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domingo, 15 de agosto de 2021

NOITE DE LANÇAMENTOS E FESTA NO SEGUNDO DIA DE CARIRI CANGAÇO POÇO REDONDO 2018

 Por Manoel Severo


Mais uma grande festa para a segunda noite de Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 na Arena principal da Praça de Eventos, centro da capital do cangaço em Sergipe. Com o comando do prefeito municipal Junior Chagas e do Curador do Cariri Cangaço Manoel Severo, a noite teve inicio com a apresentação de vários grupos culturais com destaque para a Grupo Cultural e Quadrilha Junina do vizinho município baiano de Pedro Alexandre, além de feira de artesanato e comidas típicas, em área exclusiva contígua ao evento. 

A arte o talento do Grupo Cultural de Pedro Alexandre na 
segunda noite em Poço Redondo

Logo após a apresentação do Grupo Cultural de Pedro Alexandre foi a vez do Ceará preencher o palco sergipano; a "pimentinha do forró" e mascote do Cariri Cangaço, Cecília do Acordeon; brindou a multidão presente com mais de uma hora de show com o mais autêntico forró pé de serra e composições imortalizadas pelo rei do baião Luiz Gonzaga. A abertura do evento contou ainda com a participação solo da artista mirim Iasmim Almeida, filha do pesquisador e escritor pernambucano Júnior Almeida e o encerramento da festa ficou a cargo do grande sanfoneiro Sávio do Acordeon.

Cecília do Acordeon, Manoel Severo e Pedro Lucas Feitosa
 Por mais de uma hora Cecília do Acordeon brindou aos presentes 
com o autêntico forró pé de serra
 
Iasmin Almeida: "Ave Maria sertaneja à capela"
Grande show de encerramento com Sávio do Acordeon

Durante as saudações aos presentes, o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, dedicou a noite do segundo dia de Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 à memória do pesquisador e escritor José Romero de Araujo Cardoso, "recebemos agora a pouco, através de nossa Conselheira Juliana Pereira a triste notícia do falecimento de nosso amigo, grande e talentoso pesquisador e escritor Romero Cardoso; dessa forma com o coração cheio de pesar, dedicamos essa noite à memória do amigo de sempre, Romero, para o qual pedimos um minuto de silencio".
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Manoel Severo e a lembrança de José Romero Araujo
 Prefeito Junior Chagas e Manoel Severo na abertura da segunda noite em Poço Redondo
 Junior Chagas, vereador Alex, de Pedro Alexandre e Manoel Severo

Elane Marques, Junior Chagas, Manoel Severo e Ingrid Rebouças
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Os convidados do Cariri Cangaço Poço Redondo 2018 que estiveram presentes à Arena da Praça de Eventos em sua segunda noite tiveram a oportunidade de participar da espetacular feira de artesanato e comidas típicas, apresentações culturais e o mais autêntico forró pé de serra com artistas da região e convidados. A noite marcaria também o lançamento e relançamento de obras do escritores Archimedes Marques, Leonardo Ferraz Gominho, Robério Santos, Júnior Almeida e ainda a escritora de Poço Redondo, Gláucia Pâmela. 

Antes mesmo das apresentações dos livros em lançamento, o Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor de Aracaju, Archimedes Marques presenteou ao município de Poço Redondo através de seu gestor maior, prefeito Junior Chagas, com uma estatueta representando um pequeno cangaceiro. A arte de Archimedes é marcada pela excelência em papel machê, o artista representa sempre personagens do mundo do sertão, notadamente do mundo do cangaço. "Para nós é uma grande honra poder presentear ao prefeito Junior Chagas com esse pequeno cangaceirinho, fruto de nosso esforço em retratar esses personagens do cangaço em papel machê" revela Archimedes Marques.

