“O Major
Genuíno Bezerra, uma das glórias da nossa Força Policial, assinalado pelo seu
denodo, em sucessivos reencontros na perseguição do banditismo, no interior do
Estado, é símbolo vivo da lealdade perfeita, sempre solícito no cumprimento das
ordens recebidas, sem se mostrar jamais aquém de missão.” (Exmo. Sr. Dr. João
Pereira de Castro Pinto).
O Major
Genuíno de Albuquerque Bezerra nasceu a 4 de novembro de 1884 no engenho Várzea
Comprida, no município de Guarabira- PB, sendo filho legítimo do Capitão Francisco
Bruno Jácome Bezerra e de D. Herundina de Almeida Albuquerque Bezerra.
“Em 1907, a 3 de setembro seguiu para a vila do Teixeira (hoje cidade) a fim de
socorrer habitantes atacados por numeroso grupo de cangaceiros,
estabelecendo-se um dos mais graves conflitos armados, que registram as
crônicas bélicas daquela região. Pacificada Teixeira, seguiu para Pombal, em
dezembro do mesmo ano, onde a ordem pública estava alterada, já tendo sido
desmoralizado um oficial, demitido, logo depois, como castigo, tendo fugido o
chefe político local e algumas autoridades. Restabelecida a ordem, e depois de
desarmar o principal cabeça do movimento, prendeu seis de seus comparsas,
inclusive os criminosos “Mané Coitado”, “Hino” de tal, “Mané Veado”, “Raimundo
Furão” e Francisco Gouveia. Ali se conservou, por ordem do Governo do Estado,
esperando a chegada do Juiz comissionado, Dr. Fenelon Nóbrega, para processar
os culpados, garantindo-o, a frente de sua força expedicionária.
Em 1908, irrompeu a crise pavorosa da fome, surgindo, por toda a parte, bandos
e mais bandos de celerados, roubando e matando. Desenvolveu ele tenaz e franca
campanha contra os bandidos. Com ordem do Governo para penetrar nos Estados
vizinhos, entrou no Ceará, onde deu cabo do famigerado José Alves, então
conhecido como o mais perigoso bandido do sertão; isto, depois de duas horas de
fogo cerrado. Logo após seguiu para Brejo do Cruz, anarquizado pelas lutas de
Antonio Saldanha e Joaquim Saldanha, já se tendo registrado mortes e
ferimentos. Voltando a calma àquela localidade, seguiu, ainda no mesmo ano,
para Conceição de Piancó onde eliminou o célebre bandoleiro José Luiz, autor de
diversos crimes neste e noutros Estados. Em fins do aludido ano, quando seguia
na pista do grupo chefiado pelo bandoleiro Antonio Silvino, no lugar “Água
Fria”, do município de São João do Cariri, ao espantar-se o animal que montava,
resultou cair sobre pedras, ficando sem sentidos, sendo, por isso, transportado
para Taperoá, onde ficou em tratamento durante alguns dias. Restabelecendo-se,
seguiu o Capitão Genuíno para Souza a fim de manter a ordem, perturbada por
questões de politicagem local.

Casa de José Lucas Martins (Linda casa na zona rural da cidade de Monteiro, no sítio
"Pau Ferro"
Em 1909, perto do povoado “Jericó”, do termo de Catolé do Rocha, prendeu, na
fazenda Serrota os celebérrimos Antonio Saldanha, Francisco Belo e Vicente
Belo, após ligeiro tiroteio. Efetuou, em seguida, a notável diligência da
“Barra do Mineiro” do município de São João do Cariri, sustentando fogo de onze
horas, com perda do corneteiro João de Barros e ferimento no Anspeçada “Dois de
Ouro”. Dessa arriscadíssima diligência resultou a prisão de quatro perigosos
facínoras alcunhados ”Mãezinha”. No município de São João do Rio do Peixe (hoje
Antenor Navarro) realizou outra importante diligência, no lugar “Poço”,
capturando os cangaceiros Vasques Landim, Lino de tal e mais três companheiros,
autores dos falados assaltos a “Aurora”, “Nova Aldeia” e cidade de
“Lavras”(Ceará).
Em 1910 transportou-se para “São Tomé” (Alagoa do Monteiro), em manutenção da
ordem pública. Em junho do mesmo ano defendeu a cidade de Souza, ameaçada de
invasão pelo grupo de Antonio Silvino. Em “São José da Alagoa Tapada”, do mesmo
município, prendeu o criminoso conhecido por “Nézinho”. No lugar “Cipó”, do
termo de Cazajeiras (limites com o povoado de “Barro” – Ceará), capturou o
célebre criminoso “Guiné”. Em Campina Grande, prendeu Ismael de tal, autor do
sensacional homicídio do chefe político de Limoeiro (Pernambuco). Ainda, em
“Santa Fé” no termo de São José de Piranhas (hoje Jucá), na divisão com o
Ceará, prendeu, depois de um tiroteio, o afamado bandoleiro Francisco “Cabra”
que ficou gravemente ferido, sendo transportado numa rede para a cidade de
Souza, em cuja cadeia ficou em tratamento.
Serra do Teixeira
Em 1911, no mês de janeiro, pacificou “Boi Velho”, do município de Monteiro
(limites com Pajeú de Flores, Pernambuco), perturbado por um grupo de
cangaceiros vindo do vizinho Estado. Em maio, no povoado de “São Tomé”, assumiu
o comando-geral das forças expedicionárias paraibanas, recebendo-o do
Tenente-Coronel Alvaro Evaristo Monteiro, então Comandante da Força Policial do
Estado, entrando logo em ação contra um grande grupo de cangaceiros nas
fazendas “Riachão” e “Carnaubinha”, do município de Monteiro, sob as ordens do
Dr. Augusto Santa-Cruz, onde se achavam entrincheirados mais de duzentos
homens! Após uma fuzilaria de uma hora e dez minutos, foram dispersos os
bandoleiros. Tomou parte no cerco da fazenda “Areal”, junto com as forças
expedicionárias pernambucanas comandadas pelo Major Alfredo Duarte e, em fins
do mesmo ano, conseguiu subjugar um dos mais perigosos facínoras que infestavam
o sertão, o célebre Belino de tal, depois de forte tiroteio e prolongada luta,
corpo a corpo, com o mesmo, sustentando, ainda um prolongado tiroteio com seus
comparsas. Esta luta teve lugar na sala de visitas do Padre Cirilo de Sá, chefe
político de São João do Rio do Peixe. De tal conflito resultou sair o Major
Genuíno ferido na mão esquerda pelo punhal do bandoleiro, cujas cicatrizes
ainda apresenta. Ainda saíram feridos o cabo Virgolino e um empregado do
suprafalado padre(...)Em 1924, em julho foi nomeado Delegado de Polícia de
Cazajeiras, defendendo contra a invasão do funesto grupo do terrível “Lampião”.
Ali prendeu vários criminosos e desordeiros, conseguindo, ainda, apreender
grande quantidade de material furtado dos açudes “São Gonçalo” e “Boqueirão”.
Em outubro recolheu-se à sede da Força Policial, sendo logo reformado(...)”.
FOTOS:
CASA: José Lucas Martins (Linda casa na zona rural da cidade de Monteiro, no
sítio "Pau Ferro", que mostra a fachada antiga das fazendas da época
e que contém vestígios de passagens dos cangaceiros, como olheiros de mira e
buracos na parede para se colocar o cano das espingardas).
Fonte: facebook
http://blogdomendesemendes.blogspot.com