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quinta-feira, 21 de julho de 2011

FAZENDA ABÓBORA – UM IMPORTANTE LOCAL PARA HISTÓRIA DO CANGAÇO E DO NORDESTE

By Rostand Medeiros
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Desde que comecei a ler temas relacionados ao ciclo do cangaço, a sua figura maior, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e a história do Nordeste no início do século XX, um local em especial me chamava atenção pelas repetidas referências existentes em inúmeros livros. Comento sobre uma antiga propriedade denominada Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada, próximo a fronteira com a Paraíba e não muito distante das cidades pernambucanas de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo.

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A cidade de Triunfo a Noite

Vamos conhecer um pouco de sua história e da visita que realizei a este local.
Uma Rica Propriedade

Quem segue pela sinuosa rodovia estadual PE-365, que liga as cidades de Serra Talhada a Triunfo, antes de subir em direção a povoação de Jatiúca e as sedes dos municípios de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, percebe que está em um vale cercado de altas serras, que dão uma beleza singular a região. Atrás de uma destas elevações se encontra a Fazenda Abóbora.

Até hoje esta fazenda chama atenção pelas suas dimensões. Segundo relatos na região, suas terras fazem parte das áreas territoriais de três municípios pernambucanos. Aparentemente no passado a área era muito maior. Ali eram criados grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. No lugar existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba. [1]

Com tais dimensões, circulação de riquezas, no passado o lugar era ponto de parada de muitos que faziam negócios na região e transportavam mercadorias em lombo de animais, os antigos almocreves. No lugar estes transportadores do passado eram recebidos pelo “coroné” Marçal Florentino Diniz, que junto com irmão Manoel, dividiam o mando na propriedade.

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Documento que aponta os proprietários da
Fazenda Abóbora na década de 1920

Informações apontam que Virgulino Ferreira da Silva, quando ainda trabalhava como almocreve, realizou junto com seu pai e os irmãos vários transportes de mercadorias entre as regiões de Vila Bela (sua cidade natal, atual Serra Talhada) e Triunfo.[2].

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Sentado vemos Marcolino Diniz e seus "cabras"

Certamente em alguma ocasião, o jovem almocreve teve a oportunidade de conhecer a fazenda do “coroné” Marçal e de seu irmão Manoel. Além destes o almocreve da família Ferreira conheceu o impetuoso filho do fazendeiro Marçal, Marcolino Pereira Diniz.[3]

Uma ótima Relação

Chefe de bando inteligente e perspicaz, Lampião buscava antes do confronto, o apoio e as parcerias com os antigos proprietários rurais e assim agiu junto aos donos da Fazenda Abóbora.
 
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Após assumir a chefia efetiva de seu bando, depois da partida do seu antigo chefe, o mítico cangaceiro Sinhô Pereira, Lampião frequentou em várias ocasiões as terras da Abóbora, onde o respeito do chefe e dos seus cangaceiros pelo lugar estava em primeiro lugar.

Rodrigues de Carvalho, autor do livro “Serrote Preto” (1974), informa nas páginas 252 a 254 que ocorreu uma intensa e positiva relação de amizade entre Lampião e a família Diniz principalmente com o “jovem e pretensioso doutor” Marcolino Diniz, que chegou há cursar durante algum tempo a Faculdade de Direito em Recife, mas não concluiu.[4]

Esta relação ambígua de amizade entre estes ricos membros da elite agrária da região e o facínora Lampião foi posta a prova em duas ocasiões.

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Antiga Cadeia Pública de Triunfo,
em breve um novo centro cultural

A primeira no dia 30 de dezembro de 1923, quando Marcolino Diniz é preso pelo assassinato do juiz de Direito Ulisses Wanderley em um clube de Triunfo. Marçal solicita apoio de Lampião para tirar Marcolino da cadeia, se necessário a força. Juntos vão acompanhados de um grupo que gira em torno de 80 a 100 cangaceiros armados. Não Houve reação dos carcereiros.

A segunda ocorreu no mês de março do ano seguinte. Após o episódio do ferimento do pé de Lampião na Lagoa Vieira e o posterior ataque policial na Serra das Panelas, onde o ferimento de Lampião voltou a abrir e quase gangrenar, é a família Diniz que parte em socorro do cangaceiro. Marçal e Marcolino cederam apoio logístico para a sua proteção, transporte, medicamentos e plena recuperação com o acompanhamento dos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima, de Triunfo e Severino Diniz, da cidade paraibana de Princesa. Sem este decisivo apoio, certamente seria o fim do “Rei do Cangaço”.[5]

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Lagoa Vieira-Foto-Alex Gomes

Foi igualmente na propriedade Abóbora que Lampião conheceu Sabino Gomes de Gois, também conhecido como “Sabino das Abóboras”.[6]


Frederico Pernambucano de Mello, autor do livro “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), nas páginas 243 a 246, informa que Sabino efetivamente nasceu na Fazenda Abóbora, sendo filho da união não oficial entre Marçal e uma cozinheira da propriedade. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região.

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Sabino

Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na região da propriedade Abóbora, certamente com a anuência e apoio do pai. Organizava bailes e em um destes envolveu-se em um conflito, tendo de seguir para o município paraibano de Princesa. [7]

Depois, entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras, no extremo oeste da Paraíba. Marcolino Diniz desfrutava nesta cidade de muito prestígio. Era presidente de clube social, dono de casa comercial, de jornal e tinha franca convivência com a elite local. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região.

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Outra imagem de Lampião

O autor de “Guerreiros do Sol” informa que teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz. A amizade entre o “Rei do Cangaço” e o filho bastardo de Maçal Diniz, nascida na Fazenda Abóbora, teria então se consolidado a ponto deste último se juntar a Lampião e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927.

Outros Episódios do Ciclo do Cangaço na Fazenda Abóbora

Pelos muitos autores que se debruçaram sobre o tema cangaço e pelos relatos da região está mais que provado a franca convivência entre os membros da família Diniz e os cangaceiros no seu verdadeiro feudo na Abóbora.

