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domingo, 17 de julho de 2022

EIS A QUESTÃO: QUANTOS FÔRO OS "AZULÃO"?

 Por Kiko Monteiro


É notório para alguns e confuso para outros, mas no cangaço uma das práticas mais comuns era a de um membro recém chegado escolher ou ser batizado com o vulgo de uma cabra morto ou desertor. "Azulão" foi um destes vulgos que se multiplicou. A pesquisa de Alcides Niceas citada pela pesquisadora Lúcia Gaspar em seu artigo "Cangaceiros: alcunhas e nomes próprios" nos informa que o primeiro Azulão era integrante do bando de Antônio Silvino, o segundo era do bando de Sinhô Pereira, o terceiro e o quarto pertenceram ao bando de Lampião.

Desses dois primeiros só conseguimos dados sobre o comandado por Silvino:
Que se chamava Félix José da Costa, um negro alto, forte e valente, nascido na Fazenda Dominga, localizada nas proximidades da Caverna da Caridade, distrito de Caicó, RN. Após famoso combate ocorrido entre o grupo de cangaceiros de Antônio Silvino e polícia paraibana, na Fazenda Pedreira, do coronel Janúncio Salustiano, no dia 15 de fevereiro de 1901 o cangaceiro Azulão consegui fugir, conhecia a localização da Caverna da Caridade e sabia que no local havia água. A ideia do foragido era “dar um tempo” e procurar os amigos que tinha naquele setor e assim escapar daquela situação. Na caverna, junto com Azulão,  estava o cangaceiro conhecido como Moreninho.
Consta que após o tiroteio na Pedreira, os dois cangaceiros vararam o sertão em direção Norte/Nordeste, passando pela região onde hoje se encontra o Açude Itans, mantendo a cidade de Caicó a esquerda deles. Seguiram então pelas proximidades das Serra da Bernarda e da Formiga, até a região da Serra da Cruz, em um estirão comprido, mas que o desespero ajudava a amenizar a distância.

Antes dos fugitivos chegarem a caverna, passaram na casa de conhecidos, se abasteceram e seguiram para Serra da Cruz, onde passaram cerca de dez dias e noites na cavidade, logo no salão frontal do local.

No dia 25 de fevereiro eles saíram do abrigo rochoso e foram em busca da Fazenda Dominga, do tenente-coronel Gorgônio Ambrósio da Nóbrega, algum apoio. Mas o que encontraram foi bala. A polícia, avisada pelo pessoal da propriedade, deram cabo dos dois homens.
 
 Notícia da morte de Azulão na Fazenda Dominga.
Segundo Seu Nelson Soares de Medeiros, em depoimento ao pesquisador Rostand Medeiros, ele sabe bastante desta história pois um dos um dos homens que participaram da ação foi seu pai. Ele comenta que sabe até mesmo onde os homens estão enterrados a sombra da Serra da Cruz.
Viveiro de Lampião

Mais centrado nas personagens dos domínios lampionicos realizei uma varredura na web e consultei um livro dedicado a nomeclatura da turma, recém lançado. E localizamos (que pretensão, qualquer um poderia) mais um, além dos dois citados por Niceas. 

No artigo de Lúcia Gaspar há uma relação em ordem alfabética, mas não cita nenhum dos cabras com o vulgo. Este terceiro Azulão - devidamente identificado - ficou ao nosso critério, podendo ser o pernambucano morto em 1927 no Rio Grande do Norte, ou o Sergipano que conseguiu escapar do cerco a Angico em 1938.

Mas o que me intrigou e levou-me a compartilhar este tema com os amigos foi me deparar com uma curiosa matéria de um jornal carioca disponibilizada pelo site DocVirt.com . De repente nossa pesquisa constatou mais um, ou seja um 4º Azulão no cangaço de Lampião, ou de repente o que fez o terceiro Azulão após sua saída da prisão. Fato ou farsa que lhes apresentarei mais adiante. Vamos tratar por ordem de atuação:
 
O Azulão I

Pernambucano de Serra do Monte, Patrício de Souza era irmão do também cangaceiro "Serra D´umã". Tanto Sérgio Augusto de Souza Dantas, quanto Raul Fernandes e Raimundo Nonato, os principais autores que trataram do ataque de Lampião a Mossoró, nos relatam que no dia 10 de junho de 1927, após o bando do Rei do Cangaço haver cruzado a fronteira potiguar, seguiu em direção norte, visando a cidade de Mossoró.

