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domingo, 24 de junho de 2012

Astúcia de Lampião


Não tenho a fonte deste artigo, vez que o encontrei em um recorte. Se o autor se sentir prejudicado, envie-me e-mail para: josemendesp58@hotmail.com, que eu colocarei o seu nome no artigo.

Diz que como ainda não era famoso, e não tinha dinheiro para sustentar o seu respeitado bando de cangaceiros, Lampião descaradamente, mandou pedir uma quantia em dinheiro à dona Joana Vieira de Siqueira Torres, a baronesa de Água Branca (município que pertencia a Vila de Piranhas), para poder equipar os seus homens, já que não dispunha de recursos.

Ainda mandou lhe dizer, que se ela não negasse a sua solicitação, jamais seria incomodada outra vez, nem por ele, e nem por qualquer outro do cangaço. Se ela o atendesse, e se ele posteriormente tomasse conhecimento de qualquer exploração a ela, o sujeito que havia solicitado a quantia, mesmo que fosse homem do seu bando, com certeza, estaria marcado para morrer, na mira do seu mosquetão.
              
Infelizmente a baronesa não satisfeita com o seu pedido, não o atendeu. E mandou-lhe um recado desaforado pelo mesmo portador: “-Diga ao seu chefe, que o dinheiro que tenho, é para compra de munição, com a qual pretendo arrancar-lhe a cabeça”.

 
Foto da baroneza Joana Sandes Torres - cedida gentilmente pelo escritor João de Sousa Lima
             
Mas a baronesa, talvez, não sei, arrependeu-se do que disse.  Com medo de Lampião tomar-lhe algo na força e na raça, pediu ao governo do Estado que mandasse reforçar a guarda de seu território, com uma força policial mais equipada de homens e armas. (Lampião ainda não tinha feito o assalto).   
               
Assim que o mensageiro deu o recado desaforado da baronesa, Lampião virou-se numa fera humana, com vontade de sangrá-la. E pensou de imediato dar-lhe o troco. Mandou comprar algumas redes e as preparou, segundo os costumes locais de carregar mortos (onde um pedaço de madeira é colocado de um punho a outro, sendo carregado nos ombros por dois homens robustos). Preparou tudo com muito cuidado.         
              
Depois de pronto, mandou que seus homens se vestissem como pessoas comuns do lugar: com roupas simples e chapéus de palha, descalços, ou com sandálias. Fuzis, punhais e cartucheiras foram escondidos nas redes, no lugar onde deveriam estar os supostos mortos, enrolados em panos úmidos com groselha para dar aparência de sangue.       
              
Prontos, dirigiram-se à porta da delegacia. E aos gritos assustadores, um dos asseclas, disfarçado, gritou para o soldado de plantão: “-Acuda, meu sinhô praça! Mande gente lá pás bandas do puvuado da Vage, que a caboêra de Lampião istá acabando cum tudo lá. Já matarum estes daqui, e ainda há muito morto im montes. Ande dipreça, ôme de Deus! Num se demore! Se não vai morrê mais gente no puvuado da Vage” 


O inexperiente militar chamou imediatamente o corneteiro, que às pressas, tocou a corneta para reunir os policiais. Foi o momento propício para a execução do plano de Lampião. Os cangaceiros retiraram as armas das redes e empunhadas contra o pelotão policial, que já estava pronto para sair à procura dos ditos bandidos de Lampião. E enquanto a polícia era rendida, outra parte do grupo já agia no saque à casa da baronesa, em companhia de Lampião.

               
Depois de saquear as riquezas da baronesa, ele foi até ela e, fitando-a, esbravejou: “-E o que istá pensano agora, sinora baronesa? Ainda pensa im arrancá a mina cabeça? Vêna cumigo! Vamu dá uma vortinha pela cidade, pá qui vosmicê e todos daqui saibum qui cum Virgulino num si brinca, e nêim se manda recado disaforado”.  
             
E fez a baronesa de grande prestígio público, segurar seu braço e andar com ele, desfilando pela cidade, como se ela fosse a sua esposa.  Este foi o primeiro de vários grandes assaltos cometidos pelo bando de Lampião. 
             