 Pesquisador e artista plástico Archimedes Marques presenteia Junior Chagas 
com uma de suas obras em papel machê.
 Manoel Severo, Prefeito Junior Chagas, Elane e Archimedes Marques

A "Garimpeira da Cultura", baiana Rita Pinheiro fez a apresentação do livro de poesias da escritora e poeta poço-redondense, Gláucia Pâmela, que em seguida agradeceu a grande oportunidade de lançar seu livro na segunda noite de Cariri Cangaço Poço Redondo. O primeiro lançamento de obras com a temática cangaço ficou a cargo de uma das revelações da nova geração de pesquisadores, o pernambucano de Capoeiras, Junior Almeida com o seu "Lampião e Outros Fatos  no Agreste Pernambucano". 
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Com uma narrativa envolvente e linguagem fácil, Junior Almeida nos traz episódios por demais conhecidos e outros nunca antes comentados, nos transportando para esse mesmo agreste de Pernambuco do inicio do século passado e Águas Belas, Serrinha do Catimbau, São Bento do Uma, Caetés, Bom Conselho, Pau Ferro, Angelim, entre outras, se tornam cenários vivos da presente obra que revela essa passagem de Virgulino e se torna imprescindível para entendermos esse episódio e os caminhos e descaminhos do rei dos cangaceiros. 
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Manoel Severo e Gláucia Pâmela
Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor Junior Almeida em noite de lançamento no Cariri Cangaço Poço Redondo 2018

Dando prosseguimento aos lançamentos da noite o Conselheiro Cariri Cangaço, pesquisador e escritor sergipano, Archimedes Marques protagonizou o lançamento de sua mais nova obra, em seu segundo volume: Lampião e o Cangaço na Historiografia de Sergipe. A obra traz um conjunto considerável de informações, muitas inéditas; sobre a presença de Virgulino e o do cangaço no estado de Sergipe.

"Neste segundo volume passeamos sobre a estada, a passagem, a vida das cangaceiras naqueles inóspitos tempos, suas dores e seus amores nas guerras do cangaço e também após esse tempo para aquelas sobreviventes. A história de Carira, seus arruaceiros, seus bandoleiros, seus pistoleiros, os cangaceiros e policiais que por ali atuaram, também é minuciada e melhor estudada com a participação inequívoca de historiadores locais de renome que remontam esse tempo. Laranjeiras, a histórica e linda Laranjeiras dos amores e horrores, não poderia ficar de fora, pois além de tudo, há a grande possibilidade de Lampião ali ter pisado, até mais de uma vez, para tratamento do seu olho junto ao médico Dr. Antônio Militão de Bragança. Nesse sentido a história, a ficção e as suposições se misturam para melhor compreensão do leitor."Ressalta o autor.
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Rossi Mágne, Archimedes Marques e Manoel Severo
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O décimo segundo livro do pesquisador e escritor Robério Santos; sergipano de Itabaiana; nos traz a origem e a saga do cangaceiro Volta Seca. "As Quatro Vidas de Volta Seca", fruto de cerca de 10 anos de intensa pesquisa desse que já se configura como umas das mais talentosas revelações da nova geração de pesquisadores foi uma das vedetes da segunda noite de Cariri Cangaço Poço Redondo 2018. 

Volta Seca, nascido no Saco Torto, transformou sua vida numa saga épica ao entrar para o bando de Lampião. A obra espetacularmente bem escrita e todo ilustrado nos traz um recorte da vida de um dos mais polêmicos personagens do segundo ciclo da cangaço lampiônico. Robério Santos; membro da Academia Itabaianense de Letras; além de pesquisador e escritor é também jornalista, professor, fotógrafo,arquivista e Youtuber, onde comanda seu festejado canal "O Cangaço na Literatura" um dos parceiros institucionais do Cariri Cangaço. 
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Robério Santos ao lado de Manoel Severo no lançamento de "Volta Seca" no 
Cariri Cangaço Poço Redondo 2018
Robério Santos e Antônio Vilela
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Intercalado com shows culturais, a noite de lançamentos teve seu encerramento com o pesquisador e escritor Leonardo Ferraz Gominho da cidade pernambucana de Floresta. Leonardo Gominho, autor de obras clássicas como "Floresta: uma terra, um povo" e "A Rebelião da Serra Negra - a Praieira do Sertão", apresentou sua mais nova obra, "A Revolução Praieira no Sertão", livro que já se configura em seu lançamento como imprescindível para compor as bibliotecas mais exigentes do país.