Próximo à povoação de Vitória, atual município de Marcelino Vieira, atacaram as primeiras casas do sítio conhecido como “Caiçara, ou “Caiçara dos Tomaz”. Travou-se um combate com a volante comandada pelo tenente Napoleão de Carvalho Agra , morreu um soldado o cangaceiro "Azulão" que foi enterrado em cova rasa. Ainda não conseguimos foto que o identificasse.

O Azulão II 

"Mariano" é a única informação que temos sobre seu nome próprio. Baiano de Várzea da Ema, (localidade no centro do Raso da Catarina e não em Sergipe como sugerido por alguns autores), primo do célebre cangaceiro "Balão" foi  um dos "doze mais de Lampião". Dotado de eximia pontaria, mas que no dia 14 de Outubro de 1933 junto com sua companheira Maria, tombaram na Lagoa do Lino, local na divisa entre os municípios de Várzea do Poço e Serrolândia no estado da Bahia, pelas volantes dos sargentos José Fernandes Vieira e Zé Rufino.

O Prof. Lamartine Lima que foi assistente de Estácio de Lima relatou ao  pesquisador e também médico Leandro Cardoso Fernandes aspectos médico-legais da cabeça deste e dos outros. Trechos de entrevistas que colheu, como por exemplo: O soldado que o matou Azulão, conta que após acertá-lo na coluna deixando-o tetraplégico, degolou-o vivo.

No dia 16 de Outubro de 1933 o Diário da Tarde, "de Aracaju" transcrevia a seguinte noticia.

Arquivo pessoal


Sgtº José Fernandes Vieira, comandante de Volante baiana, que participou de 5 combates com grupos de cangaceiros, inclusive, no que dizimou o grupo de "Azulão". 
- Cortesia de Ivanildo Silveira -

Cabeças de Maria e Azulão
 - Cortesia de Rubens Antonio -

Túmulo de Azulão e companheiros no cemitério Quinta dos Lázaros em Salvador. 
- Cortesia de Sergio Dantas -

O Azulão III

De acordo com a pesquisa de Bismarck Martins em seu livro Cangaceiros de Lampião – de A a Z. O sergipano Luis José da Silva ou Luis de Maurício, natural do distrito de Serra da Guia no Poço Redondo de Alcino, ingressou no cangaço em 1934 e atuou no grupo de Zé Sereno. Estava em Angico em 28 de julho de 1938. Escapou do fogo, entregou-se a policia na cidade de Jeremoabo em Outubro de 1938. Condenado a 30 anos de prisão cumpriu 19, foi indultado em 6 de novembro de 1957 aos 68 anos. Até aqui temos a segurança de afirmar que foram 5 e não quatro os Azulões do cangaço.

Zé Sereno, Azulão e Mané Moreno
- Foto de Benjamin Abrahão 1936 -

Cangaceiros que se entregaram em Jeremoabo recém chegados capital baiana 
em Novembro de 1938 . Azulão II está entre eles.  
- Cortesia de Rubens Antonio -

Até aqui temos a segurança de afirmar que foram cinco e não quatro os Azulões do cangaço...

E este quarto Azulão?

Já em 19 de Março de 1962 passados pouco mais de 20 anos do fim do cangaço o jornal Ultima Hora do Rio de Janeiro noticiava a morte de outro pássaro inquieto. A matéria é um tanto intrigante, evidente que as informações foram fornecidas por familiares, talvez pelo ex cangaceiro em matéria anterior. Acontece que a reportagem afirma que João Balbino Pereira ou se preferir João Ferreira Filho, 55 anos, teria entrado para o bando de Lampião em "1930" permaneceu por "cinco anos" tendo sobrevivido ao massacre de Angico... como ??? Será que a redação queria se referir à década de 30 ao invés do ano de 30?