Diz que isto aconteceu em Água Branca, no dia 26 de junho de 1922, poucos dias depois que Lampião tinha assumido o comando do grupo de Sinhô Pereira. Jovem ainda, aos 24 anos de idade. (Como a polícia não conhecia todos os bandidos de Lampião, foi enganada pelos asseclas. Os cangaceiros fizeram o assalto com grande sucesso, levando as riquezas da baronesa).

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MIRELA SOANE ESCREVE SOBRE MARIA BONITA: A marca de uma sertaneja


Ícone feminino do Cangaço, Maria Bonita completa centenário de nascimento em 8 de março, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. A jovem ousada, que rompeu preconceitos e tradições para ingressar no bando de Cangaceiros como companheira do líder Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), hoje é sinônimo de sofisticação. Maria Bonita empresta seu nome para grifes famosas, hoteis, SPA’s, clínicas de estética e salões de beleza. Maria Bonita virou marca.

“Isso se deve ao fato dela ter sido uma sertaneja de porte fino, elegante e a ideia que se tinha de um sertanejo era de uma figura relaxada com a aparência. Os cangaceiros gostavam de se embelezar e isso desperta a atenção das pessoas já há algum tempo. Zuzu Angel, por exemplo, abordou a temática Cangaço no seu desfile de 1969, em Nova York”, relata Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita.

Na moda, talvez, Maria Bonita tem sua mais conceituada representante desde 1975, quando Maria Cândida Sarmento e Malba Pimentel de Paiva criaram a grife que leva o nome da cangaceira. O objetivo da dupla era atender às mulheres modernas que desejavam uma marca forte, à frente de seu tempo; vesti-las com estilo e elegância, sem condicioná-las a padrões de mercado.

Em 1990, as empresárias criaram a Maria Bonita Extra com a proposta de apresentar peças jovens e girlie. Hoje, as marcas são sinônimo de bom acabamento, despojamento e refinamento, além de serem consideradas “escolas da moda” devido a quantidade de renomados profissionais que passaram pela grife como Isabela Capeto, Antonia Bernardes, Maria Fernanda Lucena e Naná Paranaguá.

A Maria Bonita tornou-se referência no mundo fashionista e participa ativamente dos principais desfiles de moda do país. Recife conta com uma unidade da versão jovem da marca, que, assim como a pioneira, também pode ser encontrada em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Porto Alegre.

Segundo a jornalista e pesquisadora sobre Cangaço há 15 anos, Wanessa Campos, a companheira de Lampião era um exemplo de beleza para a época. “Baixinha, de pernas grossas roliças, seios pequenos, cabelos finos e olhos claros”, afirma Campos, baseada nos estudos e entrevistas realizadas para a produção de um livro que será dedicado a história da rainha do Cangaço.

“Certamente será algo inédito, já que muitas obras retratam Maria Bonita apenas como coadjuvante. No meu livro, ela será a personagem principal. O trabalho é difícil, mas prazeroso. Tenho viajado muito por cidades de Sergipe e da Bahia conversando com historiadores, ex-volantes e familiares dos Reis do Cangaço, como Expedita (filha) e Vera (neta)”, revela.

Maria Bonita foi a primeira mulher a entrar para o Cangaço. A partir daí, outros integrantes passaram a agregar as companheiras ao bando. Para o historiador e pesquisador, Frederico Pernambucano de Mello, outras duas situações propiciaram a entrada das mulheres no Cangaço: a proximidade do grupo do Baixo São Francisco, possibilitando uma melhor higiene pessoal devido a abundância de água; e o fato de Lampião ter se deparado com a Coluna Prestes e percebido que a presença de mulheres entre eles não influenciava no desempenho dos combatentes.

Maria possibilitou a entrada de mais 40 mulheres no Cangaço, agregando melhores hábitos de higiene e mudanças nas vestimentas. “Dadá, companheira de Corisco, era a responsável pelos desenhos das roupas. Nas cidades que percorriam, os cangaceiros já tinham suas costureiras e periodicamente levavam os desenhos e os tecidos para que as roupas fossem feitas”, afirma Campos.

