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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: SEGUNDA TEORIA ACERCA DA INVASÃO; PRIMEIRA PARTE

Por: Honório de Medeiros
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Antes de começarmos a esboçar a segunda teoria acerca da invasão de Mossoró por Lampião, temos que apresentar um rápido perfil biográfico de Massilon.

Afinal, quem foi Massilon[1]?

Massilon

Ainda hoje, algum tempo depois, quilômetros rodados, ligações e entrevistas realizadas, livros, revistas e jornais pesquisados, não é o bastante.

Assim como ele surgiu, desapareceu. Seu tempo de vida bandida foi curto: quatro anos. Nasceu, provavelmente, em Timbaúba dos Mocós, Pernambuco. Seus pais migraram sucessivamente para Patos e Pombal, na Paraíba, e, depois, Luis Gomes, no Rio Grande do Norte, onde faleceram.

Totalmente sem fundamento é a informação dada por Fenelon Almeida[2] de que Massilon já tinha, na época do ataque a Apodi, “29 mortes no costado”.

Quais são suas fontes para afirmar isso? Em que ele se baseou para fazer tal afirmação? Se Massilon entrou no crime em 1924, e o ataque a Apodi ocorreu em 1927, parece muito pouco crível essa história.

Massilon não gostou do Sítio Japão, em Luis Gomes, para onde o pai emigrou em 1924, e voltou para a Paraíba[3]. Provavelmente um pouco antes dessa volta assassinou um oficial da Polícia em Belém do Brejo do Cruz e mergulhou, de vez, na clandestinidade.

A seguir, seus principais episódios conhecidos:

1) 1923: deixa de ser almocreve e se associa com Manoel Forte, de Brejo do Cruz, na compra e venda de gado (fonte[4]: José Gomes Filho, o Zé Leite, irmão de Massilon).

2) 1923/1924[5]: versão 1: assassina, em Belém do Brejo do Cruz, em dia de feira, um soldado que fora mandado pelo pretendente ricaço de uma moça que se enamorara por Massilon, para lhe tomar a arma e desmoralizá-lo (fonte: Dna. Aurora Leite de Araújo, irmã de Massilon); versão 2: mata um fiscal de feira em Belém do Brejo do Cruz, que lhe queria tomar a arma (fonte: Zé Leite, irmão, e Pedro Dantas Filho, natural de São José do Brejo do Cruz, falecido em 2002 aos 88 anos, em entrevista a Alexandro Gurgel para o jornal “A Gazeta do Oeste”, Mossoró, Rn); versão 3: mata um sargento ou cabo da Polícia de Belém de Brejo do Cruz, para a cidade enviado por seu líder político, no intuito de moralizá-la (fonte: Manoel Monteiro, filho de Chico Canuto, amigo de Massilon, em depoimento ao Autor).

3) 1923/1924: passa, após o crime, a protegido dos Saldanha (Quincas e Benedito[6]). Possivelmente residirá em Alto Santo, CE, onde Benedito Saldanha tinha uma propriedade, para fugir da perseguição policial (fonte: Dna. Tercia Leite de Oliveira, irmã de Massilon; Capitão Viana, em entrevista ao Autor, e a Denúncia oferecida pelo Promotor Público da Comarca de Souza, Paraíba, servindo “Ad-Hoc” em Brejo do Cruz, Paraíba, Dr. Emílio Pires Ferreira, em 10 de fevereiro de 1927, transcrita no Jornal “União”, da Paraíba, número 82, em 9 de abril de 1927, Sábado).

4) 4 DE FEVEREIRO DE 1926: ataca São Miguel de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, sob a desculpa de combater a Coluna Prestes (fonte: Zenaide Almeida da Costa[7]):

Eram quatro horas da tarde do dia 2 de fevereiro, quando João Grosso chegou correndo, esbaforido. Vinha de cima da serra, na estrada da vila, de onde avistara o mar de gente que se aproximava.

Na vila os Revoltosos abriram algumas portas de casas comerciais, tirando delas apenas os mantimentos necessários à sua alimentação naquele dia. Saíram à tarde, deixando somente o medo e alguns cavalos estropiados, trocados por cavalos sadios que, apesar de escondidos nas matas dos sítios, com os focinhos amarrados e de cabaça para cima, foram encontrados e surrupiados. Baixaram as águas, mas como sói acontecer, a epidemia chegou no dia seguinte muito cedo e sem aviso! Um marginal, alcunhado de ‘Sargento Preto’, embriagado, desgarrado da Coluna e em companhia de indivíduos da mesma estirpe, arrombou casas comerciais, distribuindo mercadorias com pessoas que estavam regressando à vila, despejando gêneros, tecidos, miudezas e bebidas no meio da rua. Saiu de porta em porta chamando quem ainda não tinha se apresentado (por timidez ou honestidade) para receber seus ‘donativos’. Abriu o cartório e em frente ao prédio, fez uma pilha de todos os livros e documentos, despejou querosene por cima, ateou fogo. Desapareceu depois do saque. Dois dias após[8]chegou outro grupo vestido de mescla azul, com bonés do mesmo pano, dizendo-se ‘patriotas’. Novo saque em todas as casas comerciais e de residência. Tomaram armas, munições, animais, o que sobrou de víveres, provocaram brigas nas ruas.

Era o grupo de Massilon, semelhante ao de Lampião, que imperava naquelas quebradas de serra e nos sertões, armado, fardado, e segundo eles próprios afirmavam, autorizados pelo Padre Cícero Romão Batista, do Juazeiro, a combater a coluna prestes. Saíram deixando a desolação, o pânico, tudo depredado, arrasado!

5) 25 DE ABRIL DE 1926: ataca Brejo do Cruz, na Paraíba. Mata Manuel Paulino de Moraes, Dr. Augusto Resende (Juiz Municipal), fere Dr. Minervino de Almeida, o “Joca Dutra” Prefeito Municipal), e Severino Elias do Amaral (Telegrafista).

Autores intelectuais (supostamente): Deputado João Agripino de Vasconcelos Maia, residente no Sítio “Olho D’Água”, Catolé do Rocha, PB; Joaquim Saldanha (Quincas Saldanha), residente na fazenda “Amazonas”, Brejo do Cruz, PB; Odilon Benício Maia, residente na fazenda “Pedra Lisa”, Brejo do Cruz, PB; Plínio Dantas Saldanha, vulgo “Marinheiro Saldanha”, residente em Jardim de Piranhas, Caicó, Rio Grande do Norte, como mandantes[9].

Executores: Massilon Leite[10], José Pedro[11] (vulgo Coqueiro), Peitada, João Domingos, João Boquinha e João Cândido – vulgo Negro Cândido.

Fonte: Denúncia oferecida pelo Promotor Público da Comarca de Souza, Paraíba, servindo “Ad-Hoc” em Brejo do Cruz, Paraíba, Dr. Emílio Pires Ferreira, em 10 de fevereiro de 1927, transcrita no Jornal “União”, da Paraíba, número 82, em 9 de abril de 1927, sábado.