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Oficiais de forças volantes que perseguiram Lampião
e outros cangaceiros ao longo da história

Mas no meio desta história, onde estava o aparato de segurança do estado?

Segundo informações colhidas pelo autor deste artigo, que esteve na região em várias ocasiões, a polícia frequentava a Fazenda Abóbora, mas o poder dos Diniz era tal, que os homens da lei tinham que avisar com antecedência que iriam lá.

Daí, no caso de cangaceiros estarem acoitados na grande gleba, estes eram informados por Marçal, Marcolino ou alguém de confiança, e seguiam tranquilamente para coitos nas Serras Comprida, da Pintada, ou da Bernarda, ou nas propriedades denominadas Xiquexique, Pau Branco, Areias do pelo Sinal e outras.

Essa verdadeira promiscuidade praticamente só vai ter um fim diante da extrema repercussão do ataque dos cangaceiros a cidade de Sousa, na Paraíba. Ocorrido na noite de 27 de julho de 1924, o fato logo ganha destaque nas páginas de vários jornais e assusta as autoridades nas capitais da Paraíba e de Pernambuco. Em pouco tempo os líderes sertanejos são instados a negarem a proteção dada aos bandos de cangaceiros. [8]

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Theophanes Ferraz Torres

Tanto assim que três dias após o assalto a Sousa, ao meio dia, uma força volante sob o comando do major Theophanes Ferraz Torres, trava um combate contra um grupo de cangaceiros comandados por Sabino, que foge sem dar prosseguimento à luta. Certamente Sabino tentava chegar ao seu conhecido “lar” e teve esta desagradável surpresa. [9]

Ao longo do mês de agosto de 1924 vários combates serão travados na região. Tiroteios nos lugares Areias do Pelo Sinal, Serra do Pau Ferrado, Tataíra e outros vão marcar a história de luta contra os cangaceiros. Não havia propriedade que não pudesse ser adentrada e varejada pela polícia.

Mas não seria o fim da presença de cangaceiros no local.

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"Diário de Pernambuco", 4 de agosto de 1926

Em uma pequena nota existente na página quatro do jornal “Diário de Pernambuco”, edição de quarta feira, 4 de agosto de 1926, encontramos a informação que por volta das três horas da tarde do dia 30 de julho, na área da Fazenda Abóbora, foram mortos pela polícia pernambucana e paisanos, depois de demorado tiroteio, os cangaceiros Juriti e Vicente da Penha.

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Juriti era erroneamente apontado pelo jornal como sendo o comandante de um ataque ocorrido no dia 7 daquele mesmo mês, a uma casa comercial em Triunfo. No caso o comandante da ação foi Sabino.

O “Coito” do Coronel José Pereira

Com o declínio da ação de cangaceiros na região de Triunfo, discretamente a Fazenda Abóbora deixa de ser local de combates, mas não deixaria de servir como um ótimo esconderijo.

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O Coronel José Pereira

Em 1930, eclodiu um grave conflito armado na vizinha Paraíba, mais precisamente no município de Princesa.

Entre as origens deste sério problema, estavam as divergências entre o governador eleito da Paraíba em 1927, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, e os coronéis monopolizadores da economia e política do interior do estado.

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João Pessoa

João Pessoa discordava da forma como este grupo político, que o elegera, conduzia a política paraibana. Entre estes poderosos era valorizado o grande latifúndio de terras do interior, possuidores de grandes riquezas baseadas no cultivo de algodão e na pecuária.

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Casarão de onde José Pereira comandava suas
forças no conflito de Princesa

Estes fazendeiros, como vimos no exemplo de Marçal Diniz, atuavam através de uma estrutura política arcaica, que se valia entre outras coisas do mandonismo, da utilização de grupos de jagunços armados, da conivência com cangaceiros e outras ações as quais o novo governo não concordava.

Um dos pontos mais fortes da discórdia era cobrança de taxas de exportação do algodão. Os ditos coronéis paraibanos exportavam a produção desta malvácia pelo porto do Recife, causando perdas tributárias para o estado da Paraíba. O governador estabelece diversos postos de fiscalização nas fronteiras do Estado. Por esse motivo os coronéis do interior passaram a apelidar João Pessoa de “João Cancela”.

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José Pereira (em destaque) e seu estado maior
durante a chamada Guerra de Princesa

O fazendeiro e líder político José Pereira Lima, mais conhecido como “Coronel Zé Pereira”, da cidade de Princesa, era o mais poderoso entre todas as lideranças do latifúndio na sua região. Para muitos ele é descrito como verdadeiro imperador do oeste da Paraíba, na área da fronteira com o estado de Pernambuco. Zé Pereira contava com o apoio dos governadores de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, respectivamente Estácio de Albuquerque Coimbra e Juvenal Lamartine de Faria.

Diante do impasse com o governador João Pessoa, Pereira declarou Princesa “Território Livre”, separando-o do estado da Paraíba, tornando-o absolutamente autônomo. 

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Combatentes durante o conflito

A reação do governo estadual foi pesada e uma verdadeira guerra começou. Princesa se tornou uma fortaleza inexpugnável, resistindo palmo a palmo ao assédio das milícias leais ao governador João Pessoa. O exército particular do Coronel José Pereira era estimado em mais de 1.800 combatentes, onde diversos lutadores eram egressos das hostes do cangaço e muitos eram desertores da própria polícia paraibana.

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Combatentes da Guerra de Princesa-Fonte

A força do governador João Pessoa possuia cerca de 890 homens, organizados em colunas volantes. Essas colunas eram chefiadas pelo coronel comandante da Polícia Militar da Paraíba, Elísio Sobreira, pelo Delegado Geral do Estado, o Dr. Severino Procópio e José Américo de Almeida (Secretário de Interior e Justiça).

Marçal Florentino Diniz e Marcolino, ligados por parentesco com José Pereira, se juntam a luta na região. Houve muitos episódios sangrentos na conhecida Guerra ou Sedição de Princesa.