Por outro lado, Mello garante que as roupas encomendadas eram exceção à rotina dos cangaceiros. Ele afirma que todas as vestimentas, tanto em tecido como em couro, eram feitas no leito do próprio grupo. “A maioria dos cangaceiros sabia costurar e bordar. Apenas quando não tinham tempo disponível, as encomendas eram feitas. Inclusive, Dadá não tinha liderança nenhuma para ditar moda”, garante.

Segundo o historiador e autor do livro “Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço”, Lampião bordava de maneira exímia e tinha habilidade na costura do couro e do tecido. “O bordado de Lampião era melhor do que o de Maria Bonita. O bando possuía uma máquina de costura portátil, inclusive registrada em várias fotos, sendo utilizada tanto por Lampião como por outros cangaceiros”, afirma.

Mello relata que em conversa com o cangaceiro conhecido por Candieiro, ele garantiu que Lampião tinha desenvoltura com a costura. “Candieiro contou-me que Lampião fez um jogo de bornais para ele. O rei do Cangaço teria colocado um papel sobre a coxa, desenhado flores e posteriormente bordado a peça na máquina para presentear o colega”.

Já Ferreira afirma que o avô não tinha apreço por costurar. “Falam que Lampião gostava muito de costurar. Ele realmente era muito habilidoso com o couro, mas esta é uma habilidade característica dos vaqueiros, dos sertanejos de maneira geral. Por vezes eles precisavam fazer reparos nas roupas rasgadas pela vegetação seca do sertão”, explica Ferreira.

Embora existam discordâncias quanto aos “responsáveis” pela moda do Cangaço, não se pode negar o curioso. Homens e mulheres vistos como salteadores sanguinários usavam bornais bordados com flores coloridas ou desenhos simétricos, cantis decorados, perneiras de couro com ilhoses e fivelas, chapeus com bordados de estrelas, lenços de seda e tafetá envoltos no pescoço. “Talvez isso tudo venha da alma colorida do brasileiro”, comenta Mello.

De Maria Bonita, hoje, restam dois vestidos que retratam bem a maneira das cangaceiras se vestirem. O chamado vestido de batalha (não no sentido de luta, mas de cotidiano; dia a dia) que faz parte do acervo de Mello é feito em brim grosso, cor de goiaba, enfeitado com galões e com os punhos revestidos em vermelho. O segundo está no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. O modelo cinza, com riscas de giz e enfeitado com sinhaninha vermelha era mais utilizado aos domingos ou em comemorações especiais.

No bando, as mulheres desempenhavam o papel de companheiras e não tinham, por exemplo, a obrigação de cozinhar. Esta tarefa ficava mais com os homens. A presença do feminino também passava segurança para as pessoas que se deparavam com os cangaceiros. Por vezes Maria Bonita evitou a morte de crianças e idosos. “Além disso, os crimes contra os costumes, como o estupro, também diminuíram”, afirma Mello.

Outro mito é a participação feminina nos combates. As mulheres eram treinadas e aprendiam a atirar apenas para uma possível necessidade de defesa. Elas não participavam ativamente dos tiroteios, exceto Dadá quando substituiu o marido que teve os braços feridos em batalha.

Para Ferreira, o imaginário popular acerca da personalidade de Maria Bonita se confunde com a realidade. “Pouca gente sabe que de brava ela não tinha nada. Minha avó era uma moleca, bem humorada e fazia brincadeira com todo mundo. Ela era amiga, agradável, carinhosa, generosa e cuidava bem das pessoas”, revela. Campos reforça o argumento sobre as lendas que permeiam o universo do Cangaço: “Lampião não inventou o Cangaço, mas foi o cangaceiro mais conhecido. Nem tampouco inventou o Xaxado, mas foi seu grande divulgador”.

O desejo de ser mãe – inerente à maioria das mulheres – também estava presente entre as cangaceiras, embora o estilo de vida do bando não lhes dessem condições de permanecer com os filhos. “Diziam que as mulheres eram muito crueis porque abandonavam seus filhos. Mas, na verdade, elas faziam isso porque não tinham escolha. Se ficassem com a criança, o choro entregaria a localização do grupo; e se retornassem para seus lares certamente seriam entregues e mortas pelas autoridades”, argumenta Campos.

