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domingo, 4 de novembro de 2012

Neco de Pautilia

Neco de Pautilia

Publicado no blog Lampião Aceso em 4 de  Novembro de 2008

Visitando Floresta - PE em Julho de 2008 na companhia dos confrades Netinho Nogueira e Marcelo Rocha tivemos a grata oportunidade de conhecer e conversar com um dos últimos Nazarenos vivos, o ex comandante de Polícia Manoel Cavalcanti de Souza, Neco de Pautilia. A satisfação era notadamente mútua, o velho guerreiro se realiza com cada visita que recebe.

O tempo lhe cobra tributos, perdeu parte da visão de um dos olhos, apesar da bengala ainda caminha sem muito esforço, A memória então... é a mesma de grande parte das testemunhas desta história, até parece que foi ontem, rica em detalhes. No final do encontro ele lamentou a nossa pressa e nos entregou um texto contendo o resumo de sua vida e uma homenagem a sua saudosa e inesquecível Nazaré do Pico.

SERRA DO PICO “BALIZA DA NOSSA TERRA”

Muitos jovens de Nazaré foram para a Bahia perseguir Lampião e só voltaram depois de dois ou três anos para visitar as famílias, eu estava entre estes.

Chegando em cima do velho Alto grande do Jatobá, avistamos a Serra do Pico. Apesar de estarmos voltando desinteirados foi festa com direito a fogos, ou melhor, com os estampidos dos tiros de fuzil. A Serra do Pico pode ser vista de muito longe, não sei calcular sua altitude, mas sei que quanto mais longe, mais bonita e naquele momento quando a avistamos parecia já estarmos em casa, pois ali é o marco de nossa terra. A alegria foi passageira lembramos que chegaríamos à Nazaré sem os sete companheiros que ficaram enterrados nas terras frias do estado de Sergipe, vítimas do tiroteio de Maranduba, em 09 de Janeiro de 1932. Foram estes: Sargento João Cavalcanti, Sargento Hercílio Nogueira, Adelgício Nogueira, Antonio Benedito, Elias Barbosa, Pedrinho de Paripiranga e Manoel Boaventura que não resistiu aos ferimentos e veio a falecer no hospital de Penedo – AL.

Naquela fatídica batalha nos posicionamos em cima de um banco de macambira e os cangaceiros em campo aberto, as baixas do grupo de Lampião foram: Sabonete (secretário de Maria Bonita), Catingueira e Quina-Quina e ainda foram presos Bananeira e Volta Seca. Para sepultar os nossos seis companheiros abrimos covas com ponta de facão, cavador de madeira e um machado velho, e a terra era retirada com as mãos. Eu, Manoel Cavalcanti de Souza participei de seis tiroteios com Lampião os principais foram: no Raso da Catarina com o Tenente Ozório Cordeiro, O fogo da Maranduba- mais notável – e o do Riacho da Guia com o Coronel Liberato e o Sargento Odilon Flor, e mais dois em plena caatinga após os quais pedi baixa já como comandante de um pelotão e voltei a minha terra. Casei-me com uma Alagoana de Pão de açúcar e fixei residência no mesmo estado, foi na cidade de Caboclo que travei meu sexto e último combate com Lampião.

Era costume de ele vingar-se de policiais que antes o haviam perseguido e foi o que aconteceu comigo, através de coiteiros ele tomou conhecimento de nosso paradeiro; cercou nossa barbearia em pleno meio dia de um domingo, houve tiroteio, mas sozinho consegui escapar deixando morto o cangaceiro Pó corante. Como policial dei minha contribuição com muita dignidade aos meus conterrâneos e nunca deixei de cumprir uma ordem dos meus superiores.

Fui agricultor e pecuarista, almocreve, sapateiro, barbeiro, alfaiate e finalmente funcionário público da comissão do Vale do São Francisco de onde só saí aposentado. Nesta companhia uma das atividades que desempenhava era de fazer cobranças e voltando de uma delas na Bahia novamente avistei ao longe Serra do Pico, demorei muito contemplando aquela bonita visão recebendo os raios do sol, tal demora me fez perder a lotação que ia para Floresta, mas essa hora perdida me salvou de uma emboscada fatal. Os tiros que eram pra mim findaram tirando a vida de um outro conterrâneo de Nazaré, O Sr. Tiodomiro Gomes de Sá, no dia 12 de Dezembro de 1970. Sou filho do agricultor e pecuarista Pedro Gregório Ferraz Nogueira e de Pautilia Cavalcanti de Souza, nasci no dia 21 de dezembro de 1912 na Fazenda Ipueira (4° distrito de Floresta) resido atualmente à Rua Manoel Novaes, 42 e me responsabilizo por todas as informações aqui descritas.

Floresta – PE, 20 de Maio de 2002.

