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sexta-feira, 11 de junho de 2021

MORTE DE JOÃO PESSOA: 90 ANOS DO CRIME QUE MARCOU A PARAÍBA E MUDOU A POLÍTICA NO BRASIL

 Por André Resende, G1 PB

O corpo de João Pessoa embalsamado peregrinou pelas capitais do país — Foto: Arquivo Pessoal/Eduardo Cavalcanti

O maior fato político da Paraíba no Século XX, também considerado um dos mais importantes do Brasil pelo menos na primeira metade do século passado: a morte de João Pessoa, então presidente da Paraíba, completa 90 anos neste domingo (26). O assassinato que eternizou o nome do político na capital da Paraíba e o luto na bandeira do estado foi o episódio fatídico que mudou os rumos políticos do Brasil, decretando o fim do período da República Velha e alçando Getúlio Vargas ao poder.

Crime passional ou homicídio por razões políticas? Embora haja um acirramento de narrativas para contar as versões do fato, o professor da UFCG José Luciano de Queiroz Aires, doutor em História pela UFPE e autor do livro “A Fabricação do Mito João Pessoa: Batalhas de Memórias na Paraíba (1930-1945)”, propõe uma explicação científica para o assassinato do governador da Paraíba em 26 de julho de 1930 pelo advogado João Dantas, no Recife, como um misto das duas versões totalizantes.

O professor e escritor afirma que sem a morte de João Pessoa, e o tratamento político que foi dado a ela, com a peregrinação do corpo do presidente da Paraíba por todas as capitais antes de ser enterrado no Rio de Janeiro, quase como uma santificação do político, Getúlio Vargas dificilmente teria ascendido à Presidência da República por meio de uma tomada de poder através do que ficou conhecido como Revolução de 1930.

“A verdade é que João Dantas matou João Pessoa, mas, ao mesmo tempo, o transformou em um mártir, permitiu que se criasse um mito na figura do Governador da Paraíba na época. Esse fato histórico muda a História do Brasil. Ele germina o ‘getulismo’, não podemos subestimar como um crime passional, muito embora o estopim tenha sido”, explica.

A morte de João Pessoa, que na época tinha perdido as eleições presidenciais em março de 1930 enquanto vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas para Júlio Prestes, ajudou Getúlio a alimentar uma consternação popular que, somada à acusação de eleições fraudulentas e ao momento de crise financeira em consequência da crise de 1929, desencadearia o episódio histórico que ficou conhecido como Revolução de 1930. 

Corpo de João Pessoa foi enterrado na capital do Brasil na época, o Rio de Janeiro, sob comoção — Foto: Arquivo Pessoal/Eduardo Cavalcanti

A revolta destituiu o presidente Washington Luís, a quem João Pessoa se posicionou como oposição política enquanto vivo, impediu a posse de Júlio Prestes e determinou Getúlio Vargas como chefe do governo provisório que comandaria o Brasil. “Podemos afirmar que a morte de João Pessoa, com todo contexto político, econômico e social que existia, foi um dos motivos da Revolução de 1930 e consequentemente do fim do período que chamamos de República Velha”, analisou Aires.

Entre julho e outubro daquele 1930, à medida em que o corpo de João Pessoa peregrinava entre as principais capitais do Brasil para receber homenagens por conta da morte pretensamente política, seu nome ia batizando ruas, avenidas e praças pelo país, conta o historiador.

O ritual criado em torno das solenidades fúnebres para João Pessoa criou um mito, sendo idealizado pelo empresário e comunicador paraibano Assis Chateaubriand, entusiasta da Aliança Liberal, grupo político que o governador da Paraíba fazia parte, na análise de José Luciano de Queiroz Aires.

“Não só na Paraíba, quase todos os estados do brasil colocaram o nome de João Pessoa em algum espaço público. Em vários estados temos praças, homenagens a ele, mas essa mobilização aqui foi muito mais forte, com a mudança do nome da capital, da bandeira do estado, e com a criação de monumentos e de até um hino para a pessoa de João Pessoa”, conclui o professor.

Crise na oligarquia paraibana

Para entender o que pode ter levado João Dantas a puxar o gatilho do revólver e matar João Pessoa dentro da confeitaria Glória, no Centro do Recife, em 26 de julho de 1930, o professor e escritor José Luciano de Queiroz Aires comenta que é necessário antes conhecer o contexto político da Paraíba no período.

Àquela altura, João Pessoa estava há dois anos como governador do estado. Apesar de ter saído de uma família que pertencia à oligarquia paraibana, tentava implementar uma política moderna e centralizante que rompia com os interesses do grupo político do qual ele saiu.

Nesse modelo de gestão que João Pessoa instalava na Paraíba, os coronéis da época, como eram conhecidas as lideranças econômicas e políticas das cidades do interior, começaram a perder poder. O então governador paraibano trouxe para o aparelho do estado a maior parte das decisões que estavam nas mãos dos coronéis. 

O modelo de gestão adotado por João Pessoa foi considerado moderno e centralizada o poder na mão do governador do estado — Foto: Arquivo Pessoal/Eduardo Cavalcanti

“As obras contra a seca passaram para o estado, ele desarmou coronéis, criou imposto, uma espécie de pedágio. Criou também uma reforma tributária para dinamizar o porto e o comércio no estado. As entradas e as saídas de produtos que vinham de fora, se fosse pelo porto da capital tinham um valor de tributo, e se fosse direto com Recife, a tarifa era altíssima. Esse é o fator fundante da política centralizadora”, relata o professor, pesquisador e escritor.

João Pessoa também cria, em meio a esse panorama político, o Tribunal de Contas, para fiscalizar as contas das prefeituras paraibanas, que eram reservas de poder dos coronéis. “Ele não rompe publicamente com os coronéis, mas submete todos eles a essa centralização. A reforma tributária, aliás, é o que explica, por exemplo, a Guerra de Princesa”, avalia Aires.