A companheira de Lampião teve quatro gestações, mas apenas a última delas vingou. O bebê recebeu o nome de Expedita e passou somente 21 dias na companhia da mãe até ser entregue para ser criada por um casal que já dispunha de 11 filhos. A criança sabia sua verdadeira origem e poucas vezes encontrou com os pais que a visitavam sempre que podiam. “Os bebês das mulheres do Cangaço eram entregues a pessoas de confiança, padres, fazendeiros, vaqueiros, autoridades e até mesmo policiais”, conta Ferreira.

O romance de Maria Bonita e Lampião durou nove anos. No dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, na margem sergipana do Rio São Francisco, o bando de Lampião foi atacado de surpresa por soldados da polícia alagoana. No combate, entre os onze mortos estavam os reis do Cangaço. 

Do site da Revista Algo Mais:

Lampião sendo entrevistado no ano de 1926, no Estado do Ceará


Perguntado sobre ter numeroso grupo. Lampião respondeu:

- Desejava andar sempre acompanhado de numeroso grupo. Se não o organizo conforme o meu desejo é porque me faltam recursos materiais para a compra de armamentos e para a manutenção do grupo - roupa, alimentação, etc. Estes que me acompanham é de quarenta e nove homens, todos bem armados e municiados, e muito me custa sustentá-los como sustento. O meu grupo nunca foi muito reduzido, tem variado sempre de quinze a cinquenta homens. 
Adendo

Dr. Octacílio Macedo - médico de Crato - CE.

Quando Lampião cedeu esta entrevista ao médico de Crato, Dr. Octacílio Macedo, no Juazeiro do Norte, o ano era 1926. Ainda não existiam mulheres no grupo de cangaceiros. 

A cangaceira Maria Bonita

Somente em 1930 foi que Lampião levou Maria Bonita para participar do seu movimento. Ela viveu com Lampião até 28 de Julho de 1938, quando ambos foram assassinados na madrugada deste dia, na Grota de Angico, no Estado de Sergipe. Para as volantes dos governos do Nordeste Brasileiro exterminarem este casal de cangaceiros, levaram mais de duas décadas. Lampião foi considerado o cangaceiro mais famoso e importante do Nordeste. Geralmente nos combates, o vencedor era Lampião. 

José Mendes Pereira

http://www.sertaoinformado.com.br/conteudo.php?id=20451&sec=2&cat=Marcelino%20Mariz

MENINEU (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

Menineu: eu menino, menino eu. Contração de vida, passado traquina e cheio de estripulias. Sei não, sei não, pois diziam que eu era sério demais, fechado demais, metido a besta, bem diferente da meninada lá nas distâncias de Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo.

Talvez fosse mesmo metido a besta. Não devia ter feito aquilo não, mas um dia desmontei do meu cavalo de pau e fui ler aquele livrão bonito de Margaret Mitchell, grosso, com o desenho na capa de Rett Butler diante da face de Scarlett O’Hara, quase num beijo, tendo ao fundo uma Tara avermelhada de fim de tarde. Tempo que o vento levou...


Nunca fui de ler livros com histórias infantis, contos fantasiosos e tramas de castelos encantados. Gostava de ouvir estórias, seja do que fosse, mas todas saídas da boca da minha avó. Enredos simples, humanos, muitas vezes envolvendo um bicho que vivia à espreita de menino malino demais e desobediente. Tinha endereço certo, eu sabia.

Mas um dia interrompi minha velhinha para contar uma coisa diferente, uma história criada por mim, mas sem que ela soubesse que eu era o próprio autor. Fui criando o enredo naquele mesmo instante, fazendo de tudo para encaixar uma situação com a outra e chegar a um desfecho compreensível.

