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quinta-feira, 16 de maio de 2019

SOBRE O VÍDEO 80 ANOS ANGICO

Por Aderbal Nogueira

Publicado a 16/05/2019
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SAIBA MAIS SOBRE OS CANGACEIROS INOCÊNCIO VERMELHO E JOÃO CALANGRO

Por José Mendes Pereira
Pedro Motta Popoff

Como a gente quase não encontra material escrito sobre os cangaceiros Inocêncio Vermelho e João Calangro e se você quiser saber mais sobre eles, é só adquirir este livro do escritor José Bezerra Lima Irmão: "Lampião a Raposa das Caatingas" que lá na página 46 fala mais um pouco sobre eles. Este livro já está na 4ª edição. 

Adquira-o através deste e-mail:

franpelima@bol.com.br

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NA TRAVESSIA AVISTEI MEUS INIMIGOS... ORAÇÕES QUE LAMPIÃO REZAVA

Por Raul Meneleu

Quando foi morto foram encontradas com ele algumas orações (rezas) e quero destacar e assentar por escrito ipsis litteris a da Pedra Cristalina, cuja origem é desconhecida e que hoje em dia está mudada um pouco. 

Todas essas das fotos, estão no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em Maceió.


Oração da Pedra Cristalina

“Minha pedra christalina, que no mar fostes achada, entre o Cálice Bento e a Hóstia Consagrada. Treme a terra, mas não treme nosso senhor Jesus Christo no alta assim tremem os corações dos meus inimigos quando olharem para mim eu te benzo em cruz i não tu a mim entre o sol a lua i as estrelas e as três pessoas distintas da Santíssima Trindade meu Deus na Travessia avistei meus inimigos meu Deus o que fasso com elles i com o manto da Virgem sou cuberto e com o sangue de meu Senhor Jesus Christo sou valido tem vontade de atirar porem não atira si mi atirar água pelo cano da espingarda correrar se estiver vontade de mi fura a faca da mão cahira se me amarrar os nós se dizatarão e si mi trancar as portas si abrirão
 

Offiricimento
salvo fui salvo sou e salvo serei com a Chave do sacrario Eu me fecho.
 

1 P. ...: 3 Ave Maria i 3 Gloria a... i offereci a 5 Chagas de Nosso Senhor Jesus Chisto.”

 
O Poder e Seus Símbolos


Em seu livro "Lampião, senhor do sertão : vidas e mortes de um cangaceiro", muito raro, e apenas nas mãos de colecionadores e amantes da literatura de cangaço,  Elise Grunspan-Jasmin  em um dos capítulos sob o tema "O Poder e Seus Símbolos" diz que ao soarem as doze badaladas do meio dia, Lampião apeava do seu cavalo, ajoelhava-se, transfigurava-se, e erguia o único olho bom que possuía, olhava bem para o céu e exclamava suplicante: 

— Meu Deus! Quando terminará a missão que me destes na terra? Já é tempo de ter concluído o meu trabalho! 

Os bandidos criam naquela força e um terror mistico se apoderava deles, tornando maior o respeito que nutriam por ele. Afirma Elise Grunspan que nenhum deles desconfiava que aquilo "tudo não passava de uma artimanha usada para faze-los acompanhar sempre o chefe e respeita-lo cada vez mais".

Pessoalmente não acredito nessa afirmativa da escritora; ela não tinha o sentimento do sertanejo e nem chegou a conviver por tempo suficiente para ler a alma sertaneja. No nordeste brasileiro temos uma força religiosa muito grande, aliada à supersticiosas 
crendices. 

Vimos naquela época beatos saírem perambulando pelas cidades, vilas e povoados, pregando ao povo a salvação. Conhecemos a história de Antonio Conselheiro, de Padre Cícero, de Padre Ibiapina, a de José Lourenço e seus companheiro no Caldeirão.

Nesse seu livro, Elise Grunspan continua, "Os cangaceiros acreditam na "força" de Lampião e, diz-nos Vitor de Espirito Santo (N.A. Jornalista), "um terror mistico deles se apodera, reforçando o respeito que nutrem por seu chefe". 

Segundo ele, nenhum deles jamais duvidou de que se tratava  de um estratagema destinado a fazer que o acompanhem "eternamente" e o respeitem sempre mais. 

