elias é baleado em um dos braços.

A principio o ferimento não parecia grave, no entanto sobreveio uma hemorragia e, se esvaindo em sangue, é amparado pelo sobrinho e pelo filho. Era tarde.Nada se podia fazer. Elias morria nos braços do filho e do sobrinho. Mané foi criado nas modestas ruas de Santa Brígida. Os moradores daquele pequenino arruado eram aparentados e o filho de seu Jacó viveu a sua meninice e infância ao lado de Zé de Neném, de Maria Bonita e de seus numerosos irmãos.

Como sabe, anos depois, já em 1930, a filha de seu Zé Felipe e Dona Maria Déa, após um casamento mal sucedido com o sapateiro Zé de Neném, bandeia-se para a companhia de Virgulino Ferreira. O baianinho desde criançinha era chamado pelo carinhoso apelido de Mané Veio. Era magricela, esguio, alto, de boa presença e com uma conversa fluente, porém genioso e mal criado ao extremo. Ao completar 17 anos em 1929, uma vez que veio ao mundo em abril de1912, ingressou nas fileiras da volante de Francisco Moutinho Dourado, o terrível Douradinho, passando depois pela volante do Sargento Adolfo, até ingressar na Força comandada pelo irmão de João Maria de Serra Negra, o Tenente Liberato de Carvalho.

Mané Veio foi um dos participantes do extraordinário combate da Maranduba, ocasião em que atirou tanto que seu mosquetão ficou com o cano em brasa estourando a culatra da arma, deixando-o surdo de um dos ouvidos pelo resto de seus dias. Acontece uma terrível inesperada desgraça na vida do valentão de Santa Brígida. Essa provocação veio da esteira de seu casamento com uma mocinha dali mesmo. Uma bela menina chama Cidália. Os primeiros anos foram de felicidade. Nasceu um filho. Foi batizado com o nome de Abílio. O casal vivia num mar de rosas. Os dois se amavam profundamente. Mas entre eles existia uma quase que intransponível barreira. O gênio fortíssimo de ambos.

Apesar de se amarem, Mané Veio e Cidália possuíam uma incompatibilidade de gênio muito forte. Encruzilhada que fez com que aquele casamento se tornasse uma tragédia sem precedentes na história da povoação do sertão da Bahia. O principal motivo para os dissabores eram os pendores irreversíveis do filho de seu Jacó para as aventuras amorosas. Alem de outros romances extraconjugais mantinha forte e ardoroso caso com uma mocinha do lugarejo Curituba, daquele mesmo estado. A cabocla se chama Pureza e é ela a causa maior dos desacertos do casal que se arrasta até chegar na separação definitiva.

Apesar de separado da esposa e do filho o militar não deixa de cumprir com suas ocupações de dono de casa, procurando assim manter as despesas da família. Recomenda ao parente João Silva que não deixe a sua mulher e seu filho passarem fome durante os dias em que estivesse viajando, durante a sua ausência o parente e amigo suprisse as necessidades da casa que quando ele retornasse das viagens quitaria as dividas. Em um desses retornos inicia-se a grande provocação e desventura do moço de Santa Brígida. Depois de mais uma caçada, perseguindo cangaceiro, retorna para o merecido descanso.

Mais que depressa procura o parente. Precisa acertar contas. A conversa entre os dois foi a de sempre. Tudo acertado vão tomar banho na fonte das Caraíbas. O rapaz de Santa Brígida conta peripécias de sua viagem pelos cafundós dos sertões à caça de bandidos. O banho é demorado. Lá pelas tantas resolvem sair da fonte e vão vestir as suas roupas. É nesse instante que a desgraça se apresenta na vida do moço da volante. Do bolso da calça do João cai um papel.

Mané Veio vê, imagina que é um bilhete e de sua cabeça brota uma inconcebível injustiça, julga que a letra que está naqueles rabiscos é a de sua esposa. Apesar de violento o caçador de cangaceiro consegue dominar seu doentio ciúme. Nada diz ao amigo. Continua a conversa calmamente. Não demonstra que está enlouquecido pela suspeita de infidelidade de sua esposa. Ao se ver sozinho o militar quer saber onde Cidália está. É informado que ela se encontrava na Fazenda Cajueiro lavando roupas, acompanhadas de amigas e da irmã Zafira. Ensandecido pega o mosquetão e vai procurá-la. A mulher, inocentemente lava suas roupas e a de seu filhinho. Não imagina a tragédia que dela se avizinha.

Conversa alegremente com as companheiras. De repente o marido desponta. Apesar de com ele não mais morar, ainda o ama e o respeita por demais, alegra-se com a presença do pai de seu filho. As lavadeiras olham, curiosas, o homem que vem chegando. Nada temem. Não esperam que ele seja capaz de cometer alguma ação criminosa contra a sua esposa. O soldado chega se aproxima de Cidália e manobra sua arma. A infeliz mulher percebe a desgraça que se abate sobre ela e corre, procurando amparo no corpo da irmã. O enlouquecido marido não lhe dá tempo e nem oportunidades de se livrar da morte.