E contei a história do menino que nunca chegou. Um homem e uma mulher se casaram e se prepararam para a chegada do filho, porém o menino nunca chegou. Os dois iam envelhecendo e nada do menino chegar. Ficaram bem velhinhos e o menino nunca chegou. E terminei perguntando se aquele menino que nunca chegou não seria aquele que sempre falta na nossa amizade.

Minha avó achou a história bonita e comovente, porém muito intrincada e séria demais pra sair da boca de um menino. Perguntou-me aonde eu tinha lido ou ouvido aquilo e tive de responder que havia sido num livro velho que havia encontrado em casa. Percebi que acabou aceitando um tanto desconfiada.

Naqueles tempos eu já queria ser escritor. Gostava de ler e depois ficar imaginando como o autor encontrou tanta coisa para formar uma história. Lia livros famosos como Pássaros Feridos, A Boa Terra e O Fio da Navalha. Também tinha na minha estante O Pequeno Príncipe, A História de Fernão Capelo Gaivota, Polyanna e O Apanhador no Campo de Centeio.

Mas o que achava impressionante mesmo eram aqueles livrinhos de faroeste, de bang-bang, relatando aventuras de xerifes, de mocinhos e mocinhas, cowboys, índios, saloons e duelos sangrentos ao por do sol. Tudo acontecia em Chayenne, Novo México, Arizona, Colorado ou num lugarejo qualquer durante a marcha americana para o oeste. E todos os livros escritos por um só autor: Marcial Lafuente Estefania. Isso era o que mais me impressionava.

Brincava de ler, mas também deixava momentos para brincar de brincadeira mesmo. Quando digo brincar de ler o faço no sentido da viagem maravilhosa que é ladear universos acompanhando personagens, torcendo por isso ou aquilo, tentando mudar a história segundo nossa concepção de realidade. E tantas vezes conversei com personagens que ainda hoje tenho um montão de amigos espalhados pela casa.


Naquela infância primeira - pois até hoje sou menino na vida – recebi um presente que até hoje conservo com devoção, coisa de paixão sempre alimentada. Eis que me chega uma coleção novinha de Jorge Amado. Livros de capa dura, vermelhos com letras douradas, em todos estampados as relíquias amadianas.

Fui menino grapiúna também, bebi no mesmo copo do velho Quincas, o Berro D’água; apaixonei-me por Gabriela, Tereza Batista e tantas outras morenas de nordeste e de cais, de engenhos e morros. Ainda hoje vejo aqueles senhores coronéis tramando a sorte do mundo, chamando jagunços para as tocaias lá pelo São Jorge dos Ilhéus. E que tocaia, uma Tocaia Grande!

Daí a certeza que minha infância não teve percurso, mas pulos. E pulo em brinquedo de parque, daqueles que a gente vai pra frente e pra trás. Por isso mesmo nunca saio de lá, da minha infância que traçou destino. Sina do homem que ainda é menino. Menineu: menino em mim, menino eu.

(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Despedida (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
]Rangel Alves da Costa

Despedida


Coragem irmão
não vou acenar
já não tenho lágrima
também um abraço
seria um tormento
siga adiante
não olhe atrás
não me veja
desse jeito triste
que eu vou ficar
tanto desalento
não sei suportar

antes de partir
só tenho um pedido
pegue o alforje
encha de lembrança
seu retrato antigo
ainda criança
quadro na parede
os pais como herança
leve também
um pouco de barro
um pedaço de chão
pra matar saudade
se der aflição

e também leve
pode levar meu irmão
um pedaço de mim
metade do coração
leve um raio de lua
um tico de sol
desse seu sertão
não esqueça a fé
tanta devoção
vai precisar demais
precisar de tudo
e de coragem irmão...


Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
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Corisco

Por: Juarez Conrado

"O penúltimo facínora a deixar o cangaço foi Moreno, que abandonou no dia 2 de fevereiro de 1940, juntamente com a sua companheira, a Durvalina. Durvalina faleceu em 2008 e  Moreno em 2010. 

Moreno e Durvalina

O último foi Corisco, quando foi assassinado pelo policial José Rufino, no dia 25 de Maio de 1940".

