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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

SENSACIONAL REGISTRO DOS "RASTREADORES DA HISTÓRIA", PESQUISADORES, REMANESCENTES DA MESMA, EX CANGACEIROS ARISTEIA E MORENO, E O FILHO DO CASAL CANGACEIRO 'CORISCO E DADÁ', SÍLVIO BULHÕES.



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DOCUMENTÁRIO "O ÚLTIMO DIA DE LAMPIÃO"


https://www.youtube.com/watch?v=L-nuE4UgJOQ&feature=youtu.be&fbclid=IwAR0C9TxhBpktQAabIk3F50vyx4aasemj_7oUCN-pD5ejme9irD5WRmQhHB4

ESSE VÍDEO DEVE SER ARQUIVADO PELOS ESTUDANTES DESSA HISTÓRIA DEVIDO EXISTIR GRANDE ACERVO HISTÓRICO DAS PERSONAGENS QUE VIVERAM A ÉPOCA.
BONS ESTUDOS!

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EM BUSCA DA VERDADE, SEMPRE. PESQUISADOR TEM SEU ACERVO LESADO


Por Sálvio Siqueira

O pesquisador João De Sousa Lima, de São José do Egito, PE, residente na cidade baiana de Paulo Afonso, a qual adotou no coração, é um dos pesquisadores sérios dentre outros que existem no complexo estudo do tema referente ao Fenômeno Social Cangaço.

João, quando ainda criança, vai morar na cidade baiana e logo cedo descobre uma vontade incontrolável de saber e contar a historia das pessoas que fizeram parte do cangaço. Teve sorte por ter ido para o reduto onde em todas as partes a história passou e deixou suas marcas. Marcas que o “rastejador egipciense” não perdeu os sinais.

Começa então a colher informações dali, depois outras daqui e por aí começou a adentrar num mundo cruel, sangrento, cheio de lágrimas, dor, vingança e mortes, no entanto cativa-nos e nos deixa apaixonados por ele. Por ter sido um dos pioneiros a ‘caçar’ resquícios históricos, possui uma coleção de objetos que foram usados por aqueles que fizeram parte da historiografia, alguns dos próprios, outros dos familiares que os tinham e muitos o doaram para seu acervo particular.
Trata-se de armas, perfume, joias e outros mais. Dentre eles existem aqueles que nos parecem os mais importantes para a história, as fotografias. Essas tem o poder de parar o tempo e trazê-lo para o futuro. Portanto, a nosso ver, são relíquias que merecem respeito e cuidados.


Como em todo lugar, canto, situação sobre temática existem os fraudadores, aproveitadores e mentirosos, nos estudos, pesquisas e literaturas sobre a historiografia do cangaço também apareceram. Desde os primeiros livros, cordéis e cantadores de feiras-livre têm pessoas que aumentam, improvisam e criam suas ‘estórias’. Não procuram contar os fatos ocorridos, mas, contarem aquilo que queriam que ocorresse. No meio destes sempre apareceram os aproveitadores e oportunistas para darem um golpe na história e naqueles que a tratam com respeito.

Nos últimos tempos, devido à nova geração de pesquisadores, escritores e autores e a maneira de se fazer pesquisas, tem-se combatido, na medida do possível, esse tipo de criminosos. Crime sim, pois estão distorcendo fatos ocorridos em gerações de uma população sofrida, sujeita e que sempre ficou sem a assistência social devida pelas autoridades competentes.

Ainda aparecem aqueles que querem aparecer mais do que os outros. Pois bem, segundo o historiador João de Sousa Lima o cidadão Robério Santos, para ganhar uma oportunidade de se aproximar do pesquisador Frederico Pernambucano de Melo, não vemos outra razão, pega uma fotografia do acervo do pesquisador João de Sousa Lima e a “dou-a”, como sendo dele.

O sociólogo/pesquisador Pernambucano de Melo edita o livro e no livro a fotografia. Faz referência sobre a foto pertencer, ou ter sido uma gentileza do Robério Santos, não podia ser diferente já que o sergipano usando de má fé, disse pertencer a ele. O dono do registro histórico, João de Sousa Lima, falo dono por ter sido dado a ele pelos senhores Toinho de Juvininho( grafia do livro) e Marcus Vinícius, só veio descobrir a manobra quando a viu no livro. Imediatamente entra em contato com o autor do livro, Frederico Pernambucano de Mello, e conta que aquela fotografia faz parte do seu acervo particular. Segundo o próprio João, Pernambucano compromete-se a fazer a devida correção, citando a quem de direito o registro histórico pertence, numa futura edição.