Assim foi o fato: como todos os finais-de-tarde em Brejo do Cruz, no Sertão paraibano, formou-se uma roda na frente da casa de Antônio Dutra de Almeida, no começo daquele fatídico ano de 1926. Dr. Joca Dutra (João Minervino de Almeida), Manoel Paulino Dutra de Morais, José Targino, Dr. Francisco Augusto de Resende (Juiz da Cidade) eram os presentes.

As cadeiras, dispostas dia-a-dia nos mesmos lugares, eram, pelo hábito, marcadas: recebiam sempre os mesmos ocupantes.

Em certo momento José Targino e Dr. Antônio Dutra de Almeida se levantam e vão tomar água no interior da casa.

Nas cadeiras nas quais eles estavam sentados, inexplicavelmente se sentam Manoel Paulino Dutra de Morais e Dr. Francisco Augusto de Resende.

Escurece.

Um atirador tomou posição a alguma distância e, de rifle, atirou nos ocupantes das duas cadeiras que lhe tinham sido previamente assinaladas.

Dr. Francisco Augusto de Resende tombou morto. Manoel Paulino Dutra de Morais, ferido, fez menção de se levantar. Os outros tinham fugido.

O atirador aproximou-se e desfechou várias peixeiradas em Manoel Paulino Dutra de Morais. Ao terminar observou atentamente o semblante do outro morto e gritou: “matei um inocente”.

Recolheu as armas, montou o cavalo, picou na espora e sumiu na escuridão da noite. Fora Massilon.

      
Ruinas do Casarão de Benício Maia, século XVII ou XVIII, Belém do Brejo do Cruz

O escritor Rodrigues de Carvalho conta-nos, acerca de Massilon, que:

No ano de 1927, Lampião deixou-se influenciar pelas insistentes e tentadoras sugestões de um dos seus sequazes, para uma aventura criminosa bem difícil. Um assalto a Mossoró. No grupo era ainda um novato[12], sem grande tirocínio e até bem pouco tempo inteiramente desconhecido e estranho às lides do cangaço. Contudo, a despeito do curto ‘estágio’ ou ‘noviciado’, esse bandido vinha portando-se como um experimentado veterano. É que antes dessa apresentação, ele já havia cometido vários assassinatos, alugando o braço homicida a outros facínoras encapuzados. Daí o seu desembaraço na prática do crime. Entre as suas primeiras vítimas como pistoleiro está o Dr. Augusto Rezende, Juiz de Direito de Brejo da Cruz, na Paraíba, morto de emboscada[13].

Cabra inteligente e temerariamente audacioso agia com desassombro e pleno de ambições rapinantes. Os seus planos de salteador eram ousados, com promessa de voar a grande altura. O que era também forte prenúncio de cedo encontrar quem lhe quebrasse as asas...

Em outro qualquer setor da atividade humana os seus predicados seriam, decerto, além de inaproveitados, reprovados com desprezo. Para o meio em que se integrava, todavia, tinha ele qualidades inapreciáveis; aquelas que o credenciavam para um refinado facínora. Orgulhava-se de ser potiguar[14], natural da Serra do Martins ou de Luiz Gomes. Chamava-se Massilon Leite, Antônio Leite ou Benevides Leite. Coisas de bandido.

Dizia-se profundo conhecedor de três ou quatro Estados do Nordeste, cujas estradas talara em todas as direções durante anos consecutivos. Gabava-se de conhecer palmo a palmo não apenas seu Estado natal, mas também a Paraíba, o Ceará e parte de Pernambuco, graças ao desempenho das suas funções de motorista de caminhão. Trabalhava no volante quando resolvera trocar de profissão. A profissão de cangaceiro lhe pareceu muito mais lucrativa, além de livre como o vento. Pensou também que fosse mais leve do que a de motorista de caminhão, porém mais tarde confessava haver se enganado redondamente. Mas era tarde[15].

Raimundo Nonato[16] lembra que Jararaca[17] dissera ter Massilon Leite informado serem suas as mortes de Brejo do Cruz, o que corrobora o relato feito acima.

Sérgio Dantas[18] nos disse que Massilon foi almocreve. É verdade.

Entretanto, quando da morte do policial em Belém do Brejo do Cruz já era comprador/vendedor de gado.

É o que nos relatam seus irmãos Tercia e Zé Leite, em entrevista que o escritor gentilmente nos cedeu, bem como o Capitão Viana.

Quando chegamos à residência do Capitão Viana – Francisco Viana – em Macaíba, RN, encontramos um velhinho seco de carne e temperamento, vestido com um pijama azul claro à antiga, daqueles cujas camisas são de manga comprida, sentado em uma cadeira de balanço e lendo a Bíblia. Recebeu-nos muito bem e logo mandou servir café.

O Capitão Viana tinha, na data da entrevista, noventa e três anos muito bem vividos. Longa prole, alguns poucos bens, saúde saltando à vista, memória fantástica.

Durante a entrevista em nenhum momento titubeou quanto às informações prestadas.

Ao tentarmos falar acerca de sua atuação como policial em alguns casos mais escabrosos fechou a cara e disse, abruptamente:

Isso é segredo de polícia, não posso dizer nada.

Foi delegado, entre outras cidades, de Apodi, Macau, Açu, Caraúbas, Nova Cruz, São Tomé, e Areia Branca.

Pois bem, o Capitão Viana, quando menino lá em Alto Santo, então distrito de Limoeiro do Norte, onde nasceu em 1913, conheceu Massilon – embora de longe, só de vista, como se diz no Sertão, mas fornece vários dados importantes acerca do cangaceiro:

Massilon, depois do ataque a Apodi, nunca mais voltou lá.

Em 1940, quando fui Delegado de Apodi, já não se falava mais nele.

A história de João Quincó é a seguinte: João Paulo Nogueira Maia, como se assinava João Balduíno Freire – o João Quincó, era Delegado em Alto Santo e prendeu um amigo de Massilon – marchante como ele – chamado Pedro Rogério, mas conhecido por Pedro Cascudo.

Maltratou muito Pedro Cascudo.

Massilon jurou vingança e foi lhe dar uma surra. Coqueiro terminou matando João Quincó e seu filho.

Massilon era jagunço de Décio Hollanda, lá de Pereiro, e foi jagunço de Benedito Saldanha.

Antes de Apodi Massilon morava com Décio Hollanda, no Pereiro, Fazenda Bálsamo.

Ele vivia de comerciar gado, era marchante, não tem cabimento essa história de sapateiro que o cangaceiro Bronzeado que você falou conta.

Eu sou testemunha de tudo isso por que morei em Alto Santo até os quinze anos, quando fui para São João do Jaguaribe.

Na época da invasão de Apodi eu estava em Taboleiro do Norte. De lá fui para São Paulo. Em 1934 voltei para o Rio Grande do Norte e sentei praça na polícia.

Continua...

Leiam, anteriores a este texto, em

www.honoriodemedeiros.blogspot.com, 1) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: UM MISTÉRIO QUASE CENTENÁRIO; 2) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: COMO ERA A CIDADE NA ÉPOCA DA INVASÃO; 3) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: PRIMEIRA TEORIA ACERCA DA INVASÃO (Primeira Parte); 4) O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSÓRÓ: PRIMEIRA TEORIA ACERCA DA INVASÃO (Segunda Parte).