Este foi o último cangaceiro do Nordeste

Parece-me desnecessário descrever a atuação de Cristino Gomes da Silva durante o período em que o cangaço infernizava a zona sertaneja.

Louro, olhos azuis, bela compleição físico e muito bonito. Corisco, ou ainda Diabo Loiro, como também se tornou conhecido e famoso muito jovem praticou dois crimes em sua cidade, vendo-se obrigado a fugir para Sergipe.

Ninguém será capaz de afirmar com precisão o número de mortes feitas pelo bandido, que tinha como uma maneira toda especial e horrível de punir suas vítimas: castrá-las. 

Em termos de crueldade bastará rememorar a chacina de 3 de Agosto de 1938, na cidade de Piranhas, quando a título de vingança contra o traidor - que não foi, realmente -responsável pela morte de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros na gruta do Angico, fez justiça a seu modo.

Demonstrando impressionante frieza e aparentemente se qualquer objetivo violento em sua chegada à fazenda Patos, sangrou nada menos de 6 pessoas da família que o acolhera amistosamente, sem imaginar o diabólico plano por ele arquitetado.

O cangaceiro Zé Baiano assassinou a companheira Lídia  com pauladas - Motivo: Traição dela

Juntamente com Zé Baiano era apontado como um dos mais crueis cangaceiros do bando, entre os quais, como sua figura maior, destacou-se o impetuoso Gato.

Fonte:
"Lampião Assaltos e Mortes em Sergipe"
Autor: Juarez Conrado
Páginas: 42 e 43
Aracaju - Sergipe

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sábado, 23 de junho de 2012

Ajude o planeta terra


Vamos dar uma nova chance ao nosso planeta terra, para caminhar pelo assombroso universo em paz, preservando o que ela produz para a nossa sobrevivência. Tudo que ela  produz, exerce uma função e serve para nós.

"As Marias" - Por: Fabiana Maranhão

Participação de João de Sousa Lima, Vera Ferreira, Frederico Pernambucano de Mello entre outros.



Início do século XX. Sertão nordestino. Uma Maria fez escolhas. Contrariou costumes da época, seguiu o caminho do coração e entrou para a história. É Maria Bonita, mulher de Virgulino Lampião. Para lembrar o centenário de nascimento dela, comemorado no dia 8 de março de 2011, a TV Jornal/SBT exibiu a série de três reportagens "As Marias". Conheça a vida dessa jovem e a história de outras "Marias" que até hoje quebram regras, desafiam preconceitos e, acima de tudo, amam!



Fonte: Fabiana Maranhão | Jornalista

http://about.me/fabianamaranhao
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A fogueira tá queimando... - Em homenagem à São João!


Documentário de 2008 sobre o advogado, político, instrumentista, poeta e compositor Humberto Teixeira. Completinho visse? Pra assistir "de cabo a rabo".

Quando as pessoas pensam em música brasileira, pensam em Samba e Bossa Nova. Entre esses dois ritmos há uma década esquecida. Um período em que um ritmo nordestino foi levado ao Sul, tomou o país como um furacão, e logo se espalhou pelo mundo. É o mais excitante e autêntico de todos os sons brasileiros. Baião.

Dirigido por Lírio Ferreira, o premiado diretor de "Árido Movie", "Cartola" e "Baile Perfumado", esse documentário - musical conta a história de Humberto Teixeira, o "Doutor do Baião", o compositor por trás de clássicos como "Asa Branca", uma das canções mais populares do Brasil.

O filme é não só uma celebração de genialidade poética e musical de Teixeira, mas também uma jornada de descoberta, do sertão, do baião, da cultura e da história do Brasil.
O Baião é Ótimo !!!

 
Créditos: Heron Luis - YouTube
Pesquei em Luz de Fifó
 
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Museu do Cangaço- Cantinho da Lilí

Por: João de Sousa Lima

Para os apaixonados pelas histórias do cangaço, estando de passagem por Belo Horizonte, não deixem de visitar o Museu do Cangaço- Cantinho da Lilí.
o Museu mostra um riquíssimo acervo fotográfico sobre os cangaceiros Moreno e Durvinha (pais da Neli).
Além das fotografias podemos encontrar livros, jornais, revistas e vários  pertences usados no dia a dia dos ex-cangaceiros.
é o mais completo arquivo fotográfico sobre a vida desse casal que tantas histórias deixou.

