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terça-feira, 15 de junho de 2021

OS CANGACEIROS CAJUEIRO E BALIZA

 Por Cláudio Silveira


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LAMPIÃO O ETERNO FUGITIVO

Por Raul Meneleu Mascarenhas

Toda vez que tentamos enquadrar e definir Lampião, ele foge. Talvez até por conta de dificuldades que temos nos dias de hoje em estudar sua história, por conta de não termos mais referências vivas dos que andaram com ele ou o combateu, que possam tirar dúvidas surgidas por novas avaliações.

Herói ou bandido? Violento ou amoroso? Justiceiro ou generoso?  É isso. Toda vez que  procuramos definir Virgulino Ferreira da Silva, encontramos em sua história diversos caminhos que nos levam achá-lo bandido, herói violento, amoroso justiceiro e generoso.
Querem saber: ninguém está pondo em dúvida a existência de Lampião, assim como não podemos ver com cem por cento de garantia as histórias que se fala sobre ele e que cobrem a sua figura. E o que é pior, é que, com o passar dos tempos, vai ser cada vez maior o volume de versões a seu respeito,  cada vez fica mais longe da verdade em tal história. Não que duvidemos 100% da história dita oficial.

Se formos verificar, existem pelo menos dois "Lampiões". Um é aquele que cresceu em um ambiente violento onde a palavra do coronel, decidia sobre a vida e a morte daquelas pessoas que moravam ao seu redor e marcados por lutas sangrentas entre famílias de grandes proprietários de terra. O outro Lampião, é aquele jovem que trabalhava como tropeiro para seu pai, varando as veredas do sertão, levando mercadorias para as vendas das cidades, chamadas bodegas e também levar mercadorias para os comerciantes de ferramentas, tecidos, utilidades domésticas  e até mesmo para pequenos industriais com seus alambiques e engenhos de fabricar rapaduras e mel. Chegou até mesmo transportar mercadorias para o grande industrial Delmiro Gouveia em sua fábrica de linhas, no distrito de Pedras, atual Delmiro Gouveia, município brasileiro no estado de Alagoas.

Virgulino Ferreira da Silva em foto de 1926 em Juazeiro do Norte,CE

Lampião, aliás virgulino, era também um bom artesão. Ele fabricava celas, arreios, capas para facões, chicotes de couro e também era um bom domador de cavalos e burros Era bastante conhecido na região. Além disso ele era um ótimo versejador e tocava sanfona de 8 baixos que acompanhava os seus versos. Ora, era um rapaz que por ter seu trabalho, seu ganho e seu sustento, quando estava em casa principalmente nos fins de semana, onde ia para aquelas festinhas, aqueles arrasta-pés tão famosos no sertão, com dinheiro no bolso para consumir bebidas e gastar com os seus amigos, só podia ser famoso mesmo! Isso causava inveja a alguns rapazes e entre eles o Zé Saturnino, que era filho de um fazendeiro que possuia mais posses que o pai de Lampião, Zé Ferreira.
Virgulino foi poeta, foi amigo, foi valente, foi namorador. Tornou-se o homem que viveu à margem da lei depois que passou a ser perseguido pelos seus inimigos que tinham inveja de sua juventude e da sua capacidade em conquistar amigos.

A partir de 1922, quando assumiu o grupo de cangaceiros que participava, conseguiu criar a seu redor, um imaginário fabuloso. Quando se tornou uma pessoa bastante perseguida pelas volantes policiais, que constantemente estavam no seu encalço, foi criado então esse imaginário. Criado Por muitos repentistas que faziam os seus cordéis para serem vendidos nas feiras das cidades do nordeste, onde alguns deles chegavam a tocar sanfonas e violas, mostrando nos seus versos  versões imaginárias desse homem tão perseguido. Eram histórias mirabolantes nessa cultura que se escrevia e que explodia nos cantos da pobreza e da própria fome dos sertanejos.