[1] Para maiores informações ler, do autor, “MASSILON (NAS VEREDAS DO CANGAÇO E OUTROS TEMAS AFINS)”; Sarau das Letras; 1ª edição; 2012; Natal.

[2] “JARARACA: O CANGACEIRO QUE VIROU SANTO”; ALMEIDA, Fenelon; Editora Guararapes; 1981; Pernambuco; Recife.

[3] Depoimento de Valdecir Pereira Leite, filho de Dona Aurora, irmã de Massilon, ao Autor, em 17 de dezembro de 2005.

[4] Entrevista gravada com Zé Leite, o filho, gentilmente cedida pelo pesquisador Sérgio Dantas.

[5] Essa morte teria sido até 1924. Sua família foi para Luis Gomes em 1924, e Massilon os visitou ainda em Pombal depois de ter feito o crime, segundo depoimento de Dna. Aurora.

[6] Benedito Saldanha foi Prefeito de Apodi, Rn, em 1933, durante 6 meses e 14 dias. Consta que teria sido morto envenenado por uma mulher com quem vivia após se separar de sua esposa, Dna. Etelvina, que também era da família Saldanha.

[7] “A VIDA EM CLAVE DE DÓ”; 2ª. Edição; Editora Sebo Vermelho; Natal, Rn.

[8] Dia 4 de fevereiro de 1926. 

[9] Até onde se sabe, todos os autores intelectuais foram inocentados das acusações que lhes foram feitas.  Vale a pena mencionar que durante três anos tentei, de todas as formas, conseguir os autos do Processo-Crime de onde essas informações foram extraídas. Tentei em Brejo do Cruz e Catolé do Rocha. Nada consegui. Quase venceram a má-vontade dos servidores dos cartórios e, até mesmo, dos juízes. Cheguei até a entrar com um pedido formal para obter vistas dos autos. Foi em vão. Finalmente, em um golpe de sorte e graças à ajuda de um grande amigo, consegui a cópia do Jornal “União”, onde a Denúncia do Promotor fora transcrita. Consta que quando chegou a notícia da absolvição, o Coronel Quincas Saldanha comemorou em Caraúbas, RN, com uma grande festa. Ver “MASSILON (NAS VEREDAS DO CANGAÇO E OUTROS TEMAS AFINS)”, deste autor.

[10] Já vivendo no Ceará, em Alto Santo, sob a proteção de Benedito Saldanha, conforme Denúncia já citada e depoimento do Capitão Viana (detalhes da entrevista um pouco à frente), em entrevista ao Autor.

[11] Raul Fernandes diz que seu verdadeiro nome era José Cesário, conhecido em Caraúbas. Esteve no ataque a Mossoró. Em entrevista ao Autor, José Cosme da Silva, o “Zé de Chota”, nascido em 22 de fevereiro de 1923 na Fazenda “Floresta”, Brejo do Cruz, PB, de propriedade do Coronel Quincas Saldanha, e nela tendo vivido até os 18 anos de idade, lembrou que conheceu José Pedro e Peitada, ambos “cabras” do Coronel. Peitada, disse-me ele, morreu no Amazonas, anos depois. E José Pedro, homem de inteira confiança do Coronel, morreu em Quixadá, CE, para onde fugira sob a proteção de Quincas Saldanha, após matar um desafeto.
 
[12] Informação sem qualquer fundamento. Massilon somente conheceu Lampião especificamente para o ataque a Mossoró e através de Isaías Arruda.

[13] Rodrigues de Carvalho dá como fonte Severino Procópio em sua obra “MEU DEPOIMENTO”, à página 54. Quem danado foi Severino Procópio?

[14] Outra informação sem fundamento.

[15] “LAMPIÃO E A SOCIOLOGIA DO CANGAÇO”; Rio de Janeiro, RJ; Gráfica Editora do Livro Ltda.

[16] “LAMPIÃO EM MOSSORÓ”; 4a. edição; Coleção Mossoroense; Série C; Volume CDVIII; 1989.

[17] Depoimento de Jararaca ao jornal mossoroense “Correio do Povo”.

[18] “LAMPIÃO E O RIO GRANDE DO NORTE”; Cartgraf Editora; Natal; 2005.
     
Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço: Honório de Medeiros

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Nordeste em fúria

Lançamento do livro ASSIM ERA LAMPIÃO E OUTRAS HISTÓRIAS

O Nordeste em fúria

18.09.2012

Historiador Ângelo Osmiro Barreto reconstitui episódios da história do cangaço, para além de Lampião.


Durante a pesquisa para a construção do livro, o autor foi alvo de críticas vindas tanto de amigos quanto de membros da academia: "A violência com certeza é inerente ao cangaço, naquele período a lei do mais forte imperava".

Nem só de Lampião se fez o cangaço. Foi dessa premissa que partiu o historiador Ângelo Osmiro Barreto para escrever o livro "Assim era Lampião e outras histórias", cujo lançamento acontece hoje à noite. A partir de pesquisa bibliográfica e de campo, Barreto percorre o rico universo do sertão nordestino entre meados do século 19 até os anos 1930 - período em que a região padeceu sob os conflitos entre coronéis e cangaceiros, alimentados pela ausência do poder público.

A delimitação temporal adotada por Barreto toma como referência, em parte, a morte de Lampião, assassinado junto com integrantes do seu bando em 1938, em uma fazenda no sertão de Sergipe. "Embora não tenha sido o único personagem do cangaço, é um dos principais, o que mais percorreu Estados e que, por isso, o que mais deixou miséria pelo que fez", justifica o historiador.

O raciocínio de Barreto vai na contramão da romantização empreendida por muitos dos produtos culturais sobre o cangaço - desde músicas até filmes, livros, cordéis e outros. "Lampião não foi um herói que lutou contra os coronéis, assim como nenhum outro cangaceiro", frisa ele.

No texto de abertura do livro, o autor complementa a argumentação: "A violência com certeza é inerente ao cangaço, naquele período a lei do mais forte imperava, onde o Estado pouco ou nada contribuía para a melhoria de vida das pessoas, o poder do coronel representado pelo tamanho de suas terras e o número de seus jagunços era de fato a lei".

Exatamente pelo fator da violência, Barreto acredita serem importantes as pesquisas sobre o cangaço - tema que precisou justificar repetidas vezes frente aos olhares e comentários de desmerecimento lançados por alguns amigos e até por colegas acadêmicos.

Para ele, no entanto, pesquisar o cangaço não significa endossar, mascarar ou romantizar a violência característica desse universo. "Deve-se estudar o cangaço assim como outros períodos e episódios de nossa história, que nos ajudam a entender o Nordeste e o Brasil. Ao mesmo tempo, as pesquisas permitem corrigir as distorções sobre as figuras desse universo, a exemplo do ´heroísmo´. Por fim, entender o cangaço ajuda a evitar que se cometam os mesmos erros", explica.

A paixão pelo cangaço vem desde a adolescência, graças, em parte, à coleção de livros formada em casa pelo pai professor - entre eles, alguns volumes sobre o tema. "Depois de me afastar por um tempo, retomei as leituras sobre o assunto e me interessei em conhecer os locais onde ocorreram os episódios", conta.

