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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

LAMPIÃO A ressurreição de Ezequiel A SUPOSTA MORTE DE EZEQUIEL FERREIRA, O PONTO FINO

Por Raul Meneleu.

Essa entrevista foi feita por mim no dia 14 de outubro de 2017, na cidade de Nazaré do Pico em Pernambuco, por ocasião das comemorações de 100 anos da cidade. O Senhor Pedro Ferreira, fala-me da visita que o irmão de Lampião Ezequiel Ferreira, na cidade de Serra Talhada, para tirar documentos.

O escritor do livro LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS, José Bezerra Lima Irmão, nos faz um relato detalhado desse episódio. Ele nos diz: 

Para os leitores do Diário de Notícias, A Tarde, A Noite e Diário de Pernambuco, que não perdiam os relatos dos feitos de Lampião, 1931 estava sendo um ano "morno". A impressão que se tinha era de que não acontecia quase nada. Nas feiras, os cantadores e violeiros só falavam em Maria Bonita. Mas, na verdade, muita coisa estava acontecendo. A polícia é que tinha perdido o entusiasmo, alegando falta de verbas para continuar a campanha. Limitava-se a traçar planos para extinguir o cangaço. Em virtude disso, os informes passados à imprensa rareavam. Porém, nas caatingas, Lampião continuava em plena atividade. Três fatos marcaram aquele ano na história do cangaço: a admissão de mulheres no bando de Lampião, a morte de Ezequiel Ferreira e o esquartejamento de Herculano Borges. Dos homens, Ezequiel Ferreira da Silva era o irmão mais novo de Virgulino. Era um rapaz moreno-claro, simpático e brincalhão. Quando os manos mais velhos — Antônio, Livino e Virgulino — viraram cangaceiros, nos episódios que culminaram com a morte do pai, Ezequiel era um menino de apenas 9 anos. À. época, ficou com as irmãs solteiras, sob os cuidados de João Ferreira, o único dos adultos que não entrou no cangaço, se bem que pretendesse, pois Lampião decidiu que alguém tinha que se manter na legalidade para cuidar da família. Depois, em 1927, em face das perseguições sofridas pelos Ferreira, Ezequiel resolveu ser também cangaceiro. Tinha então 15 anos de idade. Lampião relutou, mas acabou cedendo. Quando Ezequiel entrou no bando, havia morrido um cangaceiro apelidado de Ponto Fino e, como de costume, o novato ficou com o apelido do finado. Os autores se repetem dizendo que esse apelido era devido à precisão da pontaria de Ezequiel, considerada infalível. Muito pelo contrário, Ezequiel nunca se distinguiu como atirador. Não se sabe de nenhuma morte atribuída a ele. Era um cangaceiro discreto, comedido. Atuava mais como guarda-costas de Lampião, quando este precisava fazer alguma coisa fora do olhar dos outros ou resolvia tirar um cochilo, deixando Ezequiel de prontidão. Não se prevalecia do fato de ser irmão do chefe para obter vantagem de qualquer espécie. Ocupava um lugar indeterminado na hierarquia do bando, já que o homem forte, depois de Lampião, era o cunhado, Virgínio, conhecido como Moderno, e as grandes atribuições eram confiadas a Luís Pedro e Mariano. Essa postura de Virgulino talvez fosse uma forma de preservar o caçula. 

A "morte" de Ezequiel e a sua aparição em Serra Talhada Como tempo, a versão da fuga passou a ser ridicularizada porque tudo ficava por conta de boatos e conjeturas. Mas foi então que se verificou um fato que reacendeu a hipótese da fuga: em novembro de 1984, um homem já idoso, de 70 para 80 anos de idade, residente no Piauí, chegou à Serra Talhada para tirar os documentos a fim de se aposentar. Ele procurou a casa de Genésio Ferreira, primo de Lampião, e apresentou-se: 

— Geneso, eu sou seu primo Ezequié. 

Genésio Ferreira assustou-se: 

— Ezequiel? O irmão caçula de Lampião? 

— É, sou eu — confirmou o homem. — Eu fui dado cumo morto, mais aquilo foi um jeito qui meu irmão deu pra me tirá daquela vida. E se aperpare pra iscutá mais: Lampião tamém tava vivo até treis ano atrais. Depois eu lhe conto tudo direitim. Vim aqui purgue tou quereno me apusentá e nun tenho documento nlhum. Nun sou nem registrado. Vim aqui pra me registra. 

