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domingo, 10 de fevereiro de 2019

MARCOS DE RELIGIOSIDADE NO CAMINHO DE LAMPIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE

Jornal Tribuna do Norte.
Em 2010, em alternadas viagens,  estive percorrendo pela primeira os cenários da passagem do bando de Lampião no oeste potiguar, fato que ocorreu entre os dias 10 e 14 de junho de 1927.
Segui principalmente por áreas rurais desde a cidade de Luís Gomes, tendo como ponto focal Mossoró e finalizando em Baraúna. Percorri esse caminho originalmente palmilhado por estes cangaceiros como parte de uma consultoria que prestei ao SEBRAE, no âmbito do projeto Território Sertão do Apodi – Nas Pegadas de Lampião. Parte desse trajeto, que também focava em questões da espeleologia da região, percorri junto com Sólon Almeida.
Para traçar essa rota, além das obras escritas sobre a história da passagem do bando de Lampião pelo Rio Grande de Norte, fiz uso de materiais históricos existentes nos arquivos do Rio Grande do Norte, Paraíba e de Pernambuco e a bibliografia existente, com destaque ao livro do amigo Sérgio Augusto de Souza Dantas, autor de Lampião e a grande Jornada – A história da grande jornada.
Foram percorridos muitos quilômetros, onde visitamos vários sítios, fazendas, comunidades e cidades. Foram entrevistadas 123 pessoas e obtidas mais de 2.000 fotos. Em grande parte deste trajeto, a motocicleta se mostrou um aliado muito mais eficiente para se alcançar estes distantes locais.
Um dos fatos mais interessantes foi o surgimento de marcos de religiosidades ligados aqueles dias tumultuosos de 1927.
Cruzeiros marcando locais de acontecimentos intensos, capelas edificadas como promessas pela salvação de pessoas ante a passagem dos cangaceiros, o caso da utilização de uma igreja por parte dos cangaceiros. Além desses fatos temos a controversa situação envolvendo o túmulo do cangaceiro Jararaca na cidade de Mossoró.
Ao longo dos anos eu tive a grata oportunidade de realizar esse caminho em quatro outras ocasiões, sendo o mais importante em 2015, para a realização de um documentário de longa metragem denominado Chapéu Estrelado, dirigido pelo mineiro radicado no Rio de Janeiro Silvio Coutinho e produção executiva de Iapery Araújo.
Esses foram os locais mais interessantes ligados a esse tema e seus respectivos municípios.
MARCELINO VIEIRA 
A área próxima à sede do atual município de Marcelino Vieira é repleta de lembranças e marcos que mantém vivo na memória da população local os fatos ocorridos naquela longínqua sexta-feira, 10 de junho de 1927.
Cruz em homenagem ao soldado Matos.
Sítio Caiçara e a “Missa do Soldado” – Nesse local ocorreu um combate onde morreram o soldado José Monteiro de Matos e o cangaceiro Patrício de Souza, o Azulão.
Percebemos nitidamente que para as pessoas que habitam a região, os fatos mais marcantes em termos de memória estão relacionados ao combate conhecido como “Fogo da Caiçara” e a valente postura do soldado José Monteiro de Matos. Não foi surpresa que membros da comunidade local, no dia 10 de junho de 1928, apenas um ano após o combate na região da Caiçara, decidissem realizar, uma missa em honra a memória do valente militar.
Igrejinha onde é rezada a “Missa do Soldado”.
Segundo pessoas da comunidade do Junco, as margens do açude da Caiçara, de forma espontânea e apoiadas pelas lideranças locais, os mais antigos moradores deram início a um ato religioso. No começo ele ocorria no mesmo ponto onde se desenrolou o combate. Segundo pessoas entrevistadas na região, o evento sempre atraiu um número considerável de pessoas, passando a ser conhecida como “A Missa do soldado”. Com o passar do tempo à missa transformando-se em uma das mais importantes tradições religiosas de Marcelino Vieira.
ANTÔNIO MARTINS – ZONA RURAL
Fazenda Caricé – a fazenda Caricé estava no roteiro de destruição dos cangaceiros. Caminho lógico para quem seguia em direção norte, no caminho a Mossoró, a fazenda pertencia ao pecuarista Marcelino Vieira da Costa. Este era um paraibano que prosperou com a criação de gado e tornou-se tradicional líder político. Faleceu em dezembro de 1938 e seu nome batiza atualmente a cidade onde decidiu viver.
Capela em honra a Jesus, Maria e José, no sítio Caricé, erguida como promessa pela salvação da família do Coronel Marcelino Vieira das garras do bando de cangaceiros de Lampião
