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quarta-feira, 31 de maio de 2017

FRANCISCO DE ASSIS E ESPOSA DOUTORA LEILA


Uma excelente foto, não só da serra como também do casal Francisco de Assis do Nascimento e Doutora Leila.

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“A BELEZA SALVARÁ O MUNDO”

Por José Gonçalves do Nascimento

A frase é de Fiódor Dostoiévski e está em “O idiota”, romance de 1868. É dita, precisamente, pelo personagem Hippolit que a atribui ao protagonista da trama, o príncipe Míchkin, um misto de Cristo e Dom Quixote.

A beleza, aqui entendida sob o ponto de vista da criação artística, nas suas mais diversas manifestações, de fato haverá de salvar o mundo. Neste sentido, a afirmativa do escritor russo soa quase como uma profecia.

Há que se dizer, antes de tudo, que a arte se funda na verdade absoluta. Sua grandeza está na força da sua verdade. Isso implica autenticidade, originalidade, limpidez, integridade, isenção. A arte não comporta qualquer desvio, falsificação ou maquiagem. A arte é ou não é. Não admite meio termo. Do contrário, ela se mostraria fraca e não convenceria ninguém. Quem conseguirá resistir à força arrebatadora de uma “Pietá”, de Michelangelo, de uma “Nona Sinfonia”, de Beethoven ou de uma “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga? É esta verdade que confere vida e identidade à obra de arte, tornando-a perene, fascinadora e irrepreensível.

Em um mundo despedaçado por divisões de toda ordem, somente a arte, cuja linguagem é universal, é capaz de dialogar com as diferenças. Ela nos ajuda a transcender a sociedade fragmentada em que vivemos, convidando-nos a encarar a realidade com um olhar novo e aberto a uma convivência mais saudável e mais construtiva. Friedrich Schiller (poeta do século XIX) defendia que somente as relações fundadas na arte poderiam unir a sociedade. E, na linha do que defende Noberto Bobbio (pensador do século XX), a arte une porque vive do diálogo, diferentemente da política, que vive do conflito.

No filme a “A missão”, por exemplo, é a arte que supera o impasse existente entre missionários e indígenas. Com roteiro de Robert Bolt e direção de Roland Joffé, a película, datada de 1986, conta a saga dos missionários jesuítas que ousaram adentrar as florestas do Brasil, com o intuito de catequizar os Guaranis.


No início do filme, um missionário é amarrado em uma cruz e lançado no rio, o que revela a dimensão do conflito entre os religiosos e os nativos. Nas cenas subsequentes, todavia, um padre vai a uma clareira rodeada de indígenas, senta-se em uma pedra, e começa a tocar um oboé. Os Guaranis, que antes se apresentavam hostis, aproximam-se do sacerdote e, sensibilizados pela arte musical – comum também a eles – começam a baixar as armas. Após o gesto, o religioso sai andando pelo leito do rio, enquanto os índios o seguem amistosamente.

Isso decorre, acima de tudo, do caráter de isenção e liberdade que a arte assume. A mensagem da arte, porque universal, não pode se fixar em nenhum dogma, seja ele qual for. Deve evitar qualquer filiação, seja do ponto de vista político, religioso ou filosófico. Caso contrário, perderia ela uma de suas características fundamentais para se transformar em mera peça ideológica ou publicitária.

Não é demais falar da arte como algo que liberta, que redime e que aponta para a existência de uma realidade plenamente nova e condizente com nossos sonhos e anseios mais profundos - ainda que no campo puramente estético.

Um pensador dos nossos tempos, Tzvetan Todorov, é de opinião que “a obra de arte, ao mesmo tempo singular e universal, permanece como imagem eloquente da plenitude. Sua vantagem suplementar (...) é de se dirigir a todas e todos, e de incitar discretamente cada um a se abrir para a beleza do mundo”.

Referindo-se a literatura, Oscar Wilde, tido por seus contemporâneos como o “apóstolo da beleza”, atribuía àquela a função de “criar, partindo do material bruto da existência real, um mundo novo que será mais maravilhoso, mais durável e mais verdadeiro”. E, de novo, Todorov: “uma renovação autêntica só poderá emergir das visões imaginativas dos artistas e místicos”.