Trata-se de um registro histórico muito importante por o mesmo referir sobre a época das entregas. Nela estão as personagens religiosas: Frei Francesco da Urbania, Frei Agostinho e o Monsenhor Magalhães; o cangaceiro Balão e mais uma outra pessoa não identificada no livro “Lampião – O cangaceiro – Sua ligação com os Coronéis Baianos, Raso da Catarina e outras história” , 1ª edição. Editora Fonte Viva, pg 172, 2015. Isso ocorre, a fase das 'entregas', após a morte do cangaceiro mor, Lampião, pois o restante fica feito baratas tontas sem saberem o que fazer: não sabem aonde buscar munição, armas, alimento ou vestimenta para seus 'cabras'. Não tendo outra saída, e a vida de cada um estando em jogo, começam a se entregar as autoridades de Alagoas e Bahia. 

O registro torna-se marcante por trazer religiosos que serviram de intermediários entre os bandoleiros e a Força Pública, os quais confirmam, apalavram a garantia da vida de cada um.

Fora essa coisa ridícula, Robério tem a mania de criar personagens e lugares em registros fotográficos. A última foi ele dizer que uma foto tinha sido tirada na sua cidade, em ocasião da visita de uma ex cangaceira, Sila, quando na verdade ela foi um registro na cidade de Lagarto, SE... é de lascar uma coisa dessas.

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"A ILUSÃO DO CANGAÇO"


https://www.youtube.com/watch?v=ybxCMU0MC4c&feature=youtu.be&fbclid=IwAR30WfOG-Fl5KDaAI9pqUpu6r8kGJWafLKug_Ju1h4Zf2K9TYbuVnIL1yfI

A VIDA DE UMA MOÇA, MENINA AS VEZES, FILHA DE AGRICULTOR NOS CARRASCAIS DO SERTÃO NORDESTINO ERA DURA. PRIVACIDADES NÃO FALTAVAM PARA AQUELAS QUE NAQUELE TEMPO VIVERAM. ACHANDO QUE SERIA UMA 'VIA DE ESCAPE', VÁRIAS DELAS PROCURARAM ENTRAR NO CANGAÇO. ENTÃO NOTARAM QUE A VIDA NO CANGAÇO ERA MUITO PIOR.

TRABALHO DE PESQUISA, EDIÇÃO E COLETÂNEA REALIZADO PELO PESQUISADOR CEARENSE ADERBAL Aderbal Nogueira

"Coletânea (fragmentos) de depoimentos de ex-cangaceiros(as) colhidos dos seguintes documentários: A mulher no cangaço, A musa do cangaço, O último dia de Lampião, Fatos, Candeeiro-Manuel Dantas Loiola, e Sila - Ilda Ribeiro de Sousa."

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EM CAJAZEIRAS, PB LAMPIÃO ASSUSTOU CRISTIANO CARTAXO

Por: Francisco Frassales Cartaxo
 
Cristiano Cartaxo

Cresci ouvindo meu pai narrar, vez por outra, o susto que passou ao ver-se frente a frente com Lampião. Cristiano Cartaxo (foto) contava sempre a mesma versão, quase com as mesmas palavras a indicar a veracidade do episódio por ele vivido. Certa ocasião, noite alta, ele se dirigiu à Farmácia Central, fundada pelo seu pai, o major Higino Rolim, para aviar uma receita, a pedido de pessoa amiga. 

Nessa época, década de 20 do século passado, a farmácia ficava na Rua Sete de Setembro, hoje Avenida Presidente João Pessoa. Cristiano entrou na botica, deixando a porta entreaberta, e foi preparar o remédio. Com pouco tempo, apareceu um desconhecido em trajes estranhos, arma de fogo e punhal. Meu pai apressou-se em procurar atendê-lo àquela hora da noite:

- O senhor deseja alguma coisa? Precisa de algum remédio?
 
