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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

EM: "LAMPIÃO DE A a Z"

Por: Paulo Medeiros Gastão

Lampião tinha uma incrível capacidade de deslocamento.


Citamos a forma de como venceu a distância existente desde as fronteiras do Ceará com o Rio Grande do Norte, do município de Luiz Gomes até alcançar Mossoró.

Fonte: blogtabulapolitica.blogspot.com

Foram três dias para se percorrer algo em torno de 33 léguas, ou seja, 200 quilômetros. É uma incrível façanha, sob o comando maior do chefe cangaceiro.

Extraído do livro: "Lampião de A a Z"
Página: 47
Autor: Paulo Medeiros Gastão
Ano de publicação: 2011

CANGACEIRO VINTE E CINCO, UMA VISITA A UM DOS ÚLTIMOS GUERREIROS DE LAMPIÃO

Por: João de Sousa Lima

José Alves de Matos, o ex-cangaceiro Vinte e Cinco é um dos três últimos cangaceiros vivos. Ainda lúcido tem uma memória privilegiada e apesar dos seus 95 anos de idade recebe sempre visitas em sua residência  para falar do seu tempo de cangaceiro.

Ele lembrou com facilidade que eu havia estado com ele em nosso primeiro encontro há exatos seis anos.

José Alves de Matos nasceu em Paripiranga, Bahia, na fazenda Alagoinha. Teve vários primos  e sobrinhos com ele no cangaço, tais como: Santa Cruz, Pavão, Chumbinho, Ventania e Azulão. No dia que entrou para o bando de Corisco o seu sobrinho Santa Cruz entrou no grupo de Mariano.

Vinte e Cinco discutiu com Dadá e saiu do grupo de Corisco para o grupo de Lampião. Podemos vê-lo em foto ao lado de Corisco e em outro momento ao lado de Lampião. Quando da morte de Lampião havia ido com os dois irmãos Atividade e Velocidade buscar uns mosquetões e umas munições.

Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois seu pai casou novamente e nasceram mais cinco homens e três mulheres. Quando acabou o cangaço e se entregou com alguns companheiros em Poço Redondo, Sergipe, acabou ficando preso por quatro anos em Maceió e dentro da cadeia começou a estudar, quando recebeu o alvará de soltura conseguiu entrar no estado como Guarda Civil, conseguindo a vaga através de um amigo. Quando o governador Ismar de Góis  Monteiro descobriu que ele havia sido cangaceiro convocou o secretário de Justiça do Estado, o senhor Ari Pitombo e disse que não podia ficar com ele na guarda pois ele havia sido cangaceiro, o secretário procurou o chefe da guarda, o major Caboclinho e o major disse que ele era entre os 38 guardas o melhor profissional que ele tinha. 

O Secretário resolveu fazer um concurso entre eles e José Alves contratou duas professoras, esqueceu as festas e curtições e foi estudar bastante o que lhe rendeu o primeiro lugar na primeira fase, na segunda fase se classificou entre os melhores e quase foi reprovado na parte de tiro, pois era acostumado com o Parabellun e teve que atirar com um 38, só passando depois que atirou com o parabellun e acertou o alvo, depois de duas sequencias de erros com a outra arma. Hoje José alves de Matos é aposentado como funcionário público estadual.


João de Sousa Lima, José Alves de Matos e Josué Santana.


José Alves com sua família, a esposa Mariza, as filhas Dilma e Dalma, o genro Givanildo, a neta Juliana, o neto João Pedro e a bisneta Maria Eduarda.


José Alves e a esposa Mariza


Vinte e Cinco e João de Sousa Lima


Cobra Verde - Vinte e Cinco - Peitica - Maria Jovina - Pancada
Vilanova - Santa Cruz - Barreira


Vinte e Cinco, Cobra Verde e Santa Cruz
 (sobrinho de Vinte e Cinco, filho de sua irmã Joaninha, esse cangaceiro era irmão do também cangaceiro Zepellin).


Corisco e Vinte e Cinco


Outra foto das entregas dos cangaceiros onde aparece o 
Vinte e Cinco (nº 6).


Enviado pelo escritor e pesquisador do cangaço:
João de Sousa Lima

O ATAQUE DE LAMPIÃO A MOSSORÓ: COMO ERA A CIDADE NA ÉPOCA DA INVASÃO

Por: Honório de Medeiros
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Em 1926, com mandato previsto até 1928, era Presidente da Intendência[1] de Mossoró, Rodolpho Fernandes de Oliveira Martins, tendo como Vice seu parente próximo Hemetério Fernandes de Queiroz. Os outros intendentes eram Luís Colombo Ferreira Pinto, Francisco Clemente Freire, Antonio Teodoro Soares Frota, Manuel Amâncio Leite e Francisco Borges de Andrade.