Eis a matéria, clique para ampliar.


Já tinham lido sobre este cabra.? Como conceber dois Azulões atuando na mesma época, e correndo da morte em Angico? Quando um recebeu indulto aos 68 anos e o outro morreu aos 55. É notório o excesso de conjecturas e lapsos cometidos pelos próprios cangaceiros em seus depoimentos. Parece exagero, mas julgando uma possibilidade de mascarar a idade, além de preservar a verdadeira identidade o que era comum, e da eterna confusão cronológica da imprensa seria possível concluir que:
- O Azulão III e IV são a mesma pessoa?
- Existiu de fato um 4º indivíduo, porém de atuação apagada?
- Ou este Azulão foi simplesmente um farsante?
 É possível uma comparação das fotos?



Outros detalhes e ações de "Azulões", que eu localizei, mas não consegui associar:

- Qual destes dois últimos Azulões era primo do ex cangaceiro "Vinte e Cinco", citado por ele em Entrevista para João de Sousa Lima ?

- Qual destes fez parte do Grupo de Corisco, citado pelo cangaceiro "Moreno" em A Saga de Moreno e Durvinha

- Qual destes seria o citado por Frederico Pernambucano de Mello em sua pesquisa intitulada "A castração real no Cangaço: Nota prévia - Estudo de Caso" * Pág. 8, Disponível em: Periódicos da Fundação aponta que em 19 de Maio de 1936 um "Azulão" acompanhava o "sub grupo de Virgínio", tomando a retaguarda no ataque ao arruado Morro Redondo, distrito de Catimbau, do município de Buíque, Pernambuco??? 

Avia macho, ajude aí comentando!

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Fontes:

Lúcia Gaspar. - Cangaceiros: alcunhas e nomes próprios -Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em  Disponível em Fundação Joaquim Nabuco 
Rostand Medeiros - Caverna da caridade, Caicó, sertão do Rio Grande do Norte – Antigo esconderijo de cangaceiros. Em: Tok de História
Rostand Medeiros - O Grande Fogo da Caiçara e a desconhecida "Missa do soldado" Disponível em: Lampião Aceso

OLIVEIRA, Bismarck Martins de. Cangaceiros de Lampião – de A a Z” Edição do autor, João Pessoa 2012. Págs 48, 49 e 50.

Rubens Antonio "Lagoa do Lino" em seu blog Cangaço na Bahia

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O ESTADO DE SERGIPE, 25 DE MAIO DE 1934 UMA EXCURSÃO À ANÁPOLIS

 Uma entrevista bizarra com o célebre sargento José Rufino, comandante da volante que exterminou o grupo de 'Azulão'.



 Transcrição de Antônio Corrêa Sobrinho

Afazeres profissionais nos levaram sábado último à linda cidade sertaneja de Anápolis.

Dezesseis horas, aboletados no estreito banco de uma “marinete” rumamos aos solavancos, numa “prize” desabalada, estrada afora, em busca de Itaporanga, etapa que foi vencida numa bela “performance”, por uma bela estrada de esteira empiçarrada e ampla, que se nos abria, interminável, o horizonte à frente.

Salgado às 18 horas, Lagarto às 19 e às 20, afinal, avistávamos as primeiras luzes da “cidade sorriso”.

O domingo em Anápolis, surgiu preguiçoso e friorento, no marasmo amolecido das cidades sertanejas.

Um café confortante e saímos a prosear com amigos do comércio que, a despeito dos raros transeuntes, trazem, àquela hora, abertas as suas portas.

O assunto é sempre o mesmo: - falta de chuvas, política, e... Lampião. A cidade acabava de passar por mais um susto pregado por Lampião. Ao apelo de seus habitantes, ameaçados pelo bandido, o governo de Sergipe havia mandado estacionar na cidade uma volante da nossa polícia que fazia, nas imediações, a caça ao bandido. Soldados baianos da célebre volante do sargento José Rufino que desciam na pista do grupo sinistro, vagavam pela cidade na sua indumentária típica. A dez do corrente haviam tiroteado Lampião na fazenda Jitaí, no sertão baiano e refaziam-se, no momento, das grandes caminhadas.

