Seguidores

sexta-feira, 16 de março de 2012

PAJEÚ TAMBÉM

De Lucivaldo Ferreira
Seja bem vindo

PAJEÚ TAMBÉM

Disse assim Louro, “O Rei dos Trocadilhos”:
no sertão, nem todo poeta rima.
Sei. Não faço nenhuma obra-prima,
só vãos versos sinceros e andarilhos,
sem prestígio e de motes estrapilhos,
sem nenhuma intenção de afrontar
a castiça poesia deste mar,
deste amar que é o rio dos cantadores.
Eu também sou do Pajeú das Flores,
também tenho as razões para cantar.

Só por que não imito os menestréis,
grandes mestres, poetas do sertão,
só por que não escrevo igual Cancão
Ninguém dá por meu verso um só réis,
nem aplausos, coroas, nem anéis,
mesmo assim sigo humilde a versejar.
Deixe, pois, o meu verso cru passar,
não o tenha com insulto ou desfavores.
Eu também sou do Pajeú das Flores,
também tenho as razões para cantar.

Sou da laia dos poetas libertos
indo na contramão deste pai rio.
Não o seu, mas o que me conduziu
à poesia sem regras em tons incertos.
Por que riem dos meus versos despertos?
Por que negam para mim um lugar
onde possa meu verso branquejar,
sendo o branco a mistura de mil cores?
Eu também sou do Pajeú das Flores,
também tenho as razões para cantar.

Sou poeta, mas não sei fazer repente
há quem diga que sequer faço poesia,
que minha métrica é quebrada, falha, fria,
que minha rima é pobre e incompetente,
que há em mim um sentimento que não sente,
falta arte, estudo, molho e pensar...
Inda assim faço meus versos, e apesar
de a mim teres por pequeno e sem valores
deixe eu ser do seu Pajeú das Flores,
dê-me, enfim, as razões para cantar.

Serra Talhada, 13/03/2012


O multiartista Lucivaldo Oliveira Ferreira nasceu em Salvador/BA no dia 05 de agosto de 1976 e aos dez anos mudou-se junto com a família para a cidade de Triunfo, no sertão pernambucano.
Aos treze anos iniciou seus estudos de música com o saudoso Maestro José Madureira, na centenária Banda Isaias Lima, onde veio ocupar mais tarde a função de diretor musical e em maio de 2003 tornou-se regente desta que é uma das Filarmônicas mais antigas do país.
Concluiu o Magistério em 1994 e em 1997 fundou o Grupo Ambrosino Martins e participou neste mesmo ano da criação do Grupo de Artes de Triunfo (GAT).
Dedicou oito anos de sua vida ensinando teatro, música e artes plásticas a crianças e adolescentes da entidade filantrópica Lar Santa Elisabeth em Triunfo/PE.
Foi no Lar Santa Elisabeth que Lucivaldo Ferreira criou o Teatro Contra Regras, grupo premiado nos dois festivais de teatro realizados no Cine Teatro Guarany. O Teatro Contra Regras ganhou no primeiro ano do festival os premio de melhor ator, para Antônio Souza, melhor texto, para Lucivaldo Ferreira e melhor espetáculo para a peça Vamos Dominar o Mundo!. No ano seguinte o Contra Regras ainda ganhou o prêmio de melhor direção para Lucivaldo Ferreira, além de indicações em todas as outras categorias.
Ainda na área cênica Lucivaldo criou o Grupo Teatro Aos Vivos que estreou no Cine Teatro Guarany com a peça
As Forças Caudinas de Machado de Assis.
Em 2004 Lucivaldo Ferreira deixou a banda Ambrosino Martins e criou os
Templários Acústicos.
De 2006 a 2009 foi responsável pelos arranjos e pela direção e produção musical do
Coral Vozes do Guarany, criado pelo diretor teatral Denis Gomes.
Poeta, lançou em 2000 seu primeiro livro intitulado Profecias Ilógicas Sobre Temas Aleatórios.
Atualmente esta a frente da banda
Templários Acústicos, Orquestra de Frevo Maestro Madureira, Orquestra Isaias Lima, além de levar às noites da região o melhor da MPB acompanhado pelo seu inseparável violão.
Em junho de 2008 Lucivaldo Ferreira cria o "BOOM!", com o intuito de divulgar a produção artistica e cultural de sua tão amada terra, Triunfo.