Mossoró, segundo Raul Fernandes[2], em 1927 competia com Natal, a capital do Estado. Enquanto esta tinha 30.600 habitantes, aquela possuía 20.300. 

A denominada “Capital do Oeste” era ligada ao litoral por uma estrada de ferro que se estendia até o povoado de São Sebastião, atual Dix-Sept Rosado, na direção Oeste, percorrendo quarenta e dois quilômetros, enquanto, por ela, estradas de rodagem convergiam de vários recantos, percorridas por caminhões que, aos poucos, substituíam o transporte animal. 

Possuía a cidade o maior parque salineiro do país. Três empresas descaroçavam e prensavam algodão, produto denominado, na época, e por muito tempo ainda, de “ouro branco[3]”. 

Centro comercial importante, em Mossoró se comprava peles, algodão e cera de carnaúba. Exportava-se, pelo porto de Areia Branca, tudo quanto era trazido pelos longos comboios de mercadorias chegados do interior da Paraíba e do Ceará, que voltavam levando sal e produtos oriundos de centros mais avançados. 

Havia energia elétrica, que alimentava várias indústrias nascentes, assim como repartições públicas federais e estaduais, além da agência do Banco do Brasil, que era o único estabelecimento de crédito da região. 

Na cidade circulavam três jornais: ‘O Correio do Povo’, o ‘Nordeste’, e ‘O Mossoroense’, este o mais antigo do Município, e um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1872. O ensino era ministrado por intermédio de estabelecimentos para ensino secundário – a Escola Normal e a de Comércio, e em dois colégios com internato – o Diocesano Santa Luzia para rapazes, e o Sagrado Coração de Maria, dirigido por religiosas franciscanas, portuguesas, para moças.

PERFIS

Dona Bernadete – Maria Bernadete Leite Duarte – guardava, aos oitenta e cinco anos, a beleza dos traços que a fotografia – tirada no verdor de sua mocidade – pousada em cima da cristaleira antiga, muito bem conservada, revelava.

Ela nos recebeu a mim, Carlos Duarte e Cleilma Fernandes, estes do jornal mossoroense “Página Certa”, e Paulo Gastão, fundador da Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço – SBEC, em sua residência, no dia 18 de dezembro de 2006, em um final de tarde tipicamente sertanejo, tornado mais fresco pela presença do vento Nordeste e mais agradável pelo lanche com o qual nos brindou após a entrevista.

Dona Bernadete é filha de Manoel Duarte, um dos heróis da resistência a Lampião em Mossoró.

“Nasci em Mossoró”, diz-nos ela,“em 1921, e aqui morei até 1950.

Quando completei quinze anos fui estudar na Escola Doméstica em Natal. Minha mais antiga lembrança de Mossoró é dos meus pais. Minha infância foi igual à de todas as crianças daquela época: pulei corda, brinquei de roda, de boneca, gostava de bonecas de pano, fazia teatrinhos, aperreava o pavão de Dona Filomena de Seu João Carrilho...

Dormíamos cedo, às 19h00min. Tomávamos café da manhã às 07h00min, almoçávamos às 11h00min e jantávamos às 17h00min. Comíamos pão, biscoito, leite de vaca, ovos, cuscuz, coalhada no café da manhã; feijão de arranque temperado com carne, cebola, alho, coentro, cominho, arroz, farofa no almoço; mugunzá, cuscuz, coalhada no jantar. Comíamos frutas e bolachas pretas.

Já mocinha, escutávamos, enquanto arrodeávamos a Praça do Pax, a banda no coreto. Os rapazes ficavam em pé, de frente para a parte interior da praça. Às 21h00min todo mundo ia embora.

Freqüentávamos o Clube Ipiranga e íamos ao cinema diariamente com meu pai, Manoel Duarte. Eu adorava os musicais. Gostava também muito de ler historinhas, o "Tesouro da Juventude".

Quando eu estudei em Natal, na Escola Doméstica, saia nos finais-de-semana para a casa da esposa de Rodolpho Fernandes. Lembro-me da passagem do Zeppelin e do Hindenburgo por Natal. O Hindenburgo, que era mais grosso, ficava parado, suspenso no ar e soltava malas para o pessoal da terra.