O misticismo de Lampião seria, para esse jornalista, um simulacro ao qual a comunidade sertaneja e alguns de seus padres deram sua caução. Essa imagem messiânica do bandido leva o jornalista a denunciar o abismo que separa dois mundos estranhos: o litoral civilizado e o sertão bárbaro, prisioneiro de um catolicismo ancestral e de um paganismo primitivo." 

Ranulfo Prata em seu livro "LAMPIÃO",segundo relatos, foi lido pelo próprio Lampião, que jurou mata-lo, fala que "sua religiosidade é feita de um fetichismo bárbaro e abusões católicas, que se condensam em um misticismo extravagante e selvagem." 

Continua, "Traz pendentes do pescoço, saquinhos encardidos contendo rezas salvadoras, bentinhos milagrosos, medalhas protetoras... Não esquece a oração do meio dia, hora má, como a da meia noite, em que o diabo se solta para perder as criaturas."

Todos os escritores da saga cangaço, escrevem e dão testemunho da grande religiosidade de Lampião. Ranulfo Prata nos diz que - "Quando o sol se empina e lhe cai em raios verticais sobre a cabeça, a sombra minguada aos pés, nos pousos, nas estradas, nos combates, ele verga os joelhos, genuflexo, no chão duro, pende a cabeça humilhada, e, contrito, com a grande mão ossuda e escura a bater no peito, reza com fervor. 

Os companheiros, em torno, fitam-no cheios de estranho respeito. Faz encenações que o revelam homem de mandigas. No povoado Novo Amparo almoçou em uma casa pobre com quatro velas acesas nos cantos da sala, fazendo a sua hospedeira acreditar que era senhor de rezas fortes que o protegiam. 

Jamais desrespeitou um padre. Trata-os como pessoas sagradas. intocáveis, merecedoras de respeito e garantias. Quando os topa pelos caminhos apeia-se, pressuroso, e humildemente lhes beija as mãos" (pg. 30 sem data e editado pela Traço Editora).

Também tenho dúvidas nesse relato de Ranulfo Prata pois mesmo sendo ele nascido na cidade de Lagarto-SE. em 1896, foi estudar medicina em salvador e concluiu no Rio de Janeiro em 1919. 

Clinicou em algumas cidades do interior de São Paulo e Minas, até fixar-se em Santos-SP onde dirigiu o Centro de Radiologia da Santa Casa e Beneficência Portuguesa, mostrando por esse breve histórico, que não tinha muita vivência dos melindres religiosos dos sertanejos e se bem que em Sergipe, não temos casos de figuras beatas aos moldes que se deu nas demais partes do nordeste.

O que leio e pesquiso em livros e em conversas com confrades, nesse pouco tempo de devoto à saga Cangaço, e pelas estórias contadas por minha avó dona 'Santa', mãe de meu pai, que visitou Jararaca na prisão da cadeia dos Paredões, que viu tarde da noite, a passagem da polícia com Jararaca para ser morto por traz do cemitério, e pelas contadas por minha mãe, que fugiu quando menina, de Lampião, junto com a inteira população de Mossoró, quando seu pai 'Chico Santeiro' ficou guardando a casa da mãe do Prefeito de Mossoró, é que ele era muito religioso e se tivesse sabido que a Padroeira da Cidade era Santa Luzia, jamais a teria atacado.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2019/05/na-travessia-avistei-meus-inimigos.html

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CONVITE TEM CANGAÇO NA SEMANA DOS MUSEUS DA BAHIA


O historiador e geólogo Rubens Antonio fará a palestra "Cangaço ... fenômeno, crime e arte", nesta quinta (16), às 17 horas, no Palacete das Artes. O encontro integra a programação da Semana dos Museus que tem como tema “A Cultura do Sertão da Bahia nos Museus do IPAC”.

A programação completa está no site www.ipac.ba.gov.br

Entrada gratuita - Rua da Graça, 289


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quarta-feira, 15 de maio de 2019