Foi essa paixão que levou Barreto à presidência do Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará (GECC); antes, também foi presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC).

Continuação

As pesquisas para "Assim era Lampião e outras histórias" são, na verdade, uma continuação daquela iniciada para o primeiro livro de Barreto, "Curiosidades do Cangaço" (2002). "Após um intervalo que se segue ao lançamento, volta-se a coletar informações e entrevistas, a viajar. É um trabalho contínuo", esclarece.

Entre essas viagens estão passagens por locais onde aconteceram episódios relevantes ou onde nasceram, morreram ou ainda residem personagens relacionados ao cangaço. "Fomos, por exemplo, em Angico, hoje uma fazenda no interior de Sergipe, onde ocorreu a chacina do bando de Lampião", cita Barreto.

"Lá conversamos com ex-policiais, inclusive com a pessoa que arrumou as cabeças degoladas dos integrantes do bando na escadaria da Prefeitura de Piranha, cidade alagoana localizada na divisa com Sergipe. À época, esse indivíduo contava com mais de noventa anos. Faleceu 2010", recorda o historiador.

A lista de entrevistados inclui ainda ex-cangaceiros, ex-soldados volantes (como se chamavam as tropas que combatiam cangaceiros) e sertanejos em geral, "os que mais sofriam pela situação, fosse com a polícia, fosse com os cangaceiros", lamenta. A variedade de personagens enfatiza a percepção sobre a pluralidade do cangaço, "que não é só Lampião. Para entender o tema é preciso explorar a religiosidade, a política e outros aspectos, a partir de personagens como Padre Cícero, coronéis e outros", ressalta Barreto.

Essa mesma pluralidade também garante o interesse do público geral pelo livro, não apenas de outros pesquisadores, historiadores e profissionais da área. "Embora seja um trabalho mais aprofundado que o primeiro, não chega a mergulhar fundo em todos os aspectos do cangaço, mesmo porque isso não caberia em um único livro", destaca o autor. Um exemplo de "personagem-satélite" é Zé Saturnino, inimigo de Lampião. "Nos anos 1990 conheci Luiz Cazuza, que morreu em 2011, quase com 101 anos, porém lúcido. Ele era sobrinho de Saturnino, no livro conto um pouco de sua trajetória no período do cangaço, de seu contato direto com Lampião", comenta Barreto.

No Ceará, o autor visitou Limoeiro do Norte e Juazeiro do Norte - foi nessa última que, em 1926, Lampião recebeu do batalhão patriótico a patente de capitão, além de armas e munição, sob pretexto de combater a Coluna Prestes. "Mas ele nunca fez isso", adverte o autor. "A partir desse momento ganhou a alcunha de capitão Virgulino Ferreira da Silva". Em Juazeiro, porém, as pesquisas foram feitas em livros e documentos no Arquivo Público, ou com pessoas quer conheceram outras que estiveram entre os conflitos. "Daqui para frente essa será a regra. Indivíduos que tenham vivido naquela época estão morrendo por conta da idade. Ficam os descendentes", observa Barreto.

Mais informações:

Lançamento do livro "Assim era Lampião e outras histórias" - hoje, às 19h30, no auditório da EngExata Engenharia (R. Joaquim Nabuco, 1950, Aldeota). Aberto ao público. Contato: (85) 3133.8855

LIVRO: Assim era Lampião e outras histórias

Autor: Ângelo Osmiro Barreto

LC Gráfica e Editora 2012. 238 páginas. Preço: R$ 30

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

  
Web site: diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1182406  Autor:   DIARIO DO NORDESTE / ADRIANA MARTINS

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, escritor e pesquisador do Cangaço: Dr. Archimedes Marques

http://www.cangacoemfoco.jex.com.br/literatura+cangaco/o+nordeste+em+furia

Relíquias do Cangaço

Por: Davi Roberto Bandeira da Silva, para a Revista Leituras da História, Edição 52 - Agosto de 2012.

Uma oferenda de apetrechos

Cobiçados por colecionadores, os objetos do grupo do cangaceiro Lampião foram disputados por autoridades políticas e intelectuais.

O hábito de organizar coleções de objetos de arte, raros ou exóticos, ou de amostras reunidas por curiosidade científica era comum na Grécia e Roma antigas, segundo referências que se estendem de Homero (século 9 a.C.) ao ano 125 da Era Cristã, quando morreu Plutarco. Logo, as coleções se formavam a partir da época helenística, e daí passaram à Roma do fim da República e do Império. Portanto, é bastante remoto o gosto de colecionar, especialmente com a preocupação de guardar o testemunho do passado, em que pudessem ser admiradas e estudadas as coleções de objetos históricos.

A morte do cangaceiro Lampião (1898-1938) é um assunto polêmico. Para alguns, revestido de grande complexidade, de inimagináveis controvérsias. Fato é que o ataque, em 28 de julho de 1938, da tropa do 2º Batalhão Policial Militar de Alagoas ao esconderijo Angico, sertão de Sergipe, onde descansavam Lampião, Maria Bonita (1910-1938) e toda a patota, liquidou 11 cangaceiros no confronto - se é que houve realmente confronto. Mas qual o destino dos objetos que estavam com os cangaceiros derrotados em Angico?

Após a refrega, o jornalista alagoano e redator do periódico carioca A Noite, Melchiades da Rocha (1899-1996), relata no livro Bandoleiros das Catingas as "verdadeiras obras de arte" que "a polícia alagoana arrecadou na Grota de Angicos". Tratava-se dos "apetrechos e material de guerra que se encontravam nas barracas do rústico acampamento do Rei do Cangaço". Algumas dessas peças se encontram, hoje, no Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, em Maceió, uma vez que seu acervo reúne objetos e documentos dos mais valiosos subsídios autênticos, de valor indefinível, dos acontecimentos que envolveram as volantes e os grupos de cangaceiros no sertão alagoano.

O referido acervo é constituído por óculos, punhal, cartucheira, chapéu, cantil, armaria, mochilas, alpercata, colchas, além de uma moldagem da cabeça de Lampião. Além disso, o acervo possui fotografias, processos jurídicos e diversos bilhetes redigidos por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seus livrinhos de oração.

A doação ao Instituto Histórico de Alagoas dos objetos recolhidos após o combate em Angico foi realizada por ordem do interventor Osman Loureiro (1895-1979), por meio do ofício nº 1521, datado de 29 de novembro de 1938, em Maceió, assinado por José Maria Correia das Neves (1886-1953), então secretário do Interior, Educação e Saúde do Estado de Alagoas. O aviso da oferenda dos "trophéos pertencentes ao celerado Virgulino" - palavras de Correia das Neves - mereceu espaço nas atas das reuniões da instituição cultural.