ELEANOR ROOSEVELT E PARNAMIRIM FIELD COMO A MAIOR BASE AÉREA DOS AMERICANOS NA II GUERRA MUNDIAL

Por: Rostand Medeiros
Photo

Eleanor Roosevelt era a esposa do presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945).  Conhecida pela sua ação em ajudar os mais necessitados através da caridade, foi também autora e uma defensora incansável das causas sociais.
Em 1944 esta brilhante mulher esteve em Natal, visitando Parnamirim Field e autoridades locais.
Eleanor Roosevelt
Eleanor Roosevelt era a esposa do presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt (1882 – 1945).  Conhecida pela sua ação em ajudar os mais necessitados através da caridade, foi também autora e uma defensora incansável das causas sociais.
Em 1944 esta brilhante mulher esteve em Natal, visitando Parnamirim Field e autoridades locais.
Anna Eleanor Roosevelt nasceu em New York, em 11 de outubro de 1884. Sua família era financeiramente estável, mas perturbada. Seu pai era Elliott Roosevelt, o irmão mais novo do ex-presidente americano Theodore Roosevelt (1858-1919). Apesar de bonito e charmoso, Elliott sofria de depressão mental e alcoolismo. Já a mãe de Eleanor estava preocupada com a imagem da família na alta sociedade e transmitia extrema vergonha pela aparência física de Eleanor, que não foi considerada bonita.
Na época da escola
Embora o pai de Eleanor fosse considerado ausente, ela o considerava um pai maravilhoso e fascinante. Quando Eleanor era uma criança, seu pai entrou uma instituição para alcoólatras. Foi uma das muitas perdas iniciais para a jovem, cuja mãe morreu quando ela tinha apenas oito anos de idade. Após a morte de sua mãe, Eleanor e seus dois irmãos mais novos foram viver com sua avó materna, em Nova York. Pouco tempo depois o irmão mais velho morreu. Quando Eleanor ainda não havia completado 10 anos, ela soube que seu pai havia morrido. Sua avó abrigou-a de todo o contato exterior, exceto para os amigos da família.
Eleanor Roosevelt começou a descobrir um mundo além de sua família depois de frequentar uma escola para mulheres jovens na, Inglaterra, quando tinha 15 anos de idade. Para ela a sua escola lhe ensinou um sentido maior de responsabilidade com a sociedade. Eleanor começou a agir de acordo com este ensinamento depois de seu retorno a Nova York. Mergulhou no trabalho em pról dos mais carentes. Ao mesmo tempo, seu primo, alto e bonito, Franklin Delano Roosevelt, começou a cortejá-la. Eles se casaram em março de 1905. Eleanor tinha agora de lidar com uma avó controladora e com um marido que gostava de estar em público e que realmente não entendia a luta de Eleanor para superar sua timidez e insegurança.
Os Rosevelt. Uma relação bem longe da perfeição.
Entre 1906 e 1916, os Roosevelt tiveram seis filhos, um dos quais morreu quando criança. A família viveu em Hyde Park, Nova York, enquanto Franklin focava em suas ambições políticas para se tornar uma figura importante no Partido Democrata. Ele exerceu um mandato de Senador pelo estado de Nova York no senado americano, antes do presidente Woodrow Wilson  nomeá-lo como secretário assistente da Marinha em 1913. Embora Eleanor tenha realizado muitos trabalhos voluntários pela Cruz Vermelha durante a I Guerra Mundial (1914-18), ela permaneceu fora do olho público.
Um importante ponto de mudança na vida de Eleanor veio em 1921, quando Franklin contraiu poliomielite e sofreu de paralisia e perdeu a mobilidade das pernas. Eleanor fez tudo para o marido volta à atividade política. Dentro de poucos anos havia recuperado sua força e ambições políticas. Enquanto isso, Eleanor tinha-se tornado uma importante figura pública, trabalhando para um maior envolvimento ativo das mulheres em vários setores do governo. Ela começou a agir como se fosse as “pernas e ouvidos” do depois que Franklin tornou-se governador de Nova York em 1928, Ela se manteve muito ocupada inspecionando hospitais estaduais, casas e prisões.
No final de 1930 os tambores de guerra ecoavam e mostravam que os Estados Unidos seguia para a luta.
Eleanor Roosevelt falou vigorosamente em favor da política externa de seu marido.  Depois que os Estados Unidos entraram formalmente a Segunda Guerra Mundial em dezembro de 1941, ela fez várias viagens ao exterior para impulsionar os espíritos de soldados e de inspecionar as instalações da Cruz Vermelha.
Eleanor em diálogo com o Brigadeiro Eduardo Gomes e o Bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas
Eleanor Roosevelt visitou o Brasil entre 14 e 17 de março de 1944, onde visitou Belém, Natal e Recife. Na capital potiguar ela visitou a Base de Parnamirim, esteve com autoridades locais. Esteve na sede do USO, o clube de recreio dos militares americanos, que ficava na praça Augusto Severo, por trás da antiga Rodoviária, no bairro da Ribeira. Ali ela foi reconhecida e ovacionada por muitos natalenses. Esteve também na Base Naval de Natal, onde elogiou as instalações.
Condecorando oficiais da US Navy em Parnamirim Field
Um fato interessante foi que para os jornalistas a Sra. Eleanor Roosevelt afirmou (e assim foi reproduzido) que a base aérea de Parnamirim era “A mais bem equipada do Mundo”. Mesmo reproduzindo o que ela disse, os jornalistas locais claramente se empolgaram e lascaram em letras destacadas “A maior base do Mundo”. E parece que a coisa pegou.
Eu entendi que aparentemente na época ninguém leu o conteúdo e ficaram nas letras destacadas.
Muita gente fala até hoje sobre isso, mas eu pessoalmente nunca vi nenhum documento de lá, informando, ou corroborando a informação que Parnamirim Field foi a maior base aérea norte-americana em atividade na Segunda Guerra.