O episódio histórico da Revolta de Princesa, movimento armado comandado pelo coronel José Pereira contra as imposições do governo João Pessoa, culminou com conflito violento entre o líder político da cidade de Princesa Isabel contra a Polícia Militar do estado. Aquela é considerada a mais emblemática demonstração política de indignação das oligarquias ao modelo gestor de Pessoa.

A Guerra de Princesa, como lembra Aires, só viria a acabar - sem um vencedor na análise dele -, após uma intervenção federal a mando do presidente Washington Luís, embora não tenha contido a insatisfação dos coronéis. Além da queixa por conta dos impostos, que prejudicaram os negócios, as oligarquias paraibanas não aprovaram a vontade política de João Pessoa de excluir das eleições quadros antigos e consagrados no partido.

Na reunião do Partido Republicano da Paraíba, João Pessoa, ainda enquanto integrante, havia se posicionado contra as candidaturas de políticos mais tradicionais, oriundos das oligarquias, como o caso de João Suassuna, que havia antecedido Pessoa como presidente da Paraíba e que ocupava o cargo de deputado.

“Na convenção do partido, em 1930, João Pessoa defendeu uma política de renovação, queria tirar pessoas velhas para botar nomes novos. Nessa defesa, sacrificou o nome de João Suassuna, que buscava reeleição, mas manteve o do próprio primo na disputa, Carlos Pessoa de Umbuzeiro, que representava a velha política”, comentou Aires.

Em meio ao contexto político de conflito interno nas oligarquias, causado por João Pessoa, uma decisão governamental que causou contrariedade em outra família, a Dantas, da cidade de Teixeira, foi a mudança de chefias de cargos públicos importantes. Na época, o presidente (nome do cargo de então governador do estado) detinha o poder discricionária de mudar peças em órgãos da administração direta, como ainda é atualmente, e também no judiciário.

O palácio do governo estadual, localizado ao lado da praça Venâncio Neiva, no Centro da capital paraibana, em 1930 — Foto: Brasiliana Fotográfica Biblioteca Nacional

João Pessoa trocou juízes e delegados nas cidades onde as oligarquias tinham muita influência. No caso de Teixeira, reduto político da família Dantas, o presidente da Paraíba nomeou um delegado que passou a perseguir politicamente pessoas daquela família. “Temos registro de prisões de familiares de João Dantas no período, de mulheres da família, inclusive, fato que gerou muita indignação”, explicou o professor da UFCG.

A postura assumida por João Pessoa gerou uma rusga com três das principais oligarquias: Pereira, de Princesa Isabel; Suassuna, de Catolé do Rocha; e Dantas, de Teixeira. “Todos eram do mesmo grupo, incluindo a família Pessoa de Umbuzeiro, mas após o governo de João Pessoa acontece esse racha na oligarquia paraibana, principalmente com essas três famílias tradicionais do estado”, ressalta José Luciano de Queiroz Aires.

Muitos dos considerados perseguidos politicamente pelo governador decidiam pelo exílio político, indo morar em outros estados. A maior parte deles estabeleceu residência no estado vizinho Pernambuco, como foi o caso de João Suassuna, pai do escritor Ariano Suassuna, e do advogado João Dantas, que viria a se tornar no dia 26 de julho de 1930 o assassino de João Pessoa.

Ataques nos jornais

A crise vivida entre o governador do estado com as oligarquias gerou constantes discussões públicas por meio dos jornais, principalmente entre João Dantas, que escrevia para o Jornal do Commércio de Recife, e de João Pessoa, articulista do jornal do próprio governo paraibano, A União. Os embates por meio de artigos nos dois periódicos integram parte do acervo resgatado pelo historiador Wellington Aguiar, em seu livro “João Pessoa: O Reformador”, de 2005.

O uso do jornal A União para atacar seus desafetos políticos, aliás, era recorrente por parte de João Pessoa. Entre 20 e 26 de julho de 1930, data fatídica de seu assassinato, o periódico paraibano, considerado um dos mais antigos da América do Sul, reservou ataques diretos às famílias Pereira, Dantas e Suassuna nas manchetes principais.

Além dos ataques públicos às famílias rivais, inclusive como na capa do jornal de 24 de julho de 1930 quando liga João Suassuna ao movimento do cangaço no Sertão paraibano, o jornal A União deu publicidade a documentos retirados a partir de um arrombamento supostamente clandestino feito ao escritório mantido por João Dantas na capital paraibana, à época ainda cidade da Parahyba.

A versão que se popularizou foi de que o escritório foi invadido a mando político de João Pessoa, no entanto, oficialmente, o que se sabe é que o escritório foi encontrado arrombado e os documentos que nele estavam foram recolhidos pela polícia estadual da época. 

Jornal A União relatou o fato do arrombamento ao escritório de João Dantas e citou que traria conteúdo dos documentos apreendidos pela polícia — Foto: Reprodução/Jornal A União

O professor da UFCG, doutor em História pela UFPE, José Luciano de Queiroz Aires explica que não há mais como confirmar documentalmente que João Pessoa foi mandante da invasão ao escritório de João Dantas, mas que é indiscutível o uso político do material que foi recolhido a partir daquela invasão.

“A documentação sugere que [a invasão] foi feita pela polícia da Paraíba, inclusive o gabinete onde João Pessoa atendia era na mesma rua do apartamento que foi arrombado, mas não temos mais como comprovar a veracidade absoluta”, explicou o historiador.

Parte desses documentos foram publicados pelo jornal A União sob a manchete “Revelando a alma tortuosa dos conspiradores contra a ordem e a dignidade de nossa terra - A polícia apreendeu armas e sensacionais documentos na residência do sr. João Dantas”.