É por tudo isso que, das grandes invenções do engenho humano, as únicas que remanescem são aquelas voltadas para a contemplação do espírito. A arte é epifania. É a perene ebulição que envolve; e revolve; e revoluciona; e vibra; e fascina; e hipnotiza. A arte criou e recriou o mundo. Aliás, este nunca mais foi o mesmo depois de Adão, de Homero, de Platão, de Cervantes, de Goethe, de Beethoven, do Emmanuel, de Castro Alves.

Arte dita, pensada, emoldurada, cantada, sentida. Os homens se perdem; a arte, jamais. Ela salta dos poemas, dos afrescos, das canções. Está na tragédia de Ésquilo, no olhar ressaqueado de Capitu, nas façanhas de Macunaíma, na prédica do Conselheiro, nas veredas do grande sertão, no toque do atabaque e do berimbau, no turbante azul e branco dos filhos de Gandhy, no rosto pintado dos Yanomamis.

Concluímos evocando um mestre da atualidade, Gregory Wolfe: “se a arte não pode salvar nossas almas, pode ao menos fazer muito para remir a época, dando uma verdadeira imagem de nós mesmos, tanto no horror e tédio a que estamos sujeitos, quanto na glória em que, por raros momentos, podemos ter o privilégio de vislumbrar”.

“A beleza salvará o mundo”.

José Gonçalves do Nascimento
jotagoncalves_66@yahoo.com.br

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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AS PESQUISAS ESTÃO AVANÇADAS PARA A CONFECÇÃO DO LIVRO SOBRE O CORONEL ISAIAS ARRUDA. DO AUTOR João Tavares Calixto Júnior


Elias Saraiva dos Santos é natural de Aurora, Ceará, onde nasceu em 1917, no sítio Taveira. Morador em Milagres, Ceará, ao longo dos seus 100 anos de vida presenciou cenas que se constituíram na expressão máxima do que foi o fenômeno do coronelismo no Cariri cearense. 

Membro da família Santos, primo dos irmãos Paulino, seu Elias guarda informações que valem ouro aos que se interessam pela preservação da memória dessa região. 


A negligência sobre a importância da família Santos - em diversos aspectos - será parcialmente sanada com a publicação do livro sobre Isaías Arruda de Figueiredo, um Santos também, e que se tornou um fenômeno em seu meio de atuação, por ter, num curto espaço de tempo, "estremecido os céus e a terra".

Fonte: facebook
Página: Volta Seca
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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UMA BELA CONSTRUÇÃO ABANDONADA E, JESUÍNO BRILHANTE.


Recentemente fiz uma visita ao famoso sobrado de Belém de Brejo do Cruz na Paraíba. Mesmo abandonada pelo poder público, a belíssima construção arquitetônica datada do século XIX, permanece inabalável, resistindo as intempéries e depredações do homem.

Fica situado nas proximidades do Serrote da Tropa, município de São José de Brejo do Cruz-PB, onde aconteceu o combate em que veio a sucumbir o famoso cangaceiro Jesuíno Brilhante, em 1879.

Fonte: facebook
Página: Rivanildo Alexandrino
Grupo: Lampião, Cangaço e Nordeste
Link: https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/

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I CONCURSO “HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO”; Participe!


REGULAMENTO

I – Do Evento e seus Objetivos

Art. 1º – O Primeiro Concurso HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO, busca consagrar o famoso Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço” do Juazeiro do Norte-CE, bastante aclamado por Luiz Gonzaga na música “Viva Meu Padim”, é uma realização do Parque Cultural “O Rei do Baião”, da Fazenda São Francisco, município de São João do Rio do Peixe-PB, no dia 20 de agosto de 2017, na programação do X FESMUZA – Festival de Músicas Gonzagueanas.

Art. 2º – O Patrono do Concurso é o Sr. Fernando Pelício.

Art. 3º – Poderão inscrever-se no Concurso todos os admiradores desse tema e da vida e obra do Gonzagão, de todas as regiões de qualquer país, que concorrerão em absoluta igualdade de condições.

Art. 4º – Os textos devem ser exclusivos no idioma português, inéditos e originais.

Art. 5º – O Concurso HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO tem como objetivos:

a) – Homenagear o Padre Cícero, e toda sua história de luta e vida pelo povo nordestino;

b) – Os textos terão obrigatoriamente que versar sobre Padre Cícero, importante personagem da história nordestina.