FREDERICO PERNAMBUCANO DE MELLO | ANIVERSÁRIO DE 2 ANOS | O CANGAÇO NA LITERATURA | #208


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QUIXERAMOBIM DE BRAÇOS ABERTOS PARA RECEBER O CARIRI CANGAÇO

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A curadoria do Cariri Cangaço através de Manoel Severo Barbosa esteve cumprindo nesta ultima quarta-feira, dia 08 de maio, intensa agenda de trabalho na cidade de Quixeramobim; a mais nova sede do evento que acontece entre os dias 24 e 26 deste mês. Os encontros foram coordenados pela Comissão Organizadora do Cariri Cangaço Quixeramobim, tendo a frente o advogado e produtor cultural Pedro Igor, o poeta e escritor Bruno Paulino, além de Ian Nogimo e Pedro Victor.
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Manoel Severo recebido na Canudos FM, do Sistema Maior por Izaurinha Reis
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No complexo do Sistema Maior de comunicação; nos estúdios da Canudos FM; Manoel Severo e Pedro Igor foram recebidos pela comunicadora Izaurinha Reis e apresentaram aos ouvintes de toda a região do sertão central cearense a programação e as principais linhas que nortearam a construção do Cariri Cangaço Quixeramobim. As temáticas, os convidados, as visitas técnicas, enfim, dando um panorama geral de tudo o que vai acontecer no grande evento no berço de Antonio Conselheiro. "Nos unimos ao sentimento de toda comunidade de Quixeramobim no resgate e fortalecimento da memoria, historia e tradição desse povo, e vamos sim realizar um grande evento", ressalta Manoel Severo Barbosa.
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Manoel Severo e Pedro Igor no Sistema Maior de Comunicação 
com Izaurinha Reis e Anderson
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Uma visita de cortesia à sede da prefeitura municipal de Quixeramobim seria o segundo compromisso da agenda Cariri Cangaço na cidade. Recebidos pela Chefe de Gabinete da administração municipal Guida Pimenta e pela representante da Secretaria Municipal de Cultura Rafaela Mendes.
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Na sede do executivo municipal, Manoel Severo e Pedro Igor puderam apresentar o conceito e a programação intensa do Cariri Cangaço Quixeramobim, quando foi ressaltado o grande trabalho de envolvimento de toda a comunidade escolar do município através do concurso de redação como também as significativas representações da sociedade civil da cidade, parceiras do evento. Para a Chefe de Gabinete Guida Pimenta, "será uma enorme honra receber um evento tão grande e qualificado como o Cariri Cangaço. Quixeramobim estará de braços abertos para receber a todos os pesquisadores que virão de todo o país para a terra de Antônio Conselheiro".
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 Manoel Severo e Pedro Igor recebidos pela chefe de gabinete Guida Pimenta

O terceiro compromisso aconteceu com a visita à Escola de Ensino Profissionalizante Dr. José Alves da Silveira. O encontro marcou o convite especial à direção da escola , distinguida para receber a Comenda de "Equipamento Imprescindível  à Memória e Cultura do Sertão" ,  ato que acontecera na tarde de abertura do Cariri Cangaço Quixeramobim 2019, dia 24 de maio no Memorial Antônio Conselheiro. 
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Pedro Igor, Manoel Severo, Irecê Maia, Virginia Maia e Josemir Frutuoso
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Manoel Severo e Pedro Igor foram recebidos pela diretora da escola, Irecê Maia, pelo coordenador Josemir Frutuoso e pela professora Virginia Domingos. Para a Diretora Irecê Maia , "é uma honra sem tamanho para todos nós da escola sermos distinguidos para receber tão honroso reconhecimento". 
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Virgínia Domingos, Irecê Maia, Manoel Severo e Pedro Igor
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Para Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço, "desde a primeira vez que estivemos aqui, participando de uma oficina na Biblioteca da escola, tendo a frente a coordenadora Rosângela Sousa e a professora Virginia Domingos, que percebemos o tamanho do compromisso da escola com o desenvolvimento não só intelectual dos alunos, mas e principalmente com a construção de uma verdadeira responsabilidade cidadã, isso é maravilhoso, por isso o Instituto Cariri do Brasil defere a presente comenda à Escola Dr José Alves, para nossa grande honra".
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Manoel Severo e Goreth Pimentel
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De uma escola para outra... Outro estabelecimento educacional marcaria a quarta etapa da agenda de encontros do Cariri Cangaço Quixeramobim: Desta vez a visita foi a Escola Humberto Bezerra, localizada no bairro Monteiro de Morais; uma escola de tempo integral referencia em todo o estado do Ceará  que estará também recebendo a comenda de "Equipamento Imprescindível à Memória e Cultura do Sertão"  pelo espetacular trabalho desenvolvido na direção da preservação da memória e historia do município, notadamente a partir da figura do mais ilustre filho de Quixeramobim: Antônio Vicente Mendes Maciel,Conselheiro. 
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 O talento e a arte dos alunos da escola Humberto Bezerra em uma 
das oficinas do Tempo Eletivo
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O Cariri Cangaço foi recebido pela professora e pesquisadora Goreth Pimentel, que em nome da diretora da escola Liduína Simão, ressaltou a grande importância da iniciativa do Cariri Cangaço em promover essa grande integração entre as escolas da cidade, a figura de Antônio Conselheiro a partir do grande Concurso de Redação ao lado da AquiLetras e da Fundação Canudos,  e falou da "grande honra em a escola Humberto Bezerra está recebendo este reconhecimento através da Comenda do Instituto Cariri do Brasil, o que nos deixa muitos felizes e aumenta ainda mais nossa responsabilidade".
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Manoel Severo e a presidente da AquiLetras, Terezinha Oliveira
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A última agenda do dia foi uma visita de cortesia à presidente da AQUILETRAS - Academia Quixeramobiense de Letras, Ciências e Artes, Terezinha Oliveira. Na oportunidade Manoel Severo e o escritor Bruno Paulino,  compartilharam a satisfação da feliz parceria entre as duas instituições na realização do Cariri Cangaço Quixeramobim. Também na oportunidade foi acertada a inclusão no Programação do Cariri Cangaço Quixeramobim do grupo Boemidade, que reúne músicos e interpretes renomados da cidade numa grande apresentação musical na praça da Matriz, com um repertório pra lá de especial: Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Noel Rosa e por aí vai... O Cariri Cangaço Quixeramobim realmente promete !
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Agenda de Trabalho 
Cariri Cangaço Quixeramobim
08 de Maio de 2019