O sargento José Rufino celebrizara-se no encontro com o grupo de Azulão a 14 de outubro próximo passado, aonde morreu o chefe Azulão e mais três comparsas.

José Rufino

Era o assunto forçado nas palestras aos poucos, talvez pela falta de outros, íamos nos interessando pelos seus detalhes, quando um sertanejo agigantado, abeirando-se do balcão em passadas largas e pesadas, pede ao caixeiro um par de sapatos número 44 que, infelizmente, não é encontrado.
Ombros largos, pescoço hercúleo, bronzeado, cartucheira ampla, pendida ao peso das balas alinhadas, o olhar frio, inexpressivo, traços fisionômicos fortes, o sertanejo dá de ombros e vai sair quando alguém lhe perguntou, quebrando o silêncio feito no momento:
- O senhor pertence à volante José Rufino?
- Sou eu o próprio José Rufino, respondeu com ênfase o sertanejo.
Uma entrevista

Zé Rufino é o primeiro em pé à esquerda.
(A foto não compõe a matéria original)

Assaltou-nos a ideia de uma entrevista com o chefe da volante mais afamada de quantos andam, neste momento, na pista dos bandidos. Notando o meu interesse o homem iluminou o olhar duro, se avizinhando da minha cadeira.
- Há quanto tempo anda o senhor na caça de bandidos? Perguntamos.
- Há três anos que entrei como “Provisório” na força baiana. Estive no encontro da Maranduba onde perdi um primo meu e um irmão do meu companheiro de agora, sargento Vicente Marques. Depois do fogo de 14 de outubro aonde acabei com o grupo de Azulão fui efetivado no posto de sargento.
 Meteu vagarosamente a mão no bolso do casaco, sacou de lá a fotografia sinistra de quatro cabeças decepadas e nos foi fazendo com o indicador, a apresentação mais estranha que temos tido:
- Aqui é Azulão. Este é Canjica, aqui é Maria e este o caboclo Zabelê. Deus me ajudou (em itálico). Foi uma boa caçada. A fotografia não está boa porque foi tirada em Monte Alegre (sertão baiano) depois de termos viajado um dia inteiro com as cabeças deles dentro de um surrão...
 Tudo isto nos ia sendo relatado com uma serenidade impressionante e trágica.
- Quantos homens perdeu neste combate?
- Dois só. Um ligeiramente ferido por três balas de raspão no rosto. Era meu rastejador. Quando se abaixava para examinar um rastro, recebeu uma descarga na cara. Já está bom.
- A sua tropa tem montadas?
- Soldado meu nunca montou. Soldado montado faz muito barulho e só anda na estrada. Na estrada, bandido não anda. Soldado meu não fuma de noite nem fala hora nenhuma. A gente faz tudo por sinal. O tenente Santinho é o que mais me recomenda: - longe de rua e de estrada se quiser encontrar com os bandidos.
- Quantos encontros já teve?
- Oito, contando com o do dia dez, na fazenda Jitaí.
- Por que não teve resultados neste último encontro?
- E eu sei?... Foi a sorte deles.
Nós demos na pista no dia 9 e saímos rastejando. De noitinha, o rastro baralhou-se num intrincado de macambira que a gente perdia de vista. Do fundo, aonde a macambira era mais alta, ouvimos vozes. Lá estava a caça. Meu pessoal se arrepiou e eu cochichei com o sargento Vicente Marques: - se avançarmos mais eles ouvem o barulho e se danam no mundo. Vamos dormir aqui. O sargento Vicente Marques que é um bicho certo no ponto (boa pontaria), esperou um tempão vendo se aparecia alguma cabeça para ele vazar. Mas, nada... De manhãzinha distribuí meu pessoal e lá vai bala. Eles gritaram de lá: - aqui também tem homem, macaco!... Gritaram assim nos xingando, mas arribaram no mundo que nós, sem podermos correr no intrincado da macambira, não encontramos mais ninguém quando chegamos no coito. Vimos lá muito sangue. Parece que ferimos algum dos 22 que estavam acoitados. Deixaram lá muita coisa que carreguei para Coité. Como vê vosmicê, é uma questão de sorte.
- E para onde deram os bandidos?
- Eles estão pra ir pra serra do Capitão.
- Estarão em Sergipe?
- Não creio. Quase que lhe posso garantir que Lampião não está em Sergipe.
"Sanharó"