Ao saber da aproximação do bando do cangaceiro Lampião, o fazendeiro Marcelino Vieira decidiu dormir em uma área onde existia um canavial, próximo ao açude da fazenda. A chegada do grupo, insuflados por supostas contas a acertar do temível cangaceiro Massilon Leite com a família Vieira, produziu um saque que resultou em um prejuízo no valor de um conto e duzentos mil réis. Os celerados deixaram o lugar antes do meio-dia.
Da velha sede da fazenda Caricé nada mais resta, mas por lá encontramos uma pequena capela.
Interior da capelinha.
Quando a família Vieira e seus empregados estavam no canavial, em dado momento alguns cangaceiros chegaram a se aproximar do esconderijo. Diante do que poderia acontecer, com muito medo, a filha do fazendeiro, rogou intensamente aos céus que os bandoleiros se afastassem.
Vista noturna da capela do Caricé.
Caso isto se concretizasse, ela e sua família tratariam de erguer uma ermida em honra ao poder de Jesus, Maria e José. Pouco tempo as imagens foram adquiridas ainda em 1927, tendo sido trazidas da Bahia e que a primeira missa rezada no local foi verdadeiramente suntuosa.  O templo já apresenta sinais de abandono, com algumas telhas caindo, mas a estrutura ainda se mantém em grande parte firme.
Serra da Veneza.
Capelinha da Serra da Veneza – Uma interessante situação relativa à memória da passagem do bando nessa região ocorreu na região da Serra da Veneza, na fronteira de Antônio Martins com o vizinho município de Pilões. Nessa elevação granítica, que segundo o mapa da SUDENE chega a atingir a altitude de 555 metros, existe uma capela edificada em razão do medo provocado pela passagem do bando.
Quando Lampião e seu bando se aproximavam, em meio às terríveis notícias, três fazendeiros da região procuraram refúgio junto às rochas da base desta elevação. Essas famílias solicitaram junto ao mesmo santo, São Sebastião, que os protegessem contra a ação dos cangaceiros. E o mais interessante, mesmo sem se combinarem, as três famílias elegeram a mesma penitência; caso nada de negativo ocorresse a eles e as suas famílias, cada um deles teria de galgar a Serra da Veneza, erguer um oratório e ali depositar uma imagem em honra ao santo.
Capelinha da Serra da Veneza.
Lampião passou sem acontecer problemas a essas pessoas. Logo os fazendeiros e seus familiares foram a Vila de Boa Esperança, como muitos moradores da região, para agradecer na capela de Santo Antônio pelo fato de nada de pior haver ocorrido. Nesse local as três famílias se encontraram e ao debaterem sobre os fatos vividos, para surpresa de todos os presentes, compreenderam que havia ocorrido uma interseção divina com relação a eles terem tido as mesmas ideias e os mesmos pensamentos de penitência. Em pouco tempo eles adquiriam conjuntamente uma pequena imagem de São Sebastião e logo galgavam a Serra da Veneza para unidos edificarem um pequeno oratório. A ação dos três fazendeiros e as estranhas coincidências chamaram a atenção das pessoas na região e logo outros penitentes subiam a serra para pagar promessas. Em pouco tempo teve início uma procissão e não demorou muito para que o pároco local também viesse participar. Com o passar do tempo começou a ocorrer a participação de pessoas de outros municípios. Em 1948, vinte e um anos após a passagem do bando e do pretenso milagre, treze famílias deram início a construção da atual capela, em meio a uma intensa confraternização.
A cada dia 20 de janeiro, inúmeros ex-votos são colocados como pagamento de promessas, velas são acesas e fiéis de vários municípios vêm participar subindo a serra.
ANTÔNIO MARTINS- ZONA URBANA
Cangaceiros na Capela de Santo Antônio – O período da chegada dos cangaceiros, no dia 11 de junho de 1927, na então pequena comunidade de Boa Esperança, atual Antônio Martins, coincidiu com as celebrações da festa de Santo Antônio, o padroeiro local. De certa maneira essa situação de comemoração e alegria do povo, serviram para a rápida ocupação do lugarejo e a sua total capitulação diante da cavalaria de cangaceiros.
A capela de Santo Antônio era o principal local em Boa Esperança para realização dos festejos relativos ao padroeiro local. Nessa festa é tradicional a realização das chamadas “trezenas”, onde durante treze dias anteriores ao dia 13 de junho, a data consagrada a Santo Antônio, ininterruptamente são realizadas missas, orações de grupos de pessoas com terços nas mãos, cantos de benditos, encontros e outras participações da comunidade neste templo cristão. Quando o bando chegou, haviam algumas pessoas reunidas no local e um grupo de cangaceiros, visivelmente embriagados, proibiu a saída dos fiéis do local. Essas pessoas assistiram horrorizadas de dentro da capela o suplício de um habitante local, o jovem Vicente Lira, que apunhalado e sangrando abundantemente, era obrigado a engolir talagadas de cachaça. Mesmo em meio a essa cena de terror, diante da igreja aberta e engalanada, soubemos que alguns cangaceiros adentraram o local, se ajoelharam, se benzeram e saíram sem perturbar os atônitos presentes. Na saída soltaram Vicente Lira.