1. Artista plástico Lourenço Peixoto /2. Interior do museu do Instituto Histórico - ao fundo a representação de Lampião 3. Presidente Getúlio Vargas e Interventor Osman Loureiro em Maceió

Despojos do Cangaço

O jornalista Melchiades da Rocha teve influência direta no manejo dessas peças, inclusive, cabendo a ele a responsabilidade de "trazer os referidos objetos ao Rio e levá-los depois a Maceió". Inicialmente, após terem chegado a Maceió, trazidas do esconderijo Angico, as peças ficaram expostas no Rio de Janeiro em um esforço de "proporcionar à população carioca a excelente oportunidade de tão interessante exposição", salientou Melchiades. Até o ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema (1900-1985), reforçou junto ao governo alagoano o pedido de envio dos "trophéos" para o Rio, justificando a aquisição dos "objetos encontrados entre os despojos do grupo do cangaceiro Lampião e que apresentam interesse do ponto de vista da Etnographia e da arte popular".

1. O Lampião do Instituto Histórico / 2. Santinho da primeira comunhão que pertencia a Lampião / 3. Vestido e chapéu que pertenceram a Maria Bonita / 4. Noticiário no Jornal de Alagoas em 1938.

Atendeu ao pedido do nobre ministro o interventor alagoano Osman Loureiro, no envio dos apetrechos, entretanto, a imprensa alagoana alertava em suas manchetes que "após a exposição, os troféus voltarão para Maceió, para que lhe seja dado o destino que se resolver". Seguindo no navio Itanagé, em 12 de agosto de 1938, com destino ao Rio de Janeiro, Melchiades da Rocha levou consigo os referidos "trophéos" para serem exibidos ao público carioca.

Por sua vez, em reunião no Instituto Histórico, em 11 de agosto de 1938, o presidente Orlando Araújo (1882-1953) agradeceu aos sócios Paulino Santiago, Ezechias da Rocha e Théo Brandão "pelo desempenho cabal da missão que lhes fora confiada, de conseguir para o Instituto a maquete da cabeça e a indumentária do famoso Lampião". Em encontro posterior, o secretário perpétuo Luiz Lavenère (1868-1966) informa que "pedira ao governo do Estado que entregasse ao Instituto a guarda dos objetos que pertenceram ao célebre cangaceiro, obtendo promessa favorável ao seu apelo, o que o levou a estranhar que tais objetos estejam sendo exibidos pelo jornal A Noite, do Rio". Mas o apelo do sócio foi atendido, conforme atesta em ofício dirigido ao instituto, no qual o interventor Osman Loureiro se manifestou "anunciando haver providenciado o retorno a esta Capital dos troféus do bando de Lampião".

Orlando Araújo - In: Capelense.com.br

Na capital Maceió, aliás, corriam as primeiras notícias a respeito da modelagem da cabeça de Lampião, pode-se dizer, executada com esmero pelo escultor Lourenço Peixoto (1897-1986). Na edição concernente ao dia 6 de agosto de 1938, o Jornal de Alagoas registraria aos leitores que "por solicitação do Instituto Histórico de Alagoas, o professor Lourenço Peixoto está modelando em gesso a máscara de Lampião". Segundo o noticiário, pretendia o "Instituto Histórico reconstituir a figura do 'Rei do Cangaço', nos mesmos moldes como se pratica nos museus antropológicos".


Entretanto, Lourenço Peixoto executou seu trabalho artístico bem antes que o professor Arnaldo Silveira, docente da renomada Faculdade de Medicina da Bahia, fizesse o traslado para Salvador apenas das cabeças de Lampião e Maria Bonita. Enquanto isso, Lavenère, em um resmungo descabido, quis apressar o regresso dos objetos dos cangaceiros a Alagoas, talvez receoso de que pudessem permanecer no Rio de Janeiro, por causa da prontidão com que o interventor atendia aos pedidos dos interessados.

E assim, o Diário Oficial do Estado publicou, em 1º de dezembro de 1938, o mencionado ofício nº 1.521 ofertando os objetos ao Instituto Histórico, discriminados em inventário conforme o script. Ao mesmo tempo em que as reuniões na entidade cultural aconteciam quase vazias, pelo diminuto número de sócios presentes, por outro lado, a exibição dos objetos capturados em Angico adornava as vitrinas do museu, atraindo os olhares de jornalistas, letrados e autoridades.

Objetos de Lampião: no detalhe os óculos e a maquete da cabeça.

Estado atual das peças de Lampião expostos no Museu do Instituto Histórico de Alagoas.

Espólio causou intriga estadual

Ao entardecer do longínquo maio de 1939, quando uma comitiva, encabeçada pelo secretário Luiz Lavenère, visitava o museu do Instituto Histórico, por um descuido, notou-se o sumiço de dois objetos pertencentes a Lampião. O desaparecimento logo provocou vozerio. A correria e um sentimento de urgência atingiram o esguio Lavenère. Diante desse incômodo, talvez rememorando o empenho em que pôde triunfar após a conquista na captura dos objetos - que tudo isso, decerto, seria a maior das vaidades -, fragilizou-se o destemido secretário.

Preocupado com o fato - ou melhor, o furto -, o próprio Lavenère, na sessão ordinária de 31 de maio de 1939, pedindo para constar na ata "ad perpetuam rei memoriam (para perpétua lembrança)", solicitou o registro do "desaparecimento de dois anéis que pertenceram a Lampião, fato ocorrido por ocasião da visita que o exmo. sr. interventor do Rio Grande do Norte e seu secretário fizeram ao instituto". Os objetos desaparecidos, provavelmente, seriam as seguintes peças: um anel de ouro com as iniciais na parte exterior C.V.L. e uma aliança de ouro com a inscrição "Capitão Lampião", na parte interna, conforme descreve o inventário.

Como em qualquer coleção, o que não faltam são vestígios dispersos e, recuperar a sua história é, no mínimo, revelador. Do rico acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, uma peça se destaca, particularmente, pela cadente história de como ali fora identificada: o vestido de Maria Bonita. Consta nos arquivos do museu que "o vestido de Maria Bonita foi, de certa forma, 'esquecido' ao longo do tempo". Mas este "esquecimento" durou somente até o momento em que um pesquisador, aficionado pelo cangacismo, procurou a instituição. Ele indagou sobre ali se encontrar a peça pertencente à baiana Maria de Déa ou simplesmente Maria Gomes Oliveira - nome de nascimento de Maria Bonita (1910-1938) -, que "teria sido doada ao museu nos anos 70".


Segundo os registros, o pesquisador "tinha informações precisas e descreveu a peça em detalhes", desencadeando o "procura daqui, procura dali, [até que] o vestido foi identificado. Salvo do esquecimento, passou [finalmente] a constituir uma relíquia" do acervo, o vistoso objeto da mulher que perambulava sertão adentro. A doação do vestido foi feita pela atriz Nádia Maria, cujos familiares o receberam por meio do jornalista Melchiades da Rocha, o qual, por sua vez, foi agraciado pela oferta da vestimenta por intermédio do aspirante Francisco Ferreira Melo, da Polícia de Alagoas.

Com vistas à preservação da memória regional, essas peças que constituem um expressivo valor histórico, como resgate de uma época marcada pelo banditismo, continuam a provocar reflexões sobre as possibilidades e direções relativas aos estudos de nossa formação e identidade. São fragmentos de uma natureza simbólica num encontro imaginário, nos quais a memória preservada ocupa espaço nos dias atuais, em uma época em que as lições do passado são tragadas pelo esquecimento.