Passou neste momento um soldado sergipano que, ao dar com o sargento, abraçou-o efusivamente.
- É o rastejador melhor que há neste sertão. Trabalhou comigo muito tempo. Bicho bom. Explicou José Rufino.
O soldado mirou-o com admiração, aparvalhado. Magricela, alto, pescoço fino e comprido, ligeiramente encurvado pra frente, seu corpo mirrava-se ainda mais, apertado à farda que vestia; rosto encarquilhado e vinculado por mil rugas, era o rastejador, o popular Sanharó, da polícia sergipana.

Outro tipo comum de sertanejo forte. Parece incapaz de uma agilidade. Resiste e age, entretanto, com uma capacidade assombrosa. Ao se abraçarem, pareceu-me um tronco de braúna que abraçasse uma vara de candeia. Braúna e candeia, o gigante e o pigmeu, resistem da mesma sorte às inclemências do meio em que vivem.

Estava satisfeita a nossa curiosidade e José Rufino e Sanharó lá se foram pela rua afora a procura dos sapatos número 44 tão difícil de encontrar como os bandidos que eles dão caça..

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O CANGAÇO EM POÇO REDONDO A CAPELA DA FAZENDA PELADA

 Rangel Alves da Costa

 


O dia era 13 de junho de 1932. Bem ao lado desta capelinha que tem São Clemente como padroeiro, na região da Pelada nos sertões sergipanos de Poço Redondo, o percurso cruel e desumano da Chacina do Couro (perseguição sangrenta comandada pela perversidade do cangaceiro Gato, tendo ao lado os igualmente terríveis bandoleiros Suspeita, Medalha, Azulão e Cajueiro, vitimando inocentes homens da terra), teve por consequência o assassinato de mais três homens da terra, um morador da região, um pai e um filho. 

Gato e Inacinha

Depois de terem chacinado Antônio Monteiro e o menino Galdino mais atrás, na região da Lagoa do Tingui, Gato e seus comandados seguiram buscando mais sangue. Chegaram à casa da fazenda na Pelada, de propriedade de um senhor chamado Clemente, já trazendo outro sertanejo amarrado: Alfredo. 

Na casa encontraram Clemente e o seu filho chamado João. Instantes após, pelo fato de Alfredo afirmar que já não suportava tanto sofrimento e preferia a morte, então a cangaceirama nem pensou duas vezes, pois fizeram o sertanejo impiedosamente tombar pela terra. 

  Em seguida, sem qualquer motivação para tamanha brutalidade e covardia, mataram também o pai e o filho. A antiga casa foi sendo abandonada e ao lado, após fatos misteriosos surgidos, uma casinha de oração foi construída. Tempos após, contudo, uma capelinha foi erguida para zelar pelas cruzes de Clemente, João e Alfredo, que continuam em seu interior.

Os moradores da região afirmam que num dos cantos da capelinha marcas de sangue insistentemente surgem, ainda que atualmente cimentada. São fatos, memórias e histórias ainda presentes na Pelada e região, e que vivamente testemunham a terrível passagem do cangaceiro Gato e sua malta pelos sertões poço-redondenses. 

Em julho, as pegadas dos turistas e pesquisadores estarão por aí. Quem quiser participar basta entrar em contato com o documentarista Aderbal Nogueira. Assim, nos dias 29 e 30 de julho, Poço Redondo se tornará num livro vivo para o conhecimento da história cangaceira nos sertões sergipanos do São Francisco.