“Investigando sobre o caso, a polícia examinou os papéis espalhados, notando que entre eles havia documentos profundamente comprometedores no que se relaciona com a ordem pública e a agitação política que separou nos últimos tempos parahybanos dignos do grupo de aventureiros e traidores sem escrúpulos”, diz um trecho da reportagem sobre o episódio publicada no dia 22 de julho de 1930.

A reportagem inclusive traz que “os documentos encontrados ‘A União’ começará amanhã a publicar, porquanto os mesmos contêm curiosas revelações sobre os miseráveis modos de agir dos inimigos da Parahyba, dos quais o tarado João Dantas era uma espécie de espião e cônsul geral nesta cidade”.

O mesmo assunto estampou a capa do jornal A União nos dias 23 e 26 de julho, e teve publicações de reportagens nos dias 24 e 25 o mesmo mês. A manchete d’A União de 25 de julho, aliás, cita expressamente que a família Dantas havia roubado dinheiro dos cofres públicos a partir de obras estatais contra a seca.

A publicação das cartas de João Dantas cessou na edição de 26 de julho, quando na edição do dia seguinte, a cobertura jornalística do periódico do governo paraibano passou a se dedicar a reportar a morte de João Pessoa e seus desdobramentos. Porém, ao fim da publicação dessa edição, o jornal A União traz o seguinte trecho:

“No cofre marca ‘Torpedo’ encontrado no quarto do bacharel João Dantas a polícia achou notas redigidas pelo próprio punho do espião com a narrativa de atos amorosos pelo mesmo praticados. Tais notas não podem ser publicadas porque ofendem ao decoro comum. Mas quem quiser vê-las o pode fazer na delegacia”.

Logo em seguida, reproduz um poema escrito por João Dantas intitulado Sangue de Cangaceiro. As notas citadas na reportagem são as cartas de amor trocadas entre o advogado paraibano e a professora Anayde Beiriz, que em meio a essa briga política entre seu namorado e o governador do estado, teve sua honra ultrajada a partir da exposição de sua intimidade perante uma sociedade paraibana moralista e pouco afeita às mulheres que assumiam posturas sociais mais modernas.

‘Um crime pessoal’

O mesmo jornal A União que trazia o relato das notas imorais de João Dantas e indicava que estavam disponíveis na delegacia da capital paraibana, avisava que o presidente João Pessoa estaria no Recife, capital pernambucana, para visitar um amigo, o dr. Cunha Mello, que se convalescia de uma cirurgia. De toda forma, o poder tinha sido entregue ao vice-presidente Álvaro de Carvalho.

Se a nota no jornal influenciou nos planos de Dantas, não há como saber, porém após a sequência de ataques promovidos no jornal oficial do governo paraibano, o historiador José Luciano de Queiroz Aires comenta que é possível inferir que houve um contexto passional por parte do desafeto de João Pessoa.

Capa do Jornal a União em 27 de julho de 1930, trazendo a morte João Pessoa — Foto: Reprodução/Jornal A União

“A exposição da intimidade do romance dele com a professora Anayde Beiriz pode ter sido um fato determinante nesse crime. A verdade é que a morte de João Pessoa foi um tiro que saiu pela culatra entre os perrepista [membros do Partido Republicano, rival ao de João Pessoa]. João Dantas criou um herói, houve uma mitificação. Os próprios perrepistas caíram em desgraça depois disso, passaram a ser perseguidos”, explicou.

O historiador comentou que não entende o crime meramente como passional, nem como apenas político. “Foi um crime de honra, como se dizia antigamente, para lavar a honra, foi por uma vingança em nome da honra. Havia uma sequência de problemas políticos, mas não foi um crime passional, foi um crime pessoal”, define o historiador doutor pela UFPE.

João Dantas e seu cunhado, acusado como cúmplice no assassinato, foram presos e posteriormente encontrados mortos dentro da cela em que ocuparam no Recife. A versão de suicídio de ambos não é aceita pela literatura histórica, que, segundo Aires, considera relatos de testemunhas de que o irmão de João Pessoa e um policial teriam sangrado João Dantas e seu cunhado no cárcere.

Anayde Beiriz, vítima indireta de todo esse acirramento político, após a morte de João Dantas, sabendo que a polícia estava à sua procura, se refugiou no Asilo Bom Pastor, no Recife. As freiras contam que quando ela chegou ao local já havia ingerido veneno, no dia 19 de outubro. Segundo a carta da Madre Superiora enviada à família, ela sofreu muito. Morreu rezando o Pai Nosso, no dia 22 de outubro de 1930.

João Pessoa, o presidente da Paraíba morto a tiros na confeitaria Glória no Recife, entrou para a história como mártir. Seu corpo peregrinou de porto em porto no Brasil, e foi enterrado no Rio de Janeiro. A comoção popular após sua morte gerou em setembro de 1930 a mudança do nome da capital da Paraíba e a adoção de bandeira vermelha e preta com o termo Nego, representando o luto e a luta.

