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quarta-feira, 1 de junho de 2011

ANGICO

Por: Paulo Medeiros Gastão


Este artigo foi publicado pela primeira vez neste blog, e
posteriormente no "BOOM", e no "Cariri Cangaço".
Lembrando ao leitor que eu apenas o trouxe novamente para
esta página, simplesmente para ilustrá-lo com fotografias.
Ele já foi comentado na página do blog "Cariri Cangaço",
portanto não estou colocando lenha na fogueira.

Segue o texto do escritor
Paulo Medeiros Gastão

            Angico se constitui no calcanhar de Aquiles do cangaço lampiônico. A construção do mito e seus asseclas desmoronam de forma vertiginosa Se Desejam o término do cangaço com o episódio de Angico, considero uma aberração, final trágico e desabonador da saga de homens assassinos, porém, valentes e destemidos.

            A história dos cangaceiros deve ser vista de vários ângulos.

           A descrição concebida pelos escritores, jornalistas, pesquisadores deixam

Gengis Kan,

Napoleão,


Júlio César (O imperador),


Al Capone,

 

Billy the Kid,


Kelly e seu bando,


Hitler

Suicídio de Hitler teria sido uma farsa

e muitos outros, fichinha frente aos cangaceiros.
              O cangaceiro Candeeiro me fez o seguinte relato, em sua residência na vila de Guanumbi, no município de Buíque, estado de Pernambuco:

O ex-cangaceiro Candeeiro

            “Na noite anterior ao ocorrido, ou seja, 27 de julho de 1938, Lampião reuniu seus homens e assim falou: “-Amanhã cedinho vou viajar. Vou embora para Minas ou Goiás. “Quem quiser ficar, fica, quem quiser ir comigo se prepare.” Continua o chefe cangaceiro: “-Não posso mais ficar por aqui, pois, vou começar a matar até meus amigos; voltar para Pernambuco, não volto, pois, lá só tenho inimigos e a matança vai continuar. Assim o melhor é terra nova, onde ninguém me conhece”.

Bando de cangaceiro de Lampião

            A conversa foi encerrada e todos foram dormir pensando na decisão e na hora de ficar ou seguir o comandante. Tenho este depoimento gravado, com testemunhas na hora da gravação.
             De última hora é colocado um parente que dizem, ser parente de Lampião e de nome José. Foi arranjada máquina de costura para confeccionar roupa para o rapaz. Não é descrito como o mesmo lá chegou, e muito menos após o tiroteio do dia seguinte, qual teria sido seu destino.

Dom Sebastião - Rei de Portugal

               Até parece com história de Dom Sebastião, Rei de Portugal. O belo e valente monarca foi lutar no norte da África e após a renhida luta, ninguém encontra o Rei. Caracteriza-se que Dom Sebastião havia se “encantado”. Não se fala em morte em ambos os momentos.           
              Os cachorros pela primeira vez estavam sonolentos e teriam perdido o faro. Dormiam nas pernas dos seus donos. Junto aos cachorros deveriam estar às sentinelas que devem ter esquecido as suas responsabilidades junto ao grupo. Falha lamentosa.              
               Naquela manhã chovia na área. Comprove esta afirmação no livro de João Bezerra, onde solicita aos seus comandados que: “-Tenham cuidado em pisar no chão para não fazer barulho com as folhas secas”. Parece-nos que a chuva não atingia as folhas, enquanto o restante do chão corria água.