II – Das Inscrições

Art. 6º – As inscrições deverão ser feitas na Fazenda São Francisco, zona rural de São João do Rio do Peixe (PB), ou ainda no endereço: Rua Dr. José Guimarães Braga, 70, Vila do Bispo, Cajazeiras (PB), CEP – 58.900-000, pelos telefones: (83) 99615-7942 / (83) 99379-1893, pelo e-mail: chicocardoso.caldeirao@gmail.com
a) Maiores informações no site: 
www.caldeiraodochico.com.br, gonzagaodobrasil.blogspot.com.br e no programa “Caldeirão Político”, na Rádio Oeste da Paraíba.

§ 1º – Serão aceitas inscrições por e-mail, pessoalmente ou via correio.

§ 2º – O período de inscrições será de 17 de abril a 31 de julho de 2017.

Art. 7º – A formalização das inscrições se processará mediante a entrega dos textos digitados em espaço simples (Office Word), fonte Times New Roman 12 ou Arial 11, acompanhados da identificação do autor (nome, uma fotografia recente para fazer parte do mural dos inscritos, telefone de contato, endereço residencial completo, endereço eletrônico e breve currículo).

§ 1º – Na cópia do texto não deverá constar o nome do autor, apenas o nome da obra. A identificação completa deverá ser feita em folha à parte e anexada.

§ 2º – Cada escritor só poderá inscrever um texto, e o mesmo não poderá conter mais do que uma página.

Art. 8º – A Comissão Organizadora do Concurso não se obriga a devolver o material utilizado para as inscrições, ficando o mesmo na guarda da referida Comissão.

Art. 9º – O ato da inscrição implica, automaticamente, na aceitação integral por parte dos concorrentes dos termos deste Regulamento.

III – Do Julgamento

Art. 10º – O Julgamento dos textos será feito por uma comissão formada por três jurados de reconhecida experiência na cultura regional, no prazo de 15 (quinze) dias após o término das inscrições, sendo sua decisão soberana, não cabendo qualquer manifestação contrária.

Parágrafo Único – Em caso de empate entre os primeiros colocados o desempate se dará por decisão de três jurados, convocados extraordinariamente para esse fim.

IV – Da Premiação

Art. 11º – A premiação do Concurso HOMENAGEM AO PADRE DO JUAZEIRO acontecerá no dia 20 de agosto de 2017, dentro da programação do X FESMUZA, na Fazenda São Francisco, São João do Rio do Peixe-PB – Parque Cultural “O Rei do Baião”.

Art. 12º – O Campeão receberá o Troféu “PADRE CÍCERO” e Certificado Digital de Participação.

Art. 13º – Os demais inscritos receberão Certificado Digital de Participação.

Art. 14º – Os casos omissos a este regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

Fazenda São Francisco, março de 2017.
Francisco Alves Cardoso
Presidente do Parque Cultural “O Rei do Baião”
Luiz Claudino de Oliveira Florêncio
Coordenador de Planejamento
Francisco Álisson de Oliveira
Produtor Cultural


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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DIA DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA 26 DE jUNHO


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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terça-feira, 30 de maio de 2017

“PAJEÚ EM CHAMAS: O CANGAÇO E OS PEREIRAS”


Recebi hoje do Francisco Pereira Lima (Professor Pereira) lá da cidade de Cajazeiras no Estado da Paraíba uma excelente obra com o título "PAJEÚ EM CHAMAS O CANGAÇO E OS PEREIRAS - Conversando com o Sinhô Pereira" de autoria do escritor Helvécio Neves Feitosa. Obrigado grande professor Pereira, estarei sempre a sua disposição.


O livro de sua autoria “Pajeú em Chamas: o Cangaço e os Pereiras”. A solenidade de lançamento aconteceu no Auditório da Escola Estadual de Educação profissional Joaquim Filomeno Noronha e contou com a participação de centenas de pessoas que ao final do evento adquiriram a publicação autografada. Na mesma ocasião, também foi lançado o livro “Sertões do Nordeste I”, obra de autoria do cratense Heitor Feitosa Macêdo, que é familiar de Helvécio Neves e tem profundas raízes com a família Feitosa de Parambu.