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João Pessoa assassinado. Estopim da Revolução de 30

Após a morte do governador João Pessoa, ocorrida em Recife, houve a consequente eclosão da Revolução de 30 e o conflito em Princesa acabou. Durante os quatro meses e vinte e oito dias que durou sua resistência, Princesa não foi conquistada pela polícia paraibana. Após a eclosão da Revolução, as tropas do Exército Brasileiro, de forma tranquila, ocuparam a cidade.

Para muitos pesquisadores José Pereira Lima organizou de tal maneira a defesa dos seus domínios, que provocou baixas estrondosas à força pública paraibana.

Diante da derrota, José Pereira e muitos dos que lutaram com ele fugiram da região. A família Diniz se retraiu diante do novo sistema governamental imposto e a fortuna de Marçal e Marcolino ficou seriamente comprometida.

O tempo dos caudilhos do sertão estava chegando ao fim, pelo menos naquele formato utilizado por Marçal Diniz e José Pereira.

José Pereira deixa Princesa no dia 5 de outubro de 1930 e fica escondido em propriedades de pessoas amigas, em diversas localidades existentes em outros estados. Segundo o Sr. Antônio Antas, depois de percorrer vários locais, segundo lhe informou o próprio Marcolino Diniz, José Pereira passou muito tempo escondido na Fazenda Abóbora, até que em 1934 o novo regime lhe concedeu anistia e ele decidiu permanecer em território pernambucano.

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Antônio Antas, conviveu quando jovem com Marcolino Diniz, seu parente.
Um grande amigo e memória viva da história de sua região

Mas segundo o Sr. Antônio Antas, a situação na Fazenda Abóbora não foi fácil. Um ano depois da anistia, por ordens de Agamenon Magalhães, então Interventor Federal em Pernambuco, a polícia estadual cerca a Fazenda Abóbora. José Pereira escapa, volta a Princesa e recebe garantias dos líderes estaduais paraibanos.

Visitando a Fazenda Abóbora

Em recente ocasião estive na cidade de Triunfo, onde mantive contato com Lucivaldo Ferreira e André Vasconcelos. Há tempos que mantemos parcerias entre o nosso blog “Tok de História” e o ótimo blog que eles comandam, chamado “Boom! Triunfo”.

A principal igreja católica de Triunfo e a névoa
 da época de inverno na serra

Tive oportunidade de travar contato com ambos, onde pude entregar-lhes meu último livro “João Rufino-Um Visionário de Fé” e conversar muito sobre cangaço. Os dois são verdadeiramente apaixonados por Triunfo, sua história, sua cultura e lutam para que isso seja divulgado entre os mais jovens.

Lucivaldo é professor de artes da Escola Nova Geração Triunfense, atua como produtor cultural independente. Ele concilia o trabalho de Regente da Filarmônica Isaias Lima, com o de cantor, compositor, arranjador, vocalista da Banda Templários e participante da Orquestra Maestro Madureira.

O autor deste artigo e André Vasconcelos

Já André é bacharel em hotelaria, já foi secretário de cultura de sua cidade, é funcionário do SESC-Serviço Social do Comércio, trabalhando no belo hotel que esta entidade mantem na cidade serrana e é um grande pesquisador do tema cangaço. Acredito que tudo que diz respeito ao cangaço em Triunfo e região, se ele não souber, chega perto.

Com extrema boa vontade, ambos se colocaram a disposição para apresentar as características e fatos históricos de Triunfo, de uma forma tranquila e aberta.

Nas nossas andanças me chamou a atenção como às pessoas na região são extremamente tranquilas e comunicativas, sempre buscando ajudar. Percebi que na busca de informações, é difícil alguém que não tenha algum fato em sua história familiar, relacionado a episódios relativos ao cangaço.

Na busca da Fazenda Abóbora, com a Serra Grande ao fundo.
 Mais de 900 metros de atitude

Em um dos dias em que lá estive, busquei alugar uma moto 125 e fui com André desbravar os difíceis, longos e enlameados caminhos até a Fazenda Abóbora. Devido às chuvas, o trajeto foi bem complicado e quase caímos em algumas ocasiões. Mas o legal foi que André não perdeu a animação.

Durante o trajeto foi bonito ver a distância a famosa Serra Talhada. Neste caso não era a cidade, mas a elevação com mais de 800 metros de altitude que nomeia o lugar.

A Serra Talhada

A sede da Fazenda Abóbora fica praticamente escondida pelos contrafortes da chamada Serra Grande e seus mais de 900 metros de altitude. Já a passagem dos Riachos Abóbora e da Lage foi uma verdadeira aventura, pois ambos estavam com água corrente e, devido a ser final da tarde, não dava para ver a profundidade. Mas o negócio era encarar e seguir em frente. Graças a Deus deu certo.

Percebe-se com clareza no trajeto o quanto a região ainda é isolada. Existem serras cercando todos os quadrantes da propriedade, o que de certa maneira deixa a área bastante intocada. Tudo é muito bonito em termos naturais e paisagísticos.

Aspecto da Região

Em meio a tantas situações interessantes, em um ponto mais alto, avistamos a casa grande da fazenda Abóbora. À primeira vista, à distância, confesso que fiquei até um pouco decepcionado. Achei que era “história demais, para casa de menos”. Mas não era bem assim.

Sede da Fazenda Abóbora

Devido à distância e as condições da estrada, chegamos praticamente à noite. Era estranho tentar imprimir velocidade na 125, em meio a uma estrada terrível, desconhecida, cheia de curvas, altos e baixos e o medo de não conseguir as fotos devido a falta de iluminação natural. Ainda bem que André foi um passageiro bem tranquilo na moto. Mas deu certo.

Na casa os proprietários não se encontravam, mas os moradores foram extremamente solícitos em nos receber e abriram as portas do local.

Oratório de São Sebastião

O interessante é que a residência está mantida praticamente na sua forma original. Com exceção do pequeno pátio, do murinho, portal e escadarias localizados na parte frontal, eles afirmaram que o resto da casa é todo original e a intenção dos donos é mantê-la como está. Ao redor existem muitas antigas casas de moradores, a grande maioria desocupadas, mostrando que a quantidade de trabalhadores que havia no local já foi bem maior.
A antiga e preservada cozinha

Fizemos muitas fotos, mas por questão de respeito aos proprietários, apresentamos apenas o interessante oratório com a figura de São Benedito e a original cozinha com seu fogão a lenha.