           
               A coragem da volante (grupo de militares) era tamanha que o comandante permitiu o uso de cachaça para quem desejasse criar coragem. Esta declaração me foi prestada por um membro da volante que ainda está vivo.           
              Aos registros feitos por todos que escreveram sobre o tema, mostram que as relações entre o chefe cangaceiro e o militar aconteciam para um jogo de 31, compra e venda de armas e munição, além de um bom trago de bebida especial.             
              Sendo o coito a margem de um caminho, que liga a casa da fazenda ao Rio São Francisco, logo mais abaixo, verificamos que as descrições, todas, todas são falhas, pois na realidade não existia nenhuma segurança para com a permanência do grupo.             
               As águas que correm no riacho do Tamanduá descem com muita velocidade até o rio, desde que a serra forma um plano inclinado muito acentuado. Tempo de inverno, água no riacho, onde fixar a tolda e dormir?            
            Cangaceiros acordados, inclusive o chefe, que manda o companheiro de nome Amoroso ir buscar água logo abaixo do coito, no poço (formado na época das chuvas) que fica a 200 metros para fazer o café. Amoroso é baleado com um tiro de fuzil. Este momento não foi o suficiente para deixar os cangaceiros em condição de luta?             
              O matador dos onze cangaceiros diz que feito o cerco tiveram que recuar. Ora, difícil era chegar perto daquelas feras, quanto mais, ter a chance de ir e voltar. Momento único desde o início do cangaço no século anterior.             
             O suicídio de Luiz Pedro é fantástico. É advertido ao cangaceiro que Lampião estava morto e que ele fosse à luta.

Ao centro, Barra Nova, e à direita Luiz Pedro

              Ao chegar junto ao amigo, assim falou: “-Compadre, eu lhe disse que lutaria com você até a morte”. No trajeto, o Pedro perdeu a coragem que foi possuidora desde os tempos em que esteve no Rio Grande do Norte, em 1927.             
              O conceito de cerco efetuado pela volante não determina a figura geométrica do círculo. Acredito que definir como lua crescente é razoável. Teria que se deixar uma válvula de escape e ela existiu. Os cangaceiros se evadiram em busca da parte da alta da fazenda e, por incrível que pareça, não foram perseguidos. A saída esteve sob comando do Ten. Bezerra. Que você acha disto?             
              Houve traição? Existe divergência. Um grupo diz que não. Outro diz que sim. Quem traiu? Afirmam que o grande traidor foi o homem que se caracteriza como seu matador, ou seja, João Bezerra.
              E o envenenamento? No coito o cangaceiro Zé Sereno avisou:

Zé Sereno à esquerda

          “-Capitão, a tampa da garrafa tem um pequeno furo”. O chamamento da atenção não foi levado em consideração. Por quê?

A cangaceira Sila
            
               Se salva Sila. Personagem único que ficou para contar a história. Foi a predestinada para fazer o relato em nome de todos os sobreviventes. Por quê? O que na realidade aconteceu o que não podia existir divergências nos relatos? Impossível. Se vamos a uma festa, ou a qualquer lugar, cada um tem uma visão própria do ocorrido. Os primeiros escritores deixaram-se levar na conversa. O resultado é o que aí está. 
              A polícia queria os cangaceiros ou o ouro e dinheiro que eles transportavam? Por que a retirada dos anéis, cortando-se os pulsos e levando-se o conjunto, mãos e anéis?              
             O governo da Bahia oferecia 50:000$000 (cinquenta contos de réis), a quem entregasse Lampião vivo ou morto. Não se tem notícia do ganhador do prêmio milionário. Por quê?

As cabeças dos cangaceiros abatidos
            
              Quem nominou as cabeças errou gravemente. Muitos escritores colocam nos seus relatos que metade das cabeças tem o mesmo nome. A partir do meio (fotos das cabeças) para cima seja como Deus quiser.            
             Encontraram um cangaceiro que só aparece naquele momento chamado de Desconhecido? Até então não existe nenhuma informação sobre este personagem? Por outro lado Amoroso foi baleado ou morto, em primeiro lugar, e seu nome é totalmente esquecido. Como explicar?