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COMUNICADO

Por Benedito Vasconcelos Mendes

O Curador do MUSEU DO SERTÃO, Professor Benedito Vasconcelos Mendes comunica aos Diretores(as) de escolas do ensino infantil, fundamental, médio e superior e aos professores em geral, que as inscrições para a visita ao acervo do museu estarão abertas no período de 20 de julho a 20 de agosto do corrente ano (2022), através do e-mail beneditovasconcelos@gmail.com.

Comunicamos também que a entrada é 1 Kg de alimento não perecível, por pessoa, que deve ser entregue diretamente no LAR DA CRIANÇA POBRE DE MOSSORÓ, dirigido pela Irmã Ellen Scherzinger, localizado atrás da igreja de Nossa Senhora de Fátima, no conjunto Abolição II.

Cada instituição educacional (escola, colégio ou faculdade) deve fornecer uma lista com os nomes e faixa etária dos alunos, que deve ser entregue no Museu do Sertão, juntamente com o comprovante de recebimento dos alimentos pela Irmã Ellen.

https://www.facebook.com/benedito.vasconcelosmendes

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sábado, 16 de julho de 2022

JATOBÁ E O CANGAÇO - LAMPIÃO EM SÃO JOSÉ DE PIRANHAS

 Por Francelino Soares


Vista parcial de São José de Piranhas
in Portal Férias   

É benfazeja a afinidade que a cidade de Cajazeiras mantém com os municípios vizinhos. Na minha infância, conhecia alguns desses lugares com outros nomes. Assim é que Cachoeira dos Índios se chamava Catingueira; São João do Rio do Peixe passou a se chamar Antenor Navarro, voltando depois ao nome original; São José de Piranhas, durante um certo tempo, era chamado de Jatobá, nome oriundo de um antigo sítio – foi proclamado cidade pelo Interventor da Paraíba, Argemiro Figueiredo, em 1º de janeiro de 1939 – tendo somente voltado ao nome anterior em 14 de novembro de 1952, obedecendo a um Projeto de Lei do Deputado Estadual Humberto Lucena (in memoriam).

Essas estão entre as cidades irmãs e vizinhas que continuam mantendo com Cajazeiras os mais civilizados relacionamentos nos vários setores de atividades, sejam industriais, comerciais, culturais, sociais… Que assim permaneça sempre!



Mas essas considerações vêm a propósito de tentativa que estamos fazendo de diversificar o enfoque desta Coluna. Tanto é assim que hoje apresentamos aos leitores fatos inusitados ocorridos na vizinha cidade. Assim como já havia ocorrido com Cajazeiras, em 28 de setembro de 1926, quando "Sabino das Abóboras" fez uma tentativa de invasão de nossa cidade, assim também os nossos vizinhos piranhenses também estiveram na mira do cangaço.


Sabino das Abóboras

Em 25 de outubro de 1925, Lampião, que já era por demais conhecido no mundo do cangaço, junto com os seus “cabras”, fez uma incursão no sítio Catolé, quando um dos seus sequazes assassinou covardemente um popular de nome João Pelonha, que seria seu desafeto. Embora Lampião, não tivesse aprovado o crime, prendeu o senhor Antônio Gonçalves, que passou a servir-lhe de guia, rumando até o sítio Cachoeirinha.

Dessa incursão, ainda existem sinais dos destroços praticados pelo bando, mormente nas proximidades da antiga ponte do Riacho da Corda, localizada no sentido São José de Piranhas para Galante. Aí ocorreram as estripulias do bando, que, em busca de dinheiro, chegou a fazer ameaças ao fazendeiro Firmino Faustino.

Todas as redondezas sofreram as ameaças dos cangaceiros que passaram ainda pelo então sítio Cabrais, por Santa Fé, pela serra do Capim, pelo sítio Queimadas… Daí, após provocarem todo um rebuliço, Lampião com o seu bando dirigiram-se para Bonito de Santa Fé, então distrito de São José de Piranhas, de onde rumaram para as bandas do Ceará.

Se os leitores desejarem saber detalhes aventureiros da passagem do famoso bando de Lampião por essas paragens sertanejas, estão convidados a buscar e ler a obra São José de Piranhas – Um Pouco de sua História – de autoria do professor e historiador Messias Ferreira de Lima, cuja leitura certamente lhes proporcionará momentos de conhecimento imprescindíveis para quem cultiva o hábito de uma boa leitura.