Durante todo nosso percurso, esta foi a única informação de que alguns cangaceiros do bando de Lampião, teriam adentrado um templo religioso católico em todo Rio Grande do Norte.
LUCRÉCIA
Fazenda Castelo.
Capela da Fazenda Castelo – Após a saída de Frutuosos Gomes, na zona urbana do município de Lucrécia, as margens da RN-072, soubemos que o bando realizou a invasão da fazenda Castelo, propriedade tida como a mais importante da antiga localidade. No terreno ao lado da sede da fazenda Castelo se encontra uma bem preservada capelinha dedicada a Nossa Senhora da Guia. Entretanto, ao buscarmos contato com as pessoas mais idosas em busca da história da capela, não foi possível um esclarecimento mais exato sobre quem a construiu e se essa construção tem alguma relação com a passagem do bando de Lampião, como no caso da ermida da fazenda Caricé. Houve pessoas que indicaram que a construção foi consequência de uma promessa pela salvação dos proprietários locais junto a passagem dos cangaceiros, outros indicaram que ela seria anterior a 1927 e outros apontaram que ela seria posterior a essa data. 
Capela da fazenda Castelo, Lucrécia, Rio Grande do Norte.
Foi perceptível a necessidade de ampliar as pesquisas sobre o local.
A Cruz dos Canelas – Depois de passarem por Lucrécia, os cangaceiros atacaram uma propriedade rural e sequestraram um fazendeiro bastante conhecido e querido na região. A notícia se espalhou entre vários parentes e amigos e logo um grupo decide com extrema coragem sair em busca do povoado de Gavião, atual cidade de Umarizal, onde pudessem levantar a quantia estipulada por Lampião para soltar o popular fazendeiro.
Sítio Serrota dos Leites, de onde foi sequestrado o fazendeiro Egídio Dias.
O grupo era pequeno, com um número que aparentemente chega a quatorze e só quatro deles, membros de uma família conhecido como “Canelas”, eram os únicos que os pesquisadores do assunto apontam como possuidores de armas de fogo com alguma potência. Esse grupo conhecia os caminhos e provavelmente confiaram no fato de ser período de lua cheia. Onde essa condição facilitaria o trajeto.
Enquanto se desenrolava esta situação, na região do sítio Caboré, cansados pelo deslocamento, esgotado pelas ações e pelo consumo de bebidas, o bando de cangaceiros decidiu descansar nas terras do Caboré. Por volta das três da manhã o grupo de amigos chegou ao Caboré em busca de informações. Não sabiam que um cangaceiro, facilitado pelo luar, vigiava os movimentos do grupo. No local conhecido como “Serrote da Jurema” foi armada uma emboscada pelo bando de experientes combatentes. Logo abriram fogo contra a incipiente tropa e três deles tombaram e o resto fugiu em franca debandada. Segundo os laudos cadavéricos a vingança do bando de Lampião nos corpos dos amigos do fazendeiro sequestrado foi terrível.
Cruz dos Três Heróis, ou Cruz dos Canelas.
Apesar de todo empenho em buscar ajudar o amigo detido, o que o grupo de resgate não sabia era que a sua ação era totalmente inútil. Algum tempo antes, no bivaque armado pelos bandidos, em meio ao cansaço generalizado da tropa de Lampião, o sequestrado conseguiu fugir para o meio do mato.
Atualmente, as margens da rodovia estadual RN-072, na comunidade Caboré, se encontra uma cruz conhecido como “A cruz dos três heróis”, aonde o povo de Lucrécia e da região vêm homenagear àqueles que agora são conhecidos apenas como “Os Canelas”, ou os “Heróis de Caboré”. No local muitos rezam e pagam promessas e acendem velas em honra desses homens.
MOSSORÓ
Caso da Igreja de São Vicente de Paula e a questão do túmulo do Cangaceiro Jararaca.
A notícia de que Lampião avançava na direção de Mossoró chegou aos ouvidos dos moradores de Mossoró em abril de 1927. À época, a Capital do Oeste Potiguar, como seus habitantes ainda gostam de intitulá-la, já era um dos municípios mais importantes do interior nordestino. Com 20 mil habitantes, localizada no meio do caminho entre duas capitais – Natal e Fortaleza –, em nada se assemelhava às pequenas cidades onde Lampião e seu bando atacava e saqueava o comércio.