Os caseiros do local informaram que vivem há anos no lugar e tiveram oportunidade de ouvir através dos moradores mais velhos, a maioria já falecidos, inúmeras histórias sobre a passagem de Lampião pela casa . Ele nós garantiram que era a primeira vez que conheciam pessoas que vinha à casa da Fazenda Abóbora em razão do tema cangaço.

A nossa visita foi rápida, mas valeu e muito.
Mas uma vez agradeço ao André Vasconcelos pelo apoio.

[1] Relatos transmitidos em entrevista gravada junto ao Sr. Antônio Antas, da cidade paraibana de Manaíra, em dezembro de 2008. O Sr. Antônio, parente de Marcolino Diniz, conviveu com o filho de Maçal quando este estava idoso e vivendo na Comunidade de Patos do Irerê. Vale ressaltar que é relativamente pequena a distancia da sede da Fazenda Abóbora para a cidade de Manaíra.

[2] Relato transmitido ao autor em entrevista gravada junto ao Sr. Antônio Ramos Moura, em agosto de 2006, em Santa Cruz da Baixa Verde.

[3] Para Frederico Pernambucano de Mello, autor do livro “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), na página 244, afirma que Maçal Diniz conheceu Lampião e seus irmãos quando os mesmo já eram membros do bando de Sinhô Pereira, cangaceiro que igualmente recebeu proteção e apoio deste fazendeiro em 1919.

[4] Entrevista gravada com Antônio Antas, dezembro 2008.

[5] Sobre o combate de Lampião na Lagoa Vieira ver – tokdehistoria.wordpress.com/2011/02/10/quando-lampiao-quase-foi-aniquilado

[6] Segundo Frederico Pernambucano de Mello, Sabino também era conhecido como Sabino Gomes de Melo, Sabino Barbosa de Melo, ou ainda com os denominativos Gore, Gório ou Goa. Ver “Guerreiros do Sol-Violência e banditismo no Nordeste do Brasil” (2004), pág. 243.

[7] Rodrigues de Carvalho (pág. 164) afirma que Sabino nasceu na Paraíba, no lugar denominado Pedra do Fumo, então município de Misericórdia, atual Itaporanga. Pela lei estadual nº 3152, de 30 e março de 1964, o antigo distrito de Pedra de Fumo foi desmembrado do município de Itaporanga e elevado à categoria de município com a denominação de Pedra Branca, localizado a cerca de 20 quilômetros de Itaporanga. Pelo que escutamos durante nossas visitas a região, acreditamos que a versão do autor de “Guerreiros do Sol” é mais correta.

[8] Sobre o ataque a Sousa ver o livro “Vingança, Não”, de Francisco Pereira Nóbrega.

[9] Sobre este combate ver “Pernambuco no tempo do Cangaço – Theophanes Ferraz Torres, um bravo militar (2 volumes)”, de Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho, págs. 379 e 380.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso,
 desde que citada a fonte e o autor.



Extraído do Blog "Toque de História"
 do autor deste trabalho, Rostand Medeiros

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Morre o último irmão da cangaceira Lídia


Por: João de Sousa Lima

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Morreu José Luiz Pereira (Sinhozinho),
último irmão da cangaceira Lídia, que vivia
no cangaço com Zé Baiano.

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Sinhozinho residia no povoado Salgadinho,
Paulo Afonso, Bahia.

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O povoado Salgadinho foi um dos maiores
coitos de Lampião na Bahia.


Na fotografia:
Stéfany (filha de João de Sousa Lima), Elaíde (esposa do professor Edson Barreto), João e Sinhozinho.


Foi um tempo que o tempo não esquece...

 Por Aderbal Nogueira
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZBaRptf6SKNhgCjVEuAOe6g4h6u5t81B6RbOhyFZOebJwKk5L6j5fJ5SkxG6zwIUqyM_26Yuv1HG4pFiAsZbFhUBq9_RjKmaTR1sw7F8qo1Xmc44T2afm3wWlLUxcREHqppdOYni6Hg/s400/PIC_4488.JPG


Vídeo "Ataque à Fazenda Gilo"

           Faz algum tempo, estive em Floresta, PE acompanhado do:

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"Coroné Ângelo" e do Waldir Júnior, fazendo nossas pesquisas e fomos ao local onde se deu o cerco à Fazenda da família Gilo ocorrido em 28 de Agosto de 1926.  Gravamos o depoimento do senhor Cícero Pedro só um menino na época do ocorrido, porém ouviu durante muito tempo a história contada por seus familiares.
              
               Cabe aos amigos pesquisadores analisarem o depoimento. Esse é mais um pedacinho da história.


Abraço a todos
Aderbal Nogueira


Extraído do blog: "Lampião Aceso"

DIANTE DA COSTA POTIGUAR, UM SEPULTAMENTO EM ALTO MAR

By Rostand Medeiros

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Aspecto de cerimonial de sepultamento em alto mar, com toda as honras militares de praxe, durante a Segunda Guerra Mundial.

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Aspecto de cerimonial de sepultamento em alto mar,
com toda as honras militares de praxe,
durante a Segunda Guerra Mundial

Morrer, mesmo que não desejemos, é a coisa mais certa que temos em nossas vidas e todos vamos encarar isso um dia.

E para nós, que vivemos em um país de maioria cristã, depois de alguém partir para um plano superior, a sequência dos acontecimentos envolve quase sempre o velório, o enterro, as missas de sétimo e trigésimo dia, além de muita dor, tristeza e saudades.

Em épocas passadas, quando alguém falecia dentro de um navio em alto mar, a forma mais prática existente era jogar o corpo no mar.

Foi o que aconteceu às cinco da manhã do dia 9 de agosto de 1903, um domingo, quando o corpo do potiguar Francisco Antônio Bastos, militar de baixa patente do 40º Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, foi arriado no mar, na altura da Ponta do Tubarão, nas proximidades de Macau.