Vem aí...
Cariri Cangaço Quixeramobim
24 a 26 de Maio de 2019
Quixeramobim,Ceará


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VAQUEJADA OU A PEGA-DE BOI-NO-MATO

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de maio de 2019
 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.111

Lemos num livro da escola aos treze anos, sobre a coragem do jangadeiro e do vaqueiro do sertão. Deixando o jangadeiro para outro momento, podemos afirmar na linguagem sertaneja sobre o vaqueiro: “coragem fia da puta, pegar um boi no mato!”. O animal criado no mato fica selvagem, arisco e bravo, denominado barbatão. O dono de uma fazenda pode a título de divertimento, soltar vários bois na caatinga e convidar vaqueiros para derrubá-los no mato e trazê-los encaretados. Muito antes, o gado criado à solta tinha data para ser recolhido e ferrado. Assim surgiu a palavra “vaquejada” ou “pega-de-boi-no-mato”. Ao surgir um barbatão difícil, o vaqueiro criava fama na região quando conseguia encontrar, perseguir, derrubar, encaretar e levar a rês para o pátio da fazenda.

(FOTO: CARLOS BRITO.COM).

Erroneamente, hoje se estar chamando corrida-de-mourão de vaquejada. Esta é apenas um filhote desgarrado da pega-de-boi-no-mato. Na caatinga fechada o vaqueiro procura o boi famoso que nunca se deixou pegar. Muitas vezes o barbatão se esconde e só é achado após vários dias de buscas. O cavalo viciado nessas empreitadas, não obedece mais ao comando do vaqueiro ao avistar o boi. Onde passa a rês, passa o cavalo, e, o cavaleiro sem mais comando defende-se como pode das pontas de pau, galhos e troncos, numa agilidade felina, deitando em cima e ao lado da sela. O cavalo só para quando sente que o dono vai pular sobre o boi. Esta ocasião é o ápice da pega-de-boi-no-mato. Muitos vaqueiros retornam desmoralizados, outras perdem olho, braço e até a vida nas correrias doidas das caatingas. Às vezes um touro bravo parte para atacar cavalo e cavaleiro.
Na década de 60, ficou famoso na chamada Ribeira do Capiá, o barbatão Saia Branca. Após vários dias de vaquejada, finalmente Saia Branca – que nunca respeitara vaqueiro – foi capturado. Foi a maior festa de gado da região com os mais famosos vaqueiros atraídos pela fama do boi. Igualou-se em fama e prestígio o vaqueiro Zé Vicente, cabra forte, dente de ouro e olhos injetados. É costume chamar de boi (macho capado) também ao touro ou barbatão. Costume é costume e para o sertanejo tudo é boi.
Ultimamente em nossa região quem criou nome foi o boi Vaga-lume, mas isso é outra história. Bem diz o cantador: “quem tiver pena da vida, não bote cavalo em gado”.