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LUIZ GONZAGA E O RIO GRANDE DO NORTE

Autor: Kydelmir Dantas

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Ao Mestre Alcino, com carinho

Por: Aderbal Nogueira

Ao Mestre Alcino, com carinho


O Brasil perdeu um grande homem, um grande pesquisador. Os amigos perderam um irmão. Aquele que estava sempre com um sorriso e o coração aberto para receber todos aqueles que  procuravam conhecer a história do sertão. Como ele mesmo dizia:
“Um caipira de Poço Redondo que amava a sua terra”.
E todos aqueles que visitarem um dia o sertão do  São Francisco estarão vigiados por ele.
Cuidem bem de sua terra pois é a terra de Alcino Alves Costa

Aderbal Nogueira 

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CANGAÇO – MILLENARIAN REBELS: PROPHETS AND OUTLAWS - Parte XI - Final

Para os países que falam Inglês - Final
Today the figure of Father Cicero is highly venerated in Juazeiro – www.eunapolis.ifba.edu.b

In general, Brazilian messiahs didn’t condemn the old organization so much as the eagerness for profit manifested more and more by the colonels, making them forget their obligations. Cowhands and sharecroppers fully suffered the consequences of this. They could historically situate the start of this degeneration of relationships and compare this new state of things to a not too distant past. The messianic movements expressed the desire moving toward solidarity at a time when all feelings of solidarity were tending to disappear.

Two directions could be perceived: taking tradition back up and reinforcing it with a higher principle, divine authority, the patronage of God — this is what Father Cicero’s movement did — ; or going beyond the old organization, which revealed itself to be unable to resist the capitalist mentality and the increase of selfishness, in order to again find the meaning of the original community.

They had recourse to religion as the objective spirit of community, in order to seal the pact of alliance. According to that spirit, catholic ritual consecrated the links that united them. Such rites constituted the solemn affirmation of the refusal of the old world that had become profane and the entry into a new world that only now presented a sacred character.

“Once the Holy City was founded, the messiah tried to identify it as much as possible with Holy Places. Particularly in the northeast, the landscape lends itself to surprising comparisons with that of Judea as it might be seen reproduced in the crude religious images on sale at the fairs of the sertão. Father Cicero had quite ably baptized the ruggedness of the terrain around Joazeiro with names drawn from the gospel: the Mount of Olives, the Garden of the Holy Sepulcher, Calvary. Decorated with small chapels and numerous crosses, these places attracted the curious, moved pilgrims and constituted new evidence of the holiness of the places.”[49]

These were not heretical movements in the true sense of the word, even though the church condemned them. They did not criticize the sacraments as the disciples of Amaury de Bêne, the Taborites or the Anabaptists had done in their times. They contented themselves with opposing authentic catholicism — their own — to the corrupted catholicism of the priests.

If religious sentiment was deeply rooted in society, the Church was not the citadel of thought that it had been in medieval times, and the efforts of some country curates to fight popular traditions were ridiculous. It did nothing but reinforce the feeling in the peasant that only the beatos, their messiahs, knew authentic catholicism.

Besides, it was rare to see the priests who chanced to live in those remote regions corresponding to the ideal the poor had of the christian life. The sertanejos criticized them especially for selling various rites. This is why they felt a strong resentment toward the official clergy who were accused of betraying their function in its most sacred aspect. The sermons of the messiahs reflected this opinion. Severino, one of Lourenço’s apostles, proclaimed: “God’s word is not sold at any price; God’s word is free.”

In the legends of the Iberian Peninsula, the Brazilian prophets always drew their inspiration from popular catholicism. Their way of life corresponded perfectly to the idea that peasants had about catholic saints. They were pilgrims, lived on handouts, distributed the gifts they received to the poor. The catholicism that is fed by legends, mysteries, superstition, familiarity and mysticism, was essentially millenarian.

“Time seems to have stopped for the uncouth population of the sertão. Having sidestepped the general movement of human development, it still breathes the moral atmosphere of the illuminated…”[50]

They expected God’s vengeance, but this expectation was dynamic. The poor started to organize themselves for concrete actions like the occupation of land and energetic defense of their conquests. It was an expectation that, far from preventing social activity, incited it. Canudos was the Tabor of the sertão where an intense activity reigned. The millenarians were animated by an enthusiasm that nothing could crush. They did not isolate themselves, and they were not isolated. They did not feel that they were the elect. They were sertanejos, jagunços. The spirit of their activity was simply changed.

This spirit, which inspired the disciples of Lourenço for example, resembled that which had inspired the diggers’ colony on Saint George hill in London two to three centuries earlier: “He who works for another, for payment or to pay a penalty, does not carry out just work; but he who is resolved to work and eat together with everyone else, in this way making the earth a common treasury, gives Christ a hand in liberating creation from slavery and cleansing everything of the original curse.” (Winstanley)
Like pastor Lee of England in 1650 (“A hedgerow in a field is as necessary in its way as authority in the Church or the State”), the Brazilian state deluded itself. The occupation of land, even though for religious purposes, was in itself a challenge to authority. It was not the intention of the Brazilian millenarians to enter into open war with the state. They were waiting for God’s vengeance, but in their waiting challenged the state.