Bem, o que poderia ser uma pequena história de um falecimento, aponta algumas situações interessantes sobre como as pessoas das camadas mais populares eram tratadas nestes casos.

O pobre militar viajava na terceira classe do luxuoso Paquete Alagoas, na companhia de sua mãe, a senhora Tereza Maria de Jesus, e a causa da sua morte foi diagnosticada como sendo beribéri, que nesta época era considerada uma doença contagiosa.

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O jornal natalense “A Republica”, edição de 10 de agosto de 1903, informou que o comandante do Paquete Alagoas “na intenção de se evitar a propagação de doenças”, em menos de 24 horas após o falecimento, decidiu sepultar o militar no mar. Para evitar evidentes transtornos aos passageiros mais abonados, o corpo de Francisco Antônio Bastos, envolto em uma manta de chita, com pesos de chumbo presos aos seus pés, foi lançado ao mar bem cedinho pela manhã. Não existe nenhuma referência de que alguma mínima cerimônia tenha sido realizada.

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O Paquete Alagoas.
Fonte-http://www.naviosbrasileiros.com.br

Na época do acontecido, o Paquete Alagoas pertencia a companhia de navegação Lloyd Brasileiro e durante a sua história este luxuoso navio foi temporariamente incorporado à Marinha do Brasil para conduzir à Família Imperial ao exílio na Europa.

Segundo o site “Navios de GuerraBrasileiros”
 (http://www.naviosbrasileiros.com.br) o Paquete Alagoas partiu do Rio de Janeiro com o Imperador Pedro II e sua família no dia 17 de novembro de 1889, sob o comando do Capitão-de-Longo-Curso José Maria Peixoto, sendo comboiado pelo Encouraçado Riachuelo. Chegou a Lisboa em 7 de dezembro.

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Cabine do Imperador no Paquete Alagoa.
Fonte-http://www.naviosbrasileiros.com.br

Já em relação a doença que vitimou o militar potiguar diante das praias do seu estado de origem, para o qual ele retornava, o artigo “Beribéri: Revisão Histórica e documental na Marinha do Brasil”, de autoria do Comandante de Mar e Guerra Regis Augusto Maia Frutuoso, traz algumas informações interessantes.

O termo beribéri, adotado na terminologia médica, provém do cingalês e seu significado é “fraqueza”. Este mal foi um grande enigma na época das antigas naus, permanecendo durante muito tempo sem que a sua etiologia fosse definida, atemorizando os tripulantes. Finalmente, no século XX, ficou esclarecido que a enfermidade era consequência de um estado de carência nutricional, desencadeado pela diminuição e não reposição das reservas de vitamina B, importante para várias reações químicas do organismo, principalmente na condução dos impulsos nervosos. (Frutuoso RAM. Beribéri: revisão histórica e documental na Marinha do Brasil. Arq Bras Med Naval. 2010 jan/dez;71(1):8-13.)

Para os homens do mar do início do século XX, doenças a bordo eram consideradas situações de perigo e não poderiam perturbar o bom curso de uma viagem.

Só não sei se os passageiros da primeira classe eram sepultados de forma tão rápida quanto os da terceira.

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desde que citada a fonte e o autor.


Do arquivo do historiógrafo Rostand Medeiros




João de Sousa Lima participa em São Paulo do 6º Salão de Turismo


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEidbC_Z7GIF75MP7URoz0xHWHx92DZSslXqqlts3tflPBLvTvCJCxkPnPeYfLayug2Fufs4bvnGPfz5p48ZxXUIst5qtAuc_E_EDDH_jtLVpnIq37X7Jhqz25bR34VMYR_53sWC7DsbdM_r/s150/joao.jpg

O 6º Salão de Turismo foi um sucesso.

A prefeitura de Paulo Afonso, atrvés da BAHIATURSA lançou os Roteiros: Cânions e Cangaço.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7dCLOI60uICs62x_JDBcdQqHCVbu45OvQAUw9caLFIR0RVcdwBRQa4RPM1PD-Mw4ZbaYRN51CgxsUDVKAugZmrSHD9vFmWNfXfo5HLInPPVSDs55n7D-E2JubviNeJZAb_8Ov6paoxVK0/s320/100_3674.JPG

Na foto: João Lima, Maíra (Trilha Turismo), Jairo (Diretor de Turismo de Piranhas, Tássio Castor (Gerente de Vendas)

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2B8P1DzG4i9Rn39WhwjdBrfDNyTPdBdtt-dqEHgUZ5p8tNfdKnvAATVSI34O76UDTJ89wqLBXqT2mKMEuuX2bgshmDjq6-NU32iIPHKTZ65SOKkAwTTS0zYSkbYDpj_t5ddozYg7AKrtO/s320/SAM_0199.JPG

A Bahia bem representada com a baiana vestida a caráter.

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Equipe da Bahiatursa e representantes de Paulo Afonso. 



Extraído do blog: "João de Sousa Lima"

Recado de Seraine direto de Serra Talhada..


.Wilson Seraine e Dilson "Patativa"

Caros amigos do Cariri Cangaço,

Dias 15 e 16 de julho aconteceu em Serra Talhada, lugar onde Lampião Nasceu, o encontro - SERTÃO BEATOS E CANGACEIROS - CENTENÁRIO DE MARIA BONITA.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh0fzsPnYQWQrXzDTbDHd52no6ZuASvVqfhsRuEPWaUvNQ9HWUSdLTX4ghHA-SNYv-WXPLLqYZq-4IgQsvhkDdcH8ZaTlSEUhbLHfPO1IGwHBm4wF8gw20mxlpC5iDelKGGP2ZBpARXoP8/s400/lampiao++maria+bonita+cangaco.jpg

O encontro teve a presença de:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzpB-CEx-Szms7heSb0RrfpOhmaQBfKOjDgSJJPPshslO8D6IYQNOCQ1lDa21EdWDm93J0xw6_CxUfzlfU3AfQs_q_Qs-MT0sSmq52aoT-fa4ovDcVUit0t9GCT1icvili8eDImkoMwk4/s400/donaexpedita.1%C2%BA+filha+de+lampi%C3%A3o+e+maria+bonia.jpg

 Expedita Ferreira,

filha da Rainha e do Rei do Cangaço e da neta de Lampião,

http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/Cultura/grande-Vera_Ferreira_06082010.jpg

Vera Ferreira

que proferiu a palestra - Vida e Modos de Maria Bonita.