PAJEÚ EM CHAMAS 

Com 608 páginas, o trabalho literário conta a saga da família Pereira, cita importantes episódios da história do cangaço nordestino, desde as suas origens mais remotas, desvendando a vida de um mito deste mesmo cangaço, Sinhô Pereira e faz a genealogia de sua família a partir do seu avô, Crispim Pereira de Araújo ou Ioiô Maroto, primo e amigo do temível Sinhô Pereira.

A partir de uma encrenca surgida entre os Pereiras com uma outra família, os Carvalhos, foi então que o Pajeú entrou em chamas. Gerações sucessivas das duas famílias foram crescendo e pegando em armas.

Pajeú em Chamas: O Cangaço e os Pereiras põe a roda da história social do Nordeste brasileiro em movimento sobre homens rudes e valentes em meio às asperezas da caatinga, impondo uma justiça a seus modos, nos séculos XIX e XX.

Helvécio Neves Feitosa, autor dessa grande obra, nascido nos Inhamuns no Ceará, é médico, professor universitário e Doutor em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal), além de poeta, escritor e folclorista. É bisneto de Antônio Cassiano Pereira da Silva, prefeito de São José do Belmonte em 1893 e dono da fazenda Baixio.

Sertões do Nordeste I

É o primeiro volume de uma série que trata dos Sertões do Nordeste. Procura analisar fatos relacionados à sociedade alocada no espaço em que se desenvolveu o ciclo econômico do gado, a partir de novas fontes, na maioria, inéditas.

Não se trata da monumentalização da história de matutos e sertanejos, mas da utilização de uma ótica sustentada em elementos esclarecedores capaz de descontrair algumas das versões oficiais acerca de determinados episódios perpassados nos rincões nordestinos.
Tentando se afastar do maniqueísmo e do preconceito para com o regional, o autor inicia seus estudos a partir de dois desses sertões, os Inhmauns e os Cariris Novos, no estado do Ceará, sendo que, ao longo de nove artigos, reunidos à feição de uma miscelânea, desenvolve importantes temas, tentando esclarecer alguns pontos intrincados da história dessa gente interiorana.

É ressaltado a importância da visão do sertão pelo sertanejo, sem a superficialidade e generalidade com que esta parte do território vem sendo freqüentemente interpretada pelos olhares alheios, tanto de suas próprias capitais quanto dos grandes centros econômicos do País.

Após a apresentação das obras literárias, a palavra foi facultada aos presentes, em seguida, houve a sessão de autógrafos dos autores.

Quem interessar adquirir esta obra é só entrar em contato com o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br
Tudo é muito rápido, e ele entregará em qualquer parte do Brasil.

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

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TRADUZINDO O MAIOR POETA ISRAELENSE MODERNO, YEHUDA AMICHAI, DIRETAMENTE DO ORIGINAL HEBRAICO.

Por Evandro da Nóbrega

TRADUZINDO O MAIOR POETA ISRAELENSE MODERNO, YEHUDA AMICHAI, DIRETAMENTE DO ORIGINAL HEBRAICO — Dedico à imensa legião de meus seis leitores o exercício de tradução abaixo, perpetrado a partir de um excelente poema do multipremiado autor judeu Yehuda Amichai (1924-2000), considerado o maior poeta moderno de Israel.
Seguinte: nos últimos tempos, tenho sido aplicado estudioso da língua hebraica, tanto a bíblica quanto a moderna, isto é, a forma reconstruída e falada em Israel. Para "não ficar pendendo para um lado só", dedico também uma hora diária aos estudos em torno do árabe (seja o árabe clássico, o do Corão, seja o árabe padrão moderno, compreendido, em suas vertentes escrita e falada, nos países árabes).
Nosso bom amigo, engenheiro, cronista, administrador e intelectual Carlos Pereira de Carvalho e Silva sempre disse que, "quando o Druzz começa a estudar um assunto, vai fundo, vai até dar na pedra". Pois bem, fiel a esse desiderato carlo-pereiriano é que o degas aqui procura enfrentar os desafios mais árduos, para ver se aprende REALMENTE os novos idiomas com que no momento luta...
VERTER, A MELHOR FORMA DE LER
Traduzir (ou melhor, verter, transpor para nossa própria língua) é a melhor forma de ler um poema ou outro texto qualquer, em profundidade. É o que tentamos com o presente exercício: trazer para nossa expressão a linguagem coloquial hebraica de Yehuda Amichai, que legou ao mundo grande número de obras, já traduzidas para mais de 40 idiomas.