Pesquei em Coisas de Cajazeiras

E eu repesquei no lampião Aceso.

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ANGICO, 76 ANOS DEPOIS; UMA IMPORTANTE "REVELAÇÃO" QUEM ERA REALMENTE O CANGACEIRO "NÃO CONHECIDO"

 Por Luiz Ruben (*)

A matéria a seguir chegou às minhas mãos através de uma troca de documentos feita com Marcos Edilson, Doutor em História e autor do livro: "Lampiões Acesos - O Cangaço na Memória Coletiva", atualmente residindo em Palmas Tocantins. Esse intercâmbio aconteceu em 2010 e só agora, em 2014, redescobri essa importante informação que estava em minhas mãos, publicada no Jornal de Alagoas em novembro de 1938.

Na identificação das cabeças cortadas, na famosa foto tirada nas escadarias da Prefeitura de Piranhas em 28 de julho de 1938, o cangaceiro que está entre Cajarana e Diferente, na última fileira, (de baixo para cima), tendo Enedina na outra extremidade, é citado como “não conhecido”. Na matéria do Jornal de Alagoas ele é identificado como sendo "Luiz de Thereza".


Segue a matéria na íntegra, apenas com a ortografia atualizada. Também a foto das cabeças na escadaria e o fac-símile do Jornal de Alagoas.

Espero que esse achado tenha eliminado de vez mais um dos “mistérios de Angico”.

Transcrição:

Jornal de Alagoas, 9 de novembro de 1938
Quem era o bandido que não foi identificado no sucesso de Angicos.

Quando a força policial sob o comando geral do capitão João Bezerra, no feliz reencontro de “Angicos”, fulminou o facínora “Lampeão” e os mais temíveis de seus asseclas, um dos cangaceiros não fora identificado.

Surgiram até, comentários em torno do bandido desconhecido, pensando algumas pessoas que se tratasse de um aventureiro que houvesse se incorporado ao grupo sanguinário do “Rei do Cangaço”.
Assim, por muito tempo ficou constituindo uma interrogação a identidade do mesmo. Entretanto, agora, chegam ao nosso conhecimento informações a respeito do famigerado desconhecido, enfim sua identificação.

Uma carta ao Cel. Camargo.

Ontem, lemos uma carta ao cel. Theodureto Camargo do Nascimento, comandante do Regimento Policial Militar, a qual lhe fora dirigida pelo senhor Sr. Mauricio Ettingen, residente no município “São Paulo”, no estado de Sergipe, de onde é filho o bandido desconhecido, assim, passamos a transcrever um trecho da referida carta, para ciência dos nossos leitores:
“Era meu desejo escrever-lhe, logo que me chegou às mãos a fotografia dos bandidos que foram mortos no feliz combate de “Angicos”, a fim de identificar o “cabra” desconhecido, o que faço no momento.
Filho de "São Paulo" de Sergipe
O referido bandido era filho deste município, tendo nascido no lugar denominado “Pulgas”, próximo a Carira. Era casado e tinha vários filhos. Incorporou-se ao grupo de “José Sereno”, na noite do último São João, após uma animada dança de que fez parte. Não sei o seu nome por extenso, mas era conhecido aqui, de todos, por “Luiz de Thereza”.
Indivíduo de má índole
“Sempre demonstrou ser um indivíduo de má índole, o que se verificava em suas atitudes habituais. Depois que se tornou assecla do grupo, muitas pessoas daqui, ficaram muito apreensivas, uma vez que o cabra conhecia bem o lugar, como também vários proprietários de quem fora empregado.”
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Algumas observações

- O município “São Paulo” no estado de Sergipe, citado na matéria, hoje se chama Frei Paulo.
- O cargo do Coronel Theodureto Camargo era de Comandante Geral do Regimento, mas ele era oficial do exército brasileiro.
- “Angicos”, refere-se a Fazenda Angico, local do combate no estado de Sergipe, onde Lampião morreu.