Sabino Gomes em
Foto de Francisco Ribeiro
 
Disse mas não obteve resposta. O estranho esboçou apenas um leve sorriso, deu alguns passos, lentamente, parou para espiar melhor as pra- teleiras, voltou a caminhar pelo pequeno corredor até os fundos da loja, sem uma palavra, por mais que meu pai insistisse em oferecer-lhe seus serviços profissionais de farmacêutico. O visitante saiu pela porta, não sem antes fazer breve reverência de cabeça. Meu pai, sem pestanejar fechou a porta com ferrolho e voltou à sua tarefa. Claro que teve medo, sobretudo, porque isso se deu após o ataque do cangaceiro Sabino Gomes (foto) que, segundo meu pai, tinha como um dos seus objetivos ao invadir Cajazeiras “agarrar o enxu do major Higino”, numa referência ao cofre da farmácia do meu avô.

Sabino Gomes conhecia bem Cajazeiras. Fora guarda-costas de Marcolino Diniz, um cidadão que residiu em Cajazeiras, pouco depois de assassinar o bacharel Ulisses Wanderley, juiz de direito da cidade de Triunfo (PE), em 30 de dezembro de 1923. Preso em flagrante, foi solto pelos cabras de Sabino, a mando de Lampião, que era amigo e protegido do coronel Marçal Florentino Diniz, pai de Marcolino. Em Cajazeiras, Marcolino fundou e manteve, junto com o advogado Praxedes Pitanga, o jornal O Rebate, que circulou entre 1925 e 1928. Marcolino era irmão unilateral de Sabino Gomes, pois este nascera de relação sexual do coronel Marçal com sua cozinheira, em Abóboras, município de Serra Talhada (PE), perto de Princesa Isabel, terra do famoso coronel José Pereira, aliás, sogro de Marcolino Diniz. 

Sabino chegou a trabalhar nas obras de construção do açude de Boqueirão e desfilava armado pelas ruas de Cajazeiras, na qualidade de capanga de Marcolino Diniz.
 

Como o poeta Cristiano soube que o cangaceiro misterioso era Lampião? Meu pai o identificou numa foto que correu mundo, batida pelo fotógrafo profissional, Francisco Ribeiro, em Limoeiro do Norte, quando o bando ali estacionou, ao regressar da frustrada invasão a Mossoró. Em Limoeiro, os cangaceiros foram recebidos sem hostilidade. Ao contrário, tiveram direito a banquete, fizeram compras no comércio e até rezaram na igreja em companhia do padre.

Revejo, agora, a foto histórica, inserida no livro de Frederico Pernambucano de Mello: Guerreiros do sol - Violência e banditismo no Nordeste do Brasil -, talvez o melhor estudo acerca do fenômeno social do cangaço nordestino. Revejo com saudade do meu pai que, em 2013, completa 100 anos de formado na antiga Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2014/07/em-cajazeiras-pb.html

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

SEU JANUÁRIO ,PAI DE LUIZ GONZAGA.

https://www.youtube.com/watch?v=C3U069qo3RE

Publicado em 19 de jun de 2012
Trabalho feito pelos alunos do 3º ano da escola SESI CG PB
Categoria
Música neste vídeo
Música
Artista
Luiz Gonzaga
Álbum
O Rei Volta Pra Casa
Licenciado para o YouTube por
SME (em nome de RCA Records Label); LatinAutor - UMPG, UBEM, LatinAutor - ACODEM, União Brasileira de Compositores, LatinAutor, LatinAutor - Warner Chappell e 1 associações de direitos musicais.

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ENTREVISTA CADIM MACHADO, ÚLTIMO COITEIRO DE CORISCO


Geziel Moura
Publicado em 4 de mai de 2016

Categoria

https://www.youtube.com/watch?v=Vs9kLhbDokU&t=781s

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PEREIRO-CE, CASA DOS ESCRAVOS

https://www.youtube.com/watch?v=2DjzyJGNQ_I

Publicado em 28 de set de 2011

REPORTAGEM DA TV CIDADE AFILIADA DA REDE RECORD. PROGRAMA, RIQUEZAS DO CEARÁ.