Genésio Ferreira tinha visto Ezequiel quando garoto. Não havia como saber se aquele era de fato seu primo, dado como morto fazia mais de cinquenta anos. Genésio começou a fazer perguntas sobre coisas do passado, envolvendo a família, os lugares. O homem lembrava-se de episódios familiares, citava nomes, descrevia a forma das casas, as estradas... Genésio foi com o sujeito ao cartório de registro civil e expôs o fato. O tabelião recusou-se a fazer o registro. Disse que só podia registrá-lo se o juiz autorizasse. Foram ao juiz. O Dr. Clodoaldo Bezerra de Souza e Silva, juiz de direito da comarca de Serra Talhada, impressionado com a história, mandou chamar antigos moradores da cidade, dos tempos da gloriosa Vila Bela. Conversou com pessoas da família Godoy, pois o estranho personagem dizia que seu padrinho era Quinca Godói (Joaquim Godoy).  Ao final, convencido de que aquele senhor falava a verdade, o juiz autorizou o registro.2118 Ezequiel passou cerca de vinte dias na casa de Genésio Ferreira, na Rua Agostinho Nunes Magalhães. Várias personalidades importantes da cidade estiveram com ele: o monsenhor Jesus Garcia Riallo (que foi vigário de Serra Talhada por mais de meio século), o padre Afonso de Carvalho (da paróquia de Nossa Senhora do Rosário), o médico Dr. Elias Nunes, o tabelião e vereador Luiz Andrelino Nogueira, o ex-prefeito Luiz Conrado de Lorena e Sá (Luiz Lorena), o agricultor Luiz Alves de Barros (sobrinho de Zé Saturnino) e o tenente João Gomes de Lira, de Nazaré, ex-soldado de volante. De todas as pessoas com quem ele conversou, três merecem destaque neste caso. Uma é Luiz Alves de Barros, o famoso Luiz de Cazuza, companheiro de infância de Ezequiel na Serra Vermelha. Antes das desavenças dos Ferreira com os Saturnino, as duas famílias eram amigas, moravam vizinhas. Luiz de Cazuza e Ezequiel eram quase da mesma idade. Acompanhado de Genésio Ferreira, no dia 26 de dezembro de 1984 Luiz de Cazuza conversou durante mais de quatro horas com o estranho personagem. 

José Alves Sobrinho, filho de Luiz de Cazuza, escreveu um livro em que aborda a questão havida entre Lampião e Zé Saturnino, no qual há um capítulo com a descrição do encontro de seu pai com o tal indivíduo. Luiz de Cazuza conversou com o forasteiro sobre vários fatos da infância: quem estava presente em determinados eventos, quem morreu, como foi programado o cerco da fazenda Pedreira, como foi que Lampião atacou e queimou a casa-grande da fazenda Serra Vermelha. O homem se recordava de muitos detalhes, e em relação a outros alegou que não se lembrava mais. José Alves considera razoável o esquecimento, haja vista tratar-se de um homem com idade bastante avançada." Luiz de Cazuza deu um depoimento, gravado em videocassete, aos pesquisadores Paulo Medeiros Gastão, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), e Aderbal Nogueira. Alcino Costa assinala que naquele depoimento existem "pelo menos dois preciosos detalhes que comprovaram ser aquele senhor do Piauí, sem sombra de dúvidas, o próprio Ezequiel, em carne e osso. 

[...] Em dado momento o forasteiro perguntou a Cazuza se ele tem lembrança do encontro que o mesmo tivera com Lampião na Cacimba do Gado, no ano de 1927, e, como querendo refrescar a memória do velho caboclo, diz que naquele dia estavam presentes dezessete cangaceiros, dentre os quais Mourão, Sabino, além dele e Antônio, o outro irmão. Perguntou a Luiz Cazuza se ele tem lembrança do episódio dos dois pares de alpercatas encomendadas por Lampião e Sabino e que ficaram guardados por mais de cinco meses na casa de uma senhora dali do São Domingos e que naquele dia as mesmas foram entregues aos bandoleiros". Alcino Costa conclui: "Estas minuciosas particularidades desvaneceram as dúvidas de seu Luiz que ficou convicto de que aquele homem era realmente o mano mais novo de Lampião".

A segunda pessoa cujo testemunho merece destaque é Luiz Lorena, que foi quatro vezes prefeito de Serra Talhada, considerado a "história viva" da cidade. Conhecedor da história do cangaço, Luiz Lorena fez várias perguntas ao referido senhor sobre combates travados por Lampião nos quais Ezequiel, o Ponto Fino, estava presente. O sujeito narrava os fatos, dando detalhes: a hora do combate, quem morreu, para onde o bando foi depois... Ele conhecia todos os caminhos que ligavam as fazendas da beira do Riacho São Domingos. Falava de antigos moradores. Perguntava: "Sabe de fulano de tal? Ele ainda mora em tal lugar?". Luiz Lorena dizia: "Não posso afirmar que aquele sujeito era Ezequiel, mas, se era um impostor, tinha decorado tudo e sabia representar bem o seu papel terceira é o tenente João Gomes de Lira, um dos famosos "Cabras de Nazaré", que pelejou nas volantes de Manoel Neto e de Davi Jurubeba. João Gomes é autor de um livro que constitui referência indispensável para todos os pesquisadores do cangaço. Quando a obra estava pronta para publicação, ocorreu o encontro do autor com o homem que se dizia irmão de Virgulino. João Gomes acrescentou então um capítulo final, relatando a história contada pelo suposto Ezequiel. João Gomes expõe a celeuma que houve em Serra Talhada quando o povo soube da presença de Ezequiel na cidade, todo mundo querendo ver o ex-cangaceiro. Uns afirmavam que aquele era mesmo Ezequiel, outros ponderavam não ser possível, pois Ezequiel morrera na Bahia, outros diziam que o homem não parecia com os membros da família Ferreira. Os parentes ficaram em dúvida, pois as informações que tinham era de que Ezequiel havia morrido na Bahia em 1931. João Gomes conclui que, embora muita gente ficasse em dúvida, "Chegaram à conclusão de que, na realidade, era mesmo Ezequiel, quando aos poucos foi ele se identificando, como seja procurando por pessoas da região se ainda eram vivas ou mortas. Como também procurava saber se em determinados lugares ainda existiam velhas árvores, como procurou saber se, no terreiro da casa em que residiu seu velho José Ferreira, no lugar Poço do Negro, ainda existia um pé de umbuzeiro-cajá; na realidade lá está o frondoso pé de umbuzeiro. Foi assim chegando na mente daquela gente que na realidade era mesmo o Ponto-Fino". Segundo João Lira, desapareceram todas as dúvidas quando o homem passou a relatar os fatos e a expor o motivo de ter abandonado o cangaço. Aquele era Ezequiel. Não fosse ele, como seria possível uma pessoa residente no Piauí saber daquelas coisas?  