Então, não pensem, please, que desejamos dar status de fina Literatura a esse mero exercício de tradução que se segue. Primeiro, vem o texto do poema inteiro, em hebraico moderno, sem os "pontos" vocálicos da tradição massorética; os créditos desse texto original devem ir para a Makon, a Agência Judaica para Israel; depois é que se segue nossa humilde tradução, versão, recriação ou que outro nome tenha.
TEXTO ORIGINAL EM HEBRAICO: HA-'YEHUDIM (OS JUDEUS)
היהודים
היהודים הם כמו תצלומים מוצגים בחלון ראוה
כולם יחדיו בגבהים שונים, חיים ומתים
חתנים וכלות נערי בר-מצווה עם תינוקות.
ויש תמונות משוחזרות מתצלומים ישנים
שהצהיבו.
ולפעמים באים ושוברים את החלון
ושורפים את התמונות. ואז מתחילים
לצלם מחדש ולפתח מחדש
ולהציג אותם שוב כואבים ומחייכים.
רמברנדט צייר אותם חבושי תרבושים
טורקיים ביפי זהב מועם.
שגאל צייר אותם מרחפים באוויר
ואני מצייר אותם כאבי וכאמי.
היהודים הם שמורת יער עד
שהעצים בה עומדים צפופים, ואפילו המתים
לא יוכלו לשכב. הם נשענים, עומדים, על החיים
ואין מבדיל ביניהם. רק האש
תשרוף את המתים מהר יותר.
ומה בדבר האלוהים? אלוהים נשאר
כמו בושם אישה יפה שעברה פעם
על פניהם ואת פניה לא ראו,
אך בשמה נשאר, מיני בשמים,
בורא מיני בשמים.
אדם יהודי זוכר את הסוכה בבית סבו.
והסוכה זוכרת במקומו
את ההליכה במדבר שזוכרת
את חסד הנעורים ואת אבני לוחות הברית
ואת זהב עגל הזהב ואת הצמא ואת הרעב
שזוכרים את מצרים.
ומה בדבר האלוהים? לפי הסכם
הגירושין מגן עדן ומבית המקדש
אלוהים רואה את בניו רק פעם
אחת בשנה, ביום הכיפורים.
היהודים הם לא עם היסטורי
ואפילו לא עם ארכיאולוגי, היהודים
הם עם גיאולוגי עם שברים
והתמוטטויות ושכבות וגעש לוהט.
את תולדותיהם צריכים למדוד
בסולם מדידה אחרת.
היהודים משויפי סבל ומלוטשי ייסורים,
כמו חלוקי אבן לחוף הים.
מותר היהודים רק במותם
כמותר חלוקי אבן על שאר האבנים:
כשהיד החזקה משליכה אותם
הם קופצים שתי פעמים או שלוש
על פני המים, לפני שהם טובעים.
לפני זמן מה פגשתי אישה יפה,
שסבה עשה לי ברית מילה
זמן רב לפני שנולדה. אמרתי לה,
את לא מכירה אותי ואני לא מכיר אותך,
אבל אנחנו העם היהודי,
סבך המת ואני הנימול ואת הנכדה היפה
זהובת השיער: אנחנו העם היהודי.
ומה בדבר האלוהים? פעם שרנו
"אין כאלוהינו" עכשיו אנו שרים, "אין
אלוהינו",
אבל אנו שרים, אנחנו עדין שרים.