“Não se pode subestimar a morte de João Pessoa. Foi um fato político mais importante para que ocorresse o fim da República Velha, para que mudasse para sempre os rumos da política do país”, concluiu José Luciano de Queiroz Aires.

https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2020/07/26/morte-de-joao-pessoa-90-anos-do-crime-que-marcou-a-paraiba-e-mudou-a-politica-no-brasil.ghtml

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JOÃO DANTAS

 Por Wikipédia

João Duarte Dantas (Mamanguape, 12 de junho de 1888 — Recife, 6 de outubro de 1930) foi um advogado e jornalista brasileiro.[2][3][4]

Seu nome está ligado à História do Brasil, principalmente porque matou a tiros o então governador do estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.[2][5] João Pessoa era candidato a vice-presidente do Brasil na chapa encabeçada por Getúlio Vargas, contra o grupo paulista de Júlio Prestes. A morte é considerada o estopim da Revolução de 1930, quando Getúlio ascendeu ao poder, após um levante popular contra uma suposta fraude nas eleições. Os disparos que vitimaram João Pessoa não tinham motivos ligados a política nacional, e sim, em sua maior parte por motivação política local que passou para o nível pessoal, uma vez que João Pessoa, como chefe da Polícia ordenou a invasão do escritório de João Dantas, publicando suas cartas íntimas. Dantas era ligado a proprietários de terras da Paraíba que foram prejudicados pela cobrança de impostos estabelecida por Pessoa.

Assassinato de João Pessoa

João Dantas era adversário político de João Pessoa e aliado de José Pereira Lima, chefe político do município de Princesa Isabel, o qual liderava uma intensa oposição às medidas governistas contra os interesses comerciais do grupo sertanejo. José Pereira recebia apoio dos irmãos Pessoa de Queirós, de Pernambuco, primos de João Pessoa e proprietários do Jornal do Commercio.

O embate político travado entre Dantas e Pessoa, através da imprensa, inclusive com ataques ao pai de Dantas, Dr. Franklin Dantas, e outros familiares, acendeu o ódio mútuo. Nesse contexto, a Polícia da Paraíba, sob o Governo de João Pessoa, invadiu escritório de Dantas, à Rua Duque de Caxias, e, além de outras coisas, apoderou-se de cartas íntimas entre ele e a professora Anaíde Beiriz. Anaíde Beiriz foi apontada como o estopim da revolução de 30, pela tragédia do assassinato de João Pessoa por João Duarte Dantas, com quem ela mantinha relacionamento amoroso.[6]

O jornal estatal A União fazia suspense diariamente, ao comentar sobre documentos imorais que haviam sido encontrados no escritório de João Dantas. Acrescentava que os interessados poderiam ter acesso ao material, na sede da Polícia. À época, em decorrência de uma reforma no Palácio do Governo, o mandatário do Estado, João Pessoa, despachava em prédio defronte à sede de A União. Segundo o livro Órfãos da Revolução, de Domingos Meirelles, os mais íntimos do presidente paraibano sabiam que nada era publicado no jornal oficial, sem sua aquiescência. A correspondência veio a público, dias depois da invasão.

A intriga fez que amigos de João Dantas o convencessem a se mudar para Olinda. Por ocasião de uma visita do presidente João Pessoa ao Recife, amplamente noticiada, com o objetivo de receber uma homenagem, João Dantas foi à Confeitaria Glória, na Rua Nova, onde disparou contra Pessoa. Dantas atirou duas vezes no presidente paraibano ferindo-o mortalmente. Fato este que foi usado pelos revolucionários sulistas a emplacarem a revolução iminente contra o presidente Washington Luis, que culminou levando ao poder Getúlio Vargas.

Dantas foi detido com seu cunhado Augusto Caldas, que era inocente, na Casa de Detenção do Recife, onde foram chacinados por oito homens que participavam da revolução em 6 de outubro de 1930, no início da Revolução de 1930. A versão oficial indicou suicídio. Esta versão é desacreditada pelo registro fotográfico de Louis Piereck.[7] Também Anaíde Beiriz morreria dias depois, no Recife, por envenenamento, aos 25 anos, provavelmente por iniciativa própria. Outras mortes se seguiram ao episódio, como a do então deputado federal, ex-presidente do estado, João Suassuna, pai do escritor Ariano Suassuna, que foi assassinado, no Rio de Janeiro, por Miguel Laves de Sousa.

A história já inspirou filmes, livros e peças teatrais. Até hoje, desperta muita polêmica quanto aos detalhes e interesses subjacentes às ações de ambas as partes.

Referências

↑ de Oliveira, Romão Cícero; et al. (2015). As Raízes da Justiça Eleitoral no Distrito Federal. Brasília: TRE-DF. p. 16. ISBN 978-85-5609-000-3

↑ Ir para:a b «Foi Assassinado em Recife o Sr. João Pessoa». Consultado em 20 de maio de 2017

↑ 80 anos da morte

↑ Academia Brasileira de Letras fala sobre João Dantas

↑ Lucyanne Mano (26 de julho de 2008). «1930 - Assassinado João Pessoa». Hoje na HIstória-Jornal do Brasil. Consultado em 16 de fevereiro de 2013

↑ da Silva, Aureni Maria (2016). «Anayde Beiriz: mulher moderna numa Paraíba antiga» (PDF). Viçosa. Revista de Ciências Humanas. 16 (1): 117-135

↑ Bezerra, Dinarte Varela (2008). 1930, a Paraíba e o inconsciente político da revolução: A narrativa como ato socialmente simbólico (Tese de doutorado em Ciências Sociais) (PDF). Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte. p. 31

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Duarte_Dantas

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AS CARTAS DE JOÃO DANTAS E A MORTE DE JOÃO PESSOA

Por Manoel Severo

João Pessoa

O que não se esperava é que um fato vindo da pequena Paraíba pudesse desaguar na grande revolução de 30... Dia 26 de julho, era assassinado o presidente do Estado da Paraíba, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, renomado político e candidato à vice-presidência da chapa derrotada do gaúcho Getúlio Vargas.

As esquinas das ruas Palma e Nova, no centro rico de Recife, foi o palco dos 3 tiros que viriam a tirar a vida de João Pessoa. Ali, na Confeitaria Glória, ponto de encontro da elite nordestina, em 26 de junho de 1930 morria uma das maiores lideranças políticas do nordeste e aliado do derrotado Getúlio Vargas.  O crime, apesar de ter sido o estopim para o movimento “revolucionário” não teve ligação com a campanha presidencial. 