Lampião nunca apresentou pra ninguém uma plataforma política ou um programa de reinvindicações sociais, mas traduziu como ninguém a  insatisfação popular contra um regime autoritário que já perdurava há muito tempo e que infelizmente até os dias de hoje persiste. Regime autoritário de nossa história, que ficou conhecido como República Velha, se bem que na República Nova, que já se iniciou corrupta, pois tinha os mesmos personagens corruptos da Velha, na sua linha de frente. Não é a toa que Jornais da época que recebiam benesses do governo, procurassem mostrar Lampião com imagem de criminoso de alto grau de delinquência, procurando com isso denegrir totalmente o lado humano e social vivido por lampião e seus cangaceiros.

Contrário a isso,  de Lampião traduzir como ninguém a insatisfação popular, os poetas de cordel que estavam constantemente nas feiras das cidades do nordeste, mostraram um Lampião valente, com alto grau de capacidade libertadora dos pobres, suas lutas contra os poderosos e que até hoje é lembrado e cantado pelos poetas e repentistas. É Por isso que, tão impressionante figura lendária de Lampião seja um pretexto para acabar com as injustiças sofridas pelos mais pobres.

Aqueles que persistem em falar mal de Lampião, não vêem ou fazem que não ver, que em um ambiente seco do sertão, na catinga nordestina, outras crianças, com suas famílias, sofrem o descaso das autoridades até os dias de hoje. Lampião tem de ser examinado pelos olhos da sociologia e não pelo olhar policial, pois já fazem mais de 80 anos de sua morte. Foram muitas histórias de ódio, mas também teve muitas histórias de amor e de generosidade, pois Lampião também foi capaz de amar. Realmente meus amigos, falarmos desse personagem histórico, desse mito, nunca é, colocar um ponto final nessa história. Porque Muitas ainda estão escondidas e à medida que o tempo passa,  se refaz cada versão dessa história.

Raul Meneleu Mascarenhas, pesquisador e escritor
Aracaju-Se ; Conselheiro do Cariri Cangaço

Fonte:http://meneleu.blogspot.com/

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MAIS UMA HISTÓRIA QUE NÃO CONDIZ COM A VERDADE..

 Por José Mendes Pereira


As histórias sobre  "cangaço" algumas são criadas facilmente e cabeludas, e rodam o Brasil inteiro como se fossem verdades; enquanto que outras que foram escritas pelos escritores e pesquisadores de responsabilidades, e que são reais, poucas pessoas acreditam, desejam mais as que não têm nenhum fundamento, como é o caso do surgimento da mentira que Lampião não morreu em Angico, e sim, no Norte do Estado de Minas Gerais. - https://josemendeshistoriador.blogspot.com/2021/05/sera-mentira-ou-verdade-que-lampiao-de.html

Vejam o que encontrou o professor e pesquisador do cangaço Ruy Lima escrito pela Editora Saraiva, com o título "Por Dentro da História". 

Professor Ruy Lima

Diz Ruy Lima:

Será mesmo?

A famosa Editora Saraiva publicou uma coleção denominada "Por Dentro da História", formada por vários autores, a qual, como diz o coordenador da coleção, "reconta a História empregando o recurso literário, ou seja, traz histórias sobre a História, Com grau de aprofundamento compatível com o público leitor, os livros abordam de forma crítica e analítica temas históricos presentes no currículo escolar."

Assim escreveu o coordenador da coleção.

Mas, o que tem o cangaço a ver com isso?

Há um livro dessa coleção que me chamou muito a atenção. intitulado "CANGAÇO - A guerra no sertão da Republica."

Oxente! Nunca eu tinha imaginado que existisse um livro didático, de "História", sobre o Cangaço e, em especial, sobre Lampião.

Achei o livro interessante, com páginas ilustradas, parecendo um folheto, Mas, fiquei triste, muito triste mesmo, quando li o seguinte trecho na página 25 do livro, sobre o motivo pelo qual Lampião entrou para a vida de cangaço: 

"Quando seu pai foi assassinado a mando da família Carvalho, de Serra Talhada, ele entrou para o bando de Sinhô Pereira com a intenção de dar o troco. Isso aconteceu em 1917." (Não bate com os estudos do cangaço. - blogdomendesemendes).