Na foto: Neli (Lilí), João de Sousa Lima e João Souto (também filho de Moreno e Durvinha).


João Souto e Lilí posam em uma das alas do "Museu Cantinho da Lili".


Neli (Lilí), João de Sousa Lima e João Souto.


A Lilí exibe seu inconfundível figurino ao lado das relíquias deixadas pelos pais.


Recentemente em visita a minha adorável amiga Lilí ganhei  um abraço selando o amor de amigos que existe entre nós dois.


João Lima e Lilí


Lili e seu rico acervo


Lilí mostrando uma fotografia onde aparece os pais.

Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

http://www.joaodesousalima.com/2012/06/museu-do-cangaco-cantinho-da-lili.html

Lampião aceso: Vídeo

Lampião aceso: Vídeo: "As Marias" Por Fabiana Maranhão Início do século XX. Sertão nordestino.


DOCUMENTARIO SOBRE MARIA BONITA COM A PARTICIPAÇÃO DE JOÃO DE SOUSA LIMA

Convite Missa 30º. Dia

Anathália Cristina Queiroga Pereira

31/03/1990 - 25/05/2012

Júlio Batista Pereira, Edilza Queiroga Pereira e Jefferson Queiroga Pereira, convidam parentes e amigos para assistirem as Missas que serão celebradas em sufrágio da alma de Anathália Cristina Queiroga Pereira:

Pau dos Ferros - RN

Data: 24 de junho de 2012
(Amanhã, Domingo)
Horário: 08:00hs da manhã
Local: Salão Nossa Senhora das Graças
Alto do Açude

Natal – RN

Data: 24 de Junho de 2012
(Amanhã, Domingo)
Horário: 19:30hs
Local: Paróquia Nossa Senhora Aparecida
Neópolis.



Agradecemos a todos que ao nosso lado permaneceram compartilhando da nossa dor e da nossa saudade.Eternas saudades de seus pais, irmão, familiares e amigos.

NAMORO DE SÃO JOÃO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa(*)
Rangel Alves da Costa

NAMORO DE SÃO JOÃO

Festa junina de verdade, daquelas onde a tradição é mantida a todo custo – e não são poucos os modismos que tentam descaracterizá-la -, exige todo um ritual para que os três santos do mês, Santo Antonio, São João e São Pedro, sejam celebrados com máxima devoção e beleza.

Tem gente que aproveita o mês para colocar em prática seus planos casamenteiros, pois pede namorado a Santo Antonio, espera pular a fogueira de mãos dadas no São João, e já firma compromisso sério com as bençãos de São Pedro. Mas é no São João que a animação é maior, o povo se prepara com maior disposição para comemorar.


Principalmente na região nordestina, terra de tradição festeira, ao chegar os dias 23 e 24 de junho, e mesmo antes disso, e os forrós se espalham em cada canto, as fogueiras crepitam, os fogos sobem no ar, as maravilhosas e deliciosas comidas passam a exalar um cheiro estonteantemente bom de milho, coco, assados e bebidas artesanalmente preparadas.

Nos dois principais dias festivos, geralmente os mais jovens de cidadezinhas interioranas se paramentam com roupas coloridas, colocam chapéus de palha na cabeça e saem atrás do som de qualquer sanfona. Os salões se enchem, o rala-coxa come solte, os corpos se grudam e é remelexo pra não mais acabar. Um festeirão danado.

Toinho, especialmente este verdadeiro e orgulhoso matuto, esperou aflito para o mês junino chegar. Nos seus planos, assim que o São João soltasse o primeiro rojão começaria os preparativos para conquistar o grande amor de sua vida, a bela Lurdinha, uma fogosinha sertaneja que sempre o desesperançava.