Um conflito entre o advogado paraibano João Dantas, João Pessoa e o coronel José Pereira, chefe da cidade de Princesa teria sido o real motivo do assassinato. Senão vejamos: era presidente do Estado da Paraíba, João Suassuna, que a revelia da oligarquia de Epitácio Pessoa, articulava a sua própria sucessão lançando a chamada chapa dos 3 Jotas: seu chefe de polícia Júlio Lyra e os coronéis José Pereira e José Queiroga para a presidência, e primeira e segunda vice presidências do estado, consolidando sua força no estado. 

Epitácio Pessoa interveio e lança seu sobrinho João Pessoa que ganha a disputa e no discurso de posse em outubro de 1928 declara: “que desejava assegurar garantias a todos e que levaria a polícia a vasculhar propriedades à procura de armas que abasteciam o cangaço.” Frontalmente contra a política sertanista de Suassuna e Zé Pereira de suposta complacência com o banditismo cangaceiro.  No conflito envolvendo as partes, que culminou com a famosa “Revolta de Princesa”, o advogado João Dantas, filho do coronel Franklin Dantas do município de Teixeira, havia tomado partido de Zé Pereira.

Anayde: Cartas de amor publicadas...

A oposição mantida a João Pessoa por João Dantas se efetivava violenta, um apartamento seu, localizado em um sobrado da então Rua Direita, 519, bem no centro da capital e próximo do palácio onde trabalhava João Pessoa, foi invadido pela polícia no dia 10 de julho; livros, documentos e móveis de João Dantas foram queimados na calçada fronteira. Ali também teriam sido recolhidas correspondência íntimas entre João Dantas e sua noiva Anayde Beiriz, ato contínuo O jornal A União, que já era então o órgão oficial do governo da Paraíba, publicou uma série de acusações gravíssimas a familiares de João Dantas, inclusive ao patriarca, Cel. Franklin Dantas, unido a isso fizeram publicar em  jornal local, as cartas que João Dantas tinha escrito para sua amada, Anayde . 

Aqui abrimos um parêntese para citar declaração do historiador  José Joffily sobre o escárnio sofrido por Dantas com relação à privacidade de sua relação com a amada: “Bem me lembro, quando,a caminho do Colégio Pio X onde estava concluindo o ginásio, entrei numa fila, com outros estudantes, para ler sonetos extravagantes e páginas confidenciais do diário do fogoso advogado, eram confidências amorosas entre o advogado João Dantas e Anayde Beiriz”.

As desavenças e ódio passaram a deixar cada vez as ácidas e perigosas as ligações entre Dantas e João Pessoa, culminando, diante da pressão de amigos, com a mudança de João Dantas da Paraíba para Olinda em Pernambuco.  

Jornal do Brasil e a manchete da morte de João Pessoa

João Dantas, que morava em Olinda, aproveitou uma visita do presidente do visinho estado paraibano à cidade do Recife; a despeito de visitar um amigo enfermo, o Juiz Francisco Tavares da Cunha Melo, internado no Hospital Centenário; mas que segundo afirmação de Ronildo Maia Leite, “provavelmente João Pessoa viera ao Recife encontrar-se com uma cantora com quem mantinha um romance secreto.”Essa cantora seria a soprano Cristina Maristany. E quando o mesmo se encontrava na Confeitaria Glória, entra João Dantas, armado de um revólver, acompanhado do cunhado Moreira Caldas. Se aproximando de João Pessoa teria dito: 

”-  João Pessoa? Eu sou João Dantas”. 

Aqui saem os cangaceiros das caatingas e entram os cangaceiros da capital... Vários tiros foram disparados por João Dantas e por Moreira Caldas, não se sabendo ao certo, qual tenha sido a bala fatal que mataria o político. Ainda segundo Ronildo Maia “ele morreu com as jóias que, minutos antes, havia comprado na joalharia Krauze para sua amante”. Em seguida ao assassinato do líder paraibano, o governo é assumido por seu vice-presidente Álvaro Pereira de Carvalho, que  muda o nome da capital da Paraíba para João Pessoa e o acrescenta o lema NEGO à bandeira do Estado, numa referência à resposta que João Pessoa teria dado via telegrama, ao presidente Washington Luís sobre a negação de seu apoio à candidatura vitoriosa de Júlio Prestes; o vermelho da flâmula representava o sangue da morte de seu líder e o preto, o luto.

João Dantas

Voltando à Confeitaria Glória; João Dantas ainda seria ferido pelo motorista de João Pessoa quando fugia, e depois acabaria sendo preso ao lado do cunhado Moreira Caldas e de novo a ironia do destino colaria cabeças decapitadas; como em Angico; no caminho do povo nordestino. 

Recolhidos à Casa de Detenção, do Recife, os dois foram degolados e tiveram suas cabeças enviadas para a Paraíba, era o dia 03 de outubro de 1930, o crime teria sido arquitetado pelo tenente da força policial Ascendino Feitosa, e seu auxiliar o soldado João da “Mancha”; ele tinha uma mancha escura no rosto, razão pela qual lhe foi dado esse apelido; como executor.  