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UMBUZEIRO DA BANDIDA E CRUZES DOS SOLDADOS - QUANDO O POVO MITIFICA SEUS HERÓIS

*Rangel Alves da Costa

Dois fatos interessantes envolvendo cangaceiros. O primeiro dizendo respeito à cangaceira Adelaide, morta debaixo de um umbuzeiro na região do povoado Curituba, em Canindé de São Francisco, e enquanto era conduzida em rede após ter perdido a criança que ainda continuava em seu ventre. E o segundo relaciona-se aos soldados Tonho Vicente e Sisi, emboscados e mortos pelo subgrupo de Corisco, nos arredores da Estrada de Curralinho, em Poço Redondo, em ato de vingança pela morte do cangaceiro Pau Ferro.
Pois bem. O local onde Adelaide, cheia de dores e sofrimentos, deu o seu último suspiro, atualmente é conhecido como Umbuzeiro da Bandida, enquanto que ao redor do bonome onde os soldados foram trucidados, que bem poderia ser conhecido como Bonome dos Soldados, o reconhecimento é totalmente diverso daquele considerado com relação a Adelaide.
Ora, estranho que assim aconteça. Pelo nome que atualmente se dá ao local da morte da cangaceira, Adelaide não passava de uma feroz bandida, pois Umbuzeiro da Bandida é a denominação passada de boca em boca. Contudo, há de se conhecer as circunstâncias de sua morte para que se compreenda o exagero na denominação.


Na concepção popular, cangaceiro é bandido mesmo e não há como afastar essa ideia. Há de se considerar, porém, que Adelaide sequer estava no ofício cangaceiro quando suspirou pela última vez. Companheira do cangaceiro Criança, grávida já no último mês de gestação, estava sendo levada numa rede, toda inchada e dolorida, já com o filho morto na barriga, para a Curitiba, vez que as parteiras da Planta do Milho já haviam constatado a morte da criança ainda no ventre materno.
Portanto, Adelaide não morreu combatendo, não morreu no ofício cangaceiro, mas tão somente como uma pobre desvalida e cheia de sofrimentos. Naquela situação, Adelaide não era sequer companheira de cangaceiro senão uma moribunda em seus últimos laivos de vida. E por que, então, aquele local de sua morte, passar a ser conhecido como Umbuzeiro da Bandida?
Tal fato somente acontece quando o povo escolhe e mitifica seus heróis, ainda que não conheça a realidade dos fatos. E a mitificação, divinização ou devotamento, surge exatamente da visão que o povo tem de sua própria realidade. Neste caso, o simples fato de ser cangaceira tornou Adelaide em bandida comum. No caso dos soldados, o fato de serem inocentes e terem tido morte tão cruel, logo faria surgir um sentido de compaixão. Daí o devotamento.
Por serem inocentes e terem sido chacinados por Corisco e seu grupo, os soldados Tonho Vicente e Sisi passaram a ser vistos até como milagreiros. Tanto assim que as Cruzes dos Soldados, debaixo do frondoso bonome, é local de devoção e promessas, com ex-votos sendo avistados aos pés das duas cruzes. Embaixo do umbuzeiro onde Adelaide morreu há também uma cruz e dizem que muitos acorrem ao local para orações. A cruz primeira foi fincada pelos próprios companheiros e para sinalizar o local daquele triste fim, pois o corpo da cangaceira foi enterrado no cemitério de Curituba. A cruz colocada depois certamente foi obra de algum conhecedor dos sofrimentos da filha de Lé Soares da Maranduba.


Mas por que nome tão pejorativo ao local, se ali morreu apenas uma pobre e agonizante mulher, e não uma perigosa bandida como se deixa depreender pela injusta denominação? Como dito, apenas escolha popular. Um povo que mitifica seus heróis segundo desejo próprio e não segundo a realidade dos fatos. Com isto, porém, não se quer dizer que os inocentes soldados mortos não mereçam ser reverenciados e até devotados, mas também se exagera ao adjetivar Adelaide como uma simples bandida. Talvez o nome mais correto fosse Umbuzeiro de Adelaide, ou mesmo Cruz da Cangaceira.
Contudo, lá está, na região da Curitiba, o marco de uma triste realidade vivenciada por uma mulher que, grávida, perdeu sua vida após já ter perdido o seu filho.