Northeast of Brazil, the land of the sun

But for them, this collective organization of work, this common activity, did not represent wealth. Perhaps the spirit was enriched by this experience, but it did not find its wealth in itself; it was formed from its beyond. The wealth that the messiahs promised to their faithful, an ever-recurring promise in their sermons, could not, in any case, be confused with prosperity and well-being, nor, above all, and this is the essential thing, could it be reduced to a limited common activity, however human it might be. It had to be the conclusion of social activity, the moment of infinite squandering, of the feast, and the moment hoped for was that of its universality.
An entire world stood opposed to its realization.
Chronology
1500
The Portuguese Pedro Alvares Cabral discovers Brazil
1530
Colonization advances towards the territory of the interior
1550
Beginning of the slave trade
1716
The colony becomes a viceroyalty
1817
Beginning of Sylvestre José dos Santos’ messianic movement
1822
Declaration of independence and proclamation of Empire
1835
João Ferreira’s messianic movement.
1871
Enactment of the law “of the free wind”, toward the abolition of slavery. Pilgrimages of the “Conselheiro” in the state of Bahia and of Father Cicero in the state of Ceara. Groups of cangaceiros multiply.
1888
Abolition of slavery throughout the country.
1889
Proclamation of the Republic. Father Cicero performs his first miracles. The Conselheiro preaches insurrection against the Republic.
1896–7
The Canudos campaign against Antonio Conselheiro. The cangaceiro Antonio Silvino begins to declare himself.
1913
Seditious movement of Father Cicero against the federal government.
1914
Arrest of cangaceiro leader Antonio Silvino
1920
Lampão joins Sinhô Pereira’s cangaço.
1922
Lampão is proclaimed gang leader.
1926
Lampão’s interview with Father Cicero.
1930
Getúlio Vargas’ presidency.
1934
Father Cicero’s death. Birth of Lourenço’s messianic movement.
1937
Getúlio Vargas’ dictatorship.
1938
Trap in Angico and death of Lampião. Lourenço’s movement slaughtered.
1940
Corisco dies, and with him cangaceirismo disappears.

[1] On of the individuals involved in the French group, Os Cangaceiros.
[2] Having found an English translation of the book that Georges Lapierre makes frequent reference to with regard to the movement around Conselheiro (Os Sertões by Euclides da Cunha, translated as Rebellion in the Backlands), several other interesting facts come out. The movement was a tri-racial group, involving indigenous people, those of African descent, those of European descent and every possible mixture thereof. In addition, individuals from all parts of the under classes were included — thieves and prostitutes alongside former cowhands and “holy women”. A significant part of the message that drew people to Canudos was a liberation from work, which was seen as worthless activity and detrimental to the spiritual needs of the moment. In addition, despite Conselheiros own extreme asceticism and personal refusal of sexual intercourse, he not only turned a blind eye to what Cunha calls “free love”, but even promoted it by saying that in these lasts days, there was no time to worry about such trivial matters as marriage vows.
[3] On this level, I tend to see Lampião’s relationship to Father Cicero as perhaps less respectful than Georges Lapierre portrays it. When Father Cicero gave Lampião a title, arms and ammunition in 1926, of course, Lampião gladly took them, but for his own purposes. Rather than doing what the good padre wanted, he simply went on his way, living his outlaw life, an indication to me that he recognized the limits of the priest’s activities.
[4] The backlands, particularly the backlands of northeast Brazil centering in Bahia. Sertoes is simple the plural form of sertão.
[5] Wealthy owner of a fazenda, a cattle ranch.
[6] Social bandits of northeast Brazil.
[7] Pereira de Queiroz: Réforme et Révolution dans les Société traditionnelles
[8] Euclydes da Cunha: Rebellion in the Backlands, p. 135 (University of Chicago Press, Chicago, 1944).
[9] Ibid., p. 135, taken from notebooks found in Canudos
[10] Scrub-forest land.
[11] Cunha, op. cit., p. 30
[12] Blessed one, the implication is that he is perceived as a living saint.
[13] Cunha, op. cit., p.135
[14] Ibid., taken from notebooks found in Canudos.
[15] Literally a reference to the bundles of weapons carried by these outlaws, the term was also used to refer to their bands.
[16] Cunha, op. cit., p. 138
[17] Ibid,, p. 138
[18] Ibid., p. 140
[19] Literally, ruffian, but Cunha tended to use it to refer to all sertanejos. Apparently the people who followed Antonio Conselheiro to Canudos took the name upon themselves with pride.
[20] Poetry found in Canudos written on little bits of paper.
[21] D. Sebastião: King of Portugal (1557–1578), died in the course of an expedition against the Moors. The populace did not want to believe in his death. He became a legendary and messianic figure comparable to that of the Emperor of the last days: he would be returned from the isle of Mists, having organized an army to free Jerusalem.
We find this Portuguese legend from the end of the 16th century to again be quite popular in Brazil. It formed the nucleus of two important messianic movements that manifested in the province of Pernambuco in 1817 an 1835: that of Sylvestre José dos Santo and that of Joao Ferreira.
[22] Cunha, op. cit., p. 136
[23] Ibid., pp. 160, 162
[24] Ibid., pp.143–144
[25] A small palm.
[26] Jacare literally means alligator, a reference to the strength of this knife.
[27] Cunha, op. cit., p.149
[28] .Ibid., p.154
[29] Ibid., p. 178
[30] Types of repeating rifles.
[31] A gum-bearing tree.
[32] Cunha, op.cit., pp. 274–276
[33] Ibid., p. 280
[34] This is a reference to the ancient Parthians who would continue shooting arrows at their enemies even as the retreated from a lost battle. This is the source of the English term “parting shot”, originally “Parthian shot”. — Translator’s note.
[35] Cunha, op. cit., p. 325
[36] Ibid., p 235–236
[37] Ibid., p. 436–437
[38] Ibid., p. 475
[39] Ibid., p. 475. Euclydes da Cunha’s book ends with a slander typical of the time: “… they took [Antonio Conselheiro’s head] to the seaboard, where it was greeted by delirious multitudes with carnival joy. Let science here have the last word. Standing out in bold relief from all the significant circumvolutions were the essential outlines of crime and madness.” (p. 476)
[40] Hegel, Principles of the Philosophy of the Right
[41] Josué de Castro, Une Zone Explosive. Le Nord-est du Brésil
[42] Cangaceiros: Ballads Tragique. Illustrations by Jô Oliveira, text by Mario Fiotani
[43] Cangaceiros: Ballade Tragique
[44] Cangaceiros: Ballad Tragique
[45] Euclydes da Cunhu, Les Terres de Canudos
[46] Vittorio Laternari Les Mouvements Religieux des Peuples Opprimés
[47] Pereira de Queiroz, Réforme et Révolution dans les sociétés traditionelles
[48] Needless to say, today arbitrary power is total and guaranteed.
[49] Pereira de Queiroz
[50] Euclydes de Cunha
Source of information – 