Maior base?
A escritora Clarice Lispector, em uma carta endereçada a Elisa Lispector e a Tania Kaufman, em Belém, no dia 18 de março de 1944, fez os seguintes comentários sobre Eleanor Roosevelt, que está reproduzida no  livro “Clarice Fotobiografia”,  de autoria Nádia Battella GOTLIB e publicado pela Editora da USP.
“… A senhora Eleanor Roosevelt passou por aqui. Fomos convidados para recebê-la no aeroporto e para ir à recepção dada a ela. Fui com meu vestido preto. Ela é simpaticíssima, muito simples, vestida com muita modéstia, bem mais bonita pessoalmente do que nas fotografias e no cinema. No dia seguinte, ela deu entrevista coletiva à imprensa, eu fui, mandei noticiário telefônico para A NOITE, mesmo estando de licença porque não queria perder a chance”.
Depois de Franklin Roosevelt morreu no cargo em abril de 1945, esperavam que Eleanor se retirasse para uma vida privada e tranquila. No entanto, até o final do ano, ela estava de volta em público. O novo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman a indicou co0mo representante americano para a Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos. Ela permaneceu no cargo até 1952. Mais tarde, ela continuou a trabalhar para a compreensão e cooperação internacional, atuando como um representante da Associação Americana para as Nações Unidas.

Durante a última década de sua vida Eleanor Roosevelt viajou para vários países estrangeiros, incluindo a temida União Soviética. Ela completou sua Autobiografia em 1961.
Ela morreu em Nova York, em 06 de novembro de 1962.
Apesar de sua infância tímida e solitária, Eleanor Roosevelt tornou-se uma das mulheres mais importantes do século XX e sua ação inspirou milhares de mulheres.

Todos os direitos reservados
É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.
Extraído do blog: "Tok de História", do historiógrafo e pesquisador do cangaço Rostand Medeiros

HOJE É O MEU ANIVERSÁRIO (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

HOJE É O MEU ANIVERSÁRIO

Hoje, 16 de março, é dia do meu aniversário. Foi nessa data que nasci lá no sertão sergipano do São Francisco, em Nossa Senhora da Conceição do Poço Redondo. Isso lá pelos idos de...
Dizem que completo 49 anos. Isso é lá o que dizem, pois tenho certeza que hoje comemoro a chegada dos 21 anos. Dizem também que nasci em 1963, mas tudo fruto de um povo que fica dando idade aos outros e esquece a sua. Se fosse como eu, que jamais me preocupei com a vida dos outros, jamais passaria dos 21 anos.
Pois bem, mesmo tendo nascido em 1963, hoje completo 21 anos. E já há algum tempo que completo essa mesma idade todos os anos. E tão cedo não passarei dessa fase, e simplesmente porque o meu estado de espírito insiste em não acompanhar os cabelos brancos que vão surgindo nem outras marcas do tempo.
Não tenho histórico dizendo se sou bom aluno na vida ou não. Os conceitos são variáveis como as próprias circunstâncias cotidianas. Às vezes me vejo com excelência na solidão, outras vezes péssimo quando todos me encontram sorrindo. Também não tenho biografia dizendo sobre o que não sou, ainda não fui nem serei. E nem precisaria, pois enquanto vivo o indivíduo tende a apagar toda a sua história com um simples gesto ou ato.
Do mesmo modo, não tenho o nome fincado na imensa pedra – porém rochedo de rigidez aparente - dos importantes, dos socialmente reconhecidos nem das elites forjadas no poder. Sou apenas o homem simples que sempre procurei ver estampada na minha tez morena, o sertanejo que nunca fugiu nem omitiu suas raízes áridas e esturricadas, o eterno construtor de manhãs e dias melhores, o caminhante que precisa chegar.
Contudo, e eis a maior sinceridade em afirmar, não há ninguém sobre a face da terra que seja de felicidade mais completa. Vindo do interior, na capital sergipana passei de um banco escolar a outro e de repente já estava estudando História, Jornalismo e Direito. E estudei muito mais, tenho doutorado em muito mais, pois não há formação maior do que aquela conquistada conhecendo a terra, o homem, as relações sociais nela existentes, adentrando no mundo da pobreza e da miséria como se dele fizesse parte.
Repito que o meu trunfo maior não é nem nunca será minha formação acadêmica, mas sim o conhecimento que vou incessantemente adquirindo com a preocupação e estudo das coisas simples envolvendo meus conterrâneos, conhecendo toda a poesia da natureza sertaneja, a importância da lição de cada um na formação de um amplo conhecimento. Conhecendo o meu povo, vivendo o meu irmão sertanejo, também me conheço e passo a cada vez mais sentir que a honradez na simplicidade é a maior virtude na vida de um indivíduo.
Mas hoje também sou advogado militante e fui membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SE. Mas não sou apenas advogado, mas principalmente amigo dos meus clientes, mantendo os vínculos necessários para compreender os aspectos psicológicos e motivacionais de cada um. Sinto demasiada frieza em defender ou postular direitos apenas pela aparência.
E essa minha arte jurídica vem acompanhada de outras artes. Principalmente na arte do desenho e da pintura, na poesia, na crônica, no conto, no romance. Ilha das Flores, Desconhecidos, Evangelho Segundo a Solidão Tempestade, A Solidão e a Árvore e Outros Contos, Todo Inverso, Três Contos de Avoar, Já Outono, Poesia Artesã, Da Arte da Sobrevivência no Sertão, Estudos Para Cordel, Crônicas de Sol Chovendo, Sertão – Poesia e Prosa, Crônicas Sertanejas, Andante e Poço Redondo – Relatos Sobre o Refúgio do Sol, são todos livros de minha autoria já publicados.
E na minha gaveta ainda estão não menos de que quatro novos livros. Brevemente serão publicados. Mas enquanto isso vou fazendo os meus pequenos rituais, mantendo minha rotina espiritual: Conversando com Deus no céu do meu oratório, esperando sempre a chuva cair, acendendo meu incenso de lavanda e jasmim, ouvindo Barcarolle, de Offenbach.
E lendo minha Bíblia. Principalmente seguindo as lições de minha Bíblia.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Descobertas (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*