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EXPLÊNDIDO DOCUMENTÁRIO SOBRE A VIDA DA MULHER NO CANGAÇO. VALE A PENA VER CADA MINUTO.

https://www.youtube.com/watch?v=wsTCQ7LOeds&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2dJgMCxJz-JX-bimoz4Em5pEYEmaUlzluUEp8l7oEu5toEpPw6G-9iKPM

Publicado em 27 de abr de 2016

O Centro de Estudos Euclydes da Cunha apresenta o documentário “FEMININO CANGAÇO” dirigido por Lucas Viana e Manoel Neto, propõe uma reflexão crítica sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, seus costumes, crenças e dramas pessoais. Trata-se de melhor compreender a importância das mulheres na construção do que hoje entendemos como o fenômeno do cangaço e as destacar como sujeitos ativos desta história, mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e cuja força surpreende ainda nos dias atuais. Inscreva-se no canal do CEEC para acompanhar nossas próximas produções :

https://www.youtube.com/channel/UCw6t... FACEBOOK: https://www.facebook.com/ceecuneb/ TEL: (71) 3321-5081 Rua do Cabeça, n. 10 – Ed. Marquês de Abrantes, 8º Andar – Sala 812, Salvador-BA, Brasil. CEP:40060-230
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https://www.youtube.com/watch?v=wsTCQ7LOeds&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2dJgMCxJz-JX-bimoz4Em5pEYEmaUlzluUEp8l7oEu5toEpPw6G-9iKPM

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PAULISTA DE 13 ANOS SONHA EM CONSTRUIR UMA BIBLIOTECA DE CORDÉIS NO INTERIOR DE SÃO PAULO

Pedro do Cordel em apresentação de forró pé-de-serraFoto: Divulgação

Para concretizar o projeto, Pedro do Cordel realiza uma campanha de financiamento coletivo virtual.

"Quero vê plantação de apaixonados pela cultura nordestina!", este é o sonho do paulista Pedro Popoff, de 13 anos. Conhecido pelo nome artístico de Pedro do Cordel, o garoto já faz projetos de "gente grande" para alcançar a sua meta. A nova missão é a construção de uma Cordelteca em Bauru, interior de São Paulo.

Sem nenhuma referência familiar sobre o Nordeste, o garoto explica que o apreço pela cultura da região já estava "dentro dele" e a vê como sinônimo de cultura brasileira. Pedro ainda diz ser "muito grato" pois teve vasto aprendizado com o saberes nordestino. 

Aos 8 anos, o menino fez o seu projeto inicial, o Brincando Cordel, por meio do convite de uma escola na localidade de Bauru para fazer uma palestra sobre a cultura nordestina. Desde então, o paulista utiliza a literatura do cordel e o baião para disseminar o Nordeste entre as crianças. "Com toda essa trajetória do Brincando de Cordel, que vai fazer 5 anos, já atingiu 21 mil crianças. E surgiu alguns poetas e cordelistas", esclareceu Pedro. 



Para plantar mais sementes apaixonadas pela arte do nordeste, Pedro está com uma campanha de financiamento coletivo com o intuito de arrecadar a quantia de R$ 12.000,00 para a construção da Cordelteca, uma biblioteca de Cordel.

O pequeno cordelista explica que não tem patrocinadores e nem conta com leis de incentivo ou políticas públicas, mas "faz tudo com raça pra realizar esse sonho". Então, encontrou como solução para montagem da biblioteca a "vaquinha virtual". 

A Cordelteca ficará dentro do terreno da loja da família de Pedro. O espaço foi cedido pelos pais do garoto, que apoiam a causa e prestam apoio na campanha.

Multifacetado

Apesar da sua missão, Pedro é aplicado na escola. O garoto conta que sua rotina é dividida entre as aulas, tarefa de casa e cursos de dublagem e teatro. Depois das atividades, ele dedica seu tempo em estudar o cordel e as apresentações da banda de forró pé-de-serra. "Estudo em primeiro lugar! Se não der certo conciliar os projetos, vou para priorizar a escola", reforça o menino.

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=4978640161305268622#allposts/src=sidebar

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CARIRI CANGAÇO..10 ANOS..JUAZEIRO DO NORTE- CE. DE 24 A 28 DE JULHO..

Por Voltaseca


COLOQUE NA SUA PROGRAMAÇÃO E, VÁ ARRUMANDO A MALA.

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A CRUZ E O RIFLE, PADRE CÍCERO, LAMPIÃO E O PODER

Por Urbano Silva


Figuras emblemáticas do panorama social do nordeste, personagens envoltos em lendas, misticismos, folclore, fantasias e realidades das mais diversas, Cícero e Virgulino - o padre e o cangaceiro - estão alçados à condição de mitos nordestinos. Há três décadas juntando literatura, imagens e percorrendo cidades, bibliotecas e museus com o tema dos referidos personagens, gostaria de expor nesse artigo um extrato da visão que tenho sobre eles, moldado na imparcialidade, historiografia e vontade de compartilhar pesquisas.