Representando o Piauí, estavam Prof. Wilson Seraine(foto a cima), que ministrou a palestra - BEATOS E CANGACEIROS: FONTES DE INSPIRAÇÃO DE:

http://www.pael.com.br/Imagens/luizGonzaga.jpg

 LUIZ GONZAGA

e o Artista piauiense

http://www.portalfcs.com.br/img_news/dilso240707.JPG

Dilson Tavares,

que abriu a palestra do Prof. Wilson Como

http://www.revista.agulha.nom.br/patativa.jpg

 Patativa do Assaré

http://aqueimaroupa.com.br/wp-content/uploads/2011/05/ariano-suassuna.jpg

e a encerrou como Ariano Suassuna.

O evento foi totalmente patrocinado pelo SEBRAE, que além das palestras, houve visitação em diversos locais onde Lampião e seu bando andaram e lutaram, bem como a casa onde o Rei do Cangaço nasceu.



Abraços.
Wilson Seraine.

Cariri Cangaço

Um clássico cearense reeditado

Abelardo Montenegro tem a obra Fanáticos e Cangaceiros relançada agora à tarde, no Instituto do Ceará.
Por Domitila Andrade - O Povo Online de 19/07/2011 
Caderno: Vida e Arte
 
O livro é originalmente de 1971. Pesquisador profícuo, Abelardo Montenegro costumava gabar-se como um dos homens que mais amou o Ceará. Foto: Igor de Melo

Convite ripado no Blog do Instituto do Ceará
O homem foi toda a vida das letras, das que lia e das que escrevia. Tanto que não casou para dedicar-se em plenitude à sua maior paixão: os livros. O advogado Abelardo Montenegro foi um dos mais profícuos escritores cearenses, tendo publicado 42 obras, e um ano após seu falecimento, em 2010, aos 98 anos, ainda ter seis títulos inéditos. Fanáticos e Cangaceiros, que será relançado amanhã (20), às 15h30min, no Instituto do Ceará, é originalmente de 1971.
A segunda paixão do escritor não se dissocia da primeira. Ao contrário: a complementa. Abelardo, que gostava de ser chamado de intérprete do Ceará, dedicou boa parte de sua vida a escrever sobre os meandros da cultura e do povo cearense. Exemplo disso é Fanáticos e Cangaceiros, que trata de religiosidade, seca e vida sertaneja.

A nova edição se dá porque a primeira, feita com recursos próprios, foi apenas de 300 exemplares, que foram distribuídos para bibliotecas e estudiosos. Esta edição traz, além dos três capítulos originais, um prefácio assinado por Gildácio Sá que fala um pouco da história do escritor. Apesar de não ter casado, Abelardo, aos 50 anos, adotou como sua uma família cuja mãe, dona Clara, lhe prestava serviços domésticos. Os filhos e netos de Clara são hoje seus herdeiros. Gildácio, casado com uma dessas netas, conviveu com o escritor por 30 anos e dedicou-se a digitalizar toda sua obra, que também estará exposta hoje.

“Fanáticos e Cangaceiros começou a ser feito por Abelardo ainda no final da década de 1930, o que deu a ele oportunidade de conversar com pessoas que participaram in loco das histórias contadas por ele no livro”, fala Gildácio. Mais de 100 livros e 42 entrevistas compunham a base da obra.

Dividido em três partes, o livro conta a história da vida, do sofrimento e peregrinação do beato Antônio Conselheiro; do fanatismo religioso, das santas missões, das festas religiosas, do misticismo cearense, desde o padre Ibiapina até o padre Cícero - com quem Abelardo conviveu por duas semanas, hospedado em sua casa; e, por fim, da fome, seca e injustiça social que permeava a vida sertaneja e contextualiza o cangaço.

Esta edição, que Gildácio define como “de extrema importância para a história do Ceará” passou por modificações, em relação a primeira, feitas pelo próprio escritor. “Nós atualizamos algumas coisas, revisamos datas e dados, revemos recortes de jornal”, Gildácio explica o trabalho em conjunto feito pouco antes do falecimento do escritor.

Gildácio conta que Aberlado, avesso à entrevistas por sua natureza humilde e modesta, gabava-se apenas de ser o homem que mais amou o Ceará. “Ele dizia: ‘Pode haver alguém que empate esse amor, mas não tem ninguém que passe, não”. E completa:
“Fanáticos e Cangaceiros guarda nas entrelinhas a prova do intenso amor de Abelardo ao Ceará”.
ENTENDA A NOTÍCIA

Nascido em Crateús, Abelardo Fernando Montenegro morreu aos 98 anos, em 26 de abril de 2010, deixando uma obra que transitou por áreas como a Ciência Política, Economia, Sociologia e Psicologia Social, em quase 50 livros, a grande maioria dedicada ao Ceará.