http://theanarchistlibrary.org/library/os-cangaceiros-millenarian-rebels-prophets-and-outlaws

Extraído do blog: "Tok de História" do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

http://tokdehistoria.wordpress.com/2012/09/22/cangaco-millenarian-rebels-prophets-and-outlaws/ 

Marcolino Diniz

Marcolino - sentado - tokdehistoria.wordpress.com 

Matéria do jornalista Sebastião Lucena, publicada no jornal "A União" de 11 de agosto de 1978.

Marcolino Diniz nasceu em 10 de agosto de 1894 e faleceu em Irerê -PB (antiga Patos de Princesa), em 21 de dezembro de 1980, aos 86 anos, nessa idade sabe como é ... por qualquer coisinha se morre.


A história dele tem passagens interessantes: inclusive a relação de amizade que tinha com 

Lampião - tokdehistoria.wordpress.com 

Lampião, e a sua libertação exigida pelo mesmo em 1923, a carreira que ele deu em 

Quelé - tokdehistoria.wordpress.com -

Quelé quando foi resgatar a amada Xanduzinha durante o combate citado na reportagem acima.

 
 Alexandrina Pereira Lima (Dona Xandu) - tokdehistoria.wordpress.com

Créditos das informações adicionais: confrade Fábio da comunidade "Lampião, Discussão Técnica".

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A MORTE DO NOSSO E O QUANTO MORREMOS TAMBÉM (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

A MORTE DO NOSSO E O QUANTO MORREMOS TAMBÉM

Há três anos perdi minha mãe, D. Peta, falecida aos 65 anos. Agora no último dia 1º de novembro perdi meu pai, Alcino, falecido aos 72 anos. Três anos entre uma perda e outra. Se lá atrás já havia morrido também um pouco, agora morri outro tanto. O que me resta no corpo que eu possa chamar de vida?

Alcino e dona Peta

Nos momentos de aflições, naqueles instantes dolorosos da perda, nos chegam os véus transparentes em palavras de conforto e encorajamento. Véus transparentes porque sem qualquer poder de verdadeiramente encobrir a dor, o sofrimento, a sensação de ter morrido um pouco também.


Mas a verdade é que morremos um pouco todas as vezes que perdemos alguém que na vida era de suma significação no nosso viver. Nos instante da morte, quando tomamos conhecimento da triste realidade, tal fato nos arrebata tão profundamente que até sentimentos que estamos morrendo também.

Ao nos depararmos com a realidade da perda, talvez a nossa morte não se complete naquele instante porque ficamos como que paralisados, sem acreditar, ainda sem a exata dimensão do acontecido. Chega-nos tudo tão rápido, tão inesperado, ainda que já estivéssemos tendo certeza que aquilo logo aconteceria.

É a força do impacto, da não-aceitação do inevitável. É instintivo, mas surge a absoluta recusa em acolher a situação. Mesmo em enfermidades que se prolongam e a permanência na vida só aumenta o sofrimento do doente terminal, ainda assim nunca achamos que aquele seria o momento mais apropriado para o seu descanso.

A não-aceitação ou a negação da morte é o que faz, a partir do despertar para a realidade, com que aquele que fica se sinta um pouco falecido também. E não raro a pessoa não fica apenas fragilizado a tal ponto de se sentir definhando, mas verdadeiramente quer morrer de verdade, naquele instante, de modo a ser sepultado junto com o corpo do seu.

Tudo provocado pelo amor sentido, pela afeição, pelos laços sentimentais que ninguém suporta verem desfeitos. É como se dali em diante não houvesse mais motivos para continuar vivendo, como se a vida não tivesse mais nenhum sentido sem a presença daquele que parte. E tudo envolto na dor, na agonia, na aflição, no mais profundo desespero.