Foto de João Bezerra e seus comandados

            Se a volante possuía duas metralhadoras não ficava um pé de macambira para contar a história. Por que conseguiram se salvar muitos cangaceiros? O cerco não foi cerco. É piada.
            Durval Rosa, irmão de Pedro de Cândido, em depoimento a mim prestado e registrado em fita de vídeo, declara que na noite anterior ele desceu a serra e foi levar um saco de balas, dividido em duas porções, em cima de um jumento. “Era muito peso”, dizia o entrevistado. Para que tantas balas? Que desejaria o capitão fazer com o material?
            Existia a compra de armas e balas, porém, se quem servia de intermediário para que farto material chegasse às mãos dos bandidos? Um militar que atuou na volante que chegou a Angico foi curto e grosso. “-A polícia!”
           Minha intenção é fazer um artigo, porém, se nas páginas de um jornal coubesse as informações, conclusões a que cheguei escreveria um livro. E mais, o livro já estaria em fase de acabamento. Existindo alguma dúvida do leitor, lhe faço um convite – vamos ao estado de Sergipe e lá você encontrará os elementos que lhe darão o norte de toda a história. Não sou o dono da verdade, porém, não quero lhe deixar enganado, nem tão pouco morrer na ignorância, na mentira. A história do povo nordestino e dos cangaceiros é outra, não se iluda. Caso o leitor não fique satisfeito, farei um outro artigo ainda mais contundente sobre o episódio. Chega de tanto embuste.

 

Mossoró,21 de julho de 2008.
 

Paulo Medeiros Gastão


A Rádio Rural de Mossoró tem excelentes locutores


Seu Mané é Valéria Bulcão 
       
A Rádio Rural de Mossoró completou no último dia 2, 48 anos de sua fundação. As comemorações,  foram adiadas para 05 de junho, tendo em vista as mudanças previstas para a emissora.
          
O diretor-geral da AM 990, padre Flávio Augusto, informa que a reforma da Cúria, prédio onde serão localizados os novos estúdios da rádio, ainda não foi concluída, por isso, em conversa com o bispo Diocesano, Dom Mariano Manzana, ficou definido que a comemoração será realizada no dia 5 de junho, quando se comemora o Dia das Comunicações Sociais e data que marcará também a inauguração dos novos estúdios da emissora.
            
Segundo ele, o prédio atual onde a emissora funciona será alugado. Mesmo com a mudança, a rádio não sairá do ar.
            
Pe. Flávio explica que, no ano passado, a rádio renovou seu parque de transmissão, mas manteve os estúdios. Posteriormente foi resolvido que tudo seria trocado. A rádio contará apenas com equipamentos de ponta, para oferecer a qualidade que o ouvinte merece. Nenhum dos equipamentos antigos será utilizado.
           
No ano passado, a emissora ganhou um novo transmissor e uma antena monopolo, com o objetivo de expandir a audiência da AM 990. Segundo Pe. Flávio, quando a mudança dos estúdios for concluída será realizada uma pesquisa para verificar o alcance da rádio na atualidade.
            
Ele explica que, com todos esses equipamentos, a rádio terá que repensar o que ela pretende ser junto à Diocese. Para isso, a equipe contará com a ajuda do padre Talvacy, que está fazendo mestrado em Comunicação, com habilitação em Rádio e TV, em Roma.

Fonte: Gazeta do Oeste

terça-feira, 31 de maio de 2011

Nossa entrevista na rede Bandeirante de Natal



            Meus amigos no último dia 24 de maio eu fui gentilmente convidado pelo jornalista José Pinto Junior para participar do seu programa de entrevistas.

           “Conexão Potiguar”, nos estúdios da Rede Bandeirantes de Natal, no bairro da Candelária.


Aqui junto ao jornalista José Pinto Junior

            Basicamente comentei sobre nosso último livro, “João Rufino-Um visionário de fé”, sobre a questão da pesquisa para a realização da obra, etc.

Rostand Medeiros junto
a seu João e Dona Joana Rego

             Sobre este tema veja este link
- (http://tokdehistoria.wordpress.com/2011/04/14/meu-novo-livro-%E2%80%93-%E2%80%9Cjoao-rufino-um-visionario-de-fe%E2%80%9D/).

Emil Anthony Petr

             Outro assunto é nosso trabalho que estou realizando atualmente, sobre a vida do Senhor Emil Antony Petr, um norte americano, veterano da II Guerra que a mais de quarenta anos vive em Natal.

             Sobre este tema veja este link
–(http://tokdehistoria.wordpress.com/2011/02/22/um-veterano-da-usaaf-que-mora-em-natal/).

             Foi bastante positivo e só tenho a agradecer a José pinto Junior e ao amigo José Correia Torres Neto pelo apoio na realização desta entrevista.