Um certeiro balaço destroça o seu rosto, deixando-a estendida no chão morta. O verdugo ainda dá mais dois tiros na infeliz e deixa o local. Acabava de praticar um monstruoso e hediondo crime. O crime que abalou Santa Brígida e todo o sertão baiano. O povo se revolta. Tudo aquilo era uma descomunal injustiça. Ficou comprovado que Cidália era inocente. Jamais mantivera romance com quem quer que fosse. A atitude extremada do soldado foi abominável. Severas providências teriam que ser tomadas. O assassino não quer pagar pelo bárbaro crime que cometeu. Homizia-se.

Embrenha-se na mataria e fica um ano escondido no Serrote do Galeão, enfurnado numa gruta que hoje é conhecida como A Toca de Mané Veio. Protegido pelos militares consegue se transferir para Alagoas, onde fica sob a proteção do Tenente Lucena e sob o comando de João Bezerra da Silva.

Em Alagoas troca de nome. Deixa de ser Mané Veio para se tornar Antonio Jacó e, como não poderia deixar de ser, confirma a fama de valentão. Em pouco tempo é um dos principais homens da volante. Em todos os combates é um dos vanguardeiros. Um feroz guerreiro. O verdadeiro comandante da tropa que atua. Eis que chega o dia de Angico. É nesse épico que sua valentia e desassombro o torna ainda mais grandioso. A sua destacada atuação foi especial, fazendo-o grande timoneiro que dirigiu a lendária batalha desde os momentos iniciais do cerco até o seu retumbante desfecho.

Vejamos: Foi Mané Veio, ou Antonio Jacó, se quiserem, quem arrancou as unhas de Pedro de Cândido, fazendo-o revelar onde Lampião estava acoitado. Foi através de suas ameaças que Pedro acabou delatando o seu irmão Durval que ao se ver com um punhal apontado para sua garganta pelo aspirante Francisco Ferreira de Melo, que Bêbado e violento poderia muito bem consumar o seu intento homicida, além de já ter dado alguns safanões no então rapazinho de Dona Guilhermina, o moço se viu obrigado a dizer onde Lampião e seu bando estavam acoitados.

Foi Mané quem repudiou a tentativa covarde de João Bezerra de não atacar Lampião em seu reduto de Angico, com a justificativa de que dispunha de poucos homens para enfrentar tão numeroso grupo de bandidos, comandados pelo Rei cego. Foi Mané Véio o matador do cangaceiro Mergulhão, um daqueles de Poço Redondo, quando este, no meio da fumaceira, tentava salvar-se do inferno de Angico e murmurava: - Sou do Poço, sou do Poço. Foi Mané Véio ainda o matador de uma das maiores estrelas do cangaço, um dos poucos que restavam dos afamados veteranos que com Lampião lutara desde os tempos de Pernambuco, o famoso valentão do retiro, um dos maiorais da história cangaceira, Luis Pedro.

Conta o bravo homem de Santa Brígida, avalizado pelo respeito de sua própria história, que durante a batalha, já no final do tiroteio, começa a descer o riacho e, de repente, vê um cangaceiro caminhando, em sua direção. O bandido parece dominado pelo cansaço. Caminha lentamente. Sobe com dificuldade a ribanceira do riacho. Aquele dia é um dia de sorte para a força que cercou e atacou Lampião.

Uma grande e providencial pedra protege e ampara o valentão da Bahia que expectante observa o caminhar do cangaceiro e tranquilamente espera-o com o dedo no gatilho de seu mosquetão. Conforme o bandido se aproxima, o soldado vai trazendo-o sob o ponto da mira de sua arma. Está abismado. As vestes daquele cangaceiro são especiais, muito luxo, muita riqueza. Parece mais um tesouro ambulante. O chapéu é coberto de estrelas, os dedos estão repletos de anéis e alianças. Percebe, no entanto, que o bandido não é Lampião. Sabia que o rei era amorenado, cabo verde, e aquele que se aproximava era branco, meio sarará, pensou que era Corisco. O assecla cada vez mais se aproxima. Vem chegando. Vem chegando. Está muito cansado. Sua respiração é ofegante.

A pedra impede que o sequaz veja o soldado apontando-lhe o fuzil. Chegou a hora. O dedo aciona o gatilho. O estampido da arma estronda. A bala atinge o coração do cangaceiro. Algo inesperado está acontecendo. Contra toda expectativa o bandido continua caminhando. Dando a impressão de que não foi atingido e, ainda mais assustador, o facínora faz menção de puxar uma arma do coldre.