Rangel Alves da Costa

Descobertas

Quanta inocência
em meu mundo
quase nada eu sabia
de mais profundo
falavam sobre namorar
e imaginava tudo fácil
bastando querer e gostar
jamais vinha à imaginação
que conquistar o amor
trazia consigo a desilusão
era também fruto da dor
e que manter a conquista
fazia do coração equilibrista
que a certeza de amar
era difícil demais de chegar
pois tudo que é construído
sem o cimento da verdade
é alicerce de frágil areia
desmoronando sem piedade
na brisa que chega leve
bem ao cair da tarde.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

CANGACEIROS DA PARAÍBA

http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTxPUTRJqVUm2fxcML6ZQuR0XHs2Z8tehH-2Qs8X0kaccjWjXtE

Para destacar os principais, que entraram no cangaço, não por vocação, mas por obrigação, que a própria época exigia, destacam-se Francisco Pereira e Osório Francisco Ferreira, ainda jovem, de família conceituada, por força do destino entrou no cangaço, para vingar a morte do pai, barbaramente assassinado. Seu pai era um homem pacato, fazendeiro honrado, que antes de morrer pronunciou as seguintes palavras: “Vingança não”. Disse diante desse pronunciamento, à família, especialmente os filhos, ficaram num dilema, porque era determinação da própria sociedade, da época, a vingança. Mas resolveram atender o pai.

 O filho, Chico Pereira, procurou a Polícia, registrou a queixa e insistiu com o delegado para que fosse feita a prisão do assassino do pai, tendo a autoridade policial afirmado: “Chico, a gente solta uma vaca e para achá-la, não é facil, imagine um criminoso perigoso, como este que matou teu pai”.

Chico Pereira, desejando dar satisfação à família, pediu uma autorização ao delegado, por escrito. Logo depois encontrou o criminoso, dormindo. Com rara dignidade, mandou que o sujeito acordasse e o levou preso, para a Polícia. Volta para casa e a família ficou satisfeita com o episódio da prisão. Um dia depois o criminoso se encontrava em liberdade. Chico compreendeu que não havia justiça e se viu na contingência de fazê-la com as próprias mãos.

Na mesma região de Pombal, registrou-se outro caso, Osório um garoto de poucos meses de nascido, encontrava-se numa rede quando o pai chegou baleado, quando afirmou: “Este gatinho que está na rede vai vingar minha morte”. À medida que ia crescendo, Osório ouvia de outro: a determinação do pai. Ao completar 18 anos, recorreu a justiça da época, o rifle, e matou o assassino do pai e outros que cruzaram seu caminho. Osório Olímpio de Queiroga foi realmente um cangaceiro respeitado.

Depois conseguiu absolvição, na comarca de Pombal, e ingressou na Polícia Militar da Paraíba, chegando a coronel e se conduzindo sempre como um militar digno e correto. O mesmo chegou a ser prefeito de Católé do Rocha.
O problema do cangaceirismo e coronelismo vem, segundo consta, da Guerra Brasil-Paraguai, quando foi fortalecida a guarda nacional e, entre as pessoas recrutadas, eram dadas patentes.

Nos séculos passados, no entanto, a Paraíba teve inúmeros grupos de bandidos, que invadiam as cidades, saqueavam o comércio e matavam. As causas principais eram a seca e a fome.

No ano de 1887, registraram-se invasões e violências. A polícia nada podia fazer para garantir a vida do cidadão e da propriedade alheia, sempre ameaçadas pelos bandidos. Os jornais da época denunciavam a insegurança nos sertões, sem que qualquer providência tivesse sido adotada para coibir o abuso.

José Américo de Almeida, no Livro A Paraíba e seus problemas, relacionou inúmeros grupos de bandidos que agiam impunemente no sertão. O grupo de Jesuíno Brilhante, com atuação no século passado, foi um exemplo. Ele residiu, por alguns anos, na localidade Boa Vista, próxima a Pombal, sem qualquer diligencia da polícia para capiturá-lo. Foi dessa maneira que a miséria juntou-se ao terror. Fazendeiros abastados, que poderiam resistir à crise, durante alguns meses, emigraram sem demora, temerosos de assaltos.

Em maio do mesmo ano, a cadeia de Campina Grande foi arrombada e muitos indivíduos implicados ao movimento do quebra-quilos fugiram. Dentro de mais algumas semanas, outros presidiários fugiram, entre os quais o famigerado Alexandre de Viveiros, chefe do levante de 1874. Ainda foi arrombada a cadeia de Mamanguape e, ao mesmo tempo muitos sentenciados caíram fora.

José Américo de Almeida conta, também, que, desta maneira, iam-se tornando mais terríveis as correrias com a aquisição de novos profissionais do crime da Paraíba e do Ceará. Ressalte-se a fraqueza das autoridades que permitiam que fossem engrossando os grupos, como o do Calangro, evadido da cadeia do Crato e cabeça dos 60 assalariados de Inocêncio Vermelho: o de Sebastião Pelado, inimigo dos primeiros: e dos irmãos Viriatos, formado de mais de 40 bandidos: e dos Mateus, entre outros. Um desses bandos assaltou duas propriedades em Alagoa Grande.