Já na página 61 (o livro tem 72 páginas e um questionário (?). o autor escreveu, referindo-se a Corisco, ao saber da morte do seu compadre Lampião: "Cheio de ódio e inconformado com a morte do Rei do Cangaço, matou outro acusado chamado Pedro de Cândido, e se pôs a perseguir todos aqueles que tivessem o sobrenome Bezerra, simplesmente imaginando que fossem aparentados do tenente João Bezerra," Meu Deus! Já ouvi histórias de trancoso, contadas por minha avó, de Belo Jardim, mais verídicas do que essas. (Menos verdade. (Menos verdades. - Pedro de Cândido foi morto no ano de 1941. (Não bate com os estudos do cangaço -

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JOQUINHA GONZAGA É O CONVIDADO ESPECIAL DO CARIRI CANGAÇO PERSONALIDADE DA NOITE DE HOJE.

 

João Januário Maciel Gonzaga, nasceu  no dia  01 de abril de 1952, no Rio de Janeiro, filho de Raimunda Januário (Dona Muniz, segunda irmã de Luiz Gonzaga) e João Francisco Maciel. Muito aproximado do tio famoso, ficou mais conhecido como Joquinha Gonzaga, sobrinho e herdeiro de Gonzagão. 

No final da década de 1940, o “Rei do Baião” formou o primeiro núcleo nordestino no Sul do país, trazendo sua família composta pelo seu pai Januário, sua mãe Santana, suas irmãs Muniz, Geni, Socorro e Chiquinha Gonzaga e seus irmãos Aluízio, Zé Gonzaga e Severino Gonzaga para o Rio de Janeiro. Eles se instalaram em um Sítio em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias-RJ, mais conhecido como Sítio dos Gonzagas, onde eram realizadas grandes festas como casamentos, batizados, aniversários, novenas etc, sempre com muitos convidados, músicas, comidas típicas nordestinas e a presença de grandes artistas famosos como Marinês, Abdias, Trio Nordestino, Dominguinhos, entre outros. Cantor. Compositor. Sanfoneiro.  Sobrinho de Luiz Gonzaga e, portanto, primo de Gonzaguinha, foi criado em uma família de músicos, como Januário, Chiquinha Gonzaga, Zé Gonzaga e Socorro.  Ganhou uma sanfona do “Rei do baião” aos 12 anos de idade.

Tio Gonzaga e Joquinha Gonzaga

Em 1986, gravou o seu primeiro disco, “Forró cheiro e chamego”, pela gravadora Top Tape.  Na sequência, foi convidado por seu tio, Luiz Gonzaga, a integrar uma turnê à França.  Em 1988, participou do disco “Aí Tem...”, de Luiz Gonzaga, na faixa “Dá licença pra mais um”.  Em 1989, gravou um disco com composições de seu tio, pela gravadora Copacabana.  Em 1990, lançou mais um álbum, “É só remexer”, novamente pela Copacabana.  No início dos anos 1990, atuou em shows e participou de eventos tradicionais como a Missa do Vaqueiro, preservando a memória de Luiz Gonzaga.  Em 1993, lançou o LP “Sobrinho de Gonzagão e neto de Januário”, pela Somari, obtendo divulgação nacional.  Em 1996, lançou o álbum “Raiz e tradição”, que trouxe participações de Alcimar Monteiro, Joãozinho do Exu e Maída.  

Cariri Cangaço Exu em 2017


Kydelmir Dantas, Joquinha Gonzaga e Juliana Pereira
Homenagem do Cariri Cangaço ao Rei do Baião, Personalidade Eterna do Sertão

Joquinha Gonzaga e o Cariri Cangaço !