Autores da grandeza de Nertan Macedo, Francisco Nóbrega, Pereira Gondim, Amália Xavier, Luitgarde Cavalcanti, Lira Neto e outros publicaram valiosos trabalhos sobre o tema. E claro, são referências universais de pesquisa. Um dos pontos nevrálgicos da biografia de Cícero, é o cruzamento da sua aura religiosa com a de líder político. Um dos autores atribui a ele a seguinte frase: o que Deus rejeita, o diabo não enjeita. Se a igreja não me quer, a política me convida.


Professor Urbano em participação no Cariri Cangaço em Juazeiro do Norte, 
no Horto do Padre Cícero

A base política do padre é sólida, formatada pela ambição do Floro Bartolomeu, médico e articulador político, que soube como ninguém ler a força do carisma do sacerdote, acrescentado doses de vaidades que os firmariam no poder social.


Em 1911 o padre funda a cidade de Juazeiro, em 1914 derruba o governador do Estado, em 1926 frente a frente estiveram Cícero e Lampião, projeto oriundo do Presidente da República Arthur Bernardes, via deputado federal Floro e o prestígio quase divino do padre, que assinou a convocação. Uma patente que não teve validade, mas rendeu frutos de armas e munições, matéria-prima valiosa para o vaidoso cangaceiro, capitão Virgulino Lampião! A missão? Abater a tiros Carlos Prestes, líder do comunismo que tanto incomoda os latifundiários e mais abastados.


Pesquisadores favorecem a tese de santificação do padre, a partir do robusto trabalho de acolhimento aos menos favorecidos. Mas esses mesmos estudiosos se omitem em aprofundar-se na revelação do perfil sacerdotal que moldou para si um pedestal e o sustentou no poder e suas benesses até os dias de hoje, 85 anos depois do seu falecimento. Política não é lugar para ingênuos, santinhos ou aprendizes de samaritanos. O padre lançou mão de um misticismo, estudioso que era a partir de sua vasta biblioteca, e esse misticismo iluminou a sua face religiosa, que reverberou em votos e força eleitoral. Inteligentíssimo, montou o seu próprio ministério, com pessoas dentro de sua própria residência, para que ele pudesse monitorar cada passo, cada palavra, cada ato dos seus auxiliares.

Floro Bartolomeu e Padre Cícero

Beata Mocinha, sua governanta, criada pelo padre desde os 11 anos de idade. Uma filha adotiva e obediente.
Maria de Araújo, a moça do fenômeno (não vejo como milagre) da hóstia, criada por familiares dele desde a infância, ela mesma se denominando “a noiva de Cristo” e a fantasia que expelia o sangue do próprio Jesus, interpretação sem nenhuma base teológica. Se era sangue humano? Ponto final, nenhuma relação com o Divino ser. Resume-se a um fenômeno biológico do próprio corpo, ou algo mais simplório. Foi espetacularizado e tomou dimensões inimagináveis de popularidade e santificação ou veneração popular. Atingiu plenamente os objetivos. Para a beata, significou sua sentença de polêmicas, castigos e morte. Para o padre, acusações e expulsão de sua própria igreja. Até o Papa soube.

Tereza, ex-escrava, residiu com o padre e foi serviçal até o fim dos dias.
Floro Bartolomeu, único da corte com curso superior, político maquiavélico, vaidoso, sedento de poder, manipulador, usou o carisma do padre e lhe formatou a identidade política. O carisma de um somado com a ambição do outro e ambos se beneficiaram das coisas boas do poder. Não há ingenuidades nessa relação.

Beata Maria de Araujo

Benjamin Abrão, mercenário, ambicioso, vaidoso, namorador, quantos detalhes e segredos da corte levou para a sepultura, e jamais saberemos? Como secretário do padre, falava em nome dele e o cargo lhe abriu todas as portas, até as confidências do destemido Rei do Cangaço, a quem fotografou, filmou e fez marketing de aspirinas e jornal. Ousadia da peste! Apresentado como “conterrâneo de Jesus” o que nunca foi, pois era libanês, território há centenas de quilômetros onde o Cristo nasceu...mas uma mentirinha assim, que mal faz? Impressionar os devotos era a primazia, e ninguém questionaria o padre, sua corte, nem se preocupariam com os detalhes geográficos.