Quando da invasão de Mossoró papai levou a família para Tibau e voltou para participar da resistência. Rodolpho Fernandes era compadre de papai, padrinho de meu irmão Antônio Leite Duarte.

Nunca ouvi falar na história de Massilon ser apaixonado por Julieta, filha de Rodolpho.

 Papai ficou na casa de Rodolpho, na parte de cá (que dava para a Igreja de São Vicente) e havia outros na Igreja. Estes não alcançavam os cangaceiros postados na parede lateral da casa de Alfredo Fernandes, esquina com a Avenida Alberto Maranhão, mas apontaram Colchete que já estava com uma garrafa de querosene na mão para jogar nos fardos de algodão. Papai atirou em Colchete e Jararaca. Muita gente correu da luta.”

Dona Iracema – Iracema de Assis Duarte – com seus oitenta e poucos anos, magra, espigada, alerta, faz coro ao depoimento de Dona Bernadete.

Estamos na calçada em frente à casa na qual ela mora sozinha. Não quer sair de lá, em hipótese alguma, e se render ao chamado dos filhos.

É o dia 19 de dezembro de 2006 e estamos quase ao lado da histórica sede da Prefeitura Municipal de Mossoró, antiga residência de Rodolpho Fernandes, na Avenida Alberto Maranhão, cujo tráfego, mesmo àquela hora crepuscular, não esmorece. Passantes vão e vêm. Não se dão conta de que há setenta e nove anos atrás o movimento, naquela avenida, se deu por motivos bem diferentes dos habituais.

“A casa em frente à de Alfredo Fernandes era de João Hollanda”,lembra Dona Iracema. “Os fundos davam para a casa de João Marcelino – o médico que cuidou de Jararaca.

Naquele tempo, no entorno da Igreja de São Vicente havia a casa da esquina da Rua Francisco Ramalho com a Alberto Maranhão do lado de cá (no alinhamento da Igreja); havia a minha casa (várias geminadas vizinhas ao palacete de Rodolpho), a de seu Artur Paula (palacete cuja frente dava para a lateral da casa em frente aos fundos da Igreja)[1], a casa onde hoje funciona a Escola 13 de Junho, outra de umas catequistas...

Não havia pudim, bolo, doces na minha infância. Era rapadura, cocada, pão doce, bolacha preta. Galinha aos domingos. Coalhada de manhã para o pai. Não havia o hábito da verdura. A hora das refeições era essa mesma que Bernadete falou. E as brincadeiras também. Meninos não participavam. As brincadeiras: escravos de Jó, tique, esconde-esconde, teatro infantil (representavam contos de fadas).

O cinema era o Almeida Castro, no Grande Hotel. Esse Grande Hotel concentrava a nata da sociedade nos grandes eventos. Os filmes eram mudos.

Manoel Duarte, um homem muito sério, achava graça com os retratos dos heróis nas trincheiras. Dizia que a máquina fotográfica era muito boa, pegava fulano e sicrano em Areia Branca... Zé Otávio – o que fotografou as trincheiras – era o fotógrafo da época. Os Fernandes[2] eram os ricos de Mossoró. Dizia-se que Tertuliano era o mais rico.”

É dezembro de 2006. Irmã Aparecida nos recebe, a mim e a Carlos Duarte, em seu gabinete no Colégio Sagrado Coração de Maria – o Colégio das Freiras, onde estudaram e estudam as filhas das elites de Mossoró, geração após geração.

Irmã Aparecida tem o mesmo tipo físico de Dona Bernadete e Dona Iracema. Nela, entretanto, o hábito de comandar se deixa perceber através das frases pontuadas de forma mais incisiva, como a evitar contestações. Irmã Aparecida, apesar da idade, ainda comanda o Colégio. Nada leva a crer, observando-se sua agilidade física e mental, que a aposentadoria esteja próxima.

“Merendávamos às 09h00min: coalhada, copo de leite, ovos batidos, fubá de milho com mel, ou gema de ovo com mel de abelha. Almoçávamos às 11h00min. Não se conhecia feijão preto e não se comia bode porque fedia. Comia-se melhor no campo que na cidade. Nas refeições, silêncio: era preciso manter-se o respeito.

À mãe competia a educação. O pai quase nunca se metia. Os castigos: ficar atrás do guarda-roupa e a palmatória. A educação era feita através da tradição oral: não mentir, por exemplo. Rezava-se o ofício, particularmente, todos os sábados. Mas não se misturava moral com religião.