Esse indivíduo foi entrevistado por Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, autores de Lampião e o Estado-Maior do Cangaço. Ele assegurou ser o irmão mais novo de Lampião. Os autores perguntaram por que era que todo mundo dizia que ele tinha morrido na Bahia em 1931, e "Ele respondeu que tudo era mentira, que o irmão tinha inventado a estória prá ele poder sair do cangaço". Porém os citados pesquisadores se desinteressaram pelo caso porque o velho, ao ser "Inquirido sobre o nomes dos seus pais, respondeu errado", e "Disse ainda ter tido 3 irmãos e 3 irmãs, o que não é verdade". Além disso, ele errava os nomes dos irmãos, fantasiava a descrição dos combates e citava cangaceiros que não foram seus contemporâneos. Hilário e Magérbio, apesar de admitirem que o homem "tinha mais ou menos a mesma idade e aparência fisica" que teria Ezequiel se fosse vivo, consideram que "na verdade era uma farsa, não se sabe com que finalidade, pois não havia dinheiro na estória, nem estava muito interessado em promover-se". Os citados pesquisadores consideram que os familiares de Lampião "acreditaram realmente tratar-se do primo" por nada saberem sobre a vida do parente depois que ele foi embora, ainda menino. Hilário e Magérbio concluem dizendo que aquele homem "Morreu certo que era Ezequiel Ferreira, o irmão mais novo de Lampião". 

Não obstante seus inegáveis conhecimentos sobre o cangaço, Hilário e Magérbio interpretaram mal as respostas daquele cidadão. Eles fizeram perguntas a um velho sobre coisas de sua infância e juventude. Após a morte de seus pais, a família andara de déu em déu. Ele não tinha nada anotado, pois era analfabeto. A rigor, suas respostas eram mais que razoáveis, pelo seguinte: Hilário e Magérbio consideraram que ele "respondeu errado" os nomes dos pais. Ora, como é que ele respondeu errado, se ninguém, nem mesmo o mais perspicaz estudioso do cangaço, sabe ao certo como eram os nomes dos pais de Lampião? Basta notar a divergência entre os dados da certidão de casamento em cotejo com as certidões de nascimento dos filhos. José Ferreira ora aparece como "dos Santos", ora como "da Silva", ora como "de Barros", e sua esposa, que devia chamar-se Maria Vieira Lopes, ora aparece como Maria Sulena da Purificação (registro civil de nascimento de Virgulino), ora como Maria Vieira da Solidade (batistério de Virgulino), ora como Maria Santina da Purificação (batistério de Livino), ora como Maria Vieira do Nascimento (certidão de casamento religioso). 

Quanto aos nomes dos irmãos, é provável que em casa todos fossem tratados apenas pelos prenomes e apelidos. Ezequiel não tinha como saber ao certo os nomes completos dos irmãos, pois nem mesmo estes sabiam. Virgulino, por exemplo, que foi registrado simplesmente como "Virgolino" (sem sobrenome), tirou o título de eleitor com o nome de Virgulino Lopes de Oliveira. Durante algum tempo, se assinou Virgulino Ferreira dos Santos, até se decidir por Virgulino Ferreira da Silva. Ezequiel certamente não sabia o nome verdadeiro de Mocinha. 

Como Ezequiel não sabia assinar o nome, quem assinou por ele foi João Soares de Souza, tendo como testemunhas Genésio Ferreira Lima e Luiz Andrelino Nogueira (que era o tabelião público).

Fonte da matéria: LAMPIÃO a raposa das caatingas de José Bezerra Lima Irmão.

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

MENTIRA CABELUDA...

 Por José Mendes Pereira

Suposto Ezequiel Ferreira da Silva

Amigo leitor, as minhas inquietações não se referem a nenhum dos que organiza a literatura lampiônica, e sim, aos depoentes que mentiram mais do que deviam. 

O suposto Ezequiel Ferreira da Silva que se dizia ser filho de José Ferreira com dona Maria Lopes, disse que saiu do cangaço em 1931, porque o seu irmão capitão Lampião teria forjado a sua morte, só para que ele saísse do cangaço sem ser perseguido por nenhum grupo policial, possivelmente.  

Mas, veja que, 7 anos depois, ele reaparece, lá na Grota do Angico, em Porto da Folha, hoje Poço Redondo, nas terras sergipanas, e possivelmente, foi antes da chacina, e nesse dia, teria fugido do bando em companhia de Luiz Pedro, Lampião e Félix da Mata. Isso está na literatura lampiônica.