Bem aqui estão os vídeos e links para quem desejar assistir esta entrevista;


http://www.youtube.com/watch?v=MtkQekPqz1s Parte 1


http://www.youtube.com/watch?v=p2t_-GTqpBM Parte 2


http://www.youtube.com/watch?v=M5L1TNN_RuI Parte 3

 
SOBRE ROSTAND MEDEIROS

          
            Pesquisador na área de História, com artigos publicados nos jornais Tribuna do Norte, Novo Jornal e na revista cultural Preá.

          
           Autor do livro "João Rufino-Um Visionário de Fé" (2011), sobre a biografia do criador do Grupo Santa Clara/3Corações a maior empresa de torrefação de café do Brasil.
          
            Coautor do livro Os Cavaleiros dos Céus - A Saga do Voo de Ferrarin e Del Prete (2009), apoiado pela Embaixada da Itália no Brasil, Força Aérea Brasileira e Universidade Potiguar.
          
            Consultor do SEBRAE no projeto “Território Sertão do Apodi – Nas Pegadas de Lampião”.
         
          Membro do IGRN (Instituto de Genealogia do RN) e SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço).
          
            Técnico em Turismo, atua há mais de 15 anos na área.
          
           Fundador da SEPARN – Sociedade para Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental do Rio Grande do Norte, entidade que atuou em parceria com o IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis na preservação do patrimônio espeleológico do RN.

Contatos: rostandmedeiros@gmail.com 
(84) 9904 3153 / (84) 3231 0222.
  
Um abraço a todos e obrigado pela atenção.
Rostand Medeiros
 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quem foi Lampião?

Por: Capitão Alfredo Bonessi


            Alto, magro, moreno escuro, quase pardo, esguio, meio corcunda, ágil, saudável, resistente a fadigas, manco do pé direito por causa de bala - segundo quem lhe conheceu - por causa de calos no pé segundo declarações dele mesmo, em estado espiritual, a um programa de televisão, com belida no olho direito, um leucoma, assim era o corpo de Virgulino Ferreira, vulgo Lampião.
           De personalidade alegre, disposto, temperamento inconstante, sujeito a crises de fúria e descontrole, místico, religioso, rezador, intuição apurada, perspicaz, agudeza de raciocínio, inteligente, líder nato, exímio atirador de armas curtas e longas, fazendeiro, domador de animais de montaria, vaqueiro campeão, amante de bebidas finas, cigarros, charutos e mulheres, excelente trabalhador em couro e tecidos, narcisista, jogador de baralho sem sorte, impiedoso, cruel, vingativo, justiceiro - falso moralista, abusou sexualmente de algumas mulheres, embora, hoje, não sabemos se eram esposas ou filhas de inimigos. – mesmo assim são fatos lamentáveis e inaceitáveis para qualquer época de uma geração.
           Desconfiado, prudente, calculista, infiel mas respeitador das opiniões da companheira, maleável até certo ponto, principalmente em algumas decisões a ponto de alterar as ordens dadas por interferências dela, respeitado, temido, considerado, perigoso, astuto, inquisidor, julgador, músico, dançarino, corajoso, amigo, leal, acreditava nas pessoas, perfeccionista, gostava de tudo o que era bom, rico, comerciante, artífice, laborioso, habilidoso e estrategista.
            Lampião foi um homem notável para o seu século. Não existiu até o presente momento ninguém mais do que ele, igual a ele, em mesmas circunstâncias, fazer o que ele fez em um ambiente hóstil, carente de meios e desprovido de tudo, por tanto tempo assim – mais de vinte anos - acossado por centenas de volantes policiais.

Lampião

            A impressão que se tem pela fotografia acima, é que em 1928 – na visita a Pombal, possuía um relógio de pulso no braço esquerdo.
            Não sabemos até hoje como conseguiu gravar o seu nome e o de sua mulher no interior das alianças que ambos portavam e que simbolizavam a paixão que um nutria pelo outro. Gostava de tudo que brilhava, que reluzia. Quem o avistasse pela primeira vez ficava impressionado com aquele homem impecavelmente trajado de azul, ou brim caqui, apetrechos ricamente ornamentados de variadas cores e matizes, armas luzidias nas mãos prontas para o uso, tez da cor de cuia, olhar firme, voz rouca, sons profundos que calavam fundo na mente de quem o ouvia – de repente a pessoa, em seu intimo, sentia um arrepio, um frio, um medo, um temor – sentia a impressão que estava correndo um grande perigo, e aguardava, apavorada, a qualquer momento o bote daquela fera perigosa, de punhal em riste, e com a ponta do aço duro cutucar a veia jugular na tabua do pescoço, sangrando a vítima em questão de segundos.