Para o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, "testemunhamos hoje uma noite mais que especial quando unimos nesta maravilhosa Arena Cariri Cangaço Poço Redondo 2018, cinco preciosos lançamentos , quatro desses, de renomados pesquisadores da temática cangaço e do sertão. Unir talentos da estatura de um Leonardo Ferraz Gominho, Junior Almeida, Robério Santos e Archimedes Marques, nos enche de orgulho e satisfação, com os lançamentos da noite de hoje o Cariri Cangaço em seus nove anos de realizações completa exatos 72 livros lançados, o que para nós é um grande marco." 
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O florestano Leonardo Ferraz Gominho e a Revolução Praieira no Sertão
Manoel Severo e Leonardo Ferraz Gominho



NOTA DE PESAR: O Curador do Cariri Cangaço; Manoel Severo Barbosa, em nome do Conselho Alcino Alves Costa;  dedicou a segunda noite de Cariri Cangaço em Poço Redondo à memória do grande pesquisador, escritor, professor Mestre José Romero de Araújo Cardoso, paraibano de Pombal, radicado em Mossoró, falecido no inicio desta mesma noite, 15 de junho de 2018. Na oportunidade foi observado um minuto de silêncio por todos os presentes.



Arena Cariri Cangaço Renova Festa 
Poço Redondo 2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  
  
 
 
 
 
  
 
 
 
  
 
 
  
  
 
 
  
 
 

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O FOGO DAS GUARIBAS E O TRISTE FIM DE NÊGO MARROCOS

 Por Bruno Yacub

Herlon Fernandes e Bruno Yacub

Em 1927, Macapá, hoje Jati, era distrito de Jardim, que ainda englobava Baixio do Couro, hoje Penaforte. Assim, Jardim era um município de extensa área territorial. Havia em Macapá um jovem cobrador de impostos da renda estadual, muito popular, liderança emergente no Município, já incômodo para as velhas raposas políticas de Jardim: seu nome era Antônio Marrocos de Carvalho.
As circunstancias do assassinato do líder político Antônio Marrocos de Carvalho caracterizavam, a exemplo de tantas outras ocorrências funestas, a época sombria do apogeu do coronelismo. A morte comovente desse cidadão, concomitante à chacina dos homens do Salvaterra e o cerco a Chico Chicote, mostrava como o regime de dominação dos poderosos sul-cearenses, nos derradeiros anos da década de 1920, prosseguia desenvolto, alardeando o prestígio soberbo do bacamarte, que se disparava pelo banditismo político, da polícia e o banditismo dos homens do cangaço.
Àquele tempo, o mais torvo plano foi concertado entre potentados do extremo sul cearense e a polícia militar, para a eliminação de vidas humanas. O desgraçado projeto resultaria, realmente, em várias mortes. E a polícia militar far-se-ia, marcadamente, responsável por um dos capítulos mais sombrios da sua crônica e escreveria uma das páginas mais negras da história do banditismo nos sertões nordestinos.

Os dias eram para o Ceará, principalmente para o Cariri, de perseguições políticas, insegurança e intranquilidade.