A tarde do terceiro dia de Cariri Cangaço Exu começou com o mais autentico forró pé serra e baião, genuinamente da lavra do Rei do Baião. João Januário Maciel ou simplesmente Joquinha Gonzaga, e seu irmão, Fausto Luiz Maciel ou simplesmente Piloto, sobrinhos, herdeiros musicais e companheiros de palco do grande Luiz Gonzaga, subiram ao palco do Parque Aza Branca para ao lado do cantor e músico Tacyo Carvalho, proporcionarem um espetacular show a todos os presentes, interpretando sucessos próprios e do Rei do Baião. Joquinha que nasceu no dia da mentira; 01 de abril de 1952; acabou se tornando uma grande verdade; neto de peixe, peixinho é !!! Nasceu  no Rio de Janeiro e é filho de dona Raimunda Januário; Dona Muniz, segunda irmã de Luiz Gonzaga, herdou do avô Januário e do tio Luiz Gonzaga o talento e amor para a música e a sanfona. Atualmente casado com dona Nice, mora em Exu ao lado dos filhos; sarinha de 17 anos e Luiz Januário de 11. 

Em 1997No ano Joquinha lançou mais um disco, “Cara e coração”, pela Ingazeira Discos, e com produção de Alcimar Monteiro. O CD apresentou músicas de compositores como João Silva e Dijesus, além dele próprio.   No mesmo ano, realizou participação especial em um álbum de Dominguinhos, cantando a música “Tacacá”.  Em 1998, ao lado de Oswaldinho do Acordeon e Daniel Gonzaga, participou do evento “Tributo a Luiz Gonzaga”, realizado em Nova York, nos EUA, para um público de 10 mil pessoas. Em 2000, lançou mais um disco de carreira, dessa vez de forma independente, “Mala e cuia”, que teve participação especial de Daniel Gonzaga na faixa “Espelhos das Águas do Itamaragy”.  Em 2003, realizou participação especial no disco “Na varanda do Rei”, de Flavio Baião, na faixa “São João Tradição”.  Em 2004, lançou o CD “Sanfoneiro da serra do Araripe”, também de forma independente. O disco trouxe uma gravação de Luiz Gonzaga de 1988, em que o apresentou como herdeiro musical da família e perpetuador do baião.  Em 2005, realizou participação especial no disco “Forroboxote 4”, de Xico Bizerra, cantando a faixa “Toró de alegria”.  Em 2006, lançou o disco “Contos e causos do Gonzagão”, em que apresentou três causos que presenciou nas viagens que realizou ao lado de seu tio.  No mesmo ano, participou do disco de Chiquinha Gonzaga “Oito e oitenta”, interpretando a faixa “Sabino”.  

Em 2007, realizou participação especial no disco “Forroboxote 7”, de Xico Bizerra, cantando a música “Jorge da Lua”.  No mesmo ano, realizou participação especial no disco “Achando bom!!!”, de Targino Gondim, cantando a música “Começo de namoro”.  Em 2012, realizou participação na coleção tripla de CDs "Pernambuco forrozando para o mundo - Viva Dominguinhos!!!", produzida por Fábio Cabral, cantando, ao lado de Dominguinhos,  a música "Retrato do nordeste", de sua autoria com Zé Peixoto e Dijesus. A coletânea trouxe forrós diversos, interpretados por 48 artistas, e que fazem referência aos 50 anos de carreira do seu inspirador, Dominguinhos. Interpretando músicas de compositores em sua grande maioria pernambucanos, fizeram parte do projeto também artistas como Acioly Neto, Adelzon Viana, Dudu do Acordeon, Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Irah Caldeira, Liv Moraes, Petrúcio Amorim, Geraldo Maia, Sandro Haick, Spok, Jefferson Gonçalves, Chambinho, Hebert Lucena, Maciel Melo, Luizinho Calixto, Silvério Pessoa, Walmir Silva, entre outros, além do próprio Dominguinhos.

Fonte: Cariri Cangaço Exu - https://forrozeirospe.com.br

https://cariricangaco.blogspot.com/2021/06/joquinha-gonzaga-e-o-convidado-especial.html