Toinho quis ser o mais bonito do mês, o mais arrumado, o mais autêntico. Um caipira novo por cima de um caipira de sempre. Sua verdadeira intenção era fazer de um tudo para impressionar a difícil fêmea brejeira. Daí que logo deu início à arrumação do guarda-roupa. Comprou calça jeans, camisa à moda junina, com quadradinhos coloridos no seu modelo.

E fez mais. Providenciou chapéu de palha, botina de couro cru, perfume mais que cheiroso. Não esqueceu espelho e pente de bolso, e até carteira nova e cinto brilhoso comprou. E se olhou no espelho para ver como ficava e quase se beija de tanta lindeza que se achou.

Contudo, logo começou a imaginar que a sua belezura toda podia não adiantar se a danada da Lurdinha nem lhe esticasse o canto do olho. Então resolveu vender duas galinhas poedeiras e correu até a casa de sua tia solteirona para pedir que lhe prestasse um favor. E disse o queria: quatro metros de pano florido, ou quanto o dinheiro desse, de modo que ficasse perfeito num vestido rodado.

Tudo comprado, em seguida pediu ainda a empozada para escrever um bilhetinho com as palavras que ia dizer. E disse: Lurdinha, quero ver você toda bonita com roupa rodada e cheia de chita, que é pra gente se encontrar e você se admirar com a belezura desse pobre matuto que tanto ama. Espero que São João comece a esquentar nosso namoro pertinho duma fogueira.

Como Lurdinha de besta não tinha nada, não se deixava levar por lembrancinhas ou presentinhos, apenas aceitou a oferta sem dar maiores esperanças. Até respondeu de boca que mandaria fazer o vestido e usaria, porém sem ter a certeza que pularia a fogueira de mãos dadas com o apaixonado, pois tinha um medo danado de chegar perto de fogueira e queimar seu coraçãozinho.

Na véspera da festa maior, mas que é quando o festejo tem mais vigor, Toinho se enfeitou todo e saiu se achando um verdadeiro príncipe em busca de sua princesa. Caminhou de fogueira em fogueira procurando sua amada e nada de encontrá-la. Mas se a avistasse nem perceberia se era ela, de tão bonita e faceira que estava. Resolveu procurar nos salões de forró e no primeiro que entrou avistou uma flor matuta dançando de se acabar, agarradinha com outro. Depois de tanto olhar percebeu de quem se tratava: seu amor nos braços de outro.

Correu desesperado pra fora do salão, decidido a se jogar na primeira fogueira que encontrasse. E logo surgiu em sua frente a maior de todas, crepitando debaixo de mil troncos secos. Entristecido, chorou se despedindo da vida e dizendo que era melhor morrer feito um sabugo de milho queimado do que vê-la com outro.


Já ia afastando-se para voltar num mergulho, quando viu uma roupa sendo jogada dentro das chamas. Olhou assustado e viu que era Lurdinha ali em pé, do outro lado, agora só de calcinha e sutiã, dizendo que não merecia usar vestido tão bonito se havia sido injusta com quem a havia presenteado.

E depois, assim quase nua, foi em direção a Toinho e perguntou-lhe se sabia como fazer juramento de amor diante da fogueira de São João. E ele ensinou-a jurando o seu amor.


(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Eu e meu lugar (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa(*)

Eu e meu lugar


Acredite
sangue e osso
dizem que tenho
mas tenho não
sou diferente
com nome de gente
e só isso
por todo o resto
de pé e boca
sou ser do mato
bicho da terra
velha raiz
fincada no chão
aroeira valente
coisa de tempo
coisa de vento
mataria e clarão
coisa do sertão

e onde vivo
tão longe de tudo
perto da natureza
dou a benção
ao sol e a lua
cumprimento dia
falo com a noite
e sempre ouço
dessa amizade
sincera e bonita
que a vida
possa existir
noutro lugar
mas nunca assim
um viver sublime
onde gente é chão
e tudo é sertão.


(*)Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

FGF Tv apresenta : Making off - Sedição de Juazeiro


Making Off da Minissérie Sedição de Juazeiro produzida pela Equipe da FGF Tv, sob o comando de

 

Jonas Luis da Silva, de Icapuí  e co-produção da Laser Vídeo do confrade



Aderbal Nogueira.