Antônio Marrocos

Antônio Marrocos foi surpreendido, certa noite, pela visita de Lampião, levado à sua casa por Manuel (Né) Pereira, que exercia cargo de subdelegado daquele povoado. Como é sabido, Lampião era ligado à família Pereira por forte amizade. Fiel à tradição sertaneja e por ser parente e amigo de Né Pereira, Marrocos recebeu a visita com bastante cordialidade. A partir de então, tendo fracassado em duas emboscadas contra Marrocos, no caminho entre Macapá e Jardim, os seus adversários políticos denunciaram-no ao Chefe de Polícia como coiteiro de Lampião, razão pela qual ele passou a ser fortemente perseguido.
Meses depois, novamente à meia-noite, Né Pereira bateu à porta de Marrocos. Ao abri-la, verificou a presença de Virgulino. Sem convidá-los a entrar, Marrocos explicou-lhes o que lhe vinha ocorrendo. A seguir, dirigindo-se a Lampião, sugeriu-lhe que, embora contasse com sua atenção, não voltasse a visitá-lo, afim de não confirmar as acusações que lhe estavam sendo feitas pelos chefes situacionistas de Jardim.
Em resposta, Lampião pediu-lhe que telegrafasse ao Chefe de Polícia comunicando que ele, naquela noite, passava em Macapá com destino ao Cariri. Tal sugestão foi ratificada na manhã do dia seguinte, quando Marrocos, dirigindo-se a Brejo dos Santos (atual Brejo Santo), de onde enviaria o despacho, passou pelo grupo estacionado no local Barra-de-Aço, a 01 km de Macapá.
Apesar de tudo isso, quando o tenente José Bezerra chegou a Macapá, no rumo de Brejo dos Santos, foi à casa de Antônio Marrocos e sugeriu-lhe que, para desmentir as acusações de que estava sendo alvo, deveria unir-se à sua tropa na perseguição ao bando de Virgulino.
Logo de início, alegando de tratar-se de uma calúnia já desmentida, Marrocos recusou a sugestão. Mas, após prolongada polêmica, para não demonstrar covardia, ele resolveu incorporar-se à volante. Com isso, no dia 28 de janeiro de 1927, procedente de Jardim, chegava a Brejo dos Santos uma volante policial sob o comando do Primeiro-Tenente José Gonçalves Bezerra, com o objetivo – segundo era comentado e confirmado pelo citado oficial – de perseguir e combater o grupo de Lampião.
Reafirmando sua falsa missão de dar cabo ao Rei do Cangaço, o tenente José Gonçalves Bezerra saiu de Brejo dos Santos na madrugada de terça-feira, 1° de fevereiro de 1927, comandando uma volante com 70 praças, como auxiliar o Sargento-Tenente Veríssimo Alves Gondim e como guia e agregado à tropa, voluntariamente, João Gomes de Lucena, sobrinho de Chico Chicote, filho do então prefeito de Milagres e ex-prefeito de Brejo dos Santos, coronel Manoel Inácio de Lucena e sobrinho do então prefeito de Brejo dos Santos, o coronel Joaquim Inácio de Lucena, conhecido como Quinco Chicote, além de cabras do coronel Nozinho Cardoso.
Logo após a chacina dos homens do Salvaterra e a fim de não provocar reação em Guaribas e concluir o plano elaborado para eliminar Antônio Marrocos, o tenente José Bezerra, antes de lá chegar, manteve longa conversa com Marrocos, manifestando a certa altura, o desejo de conhecer o mencionado sítio e travar relações amistosas com seu proprietário. A seguir, referindo-se à sua missão e expondo razões de ordem tática, pediu-lhe que fizesse um desenho da casa-grande, das habitações vizinhas e das elevações e depressões do terreno em seu redor. E para que Marrocos não pusesse em dúvida suas intenções, afirmou-lhe que deixaria a tropa distante do sítio e somente ele, o tenente Veríssimo, o sargento Antônio Gouveia (Antônio Pereira de Lima) e o corneteiro Louro Galo Velho iriam à residência de Chico Chicote, tendo à frente o próprio Marrocos, a fim de não haver desconfiança e possível reação à sua presença ali.

Ruínas da Casa de Chico Chicote

Amigo de Chico Chicote, de quem havia recebido, uma semana antes, um rifle de presente, que conduzia a tiracolo, Marrocos traçou a lápis, num pedaço de papel de embrulho, um ligeiro croqui de Guaribas. A casa-grande da fazenda Guaribas, município de Porteiras, era uma verdadeira fortaleza, aboletada numa dobra da Serra do Araripe, ao lado do povoado Simão, e meio a uma plantação de café, com muitas fruteiras. As paredes tinham quase meio metro de largura, feitas de tijolos dobrados, com buracos abertos por todos os lados (chamados “torneiras”), por onde os atiradores poderiam mirar e fulminar eventuais invasores. Com efeito, pelas 07 horas da manhã, ao aproximar-se do sítio, a tropa fez alto e Zé Bezerra pôs em execução o que havia planejado com o seu colega Veríssimo (Esses detalhes foram dados pelo cabo Pedro Alves à viúva de Marrocos, Mundinha (Raimunda) Piancó, bem como outros pormenores sobre o seu fuzilamento).Percebida a aproximação do reduzido grupo, umas das mulheres que faziam colheita de café, naturalmente para esclarecer Chico Chicote e outras pessoas que se achavam com ele, disse em voz alta: É o Nêgo Marrocos!
Imediatamente, o tenente Veríssimo disparou um tiro de revolver nas costas de Antônio Marrocos, que tombou de frente, abaixo de um pé-de-café, atingido no pulmão direito, vindo a falecer três horas depois. 