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A CANUDOS DE JOSÉ CALASANS

José Calasans

Em 1947, quando das rememorações do cinqüentenário da Guerra de Canudos, o vilarejo, reconstruído no início do século XX sobre as ruínas do arraial conselheirista, recebeu a visita de Odorico Tavares e Pierre Verger. Ambos, jornalista e fotógrafo, fariam uma reportagem para a revista O Cruzeiro que seria um marco nos estudos canudenses. Nela são apresentados os primeiros depoimentos dos sobreviventes do conflito. 
A História começou a registrar a voz dos vencidos. Pouco tempo depois, em 1950, José Calasans Brandão da Silva iniciou estudos para elaborar uma tese que privilegiasse a tradição oral sobre a Guerra de Canudos, a vida de Antônio Conselheiro e o Povoado do Belo Monte. Para realizá-la, foi ao sertão, conversou com sobreviventes e compilou preciosas informações que abririam novas veredas para pesquisas sobre o tema. Com a reportagem de Tavares e Verger e as investigações de José Calasans iniciou-se a oralidade da tragédia sertaneja, até então ofuscada pela grandeza literária do livro Os sertões, de Euclydes da Cunha. 
Hoje, mais de cem anos depois da destruição do Arraial de Canudos, dispomos de informações que contemplam os dois lados da bárbara peleja. E muito devemos aos estudos do Professor José Calasans. Suas pesquisas, além de esclarecerem inúmeros episódios da Guerra, tiraram das coxias dos palcos da História as pessoas que ali, às margens do Rio Vazabarris, ouviam ao entardecer as prédicas e conselhos de Antônio Conselheiro. Armado apenas com a obstinação e paciência do historiador, José Calasans entrincheirou-se nos escombros do arraial conselheirista e foi um dos seus mais bravos defensores.

Notícia dos Beatos, por José Calasans...

Admitimos, na igreja popular sertaneja, uma hierarquia, com beatos e conselheiros. Tivemos nossa atenção despertada para o assunto numa conversa com Honório Vilanova, em terras do Assaré. Disse-nos que conhecera, por volta de 1873, no Ceará, o beato Antonio, que iria encontrar, depois, na Bahia, como conselheiro. Explicou-nos que conselheiro era mais do que beato. 

Ao beato cabia a missão de tirar rezas, cantar ladainhas, pedir esmolas para obras da igreja. O conselheiro ia além, porque, melhor preparado sobre os temas religiosos, pregava, dava conselhos. Um conselheiro pode ter, debaixo de suas ordens, um ou vários beatos. Foi o caso de Antonio Conselheiro, ao qual estavam subordinados alguns beatos, como o beato Paulo, José Beatinho, Antonio Beatinho, além de outros que não nos foi possível identificar. Cronologicamente, o primeiro a ser apresentado é Paulo José da Rosa, também referido como José Paulo da Rosa. 

Em 1876, apenas dois anos após o surgimento de Antonio Conselheiro no centro das províncias da Bahia e de Sergipe, já era pessoa importante no meio dos acompanhantes. Tanto assim que foi preso na Vila de Itappicuru, no citado ano, vindo em companhia do Santo para Salvador, com ele percorrendo as ruas da capital baiana no dia 5 de julho, juntamente com mais dois outros presos, José Manuel e Estevam, o primeiro apontado como vagabundo e larápio e o segundo acusado de ser escravo fugido, pertencente a uma viúva moradora em Porto da Folha, Sergipe, informações contidas no expediente do delegado em exercício de Itapicuru, Francisco Pereira de Assunção (Aristides Milton, 12 : p.11) , onde Paulo José da Rosa está nominalmente citado por causa de suas ligações com o místico cearense. 


Livre da polícia, o beato Paulo voltou ao sertão, passando a acompanhar, novamente, Antonio Conselheiro, a quem o juiz municipal de Quixeramobim, bacharel Alfredo Alves Matheus, pusera em liberdade, provada sua inocência (Manuel Benício, 03: p.46). Tornou-se a segunda pessoa da grei. Marcos Dantas de Menezes viu o beato Paulo no arraial do Bom Jesus. Velhinho, cabeça branca. Ninguém podia falar ao Bom Jesus sem seu consentimento. Morava no mesmo barracão onde ficava o Conselheiro. Recebia tarefas a serem executadas em outros lugares. 