E quando afirmo que a morte de alguém querido faz com que sentimos que morremos um pouco também, o faço ainda por outros motivos. E estes de cunho familiar, pessoal, de apego inseparável. Neste contexto surge a primeira indagação: o que fazer dali em diante se tudo era tão dependente daquele que se vai?

E mais dois questionamentos que estraçalham por dentro: Como superar aquela ausência, aquela falta, se a presença continuará em tudo e em todo lugar? Como reencontrar o prazer em permanecer vivendo, lutar com todas as forças para que aquela ausência, mais cedo ou mais tarde, se torne apenas numa lembrança boa?

Só mesmo o tempo para superar tudo isso, para ir diminuindo as dores da perda, os sofrimentos terríveis causados pela ausência. Ainda assim nunca haverá um esquecimento que se prolongue por muito tempo. Ora, o outro ser está na própria pessoa, no seu sangue, no seu sobrenome, na sua vida. Era mãe, era pai, era irmão, era familiar, era amigo, era alguém de profunda afeição.


Contudo, mesmo já tendo passado o período mais difícil e a pessoa vai seguindo sua estrada do jeito que pode, eis que os instantes da vida começam a trazer relembranças, a acordar os sofrimentos adormecidos. Os objetos pessoais que encontra, o velho baú reaberto, a fotografia na parede, a música que toca, palavras que ouve.

Então a lágrima ressurge como tempestade. A saudade torna-se insuportável, e tudo novamente começa a parecer difícil demais de suportar. Até que encontre forças para olhar ao redor e perceber a existência de pessoas que dependem de sua presença, de sua luta, de sua proteção, de sua vida.

Senti tudo isso quando perdi minha mãe há três anos. E agora, há três dias meu pai faleceu. Desde três anos atrás que já havia morrido um pouco. Nunca consegui me refazer daquela partida. E já fragilizado perco ainda mais do que em mim restava. E não sei até quando esse resto suportará existir.
  
Biografia do autor:

(*) Meu nome é Rangel Alves da Costa, nascido no sertão sergipano do São Francisco, no município de Poço Redondo. Sou formado em Direito pela UFS e advogado inscrito na OAB/SE, da qual fui membro da Comissão de Direitos Humanos. Estudei também História na UFS e Jornalismo pela UNIT, cursos que não cheguei a concluir. Sou autor dos eguintes livros: romances em "Ilha das Flores" e "Evangelho Segundo a Solidão"; crônicas em "Crônicas Sertanejas" e "O Livro das Palavras Tristes"; contos em "Três Contos de Avoar" e "A Solidão e a Árvore e outros contos"; poesias em "Todo Inverso", "Poesia Artesã" e "Já Outono"; e ainda de "Estudos Para Cordel - prosa rimada sobre a vida do cordel", "Da Arte da Sobrevivência no Sertão - Palavras do Velho" e "Poço Redondo - Relatos Sobre o Refúgio do Sol". Outros livros já estão prontos para publicação. Escritório do autor: Av. Carlos Bulamarqui, nº 328, Centro, CEP 49010-660, Aracaju/SE.

Poeta e cronista
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sábado, 3 de novembro de 2012

A SAUDADE QUE FICA DO CAIPIRA DE POÇO REDONDO

Por: Archimedes Marques

A SAUDADE QUE FICA DO CAIPIRA DE POÇO REDONDO

Você deixou tudo a tua cara
Só pra deixar tudo
Com cara de saudade. (Alice Ruiz)

O que chamamos de morte e que na verdade é apenas o desencarne, o fim da vida terrena, é um caminho inevitável. Temos todos, um dia ou outro, hoje ou amanhã, próximo ou mais demorado, de uma forma ou de outra, que viver isso. Não porque é uma fatalidade do destino, mas porque faz parte da vida desde que a nossa vida se faz vida. Mas o que sempre esperamos, torcemos e pedimos ao Criador é que os bons, aquelas pessoas ILUMINADAS que só fazem o bem ao seu semelhante durem mais tempo, sobrevivendo aos maus.

Alcino e João de Sousa Lima

Assim cada um de nós vive, mesmo se de maneira dolorosa igual, de um jeito diferente as diferentes perdas pelas quais temos que atravessar, embora saibamos muito bem que dessas perdas ficam os seus exemplos, positivos ou negativos.

José Cicero, Alcino e Bosco André

E mesmo quando o tempo consegue aplacar essa dor, estancar esse dissabor, sempre fica dentro da gente aquele sentimento indecifrável de vazio junto com a saudade, sensações que perduram até chegar a nossa hora, então passando tais sentimentos para os nossos amigos que também chorarão por nós, caso mereçamos, e assim sucessivamente. É a vida daqueles que sobrevivem a vida dos seus amigos, dos seus entes queridos.