Veja o que disse o pesquisador Ângelo Osmiro:

O escritor e pesquisador do cangaço Ângelo Osmiro residente na capital  de Fortaleza, no Estado do Ceará, em um dos seus trabalhos com o título “A morte de Ezequiel Ferreira (Ponto Fino) irmão de Lampião”, nos diz que segundo o Ezequiel, teria ficado na “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia” até  julho de 1938, quando o irmão fez uma reunião para comunicar aos companheiros que abandonaria o cangaço.  Aqui está o link para você conferir: http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2015/07/a-morte-de-ezequiel-ferreira-ponto-fino.html

Mas é improvável que o Ezequiel Ferreira da Silva estava na Grota do Angico naquele dia, pois nenhum dos remanescentes de Lampião falaram sobre a presença de um irmão de Lampião lá, a não ser somente o José Ferreira que era seu sobrinho, e conseguiu fugir no momento do ataque aos cangaceiros. 

Em 1938 o capitão Lampião não tinha mais nenhum irmão no cangaço. De Ferreira, naquela maldita vida, só ele e mais ninguém. Então, mais uma mentira do suposto Ezequiel Ferreira da Silva.

As histórias do Ezequiel não têm limites, e são facilmente entendidas como invenções, isso, na intenção de conquistar os pesquisadores, escritores e cineastas. Mas se enganara.

O que eu escrevi, de forma alguma, prejudicará os trabalhos dos estudiosos do cangaço. São apenas as minhas inquietações. 

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SERRA TALHADA O APARECIMENTO DO SUPOSTO EZEQUIEL FERREIRA. PARTE II.

 Por Cangaçologia

https://www.youtube.com/watch?v=4hsLOSZnqZI

No ano de 1984 apareceu na cidade pernambucana de Serra Talhada um cidadão em busca de documentos e dizendo ser Ezequiel Ferreira, irmão de Lampião, que até então era tido como morto no combate da Lagoa do Mel (Fazenda Tanque do Touro), Baixa do Boi, localizado atualmente no município baiano de Paulo Afonso. Ocasião em que Lampião e bando atacaram a Força Policial Volante sob o comando do então Tenente Arsênio Alves de Souza. Saindo mortos desse confronto 19 soldados, números não oficiais, e dois cangaceiros, sendo um deles o cangaceiro Andorinha e supostamente Ezequiel Ferreira, irmão de Lampião.

Cinquenta e três anos se passaram até que o aparecimento do suposto Ezequiel Ferreira em Serra Talhada, Pernambuco, causou grande reboliço e trouxe novas interrogações para a já questionada história cangaceira e despertou a atenção de estudiosos e pesquisadores do tema, que sem medir esforços foram apurar os fatos in loco. Alguns chegaram à conclusão que há a possibilidade da história ser real, enquanto outros descartaram completamente tal possibilidade.

Sem esquecermos que alguns amigos e familiares são categóricos em afirmar que aquele cidadão era realmente Ezequiel Ferreira.

Para finalizar a história o suposto Ezequiel Ferreira da Silva conseguiu “provar” na justiça a sua identidade e teve seu registro de nascimento expedido no dia 23 de novembro de 1984, no distrito de Vila de Pajeú no município de Serra Talhada no estado de Pernambuco. Serviram como testemunhas os senhores: Genésio Ferreira Lima (Primo) e Luiz Andrelino Nogueira.

Nessa segunda parte do cocumentário o senhor Pedro Ferreira Lima, primo de Lampião e filho de Alfredo Ferreira que recepcionou o suposto Ezequiel Ferreira em sua residência, continuará o seu depoimento a respeito da visita desse inesperado visitante no seio de sua família.

E vocês o que acham sobre esse assunto? Esse cidadão era ou não Ezequiel Ferreira da Silva irmão de Lampião? Deixem suas opiniões. INSCREVAM-SE TAMBÉM:
https://www.youtube.com/channel/UCjSU... Assistam e ao final deixem seus comentários, críticas e sugestões. INSCREVAM-SE no canal e ATIVEM O SINO para receber todas as nossas atualizações. Forte abraço... Cabroeira! Atenciosamente: Geraldo Antônio de Souza Júnior - Criador e administrador dos canais Cangaçologia e Arquivo Nordeste. Seja membro deste canal e ganhe benefícios:

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UERN - CONVITE DA SOLENIDADE DE SANÇÃO DO PROJETO DE LEI DA AUTONOMIA FINANCEIRA DA UERN

 

ASCRIM/ACADEM PRESIDENCIA – IMNFORME DE CONFIRMAÇÃO ao CONVITE DE ASSINATURA GESTÃO DE AUTONOMIA FINANCEIRA FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO EST. RN”– OF. Nº 064/2021.   

  MOSSORÓRN 28.12.2021 

   

“RECEBES ESTE EXPEDIENTE PORQUE A ASCRIM O(A)VALORIZA E RESPEITA, PELO ALTO NÍVEL DE QUEM TEM O PRESTÍGIO DE SER ASSIM CONSIDERADO(A).”    

    

Quando nos enviam e recebemos um convite, na melhor brevidade, nos reportamos com dignidade e honra !   