SERVIÇO
O quê: relançamento do livro Fanáticos e Cangaceiros, de Abelardo Montenegro
Quando: Hoje (20), às 15h30min
Onde: Instituto do Ceará (rua Barão do Rio Branco, 1594 - Centro)
Outras info.: (85) 3226 1408
Açude:  O POVO online


Créditos do artigo para o sempre atencioso coroné
Ângelo Osmiro Barreto
Fortaleza-CE

Nos Porões de Izaias Arruda

Por: Bosco André

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWGKU_57Er-662Cb92IdGiIk8qWh1cFWeJiWeAV1zTwilXUEvgtzI7C1O0G_JqxR5AB07HB7mUJ8xLN43hNm6DcblDyByBJLK2g9mzraGSdouyOfXyhqDfPqoc3dwieCpD4fpWL0FlGA/s1600/Bosco+Andr%25C3%25A9+%25282%2529.JPG

Meu caro amigo Severo e companheiros de Cariri Cangaço, há uns três meses recebemos aqui em Missão Velha a equipe de filmagem da mini-série "Sedição de Juazeiro". na oportunidade passamos alguns dias acompanhando a competente equipe que tem entre seus produtores o grande pesquisador e documentarista do cangaço Aderbal Nogueira.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEy_h1eU6ygChTO_3UndXWfBOj4F2e7DtO9jwoaAysyV1EaBBHFBa2PleXKeZoffVbA8eiPIzQZ3SwysJWj1-OUN02kBzVcAp87SM2XTXGSM5XTVJuby-xcScFgEzyv2EgrBNrZKZW8A/s400/P6130777.JPG
Aderbal Nogueira

Entre uma gravação e outra acabamos fazendo uma nova visita a Casa de Izaías Arruda, bem no centro de Missão Velha. 

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhiry0zJJwrhFY7sPTWsr6v_EuP6xpxJr6721d2mfeBHrJrGg43bQlR88YIqJTsothG1UyjGvZD_d65CpQRHLJ1G3UieVdX0lHBD8cZWCyI2EspD0-YJ-Kb3OTG9RLlq-Y5Y8U0KJdmWA/s320/casa.jpg

Naquela ocasião Aderbal com a competência que lhe é peculiar realizou o registro histórico de um dos lugares mais inusitados da edificação: Os famosos porões da casa de Izaias.


 Certamente todos os amigos se deleitaram com a matéria que Aderbal enviou para este mesmo blog do Cariri Cangaço, quem desejar ver novamente é só procurar no índice lateral e conferir.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAeJloE_0CCz5K-rrXZk930Dy10CTVSr4He191yh0OCagGk4BFaTyJdUQsmeRgRcTCT_Mc-2bFuUzpsQ5TpPoBEqa0QPPkN6A3ZqnlIzikNAHWcPHGyItvLR3zdnFvifH8jWfEM7lPoA/s320/foto+grupo+isaias+e+ze+gon%25C3%25A7alves.jpg
Grupo de Izaias Arruda, o segundo à esquerda Zé Gonçalves

Pois bem, após a maravilhosa postagem de Aderbal , aqui em Missão Velha já começaram a aparecer histórias e personagens que passaram ou fizeram parte da história dos famosos porões de Izaias.

http://www.aurora.ce.gov.br/images/conteudo/%7BA9CC1DAC-E77A-44D1-90E9-169E8A89A311%7D_Isa.jpg

Hoje trago um episódio verídico e que por questões éticas não poderia declinar nomes. Mas vamos aos fatos.

Pelos idos de 1940 quando ainda existiam e eram respeitadas as chamadas "mangas de solta de gado" em cima da Serra do Araripe, que eram respeitadas desde remotas datas, ainda em épocas do cel. Franscisco Mascarenhas de Quental; época em que quem tinha alguma propriedade ao sopé da serra, era o detentor supremo de suas frentes até o limite de seu município. Então um determinado senhor de terras, abastardo, rico e poderoso, cercou as frentes dos sitios Bodó, Varzinha e Santa Rosa, então propriedades do senhor José Gonçalves de Lucena, outrora lugar tenente de Izaias Arruda; que de imediato preparou a desforra.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhCG1l4gfr_6ISr0pAlQtKrowRdDuDXk-w6DRLfY-8l0KL31ZjysUUqI4SmDS54XDwyxjHMVRKEwkccXVNoUwXPbmhD_HE4tRDbhkhW5R2UewB7TZMVTKXFqYjoPByR__KbzXi7xCHGEQ/s1600/ze.jpg
Zé Gonçalves Lucena

Enviou um compadre de sua inteira confiança, sr. Zé Ruberto, até o município de Jardim e ali foram arregimentados cerca de 80 homens para a destruição da referida cerca e consequente queima da madeira da mesma, assim foram compradas 3 caixas de machado para a empreita da desforra, que deveria acontecer altas horas da madrugada e ao amanhecer do dia tudo estava consumado.

Os próximos passos ao fim do episódio foi uma representação judicial do rico proprietário contra Zé Gonçalves Lucena e seus homens, e dentre esses os principais cabeças, entre eles, o meu "entrevistado", que acabou sendo usado como uma espécie de bode expiatório, na época, pasmem, com apenas 12 anos de idade, mas escolhido como isca para pegar os "peixes graúdos". Fato consumado o garoto de 12 anos foi tocaiado em uma vereda que levada à sua casa pelo inspetor de quarteirão, Manoel Fidelis e mais 10 homens. O menino matreiro e vivido, apesar da tenra idade, ao ser conduzido a delegacia, disse que precisava pelo menos avisar a sua mãe. Assim foi feito, levado à presença da mãe no sítio Bodó, quando abriram a porta o menino foi impedido de entrar em casa, deu um salto para dentro e acabou derrubando o delegado, no que sua mãe trancou a porta e ameaçou aos homens do delegado para que entrassem para vir tirar o menino de sua casa.

Ato contínuo chega o pai do garoto, também homem de confiança de Zé Gonçalves e o inspetor e seus homens se retiram da propriedade. O resultado desse episódio todo foi que o referido garoto, meu "entrevistado" e seu pai precisaram passar mais de 15 dias escondidos da polícia e da justiça, adivinhem onde? Pois é, dentro dos famosos Porões de Izaias Arruda, na época já pertencentes a José Gonçalves.

Abração a todos e em setembro todos vamos fazer uma nova visita aos Porões durante o Cariri Cangaço.