A diversão dos homens era jogar sueca. A dos meninos irem para o terreiro. Líamos, quando muito, os livros didáticos. Assistíamos filmes mudos pelo menos duas vezes por semana.

As grandes famílias de Mossoró eram os Fernandes, os Leite, os Duarte. Ainda não havia Rosado. Não se sabia quem eles eram. Os ricos eram Costinha Fernandes, João Marcelino, Miguel Faustino, Tertuliano Fernandes...

Entretanto tão instigante quanto essas entrevistas a respeito da Mossoró da década de 20 do século passado é a leitura das “Memórias” de Sebastião Gurgel[3].

Em seu diário, no qual começa, no ano da invasão de Mossoró, portanto escrevendo em março de 1927, alude, desde logo, à inauguração, em 1º de novembro de 1926, do serviço da estrada de ferro Mossoró/São Sebastião (atual Governador Dix-Sept Rosado).

Informa que o inverno está sendo bom e que a estrada de ferro progride até Caraúbas.

Em julho noticia a invasão de Apodi por Massilon, a 10 de maio, e a de Mossoró, a 13 de junho, por Lampião e seu bando.

É avaro nas informações e mais ainda na análise do fato.

“Convém”, escreve ele em seu diário, “consignar um voto de louvor aos Srs. Cel. Rodolfo Fernandes, prefeito da cidade, Julio Maia, que melhor que outro qualquer dirigiu a defesa, Mirabeau Melo[4] que como encarregado do telégrafo, prestou enormíssimo serviço, Dr. Gilberto Studard Gurgel, tenente Abdon Nunes, Cornélio Mendes, João Fernandes, etc.”

E acrescenta, irônico: “Eu, já se sabe, nestas ocasiões, sou sempre o herói da retirada”.

Ainda em julho relata um acontecimento “sensacional – o casamento de Monsenhor Almeida Barreto com a senhorita Maria Nazareth de Oliveira.”

Imaginemos o impacto que tal acontecimento deve ter suscitado na provinciana Mossoró do início do século XX!

Somente em outubro de 1927 Tião Fernandes volta a escrever em seu diário. Critica o governo do Ceará por não tomar providências contra o cangaço. Registra ter deixado suas duas filhas em Natal, para estudarem na Escola Doméstica. Em dezembro, no dia 4, lembra que

“Em virtude de uma lei séria que garante o voto à mulher, nesta semana (passada) requereu o título de eleitora do município, a professora dona Celina Viana, sendo ela a primeira eleitora do Brasil.”

 E, também, que

 “Em substituição do presidente da intendência Rodolfo Fernandes que morreu no dia 10 de setembro, foi eleito para o mesmo lugar Luiz Colombo Ferreira Pinto.”


[1] A casa onde residia Joaquim Perdigão, casado com Julieta Fernandes, filha de Rodolpho Fernandes.
 
[2] Em curiosa crônica escrita para “O Mossoroense”, em 12 de março de 1950, assim se refere aos Fernandes, ao aludir a Mossoró e seus capitalistas, Djalma Maranhão: “Fortunas imensas cimentadas no comércio do algodão e na indústria do sal. Vicente Fernandes eAlfredo Fernandes, capitães de indústria, legando aos seus descendentes Paulo, Pedro, Ezequiel, Xavier, Ademir e mais uma dúzia de jovens milionários, uma organização que é um verdadeiro estado dentro do Estado do Rio Grande do Norte;” (“NOVAS IMAGENS DE MOSSORÓ”; MAIA, Jerônimo Vingt-um Rosado; Coleção Mossoroense; Volume CVIII; 1980; Mossoró, Rn).


[3] “MEMÓRIAS DE UM COMERCIANTE E BANQUEIRO (DIÁRIO)”; GURGEL, Sebastião; Coleção Mossoroense; Série “C”; volume 1293; novembro de 2002; livro III; Mossoró, Rn.

[4] A quem se refere Paulo Fernandes, filho de Rodolpho Fernandes e ex-Prefeito de Mossoró, de forma acrimoniosa, em carta transcrita neste livro endereçada a Nertan Macedo.

[1] Prefeito, à época.

[2] “A MARCHA DE LAMPIÃO”; FERNANDES, Raul; 2ª. EDIÇÃO; Ed. Universitária – UFRN; 1981; Natal, Rn. 


[3] “No Rio Grande do Norte, a produção algodoeira do século XX refletiu todos os momentos de favorabilidade ou não das conjunturas.
 
