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domingo, 21 de agosto de 2016

PADRE MANOEL FIRMINO PINHEIRO, O PADRINHO DE CRISMA DE L A M P I Ã O...


O Padre Manoel Firmino Pinheiro, procedente da freguesia de Nossa Senhora de Mata Grande-AL, onde possuía a propriedade Urubu, com engenho de cana e alambique, era, também, prestigioso chefe político democrata. Anteriormente, tinha sido vigário de Viçosa e deputado à Câmara Legislativa Estadual. Nasceu no dia 12 de dezembro de 1870, na cidade de Penedo – AL. Foi ordenado Padre em 1º de novembro de 1896, no Recife – PE, tendo falecido em 23 de junho de 1954, na cidade de Itaporanga, no Estado da Paraíba, onde havia assumido o vicariato daquela paróquia desde o dia 1º de dezembro de 1935. 


Assumiu a Paróquia de São José de Belmonte em 26 de abril de 1914, onde ficou até 26 de dezembro de 1916. Foi um sacerdote inteligente, enérgico, culto, zeloso e trabalhador, músico e compositor. Escrevia e falava corretamente as línguas: português, francês e alemão; além de conhecer o latim, o grego e o hebraico. Pelo que contavam os mais antigos, o Padre era contra a família Malta em Mata Grande, e, devido às constantes desavenças políticas, teve de sair às pressas da cidade. O coronel Zé Malta, seu desafeto não lhe deu tréguas. O Padre, ao sair, jogou uma praga na família, dizendo que os descendentes, até a quinta geração, haveriam de viver brigando entre si. Segundo me contou uma vez o Sr. Hermes Primo de Carvalho, ex-prefeito de Belmonte, Padre Manoel Firmino tinha o sangue da política correndo em suas veias. Tanto é que, quando saiu às pressas de Mata Grande veio parar em Belmonte, pertencente, na época, à Diocese de Floresta. Nesse período comprou, pela quantia de dois contos de réis, uma propriedade ao Sr. Genézio Lopes de Siqueira e denominou-a de “Barraca”. Eram 352 braças de frente e légua e meia de fundos, com uma casa e benfeitorias, limitando-se ao nascente, poente e sul, com terras de Manoel Alves de Carvalho; ao norte com terras de Norberto Gomes dos Santos Sidé. Nessa propriedade, o padre instalou várias famílias de pretos que o acompanhavam. Na cidade, alugou a casa da Oiticica ao Major Quinca Leonel, na antiga Rua do Comércio, e passou a residir com outros pretos dentre os quais a velha Felisbela, que era uma exímia cozinheira, e Amélia, que era uma excelente costureira, a qual, na ocasião, confeccionou a bandeira da “Euterpina Belmontense”, banda de música local.

Sua residência era uma espécie de jardim zoológico. Além de grande número de animais domésticos, criava também macacos, gatos do mato, raposas e até gambás. Orgulhava-se de ser possuir o melhor e mais belo casal de cães da região.

Contam-se histórias interessantes sobre o Padre. Uma delas era do casal de cachorros que criava, chamados de VOSMICÊ para o macho e SUA PRIMA para a cadela. Certo dia de sábado, chegou um matuto na casa do Padre, que sempre estava lotada de pessoas, e perguntou como era o nome daquele cão tão bonito. O Padre então respondeu: VOSMICÊ. Então todos caíram em gargalhadas e o matuto ficou desconfiado e acanhado. Após alguns minutos, eis que passa pela sala a cadela e o matuto perguntou: Padre está é a mãe de VOSMICÊ?

A memória do cangaço atesta que, em 1912, aos quatorze anos de idade, Virgulino Ferreira da Silva, o futuro “Lampião”, foi crismado, tendo como padrinho o Padre Manoel Firmino Pinheiro. A celebração aconteceu em Floresta e foi presidida pelo primeiro bispo da diocese D. Augusto Álvaro da Silva.