Agora nos valemos de um trecho de entrevista prestada pelo Coronel Manuel Arruda de Assis, oficial da Policia Militar da Paraíba a José Romero Araujo em janeiro de 1989, “o indivíduo João da Mancha era considerado inclusive por seus antigos colegas de farda, como um psicótico, extravagante sangrador das forças volantes paraibanas. Naquele dia rompeu, com um bisturi pertencente ao medico Luiz de Góes, a carótida do advogado João Dantas, como também de seu cunhado, o engenheiro Moreira Caldas, ambos assassinados com a mesma “técnica”. O “serviço” fora feito por um profissional macabro que conhecia muito bem o seu “ofício”. O militar sabia milimetricamente onde iria romper a artéria, visto que a luta corporal travada entre o intrépido advogado João Dantas e os seus algozes impediu o seccionamento no ponto exato, como pretendia Dr. Luiz de Góes.” E continua o coronel Manuel Arruda, “só alguém que estava profundamente em contato com a “arte” de sangrar poderia ter feito um “trabalho” com tamanha perfeição”.


E continuando com as reflexões de Manuel Arruda, “quando as tropas comandadas por Juarez Távora, ativo integrante da coluna Prestes, chegaram ao Recife, o primeiro local visado pelos militares paraibanos foi a detenção onde se encontravam presos João Dantas e Moreira Caldas que se tornou alvo dos comandados por Ascendino Feitosa, estando entre estes João da “Mancha” e o médico Luiz de Góes.” Conforme o entrevistado, esse médico era capaz de tudo, regido por verdadeiro espírito sanguinário. E segue: “dominados os prisioneiros, Luiz de Góes apontou a Ascendino a carótida. João Dantas entrou em luta corporal com seus algozes, sendo atingido na sobrancelha. Com precisão invulgar, João da “mancha” recolheu o bisturi e aplicou certeiro golpe no local indicado, pondo fim à vida de João Dantas.” O entrevistado revelou que o corpo do advogado foi profanado de diversas maneiras, mesmo quando estertorava. Em seguida, o cunhado Moreira Caldas teve o mesmo fim, morrendo implorando para que o deixassem cuidar da família.

Segundo Manuel Arruda de Assis, era comum solicitar a presença de João da “Mancha” quando cangaceiros eram aprisionados. No combate de 1923, quando o sucessor de Sinhô Pereira fora ferido no tornozelo, no qual pereceram Lavandeira e Cícero Costa, ambos foram sangrados pelo frio soldado volante que se aperfeiçoou em matar usando o extremo da covardia e da perversidade.

Entretanto outra versão defende que João Dantas e Moreira Caldas se suicidaram com golpes de um mesmo bisturi, primeiro Dantas, depois Caldas, tese essa reforçada por supostos bilhetes deixados pelos mesmos em baixo de seus travesseiros. Segundo afirmações de José Joffily "como poderiam estes documentos de despedida, escritos em instante derradeiro, apresentar a correta redação, o talho das letras e a autenticidade das assinaturas, comprovadas em perícia, se tudo fosse escrito no tumulto de uma feroz degola e trucidamento?” e continua citando a confidência de João Dantas ao seu irmão Manoel, como prova do seu intuito de suicidar-se:

“-No caso de um movimento armado e vitorioso, 
eu não me entrego. Mato-me!” 
 “-E tens ao menos com que te matar?” 

 “-Ele abriu a gola do pijama e retirou dele um afiado bisturi.”.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço

https://cariricangaco.blogspot.com/2014/06/as-cartas-de-joao-dantas-e-morte-de.html?fbclid=IwAR3rOcJ7UEP7LJQSRKjQ5T_ycO9ZYaYkmHkg6V9rt6EJfmA_xQOswDH13As

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A REVOLTA DA "PRINCESA DO SERTÃO". PRINCESA ISABEL - PB

 O Dia Que Durou 21 Anos - Cine TVT

 

https://www.youtube.com/watch?v=SPiPD-3htJo&ab_channel=TVSenado

"No município de Princesa, no sertão da Paraíba, em 1930, o coronel José Pereira entrou em desavenças políticas e econômicas com então presidente da Paraíba, João Pessoa, deflagrando a Revolta de Princesa."

Documentário Completo

Uma produção da TV Senado

Do acervo do Sálvio Siqueira

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quinta-feira, 10 de junho de 2021

PARA ENTENDER O CANGAÇO LAMPIÔNICO.

Por Geovane Farias

Uma excelente leitura para entender o Brasil Agrário do início do século 20. Entender o Movimento do Cangaço Lampiônico nos anos 20 até os 40, basta conhecer a História do assassinato de João Pessoa.

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VIRGULINO FERREIRA E O SEU PUNHAL DE 78 CENTÍMETROS

Por João Costa

Ranulfo Prata, romancista sergipano, foi o primeiro a condensar em livro, em 1933, uma vaga biografia, ou livro-reportagem sobre o chefe do cangaço, no romance “Lampião” publicado oito antes dos acontecimentos de Angico, transformado hoje numa raridade preciosa dos escritos sobre o cangaço.,

Prata era filho de coronel fazendeiro, diretamente prejudicado pela ação do banditismo rural, e segundo pesquisadores que o sucederam, esse primeiro relato sobre Virgulino Ferreira contém imprecisões, mas que desperta, ainda hoje, bastante interesse porque baseado em narrativas orais e cartas de amigos.

Reza a lenda que, em Angico, a volante de João Bezerra encontrou um exemplar do livro de Ranulfo no bornal que Virgulino carregava – e com anotações do próprio bandoleiro.

O relato a seguir, tem como referência as campanhas da polícia baiana contra Lampião iniciadas em outubro de 1931, sob o comando do tenente João Costa, comissionado tenente-coronel, e comandante-em-chefe com sede em Jeremoabo.

Nesta campanha, devido à falta de militares, é que surgem no teatro de guerra ao cangaço os soldados “contratados” ou “provisórios”; uso de tecnologias como estações de rádio que se espalham por cidades alcançadas por ferrovias e, até, vilas de toda a caatinga: Jeremoabo, Paripiranga, Santa Brígida, Brejo do Burgo, Serra Negra, Santo Antônio da Glória, Chorrochó e outras localidades.