Lampião
          
             O pavor que os nordestinos sentiram quando estiveram frente a frente com Lampião, sentiram também os homens que outrora conviveram com pessoas diferentes e superdotadas, como por exemplo, quem esteve nas presenças de Alexandre, O Grande, Julio César, Nero e Napoleão Bonaparte. – personagens da História, grandes personalidades em suas diferentes épocas, alguns líderes excepcionais, guerreiros, vencedores, que sucumbiram pela vontade do destino, dono absoluto da vida das pessoas importantes. Quem os visse, a princípio, sentiam-se admiradas diante de tanta beleza, depois de contemplá-los por alguns instantes sentiam um respeito profundo pelo que viram, depois eram possuídas por um temor inexplicável que lhe arrebatavam a alma e que lhes causavam calafrios, palidez nas face, suor frio e tremores nas pernas.
             Não se pode desejar que lampião nasça em outro lugar, em outro país, em classes mais abastadas. Lampião nasceu e se criou no lugar exato em que todo o homem valente deseja nascer e ser criado - uma terra de homens corajosos, valorosos, que não tem medo de nada e de ninguém. Homens acostumados a vida dura, difícil, onde só o destemido, o persistente, o audacioso, os corajosos sobrevivem, tiram raças e prosperam em cima do solo duro, pedregoso, domando o gado hostil - animais bravios - em meios a serpentes venenosas, como a cascavel e rodeado de mata espinhenta por todos os lados.
            Quem visita o lugar onde Lampião nasceu sente a alma envolta por um romantismo inexplicável, o ar circundante é adocicado pelo aroma das flores silvestres. Ainda pode se escutar o gorgeio livre da passarada ao amanhecer e ao entardecer; pode-se sentir o cheiro natural que brota da terra estrumada; pode-se ouvir o guizo da cobra oculta; pode-se escutar ao longe o mugido do gado na invernada; pode-se imaginar o fogo aceso, panelas ferventes, chiando nas trempes, o prato de bolinhos feitos pela Dona Jacosa, sua avó, o café fumegando na caneca, e as suas mãos ágeis enfeitando o couro dos arreios, o seu semblante concentrado mas feliz pela alegria que sentia de viver e de trabalhar, o prazer de tudo e por tudo, o gosto pelo que é bom.

             Toda essa vida boa, doce, tranqüila, prazeirosa, o destino ingrato retirou dos caminhos de Lampião, menos a fé em Deus e o amor puro que nutria pelos seus familiares. Mesmo nas horas mais difíceis de sua vida atribulada a paixão pela Virgem Santíssima nunca se arrefeceu de seus pensamentos ardorosos, forjados por uma fé inquebrantável – sentia um amor infinito e incompreensível pela Santa, a ponto de sempre rezar em sua homenagem, ao deitar, ao levantar, ao meio dia e as seis horas da tarde.


              Lampião queria viver bem e feliz. Queria ser o melhor em tudo e por tudo, de acordo com o que Deus lhe dera. Por ser portador de qualidades inerentes a poucos seres humanos, foi invejado, odiado, perseguido, traído e levado a morte, embora tenha feito de tudo para que isso não acontecesse, pois era um amigo leal e de confiança, era muito bom para quem fosse bom para com ele – Lampião era um homem de palavra e não se apossava das coisas alheias por ser ladrão vulgar, salteador de beira de estrada, fazia o saque por necessidade de manter o bando de cangaceiros e por esse fato pedia sempre dinheiro as pessoas mais abastadas, por carta, bilhetes ou mensageiros, ou simplesmente tomava delas.
             Lampião a frente de seus homens mantinha uma rede de informantes pagos a peso de ouro. Aliciava policiais e pessoas influentes, e quando não conseguia demover o perseguidor por bons modos, difamava-os, inventava historias cômicas sobre eles, dava-lhes apelidos depreciativos, contava piadas que fazia brotar risos na turma acampada aos redores das fogueiras, sobre esse e aquele oficial. Era temerário, mas não poderia ter negligenciado a capacidade combativa de Bezerra - o oficial que o matou- segundo Lampião, dito por ele mesmo, não tinha medo de boi brabo, quanto mais de bezerra.........o descuido, esse erro de avaliação foi-lhe fatal e custou-lhe a cabeça naquela manhã de 28 de julho de 38.