O Padre Manoel Firmino marcou época quando de sua passagem pela Paróquia de Belmonte. Portando sempre uma pistola parabelo na cintura, definia-se ele próprio através de uns versos que gostava de recitar:

Me chamo Mané Firmino
Fui vigário em Viçosa
Visto batina custosa
Do ornamento mais fino
Para tudo tenho um destino
Dou provas nesta cidade
Na igreja ao pé da grade
Fazendo a lei de Cristo
Conforme a roupa que visto
Na batina sou um Padre
Sou chefe municipal
Sou homem particular
Gosto da sociedade
Sou amante da vaidade
E quero que cresça o meu nome
Para que ninguém o tome
Sou protetor de assassino
Sou Padre Mané Firmino
E na batina sou bom Padre.
Nos panos sou forte homem
Na pena faço figura
Na farda sou bom soldado
Na justiça magistrado
Nas armas faço bravura
Gosto também da fartura
Ando garboso e faceiro
Sou galo do meu terreiro
Isto herdei do meu avô
Morro, mato, apanho e dou
Nas armas sou cangaceiro.

Valdir José Nogueira de Moura - pesquisador/ escritor


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O CANGAÇO NA LITERATURA - TOP 10 LIVROS - S01E07

https://www.youtube.com/watch?v=FcbnGobQ2iE&feature=youtu.be

Publicado em 21 de agosto de 2016

O Cangaço na Literatura é um programa que levará o leitor até locais que a maioria apenas lê em livros ou nem sabia de sua existência no universo do Cangaço. 
Todo programa será baseado em uma obra e no final uma outra indicação de leitura. 
É um projeto independente e sem fins lucrativos. O programa é apresentado por Robério Santos. 
O sétimo episódio é sobre livros do Cangaço, os 10 que mais influenciaram o apresentador.

Quem estiver afim de comprar os livros de Robério Santos entre em contato (79) 999695819

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Material do acervo do professor e pesquisador do cangaço 
Rubens Antonio

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PARABÉNS PARA WILMA MARIA FERREIRA LEITE


Hoje (21 de agosto de 2016) a nossa amiga Wilma Maria Ferreira Leite (moderadora do grupo “o cangaço”) está completando mais um ano de vida.
Em nome de todos (as) os membros do grupo “O Cangaço” quero agradecer pelo apoio e contribuição que tem prestado ao nosso trabalho, e parabenizá-la e desejar muitos anos de vida com saúde, paz e prosperidade.

Feliz Aniversário!!!
Geraldo Antônio de Souza Júnior e todos os amigos do grupo.

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NOVO LIVRO DO ESCRITOR SABINO BASSETTI - LAMPIÃO O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS


Através deste e-mail sabinobassetti@hotmail.com você irá adquirir o  mais recente trabalho do escritor e pesquisador do cangaço José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.
Não perca tempo e não deixe para depois, pois saiba que livros sobre "Cangaço" são arrebatados pelos colecionadores, e você poderá ficar sem este. Adquira já o seu.

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AGRADECIMENTO!

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Desejo agradecer aos confrades, confreiras e amigos que estiveram presentes, na noite da última sexta-feira, ao lançamento do meu livro "História da Minha Vida Profissional", especialmente, ao Advogado e escritor Marcos Araújo, que fez um belíssimo discurso, apresentando ao público o citado livro.


Quero externar também, a minha gratidão ao escritor Clauder Arcanjo, que coordenou o referido lançamento, no estande da Editora Sarau das Letras, na XII Feira do Livro de Mossoró.

Enviado pelo professor

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JUNIOR ALMEIDA: A VOLTA DO REI DO CANGAÇO NO FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS


Eu fui presenteado com esta obra pelo autor Júnior Almeida, e já iniciei a leitura. Nela, são revelados fatos que aconteceram no "Instituto Nina Rodrigues", e que são fatos gravíssimos. 

Não deixe de adquiri-la, para você saber o que aconteceu com o material genético dos cangaceiros mortos na madrugada de 28 de julho de 1938, lá na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, e mais outros assuntos do seu interesse. 

Não deixe para depois, vez que livros escritos sobre "Cangaço" são arrebatados por leitores, escritores e pesquisadores, principalmente pelos colecionadores, e você poderá ficar sem ele.

O livro custa 45,00 Reais, e basta clicar no link abaixo e pedir o seu.