O senhor Gustavo Barroso, por exemplo, retrata o comportamento de Viriato, um dos principais cangaceiros da época: “O Viriato foi um dos cangaceiros mais célebres, mais rasteiros e mais tortuosos do Cariri. Era um miserável estabanado nos atos, com uma infinidade de predisposições reductíveis ao roubo, ao estupro e ao assassinato. Inventava torturas para as vítimas. Gostava mais de matar às facadas do que de fuzilar, dizia que era “mais barato”. Esse bandido obrigou um fazendeiro de São João do Cariri a casar-se com a irmã de seu compassa Veríssimo.

Foi assassinado, de emboscada, no lugar Riachão, o Dr. Vicente Ribeiro de Oliveira, quando voltava da Bahia para reassumir o Juizado de Direito da Comarca de Piancó. Esse crime foi atribuido aos cangaceiros.

Fonte:

quinta-feira, 15 de março de 2012

CANGACEIROS

 Dr. Ivanildo Alves Silveira

As fotos abaixo pertencem ao acervo do colecionador do  cangaço: Dr. Ivanildo Alves da Silveira


 O cangaceiro Zé Sereno, companheiro da cangaceira


Ilda Ribeiro - a Sila


Moreno - companheiro da cangaceira

 

Durvalina


Criança - companheiro da cangaceira



Dulce

Extraído do blog: Lampião Aceso

O jornalista Mário Melo (1884-1959)

APRESENTAÇÃO, Rita de Cássia Barbosa de Araújo
mariomelo

Cadê Mário Melo?
Partiu para a eternidade
Deixando na sua cidade
Um mundo de saudade sem igual
Foliões, a nossa reverência
À sua grande ausência
No nosso carnaval
[...]
Nos sucessivos Carnavais de Pernambuco, ano após ano, os foliões entoam, nas ruas e nos clubes, o frevo de bloco Evocação nº 3, de Nelson Ferreira. Rememoram, cantam a saudade de Mário Melo que muitos, os nascidos da década de 1960 em diante, não conheceram pessoalmente e de quem só ouvem falar durante os festejos de Momo ou o tem na conta de nome de uma grande avenida do bairro da Boa Vista, no Recife. Todos sabem, porém, da existência de um certo Mário Melo, amante do Carnaval pernambucano, dos clubes pedestres, das troças e dos maracatus, que, de abraços abertos e cabelos desgrenhados, entregava-se de corpo e alma ao frevo e ao passo.

O desconhecimento sobre Mário Melo, sobre sua produção intelectual e os seus posicionamentos políticos, bem como sobre a influência que suas opiniões exerceram sobre diversas gerações de pernambucanos — insistimos em falar em pernambucanos uma vez que Mário Melo foi, fundamental e assumidamente, um provinciano — estende-se para além do senso comum e adentra a academia. Nascido ainda no Império, em 1884, falecido em 1959, Mário Melo vivenciou os tempos da República Velha e de suas elites oligárquicas e conservadoras. Aderiu imediatamente à chamada Revolução de 1930; e, anticomunista ferrenho, esteve ao lado do interventor Agamenon Magalhães desde as primeiras horas do Estado Novo. Com a redemocratização, elegeu-se deputado estadual pelo Partido Social Democrata – PSD, cumprindo mandato de 1947 a 1951.

O combativo jornalista testemunhou também as mudanças que alteraram radicalmente as conformações físicas, espaciais e paisagísticas do País e de sua terra natal, Pernambuco, e da cidade do Recife em particular, na primeira metade do século XX; como também acompanhou as modificações advindas da passagem de uma sociedade eminentemente rural para uma sociedade urbana e industrial, e as alterações acontecidas nas mentalidades, nos comportamentos e nos valores.

A exemplo de alguns contemporâneos e conterrâneos, como o antropólogo e sociólogo Gilberto Freyre e o memorialista e escritor Mário Sette3, Mário Melo vivenciou a tensão e o mal-estar provocados, como percebiam então, pelo difícil convívio entre esses dois mundos, o campo e a cidade, comumente associados à tradição e ao moderno respectivamente. A seus olhos, a modernidade e a modernização ameaçavam o passado, o importante passado de Pernambuco que tanto procurou defender e exaltar em seus livros, artigos e pronunciamentos públicos. Porém, diferentemente dos dois intelectuais acima referidos, o “homem dos sete instrumentos”, como se autodefinia4 — foi telegrafista, jornalista, geógrafo, historiador, folclorista, político, professor, poeta, crítico teatral, músico e folião — ainda espera pelo reconhecimento da academia, no sentido de ver sua produção intelectual, suas opiniões e seus posicionamentos político-ideológicos como objetos de estudo de historiadores, de cientistas sociais e de comunicadores sociais.