   

   É PRAXE DESTA PRESIDÊNCIA, QUANDO OFICIALMENTE CONVIDADO/COMUNICADO (VIA EPISTOLAR OU ELETRÔNICA), TEMPESTIVAMENTE(3 DIAS CORRIDOS), DIGNAR-SE RESPONDER, EM TEMPO HÁBIL, AS ECLÉTICAS DIVULGAÇÕES  DOS EXCELENTÍSSIMOS PRESIDENTES E ENTUSIASTAS DE ENTIDADES GOVERNAMENTAIS E EDUCACIONAIS, EXEMPLO QUE NOTABILIZA O VIÉS DE UM DIRIGENTE INTELECTUAL CORRESPONDER A ESSE ECLETISMO, PORQUE SABE A DIFERENÇA ENTRE O LIAME DA PARTILHA E DO PRESTÍGIO QUE ASCENDE E CRESCE, NO INTERCÂMBIO DOS QUE RESPEITAM OS ABNEGADOS DEFENSORES DA CULTURA MOSSOROENSE.   

   NESTA SINTONIA, UMA DIVULGAÇÃO DE EVENTOS CULTURAIS/SOLENES E A CONFIRMAÇÃO, PERMUTADA, RECÍPROCA DOS PARTICIPANTES E ENTIDADES SINGULARES, MERECE E FUNCIONA COMO UM “FEEDER”, EVIDENTE, REPASSADO A TODOS OS ACADÊMICOS E INTEGRANTES DE SEUS CORPOS ADMINISTRATIVOS/SOCIAIS, PELO SEU PRÓPRIO DIRIGENTE, CUJO ESSE FEEDBACK ALIMENTA, NATURALMENTE, O FERVOR E A CONSIDERAÇÃO EM QUE SINGRAM OS INTELECTUAIS E SERVIDORES   DESSAS PLÊIADES.   

    

DESTA FORMA, AGRADECENDO PELO CONVITE , QUE NOS FOI REPASSADO PELO CERIMONIAL DA UERN, RESERVO-ME ATRIBUIR MESMO VALOR DE PARTILHA, AZO DE ENTENDER O COMUNICADO, POR DENOMINAÇÃO HERMENÊUTICA É UM CONVITE, QUE IMPENDE INFERIR, QUE NOS FAREMOS REPRESENTAR PARA ASSISTIR À SOLEDIDADE  

 

= NO DIA 29.12.2021(QUARTA-FEIRA) às 16:30h, NA REITORIA DA UERN 

        

    

SAUDAÇÕES ASCRIMIANAS, 

 

FRANCISCO JOSÉ DA SILVA NETO 

-PRESIDENTE DA ASCRIM  E ACADEM 

 

MARIA GORETTI ALVES DE ARAÚJO 

-VICE-PRESIDENTA INTERINA- 



De: Cerimonial da UERN <cerimonial@uern.br>
Enviado: terça-feira, 28 de dezembro de 2021 20:08
Assunto: UERN - Convite da Solenidade de Sanção do Projeto de Lei da Autonomia Financeira da UERN
 
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Enviado pela ASCRIM

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SEU JOSÉ FERREIRA DA SILVA (SANTOS) COM CERTEZA, TERIA REGISTRADO O EZEQUIEL FERREIRA DA SILVA EM QUALQUER CARTÓRIO DE VILLA BELLA..

 Por José Mendes Pereira

Ezequiel Ferreira da Silva irmão de Lampião, último a morrer antes dele.

Sobre o Ezequiel Ferreira da Silva irmão (mais novo dos homens) de Lampião, são tantas histórias, que a gente fica bastante confuso. Mas isso é comum, faz parte de qualquer estudo, e muitas vezes, são informações de depoentes que não condizem com a verdade. Os estudiosos colocam nos seus trabalhos o que foi colhido em entrevistas etc.

Olhando para as fotos dos dois com o mesmo nome Ezequiel, uma, com certeza, é verdadeira, a outra, não é, mas há como a gente desmentir o velho impostor, que bateu o martelo em Villa Bella, dizendo ser o verdadeiro Ezequiel Ferreira da Silva, irmão dos Ferreiras.


Observem a orelha do impostor que existe (digamos assim) brinco de carne, enquanto que a orelha do Ezequiel verdadeiro não tem. Orelha do Ezequiel está à altura do nariz. Já a orelha do impostor está quase igual à boca. Lógico que a gente sabe que orelha, nariz... são formados por cartilagens. Na foto do falso Ezequiel, a sua orelha desceu muito, ou o nariz subiu, coisa que é muito difícil um nariz mudar de lugar para cima.

Suposto Ezequiel Ferreira da Silva irmão de Lampião.

Todos aqueles que me conhecem nesse mundo de pesquisas sobre o cangaço sabem muito bem que eu não sou nenhuma autoridade no assunto, e tenho a dizer aos amigos, as minhas inquietações são somente sobre depoentes e mais ninguém. Se caso eu discordar de um escritor, pesquisador ou mesmo sobre os trabalhos de cineastas do cangaço, estou querendo aparecer, vez que eu não tenho profundos conhecimentos sobre o tema para guerrear contra qualquer um desses que organiza a literatura lampiônica. 