RECRIANDO EM PORTUGUÊS O POEMA DE AMICHAI
Dedicamos esta versão (que vem abaixo, logo a seguir) a nossos amigos & amigas Milton Marques Júnior, Chico Viana, Luiz Nunes Nunes, Verônica Lúcia R. Luna, Maria Angela Sitonio Wanderley, Hannah Verheul, Emmanuel Ponceleon, João Batista de Brito, Sérgio De Castro Pinto, Deunice Maria Andrade, Mapê Beiriz Carneiro, Amanda Sabrina De Sousa, Linda Kerby, Luiz Alberto X. A. Pinto, Palmari de Lucena, José Milton Bandeira, Mitslav De Luna Nóbrega, Manuela Mariz-Nóbrega, Ana Sofia, Nonato Guedes, Zé Euflávio Horácio, Agnaldo Almeida, Guy Joseph, Milu Duarte, Francisco Pinto, Flavio R Coutinho Coutinho, Flavio Satiro Fernandes, Valmira Gonçalves Fernandes, Eliane Dutra Fernandes, Virgolino De Alencar, Maria Adette Wanderley, Joaquim Osterne Carneiro, Milu Duarte, Lynn Hirshman, Everaldo Dantas da Nóbrega, Edivaldo Dantas da Nóbrega, Heraldo Nóbrega, João Alfredo Guimarães Corrêa de Oliveira, Humberto Cavalcanti de Mello, Humberto de Almeida, Cloris Sutmoller. Irio Medeiros da Nóbrega. Maria Adette Wanderley, Maria Lima, Fátima Araújo, Braulio Tavares, Irapuan Sobral Filho "et alii" que gostam destas coisas aparentemente abstrusas... ;-)

OS JUDEUS
poema de Yehuda Amichai (1924-2000)
(tradução/recriação de Evandro da Nóbrega)

Os judeus são como fotografias 
mostradas nas vitrines de uma loja,
todas juntas, mas de alturas diferentes,
algumas vivas, outras mortas,
noivos e noivas, garotos de Bar Mitzvah e crianças.

Há fotos restauradas a partir de retratos amarelados...
De quando em vez, chegam pessoas e quebram a janela
e queimam as fotos; e, então, começa-se novamente
a fotografar, a revelar muitas novíssimas fotos,
exibidas outras vezes, entre dores e sorrisos.

Rembrandt pintou judeus usando roupas turcas
e até turbantes com uma bela cor de ouro polido.
Chagall os pintou pairando misteriosamente no ar,
E eu os retrato como meu pai e como minha mãe...

Os judeus são uma eterna floresta preservada
onde as árvores se tornam muito densas 
e até mesmo os mortos não se podem deitar:
estão de pé, eretos, apoiando-se no que vive.

E você não pode distinguir um judeu de outro.
Só esse fogo queima os mortos mais rapidamente.
E quanto a Deus? Deus demorou muito,
como demorou o cheiro de uma mulher bonita 
que, uma vez, os enfrentou de passagem
— mas não viram o rosto dela; apenas permaneceu
a fragrância, o tipo do perfume, sua marca...
Abençoado seja quem criou os perfumes.

Um homem judeu se lembra da "sukkah"
— a cabana temporária erguida durante o festival
do Sukkot, que dura toda uma semana —
na casa do avô; e a "sukkah" recorda por ele
o antigo e inesquecível vagar no deserto.
a graça da juventude, as Tábuas dos Dez
Mandamentos e o ouro do Bezerro de Ouro,
a sede e a fome que nos remetem ao Egito.

E com relação a Deus? Segundo o acordo
da separação no Jardim do Éden e no Templo,
a divindade vê seus filhos só uma vez ao ano,
na Festa do Yom Kippur, o Dia do Perdão...

Os judeus não são um povo histórico;
nem mesmo um povo arqueológico...
São pessoas geológicas, com fendas
e falhas e colapsos e estratos e lava ardente.
Sua história deve ser medida em escala diferente.

Os judeus são polidos pelos tormentos
e também polidos como seixos na praia.
Distinguem-se tão somente em sua morte
como seixos existentes entre outras pedras:
quando uma mão poderosa os arremessa,
eles pulam duas ou três vezes na superfície
da água, antes de se afogarem...

Faz algum tempo, encontrei bela mulher,
cujo avô foi quem me fez a circuncisão,
muito tempo antes de ela nascer. Disse-lhe:
Você não me conhece, nem conheço Você.
mas nós dois somos do povo judeu...
Seu falecido avô e eu, o circuncidado,
e Você, a bela neta, de cabelos dourados,
todos somos do numeroso povo judeu...
E quanto a Deus? Houve um tempo em que cantamos:
"Não há Deus como o nosso"; e, agora, cantamos:
"Não há um Deus nosso" — mas cantamos,
nós ainda cantamos...

[Nota do tradutor: correções serão bem-vindas!]