Destino inglório, na vitrina que atenua a luminosidade no Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, onde assentam vestígios materiais do cangaço, não para reverência, mas somente ressoando os ecos da história.


Cangaceiro Venerado

Na trajetória de vida de Lampião há muitas contradições e muita imaginação. Nem poderia ser diferente. De bandido e facínora a "herói" e defensor dos pobres, há de tudo nas definições populares dessa personagem histórica. Inclusive em setores da sociedade, a partir de tentativas de recuperar a memória de quem sacrificou apavoradas vítimas e empreendeu audaciosos assaltos.

Pode-se destacar que o interesse pelos embates entre perseguidos e perseguidores do ciclo do cangaço (como é denominado o banditismo no Nordeste brasileiro) ainda é intenso neste início do século 21. Há uma imensa quantidade de trabalhos literários, históricos e jornalísticos (artigos e livros) sendo produzidos. Da mesma forma, esforços constantes são realizados por diversos setores sociais, no sentido de se perpetuar a memória dos fatos históricos, envolvendo os impetuosos embates entre os cangaceiros e as forças volantes. Nesse caso, é possível dimensionar tais esforços por meio dos seguintes aspectos envolvidos nas suas representações, com referência, a Lampião: danças folclóricas lhe facultam homenagens em solenidades; exposições exibem fotos, vídeos, objetos e matérias jornalísticas a seu respeito; promovem-se encontros mobilizando acadêmicos, diletantes e estudiosos (constantemente homenageados e adulados) para debater seus feitos considerados audaciosos, enquanto missas campais lhe são endereçadas - tão convenientes à indisfarçável vaidade

Visite

Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
Rua do Sol, 382. Centro - Maceió/AL - Tel.: (82) 3326-9719 E-mail: ihgal@hotmail.com

Saiba +

BONFIM, Luiz Ruben F. de A. Notícias sobre a morte de Lampião. Paulo Afonso: Graftech, 2010.
DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. Lampião entre a espada e a Lei: considerações biográficas e análise crítica. Natal: Cartgraf, 2008.
JASMIN, Élise. Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro. São Paulo: Edusp, 2006.
MELLO, Frederico Pernambucano de. Estrelas de couro: a estética do cangaço. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.
ROCHA, Melchiades da. Bandoleiros das caatingas. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1988.

(*) Davi Roberto Bandeira da Silva é pesquisador do Programa de Estudos de Administração Brasileira da Universidade Federal Fluminense 

Fontes:
http://lampiãoaceso.blogspot.com

CIPÓS DE FERRO DO CANGAÇO

Por: Clerisvaldo B. Chagas, Crônica Nº 866
Clerisvaldo B. Chagas

CIPÓS DE FERRO DO CANGAÇO

O sertanejo comum ingressava no bando lampiônico por diversos motivos. Entre eles estavam à admiração romântica pela aventura, a perseguição policial, a vingança e vários outros. Entre esses motivos, destacamos dois: o convite ─ dividido em moderado e pressionado ─ e o brutal. O convite moderado era feito a alguém, quando o momento estava tranquilo no bando, em uma passagem, uma festa, um pouso, nas ocasiões de menos bebida e bom humor.

Cangaço: grupo de Virgínio. (Foto: Wikimédia Commons).

A recusa, por alguma razão, não tinha consequência nenhuma. O convite pressionado acontecia quando era enxergado grande valor no convidado, muitas vezes pelo simples olhar avaliativo do cangaceiro. Recusado o convite, os do bando não se conformavam e ficavam pressionando onde reencontrasse a pessoa. O convidado dessa maneira tinha apenas três opções: mudar-se do sertão, ingressar nas forças policias ou partir com os bandidos. Caso não usasse uma delas, a morte era quase sempre questões de dias ou meses, dependendo da sorte. Já o convite brutal, acontecia mais quando o bando estava reduzido e precisava renovar as suas fileiras. Rapazes encontrados na caatinga, como vaqueiros, agricultores, boiadeiros, tiradores de mel, eram levados bruscamente de acordo com o que o povo chama de “ir na marra”.

Uma vez dentro do bando, muito difícil era abandoná-lo. Logo nos primeiros dias, Lampião ou os chefes de subgrupos jogavam o recém-chegado numa armadilha. Teria que aguentar com bravura um fogo cerrado e também matar friamente algum prisioneiro. Refugar seria morrer em lugar da vítima. Sendo aprovado nos testes, a notícia chegaria aos ouvidos do povo e da polícia, não deixando a alternativa de fuga do bando, pois assim o indivíduo já arranjara inimigo lá fora. Todos os assassinos dizem que o pior assassinato é o primeiro. Daí em diante, apaga-se a consciência de matar e vicia. Como deixar o bando marcado pela sociedade? Desertando, haveria o perigo de morrer lá fora pelos familiares das vítimas e pela polícia. Assim, nesse emaranhado de cipós de ferro, continuava o novato cangaceiro sua vida nômade, sem perspectiva alguma de liberdade. Não foi somente o cabra, o cangaceiro anônimo que enfrentou essa situação. Muita gente que chegou depois ao estado-maior também iniciou assim.

As quadrilhas de traficantes usam artifícios parecidos. Não é fácil para o sujeito deixar a facção aonde se meteu. E as drogas vão deixando os seus rastros de sangue como as hostes cangaceiras. Hoje como ontem, CIPÓS DE FERRO DO CANGAÇO.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) - Parte I

 Virgulino Lampião e Maria Bonita à frente dos cangaceiros, fotografados em 1936

As únicas fotografias que mostram o verdadeiro Lampião e seus cangaceiros foram registradas pelo mascate (*) Benjamin Abraão em meados da década de 1930. Lampião, vaidoso, permitiu que o mascate registrasse as imagens que imortalizaram o bando nas estampas de jornais e revistas durante o Estado Novo. As fotografias foram disputadas pela imprensa da época e mobilizaram o público...

Padre Cícero e Benjamim Abraão

(*) Benjamin Abraão Botto (Zahlé, Líbano, c. 1890 — Serra Talhada, 10 de maio de 1938) foi um fotógrafo sírio-libanês-brasileiro, responsável pelo registro iconográfico do cangaço e de seu líder, Virgulino Ferreira da Silva – o Lampião. Abraão morreu assassinado durante o Estado Novo.

Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (Serra Talhada, 4 de Junho de 1898(ver abaixo) — Poço Redondo, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro brasileiro.

Há grande controvérsia sobre a data de nascimento de Lampião. As mais citadas são: 7 de julho de 1897: data do Registro Civil. 4 de junho de 1898: É a data citada em sua Certidão de Batismo, uma das mais citadas na literatura de cordel. A data de seu Batismo é geralmente aceita por muitos devido ao costume das regiões do semiárido de se batizar as crianças primeiro e apenas registrá-las tempos depois, devido a um misto de religiosidade e desconfiança em relação ao poder civil constituído e a um "enquadramento administrativo" por parte deste.

- 12 de fevereiro de 1900, data dada segundo Antônio Américo de Medeiros pelo próprio Lampião em entrevista ao escritor cearense Leonardo Mota, em 1926, no Juazeiro do Norte.