            Criou para si e para seu bando sinais, códigos e gírias que significavam algo entre eles, que conheciam a chave para decodificação, como por exemplo o L formado pelo indicador e o polegar da mão direita que devia ser mostrado quando se aproximavam das sentinelas do grupo. A três pancadas nos troncos das arvores - mas não eram pancadas comuns, elas tinham intensidade, ritmo e freqüência, que só os do bando sabiam executa-las.
            A manutenção dos esconderijos, os depósitos escondidos nos interiores dos troncos das arvores, de dinheiro, munição e armamento; a ocultação do cadáver do seus comandados, o sumiço dos rastros, a camuflagem, a dissimulação, a finda, o drible, a manobra audaciosa, o descarte dos dejetos dos acampamentos, a busca pela água e pelos alimentos, - o lampejo na mente iluminada pela escolha da decisão mais acertada, na hora certa e diante de grande perigo - fizeram o bando sobreviver por longos anos, diante de volumoso número de perseguidores, graças ao tirocínio de seu comandante, de sua visão combativa, de seu planejamento bélico, do seu sentido de direção, de seus objetivos previamente ajustados e na maioria das vezes bem sucedidos, e por esse fato granjeava a admiração e o respeito dos seus seguidores, a ponto de sempre confiarem nele e o considerarem invencível. Seu bando nunca andava a ermo, sem um roteiro estabelecido, se um objetivo, sem uma missão a cumprir. Seus deslocamentos sempre tiveram início, meio e fim.
             Lampião morreu no tempo certo e na hora certa. Morreu no apogeu da vida e da saúde. Morreu em combate. Após o mortífero impacto da bala que lhe pos por terra, enquanto pode, enquanto tinha uma pouco de energia, tentou ficar de pé, não conseguiu, se contorceu até que o tiro final esgotou todas as possibilidades de vida. Um espírito muito forte retornava a sua morada divina.





            Lampião pode ter sido o que seja, mas um dia voltará para cumprir a sua missão terrena em uma nova chance dada pelo criador. Esperamos que tenha mais sorte desta vez. Analisando a vida de grandes malfeitores podemos dizer que Lampião não teve as mesmas chances e as oportunidades de fazer o bem que tiveram Reis, Rainhas, Religiosos e Políticos da Nova Era. – pelo contrário – foram até muito pior do que ele. As centenas de pessoas que caíram pelo aço de seu punhal ou pelas balas de suas armas nem de longe se comparam aos milhões de mortes causadas pela inquisição religiosa e nos porões das masmorras ideológicas. Talvez seja por isso que Lampião mereça uma nova chance nesse mundo de pecado.


Alfredo Bonessi. (Foto: Coroné Severo)
Estudante Pesquisador – Membro da GECC -
Grupo de estudos do cangaço do Ceará e
SBEC - Sociedade Brasileira de estudos do cangaço.


Transcrito do Blog:
"Lampião Aceso", do amigo Kiko Monteiro

Faleceu o escritor José Geraldo Aguiar


             O blog Cariri Cangaço anunciou a morte do escritor José Geraldo Aguiar. Agora o Blog Lampião Aceso também faz a sua parte, de comunicar aos seus leitores.
             
             Repasso ao leitor o que escreveu o músico Kiko Monteiro, sobre a morte do escritor e fotógrafo José Geraldo Aguiar. 

Foto: O norte.net

             Soubemos através do Coroné Severo informado pelo chanceler Paulo Gastão.
             