Professora Aninha e Alcino Alves Costa

Absoluta certeza tenho que não somente eu sinto essas sensações com a perda do amigo 

Vilela, Alcino e Rubinho

ALCINO ALVES COSTA, mas também centenas de outras pessoas, pois o CAIPIRA DE POÇO REDONDO (como ele próprio carinhosamente gostava de ser chamado)  sem dúvida alguma foi um homem ILUMINADO que bem soube iluminar a todos que o cercavam, uma pessoa abençoada por Deus que irradiava e continuará na saudade irradiando luz, irradiando alegria, irradiando paz, irradiando harmonia, também irradiando determinação, irradiando a coragem do bravo sertanejo. Alcino é desses abençoados amigos que para sempre ficam guardados “debaixo de sete chaves”, pois além de tudo ele abençoava os seus amigos com a sua áurea desprovida de qualquer maldade. As diversas homenagens e eloquentes mensagens de despedidas desprendidas por seus amigos no cortejo funeral ocorrido no seu querido Poço Redondo são inequívocas provas de tudo isso que falei. Um amigo que bem soube plantar, regar e colher uma grande legião de amigos.

ARCHIMEDES, ALCINO E ELANE

Poço Redondo, encravado nesse nosso sertão sergipano, na escaldante tarde desse dia 02/11/2012 (coincidentemente o dia dedicado aos mortos) chorou as suas lágrimas de pesar desde a sua residência nas primeiras horas, a Câmara de Vereadores, a missa de corpo presente na Igreja da Matriz, a Prefeitura até chegar ao Cemitério local da cidade em verdadeira romaria de amigos, provando e comprovando o quão querido era e continuará sendo o poeta, compositor, escritor, pesquisador e historiador ALCINO ALVES COSTA, para mim e com certeza para a grande maioria daquele povo, até então, A MAIOR PERSONALIDADE NASCIDA NAQUELAS TERRAS.

Antonio Amaury e Alcino Alves Costa

Da missa de corpo presente, além das eloquentes falas dos seus amigos, uma passagem ficará para sempre guardada na minha memória: uma rosa amarela brilhante e ensolarada retirada do nosso singelo buquê e repassada às minhas mãos pela minha companheira

Juliana Ischiara, Alcino e Paulo Gastão

Elane Marques, cuja cor específica evoca sentimentos de calor, respeito, alegria, felicidade e amizade, depositada por mim sobre o caixão então fechado onde jazia o corpo do CAIPIRA DE POÇO REDONDO, rosa essa que também continha nas suas pétalas gotas das minhas lágrimas, notei como bom observador, que colocaram-na para dentro dessa urna funerária assim que fora aberta na própria igreja quando da bênção final  com os Asperges sagrados de água benta realizados pelo Pároco local. 

Aderbal Nogueira e Alcino Alves Costa

Dessa minha simples homenagem e das suas conseqüências senti-me agraciado pelas circunstâncias em ver aquela rosa amarela a seguir junto com o corpo do amigo Alcino em direção ao seu descanso final.

Rostand Medeiros, João de Sousa Lima, Lili, Ivanildo Silveira, Alcino Alves e Juliana Ischiara

Não só os seus parentes e amigos, mas também a cultura sergipana, nordestina e brasileira perde um grande ícone. O sertão perde uma imensa parte da sua identidade. O movimento CARIRI CANGAÇO jamais será o mesmo sem a presença do grande amigo de todos os seus componentes. A história do cangaço que sem dúvidas é das mais legitimas expressão da nossa cultura, da cultura do nosso querido Nordeste, deixa de ter em “vida matéria” dos seus maiores historiadores, embora as suas obras, os seus legados, os seus escritos, os seus pensamentos, os seus entendimentos, os seus ensinamentos vivam para sempre. 

Kydelmir Dantas e Alcino Alves Costa

Com toda certeza daqui a centenas de anos ainda estarão citando ALCINO ALVES COSTA como fonte de informação, pois as águas bebidas das suas fontes e também oferecidas ao público foram águas de fontes saudáveis e não envenenadas, águas de fontes puras e cristalinas, águas das fontes de um verdadeiro CABRA-MACHO SERTANEJO que de tudo deixou a sua cara e com isso deixou tudo com cara de saudade como bem diz a escritora e poeta Alice Ruiz no preâmbulo acima citado.

Alcino Alves Costa e Manoel Severo

Ser um desses amigos de Alcino, para mim foi um dos maiores privilégios, uma verdadeira honra. De Alcino só me resta eterna gratidão por também fazer parte da sua legião de amigos.

Alcino Alves, João de Sousa Lima , Ângelo Osmiro  e Ivanildo Silveira

Que você seja bem sucedido também na sua nova morada amigo ALCINO ALVES COSTA e que o seu exemplo de vida ensine os bons a ser melhores!

Archimedes Marques, Delegado de Polícia no Estado de Sergipe e também escritor do cangaço. archimedes-marques@bol.com.br

Enviado pelo autor do texto: Dr. Archimedes Marques

Uns dizeres que vêm lá da Aurora de José Ciço

Por: José Cícero - Secretário de Cultura de Aurora
José Cícero, Alcino Alves e Bosco André


http://lampiaoaceso.blogspot.com

Meu Adeus ao amigo Alcino Alves Costa

Por: João de Sousa Lima(*)

Passei as últimas horas procurando palavras para falar sobre meu amigo Alcino Alves Costa e nada chegava a memória, só as lembranças dos bons momentos que passamos em nossa caminhada nas veredas do sertão na busca pelas diversas  histórias vividas pelos cangaceiros. As lembranças trazem saudades e as saudades as vezes nos ferem, nos tolhem, nos esquadrinham. continuo sem achar palavras para definir o que eu sentia por esse ser humano tão magnifico, tão envolvente e tão leal com suas amizades.