Lampião, que já conhece os efeitos da nova tecnologia empregada contra ele, por onde passa adverte:

- “No dia qui em pegá um “trem” deste, o macaco qui tiver cum ele tem qui engoli todo”, era o recado deixado claro Virgulino, que em 1931, aumentara a pressão sobre vilas e fazendeiros com bilhetes extorquindo ricos e remediados.

Na cabecilha de uma tropa, o tenente do Exército Liberato de Carvalho, está no encalço do bando, dia e noite, sem descanso no comando de uma volante que viria a ficar famosa; e ziguezagueando pelo sertão, Liberato e sua volante chegam a Maranduba, “região erma e triste entre Serra Negra e Cipó de Leite”, onde choca-se com o bando de Lampião.

Os cangaceiros “invisíveis dentro de trincheiras magnífica oferecidas pela sua velha aliada, a caatinga, a dominam com vantagens alarmantes”.

Liberato de Carvalho é salvo por uma “intervenção da providência Divina”, diriam depois”:

“No mais aceso da peleja, quando o pânico já se esboçava entre os soldados, que veem caídos mais de uma dezena de companheiros, intercede um socorro esperado e oportuno”.

É o Tenente Manoel Neto que surge com sua tropa de combatentes nazarenos pela retaguarda dos cangaceiros.

“O bando de Lampião, atacado pela retaguarda, se espanta, fraqueja, esmorece nas réplicas e segue a velha tática atordoante de fuga”, narra Ranulfo Prata.

“No chão tombaram 17 homens, entre mortos e feridos”; baixas humilhantes para as forças legais.

“Do bando de Lampião três ficam no campo de luta, indicando pingos de sangue que outros feridos, puderam fugir”, mas dias depois foram encontrados mais três cadáveres

Em São Paulo explode uma Revolução que viria a interromper a campanha de Liberato que deixa o combate a Lampião para seguir o Exército até o Sul.

Quem assume o comando, em Jeremoabo, é o capitão João Miguel, comissionado em tenente na Paraíba e em capitão na Bahia. Esse João Miguel é narrado como militar incompetente, chefe de rádio, que atrai a desconfiança geral.

Simplesmente, após a prisão do Cangaceiro Quixabeira, João Miguel o transforma e promove o facínora em seu ordenança, responsável por açoitar, torturar coiteiros e quem ele suspeitava.

Esse Quixabeira, antes de assessorar o comandante João Miguel, fora o cangaceiro apontado como responsável por sangrar e matar seis caçadores no Raso da Catarina, anos antes.

Ranulfo Prata, ao narrar a chegada de Lampião na Vila Queimadas, lugar de alguma prosperidade com estação ferroviária, descreve pela primeira vez para os leitores a dimensão do terror do cangaço, num momento que Virgulino, de forma contraditória, combina cordialidade com uns e crueldade com inimigos capturados.

Ao amanhecer, o bando tomou de assalto o quartel fazendo prisioneiro todo o destacamento, formado por sete soldados e um sargento, deixando-os sob a guarda de alguns cangaceiros, enquanto ele se deslocava até a pensão do lugar onde pediu que fosse servido um almoço.

- Faço questão da presença de todos os hóspedes, recomendou.

Sentado à cabeceira da mesa, Virgulino com sua voz pausada, baixa e gestos cordiais, deixava a todos, ao menos aparentemente, confortáveis, enquanto degustavam um verdadeiro banquete sertanejo.

Ao fim da refeição Virgulino fez questão de pagar a conta, deixou o local e se dirigiu de volta ao quartel para um tête-a-tête com os prisioneiros. O primeiro é levado à sua presença no oitão da cadeia, onde Lampião percebe a presença de curiosos, mas não se deixa afetar.

- Ajoelhe-se, Cabra! Ordenou Virgulino, que saca seu largo punhal de 78 centímetros de lâmina e crava na fossa supra-clavicular do prisioneiro.

“A arma, agudíssima, vara facilmente o mole dos tecidos, como um palito a manteiga,”, narra o escritor.

Em seguida ordena que outro prisioneiro seja conduzido à sua presença, e a cena se repete; arrastam para fora o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto e o sétimo, que enfrentam o mesmo suplício no encontro com a morte.

Chegara a vez do sargento, comandante do destacamento.

Ali, no pátio da cadeia, uma voz de uma das pessoas que assistiam às execuções, clamou por misericórdia.

- Pelo amor do Divino, tenha misericórdia! Este homem tem família numerosa, é uma pessoa querida aqui do lugar; poupe ao menos esta vida, seja misericordioso!

- Que assim seja! E quando eu deixar este lugar, enterrem os mortos, porque este macaco aí, fica vivo para contar o que faço com macacos que encontro pela frente”, disse Lampião, que antes de deixar a vila ainda tomou umas lapadas de conhaque numa bodega ali próxima da cadeia transformada em cadafalso.

Acesse: blogdojoaocosta.com.br

Fonte. Lampião, de Ranulfo Prata, segunda edição

Foto1. Liberato de Carvalho. Foto2.

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MARIA PISTOLEIRA

 Por José Nicodemos

Era assim chamada a prostituta Maria Graça Lopes, no registro civil. O apelido se jistificava pelo fato de ser filha de um pistoleiro paraibano, dos mais temidos daqueles sertões. Gabava-se, e com razão, que não tinha medo de homem, não lhe importava o tamanho.

Mulata alta, corpo parecido com o de homem, peito quase chato, um tanto angulosa, olhar vivo e felino, mas sem deixar de ser bonita, fazia salão com uma bolsa no ombro, dentro desta um revólver calibre 38. Mas não era de provocar briga com ninguém, respeitadora. Também não era de correr; topava a parada, fosse quem fosse.