Evandro da Nóbrega

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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MARIZETE, REZAS E REZADEIRAS DE POÇO REDONDO

*Rangel Alves da Costa

“Acorda, Marizete!”. De seu altar ou de onde estiver, eis que o Padre Mário alegremente brada como a despertar aquela que desde muito vem simbolizando a voz de fé da religiosidade católica de Poço Redondo, município dos sertões sergipanos. Mas Marizete nunca dorme, pois sempre pronta a entoar mais um canto de fé. Ela e tantas outras cujas vozes representam a presença da Igreja na vida do humilde e religioso povo sertanejo.
Mas Marizete não é somente uma das “passarinhas” de Padre Mário (as outras são Geovanete e Mazé de Iracema), e sim a própria abnegação religiosa em pessoa. Não se importa ser chamada de beata, de zeladora, do que quer que seja. Sua única preocupação é com a igreja em si, sua limpeza, seus ofícios, como se ali fosse um seu segundo e sagrado lar. E só Deus sabe a sua tristeza - e de tantos - com a casa sagrada sem telhado, sob sol e chuva.
“As passarinhas do Padre Mário” bem poderiam descansar suas vozes até que o telhado da matriz fosse refeito. Porém, como bem disse o bom pastor, ali como uma barca nua, aberta no meio do tempo, a fé navega sem medo de tormentas. Daí que tanto Padre Mário como Marizete e as demais vozes da igreja, persistem nos seus ofícios de inabalável fé.
Tanto assim que ainda cedo do dia, enquanto a cidade apenas desperta, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo já está de portas abertas para ecoar os cantos de fé, os hinos religiosos, as orações e as rezas do povo sertanejo: “Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte. Amém”.
Durante as missas e outros ofícios religiosos, quando a igreja está tomada de fiéis e as devoções pulsam nos corações com maior intensidade, um grupo de senhoras nas proximidades do altar, com feições contritas e olhares voltados à Cruz do Senhor, entoam: “Dai-nos a bênção, ó Virgem Mãe, penhor seguro de sumo bem. Dai-nos a bênção, ó Virgem Mãe, penhor seguro de sumo bem. Vós sois a rosa de puro amor, encheis a terra de puro odor...”.



Em Poço Redondo, mais de perto na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, ouvir os cantos de fé é também ouvir as plangências de vozes desde muito conhecidas por todos, algumas já partidas para a eternidade e outras ainda em pleno vigor de oração: Marizete, Mazé de Iracema, Geovanete, Idilane, Irlade e tantas outras. É como se a igreja tristemente silenciasse se tais vozes não forem ouvidas e seus timbres não sejam reconhecidos. Como que sonolenta, de cabeça baixa, vai Marizete em máxima devoção: “A nós descei divina luz, a nós descei divina luz, em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus, em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus...”.
De suas vozes, e todas as vozes sertanejas, as canções e os hinos tão sublimemente enaltecedores como tristonhos, eis que também ecoados nos ofícios de despedidas, nas sentinelas e incelenças, como se aquelas vozes fossem ecos de um além tão próximo de nós e a nos chamar à reflexão da vida, da morte, da fé, da valorização das verdades cristãs. Assim como o Ofício da Imaculada Conceição tão belamente cantado pela saudosa Maria José de Zé Preto:
“Agora, lábios meus, dizei e anunciai os grandes louvores da Virgem Mãe de Deus. Sede em meu favor, Virgem Soberana, livrai-me do inimigo com o vosso valor. Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Amor também, que é um só Deus em Pessoas três, agora e sempre, e sem fim. Amém... Ouvi Mãe de Deus, minha oração. Toquem vosso peito os clamores meus... Sede em meu favor, Virgem Soberana, livrai-me do inimigo com o vosso valor...”.
Jamais poderei esquecer-me de tais vozes durante uma missa em homenagem a meu pai Alcino, realizada defronte ao memorial que leva o seu nome. Ali o Padre Mário, ali suas “passarinhas”, e quanto beleza na interpretação de “Tu és a razão da jornada”: “Um dia escutei teu chamado, divino recado, batendo no coração. Deixei desta vida as promessas e fui bem depressa no rumo da tua mão. Tu és a razão da jornada, Tu és minha estrada, meu guia e meu fim. No grito que vem do teu povo, Te escuto de novo chamando por mim...”.
Por isso, nunca cale essa voz. Nunca calem essas vozes. Por isso, “acorda, Marizete!”.

Escritor
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