Neste instante os dois valentões estão frente a frente. Mané Véio é rápido. Dá o segundo tiro. Dessa vez bem em cima do umbigo. O assecla cai de lado. Não faz movimento algum. Parece até que caiu morto. Sem perder tempo o matador corre e inicia o saque. O morto era Luís Pedro, seguramente o principal companheiro de Lampião, talvez o último remanescente das grandes estrelas dos tempos de Pernambuco. Ali está, no meio do famoso riacho, o corpo do célebre caititu, apelido que lhe dera Maria Bonita.

O homem de Santa Brígida está abismado com o luxo e a riqueza do bandido. Além dos anéis e alianças que abarrotam e enfeitam seus dedos, carrega em seu corpo um número vultoso de lenços e jabiracas, tudo da mais refinada qualidade. Apressado e sem querer que os companheiros cheguem, o baiano corta as munhecas do facinoroso, arranca os lenços e as jabiracas, colocando tudo dentro do seu bornal. Revira os bolsos e os bornais do assecla e encontra uma quantidade muito grande de dinheiro e uma lata cheia de ouro. Ao ver tanta fartura, tanto dinheiro, tanto ouro, dá gritos de alegria e felicidade.

O cabo Juvêncio e o soldado Zé Gomes chegam. Mané Véio já havia saqueado quase tudo. Conseguira tanta coisa que estimula os companheiros a procurar o que restou dos pertences do afamado bandoleiro. A procura dos militares não foi em vão. Num dos bolsos do sequaz, Juvêncio ainda encontrou a quantia de quatro contos de réis.

Após o saque os três militares descem o riacho. Estão indo para o coito. Não sabiam que o cangaceiro apagara de vez a sua luminosa estrela. De repente um cabra passa em desabalada carreira. Dá para se notar que o cangaceiro carrega em uma das mãos uma lata. O bandido já está apavorado. Quer se salvar daquele inferno. Mané atira e erra. O assecla joga a lata no chão. Foi sua salvação. Soldado não caçava cangaceiro para proteger a sociedade, a caçada tinha um único objetivo: os pertences dos bandoleiros. Foi o que aconteceu. O bandido foi deixado de lado. Foram procurar a lata.

Zé Gomes foi o felizardo encontrando-a e dentro dela existia uma quantidade tão grande de dinheiro que chegava a ultrapassar cento e vinte contos de réis. Pensa-se que esta lata pertencia a Lampião ou a Maria Bonita. O nunca esperado havia acontecido. Lampião está morto. As cabeças são decepadas. João Bezerra ordena que os despojos sejam colocados em um monte para que sejam repartidos entre todos os que participaram da extraordinária contenda. Zé Gomes, simplório e ingênuo, bestamente entrega a lata com todo o dinheiro que ela continha.

Mané Véio fica enfurecido com a atitude do companheiro. Sabia que nunca mais nenhum soldado iria ver aquela enorme quantidade de dinheiro. E foi o que aconteceu. Nunca mais ninguém soube o paradeiro daquela fortuna. Aborrecido com a loucura de Zé Gomes, o baiano aguardou sua vez. Espera que seu comandante proceda com ele da mesma forma que procedeu com seu companheiro. É o que acontece. João Bezerra o intima a também entregar os bens arrecadados nos saques.

Antonio Jacó já estava prevenido. Respondeu com desassombro que não tinha nada pra dá a ninguém e que tudo que havia conseguido era dele e não adiantava pedido, era dele e de mais ninguém e se alguém não quisesse que fosse assim que o enfrentasse. João Bezerra não era de enfrentar situações perigosas. Conhecia a valentia de seu comandado. Não insistiu no sei intento e o matador de Luís Pedro e Mergulhão ficou com tudo o que achava ter direito. Ainda tinha algo fazer. Em um de seus bornais estavam as munhecas das mãos de Luis Pedro. O que fazer com elas?

Ao chegar em Piranhas, nas Alagoas, encontra solução para seu problema. Enterra as mesmas no oitão da igreja da cidade Ribeirinha. Conhecendo, como conhecia João Bezerra, o baiano sabia que o mesmo não o perdoaria pela desobediência e por não ter lhe entregue os pertences dos cangaceiros. Tudo o que aconteceu é motivo de preocupação. Precavido, esconde num lugar bem seguro, o ouro e o dinheiro. Toma uma decisão. Deixa a policia e foge para as longes terras do Estado de Goiás.

Após alguns anos muda-se para São Paulo. O seu meio de vida ainda é a herança da grota de Angico, negocia com ouro, esse precioso metal tem sido a sua única fonte de renda. No entanto a sua vida continuou cheia de enormes provações, com fatos e acontecimentos que lhe trouxeram sérias desventuras e grandes tristezas. Naquelas estranhas terras, mais uma vez, volta a mudar de nome.