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MAIS PONTOS DE VENDA EM CAPOEIRAS

Amigos, nosso trabalho, A VOLTA DO REI DO CANGAÇO, além vendido direto por mim, no MERCADO ALMEIDA JUNIOR E também pode ser encontrado na PAPELARIA AQUARELA, ao lado do Correio, também na PANIFICADORA MODELO, com Ariselmo e Alessilda e no MERCADO POPULAR, de Daniel Claudino Daniel Claudino e Gicele Santos.

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COMUNICAÇÃO!


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano Benedito Vasconcelos Mendes

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APRENDER SEMPRE, E FALTA UMA VIDA AINDA MENINO.

Fonte da foto - Carla Mota

Neste mês de agosto de 2016, aconteceu em São Paulo o encontro do renomado escritor/pesquisador Antonio Amaury  Corrêa de Araújo com o garoto do cordel e do baião Pedro Motta Popoff.

Fonte da foto: Carla Motta

Pedro Motta Popoff desde criancinha que tem interesse pela cultura do nordeste brasileiro, principalmente pelo cordel, baião e o estudo do cangaço.

Veja abaixo este vídeo do Pedro Motta Popoff: 

https://www.youtube.com/watch?v=bP4Y8HT3Piw

Pedro Motta Popoff no Festival Ação Saudável Luiz Gonzaga
Publicado em 11 de fevereiro de 2016
Um show no Festival Ação Saudável da Mondeléz .
Menino Pedro do Cordel e do Baião, o Pedro Motta Popoff
Um resuminho do show cantando muito Baião, Luiz Gonzaga, Alceu Valença e muito mais!
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https://www.youtube.com/watch?v=IYZS355SpJs 

Assista Encontro com Fátima Bernardes Pedro do Cordel e do Baião

Publicado em 19 de ago de 2016
Encontro com Fátima Bernardes Pedro tem 10 anos e é apaixonado pelo nordeste.
Pedro do Cordel e do Baião conversa com Fatima Bernardes
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https://www.youtube.com/watch?v=gF5aQI1ClWg

Menino Pedro Motta Popoff cantando Forró com TRIO URUCUM, Ilha Cardoso - Pedro Do Cordel e do baião Pedro Motta popoff
Publicado em 18 de janeiro de 2015
Criança de 8 anos arrebenta no forró com o Trio Urucum de Sorocaba, Dezembro de 2014 no Marujá, Ilha do Cardoso Sp
menino Pedro do Cordel e do baião
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O PESQUISADOR DO CANGAÇO GERALDO FERRAZ NA ACADEMIA RECIFENSE DE LETRAS


É com muita satisfação que o Conselho Alcino Alves Costa do Cariri Cangaço, convida a todos para a posse de seu Conselheiro Geraldo Ferraz na Academia Recifense de Letras. 

Uma grande honra para toda a família Cariri Cangaço!


Cangaceiros Cariri

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AS DIVISAS DE 3º SARGENTO DE MARIA BONITA

Foto do perfil de Sálvio Siqueira

Em análises e análises, queimando constantemente as pestanas, o pesquisador Rubens Antonio chamou-me atenção, quando citou sobre as divisas que contém nas mangas do vestido de Maria Gomes de Oliveira, a Maria de Déa, Maria do Capitão, tão conhecida como “Maria Bonita”, a “Rainha dos Cangaceiros”.

Vale, e muito, um estudo focado nesse detalhe, pois, queiram ou não, esse detalhe vem nos mostrar uma forma, maneira, de que existira uma espécie de hierarquia militar, ou militarista, dentro do grupo e subgrupos cangaceiros.


Militarmente, no sentido próprio da palavra, claro que não podemos falar, simplesmente por não se tratar de um pelotão, coluna, tropa ou batalhão de soldados. No entanto, tendo, ou portando, as divisas de “Capitão do Exército Patriótico”, divisa essa que o renomado pesquisador/historiador da história do cangaço, Antônio Amaury, autor de vários livros sobre o tema, respondeu a uma pergunta minha, se são válidas as divisas recebidas por Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, “Rei dos Cangaceiros”, em Juazeiro do Norte, CE, dizendo que são sim válidas, pois estão em, constam nos, registros no Ministério da Guerra.


Logicamente, Lampião condecora as divisas de 3º sargento a Maria para que a mesma fique destacada e exerça liderança e autoridade perante as outras mulheres do bando. Assim como, os ‘cabras’ tenham respeito e considerações à mesma.