Por enquanto prefiro calar-me no silêncio da recordação, sentir a tristeza da perda do grande amigo e sofrer a dor da perda que no momento me é tão presente.

Como homenagem a pessoa que era meu amigo Alcino eu repasso as palavras de outro grande amigo que é o Antonio Galdino, do Jornal Folha Sertaneja, que deixou a mais justa impressão sobre esse sertanejo que foi pedaço de nossas vidas e que hoje sua perda arranca esse pedaço e nos deixa ferido, marcas que mesmo todas as lágrimas não nos  curaria jamais.

Folha Sertaneja - Paulo Afonso - BA
03/11/2012 - 13:44

Morre o escritor Alcino Costa, o “caipira de Poço Redondo”
Muitas homenagens estão sendo prestadas ao grande escritor
Antônio Galdino

Não bastasse o dia 02 de novembro ser um dia que remete a lembranças de perdas dos entes queridos e se torna assim, naturalmente, em um dia triste, melancólico, este ano ele ainda foi mais doído, especialmente para os pesquisadores e escritores do tema cangaço que se reúnem em associações e seminários para estudar o assunto sobre o qual Alcino Costa, autor de vários livros, era um mestre. No dia 1º de novembro morreu Alcino Costa, “o caipira de Poço Redondo”.

Era assim que ele gostava de ser chamado. Na verdade, uma homenagem a todos os sertanejos de sua querida Poço Redondo que ele mesmo descreve assim: “Outrora, Poço Redondo era um arruado pertencente ao vasto município de Porto da Folha. Com sua emancipação em 25 de novembro de 1953 quase todas as fazendas nascidas nos escondidos daquelas brenhas caatingueiras passaram a pertencer ao novo município. Dentre elas uma fazenda chamada Pia Nova. Nos idos do cangaço o proprietário da Pia Nova era um caboclo de “boa cepa”, “raiz de braúna”, verdadeira “madeira de lei”, “homem atutanado”, sertanejo de “peso e medida”, chamado Torquato José dos Santos”.

Hoje a sua Poço Redondo está de luto fechado. E todo o Nordeste chora a sua morte. Os que estudam, pesquisam, debatem sobre o cangaço estão entristecidos, cabisbaixos, melancólicos pelo passagem do companheiro de tantas caminhadas.

Aqui em Paulo Afonso, João de Souza Lima, Luiz Ruben, Gilmar Teixeira, Rubinho Lima, Galdino, todos estamos pesarosos.

Conheci Alcino Costa quando, a convite de Manoel Severo, participei do Cariri Cangaço no Crato e região do Cariri cearense. Ali estive, com João de Souza e outros pauloafonsinos pra conhecer alguns dos palestrantes que estariam em Paulo Afonso no Seminário do Centenário de Maria Bonita que estávamos organizando, pelo Departamento de Turismo da Prefeitura e coordenação de João de Souza Lima.

Nesses Seminários em Paulo Afonso conhecemos melhor o grande sertanejo, escritor, ferrenho defensor de suas descobertas sobre o tema.

Em todos os momentos ele não conseguiu ficar quieto, fazia intervenções, observava cuidadosamente cada orador e também falava, discutia e saía depois no abraço de todos. Que figura!

Há alguns meses foi intenso o cruzamento de mensagens pelos blogs, Facebook, Orkut, dando conta de um momento delicado de sua vida quando passou muitos dias hospitalizado em Aracaju.

Mas ele voltou ao convívio dos amigos. Com limitações, mas voltou. Ao longo de sua vida, recebeu muitas e merecidas homenagens. O Blog Lampião aceso, registra uma delas: “No  último seminário "Cariri-Cangaço", precisamente na noite de palestras em Barbalha, Ceará, Ivanildo Silveira através da sua comunidade do Orkut "Lampião Grande Rei do Cangaço", encangada com este Blog, prestou homenagem a quatro baluartes da pesquisa e entre estes estava o MESTRE”.

Do Blog Lampião Aceso Alcino com Kiko Monteiro, do Blog Lampião Aceso e Rangel, no lançamento de "Lampião em Sergipe"

Falando desta grande perda, este blog, que tem 31 páginas sobre Alcino Costa, com textos seus, vídeos, fotos e comentários e homenagens de amigos, mostra o quanto ele era querido: “O Decano de Poço redondo era politico, compositor, pesquisador e escritor de notabilidade especial com o cangaço. Estava em tratamento, combatendo um câncer, mas seu organismo não aguentou, e ele, teve uma parada cardíaca.

Como bem disse o confrade Ivanildo Silveira que nos comunicou o ocorrido "Perdemos um amigo, e os nordestinos perdem um grande escritor, uma grande figura humana, um homem que sabia tudo do sertão, e que gostava de ser chamado de caipira".

Uma das mais recentes homenagens ao historiador do cangaço Alcino Costa foi prestada pelo recém criado Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará, presidido por Ângelo Osmiro.