Agora se chama Euclides Jacó. Todavia o destino não queria saber dessas mudanças, vivia sempre em seu encalço e, para tal, tinha um poderoso instrumento: as mulheres. Cidália, a esposa de Santa Brígida, foi sua primeira desventura. Uma tragédia sem limites. Nas terras grandes, como diziam os antigos, os fatos se repetiram. Corre solta? A fantástica história de que o matador de Mergulhão e Luis Pedro, em sua nova vida, se casara com uma bela mulher e os dois tiveram uma linda menininha.

Tudo era felicidade naquele lar. Até que a desgraça volta a se apresentar na vida do antigo combatente de Lampião. Sua esposa está amando outro homem. É avisado. Sua filha já tem quase quinze anos. Morre de amores por ela. A noticia da infidelidade da mulher destroça sua alma se seu sentimento. Reage. A sua dignidade de homem e de macho não será afrontada.

Ainda é o mesmo homem dos tempos do norte. E a filha? Como reagir para não machuca-la tanto? De imediato passa a viver sozinho. O freio de sua vingança é a filha que tanto ama. Eis que a desgraça se apresenta. Um dia ao passar em um ponto de ônibus, se depara com a esposa e a filha esperando o coletivo. Não se controla. É dominado por uma fúria sem igual e se vê dominado por uma medonha e brutal vontade de assassinar a mãe de sua querida filha. A tragédia foi total. Sua amada filhinha foi também mortalmente ferida. Ali, no meio da rua, mãe e filha foram ceifadas desse mundo pelo desesperado esposo e pai.Mané Véio foi preso. Passou muitos anos na cadeia. Pagou sua irreparável dívida com a costumeira dignidade.

Muito tempo depois um judeu o conheceu e resolveu ajudá-lo. O antigo militar conseguiu angariar a confiança de seu protetor e com ele viajou para muitos países e lugares do mundo. Naqueles mundos distantes o antigo caçador de bandido pôde ver as diferenças absurdas naquelas terras com o sertão do norte, o sertão de sua vida aventureira, os sertões distantes da Bahia. O sertão em que perseguiu Virgulino Ferreira da Silva. Portanto, foi este homem, um dos grandes titãs da guerra cangaceira. O verdadeiro carrasco de Angico. Mané Véio é verdadeiramente uma lenda viva perambulando por este Brasil.

*Agradecimento aos confrades Ivanildo Silveira e Clenaldo Santos pelas páginas transcritas.

Comentário de Neto Silva sobre: a morte de Lampião e seus comandados

Eliza e Neto
Eliza e Neto Silva

Caros leitores,

Lendo esta matéria abaixo, postado no Blog Luz de Fifó, fico imaginando como uma pessoa tão estrategista se tornou alvo tão fácil para as volantes que o mataram. Às vezes fico pensando: Será que Lampião sobreviveu mesmo a esse episódio de Angicos, conforme consta no livro "As Duas Vidas de Lampião" do escritor José Geraldo Aguiar? Sempre surgem novos relatos que nos deixam com dúvidas sobre a morte de Virgulino Ferreira da Silva, Maria Bonita e nove cangaceiros na gruta de Angico.

Neto Silva
http://afnneto.blogspot.com.br/

As batalhas de Lampião: Serra Grande

Foram três as grandes batalhas de Virgulino Ferreira. Dessa vez, o maior bandoleiro das Américas enfrenta cerca de 320 soldados justamente na região da sua cidade natal, Serra Talhada (PE). Foi a batalha ocorrida em Serra Grande - considerada a mais violenta enfrentada pelo grupo do cangaceiro.

Segundo o livro "De Virgulino a Lampião", escrito pela neta do cangaceiro Vera Ferreira e o historiador Antonio Amaury, neste combate se enfrentaram cerca de 80 cangaceiros contra 320 soldados armados até os dentes.

As forças oficiais eram comandadas pelo Major Teophane Ferraz Torres, pelo Capitão Higino Belarmmino de Morais, Sargentos Arlindo Rocha, Manoel Neto e Euclides Flor - estes últimos já eram inimigos de Lampião desde a Vila de Nazaré

Nesse episódio, o bando de cangaceiros efrentou pela primeira vez uma volante com armas automáticas: duas metralhadoras hotkiss.

O efrentamento começou na manhã do dia 26 de novembro de 1926 e se estendeu até o fim da tarde, quando as forças pernambucanas se retiraram com cerca de 40 homens mortos ou feridos. No bando de Lampião, ninguém foi morto.

Nesse mesmo ano de 1926, Virgulino recebeu o título de "Capitão" do Exército patriótico que combateu a coluna Prestes, chamado no Nordeste de "revoltosos".

Pescado do Blog Luz de Fifó, de Antonio Andrade