                Confiantes na crescente demanda do produto e na consequente elevação dos preços, os grandes e pequenos proprietários do Seridó, Oeste e Trairi encheram suas terras com a lucrativa malvácea. Por causa dos seu alto valor, o algodão passou a ser chamado de ‘ouro branco’. Um município seridoense recebeu essa denominação, em 1918, para homenagear a planta tão valorosa (SOUZA, Itamar de; “A REPÚBLICA VELHA NO RIO GRANDE DO NORTE”; EDUFURN – Editora da UFRN; 1ª edição; Natal; 2008).


Extraído do blog do professor e pesquisador do cangaço: 
Honório de Medeiros

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As trincheiras de Rodolfo, em 1927: IV-Tertuliano, Fernandes & Cia.

Imagem 01 - Armazéns da firma Terliano, Fernandes & Cia. 1975

A quarta trincheira de defesa da cidade de Mossoró, em 1927, foi montada nos armazéns da firma Tertuliano, Fernandes & Cia, imagem 01, que Raul Fernandes, na obra abaixo, assim a descreve:

"Os dez armazéns conjugados da firma ocupavam o lado norte da praça Felipe Guerra. A fim  de protegê-los, colocaram no sobrado, 160, a leste da praça, seis trabalhadores com cinquenta balas cada um - João Manoel Filho, Antônio Juvenal, João Ferreira da Silva, Luiz Chico, José Manoel e Francisco Canuto. A segunda trincheira fora organizada no sobrado, dormitório dos empregados, na esquina da rua Cel. Gurgel com a Frei Miguelinho. Formada por Manoel Sabino Lima, Francisco Campos Nogueira, Sérgio Queiroz, Francisco Porto, Pedro Maia e Monte Belo. Pouco antes do assalto, chegaram uns comboeiros com rifles, e dez balas cada um. Outra parte do pessoal de Tertuliano foi para a trincheira de Rodolfo."

Próxima trincheira ser postada - Trincheira V

Citarmos as fontes é respeitar quem pesquisou e dar credibilidade ao que escrevemos. Télescope.Fontes: FERNANDES, Raul. ( 09-09-1908-1998). A Marcha de Lampião, Assalto a Mossoró. 7a. edição, Coleção Mossoroense, Volume 1550,  Fundação Vingt-un Rosado, outubro de 2009; Fonte do  arquivo fotográfico P&B - Azougue. Provável autor da fotografia 01: Manuelito Pereira, (1910-1980);  Índice das Matérias Publicadas em Memória Fotográfica. 

 Escrito por Copyright@Télescope

NA TRILHA DE LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE


Por: Marinalva Freire da Silva

“Lampião contra o Mata Sete” é a obra mais recente do escritor Archimedes Marques, Jurista, Delegado da Polícia Civil de Sergipe, exímio estudioso de Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião.


A obra referida trata de uma réplica fundamentada de “Lampião, o Mata Sete”, de Pedro de Morais que, no afã  de ibope, de causar sensacionalismo, atribui a Lampião qualidades não inerentes a um cangaceiro que liderou o nordeste brasileiro, causando terror por onde passava com seu bando. Como se não bastasse, atribui 


a Maria Bonita todas as qualidades que denigrem a  honra feminina.

Como se sabe, há vários estudiosos que trilham a rota do cangaço, principalmente a do chefe maior, Lampião, posto que, conforme registra a História, tratava-se de um bandido cruel, sanguinário, frio, em busca de “justiça com as próprias mãos”, o que é condenável pela justiça, pois violência gera violência.

Mesmo com esses atributos comprovados, não se pode atribuir a tal conduta a homossexualidade, que nada tem a ver com cangaço, pelo menos no caso de 


Lampião e seu bando, pois não condiz com o homem valente, corajoso, implacável, que foi a personagem em destaque.

A História da Humanidade não pode mudar seu curso, digo, não pode ser narrada pela contramão dos fatos sob pena de não mais representar o marco de uma  determinada época. E quando alguém se dispõe a registrar os fatos que não o faça à revelia de sua imaginação como o fez o autor da obra contestada porque causam muitas polêmicas desnecessárias, levando-se em consideração que “contra os fatos não há argumento”. E os perfis de Lampião e Maria Bonita estão traçados na contramão dos fatos, sem as devidas provas que justifique tal leviandade.  