José Teles Marrocos, o primo legítimo do padre, ex-seminarista, filho de um padre com uma beata, homem de uma cultura primorosa, professor, conhecedor de química (tipos sanguíneos, plasmas, glóbulos, hemácias, bicarbonato etc) era seu material de estudo e experimentações. Parente que vivia o dia a dia do primo famoso...e morreu subitamente, quando medicado de um diagnóstico banal, por dr. Floro Bartolomeu!

Lampião visitou o reino encantado do Juazeiro em março de 1926, história cheia de detalhes. E lá reuniu a família, dialogou com o padre (encontro histórico) e seguiu seu destino bandoleiro. Foi essa a única visita? Desconfio que não. Foi a única pública, é possível ter havido outras, afinal, o rei do cangaço tinha uma veneração pelo religioso e um débito de gratidão pelo acolhimento de seus familiares, como Maria Queiroz Ferreira, dona Mocinha, que faleceu aos 102 anos de idade, já no século XXI.

Lampião e a clássica fotografia ao lado da família por ocasião de sua visita 
a Juazeiro do Norte em Março de 1926

A causa política do sacerdote teve seu próprio exército recrutado por aventureiros dos sertões, numa variação de 450 até pouco mais de 1.000 homens. Força paramilitar, um crime aos olhos da lei, que o enquadraria como milícia armada nos dias de hoje. Sem estar em combates por causas políticas, eram esses mesmos homens que soltavam os rifles e punhais e empunhavam a cruz e os rosários, varando madrugadas em preces e ladainhas. Também compunham o exército de agricultores que davam “dias de serviços gratuitos” nas lavouras e engenhos do padre, produtor de excelentes rapaduras, distribuídas em vários estados nordestinos.

Casamentos, só com a análise prévia do sacerdote. Negros com brancos? Negativa na certa. Pobres com ricos? Nenhuma chance. Onde ficava o amor do casal? Embaixo da autoridade de Cícero, senhor absoluto no seu reino cearense.

Por mais impactante que seja, a revelação dos bastidores do poder, seja ele religioso, político, militar etc, é necessária para entendermos a psique que acontece quando vontades se tornam leis, opiniões são irredutíveis, dinheiro é identidade, e dominar vidas de súditos satisfaz tanto quanto se banquetear nas sombras do poder, geradoras de vaidades, autos satisfação e prestígio na forma de respeito, admiração e submissão dos pares que manipulam os destinos sociais.
Quando os súditos os adoram, os personagens transpõem os tempos.
Morre o homem, se eterniza o mito.

Viva a cultura nordestina!
Prof. José Urbano
Caruaru, Pernambuco
E vem aí
Cariri Cangaço
10 Anos
24 a 28 de Julho de 2019
CEARÁ

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CORONEL MANUEL ARRUDA DE ASSIS NOTAS SOBRE UM HOMEM VALENTE E CORAJOSO

(*) José Romero Araújo Cardoso
 Coronel Manuel Arruda de Assis

Impossível disfarçar minha admiração pelo saudoso Coronel Manuel Arruda de Assis, pois ouvi por anos e anos suas conversas interessantes, suas histórias fantásticas envolvendo revoltosos, cangaceiros e combates da guerra de Princesa, além do cotidiano militar e político- parlamentar, tendo em vista que o respeitado oficial paraibano foi prefeito em duas cidades - Pombal (PB) e São José de Piranhas (PB) - além de deputado estadual.

Sobre a passagem da coluna Prestes por Piancó (PB) no dia nove de fevereiro de 1926, Arruda dedicou muitas e muitas horas de prosa comigo, constituindo-se em uma das razões do infinito respeito que nutro pela memória do velho guerreiro das caatingas.

Arruda me contava que mais ou menos às seis e meia da manhã do dia nove de fevereiro de 1926 chegou a Piancó o Tenente Manuel Marinho em um caminhão, proveniente do segundo Batalhão da Polícia Militar, instalado pelo governo João Suassuna em Patos das Espinharas, devido ao ataque cangaceiro do dia 27 de julho de 1924 à cidade de Sousa. Em razão do deslocamento da Coluna Miguel Costa-Prestes, o Tenente trazia armas e munição, vindo acompanhado de cinco praças.