Naquele momento o segundo “acerto” da empreitada seria efetivado (o primeiro acerto foi a chacina de Antônio Gomes Grangeiro, seu sobrinho João Grangeiro (Louro Grangeiro) e dois moradores, Aprígio Temóteo e Barros e Raimundo Madeiro Barros (Mundeiro). Quando foram prepararo sepultamento de Antônio Marrocos, Mundinha Piancó, viúva de Marrocos estranhou que, embora ele estivesse de frente com a casa-grande das Guaribas, o tiro que o vitimou entrou pelas costas.

Monumento a Antonio Gomes Granjeiro

Confirmando as suspeitas sobre a causa de fuzilamento, o coronel Francisco de Sá Roriz, a Mundinha, ao visita-la em Macapá, que os situacionistas de Jardim haviam subornado Veríssimo com Cinco Contos de Réis para eliminar Marrocos. Para termos uma noção hipotética, 01 Conto de Réis (Mil Mirréis), equivale hoje a R$ 123.000,00 (cento e vinte e três mil reais).
Mundinha Piancó ficou viúva aos 26 anos e com 06 filhos para criar. Faleceu aos 92 anos no estado de São Paulo. A perversidade insana dos velhacos tenentes José Gonçalves Bezerra e Veríssimo Alves Gondim estremunharam, mais ainda, a aversão popular à polícia. O tempo, contudo, se encarregaria de revidar, nas pessoas deles, as mortes bárbaras de Antônio Marrocos, Antônio Grangeiro, Chico Chicote e dos demais que foram trucidados covardemente na hecatombe do começo de fevereiro de 1927.
Decorrido um decênio, na verdade, aos 10 de maio de 1937, José Bezerra, já com a patente de Capitão, seria trucidado, no Cariri ou, mais precisamente no sítio Conceição, próximo às comunidades Mata dos Cavalos e Curral do Meio, no município de Crato, por ocasião de luta com fanáticos remanescentes do beato José Lourenço Gomes da Silva, dentre os quais morreram alguns. A golpes de facões, roçadeiras, foices, cacetes e a tiros de espingardas e pistolas, tombaram o sanguinário oficial, um filho (1º Sargento Anacleto Gonçalves Bezerra), um genro e mais dois policiais subalternos. Dentre os comandados, outros saíram feridos. Mesmo assim, à morte do Capitão seguiu-se o bombardeio na Serra do Araripe, autorizado pelo Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra. Entre 700 a 1.000 pessoas foram mortas. E, assim, se findava um dos maiores bandidos-autoridades de que já se teve notícia no Ceará.


Um lustro antes do capitão José Bezerra, já havia embarcado seu comparsa, tenente Veríssimo Alves Gondim. Em Lavras da Mangabeira, metera-se o tenente Veríssimo a afrontar e humilhar o coronel Raimundo Augusto Lima, filho do coronel Gustavo Augusto Lima e neto de Fideralina Augusto Lima, destronado pela Revolução de 30. Lá chegara, inclusive, com ordem de, a todo custo, conduzi-lo, algemado, a Fortaleza. A vingança, porém, não tardaria muito.
Com efeito, aos 26 de junho de 1932, o oficial era alvejado, nas costas, pela arma do coronel, tal como fizera ele próprio a Antônio Marrocos, minutos antes do Fogo das Guaribas, havia cinco anos. Pôde, ainda, o militar moribundo balbuciar: “Que homem falso!” Estas palavras doridas, que tão bem se ajustavam a seu autor, o malogrado tenente Veríssimo, muito antes, poderiam ter sido articuladas pelo desventurado Marrocos, também, no lance derradeiro. E quem sabe se as não teriam pronunciado? Quem sabe?
Bastante comentado, na época, o assassinato do tenente Veríssimo Alves Gondim. Sob os céus de Lavras da Mangabeira, todavia, nada de novo acontecera, senão a repetição da história.
Bruno Yacub Sampaio Cabral
A Munganga Promoção Cultural
O Brejo é Isso!