Igreja de São Vicente de Paula, em Mossoró.
No dia 13 de junho de  1927, após dizer não a Lampião, que cobrou 400 contos de reis (em moeda da época 400  milhões de reis – atualmente uns 20 milhões de reais) para não invadir a cidade, começava um tiroteio entre moradores da cidade e os cangaceiros. A igreja de São Vicente de Paula foi o local principal da resistência. Lampião costumava dizer que “cidade com mais de uma torre de igreja não é lugar para cangaceiro”. Não se tratava de superstição, mas de raciocínio lógico – municípios com tal característica eram maiores e, portanto, mais difíceis de dominar. Os ocupantes das trincheiras no alto da Igreja de São Vicente e da casa do intendente tinham visão privilegiada do avanço das tropas. Tão logo o grupo surgiu no horizonte, iniciaram-se os disparos. Os cangaceiros, acostumados a desfilar nos povoados sem serem incomodados, foram surpreendidos. 
Findando com a expulsão dos cangaceiros, a morte de alguns deles e a prisão do temível José Leite de Santana, vulgo Jararaca, enterrado vivo no cemitério da cidade, após cavar sua própria cova.
Túmulo do cangaceiro Jararaca.
A Jararaca é atribuída todas as crueldades. A mais famosa consistia em arremessar crianças para o alto e apará-las com a ponta do punhal. Trespassados pela lâmina, garotinhos leves o bastante para serem lançados na direção do sol morriam lenta e dolorosamente, em meio aos gritos dos pais – e às gargalhadas do cangaceiro.
O interessante é que hoje é visto como santo pelo povo, devido a crueldade com que foi morto. Recebendo o seu túmulo visita de milhares de pessoas em dias de finado e ao longo de todo ano. Na verdade mais prestigiado que o túmulo de muitos políticos famosos da cidade, enterrados no mesmo cemitério e esquecidos de todos. Mostrando que nem sempre o séquito que em vida rodeia os poderosos permanece uma vez morto. Ironicamente ao contrário do cangaceiro.
Túmulo de Rodolfo Fernandes.
O famoso chefe cangaceiro deveria ter pensado duas vezes antes de tentar invadir e ser expulso de forma humilhante, assim historicamente a cidade ligou seu nome ao famoso personagem Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Anualmente, em frente  à igreja que funcionou como trincheira é encenada um musical chamado: Chuva de bala no país de Mossoró, que remonta todo o fato histórico e mantém viva a memória.
Os heróis da resistência de Mossoró, de toda forma foram bravos sim!
Mas por que o santificado é um cangaceiro e não um dos resistentes?
Por  que não santificaram o prefeito de Mossoró que liderou a resistência?  Por que as fotos dos heróis da resistência são tão pequenas e a dos cangaceiros estão expostos em painéis enormes? Parece até que o povo de Mossoró não se identificou muito com os heróis da resistência!
Memorial da Resistência.
A história por trás do túmulo de Jararaca se confunde muito com o misticismo, com a conduta cultural de um povo. Jararaca apenas foi consagrado, por conta de sua bravura. O povo sempre busca o menor para enaltecê-lo. É perceptível essa situação no próprio cemitério, quando o túmulo de Rodolfo Fernandes não recebe o mesmo número de visitas correspondentes ao túmulo onde está Jararaca.
Fonte sobre o túmulo de Jararaca – Valdecy Alves, “MOSSORÓ EXPULSOU O BANDO DE LAMPIÃO A BALA – DISSE NÃO À EXTORSÃO DO CANGACEIRO – UM GRANDE FATO NA HISTÓRIA DO NORDESTE – FATOS E FOTOS!” – http://valdecyalves.blogspot.com/2011/12/mossoro-expulsou-o-bando-de-lampiao.html
Extraído do blog do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros - https://tokdehistoria.com.br/
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OS TOP's DO SERTANEJO MIRIM