Sou um estudante que conheço o meu lugar no estudo cangaceiro, e o meu pouco conhecimento que tenho adquirido, vem dos pesquisadores, escritores e cineastas. E para que eu ir contra eles? Tudo que discordo é sobre informações de alguns depoentes (não todos), que leram as suas lições aumentando os textos que foram exigidos na hora do argumento. 

Antiga Villa Bella - Pernambuco terra de Lampião

O caso do suposto Ezequiel que morava no Piauí e que em 1984 chegou à Serra Talhada, antiga Villa Bella, no Estado de Pernambuco, se dizendo ser o verdadeiro Ezequiel Ferreira da Silva, irmão mais novo dos Ferreiras, e que tinha ido lá tirar seus documentos para uma possível aposentadoria, mas lamentavelmente, as suas informações, para mim e para pesquisadores que são famosos, nada verdadeira, tudo mentira.

Capitão Lampião e seu irmão mais novo Ezequiel Ferreira da Silva

Alguns que conheceram o Ezequiel  irmão de Lampião em Serra Talhada acharam que o homem que aparecera se dizendo ser Ezequiel Ferreira da Silva, filho de José Ferreira da Silva e de dona Maria Sulena da Purificação, tinha muito a ver com o Ezequiel verdadeiro, principalmente amigos de infância e outros mais, como por exemplo, o Genésio Ferreira, primo de Lampião, que o acoitou por mais de 20 dias em sua residência, acreditou cegamente nas palavras do suposto Ezequiel.

Mas, você leitor, poderá até me perguntar o porquê da minha discórdia, quando o velho detalhou minunciosamente  alguns fatos que ocorreram no tempo que por lá viveu a alguns antigos amigos e familiares de Serra Talhada.

Primeiro, quando o Ezequiel verdadeiro saiu de Villa Bella ainda era muito pequeno, com aproximadamente 9 anos de idade, porque ele nasceu em 1908, e toda encrenca de Zé Saturnino com os Ferreiras ou os Ferreiras com Zé Saturnino, não sei, foi mais ou menos a partir 1916. Então, nenhum de seu tempo de criança que viu ele nascer, tinha condições de reconhecer o menino de ontem que hoje já era velho e muito velho.

Outra, segundo informações, quando perguntado os nomes dos seus pais, ele não soube responder, principalmente de alguns irmãos. Ora, é muito difícil a gente esquecer os nomes dos nossos pais e dos nossos irmãos.

E há quem diga que, isso de não saber os seus nomes, foi simplesmente, devido a avançada idade que já tinha o feito esquecer os nomes dos pais e de alguns irmãos. Não tinha tanta idade para esquecer os nomes dos pais e dos irmãos. apenas 74 anos. Mas mesmo assim, ele soube muito bem procurar o seu direito de se aposentar. Ezequiel disse que tivera 6 irmãos. Pois diga! Quando ele saiu da companhia de suas irmãs, todas já eram nascidas, e não tinha como esquecê-las. 

Pais e irmãos de Lampião, inclusive ele está na foto. As duas irmãs que morreram ainda pequeninas não estão na fotografia. (Desenho de Lauro Villares utilizando-se de antigos retratos).

Mas nós sabemos que a prole do casal era um total de 11 filhos, incluindo ele, caso fosse o Ezequiel verdadeiro. Ele foi irmão de 09 filhos de José Ferreira com dona Maria Sulena da Purificação, e 10, contando com Antonio Ferreira da Silva que era só filho de dona Maria, com um senhor chamado Venâncio, porque, quando seu José casou-se com dona Maria, segundo pesquisadores, ela já o levava no seu ventre. 

De acordo com documentos nas mãos do escritor José Bezerra Lima Irmão, pela contagem do dia do casamento dos seus pais, o Antonio Ferreira da Silva  também era filho legítimo do pequeno fazendeiro José Ferreira da Silva, ou dos Santos.

Escritor José Bezerra Lima Irmão

Sem ordem de nascimento todos seus irmãos eram: Antonio Ferreira da Silva, Livino Ferreira da Silva, Virgulino Ferreira da Silva, Virtuosa Ferreira da Silva, João Ferreira dos Santos (este era dos Santos), Angélica Ferreira da Silva, Ezequiel Ferreira da Silva, Maria Ferreira da Silva (dona Mocinha), e Anália Ferreira da Silva. Dos que sobreviveram, Anália era a mais nova de todos.

Saudoso escritor José Sabino Bassetti

Além dos seus irmãos que nós todos já os conhecemos através dos nossos estudos cangaceiros, o casal teve mais duas filhas, que foram: a 10ª. filha Maria do Socorro e 11ª. Maria da Glória, as quais nasceram mais ou menos nos anos de 1913 e 1914, do século XX, e, segundo o pesquisador do cangaço e escritor, o saudoso José Sabino Bassetti, as crianças faleceram ainda pequeninas, e uma delas (não tenho a confirmação qual delas faleceu tragicamente), foi queimada numa língua de fogo de uma lamparina, em sua casa, ao clarear de certo dia. 

A criancinha levantou-se da sua redinha e caminhou para uma mesa onde estava a lamparina acesa, e acredita-se que ela tenha puxado a toalha da mesa, fazendo com que o querosene derramasse sobre a sua camisolinha, e a partir daí, o fogo tomou de conta das suas vestes. Ela teria durado alguns dias vivas, mas não resistiu às queimaduras e veio a óbito. O escritor não revela o ano de seu falecimento.