O que me admira em relação ao autor Archimedes Marques é a coragem e a lisura com que contra-argumenta os posicionamentos infundáveis do autor de “Lampião, o Mata Sete”; utiliza-se aquele uma linguagem simples, correta, jornalística, citando as inverdades da obra com fundamentos de um pesquisador nato, ou seja, dentro da ética de um estudioso de seu porte. Dessa forma, reconstitui a verdadeira história do cangaço cujo personagem principal foi Lampião, devolvendo à História seu verdadeiro objetivo, qual seja, retratar os fatos como ocorreram sem paixão nem ódio, mas dentro dos parâmetros da ética de um pesquisador de envergadura, que sabe onde deve m ser colocados os pontos nos is. 

Parabéns, portanto, ao escritor Archimedes Marques, que erigiu com sabedoria e imparcialidade o monumento “LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE”, obra que deve compor as estantes, principalmente, dos historiadores.  Aconselho, pois, a leitura da Obra.
                
João Pessoa, 25 de agosto de 2012

Marinalva Freire da Silva
Escritora. Membro da APEESP/SP; UBE/PB; AFLAP
Delegada de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, escritor e pesquisador do cangaço:
Dr. Archimedes Marques

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SINHÔ PEREIRA, O COMANDANTE DE LAMPIÃO

Por: Ângelo Osmiro

“A meu ver, o cangaceiro mais valente do nordeste foi Sinhô Pereira [...] Já pertenci ao grupo de Sinhô Pereira, a quem acompanhei durante dois anos. Muito me afeiçoei a esse meu chefe, porque é leal e valente batalhador. Se um dia voltasse ao cangaço, iria ser seu soldado”. 


Depoimento de Lampião em entrevista dada ao médico cratense Dr. Otacílio Macedo para o jornal O Ceará em Juazeiro no ano de 1926.

Dr. Octacílio de Macedo

Sebastião Pereira da Silva nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada em 20 de janeiro de 1896, filho de Manoel Pereira da Silva e Constância Pereira da Silva.

Sinhô Pereira

O estopim para entrada de Sebastião Pereira na vida das armas deu-se com o assassinato de seu irmão Né Pereira ou Né Dadu como era mais conhecido.

Após o crime, Sebastião resolveu tomar as dores da família, por ser solteiro, ficando os irmãos com as responsabilidades de cuidar do patrimônio e dos demais familiares. Arregimentou com o 


Coronel Isaias Arruda do Ceará, vários cabras para dar início à vingança. Isaias era um coronel radicado do sul do estado alencarino, bastante conhecido pelo seu envolvimento com cangaceiros. 

Sinhô Pereira - sentado, e Luiz Padre

O primo e fiel companheiro de Sinhô Pereira, Luis Padre o acompanhou nessa empreitada a pedido de sua mãe Dona Chiquinha Pereira, com ordens de ajudar o parente em tudo que fosse preciso.

Na Passagem dos Brejos as margens do riacho Pajeú, no ano de 1920 os irmãos Ferreira, Virgulino, Antônio e Levino acompanhados de mais quatro  companheiros, entre eles Antônio Rosa, se juntaram ao grupo de Sinhô Pereira. Logo após a adesão dos irmãos Ferreira ao bando de Sinhô, o grupo tem uma refrega violenta com a volante comandada pelo Capitão José Caetano, na fazenda Carnaúba, no município de Vila Bela, atual Serra Talhada, morrendo na ocasião Luis Macário, cabra o qual o chefe muito estimava. Sinhô Pereira e o grupo foram obrigados a deixar o campo de luta, pois levavam nítida desvantagem. Sebastião Pereira voltou depois ao local da batalha e não permitiu que seu companheiro fosse enterrado, enquanto não “encomendasse” outro para ir junto com ele. Encontrou na estrada o jovem João Bezerra, matando-o, o rapaz inclusive ainda era aparentado seu, por entrelaçamento familiar, coisa muito comum no sertão, e nada tinha com as brigas entre Pereiras e Carvalhos.

Em 1972 quando Sebastião Pereira visitou Serra Talhada, depois de meio século de ausência, confessou ter se arrependido amargamente daquele ato de loucura e que foi aquele um fato determinante para abandonar o cangaço. Ainda em Serra Talhada o ex-cangaceiro da família Pereira foi entrevistado pelo seu parente Luis Lorena. Quando dentre outras indagações, o entrevistador perguntou: - Você convidou Virgulino, posteriormente, para refugiar-se em Goiás? Respondeu Sebastião Pereira: - “Mandei um convite em correspondência que lhe foi entregue em Macapá (hoje Jati, no Estado do Ceará). Não recebi resposta”. Uma outra declaração prestada por Sinhô Pereira a seu parente Luiz Lorena, quando o primeiro esteve em Serra Talhada após cinquenta anos de ausência, traduz o quanto era valente este sertanejo.