O trabalho de Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa, bibliotecárias da Fundação Joaquim Nabuco, Mário Melo, 1884-1959: uma bibliografia, para a elaboração do qual contaram com a colaboração da bibliotecária Fernanda Ivo e do museólogo Henrique Cruz, reúne e sistematiza a dispersa e variada produção intelectual do empertigado jornalista, constituindo grande estímulo para a elaboração de estudos científicos que sistematizem e analisem densa e criticamente a obra de Mário Melo. São mais de mil registros bibliográficos e documentais à disposição dos pesquisadores, daqueles interessados em investigar a contribuição de Mário Melo para a produção do conhecimento histórico sobre Pernambuco e a marca por ele deixada na historiografia local; assim também, sua colaboração para os estudos sobre os povos indígenas da atual Região Nordeste, escritos em uma época em que eram completamente invisíveis para o Estado e para as elites nacionais.

Mário Melo participou também das discussões matriciais sobre a definição do conceito de patrimônio cultural no País e sobre o papel que caberia ao Estado, às elites e às camadas subalternas nesse campo, entre as décadas de 1920 e 1930. Defensor apaixonado de um museu regional para Pernambuco, envolveu-se nas discussões em torno da criação da Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais em Pernambuco, no ano de 1928. Devotado às manifestações culturais populares, desejando vê-las preservadas em sua autenticidade e tradicionalismo, livres das influências políticas e culturais trazidas pelo estrangeirismo e pela modernidade, Mário Melo foi um dos principais idealizadores da Federação Carnavalesca Pernambucana, criada em 1935, assumindo importante cargo nessa instituição ainda hoje existente.

A diversificada produção intelectual de Mário Melo, sua atuação profissional e sua ativa participação nos mais variados campos da vida social, política e cultural suscitam uma multiplicidade de temas de investigação e estudo, inclusive sobre a definição, o papel e a prática do ser intelectual no Brasil, na primeira metade do século XX.

O inventário documental que Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa ora trazem à cena se apresenta como uma provocação intelectual para todo aquele que se interessa por conhecer os possíveis e infindáveis diálogos que o presente pode estabelecer com o passado, em busca de novas interpretações e de novos sentidos que ampliem nossos horizontes conceituais e nos apontem diferentes e promissores caminhos a seguir.
[...]
De braços para o alto
Cabelos desgrenhados
Frevando sem parar
Lá vem Mário!
Defendendo Vassourinhas
Pão Duro, Dona Santa,
Dragões ou Canindés
Lá vem Mário!
Com ele já se abraçaram
Felinto, Pedro Salgado
Guilherme e Fenelon
E no palanque
Sem fim lá do espaço
Lá está Mário a bater palmas
Para o frevo e para o passo.

Recife, 27 de fevereiro de 2012.

:: Consulte a bibliografia completa, faça download do arquivo em pdf

15 de março - Santa Luísa de Marillac


Luísa nasceu em 12 de agosto de 1591, filha natural de Luís de Marillac, senhor de Ferrières, aparentado com a nobreza francesa, cujas posses permitiram dar à filha uma infância tranqüila. A menina aos três anos foi para o Convento Real de Poissy, em Paris onde recebeu uma educação refinada, quer no plano espiritual, quer no humanístico.

Porém, seu pai morreu quando ela tinha treze anos, sem deixar herança e, felizmente, nem dívidas. Nessas circunstâncias Luísa foi tirada do Convento, pela tia Valença, pois os Marillac não se dispuseram custear mais sua formação. Ela desejava dedicar sua vida à Deus, para cuidar dos pobres e doentes, mas agora com a escassez financeira teria de esperar para atingir esse objetivo.

Durante dois anos viveu numa casa simples de moças custeando-se com trabalhos feitos em domicílio, especialmente bordados Ela tentou ingressar no mosteiro das capuchinhas das Filhas da Paixão que acabavam de chegar em Paris, mas foi rejeitada pela aparência de saúde débil, imprópria para a vida de mosteiro. Depois disso viu-se constrangida a aceitar um casamento que os tios lhe arranjara. Foi com Antonio de Gràs, que trabalhava como secretário da rainha. Com ele teve um filho, Miguel Antonio. Viveu feliz, pois o marido a respeitava e amava a família. E se orgulhava da esposa que nas horas vagas cuidava dos deveres de piedade, mortificando-se com jejuns freqüentes, visitando os pobres, os hospitais e os asilos confortando a todos com seu socorro. Até que ele próprio foi acometido por grave e longa enfermidade e ela passou a se dedicar primeiro à ele sem abandonar os demais. Mas com isso novamente os problemas financeiros voltaram.

Nesse período teve dois grandes conselheiros espirituais: Francisco de Sales e Vicente de Paulo, ambos depois declarados Santos pela Igreja. Foi graças à direção deles, que pôde superar e enfrentar os problemas que agitavam o seu cotidiano e a sua alma. Somente sua fé a manteve firme e graças à sua força, suplantou as adversidades, até o marido falecer, em 1625 e Miguel Antonio foi para o seminário.

Só então Luísa pôde dedicar-se totalmente aos pobres, doentes e velhos. Isso ocorreu porque Vicente de Paulo teve a iluminação de colocar-la à frente das Confrarias da Caridade, as quais fundara para socorrer as paróquias da França, e que vinham definhando. Vicente encarregou-a de visita-las, reorganiza-las, enfim dinamiza-las, e ela o fez durante anos.