Edinho Violeiro

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O SUPLÍCIO DE MANOEL SALINA


Por Sálvio Siqueira
DA ESQUERDA PARA DIREITA: LAMPIÃO, PONTO FINO, MODERNO, LUIZ PEDRO, MARIANO, CORISCO, MERGULHÃO E ARVOREDO.
PS// Sujeita retificação a identificação.
LEMBREMOS QUE DOIS DESSES, NA FAMOSA FOTO NA VILA DE POMBAL, BA, JÁ ESTAVAM LÁ E NÃO ATRAVESSARAM O RIO SÃO FRANCISCO COM LAMPIÃO. SÃO ELES, CORISCO E ARVOREDO QUE, NA ÉPOCA, JÁ AGIAM NAQUELA REGIÃO, EM ALAGOAS E EM SERGIPE.


Após as duras perdas do apoio paraibano, mais as perseguições incansáveis dos nazarenos no Pajeú das Flores, interior pernambucano e, como ponto culminante, a grande derrota em terras potiguares, Lampião vai perdendo ‘terreno’ nesses quatro Estados nordestinos, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Ele sobrevive sob o apoio da gigantesca malha de colaboradores, arquitetada por ele mesmo dentro de toda faixa social da época. Dentre essa, há os grandes, médios e pequenos fornecedores, os que fornecem coito, e, aqueles que servem de ‘vigias’ para darem informação corretas e incorretas. As corretas são dirigidas ao chefe cangaceiro e, as incorretas, repassadas aos comandantes da Força Pública, retirando estes do encalço do bandoleiro. Ainda há aquele rede da malha que servem mantimentos, munição e armas. Essa corrente, quando quebrada algum elo, causa um grande prejuízo material e até mesmo humano, de vidas, dentro da máquina mortífera construída pelo “Rei do Cangaço”.

LAMPIÃO PAGANDO A UM COITEIRO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. - AO FUNDO, VEMOS O CANGACEIRO JURITI, E SENTADO, O CANGACEIRO SABONETE.

Seu bando, que outrora fora composto por até cem homens, está reduzido a cinco "cabras", quando o mesmo resolve mudar de 'ares'. Atravessando as águas do “Velho Chico”, Lampião, acompanhado pelos cangaceiros Ponto Fino, Moderno, Luiz Pedro, Mariano e Mergulhão, chegam em território baiano. E logo, ao pequeno grupo, juntam-se os cangaceiros Corisco e Arvoredo. Daí por diante, começam a implantar seu terrorismo naquelas terras. Depois de um pequeno intervalo em suas incursões para extorquir, roubar e matar pessoas, Lampião reaparece e centraliza suas atividades em outros três Estados da Região Nordeste: Alagoas, Bahia e Sergipe. Ele, porém, não deixa de todo alguma atuação dentro do território da sua terra natal, Pernambuco, mesmo que, em várias vezes, use algum de seus subchefes.

Uma das coisas que poderiam ter dado fim, desde o princípio da sua saga, ao “Rei Vesgo”, era a traição. Alguém ter ‘dedurado’ seus lugares de ‘apoio’. Isso ele não perdoaria de maneira alguma, pois colocava sua vida em risco.