Ainda segundo José Bezerra Lima Irmão, o suposto Ezequiel Ferreira foi entrevistado pelos escritores Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, os quais são autores do livro “Lampião e o Estado-Maior do Cangaço” e fizeram várias perguntas ao forasteiro, homem sem rédeas, mas ficaram abismados com tantas contrariedades ditas pelo depoente. 

Escritor e pesquisador do cangaço Hilário Lucetti

Mas o homem  impostor descaradamente estava querendo adivinhar o que lhe era solicitado pelos mestres da cultura, e, escorregava constantemente, porque não  tinha  firmeza do passado da família "Ferreira", a qual ele se dizia fazer parte. O certo é que aquelas alturas, ele queria apoio de alguém para permanecer por alguns dias na cidade de Serra Talhada, enquanto resolvia o que tinha ido fazer lá e mentia um pouquinho.

Escritor e pesquisador do cangaço Magérbio de Lucena

Com tudo em mãos, caneta, papel e outros materiais necessários para os seus trabalhos, os pesquisadores Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena resolveram iniciar as suas perguntam ao suposto Ezequiel:

(...)

- O senhor é mesmo irmão do Virgolino Ferreira da Silva, o capitão Lampião?

E ele desavergonhadamente, mas talvez um pouco nervoso, que nessa hora aparece a quem está mentindo, assegurou, dizendo:

- Sou sim, o irmão mais novo de Lampião.

- E como são os nomes dos seus pais...?

O dono da farsa literalmente não soube responder.

Os autores perguntaram-lhe:

- Por que é que todo mundo diz que o senhor foi assassinado e testemunhado por pessoas que lá estavam, no Estado da Bahia, no ano de 1931, no mais ferrenho combate feito pelo capitão Lampião e a polícia, que aconteceu nas terras da cidade de Paulo Afonso, no povoado chamado Baixa do Boi, e agora o senhor aparece vivo em Serra Talhada? 

Cova do cangaceiro Ezequiel Ferreira irmão de Lampião

E ele:

- Tudo era mentira, senhores.  O meu irmão Lampião inventou a história para eu sair do cangaço.

- Quantos irmãos o senhor teve?

E ele respondeu:

- Tive 3 irmãos e 3 irmãs.

O que não é verdade.

Mas veja leitor, que ele não tinha segurança no que dizia. Fantasiava a descrição dos combates e citava cangaceiros que não foram do seu tempo.

(...)

Depois de tantas mentiras os escritores perderam o gosto e desistiram de continuar a entrevista com o suporto Ezequiel Ferreira da Silva.

Apesar de admitirem que o homem tinha mais ou menos a mesma idade e aparentando fisicamente, que teria Ezequiel se fosse vivo, Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena consideraram que na verdade era um verdadeiro embusteiro. Os estudiosos do cangaço ficaram sem saber a finalidade de tanta mentira, porque, na história não havia valores e nem promessas.   

Dr. Antonio Amaury, João de Sousa Lima, Ângelo Osmiro e Dr. Leandro Cardoso

Mas aí não termina a farsa. O escritor e pesquisador do cangaço Ângelo Osmiro residente na capital  de Fortaleza, no Estado do Ceará, que é sócio da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, com sede localizada em Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, em um dos seus trabalhos com o título “A morte de Ezequiel Ferreira (Ponto Fino) irmão de Lampião”, nos diz que segundo o suposto Ezequiel Ferreira da Silva, teria ficado na “Empresa de Cangaceiros Lampiônica & Cia” até  julho de 1938, quando o capitão Lampião fez uma reunião para comunicar aos companheiros que abandonaria o cangaço.

O cangaceiro Luiz Pedro

E fugiram disfarçados: o próprio Ezequiel; o capitão Lampião, Luiz Pedro e mais Félix da Mata Redonda, tendo ele permanecido no Estado do Piauí, enquanto Luiz Pedro e Lampião tomaram o destino de Goiás (não detalhou para onde foi o Félix da Mata Redonda), onde Lampião teria morrido no ano de 1981. Mais uma vez o homem mentiu. Lampião morreu na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na Grota do Angico, no Estado de Sergipe, indiscutivelmente. 

O cangaceiro Félix da Mata

Veja leitor, fugiu do bando de Lampião em 1931, quando, segundo ele, Lampião teria forjado a sua morte, e 7 anos depois, ele aparece na empresa de cangaceiros lampiônica & Cia, do irmão, na madrugada de 28 de julho de 1938, lá na Grota do Angico, em Porto da Folha, hoje Poço Redondo, nas terras sergipanas. Se ele afirma isso, conseguiu furar o cerco e salvou a sua vida, juntamente com outros tantos cangaceiros que lá estavam acoitados.

O JUIZ DE DIREITO DEIXOU DE SER DIREITO. MANDOU REGISTRAR HOMEM QUE SE DIZIA SER IRMÃO DE LAMPIÃO. QUAL ERA A PROVA? SOMENTE A SUA PALAVRA, E DAQUELES QUE DIZIAM SER MESMO O EZEQUIEL FERREIRA DA SILVA?