Sabemos, através de literaturas, que seu cunhado, o cangaceiro Moderno, usava uniforme militar, e essa vestimenta foi o que fez com que fosse reconhecido, pois os próprios companheiros “danificaram” sua face completamente, a golpes de faca peixeira, para que os membros da Força Pública não o reconhecesse. A notícia da morte do um renomado membro do bando deixava os soldados e contratados com mais coragem, assim como diminuía o medo que a população sentia por ele e seus comandados do grupo ou subgrupo. E o medo é uma arma eficaz e terrível. 

Com a palavra, os especialistas...
Foto Benjamin Abrahão

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CANGAÇO NO PIAUÍ


 Mais um livro do escritor e fundador da SBEC -  (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço) Paulo Gastão.


Entre em contato com o autor através deste e-mail: 
paulomgastao@hotmail.com

http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com.br
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NOVO LIVRO NA PRAÇA SOBRE O TEMA CANGAÇO


Trata-se de uma obra do amigo Luiz Serra, que já teve seu lançamento na capital do país, Brasília.
Linda e glamorosa noite de autógrafos. Breve será lançado na capital norte rio grandense, Natal.

Para contatos com o autor, enviar mensagens pelo e-mail: anarquicolampião@gmail.com
Outras formas de aquisição, são em diversos pontos de vendas na capital. Ou entrar em contato com o professor francisco pereira lima, pelo e-mail: 
franpelima@bol.com.br


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sábado, 20 de agosto de 2016

O CANGAÇO NO VIÉS DA SUBJETIVIDADE

Por Analucia Gomes

O movimento chamado cangaço nos mostrou várias vertentes passíveis de análise, mas neste pequeno espaço vamos a um foco de abordagem um tanto subjetiva. Pode-se imaginar a questão da própria autoestima de Lampião, pelo modo de vestir, segundo relatos com adereços brilhantes nas roupagens gerando uma “marca” especial: a do cangaço. 


É equivalente ao marketing de nosso comércio hoje, ao estabelecer um símbolo ou figura para fixar a imagem da loja ou fábrica. Lampião não somente usou de tal recurso, como encantava seus adeptos a ponto de encarnarem tal imagem, vestindo-se no mesmo padrão do líder cangaceiro, até hoje... Fica assim como que justificado vermos pessoas que condenam Lampião e, no entanto se caracterizam como o Rei do Cangaço. 


Outro aspecto interessante é a vinculação ou dedicação expressa de Virgulino à sua crença religiosa e de forma pública e notória o respeito à Padre Cícero como líder religioso do Nordeste. 

Apesar de práticas abusivas e condenáveis ao invadir uma cidade ou sítio, o líder do cangaço prestava clara crença na fé católica, submetendo-se à figura do Padim com naturalidade e respeito. Ambivalência também de muitos nos nossos dias... 

Adaptado de Tito: Psicólogo, professor e consultor. Formado na UMC. São Paulo, pós-graduação PUC-SP e UNICAMP.

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A LENTIDÃO DAS PROVIDÊNCIAS

Por Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2016. - Escritor Símbolo do Sertão Alagoano - Crônica 1.563

Desde o título de “Terra dos Carros de Boi” – escrito ainda hoje de várias maneiras – na era de 1960, que esse tipo de veículo tomou novo rumo. Completamente modificado no seu aspecto de vila, Santana do Ipanema demoliu o cenário antigo, em relação aos prédios do meio da rua e o calçamento de pedra bruta. Proibido de rodar com aros de ferro, para não desgastar os paralelepípedos, o carro de boi ressurgiu com rodas de pneus, usando a surpresa da criatividade. Todo o Sertão foi aproveitando à moda e alguns desses veículos foram chegando apenas até os arredores das cidades. As fazendas ainda usam o primitivo carro, que coalhavam as areias do rio Ipanema.

ILUSTRAÇÃO (agricultura.gov.).

Na busca em dia de feira, ficamos de queixo caído, sem encontrar um único carro de boi em todos os recantos de Santana. Durante a festa da Padroeira surge a Procissão dos Carros de Boi, com cerca de 1.500 veículos chegados de vários municípios. Vamos procurar, então, o rumo das propriedades rurais. Enquanto isso, fomos à famigerada “Ponte do Urubu”, área central, válvula de escape do trânsito e desprezada pelas autoridades.