O então Sargento Manuel Arruda de Assis começou a distribuição das armas e da munição com os defensores dos piquetes de Piancó, os quais somavam quatro. Arruda transformou a casa do juiz de Piancó, Dr. Abdon Assis, em piquete, sendo que a referida residência estava localizada de frente ao Conselho Municipal, justamente na rua em que a Coluna Miguel Costa-Prestes penetrou. Os outros piquetes eram comandados pelos Tenentes Marinho e Benício, pelo Alfaiate Isidoro e por Francisco Lima, do lado sul, e o do Padre Aristides. Este último foi o que deu mais trabalho aos revoltosos, sendo o mais penalizado.

Proveniente do Boqueirão de Coremas, a Coluna Miguel Costa-Prestes foi intimidada por Arruda a barrar sua trajetória, pois gritando alto para pararem, provavelmente o jovem sargento despertou a arrogância dos oficiais que comandavam a vanguarda do grupo insurgente, confiantes, quem sabe, no expressivo número de componentes que, indubitavelmente, punha medo e respeito por onde passavam. Os revoltosos desafiavam tudo e a todos, razão pela qual a composição rebelde ficou conhecida como a "Coluna Invicta", tendo se internado na Bolívia com essa fama. 

Depois que os oficiais que comandavam a vanguarda da Coluna Miguel Costa-Prestes foram alvejados, mais ou menos às oito horas da manhã, se passaram uns vinte minutos para que o regimento militar insubordinado ao governo central desse o ar da graça. Quando apareceram, vieram com força total.

Arruda me contava que os comandantes dos revoltosos envolveram Piancó em forma de "U", pelo poente e pelo nascente, deixando apenas o rio descoberto. O recado da Coluna para que os defensores tivessem pensado antes de abater os oficiais da vanguarda foi dado através de chuva de balas cuspida de várias metralhadoras pesadas postadas estrategicamente em direção a Piancó.

Manuel Arruda de Assis, bravamente e com estoicismo inegável, lutou incansavelmente do piquete que comandava. Durante mais ou menos quatro horas, carregou e disparou as armas em seu poder talvez centenas de vezes. A intensidade do tiroteio vindo do piquete de Arruda impressionou os revoltosos da Coluna Miguel Costa-Prestes, pois a tradição dos lugares de onde provinham sabe valorizar bravos e corajosos, respeitando-os pela eternidade.

Coluna Miguel Costa–Prestes: Costa é o quarto sentado (esq. para dir.) 
e Prestes, o terceiro.

Vendo que a coisa ficava difícil a cada segundo, Arruda aproveitou que o lado do rio estava liberado para fugir o mais depressa possível, do mesmo jeito que fizeram seus tarimbados colegas da caserna. Arruda culpava a falta de experiência dos homens do Padre pela tragédia do barreiro sinistro, pois se houvesse alguém para instruir a furar a parede da casa e tomarem o mesmo rumo que ele e os outros militares tomaram, talvez a desgraça da hecatombe de Piancó não tivesse acontecido.

Arruda mergulhou no rio Piancó, que por sorte estava com água na ocasião, saindo distante do local em que mergulhou. Assim conseguiu escapar à fúria ensandecida dos "revolucionários" que transformavam Piancó em um desmantelo ao cubo.

Talvez pura ilusão de Arruda, pois o ódio devotado pela Coluna Miguel Costa-Prestes aos defensores do piquete do Padre Aristides seja a resposta para o sucesso da fuga dos integrantes dos outros pontos de defesa.

Padre Aristides e sua gente resistiram por mais meia hora após a fuga de Arruda e dos demais que conseguiram escapar da ira dos militares ensandecidos pela perda do valente oficial rebelde a quem foi confiado o comando da vanguarda da Coluna insurrecta.

Arruda dizia que conseguiram escapar do "girau" em que se transformou o piquete comandado pelo Padre Aristides Ferreira da Cruz apenas uma criada, duas crianças e um defensor chamado João Monteiro.

Quando da primeira campanha de Leonel Brizola para a presidência do Brasil, no primeiro turno, Luiz Carlos Prestes esteve em campanha por João Pessoa, pois apoiava o político gaúcho. O advogado e escritor Severino Coelho Viana dedicou a Prestes exemplar do livro "A vida do Coronel Arruda, Cangaceirisimo e Coluna Prestes". Ao lado de Severino Coelho, fiquei impressionado quando o "Cavaleiro da Esperança" exclamou com entusiasmo:

"Arruda????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Esse foi um dos mais valentes e corajosos combatentes que enfrentamos na marcha da Coluna!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!". 

(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo (UFPB). Professor-adjunto do Departamento de Geografia do Campus Central da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA - UERN).

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