Escritor
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FRANCISCO MENDES GALDINO UM PRIMO QUE SE FOI RECENTEMENTE

Por José Mendes Pereira
Francisco Mendes Galdino (Chico Preto)

Francisco Mendes Galdino (vulgo Chico Preto) como era conhecido por todos os parentes e amigos nasceu no dia 17 de agosto de 1949, e faleceu no dia 23 de abril deste ano de 2019, preste a completar 70 anos de vida. Era meu primo legítimo, filho de Francisca Mendes Galdino  que era irmã da minha mãe, e Manoel Galdino (Mané Preto), que era primo legítimo do meu pai Pedro Nél Pereira. 

Francisco Mendes Galdino nasceu onde meus irmãos e eu nascemos, na Barrinha dos Duarte, que é município de Mossoró, bem próxima da cidade, talvez, no máximo se gasta 10 minutos de automóvel. Com exceção de José Mendes Galdino (Zé Preto) que nasceu na cidade de Cerro Corá no Estado do Rio Grande do Norte, os outros seus irmãos Maria José (já falecida), Toinha  e Luiz Mendes Galdino (Luiz Preto) também nasceram entre nós.

Chico Mendes Galdino foi um que também passou pela Casa de Menores Mário Negócio na década de 60, mas que ele não era interno. Foi um funcionário do SAM - Serviço de Assistência ao Menor, e que a sua função na instituição era monitor, isto é responsável por todos nós que ali vivíamos.

Se ele autorizasse que algum de nós ou dois ou três em grupos saíssem  à noite para passear, a sua ordem não seria desmanchada por ninguém, vez que as diretoras que eram: Ana Salem de Miranda dona Caboclinha (diretora geral) e  a secretária dona Severina Rocha da Silva, estas só iam lá durante o dia, e mesmo assim não estavam lá aos sábados e domingos, porque elas eram funcionárias e não escravas de lá. 

Chico Preto e sua sobrinha filha de Roberta Jennifer Galdino

Lembro-me que quando nós queríamos sair à noite para as praças o João Batista que era interno com a gente, e era do município de Massaranduba, no Estado do Rio Grande do Norte, e irmão do padre José de Anchieta, assim nós o chamávamos, porque ele queria ser padre (e me informaram que ele é padre nos dias de hoje em Natal); além do Sebastião que era natalense, estes ficavam me incentivando para pedir ao monitor Francisco Galdino que deixasse a gente sair para passear pelas praças do Alto da Conceição e da Boa Vista. Nós não éramos viciados em bebidas, mas vez por outra ingeríamos uma ou mais doses no bar do Elpído, que era na Praça do bairro Boa Vista.

Como eu era seu primo encostava-me ali ao seu lado, e lentamente, eu ia o convencendo, e minutos depois eu conseguia a autorização para sairmos para as Praças. Mas sempre ele nos dizia: "Saiam, mas venham cedo pra casa, para eu não ser prejudicado se caso as diretoras souberem disso".  

Grande primo Francisco Mendes Galdino, ali na Barrinha vivemos os nossos primeiros passos, no meio de plantações, animais, carnaubeiras, caças aos pobres passarinhos, preás e banhos nos rios e córregos. Mas você não queria mesmo ficar naquelas verdejantes várzeas entre o rio e um córrego. Posteriormente, na companhia dos meus tios (seus pais) foram morar no sítio São Raimundo numa propriedade de Tio Raimundo Galdino da Silva.

Ainda criança, certo dia, numa tardinha ele fugiu dos olhares dos seus pais Mané Preto e de Madrinha Neném, sua mãe, e se mandou a pé para Mossoró. Se foi com medo da escuridão que não tardou chegar,  ninguém sabe.

Chico Preto

Ao anoitecer, no momento do jantar o Chico Mendes não apareceu na mesa, e foi neste momento do seu sumiço, que foi convocados vizinhos para procurá-lo. Mas ninguém o viu, ninguém sabia do seu roteiro, ninguém tinha a mínima ideia para onde ele tinha ido. 

No dia seguinte, a notícia chegou de Mossoró que ele estava alojado na casa do seu tio Zé Galdino, sendo que este, posteriormente foi morar em Goiás. Mas parece que o seu destino já estava programado e registrado. Morar com o tio em Goiás, e lá, casou com uma prima, e com ela construiu a sua família. Infelizmente, faleceu no dia 23 de abril deste ano de 2019. 

Adeus primo, um bom lugar Deus te deu!

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