Também o GECC, através do seu presidente Ângelo Osmiro que, acompanhado dos membros Tomaz, Zeca e João de Souza esteve recentemente em visita à região e na Folha Sertaneja, se manifestou sobre a morte de Alcino: O GECC (Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará) lamenta informar o falecimento do confrade e amigo (Sócio Honorário) Alcino Alves Costa. Grande companheiro de muitas jornadas em busca de conhecimentos sobre o cangaço. Alcino passou para um plano superior no dia de ontem. Que o grande "Decano de Poço Redondo" encontre o caminho da luz. ANGELO OSMIRO - Presidente GECC”.

Sobre ele, falou o documentarista Aderbal Nogueira: “Ao longo do tempo conheci várias pessoas nessa andança em busca das histórias do cangaço.  Através de Paulo Gastão cheguei à figura de Alcino Alves, em 1997.

Unanimidade não existe, mas Alcino se aproxima dela. Pessoa que cativa a todos que tiveram e tem o prazer de conhecê-lo.

No último 28 de julho de 2012 estivemos mais uma vez na grota de Angico para prestar homenagem às 12 pessoas que lá tombaram em combate. Nessa mesma ocasião fizemos uma visita a Alcino, que encontrava-se adoentado, para prestar-lhe uma justa homenagem a tão brilhante serviço em prol da historiografia do seu sertão natal e, em especial, à história do cangaço”.

Sobre a morte de Alcino, Aderbal Nogueira deixou esta mensagem: “O Brasil perdeu um grande homem, um grande pesquisador. Os amigos perderam um irmão. Aquele que estava sempre com um sorriso e o coração aberto para receber todos aqueles que  procuravam conhecer a história do sertão. Como ele mesmo dizia: ‘Um caipira de Poço Redondo que amava a sua terra’. E todos aqueles que visitarem um dia o sertão do  São Francisco estarão vigiados por ele. Cuidem bem de sua terra pois é a terra de Alcino Alves Costa”.

João de Souza Lima, também consternado lamenta a perda: “Nós, estudiosos do cangaço, perdemos um amigo, um professor, um mestre. O Nordeste inteiro perdeu um grande cidadão. Perde a cultura sertaneja um dos seus grandes estudiosos”. João esteve recentemente com Alcino que recebeu, autografado, a sua última produção “Maria do Sertão”.

Também a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço lamentou a perda de Alcino: “É com pesar que comunicamos o falecimento do sócio ALCINO ALVES DA COSTA. Aos familiares enviamos nossa palavra de conforto. A perda para nossa entidade é muito grande, haja vista ter sempre sido um vigoroso defensor da entidade. Lemuel Rodrigues da Silva - Presidente SBEC”

Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço trouxe as imagens do sertão para um texto em que homenageia o ‘caipira de Poço Redondo’:

 “Hoje o sertão amanheceu mais triste! O galo cantou mais rouco e os pássaros, as nhambus e as jaçanãs pareciam gorjear mais tímidos. Hoje o Sertão amanheceu mais triste; seu poeta maior partiu. O sol nascia parecendo trazer uma só dor: A dor daqueles que amaram, amam e sempre amarão um dos seres humanos mais fantásticos que já pisaram o chão tórrido e sofrido da caatinga amada de todos nós.

Vai Alcino, vai Caipira, vai Decano, tua missão agora é no Céu, não te preocupas porque aqui ficaremos bem; com uma saudade sem tamanho, mas com teu exemplo de amor às coisas de nosso sertão, de amor às pessoas, de amor à vida.

Muito obrigado querido amigo Alcino por ter nos permitido compartilhar contigo um exemplo de vida. Todos os momentos vividos a teu lado ficam guardados no fundo do coração, saiba que fez e fará sempre parte de nossas vidas.

Se o teu sertão alegre chora, mas é de felicidade por poder testemunhar a grande festa no Céu. Por lá todos estão falando e cantando:

"Hoje é festa no Céu, chegou o Caipira de Poço Redondo, o Decano do Sertão, preparem as alpergatas e o xaxado aprumado que o bicho vai pegar ! "

Alcino Alves Costa faleceu na noite de ontem em Aracaju, depois de ter bravamente travado sua última batalha contra o câncer.

A FAMÍLIA Cariri Cangaço SE UNE A DOR DE TODA A FAMÍLIA ENLUTADA E DE TODO O SERTÃO PELA PARTIDA DE NOSSO QUERIDO ALCINO, MAS SABE QUE SERÁ RECEBIDO NO CÉU COMO UM MESTRE; COMO REALMENTE O FOI EM VIDA NESTE MUNDO. Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço”.

Para todos nós, o dia 2 de novembro, dia de finados, foi ainda mais triste.


João, Ivanildo Silveira e almoço na casa do amigo Alcino.


A Homenagem de Ivanildo e Kiko Monteiro a esse grandioso pesquisador do cangaço.


João e Alcino em uma das últimas fotografias do escritor, visita em sua residência, em Poço Redondo.


O abraço e a companhia que deixa saudades.


A presença sempre marcante.

(*) Escritor, Pesquisador, autor de 09 livros. membro da Academia de Letras de Paulo Afonso e da SBEC- Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço. telefones para contato: 75-8807-4138 9101-2501 email: joaoarquivo44@bol.com.br joao.sousalima@bol.com.br

Enviado pelo autor:João de Sousa Lima

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