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LAMPIÃO MANDA BILHETE

 

LAMPIÃO

1926

Bilhete de lampião a um fazendeiro ameaçando de Morte

Um dos bilhetes escrito por Lampião exigindo a certo Fazendeiro a quantia de 2 contos de reis.

Trechos do Bilhete:

“Ilustríssimo senhor Antônio Mandú estimo suas saudações com todos, o fim desta é para lhe pedir 2 contos de Reis, peço isto sem falta agora e não que Depois, vai se sair muito mal resposta pelo mesmo portador, no mais não falte,olhe..olhe...

Assinado: capitão Virgulino Ferreira, Vulgo Lampião.

#Lampião #cangaco

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COM SILVIO BULHÕES E NELY, SEGURANDO O CABELO DE CORISCO

Por João de Sousa Lima


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O MAIS "PODEROSO" CORONEL DO SERTÃO NORDESTINO DE SUA ÉPOCA.

Por Geraldo Antônio De Souza Júnior

Coronel Zé Pereira

Um homem que se levantou contra o governo do estado da Paraíba e como consequência declarou o município paraibano de Princesa como território livre do estado do estado, dando início a chamada Guerra de Princesa, que ceifou centenas de vida nos cinco meses de sua duração no ano de 1930.

Com um "exército particular" maior do que o agrupamento policial da Paraíba, Zé Pereira impôs ao governo paraibano, na época, governado por João Pessoa, a maior derrota militar de sua história.

Após o assassinato do então Governador (Presidente) da Paraíba a guerra tomou outros rumos e Zé Pereira se viu obrigado a abandonar a luta e fugir da região para não sofrer retaliações diretas por parte de seus oponentes e demais desafetos.

Uma história que envolve policiais, jagunços, cangaceiros e coronéis, além de uma vasta quantidade de personagens, cujas histórias estamos aos poucos tentando resgatar para trazer ao conhecimento de todos. Toda a saga que contaremos em vídeos futuros que serão exibidos no canal Cangaçologia.

Fotografia (Zé Pereira) gentilmente cedida pelo senhor Clésio Bezerra (Manaíra/PB).

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COMERCIANTE JOÃO DA BODEGA.

Por José Mendes Pereira
Foto do acervo Relembrando Mossoró 

João da Bodega um dos mais antigos comerciantes da cidade de Mossoró no Estado do Rio Grande do Norte. Estabelecido à Rua Rio Negro, no grande Alto de São Manoel, desde do ano de 1967, há exatamente 54 anos que ele mantém o seu comércio em evidência. Parabéns, grande João da Bodega!

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NEGO TIBÚRCIO MATA BODE DE ZÉ SATURNINO

 Erick Bap

Nego Tiburcio matou os bodes de Zé Saturnino e colocou a culpa nos Ferreiras. Era o pretexto que Saturnino queria para colocar a polícia contra a família Ferreira. Por vingança ao seu antigo amigo Virgulino.

ADENDO - http://blogodmendesemendes.blogspot.com

Meu amigo Erick Bap, eu não sabia deste fato, que o nego Tibúrcio tinha matado as criações de Zé Saturnino e colocado a culpa em cima dos Ferreiras. Veja que tem gente que pensa que sabe de tudo, mas é muito difícil a gente saber tudo que se passou no tempo do cangaço. E olha que eu vivo pesquisando, a ainda não tinha chegado a este fato. Parabéns pela informação relacionada às mortes de criações feitas pelo nego Tibúrcio.

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DADÁ E INDAIÁ


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