Não dá para entender por ter  sido lavrado o registro de Ezequiel novamente, porque se era ele ou não, no período que ele nasceu, seu pai José Ferreira dos Santos estava gozando a liberdade e vivendo a santa paz, e jamais imaginava que um dia passaria por coisas terríveis no seio de sua família, e tenho quase certeza que ele não deixou nenhum dos seus filhos sem registrá-lo. Todos nasceram em Villa Bella, hoje Serra Talhada. Agora se ver, talvez Ezequiel Ferreira da Silva registrado duas vezes em cartório.

Mas quem foi o culpado? 

Foi o juiz de nome Clodoaldo Bezerra de Souza e Silva, juiz de direito da comarca de Serra Talhada, que segundo informações, admirado ficou de queixo caído, coisa que um juiz de direito tem que ir pela lei e a razão, e não pelo o coração; com o que afirmava o suposto Ezequiel. Mandou chamar alguns antigos moradores da cidade, e a eles fez perguntas, se confirmavam ou não, que aquele sujeito era Ezequiel Ferreira da Silva, irmão de Lampião. Os entrevistados afirmaram que sim.

Mas as pessoas não podiam testemunhar nada, vez que o rapaz estava longe dali, e já haviam se passados muitos anos se fosse ele mesmo, e assim, a garantia daquele sujeito ser Ezequiel, irmão do rei do cangaço capitão Lampião, era uma verdadeira incógnita.

Como juiz de direito da cidade de Serra Talhada ele tinha que mandar fazer uma busca nos cartórios da cidade, e até mesmo em outros municípios adjacentes, para saber se existia ou não, registro em algum livro oficial do Ezequiel Ferreira da Silva, tendo como pais José Ferreira dos Santos e Maria Sulena da Purificação. 

Mas é quase certo que não mandou fazer este levantamento nos cartórios, pois o procedimento legalmente seria este, e não ir em conversas de pessoas que queriam que o homem fosse reconhecido e registrado como irmão de Lampião, e sendo assim, desnecessariamente, autorizou que o homem fosse registrado no cartório que ele procurou, como sendo irmão dos Ferreiras, e sem outra providência.

https://www.familysearch.org/wiki/pt/Serra_Talhada,_Pernambuco_-_Genealogia

Sobre Ezequiel ter relembrado muitas coisas quando morava em Villa Bella, isso não é difícil para ninguém, e muito menos para quem quer se passar por outra pessoa. Eu moro na região Leste de Mossoró e sei quase tudo dos tempos passados em bairros que já morei, que se eu andar em alguns deles, mesmo sem conhecer quase mais ninguém, porque muitos já se foram, contarei com perfeitos detalhes o passado dali, como se eu tivesse ainda vivendo por lá. 

O suposto Ezequiel Ferreira, com certeza, era um antigo morador da região, conhecedor dali, e como tinha uma certa semelhança com o Ezequiel verdadeiro, fez muita gente de besta e babaca na linda cidade de Villa Bella, hoje registrada como Serra Talhada.

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SERRA TALHADA O APARECIMENTO DO SUPOSTO EZEQUIEL FERREIRA. PARTE I.

Por Cangaçologia. 

https://www.youtube.com/watch?v=38lbopTVgVk&ab_channel=Canga%C3%A7ologia

No ano de 1984 apareceu na cidade pernambucana de Serra Talhada um cidadão em busca de documentos e dizendo ser Ezequiel Ferreira, irmão de Lampião, que até então era tido como morto no combate da Lagoa do Mel (Fazenda Tanque do Touro), Baixa do Boi, localizado atualmente no município baiano de Paulo Afonso. Ocasião em que Lampião e bando atacaram a Força Policial Volante sob o comando do então Tenente Arsênio Alves de Souza. Saindo mortos desse confronto 19 soldados, números não oficiais, e dois cangaceiros, sendo um deles o cangaceiro Andorinha e supostamente Ezequiel Ferreira, irmão de Lampião.

Cinquenta e três anos se passaram até que o aparecimento do suposto Ezequiel Ferreira em Serra Talhada, Pernambuco, causou grande reboliço e trouxe novas interrogações para a já questionada história cangaceira e despertou a atenção de estudiosos e pesquisadores do tema, que sem medir esforços foram apurar os fatos in loco. Alguns chegaram à conclusão que há a possibilidade da história ser real, enquanto outros descartaram completamente tal possibilidade.

Sem esquecermos que alguns amigos e familiares são categóricos em afirmar que aquele cidadão era realmente Ezequiel Ferreira.

Para finalizar a história o suposto Ezequiel Ferreira da Silva conseguiu “provar” na justiça a sua identidade e teve seu registro de nascimento expedido no dia 23 de novembro de 1984, no distrito de Vila de Pajeú no município de Serra Talhada no estado de Pernambuco. Serviram como testemunhas os senhores: Genésio Ferreira Lima (Primo) e Luiz Andrelino Nogueira.

Nesse documentário, que será apresentado em partes, o senhor Pedro Ferreira Lima, primo de Lampião e filho de Alfredo Ferreira que recepcionou o suposto Ezequiel Ferreira em sua residência, falará um pouco a respeito desse inesperado visitante e qual a impressão deixada por ele aos antigos amigos e familiares.

E vocês o que acham sobre esse assunto? Esse cidadão era ou não Ezequiel Ferreira da Silva irmão de Lampião?
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