Em 1893, escreveu-lhe Antonio Conselheiro a respeito da igreja construída em Canudos, dando ordens para não permitir na derrubada do Santuário ali existente, “porque a nova capela não estava benta”. A missiva fora escrita em Brejo Grande, trazendo a data de 10 de maio (Rev. I. G. H. Bahia – vol. 55, p. 741). Nascera no Soure (Natuba)  tinha mais idade do que Conselheiro. Não brigou nas horas dos diversos fogos. Morreu bem idoso. Sepultaram-no na frente da igreja, segundo recordou Honório Vilanova (Nertan Macedo, 11: p. 67). 

Falou-nos Ciriaco do pouco conhecido José Beatinho, cearense, dono de uma voz muito bonita para entoar benditos. A mandado do Santo, saía pelo sertão para tirar esmolas. Nosso informante foi seu companheiro numa dessas oportunidades. Não confundi-lo com Antonio Beatinho, que entrou na história nos derradeiros instantes do Belo Monte. José falecera algum tempo antes da guerra.

Fonte: www.josecalasans.com 

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A OUTRA FACE DE DADÁ

 Por Aderbal Nogueira

A outra face de Dadá. Próxima segunda feira o nosso bate papo no YouTube será sobre essa sertaneja que de simples menina, passou a ser conhecida como a guerreira do Cangaço. Vamos conhecer um pouco quem foi dona Sergia, essa mulher que é desconhecida para a grande maioria das pessoas.

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

RÉPLICAS DOS EMBORNAIS DE DADÁ DO ANO DE 1939

 


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O ANTIGO PRÉDIO DO BATALHÃO DE FLORESTA EM PERNAMBUCO PEDE SOCORRO

 Por Archimedes Marques

Bem sabido é que na história do Cangaço os mais ferrenhos adversários de Lampião foram os Polícias Volantes FLORESTANOS e NAZARENOS.

Esses bravos policiais chefiados por incansáveis e aguerridos Comandantes tinham como alojamento principal o BATALHÃO DE FLORESTA de onde eram distribuídas as diligencias necessárias contra o banditismo rural.

Com a morte de Lampião em 28 de julho de 1938 e o consequente fim do cangaço o MAJESTOSO PRÉDIO praticamente ficou inativo e com o tempo serviu para outras atividades até que sem a manutenção estatal adequada chegou ao inevitável deterioramento.

Já na primeira década desse século, prevendo o pior, ou seja, a possível ruina total do prédio vindo ao chão, as personalidades de Floresta unidas a institutos de Cultura, a exemplo do Cariri Cangaço, empreenderam luta para transformar o prédio em PATRIMONIO HISTÓRICO E CULTURAL DE PERNAMBUCO, alcançando êxito no início de 2017, através do Decreto de Tombamento da lavra do então Governador Paulo Câmara.

Com isso esperava-se em consequência que houvesse a tão propalada e sonhada RESTAURAÇÃO do prédio. Entretanto, lá se vão cerca de quatro anos e nada... Colocam-se placas como inicio de trabalho que logo se enferrujam com o tempo e como resultado apenas escoraram as suas principais paredes com peças de madeira, vez que o telhado não mais existe. A estrutura continua fechada e lacrada para que ninguém venha a sofrer um acidente no seu interior. Não há previsão de quando a reforma sairá das folhas de papel do Governo de Pernambuco.

Assim sendo, a ABLAC – ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS E ARTES DO CANGAÇO, dentro das suas atribuições estatutárias, manifesta por elaborar um REQUERIMENTO JUNTO AO MINISTÉRIO DA CULTURA PELA SUA INTERFERÊNCIA NA PROBLEMÁTICA com a consequente pronta Restauração do Prédio da Antiga Força Pública – Batalhão de Floresta, situado na Praça Major João Novaes, nº 251, no centro histórico desta cidade por sua declarada importância ambiental, urbanística, histórica, turística, arquitetônica e cultural, não só para o município de Floresta, mas para o estado de Pernambuco e do Brasil, fazendo justiça aos grandes homens que por ali passaram em tempos de lutas, assim como trazendo divisas para os dias atuais.

Desse modo, solicitamos dos Gerentes e Nobres Membros desses grupos de Facebook que tratam da nossa cultura Nordestina, as suas aquiescências avalizando os nossos propósitos com os devidos comentários pertinentes, para que sejam juntados aos autos afim de fortalecer a nossa PETIÇÃO.