A questão de sua data de nascimento torna-se ainda mais relevante no contexto em que se instituem datas comemorativas em seu nome, como o "Dia do Xaxado, projeto da Câmara Municipal de Serra Talhada que escolheu a data de 7 de julho, o que correspondente ao seu registro civil.

Nascido na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semiárido do estado de Pernambuco e foi o terceiro filho de José Ferreira da Silva e Maria Lopes de Oliveira. O seu nascimento só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. Uma das versões a respeito de seu apelido é que ele modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido, sendo que o cano aquecia tanto que brilhava dando a aparência de um lampião. [carece de fontes]

Sua família travava uma disputa mortal com outras famílias locais até que seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919. Virgulino jurou vingança e, ao fazê-lo, provou ser um homem de atitudes violentas e rudes. Tornou-se um mito em termos de disciplina. Seus métodos de comando eram certas vezes melhores ou idênticos aos do Exército Brasileiro (EB) - que até hoje guarda em sigilo os registros a respeito das guerrilhas entre militares e o bando de Lampião. O bando chamava os militares do PM de "Macacos".

Na frente: Benjamim Abraão, Lampião e Maria Bonita

Durante os 19 anos seguintes (começou aos 21 anos), ele viajou com seu bando de cangaceiros, que nunca ultrapassava o número de 50 homens, todos com cavalos e trajados com roupas de couro, chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação caatinga. Para proteger o "capitão", como Lampião era chamado, todos usavam sempre um poder bélico potente. Como não existiam contrabandos de armas para se adquirir, em sua maioria eram roubadas da polícia e unidades paramilitares. A espingarda Mauser e uma grande variedade de pistolas semi automáticas e revólveres também eram adquiridos durante confrontos. A arma mais utilizada era o rifle Winchester.

Rifle Winchester

Lampião foi acusado de atacar pequenas fazendas e cidades em sete estados além de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações, estupros e saques. No nordeste do Brasil, sua história é contada diferente de todos os outros Estados do País. Lá, Lampião é conhecido como o Robin Hood do sertão brasileiro, que roubava de fazendeiros, políticos e coronéis da época do coronelismo brasileiro para dar aos pobres miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar famílias com inúmeros filhos.

Era devoto de Padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte.

Maria Bonita

Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 e, assim como as demais mulheres do grupo, vestiam-se como cangaceiros e participou de muitas das ações do bando. Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, 


Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932. Há ainda a informação controversa de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias e Arlindo Gomes de Oliveira, mas nunca foi comprovada a verdade dos fatos, além de outros dois natimortos.

- 15 de julho de 1895 – Nasceu Antônio Ferreira da Silva, cangaceiro Antônio Ferreira, filho de Maria Lopes de Oliveira, dona Maria Jacoza, com Venâncio Nogueira, seu patrão. Venâncio compra e dar o sitio Passagem das Pedras, no riacho São Domingos, em Serra Talhada - PE. José Ferreira da Silva, conhecido como Zé Ferreira, natural da fazenda Carro Quebrado, em Triunfo - PE e apaixonado por Maria Jacoza, resolve viver com ela casando com a mesma e assumindo o filho.

- 7 de novembro de 1896 – Nasceu Levino Ferreira da Silva, o cangaceiro Vassoura, primeiro filho de Zé Ferreira com Maria Jacoza.

- 7 de julho de 1897 – Nasceu Lampião, no sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada - PE.

Valdi de Moura Ribeiro o nascimento de Maria Bonita foi em 10 de janeiro de 1910 e não na data acima citada.


- 1916 – Zé Caboclo, morador de Zé Saturnino é preso pelo inspetor Manoel Lopes em decorrência de roubo de bode e logo depois Domingos Rodrigues acusa os irmãos Ferreira de roubo de bode tento os mesmo que pagar alta quantia. Depois foi encontrado dois chocalhos de Zé Saturnino nas vacas dos Ferreiras. Zé Saturnino então pega três chocalhos dos Ferreiras e coloca em vacas suas. 

O jovem Virgulino pega um burro de Zé Saturnino e manda ele ir busca em sua casa e por conta disso Zé Saturnino começou a chamar os Ferreiras de ladrão. Virgulino então mata 9 criações de Zé Saturnino. Por conta do desaforo Zé Saturnino foi falar com Zé Ferreira, pai de Lampião, e proibi os irmãos Ferreiras de olhar a criação em campo. 

Os Ferreiras foram juntar o gado e foram emboscados por Zé Saturnino na Lagoa da Água Branca, na fazenda Pedreira sendo nesta ocasião Antônio Ferreira ferido. Zé Ferreira, humilde agricultor foi em Serra Talhada - PE participar o assunto ao coronel Antônio Timóteo de Lima que nada fez por ser pertencente a corrente politica da família Nogueira. Como a questão estava grande o senhor Quelé do Cipó, parente de Zé Saturnino procurou fazer um acordo com Zé Ferreira e os filhos, mas Zé Saturnino não quis acordo.

- 5 de agosto de 1917 – Nasce o povoado de Nazaré do Pico, distrito de Floresta - PE.

- 1917 – Zé Ferreira, homem calmo e sensato, vende sua terra e vai morar na fazenda Poço do Negro, próximo ao povoado de Nazaré do Pico, em Floresta - PE.

- 10 de fevereiro de 1918 – Zé Saturnino vai até Nazaré buscar um dinheiro, quebrando um acordo feito e é emboscado por Lampião e Domingos Paulo, primo dele. No outro dia Zé Saturnino cerca a fazenda Poço do Negro com 15 homens e é baleado o cabra Zé Guedes, de Zé Saturnino.

- 1919 – Nazaré do Pico é invadida por Jacinto Alves de Carvalho e Lampião defende o povoado. Zé Alves Nogueira, tio de Zé Saturnino é emboscado por Lampião e seu padrinho João Flor corre em socorro pensando que era Jacinto novamente atacando o povoado. 

Descobre que era Lampião e bate boca com ele começando a rixa dele com a família do povoado. Levino Ferreira da Silva dá um tiro no canto da rua e Odilon Flor, filho de João Flor revida quase atingindo Lampião na cabeça. Começa o tiroteio e Levino é ferido e vai até a casa de Chico Euzébio  onde é preso e levado para Floresta. Levino é solto e os Ferreiras vão embora para Alagoas.

- 1920 - Lampião junta-se com o cangaceiro Antônio Matilde e atacam por diversas vezes a fazenda Pedreira, de Zé Saturnino. Dos cabras que acompanhavam Lampião podemos destacar os cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira, Antônio Rosa, Baião, Manoel Tubiba, Cajazeira, Baliza, Zé Benedito, Olímpio Benedito e Manoel Benedito. Zé Saturnino vendo seu gado e sua fazenda invadida procurou seu tio, o famoso cangaceiro Cassimiro Honório que trouxe vários cabras para defesa da fazenda do sobrinho onde travaram alguns combates com o bando de Lampião, tendo ele voltado para Alagoas. Entre os cabras de Zé Saturnino podemos citar Nego Tibúrcio, Zé Guedes, Zé Caboclo, Vicente Moreira, Batoque e o famoso Marcula.