No princípio dos anos 1930, nas imediações da cidade baiana de Jeremoabo, um cidadão chamado Manoel Salinas, tendo visto Lampião e seu bando sempre passar por suas terras, indo em direção a coitos naquela ribeira, corre até a cidade, QG das volantes na época, e conta para as autoridades o que viu. Erro muito grave, pois, o chefe cangaceiro já tinha espalhado uma grande e firme malha de informantes naquela região. Sabedor do que andava fazendo Manoel Salinas, Lampião manda-lhe um bilhete advertindo-o do erro que cometia, colocando ele e seu grupo em perigo. Mesmo após ter sido 'avisado' o homem continua a bater com a língua nos dentes...

Ele era um alcaguete tão ferrenho que o próprio comandante tenente Zé Rufino, maior matador de cangaceiros, ao falar sobre o mesmo, em entrevista, cita que “Manoel Salina tinha brasa na língua e precisava falar para ventilar e aliviar sua boca”.(“De Virgulino a Lampião”- 2ª edição - Vera Ferreira e Antônio Amaury).

Salina, sabedor do que poderia acontecer a ele e sua família, muda-se para cidade. As coisas por lá começam a ficar difíceis e, tendo plantado um roçado de mandioca, convida várias pessoas para irem fazerem uma farinhada.

Lampião após ter mando avisar o roceiro, coloca um espião para ficar de olho nele na cidade QG das volantes baianas.

O coiteiro/espião descobre que Manoel já tem data marcada para ir à farinhada e quantas pessoas irão participar. Além da família, filhos e filhas, a família Batatas e um amigo chamado João Grande, iriam fazer parte dos trabalhadores. Tudo isso é repassado para o chefe mor do cangaço que, a partir daí, monta um plano para pegar e dar uma dura lição no patriarca da família Salina.

Na data marcada, todos chegam cedinho no sítio "Almesca", distando três léguas, 18 quilômetros, da cidade. Cada um vai cuidar dos afazeres. Arrancam a mandioca, acendem o fogo e o sol já está alto quando, de repente, verem-se cercados por um bando de cangaceiros. Era o Capitão Lampião e sua ‘gente’.

A coisa foi meio apressada. Prendem todos, amontoadamente, e de cara, a queima roupa, assassinam “João Grande, Cirilo Batata, Antônio Batata e Boa Batata”. (AA. 2009).

Após executarem essas quatro pessoas, que nada tinham haver com o caso, voltam-se para os que sobraram vivos, os da família Salina. Lampião ordena que peguem um dos filhos de Manoel Salina e amarre o mesmo ao pai, em pé. Quando estão amarrados pai e filho, executam o filho. Ao receber o tiro fatal, o corpo do filho cai espontaneamente levando consigo o pai vivo, para o chão.


Rapidamente, desamarram o pai do corpo do filho e o colocam novamente em pé amarrando o segundo filho a ele. Como no primeiro, o segundo é executado e o corpo do filho leva o corpo do pai vivo, novamente, para o chão batido do terreiro da casa de farinha. Assim procedem, também, com o terceiro filho daquele pobre pai.

Nesse interim, um outro filho de Manoel Salina, estava em cima da casa de farinha, quebrando as telhas da mesma, cumprindo uma ordem do “Rei do Cangaço”. Esse filho de Manoel chamava-se Fabiano, mas, por todos era conhecido pela alcunha de “Paizinho”. Paizinho, sabedor do seu destino, começa a quebrar as telhas rapidamente e, de supetão, chega do outro lado do telhado, salta do mesmo, entra no mato e, pernas pra que te quero... Saí em uma carreira disparada e só pára quando chega a Jeremoabo. Imediatamente vai ao quartel e relata o que está acontecendo com sua família no sítio de seu pai. O comandante em serviço não arreda o pé de onde está e só no dia seguinte é que vai com uma tropa ao local.

No sítio, o suplício de Manoel Salina continua. Os cabras de Lampião quebram todos os dentes dele, arrancam suas unhas com a ponta do punhal, vazam um de seus olhos e o castram. Depois dessa infernal tortura, ele é colocado no lombo de um cavalo, sem sela, e é obrigado a cavalgar, dizendo onde mora seu quarto filho, e servindo de guia. Lá chegando, Lampião, após fazê-lo descer da montaria, o obriga a chamar seu filho. O pai grita, chamando o filho, ‘Ulisses!’