             Foi na última quinta-feira, 19 de maio, por um enfarto fulminante, por volta das 21 horas, faleceu José Geraldo Aguiar, em Brasília de Minas, MG. Tendo seu corpo sido sepultado no dia seguinte na sua cidade natal São Francisco. Tinha 61 anos de idade, deixa a viúva, Edny Prestes Aguiar e três filhos.

             Geraldo Aguiar exerceu a profissão de fotógrafo em São Francisco, por mais de 36 anos, com muitos contatos, tomou conhecimento dos rumores na região de que "Lampião" estaria vivendo naquele Município.
"- Meu passado foi muito problemático, não posso aparecer. Faça o que for possível, mas, não anuncie nada antes da minha morte. Vou morrer no ano que vem. Deixo minha mulher autorizada a colaborar com você em tudo que for possível.”

A tese defendida por Geraldo
 
            Passou a pesquisar e encontrou um homem sisudo, estranho, com um defeito no olho direito, usava óculos escuros e que não era de ter amigos. Procurou se aproximar daquela pessoa, travando conversas, puxando assunto, até que ficou sabendo de se tratar de João Teixeira Lima.
              
            Os contatos foram aumentando. João Teixeira Lima passou a ter confiança em Geraldo Aguiar. Muitas informações foram transmitidas ao fotógrafo, até que num determinado dia, João Teixeira confessou que era, na realidade, Virgulino Ferreira da Silva, narrando toda a história de sua vida e como ele renunciou ao cangaço e fugiu para Minas.
          
             Em 1992, Geraldo Aguiar disse para João Teixeira Lima que queria escrever a sua história, para corrigir o equívoco daquele episódio de Angico. Ele disse:  
           
            Realmente, João Teixeira Lima veio a falecer no ano seguinte, o óbito foi registrado em nome de Antônio Maria da Conceição, esputado em Buritis-MG e a sua então mulher, Severina Alves de Morais, conhecida por Firmina, outorgou procuração para José Geraldo Aguiar, prestou todas as informações necessárias e entregou documentos importantes.
          
            Geraldo Aguiar pesquisou o assunto durante os 17 anos seguintes, entrevistou dezenas de pessoas ligadas ao cangaço e terminou de escrever o livro, sendo lançado em Setembro de 2009 no Cariri Cangaço, com o título “LAMPIÃO, o Invencível: duas vidas e duas mortes” pela Thesaurus Editora, de Brasília.
          
            Ele já estava com as pesquisas bem avançadas para lançar a 2ª edição do livro com mais detalhes e outras "provas" de que João Teixeira Lima ou Antônio Maria da Conceição era o próprio Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. 


Extraído do blog: "Lampião Aceso" do Kiko Monteiro

  José Mendes Pereira
Deixar de permanecer
no seio da mãe natureza, é
apenas  uma transferência da
 morte para a vida eterna. Quem
viaja em busca de Deus, nada perdeu,
apenas ganhou um outro mundo, sem
sofrimentos, sem maldades, sem
 ódios, e lá irá ser amado por Deus
e pelo filho. Na vida Geraldo,
com certeza fostes um
guerreiro, um batalhador
 e um bom profissional.
Morrer não é o fim.
E que Deus o 
ampare
 sempre. 
  
              Sobre a sua obra, escrita com carinho, nada tenho a dizer contra, mas quem lhe informou ser o verdadeiro Lampião,  não passou de um oportunista, querendo aparecer no meio da sociedade brasileira.
                 
Dúvidas, não só minha, mas tenho certeza que muitos que estudam o cangaço tem.

 
               1 - Para que Lampião tivesse renunciado o cangaço, teria sido antes da chacina na grota de Angicos, na madrugada de 28 de julho de 1938. A renúncia não aconteceu, pois os seus remanencentes como: Candeeiro, Balão, Sila, Zé Sereno, o coiteiro Mané Félix e outros,  todos confirmaram aos escritores e pesquisadores que naquela madrugada Lampião estava no coito.

             
               2 - Nada existe para corrigir sobre a morte de Lampião. Isto é indiscutível. Lampião morreu naquela madrugada de 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, no Estado de Sergipe.
             