Em 1634 Luísa, com ajuda e orientação de Vicente de Paulo, fundou a Congregação das Damas da Caridade, inicialmente com três senhoras da sociedade, mas esse núcleo se tornaria depois uma Congregação de Irmãs. Isso o porque serviço que estas Damas prestavam aos pobres era limitado pelos seus deveres familiares e sociais e pela falta de hábito aos trabalhos humildes e fatigantes. Era necessário colocar junto delas, pessoas generosas, livres e totalmente consagradas a Deus e aos pobres. Mas na Igreja não existiam porque a vida de consagração para as mulheres estava concebida apenas como vida de clausura. Então, Vicente e Luísa, em 1642 ousaram e, criam as Irmãs dos Pobres, as Filhas da Caridade, a quem foram confiados os doentes, os enjeitados, os velhos, os mendigos, os soldados feridos e os condenados às prisões.

Nascia um novo tipo de Irmã, com uma missão inédita para aqueles tempos: uma vida consagrada em dispersão pelos caminhos do sofrimento humano, assim estava criada a Congregação das Irmãs Filhas da Caridade, em 1642. Na qual Luísa fez os votos perpétuos, sendo consagrada pelo próprio Vicente de Paulo. A obra, sob a direção dela foi notável. Quando Paris foi assolada pela guerra e peste, em 1652, as Irmãs chegaram a atender quatorze mil pessoas, de todas as categorias sociais, sendo inclusive as primeiras Irmãs a serem requisitadas para o atendimento dos soldados feridos, nos campos de batalhas.

Luísa morreu em 15 de março de 1660. Foi beatificada em 1920, e canonizada pelo Papa Pio XI, em 1934. Suas relíquias repousam na Capela da Visitação da Casa Matriz das Irmãs da Caridade, em Paris, França. Santa Luísa de Marillac foi proclamada Padroeira das Obras Sociais e de todos os assistentes sociais, pelo Papa João XXIII, em 1960.

Fonte:

Falando nisso...

Alagadiço - Frei Paulo é Rota do Cangaço em Sergipe
O messianismo que surgiu no Nordeste, e principalmente o banditismo que se tornaram comuns, especialmente durante a República Velha esboça o abandono pelas autoridades entremeado de período de desmedida repressão contra os mais humildes dos sertões.
Eis porque Lampião ainda é visto como um mal menor por muita gente, diante da selvageria dos senhores fazendeiros. Todavia, os horrores que os cangaceiros praticavam, muitas vezes levavam a reações como a que houve no Alagadiço contra
Zé Baiano que acabou morto, dando início ao declínio do banditismo nos sertões. Alagadiço, pois, marca o primeiro grande revés no cangaço já que não se tratou apenas de expulsar os cangaceiros: eles foram desmoralizados com a morte de um dos mais temidos.

Atualmente, fruto do trabalho incansável do exército de um homem só, de Antônio Porfírio de Matos Neto, foi montado e é mantido por este um museu com várias e valiosas peças no mesmo povoado, daquele período negro da história nordestina, próximo do local do assassinato do terrível Zé Baiano, em 07 de junho de 1936 que, entre outras manias, tinha a de ferrar suas vítimas mulheres depois de as estuprar.

Curiosamente, a instalação do dito museu está às margens daquela que foi canal para o primeiro grande choque entre o branco dominador e o índio e o negro: a gênese do povão brasileiro.

Chega-se ao povoado tomando-se a BR-235 até Frei Paulo, e daí até o trevo para o mesmo povoado por mais três quilômetros; e do trevo até lá por estrada asfaltada, mais sete quilômetros. O museu está localizado numa casa modesta, às margens da estrada real dos quilombos, na saída no sentido da cidade de Carira. Está sempre aberto à visitação nos horários convencionais.

Créditos: Andarilho 59, YouTube
Extraído do blog: "Lampião Aceso"

O Estado Maior do Cangaço

Por: Cicinato Neto
Magérbio de Lucena
Lampião e o Estado Maior do Cangaço - Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena - Estudo feito por dois estudiosos do Cariri cearense sobre os maiores nomes do cangaço no Nordeste: Lampião, Luís Pedro, Labareda, Sabino Gomes, Massilon, os irmãos Engrácia, Antônio Matilde, Antônio Ferreira, Livino Ferreira, Jararaca, entre outros.
Edição utilizada: 2ª edição, Fortaleza, Gráfica Encaixe, 2004 (a primeira edição é de 1995).
Trecho significativo:
Declarações do cangaceiro Oliveira aos pesquisadores sobre Lampião:


"Durante o tempo que andei com Lampião, quando a gente entrava no Ceará, ele dizia logo: - Coidado, qui é um istado qui eu arrespeito! E ninguém tomava nada de ninguém, não matava ninguém. Lampião não gostava de dar surras, dizia: Prá pegá um pobi, um paisano dizarmado dá u'a pisa, não é vantage prum homi. Vantage prum homi é falá arto prá ôto homi armado! Não se dava bolos. As moças tinham que ser respeitadas. O padre Cícero tinha pedido para ele respeitar moças, senhoras casadas e seus romeiros, dizendo que se fizesse isso, ele morreria velho em sua cama. Quando entrô no Juazeiro, deram-lhe armas, fardamento e a patente de capitão prá deixar aquela vida, mas o governo e a polícia do Pernambuco não deixaram. Lampião dizia:
Ninguém quêra si apossá de muié de vergon'ia o que mi dizibedecê eu atiro pra matá! E se o o cabra teimasse, morria mesmo".
O tratamento dos feridos era uma coisa desmantelada. Lavava-se era com cachaça, pois não havia álcool e colocava-se emplasto de sal com pimenta. Nunca fui ferido, mas vi muito baleado sofrer com ferimento aberto e tendo que andar sem parar, correndo da polícia. Se o ferimento era grande, deixava-se o baleado com algum coiteiro. Quando não tinha jeito, se abreviava a morte do companheiro, a pedido dele mesmo como foi feito com Sabino". (p. 204-5).