Reconhecendo a voz do pai, mesmo que um tanto diferente, o filho abre a porta e é abatido a tiros. 

Depois de padecer tudo isso, Manoel Salina é assassinado por Lampião... Na fazenda Bandeira, onde morava seu filho Ulisses, nas quebradas do sertão baiano.

Fonte Ob. Ct.
Foto portaldocangaco.com
Benjamin Abrahão (fotofilme)
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A 92 ANOS DIA 5 DE FEVEREIRO DE 1927

Por Virgolino Ferreira da Silva
A foto, mostra o local onde está enterrado o cangaceiro, com os netos e sobrinho de Domingos Nogueira

Depoimento do saudoso João Gomes de Lira tenente reformado da polícia de Pernambuco, João Gomes de Lira, fazia parte da temível força volante de Nazaré do Pico que durantes anos, perseguiu e combateu Lampião e grupo. 

Na sua obra com o título "Memorias de um Ex-Soldado da Volante", pag, 366, João Gomes de Lira diz: 


"No dia 5 de fevereiro de 1927, à frente de oitenta e oito cangaceiros Lampião apareceu no lugar Riacho Pequeno, no município de Belém do São Francisco-PE. O sub-delegado Domingos Nogueira e três companheiros, os emboscaram, fazendo fogo nos últimos cangaceiros que viajavam no coice do grupo, resultando na morte do corneteiro de Lampião e ferimento na perna de outro cabra. 

Foi este o segundo corneteiro que Lampião perdeu. O viajava a cavalo em direção ao município de Floresta. No lugar Carnaíba, deixaram os animais e internaram-se nas caatingas, ficando as Forças que marchavam em perseguição, bobando sem saber o destino do grupo. Pelo ato de bravura foi o sub-delegado Domingos Nogueira, incluído na Força Publica como Cabo". 

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VIDE VIDA MARVADA ROLANDO BOLDRIN (LEGENDADO)

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VIDE VIDA MARVADA ROLANDO BOLDRIN (LEGENDADO)
Publicado em 6 de fev de 2010
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MOMENTOS INESQUECÍVEIS


Ana Lúcia, Lili e Wescley Rodrigues

Querido Manoel Severo , mais uma vez vivi momentos de verdadeira felicidades neste ano de 2013; sob seu comando e na companhia dos nossos amigos no inesquecível Cariri Cangaço 2013 em setembro, aí no Ceará.

 A família Cariri Cangaço está repleta de momentos indescritíveis . O Cariri Cangaço é tudo de bom é a família que tenho no nordeste.
Você sempre muito atencioso com todos e sempre com um sorriso cativante que trazemos com muitas saudades. 
Obrigada por sempre lembrar dessa sertaneja caipira. 
Sou uma saudade única .

Quero mandar meu abraço de feliz 2014 a toda família Cariri Cangaço e que muitos outros momentos possamos ter para reviver a verdadeira história de nosso amado nordeste, Grande abraço da sua admiradora .EmojiEmoji 
Lili  CangaceiraEmoji 

Neli Conceição é filha do casal de cangaceiros, Moreno e Durvinha.

http://cariricangaco.blogspot.com/2013/

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FOTOS QUE AINDA CHOCAM

O que sobrou de Manuel Moreno, sua esposaÁurea e o cabra Gorgulho
  

Subgrupo de Lampião eliminado enquanto festejavam  na Fazenda Poço da Volta, em Porto da Folha/SE. Foram executados pela volante baiana do Sargento Odilon Flor, a 23 de junho de 1937, durante as festas de São João.

Fonte: Livro Guerreiros do Sol, Frederico Pernambucano de Mello.