Paulo Afonso - BA, Maio de 2014

Luiz Ruben é Economista e Turismólogo Pesquisador do Cangaço e de Ferrovias.
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Democratizando

Se o objeto da pesquisa em destaque é um jornal de época, por que o nome "Zé de Thereza" nunca apareceu antes na literatura cangaceira. Levo ao conhecimento de muitos de nosso seguidores que a identificação das vitimas de Angico não é de consenso geral. 

O renomado pesquisador e escritor Antonio Amaury é um dos que contestam veemente a nomeação dos "quatro últimos" cabras que tombaram no 28 de julho de 1938.  Segundo o livro "Cangaceiros de Lampião de A a Z" de autoria de Bismarck Martins, os cangaceiros "Alecrim 2" e "Moeda" eram os irmãos José Rosa e João Rosa naturais da Serra da Guia município de Poço Redondo.
"Colchete 2" irmão do também cangaceiro "Pau Ferro" era o vulgo de Euclides Rodrigues sem mais referencias quanto a sua naturalidade...

...Então fica a pergunta:  
Zé de Thereza seria nome e vulgo do cangaceiro desconhecido?
Se não, qual seria sua alcunha?
Ou foi o Zé, apelidado de "Macela" já que este não tem qualquer referencia quanto a sua real identidade nas biografias existentes.

http://lampiaoaceso.blogspot.com/2014/05/76-anos-depois-uma-importante-revelacao.html 

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ENTREVISTA DO CANGACEIRO “COBRA VERDE” - ENTROU NO CANGAÇO PARA GANHAR UNS “COBRES", E, NA MADRUGADA DO TIROTEIO EM ANGICO, FOI BUSCAR O LEITE....!

Fonte: A Noite ( edição ..14/11/ 1938 ) Transcrição de Ivanildo Silveira


Cobra Verde tem apenas 21 anos de idade , segundo nos declarou. Há dois anos e 10 meses que é cangaceiro. Natural de Piranhas-AL, fazia parte do grupo de ‘Moreno’. O primeiro combate que teve foi no povoado Navio, com a força do sargento ‘Negrinho’.

Perguntamos a ele por que abandonou a vida pacata da cidade para viver como bicho na caatinga, ao que ele respondeu, em sua própria linguagem : “
"Eu era operário da Fábrica da Pedra [Delmiro Gouveia, AL] e ganhava de dez a quatorze mil réis por semana . Era um aperreio para mim, rapaz novo e que queria viver limpo como os outros . Era muito injustiçado na vida. Por isso resolvi ser bandido para ver se arranja uns cobres. Achei boa a vida. Cheguei a possuir dois contos de réis, fora o 'ouro'".
Conta que nunca maltratou alguém, e que vivia no cangaço só para arranjar “ uns cobres “. Disse que fez diversos saques, alguns com Luiz Pedro. No último apresentou aos bandidos, apenas nove contos de réis, escondendo o resto. O chefe era muito bom , mas era muito sabido.

Declarou-nos, ainda, que esteve no Combate de Angico (quando morreu Lampião ). Não dentro do cerco, mas fora porque fora buscar leite muito cedo para a tropa, a mandado do Capitão. Quando foi chegando no coito viu a bagaceira (tiroteio ) de longe, saiu correndo para a Fazenda Cuiabá onde encontrou Balão e outros que, igualmente, haviam fugido do tiroteio.

O Grupo – continua  - era composto de 42 homens e 7 mulheres. Com a morte de Lampião esfacelou-se o cangaceirismo no nordeste , porque era o “ chefe”  que fornecia e dava ordens a todos os grupos de cangaceiros.

O desejo de Cobra Verde é trabalhar honestamente. Não quer voltar para o sertão.

Certificado de reservista do exército de Cobra Verde.
Créditos Ciro Barbosa , grupo Viva Piranhas (Facebook).

OBS: Foto de Cobra Verde (autor desconhecido) por ocasião das entregas dos cangaceiros à polícia. Ano: 1938 no Quartel da polícia em Santana do Ipanema-AL. 

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