Perguntou Lorena: - Você reconhece o que os seus contemporâneos dizem sobre seu espírito guerreiro, e de ser você o mais valentes entre eles? Respondeu Sinhô Pereira: - Do outro lado havia homens valentes, até a quase loucura, entretanto brigavam para matar. Na hora de morrer fugiam do campo de luta. Naquelas circunstâncias, matar ou morrer para mim seria a mesma coisa. O dia 20 de janeiro foi um dia muito marcante na vida de Sinhô Pereira, senão vejamos: 20 de Janeiro de 1919, próximo a Milagres no sertão do Ceará, Sinhô Pereira assaltou a viúva do coronel Domingos Leite Furtado, em conluio com o Major José Inácio do Barro. Em 20 de janeiro de 1920 foi saqueada pelo bando de Sebastião a fazenda Nascença de propriedade do Coronel Basílio Gomes da Silva, em Brejo Santo, Ceará. Em 20 de janeiro de 1922 o ataque à fazenda Coité do famoso padre Lacerda, onde ocorreu ferrenho combate. 20 de Janeiro, dia de São Sebastião e do nascimento de Sebastião Pereira da Silva, o Sinhô Pereira.

Ângelo Osmiro Barreto
Da Sociedade Cearense de Geografia e História

Enviado pelo Delegado de Polícia Civil no Estado de Sergipe, escritor e pesquisador do cangaço: Dr. Archimedes Marques

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Cangaço é... Um vício!


In Pincel Photos


Aperitivo Jurubeba Cangaceiro do Norte
In Imigrantes Bebidas


Cachaça Maria Bonita
In Salobra Cachaças


Acredite, isto é uma bela garrafa de pinga.
"Cachaça cangaceira"
In Pingaiada.alfenas.net



 

"Aguardente Cangaceira"
Produzida pelo alambique da Fazenda de Sebastião Carvalho
em Paulo Afonso, BA
In www.joaodesousalima.com

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Conexões Nordestinas

Autor: Antonio Júnior
Histórias Do Nordeste Como Você Nunca Viu.

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Agradecimentos

Por: Múcio Procópio

Caro Mendes, meu abraço! 

Tenho levado a vida cumprindo tarefas inadiáveis, por isso pouco tendo sido cortês com meus amigos. Para completar a separação, o meu computador tem uma reserva mínima e já está saturada. Dessa forma estou tentando criar um novo  "espaço" para colocar o que já disponho  e utilizar o e-mail conhecido para reaproximar os amigos.

Estive em Mossoró no dia 10.08 - (Cheguei às 18 horas)  na véspera do dia dos pais. Fui participar de uma "mesa" 



sobre Luiz Gonzaga, com Kydelmir e Xico Nóbrega, porém tive que voltar no outro dia (sábado) as sete da manhã. 

Xico Nóbrega, Kydelmir Dantas e Múcio Procópio

Agora fui convidado para ir a Caicó, no próximo dia 22.09, novamente para falar sobre Luiz Gonzaga.

Tenho mais uma num espaço cultural criado na Ribeira, Rua Dr. Barata, 227 - não sei o nome... E vai depender da minha disponibilidade - depois que voltar de Brasília, para onde irei à próxima semana.  Assim vou enchendo meu tempo, com a família, netos, amigos e lembranças musicais que não se afastam de mim...

Estou vivo e em breve volto a utilizar seus canais de comunicação para falarmos sobre nossa MP-Nordestina.

Abraços Múcio 

Visite este site:
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É filho do blog do Mendes e Mendes
http://blogdomendesemendes.blogspot.com  

Hoje na História de Mossoró - 28 de Agosto de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Em 28 de agosto de 1858 nascia em Maranguape (CE), Francisco Pinheiro de Almeida Castro, político mossoroense, médico, falecido a 22 de junho de 1922.

Todos os direitos reservados

É permitida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de
comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte e o autor.

Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fontes:

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Comentário sobre o livro: "Lampião o Mata Sete"

Por: Túlio B Mattos - Rio de Janeiro
Reprodução

Deveras lamentável a edição insólita do livro: "Lampião - o Mata Sete", de autoria do emérito juiz aposentado, Dr. Pedro Morais que, sem a mínima sombra de dúvidas, tenta macular os anais da nossa história e cultura nordestina, e por que não dizer nacional e internacional. 'post-mortem' fica muito fácil atacar e denegrir a honra e a moral de um dos homens mais valente e estrategista que a nossa história já registrou, visando unicamente a vingança da morte dos seus pais, que foram trucidados de forma violenta e cruel, quando este homem valente já não mais existe para defender mais uma vez sua moral e honra pessoal, e de sua família.

Que me perdoe o emérito juiz pela minha colocação neste momento de desabafo pessoal, pois, eu faço minha as palavras do


Sr Rangel Alves da Costa (autor desta página no blogger) quando ele assim afirma: "... cuja intencionalidade maior (do editor) talvez seja proporcionar qualquer minuto de fama na poltrona do Jô. talvez não mereça nem sequer um segundo" - finalizou. Concordo plenamente nas palavras acima, visto que um homem com a fama e valentia pessoal do ‘capitão’ Virgulino Ferreira – o “Lampião” (apelido que lhe foi concedido pela sua extrema habilidade ao manejar do seu fuzil que “relampeava” fogo nas madrugadas de emboscadas covardes e cruéis contra Lampião e seu bando).

 

Sinceramente, eu gostaria que o Lampião ainda estivesse vivo para o emérito juiz afirmar estas suas palavras ofensivas diante da face do cangaceiro mais temido do Brasil e do seu bando. Com certeza não sobraria muita coisa deste escritor após sua afirmativa visando “denegrir” a idoneidade moral de um brasileiro nato, valente por natureza que, com a mais absoluta certeza e sem a mínima sombra de dúvidas, jamais seria o gay que o escritor tenta afirmar em seu livreto. Perdoe-me pela minha sinceridade de um simples cidadão brasileiro. Nada pessoal contra o autor do livro: “Lampião – O Mata Sete”.

Que seja preservada a memória e a história do ‘capitão’ Virgulino Ferreira. Que a sua família jamais venha admitir qualquer “falsete” contra o maior justiceiro nordestino mais conhecido como: “Lampião – o rei do cangaço!”. que a justiça brasileira, através dos seus ilustres magistrados, jamais permita tal absurdo contra a dignidade de um homem macho por natureza e valente como nunca foi visto até então. Isto é tudo, senhores! Túlio b. Mattos konnanguerreiro@hotmail.com

Fonte:


http://blogdomendesemendes.blogapot.com


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Lampião em plena caatinga fazendo sermão para os seus comandados


Mesmo fazendo tantas maldades contra  pessoas, Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Capitão Lampião, jamais se esqueceu que Deus seria um dos seus protetores. Se Ele  o protegia, aí é outra história. Pelo que se ver na foto, feita por Benjamim Abraão, o rei Lampião, no momento estava com uma bíblia nas mãos, lendo alguns salmos ou até mesmo fazendo um excelente sermão.

Não só os bons têem fé em Deus, mas todos que são seres humanos confiam em um ser poderoso.

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Atividade - O cangaceiro "capador"

Por: Ivanildo Silveira(*)

Manoel Pau-Ferro, conhecido pela alcunha de “Atividade", era  alagoano do município de Pão de Açúcar, sendo irmão do cangaceiro "Velocidade". 


O cabra "atividade”, inicialmente, pertenceu ao grupo de "Corisco”, posteriormente, com a criação de subgrupos, passou a integrar o de "Pancada”, que passou a ser seu líder...

Esse cidadão tinha uma grande habilidade na castração de pessoas, que o fazia, com a maior eficiência e naturalidade....

Foi assassinado pelo, também cangaceiro “Barreira”, que influenciado pela promessa de anistia acabara de aliar-se aos Volantes, e, como prova de submissão, entrega ás autoridades  a cabeça de "Atividade". Fato ocorrido em 05 de junho de 1938, na região de Caboclo, Pão de Açúcar, Estado de Alagoas.


O cangaceiro  "Barreira", e a cabeça dependurada de "Atividade"
...seu ex-“companheiro”

FONTE: Foto de Frederico Pernambucano de Melo
INFORMAÇÕES: Livro “O Cangaceirismo no Nordeste ", do autor  Bismarck Martins de Oliveira

Abraço a  todos
Ivanildo Alves  Silveira
Colecionador do cangaço
Natal/RN


 (*) É promotor de justiça, escritor, pesquisador e colecionador do cangaço.



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