Era Maria Pistoleira, por assim dizer, o escudo de suas companheiras, quando agredidas por algum tipo covarde: tomava-lhes logo as dores.
Ora se. Muitos apanhavam dela, dizia-se. Inclusive um certo bacana da sociedade local que, achando-se gostosão, nunca pagava à mulher de que se servia. Era conhecido por esse predicado.

Dava-se que as novatas eram logo informadas pelas outras a respeito dele, o dito, de modo que se recusavam a ir com ele pra cama.

Pois uma vez chegou ali na zona uma das bandas do Ceará, nova e bonita, correu o boato na cidade, e logo cedo da noite lá foi o cara, a melhor roupa e perfumado, na sua pinta de grã-fino, a procurar Alzira (era o seu nome). Desprevenida, ela topou a cantada do tal sujeito, e este, como era do costume, não lhe pagou o momento de amor. Foi aquela confusão, dentro e fora do quarto. 

Nisto, Maria Pistoleira interveio em favor da companheira - Você só sai daqui quando pagar, ou dou-lhe uma surra com seu próprio cinturão. Você já conhece a força do meu braço, cabra safado.

E foi o que sucedeu. Depois de lhe dar uma boa surra, de cinturão, entre chutes machos, Maria Pistoleira tirou-lhe toda a roupa, sem poupar a de baixo, até os sapatos, e revólver em punho, fê-lo que corresse nu, pelas ruas, então abertas, até chegar em casa, moralmente esbaforido.
 
Fonte: defato.com
Mossoró (RN), Domingo - 06 de junho de 2021.

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AÇUDE DE VARZINHA - SERRA TALHADA PE

 Do acervo do Jose João Souza

Construído pela antiga Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas, em 1938.

Pintura em tela da Artista Plástica Bernadeth Cavalcanti Ferraz

Adendo: Postado em nosso blog para propagar o bom trabalho do artista plástico Bernadeth Cavalcanti Ferraz.

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SÍTIO DOS NUNES CHEGANDO AO LOCAL ONDE NIL NUNES FOI MORTO E ENTERRADO PELO CANGACEIRO JARARACA E BANDO.

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=CCEQSayFeME&ab_channel=Canga%C3%A7ologiaCanga%C3%A7ologia

Nessa segunda parte do documentário mostraremos a região em que Nil Nunes foi preso, morto e enterrado pelo cangaceiro Jararaca e seu bando.

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CANGAÇO - MEMÓRIAS DE UM SOLDADO DE VOLANTE

Aderbal Nogueira - Cangaço 

https://www.youtube.com/watch?v=dBU-rgMEHbk&fbclid=IwAR2-peTESENXOHSlV9CiU4BZiM1Acbgk6G6F1Lh4iU-qBzOeJqbADsGCcO4&ab_channel=AderbalNogueira-Canga%C3%A7o

Ex-volante João Gomes de Lira fala das dificuldades para escrever seu livro. Link desse video: https://youtu.be/dBU-rgMEHbk

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ESTA É A PEDRA DO SAPO LOCALIZADA NUMA CIDADE DO RIO GRANDE DO NORTE!!!

 Por Fátima Maria Araújo

Foto: Kelly

Qual é o nome dessa cidade????

Alguém desse grupo já a visitou????

"É em Fernando Pedroza uma pacata cidade do Rio Grande do Norte, localizada na microrregião de Angicos, que tem uma população de cerca de apenas 3 mil habitantes. Nesta pequena localidade existe uma pedra, que fica às margens da BR 304, no formato de um sapo.

Apesar de sua forma assustadoramente semelhante ao animal, a pedra não foi criada pela mão do homem, mas sim esculpida pela própria natureza. A natureza e seus mistérios"!

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UMA VISITA ILUSTRE

Por Kydelmir Dantas

Seguindo o roteiro... Com direito a máscaras na entrada, distância legal e alcóol gel após o aperto de mãos. Porém, como não poderia ser diferente num FILME, teve ação, aventura e emoções fortes. Recebo em meu espaço de leituras, pesquisas e "viagens" a visita ilustre de Seu Hamilton Marinho, o pioneiro do Cinema em Nova Floresta, através da implantação do CINE ÍRIS, para visitar o espaço dedicado à memória do cinema em nossa querida cidade. Neste seriado não teve o The End... Só o até logo para, desta vez, o artista trazer a mocinha dona ELCY, com direito a um bate-papo mais longo e um café com torradas. 

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE, numa amizade que já passa de meio Século.

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ZÉ RUFINO

 Por Manoel Severo

Tenente Zé Rufino, um dos maiores perseguidores e matadores de cangaceiros de todos os tempos... Zé Rufino é personagem principal de nossos GRANDES ENCONTROS, ao vivo, nesta quarta no canal do Cariri Cangaço no YOUTUBE

QUARTA, 09 de Junho de 2021 as 19H30...Imperdivel

Basta clicar no link: https://www.youtube.com/watch?v=aZPUqx3-tRQ

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"MEU IRMÃO"

 Por Hélio Xaxá

"Fiz esta poesia num momento de alegria. ano que vem, certamente, publicá-la-ei novamente com saudade..."


"MEU IRMÃO"


Abriu-se a rosa do coração

Na árvore casta da família...

E percebe Deus que um irmão

É o fruto mais doce da bacia.


Seus ramos abraçam outros ramos

Protege-nos com a própria vida

Transmite força e juntos vamos

Torna-se tronco, copa, fruto: guarida.


Assim és tu, irmão querido

Exemplo para todo ser nascido

Enxada, lápis, caráter e abrigo.


Deu-nos as ferramentas do saber

Força e sabedoria para crescer

Mais que irmão, tu és um amigo!

Autor: Hélio Xaxá


Adendo: José Mendes Pereira


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