- Maio de 1920 – Em Alagoas, Ze Ferreira manda o filho João Ferreira comprar remédio para um sobrinho doente. O delegado Amarílio prende ele e espera pelos irmãos que no outro dia vão buscá-lo, sendo emboscado pelo delegado. Maria Jacoza, mãe de Lampião, fica preocupada e resolve ir embora da região. Na fazenda Engenho de Luiz Fragoso ela fica doente e Zé Ferreira vai comprar remédio e quando volta Maria Jacoza já está morta. Dezoito dias depois Zé Ferreira, pai de Lampião, é morto pelo tenente 

Tenente Zé Lucena

José Lucena de Albuquerque Maranhão e os Ferreiras resolvem entrar de vez na vida do cangaço.

- 1921- Os Ferreiras entram no grupo dos Porcinos e matam o viajante Arthur Pinto. O tenente Zé Lucena vai até Poço Branco - AL, onde trava tiroteio com o grupo, saindo morto o cangaceiro Gafanhaque. Nesse ano os Ferreiras e os Porcinos matam ainda 6 irmãos da família Quirino, de Júlio Batista.


- Junho de 1921 – Os Ferreiras entram no grupo de Sebastião Pereira da Silva, vulgo Sinhô Pereira, cangaceiro famoso de Serra Talhada - PE.

- 8 de agosto de 1921 – Combate na centenária fazenda Carnaúba, e Serra Talhada - PE, entre Sinhô Pereira e o capitão Zé Caetano, sendo morto o cangaceiro Luiz Macário e vitória da força volante.

- Setembro de 1921 – Combate na fazenda Feijão entre Sinhô Pereira e tenente João Marques de Sá. Vitoria dos cangaceiros sem morte nenhuma.

- Outubro de 1921 – O bando de Sinhô Pereira e Lampião vão para o estado do Ceará, onde travam combate na fazenda Mandassaia, não sofrendo nenhuma baixa em ambas as partes. Quatro dias depois travam combate na vila de Coité, morrendo um soldado e saindo dois bandidos feridos. Depois houve outro combate onde foi morto o cangaceiro Pitombeira, e saiu ferido o cangaceiro Lavandeira e dois soldados.

Baroneza de Água Branca

- 23 de junho de 1922 – Lampião faz um assalto à Baronesa de Água Branca, da cidade de Água Branca - AL, roubando aí grande quantia de dinheiro, e sendo a primeira vez comandante de um grupo próprio.

- 18 de julho de 1922 – Combate em Poço da Areia - AL, contra a força de 120 soldados, do tenente Medeiros e parte da família Quirino, saindo morto o sargento Agapto, e dois soldados contra 20 cangaceiros de Lampião. Neste combate saiu gravemente ferido o cangaceiro Fiapo I sendo morto por Lampião depois.

- Agosto de 1922 – Devido aos pedidos da família, o cangaceiro Sinhô Pereira vai embora para fazenda Preá, no Ceará, com destino ao Estado de Goias, para juntar-se ao primo e ex-cangaceiro Luiz Padre.

- 20 de outubro de 1922 – Invasão de São José do Belmonte -PE, onde é morto o rico comerciante e chefe politico, 

Luiz Gonzaga Lopes Ferraz

coronel Luiz Gonzaga Lopes Ferraz, parente da família nazarena. Lampião não tinha nenhum inimizade com o coronel, mas atacou a cidade e matou o comerciante a pedido de Toyo Maroto, parente de Sinhô Pereira e inimigo politico de Gonzaga. Depois disso, a viúva vai embora do Estado.

- 31 de julho de 1923 – De surpresa, Lampião entra em Nazaré do Pico e vai até o casamento de sua prima e ex-amor de infância, Maria Licor Ferreira e Enoque Menezes, com o intuito de acabar o casamento, sendo repelido pelo padre Kerlhe que pede para ir embora e deixar o casamento acontecer. Ele decide ir embora mas deixa a ordem para ninguém no povoado dançar.

- 1 de agosto de 1923 – Combate na Praça de Nazaré entre Lampião e a força do sargento Sinhozinho Alencar, com a ajuda dos civis nazarenos João Flor, Euclides Flor, Manoel Flor, Davi Gomes Jurubeba, Pedro Gomes de Lira e Zé Saturnino, com 6 homens. Lampião vai embora. Depois desse ocorrido João Flor consegue alistar sua família na Força Volante de Combate ao Banditismo de Pernambuco, por influência aos irmãos Pessoa de Queiroz. Tem início a Força de Nazaré, a mais ferrenha perseguidora de Lampião.

- 12 de agosto de 1923 – Combate na fazenda Enforcado, na Serra do Pico, em Floresta - PE, entre o grupo de Lampião e os nazarenos. Saiu ferido o bandido Miguel Piloto e os nazarenos Pedro Gomes de Lira, Olímpio Jurubeba e Adão Thomaz Nogueira.

- 5 de janeiro de 1924 - Lampião invade a cidade de Santa Cruz da Baixa Verde - PE em busca de matar o seu ex-amigo Clementino Quelé. Nesse combate Lampião incendiou 3 casas e foi repelido pela força policial comandada pelo tenente Pedro Malta. Nesse combate morreram Pedro Quelé e Alexandre Cruz, ficando ferido Deposiano Alves Feitosa.

- 11 de janeiro de 1924 - Lampião ataca novamente Santa Cruz da Baixa Verde - PE. Foi repelido por Clementino Quelé que depois entrou na polícia.

- Janeiro de 1924 - Lampião ataca o povoado de Tupanaci, em Mirandiba - PE, onde na ocasião encontrava-se um pequeno grupo de cangaceiros comandados por Tibúrcio Severino dos Santos, vulgo Nego Tibúrcio, ex-cabra de Zé Saturnino e odiado por Lampião. Lampião então entra em combate e mata Tibúrcio e seus cabras, partindo o cangaceiro em vários pedaços e jogando o corpo no meio da rua.

- Março de 1924 - Combate de Lampião na Serra do Catolé, em São José do Belmonte - PE. Lampião é gravemente ferido no pé, sendo cuidado pelo Dr. José Cordeiro e pelo Dr. Severino Diniz, da cidade de Triunfo - PE. A pedido do padre Kerlhe ele pensou em se entregar para a policia mas depois voltou atrás e continuou no cangaço.

- 27 de julho de 1924 - Lampião manda um subgrupo com 84 cabras tendo o comando dos cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira, Sabino Gomes, Paizinho, Meia Noite e o fazendeiro Chico Pereira atacar e saquear a cidade de Sousa - PB. Tudo na cidade virou alvo de saque, os cangaceiros roubaram o comércio, residências, tendo a cidade um prejuízo incalculável. O principal alvo era o coronel Otávio Mariz, desafeto de Chico Pereira que fugiu. O juiz Dr. Archimedes Soutto Mayor foi humilhado em Praça pública pelo bando. O destacamento local era comandado pelo tenente Salgado, que nada pode fazer. Depois desse ataque o 


José Pereira de Lima

coronel Zé Pereira, de Princesa Isabel - PB, nunca mais deu proteção ao cangaceiro.

Continua...Quinta Feira

LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE


Autor: Archimedes Marques


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Em nome de Elane Lima
Marques (Minha esposa).
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