Créditos:
Ivanildo Alves  da  Silveira
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC e do CARIRI-CANGAÇO
Natal / RN

http://lampiaoaceso.blogspot.com/search/label/Gorgulho

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Jornal da Tarde (O ESTADO DE SÃO PAULO) – 30/07/1973

O desagravo de Capela - 1930
Por: Claudio Bojunga

Eles tinham provocado muito e agora Capela estava preparada. O velho Mano Rocha ia tirar sua forra. Havia ainda homens valentes, como o major Honorino, Dudu aleijado, Turrão, gente capaz de enfrentar Lampião, Corisco, Carrasco, Moita Brava, Balão, Baliza, Nevoeiro, Pancada e quantos viessem. E eles vinham. Lampião disse que Capela tinha roubado, quer dizer deixado de lhe dar o dinheiro que havia pedido da primeira vez. Agora ia arrasá-la. Mano Rocha duvidava.

Foto de Josenildo Tenório

Virgolino pediu doze contos. Tinha gente disposta a dar. Mano disse que tinha que passar em cima de seu cadáver e depois enterrá-lo num cemitério da UDN (gente da UDN não aceitava ser enterrado em cemitério PSD). Os amigos deram força. Turrão, o finado Ivo, o finado Galileu, Aurélio Alves. Major Honorino comandou um grupo. Havia um terceiro. Lampião trazia reféns. Major Félix era um deles. “Fomos para cima da igreja”. Quem fala é o Mano Rocha – macho de verdade.

E a fuzilaria começou. No canto da praça os cangaceiros ficaram atocaiados. Bala neles. Uns correram, outros ficaram, ninguém caiu: a grande vítima do seu segundo ataque a Capela foi um piano de cauda. Os cangaceiros, quando viram bala vindo da igreja da Purificação, saíram berrando que os santos estavam atirando neles. Pelo menos é o que diz Mano. Já Balão, que estava no cerco, confirma que aquele sangue correndo na cerca fora da cidade e que nenhum dos personagens de Capela soube explicar, era do cangaceiro Gato, alvejado nos peitos. Tinham que tratar dele – cabra bravo. Corisco recuou. Gato teve que colocar muita pimenta na ferida, mas acabou recuperando. 

Mano Rocha e major Honorino tinham lavado a honra da Capela.

ZÓZIMO LIMA, a respeito - Gazeta de Sergipe, 12/04/1969

Jornalista Zózimo Lima
Acervo de Zózimo Lima Filho
“Nos livros escritos sobre Lampião, a começar pelo do Ranulfo Prata, até os de Eduardo Barbosa, Nertan Macedo, Joaquim Góis há manifesta injustiça.

Neles não consta o nome do major Honorino Leal, uma das principais figuras entre os que combateram Lampião, na segunda investida contra a Capela, a 16 de outubro de 1930.

Pois foi Honorino Leal que, de fuzil em punho, ao lado do sargento de polícia Saturnino, em fuga, na praça do Cemitério ofereceu tenaz resistência aos nove cangaceiros que tentavam penetrar no centro da cidade, trazendo, como reféns, os senhores Felix da Mota Cabral, do engenho Pau Seco, José Cabral Filho, do engenho Pedras, José Xavier de Andrade, do engenho Lavagem e mais Jocundino Calazans e Manuel de Melo Cabral Filho.

Honorino Leal animou o grupo, diante da audácia dos bandidos, postados a poucos metros de distância, a manter firme a resistência, fazendo-os recuar para outra direção, além da chamada rua do 'Lá Vem Um'.

É imperdoável a omissão do nome de Honorino Leal, que recusou, com padre Juca, a proposta feita pelo bandido, por intermédio do refém Felix Cabral, de entrar pacificamente na cidade pela segunda vez, como o fizera da primeira, um ano antes.

E o tiroteio foi cerrado, partindo tiros até das torres da Matriz, fazendo com que os bandoleiros recuassem.

É de justiça que futuros historiadores da incursão trágica de Virgolino Lampião, corrijam, nos seus livros, os enganos e a missão do nome do major Honorino, verdadeiro herói, como outros capelenses, na luta para que a cidade ameaçada não fosse entregue ao saque e ao assassínio por aqueles monstruosos criminosos.

Deverá ter algum valor o meu testemunho, porque lá me encontrava nas duas vezes que Lampião esteve na Capela. A primeira, pacificamente; a segunda, com propósito de satisfazer os seus instintos sanguinários. Fui, até, quando da primeira visita do bandido, ameaçado pelo mesmo de ser degolado, caso transmitisse, pelo telégrafo, do qual eu era o chefe, a sua estada no momento, ali.”

Créditos para Antônio Correa Sobrinho

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