               3 - Por que o suposto Lampião afirmou ao escritor que não poderia aparecer. Ora! Após cinquenta anos que havia acontecido a chacina,  todos os cangaceiros estavam libertos pelo então Presidente da República Getúlio Vargas, e ainda ele temia algo?

 Get�lio Vargas - Presidente do Brasil
Getúlio Vargas
               
                4 - "Vou morrer no ano que vem".
              
               O que eu sei, através dos escritores e pesquisadores, que Lampião era um grande estrategista, mas evidente, que adivinhava o que iria acontecer com ele,  e anunciar até o ano de sua morte, nunca ouvir falar. 
             
               5 - "O óbito foi registrado em nome de Antônio Maria da Conceição".
              
              Observe leitor: De Virgulino Ferreira da Silva, passou a ser chamado João Teixeira Lima e foi sepultado com o nome: Antonio Maria da Conceição.
       
               José Geraldo Aguiar: Por onde você estiver, nada tenho contra o que você escreveu, apenas você repassou o que lhe informaram, tudo fantasiado pelos depoentes.


José Mendes Pereira 

DINOSSAUROS

               

              Os dinossauros constituem uma superordem de membros de um grupo de arcossauros referente ao final do período Triássico (cerca de 225 milhões de anos atrás) e dominante da fauna terrestre durante boa parte da era Mesozóica, do início do Jurássico até o final do período Cretácico (cerca de 65 milhões de anos), quando da extinção de quase todas as linhagens, à exceção das aves – entendido por muitos cientistas como os únicos representantes atuais.

               Distinto de outros arcossauros por um conjunto de características anatômicas, entre as quais se destacam a posição dos membros em relação ao corpo – projetados diretamente para baixo – e o acetábulo (encaixe do fêmur na região da bacia) aberto, isto é, o fêmur encaixa-se em um orifício formado pelos ossos da bacia. A etimologia da palavra remete ao grego déinos, terrivelmente grande, saurós, lagarto, e, por extensão, réptil.

              Historicamente a denominação do grupo (Dinosauria) foi criada pelo paleontólogo e anatomista inglês Richard Owen em Abril de 1842, na versão impressa de uma palestra conferida em 2 de Agosto de 1841 em Plymouth, Inglaterra, sobre fósseis britânicos de répteis e deriva dos termos em grego δεινός (deinos) "terrível, poderoso, grandioso" + σαῦρος (sauros) "lagarto". O grupo foi erigido para agrupar os então recém-descobertos Iguanodon, Megalosaurus e Hylaeosaurus. Apesar da natureza fragmentária dos fósseis, Owen pôde reconhecer que eram bastante distintos dos répteis (vivos e fósseis) até então conhecidos.

              Eram grandes (outros grupos de répteis grandes eram conhecidos – crocodilos, mosassauros, plesiossauros e ictiossauros, mas estes eram aquáticos, ao contrário dos membros do novo grupo, eminentemente terrestres).

            Possuíam um encaixe dos membros diferente: os ossos dos membros ficavam em uma orientação paralela em relação ao plano longitudinal do corpo (dirigidos diretamente para baixo), em vez da posição típica dos membros dos demais répteis, saindo perpendicularmente do corpo e se dobrando para baixo na região do cotovelo e do joelho (dirigidos lateralmente);

              Altura, largura e rugosidades dos arcos neurais;

             Costelas com terminação proximal (que se liga às vértebras) bifurcada (a costela apresenta um formato de um Y);

              Coracóide largo e, por vezes, de padrão complexo;

              Clavículas longas e finas;

             Ossos dos membros proporcionalmente maiores, mas com paredes finas – indicando hábito terrestre.
DINOSSAURO ALOSSAURO

 

DINOSSAURO ANQUILOSSAURO


DINOSSAURO ESTEGOSSAURO


DINOSSAURO PLATEOSSAURO


DINOSSAURO MEGALOSSAURO


DINOSSAOURO ARCOSSAULO


DINOSSAURO SACISSAURO


DINOSSAURO PAQUICEFALOSSAURO


 MUSEU

 

MUSEU


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