Cicinato Ferreira Neto
www.cicinato.blogspot.com

NOTA CARIRI CANGAÇO: Para adquirir um exemplar desta obra de Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, entrar em contato com Professor Pereira, através do email: franpelima@bol.com.br

Extraído do Cariri Cangaço


OS DESEJOS PROIBIDOS (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

OS DESEJOS PROIBIDOS
O tempora! O mores! Que tempos, que costumes! Assim se pronunciou o romano Cícero ao se referir à decadência moral de sua época. Caberia agora repetir tal expressão latina diante desses tempos modernos e tecnologicamente desenfreados?
Mas claro que sim. O progresso tecnológico não veio acompanhado do aperfeiçoamento moral do ser humano. Muito pelo contrário, quanto mais se inova mais o indivíduo deixa de se reconhecer enquanto portador de valores e deixa-se triturar pelos absurdos que chegam multiplicados, pois tudo em série.
E o mais absurdo ainda é que pretendem ver como alijados desse mundo novo todos aqueles que lutam para manter suas virtudes; todos aqueles que se mantêm distanciados da luxúria e da devassidão, das entregas fáceis e da vulgarização corporal e sexual; todos aqueles que não pretendem ocultar sua religiosidade, sua fé e sua devoção. Assim, quem não se deixa levar pela enxurrada dos modismos perversos passou a ser visto como inapto ao exigente convívio social.
Parece verdadeiro absurdo, mas atualmente não seria demais afirmar que pessoas são proibidas de ser como intimamente desejam, de não praticar aquilo que a sociedade maléfica e perniciosa pretende, de se abster de não se transformar forçosamente em algo imprestável para atender aos anseios dos novos tempos. Ora, aos olhos de muitos não há pecado maior nesses dias do que não viver se entregando a pecados.
Só mesmo muita força e persistência, destemor e determinação, para a pessoa se impor como deseja ser e não se desvirtuar pelos caminhos errôneos a cada momento mostrados. Que não se duvide o quanto sacrifício será para vencer os cochichos do mal, as graciosidades perversas, os convites da perdição. É como se flores do mal, belamente enfeitadas numa cesta de intemperança, fossem todos os dias colocadas à porta como num irrecusável convite ao erro.
Se a pessoa for fraca realmente se deixará levar, pois as lições imprestáveis chegam na televisão, no olhar adiante da janela, no mundo lá fora. Em grande parte, a sociedade se tornou escola maior de tudo que seja fútil, vulgar, imprestável, desonesto e imoral, e dela a pessoa não pode fugir com facilidade. Ademais, chega um amigo e até um parente insistindo para que faça exatamente aquilo que o íntimo não deseja e a personalidade não permite.
Em muitas situações, os desejos íntimos, os anseios da personalidade, os reclamos pessoais se tornam proibidos. E proibidos porque o mundo perverso e pervertido não comunga com aquele que procura viver em castidade, na pureza possível, com jeito conservador próprio de ser. A sociedade não acata e procura reprimir a inocência, a singeleza, a correção moral, as virtudes positivas.
Nesse desvão da vida, muitos desejos sempre tidos como normais se tornaram proibidos, impossíveis de se realizar, principalmente porque é muito difícil encontrar outra pessoa que comungue dos mesmos sentimentos de preservação moral. Assim, se tornaram desejos proibidos o amor verdadeiro, o namoro sem apelações, o diálogo como forma de compreender o outro e o mundo ao redor.
Tornaram-se desejos proibidos amar ao próximo como a si mesmo, demonstrar respeito aos mais velhos, ser piedoso com os mais necessitados, dar a mão àquele que precisa de ajuda para se erguer, olhar e sorrir para o outro sem que isto seja compreendido como má intencionalidade, procurar partilhar a alegria e a felicidade, dialogar palavras recheadas de boas lições, pedir sem ter que dar nada em troca, oferecer sem que o ofertado ache que tem de retribuir.
É proibido principalmente ser verdadeiro, honesto, ter um bom egoísmo para se achar importante e capaz acima de tudo, vaidoso na preservação própria, orgulhoso dos atos não corrompidos. E certamente vão querer proibir, mas jamais conseguirão afastar o seu desejo permanente e infinito de ter Deus no coração.

Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Baú sem chaves (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Baú sem chaves

Quanto e tudo da vida
tanta chegada e partida
carta amassada e fotografia
tempo que foi outro dia
e o velho baú esquecido
feito ontem já perdido

minha linda namorada
sorriso na foto amarelada
e uma agenda sem data
com verso que fere e mata
por tanta incompreensão
por tanto amor e solidão

ao redor silêncio e tristeza
baú fechado à mesa
olhos enxergando sem ver
tanta coisa ainda a ler
tudo rapidamente guardado
porque outro amor encontrado

o que me veio foi embora
tentei reencontrá-la senhora
pedir a chave do meu coração
abrir o lacre e pedir perdão
revirar esse baú do avesso
e da vida fazer recomeço.


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com