Aracaju, 14 de junho de 2021.

Archimedes José Melo Marques

Presidente da ABLAC

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SANTO ANTONIO

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.553

Dia 13 é comemorado o Dia de Santo Antônio, conhecido como o Santo casamenteiro e padroeiro dos humildes, sendo um dos mais populares do Brasil e também o segundo com mais devotos no País. Santo com muita devoção, com muitos devotos no mundo todo. Aqui no Sertão alagoano, os três santos “nordestinos” sempre foram festejados com a grandeza do amor dos seus devotos. Todos os três santos tiveram grandeza nos seus festejos, entretanto o mais popular em termo de movimento, festas, fogueiras, danças, São João parecia ser o mais festejado, talvez pelo impacto do nome. As ruas de Santana do Ipanema ficavam completamente tomadas de fogueiras, bem assim em todas as cidades sertanejas.

Com o tempo, porém, pelo menos em nossa juventude, vimos aumentar gradativamente os festejos também a São Pedro e Santo Antônio. A devoção feminina a Santo Antônio está enraizada no folclore nordestino que se espalhou pelo País inteiro, principalmente quando se trata de arranjar casamento. Vimos muitas mães de família agradecendo ao Santo Casamenteiro, à felicidade de ter feito um bom matrimônio, após os pedidos nessa época do ano. As formas de pedidos de um marido a Santo Antônio, tem inúmeras fórmulas, cada qual mais curiosa de que as outras. Entretanto existe a forma normal do pedido baseado apenas na oração e na fé. Além disso, ainda tem vários tipos de adivinhações que são feitas na véspera. 

Tem experiências nas cinzas da fogueira, na bacia de rosto com água, com faca no tronco da bananeira e tantas outras que enriqueceram e enriquecem as tradições e as ideias de solteiras e casadas que procuram também melhorar o relacionamento. A respeito do assunto, ouvimos uma religiosa solteira dizer: “Eu mesmo não peço a Santo Antônio, pois Santo Antônio manda qualquer um”, e dizia abertamente o nome de outro santo a quem pedia marido. Dessa não sabíamos, morrendo e aprendendo como dizia Camões.

Feliz quem cultiva suas devoções e sempre está em sintonia com o Cosmo. Quer um bom marido, faça também a sua parte.

Com pandemia ou sem pandemia

Viva Santo Antônio!!!

SANTO ANTÔNIO (PINTEREST).

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NETO DO CANGACEIRO JURITI iii

 Por Robério Santos

Conhecemos hoje o neto do cangaceiro Manoel Pereira de Azevedo, o Juriti III, direto do Salgado do Melão. O encontro se deu em Água Branca-AL! Tinha que ser… entrevistamos ele!

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É APENAS ENGRAÇADO O QUE O ERICK DEDUZIU, MAS NADA DE VERDADE!

 Por Erick Bap


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LAMPIÃO E SEU IRMÃO EZEQUIEL FERREIRA.

 Por Erick Bap


O http://blogdomendesemendes.blogspot.com não conhecia esta foto.

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LAMPIÃO RESPEITAVA OS SEUS COMANDADOS.

Por Erick Bap 


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“NO ENCALÇO DO MEU TRISAVÔ”

Por Cícero Aguiar Ferreira 

Como já postei algumas vezes aqui, estou empenhado em um projeto que intitulei “Tamborizeiro”, ninguém me pediu que o fizesse, mas tenho esse compromisso comigo mesmo. Ciente das dificuldades de escrever, porque ninguém mais que eu, sabe das minhas limitações intelectuais. Minha escolaridade é pouca, sou um simples Técnico em Contabilidade, nunca fiz uma faculdade, só quem conhece minha história sabe que até pra chegar a esse humilde grau de escolaridade, foram muitos os obstáculos. Quando falo isso, não é para angariar solidariedade ou me vitimizar, ao contrário, é apenas para mostrar o quão está sendo complicado conduzir esse trabalho.