Estão ali às carroças de aluguel, puxadas por burras treinadas e compradas na região de Palmeira dos Índios. O burro de sela e de carga também vai desaparecendo na região, tendo a motocicleta, principalmente, como substituta. Somente a fêmea dos muares guia as duas rodas.

O maltrato aos animais puxadores de carroças, estão em todos os quadrantes sertanejos. Reina o vício de bater constantemente sem motivo, usado pelo carroceiro desde o adulto sóbrio, bêbado e ignorante até filhos menores condutores enraivecidos. Não surge uma só pessoa, um delegado, um juiz, um promotor, ninguém, absolutamente ninguém para abolir o relho escravagista e punir rigorosamente a esse desafio desrespeitoso e criminoso que afronta à sociedade.

Ê, meu Pai do Céu! Olhai para esse sertão velho sem porteira!


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A MINHA VELHICE NUM MOSTEIRO

*Rangel Alves da Costa

Sou autêntico sertanejo - lá das distâncias bonitas e áridas de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, no sertão sergipano - e sempre imaginei passar minha velhice naquelas terras. Não na cidade, mas numa casinha no meio do mato, nas vizinhanças da catingueira, do mandacaru, do xiquexique, do bicho da mataria. Banhado de sol e de lua, na silenciosa paz dos ventos caboclos.

Mas duas questões se impõem. A primeira diz respeito ao alcance da plena velhice. Já estou envelhecido, mesmo passado tão pouco da casa dos cinquenta. E até a velhice é um caminho ainda a ser percorrido. O problema é chegar até lá, ainda que atualmente as pessoas vivam cada vez mais. Já a segunda questão envolve situações que abismam todo o sertão: o medo e a insegurança.

A violência da cidade espalhou-se por todo lugar. O medo está na rua, na estrada, no sítio, na chácara, no casebre de beira de estrada, na pequena e grande propriedade, em cada recanto e rincão. Ninguém mais vive sequer sossegado. De repente, arrombam a porta, abrem a porteira, levam o que encontrar. A bandidagem de hoje não poupa sequer a pobreza que vive nas casinhas distantes. Querem dinheiro, mas se contentam em levar galinha, panela, penico, qualquer coisa, apenas pelo instinto da prática do mal. E sem reação, sob pena de não amanhecer o dia.

Assim, diante de tal quadro aterrador, cada vez mais vou revendo minha ideia de uma velhice numa casinha no meio do mato. Ora, certamente vão querer levar minha rede, minha moringa, meu pote, meu fogão de lenha, meus livros, meu caderno de poesias. E o que é pior: meus pensamentos. E não há coisa pior na vida do que se sentir subtraído naquilo que pensa, que faz, que escreve, que vive. Na própria vida.

Então começo a planejar algo muito diferente, mas bem ao modo do meu jeito de ser. Algo que se distancie da realidade pavorosa, das correrias do dia a dia, dos barulhos, das ignorâncias, das buzinas, dos medos a cada passo. Algo que seja silencioso como eu gosto de ser, que seja solitário como eu gosto de estar, que seja meditativo como eu gosto de fazer. Ou simplesmente distanciar-me de quase tudo.


E só há um lugar que se ajuste aos dias de minha velhice: um mosteiro. Sim, um mosteiro, ainda que eu nunca tenha sido monge, frade ou exercido qualquer tipo de sacerdócio cristão. Como se sabe, mosteiro é uma construção, sempre nos arredores ou mais distante das cidades, onde habitam os membros de uma ordem religiosa. É ambiente de contemplação, oração, meditação, numa vida humilde, de jejuns e orações. Um lugar mais que propício ao convívio comigo mesmo.

Certamente que eu haveria de encontrar uma permissão especial para adentrar no mundo monástico e fazer de lar o mosteiro. Difícil, mas não impossível. Recordo que o historiador Hélio Silva, um ex-médico e jornalista, ao reconhecer-se envelhecido e cansado dos absurdos da vida, um dia fez voto de pobreza e se recolheu ao Mosteiro de São Bento, alçado a monge beneditino. E lá o grande historiador encontrou a paz que tanto desejava.