Bosco André

 CARIRI CANGAÇO

PÁGINA DO POETA

Poema de Walter Jorge de Freitas, 
enviado por Aristeu Bezerra


Gramáticos desocupados
em bela tarde de orgia
decidiram reformar
a nossa ortografia

A primeira mexidinha
foi no nosso alfabeto
que ganhou mais três letrinhas
para ficar mais completo

Numa decisão extrema
movidos pela preguiça
eliminaram o trema
de frequência e linguiça

Quem gosta de escrever certo
deve ficar bem ate nto
pois os ditongos abertos
não recebem mais acento

Para se ter uma ideia
vou dar exemplos bem joia
não levam acento assembleia
heroico, apoio e jiboia

Para fundir mais a cuca
dos chegados à leitura
assim se escreve baiuca
bocaiuva e feiura

Fizeram coisas sem nexo
capazes de dar enjoo
não cabe mais circunflexo
em veem, creem e voo

Não sei se foi o Brasil
Timor Leste ou Portugal
que de pronto aboliu
o acento diferencial

Para, pelo, pela e polo
estão todos numa boa
jogando no mesmo time
de pera, bolo e coa

Não tendo o que mais mudar
pra que tudo se apazigue
tiraram o acento do u
de argui e averigue

Cascavilhando nas regras
desse idioma prolixo
mudaram o uso do hífen
nas palavras com prefixos

De regras bem complicadas
o hífen me deixou louco
se eu não sabia nada
agora é que sei pouco.

 
 
Trasladado do blog:
Cultura e coisa e tal

Todos os vereadores de cidade de Minas são presos



Parlamentares de Fronteira, no interior do Estado, são acusados de desviar verba indenizatória.
Fronteira fica a 667 quilômetros de Belo Horizonte

Acusados de utilização indevida da verba indenizatória, os nove vereadores da cidade de Fronteira, a 667 quilômetros de Belo Horizonte, estão presos por ordem da Justiça. A prisão foi pedida pelo Ministério Público Estadual.

A presidente da Câmara, Sileide Nunes do Nascimento Faitaroni (PP), além de Maurílio Carlos de Toledo (PSDB), Raidar Mamed (PSDC), João Veraldi Júnior (PDT), Nildomar Lázaro da Silva (PR), José Marcelo Soares dos Santos (PDT), Eduardo Florêncio de Souza (PMDB), Daniel dos Reis Linhares Pontes (PMN) e Samer Saroute (PMN) foram presos nesta terça-feira (19) e levados para o presídio de Frutal, a 50 quilômetros de distância de Fronteira.

A movimentação de familiares dos vereadores em frente ao presídio foi intensa durante toda a tarde. Alguns acreditam que os parlamentares possam ser soltos a qualquer momento por força de um habeas corpus impetrado no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, mas a assessoria de imprensa do órgão informou que até o final desta tarde nenhuma ação para tentar libertá-los foi apresentada.

A prisão preventiva dos vereadores foi pedida pelo Ministério Público (MP) porque eles estariam praticando reincidência no crime de desviar verbas indenizatórias em benefício próprio, informou a promotoria de Frutal, responsável pelo caso. Ainda conforme a promotoria, as supostas irregularidades cometidas pelos vereadores foram observadas entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010. Fronteira possui pouco mais de 3.600 habitantes, portanto, a arrecadação da cidade é modesta. A promotoria de Frutal divulgou alguns detalhes do processo que levou à prisão dos vereadores, mas não informou qual seria o valor do rombo aos cofres públicos.

Por causa das supostas irregularidades cometidas entre 2009 e 2010, os vereadores foram processados em fevereiro deste ano, acusados de formação de quadrilha e peculato, além de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e dano ao erário. Os bens dos vereadores foram bloqueados e eles foram afastados de seus cargos, ainda em fevereiro. Os suplentes assumiram.

Prestação de contas

Em março deste ano, portanto apenas um mês após terem sido denunciados pelo MP, foi constatado que os vereadores estariam contratando uma empresa para maquiar a prestação de contas referente às notas de verbas indenizatórias.

Os vereadores, conforme a promotoria de Frutal, são suspeitos de usar carros oficiais para eventos particulares, pagar despesas de telefones celular a desconhecidos, usar o veículo oficial durante o recesso parlamentar, utilizar a verba indenizatória em despesas nos finais de semana e feriados, receber indenizações de verbas de forma duplicada, usar a verba para pagar alimentação para terceiros e até pagar a conta de internet e telefone fixo de sua própria casa com a verba parlamentar.

O advogado responsável pela defesa dos vereadores, Arnaldo Silva Júnior, afirmou à imprensa que irá comprovar à Justiça que eles são inocentes das acusações e que tudo não passou de um equívoco. Ele disse também que os vereadores estão com uniformes vermelhos da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) e que não gozam de qualquer tipo de regalia na prisão. O advogado espera conseguir libertar seus clientes nas próximas horas, com um parecer favorável a um pedido de habeas corpus que será apresentado à Justiça mineira.



Fonte: www.ig.com.br

Programa Cariri Encantado Sonoridades – 20/07/2011

O Padre Cícero e o Juazeiro


            Estamos em plena Semana do Centenário de Juazeiro do Norte, cujo marco será a próxima sexta-feira, dia 22. Mas, hoje, também se celebra uma importante data relacionada ao Juazeiro: os 77 anos da morte do seu patriarca, o Padre Cícero Romão Batista, considerado pelos milhares de romeiros que visitam a chamada "Meca do Sertão" uma figura mítica, um santo popular.

              Reverenciado, amado e idolatrado, o Padre Cícero é tema de uma gama de canções, sob vários ritmos, gêneros e tendências musicais, que vai do baião, cantado pelo devoto


 Luiz Gonzaga,

ao soul music, na voz do irreverente


 Tim Maia.

           Também, sambas, forrós, ladainhas, incelenças, dentre outros formatos musicais, foram compostos para homenagear o “Santo do Sertão”.

             Nesta auspiciosa semana, o programa Cariri Encantado, neste dia em que celebra a data de falecimento do “Levita do Sertão”, presta uma homenagem ao Padre Cícero e ao local da qual ele foi o principal emancipador, através de uma diversidade de músicas compostas e interpretadas por nomes conhecidos da música brasileira, como também por anônimos devotos desta personagem histórica e admiradores da progressiva cidade do Juazeiro do Norte.


Onde ouvir

Rádio Educadora do Cariri AM 1020 e
 
 
Do blog "Cariricaturas"