José Pereira de Aguiar

Uma figura sempre me chamou a atenção, José Pereira de Aguiar, e nesse momento do trabalho, estou debruçado nas pesquisas sobre ele. De uns meses para cá, tenho tido, que ao meu ver um certo sucesso, tenho encontrado documentos sobre ele do ano de 1860 até 1908, e creio que vou trazer um importante apanhado de informações da figura que foi o Cel. José Pereira de Aguiar do Tamboril. Estou ciente que poucos vão se interessar, até mesmo alguns de seus descendentes diretos, provavelmente a velha geração como meu avô por exemplo, iria gostar e até se surpreender com o que trago.

José Pereira de Aguiar do Tamboril foi uma figura de grande relevância no seu tempo, a decadência e a pobreza que ficaram os seus filhos que moravam no Tamboril, foi o que me incentivou a tentar compreender o porquê disso. Acredito que já tenho algumas respostas, e até mesmo porque que o Tamboril passou mais de um século esquecido pelo poder público. Quem é tamborizeiro da minha geração ou de uma anterior a minha, sabe do que falo. Uma coisa já adianto, os filhos do cel. que viveram no Tamboril não usufruíram em nada da posição e da influência que ele exercia em Belmonte.

Eu tenho uma visão que este desfavorecimento, de certa forma nos torna mais altivos, mesmo com as adversidades, sobrevivemos, não herdamos nenhum tipo de benesses, a não ser as confusões das pequenas glebas de terras. Por não sofrer de vitimismo, por ser pobre materialmente, mas por poder andar de cabeça erguida, para mim é uma grande riqueza, e por isso fiz essa poesia que de certa forma retrata esse sentimento que tenho. Em breve, essa poesia sairá em um livro com a participação de poetas de várias partes do Brasil.

"Alma sertão"

Sou do Poço da Braúna.

Lugar simples, de um povo simples.

Sim, é Sertão, é Nordeste, é Brasil.

Sou da última classe, dos esquecidos?

Não. Acredito no divino, tenho fibra.

Sou rude, mas tenho alma, decência.

Descendo das caravelas, sou porão, convés, sou nativo, é a minha origem.

Como outros, não pisei o conforto das suntuosas cabines, herdei a caatinga, e vivo nela.

Carrego os meus calos, não sou cativo da usura.

Por aqui caminho, sem os tesouros, carrego o bornal simplório que ornamenta a minha dignidade.

Sou apenas Zé, e isso me basta.

Cicero Aguiar Ferreira

18/04/20

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A RAINHA SÁDICA DO CANGAÇO

Paladina dos pobres, amazona dos sertões, bandoleira ou precursora do feminismo? São variadas e contraditórias as versões de Maria Bonita (1910-1938), a companheira do capituão Virgulino, ou Lampião, o Rei do Cangaço. Para fornecer um retrato mais fiel e desvendar os mistérios em torno de Maria Bonita, a jornalista paulistana Adriana Negreiros dedicou-se a pesquisar sobre o tema. 

O resultado é o livro “Maria Bonita – Sexo, violência e mulheres no cangaço”, lançamento da Companhia das Letras. Trata-se de seu primeiro livro. Ele é importante porque evidencia o papel das mulheres na bandidagem rural nordestina dos anos 1930, no qual Maria de Déa, ou Maria Gomes de Oliveira se destacou. 

É a trajetória de Maria (que não foi chamada de Maria Bonita em vida) que fornece a estrutura do livro, pois foi ela a primeira mulher a entrar no cangaço, ao se juntar ao bando do marido Lampião, em janeiro de 1930.

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INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA

 Por Francisco Pereira Lima

Indicação Bibliográfica. PELOS SERTÕES DO NORDESTE, um livro Coletânea da professora Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros, com 618 páginas, tratando do Mundo Beato: Padre Ibiapina, Padre Cícero, Antônio Conselheiro e Zé Lourenço. O Mundo Cangaço e suas concepções. Excelente livro. 

Quem desejar adquirir essa obra, entrar em contato com o professor Pereira pelo Whatsapp 83 9 9811 8286.

franpelima@bol.com.br

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