Meu voto de pobreza já pode ser dado desde já, pois tal voto não implica em ser rico e se tornar pobre de hora para outra, mas em abdicar das materialidades do mundo, da proximidade das riquezas e dos bens exteriores, fazendo de tal renúncia um modo de humildade espiritual. E, acima de tudo, levar uma vida de devotamento e meditação. Sair do mundo dos egoísmos e das vaidades e adentrar no silencioso mundo da sagrada contemplação.

Preciso agora, na velhice e sempre, encontrar o silêncio. Um silêncio entrecortado apenas pelas vozes que eu mesmo deseje ouvir. Preciso meditar na vagueza dos silêncios calmos, dos poentes sombreados, das velas chamejantes pelos altares. Preciso do silêncio e dos eternos entardeceres de um mosteiro. E falar comigo, e falar com Deus!

Escritor
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ATENÇÃO AMIGOS (AS) DA CIDADE DE SERRA TALHADA/PE E REGIÃO.


No próximo dia 03 de setembro de 2016 estará sendo lançado na cidade de Serra Talhada/PE o Livro “O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO” de Venicio Feitosa Neves.

Em breve informaremos o local onde acontecerá o evento e dados adicionais.

Desde já contamos com a presença de todos (as) os amigos (as).

PRESTIGIEM!!!
LIVRO: O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO "IOIÔ MAROTO.

Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo I Cangaço)

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RELAÇÃO DE LIVROS À VENDA (PROFESSOR PEREIRA - CAJAZEIRAS/PB).


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NATERIAL DO ACERVO DO PESQUISADOR DO CANGAÇO ANTÔNIO CORRÊA SOBRINHO


Em dezembro passado, trouxe aos amigos o comentário sobre a peça teatral de autoria da escritora Raquel de Queiroz - "LAMPIÃO", publicado no "O Estado de S. Paulo", em 1953 (que aqui reapresento). Agora, trago um outro parecer a respeito deste "LAMPIÃO", da consagrada escritora cearense, desta feita, editado nas páginas de "O Globo", em maio de 1954. 

Se algum amigo possuir o texto deste "Lampião", ficarei satisfeito se ele me for disponibilizado, e agradecido.

ESTREIA NO DUSE: “LAMPIÃO”, DE RAQUEL DE QUEIROZ


Um teatro pequeno por fora e grande por dentro – Novos atores e autores, estimulados por Paschoal Carlos Magno – Fala o cenarista Fernando Pamplona.

O Teatro Duse, com apenas cem lugares, foi construído por Paschoal Carlos Magno, em sua própria residência, e funciona como sede permanente do Teatro do Estudante, de onde têm saído alguns de nossos melhores valores dramáticos.

Só se vai ao Duse a convite de seu diretor, de seus professores e alunos. Sem qualquer objetivo comercial, a pequena casa se destina, principalmente, a prestigiar autores nacionais, muitas vezes sem chance de fazer representar, nos grandes teatros, os seus trabalhos. Hermilio Borba Filho, Francisco Pereira da Silva, José Maria Monteiro, Aldo Calvet, Claudio de Araújo Lima, João Augusto e muitos outros escritores dramáticos, ali fizeram a sua primeira aparição pública.

O “LAMPIÃO”

Será levada na próxima segunda-feira, no Teatro Duse, a peça “Lampião”, de Raquel de Queiroz. A grande escritora, evidentemente, não está no caso do estreante sem oportunidade. A estreia da peça no Duse se dará em virtude da amizade que a liga a Paschoal Carlos Magno, e ao mérito que a romancista atribui à iniciativa.

O cenógrafo Fernando Pamplona, falando a respeito, declarou-nos: - “Lampião” é um drama muito bem arquitetado. Interessa do começo ao fim, e a excelente direção de Sálvio de Oliveira lhe empresta ainda maior brilho. É preciso destacar, também, o trabalho de Rosa Carlos Magno e de Antonio Lopes Faria, que cuidaram da indumentária, adaptando-a ao sabor regionalista da peça.

- Quanto aos intérpretes – prossegue o encenador de “Lampião” – estão à altura do texto. Ana Maria, que é nortista, viverá o papel de Maria Bonita. Armindo Guanais, do interior da Bahia, é um “Lampião” de qualidade. O “Ponto Fino” será interpretado por Othon Bastos, cujo talento me impressionou particularmente. Disseram-me que o empresário Walter Pinto anda à procura de um ator jovem e negro, para um quadro “Negrinho do Pastoreio”. Recomendo-lhe que vá ao morro, e procure ver esse moço dançando macumba. Digo apenas que o espetáculo deslumbrou Barrait, na festa que lhe foi oferecida no Duse.

“O GLOBO” – 27/05/1954

 “LAMPIÃO”


Raquel de Queiroz sentiu-se agora atraída pelo teatro. Não é de estranhar, pois seus romances e contos sempre se revelaram de ação muito intensa e se caracterizaram pela naturalidade dos diálogos. Se não tentou antes escrever peças, foi sem dúvida porque somente nos últimos anos se tornou o teatro brasileiro uma realidade. Hoje tem ele público, atores e cenaristas. E as obras vão fluindo. Tivesse havido possibilidades maiores anteriormente e muito ficcionista se houvera voltado para o palco.

A peça de Raquel de Queiroz intitula-se “Lampião”. É realista, de um realismo sóbrio que se adota perfeitamente à paisagem do sertão e à mentalidade do cangaceiro. Tudo é árido, seco, denso, neste drama que nos apresenta um Lampião asperamente megalomaníaco e friamente cruel. No entanto, o diálogo entre o bandido e Maria Bonita põe uma nota diferente no conjunto, uma nota sentimental profunda, de grande interesse psicológico e suscetível de explicar, em parte, as atitudes violentas do capitão contra seus próprios irmãos e seus caibras.

Raquel de Queiroz não endeusou o cangaceiro, nem lhe desculpou os crimes. Não quis fazer sociologia nem tirar nenhum partido ideológico do fenômeno cangaço. Cortou apenas na vida de Lampião a sequência de maior dramaticidade e nela projetou de um modo quase objetivo. Para tanto, sacrificou os possíveis efeitos que teria alcançado apelando para o pitoresco, mas ganhou uma profundidade rara em nossa literatura.

Diz a autora que em sua peça “procurou acompanhar o mais perto possível a lenda, o anedotário, o noticiário de jornal”. Não sei se o episódio da tentativa de sedução de Maria Bonita pelo cangaceiro Ponto Fino se encontra na tradição oral ou escrita relativa ao “capitão” Virgulino. Se está na tradição, foi muito bem dramatizado. Se não está, foi um achado, pois se justifica perfeitamente, assinalando, pela sua naturalidade e sua penetração, um dos pontos altos do drama. Aliás, não vejo pontos fracos na peça, a não ser, talvez, no início, o diálogo de Maria de Déa e seu marido, o sapateiro Lauro, com a cena da cobra e a confissão de ter enviado recado a Lampião para que viesse busca-la. Ainda assim, logo que o bandido chega, a ação se precipita e se condensa.

Não sou homem de teatro. Não posso, por isso, julgar se a peça se sustentaria à luz da ribalta. Mas acredito no seu êxito porque tem o que exige o teatro, isto é, um certo número de “clímax” que prepara e valoriza o momento final mais intenso, o momento que fica com referência elucidativa do todo na memória do espectador. A peça de Raquel de Queiroz toda inteira se constrói para a cena da morte e degola de Lampião e Maria Bonita. E o fim comovente surge quando já o sentimos necessário, tanto pela situação criada como pelo próprio estado de espírito dos heróis. É o que dá ao argumento, que também poderia ser cinematográfico, a homogeneidade e a solidez sem as quais não se mantem de pé um drama.

S. M.
“O ESTADO DE S. PAULO” - 02/09/1953


Imagens: 1.Capa de "Lampião"; 2. Os atores Othon Bastos (Ponto Fino), Edgar Ribeiro (sabino), Roberto Yago (Lauro) e Antônio Araújo (Corisco), do site tokdehistória.com.br; 3. A atriz Ana Maria, no papel de Maria Bonita (ilustrativa da matéria do O GLOBO; e 4. Raquel de Queiroz.

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