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sexta-feira, 18 de março de 2011

Conheça Laudemiro , o Lampião da Paraíba

              É no sertão paraibano, mais precisamente na cidade de São João do Rio do Peixe  (485km de João Pessoa), que vive Laudemiro, o Lampião do século XXI. Bem diferente  do verdadeiro, o Lampião da Paraíba é um sujeito tranquilo, mas também faz sucesso por onde passa. Conheça um pouco mais dessa história.


             Mais um maluco (como diz Alcindo Alves) assim como nós. Fã de Lampião até os dentes. Parabéns ao Laudemiro, o Lampião da Paraíba. Este não mata, não rouba, não faz reféns, não enfia o seu punhal na clavícula de ninguém É isso aí.
 
 
 
Extraído do blog: "Cariri Cangaço"
 
cariricangaço@bol.com.br 
FONTE: http://culturanordestina.blogspot.com/

 

A Saga de Benjamim Abrahão Parte Final Por:Rostand Medeiros

O mito imortalizado por Benjamim...

             Abrahão afirma textualmente que filmou e fotografou os grupos dos chefes Corisco, Luís Pedro, Português, Zé Sereno, Mané Moreno, Pancada, Canário e Gato. Praticamente ele teve a oportunidade de filmar todo o movimento de cangaceiros que gravitavam ao redor de Lampião. Apenas os instantâneos chegaram até os nossos dias. Em relação ao chefe cangaceiro Gato, Abrahão afirma que estava no combate ocorrido em Piranhas, dois meses antes da entrevista ao Diário de Pernambuco e que viu este cangaceiro ferido.
 
Corisco e o cangaceiro Vinte e Cinco
Segundo o escritor e poeta Kidelmir Dantas

              Segundo a sua narrativa, ele se encontrava a cerca de meia légua (três quilômetros) de Piranhas, atravessando o Rio São Francisco, quando se deu o tiroteio e logo seguiu em direção à refrega. Afirmou que “era uma oportunidade que não poderia deixar passar”. O primeiro combate entre os cangaceiros e os policiais ocorreu a cerca de 4 ou 5 léguas de distância da cidade, “no meio da caatinga bruta”. A tropa volante era comandada pelo tenente João Bezerra e neste combate foi ferida e capturada a companheira de Gato, conhecida como Inacinha. Este buscou apoio de Corisco e de outros cangaceiros que circulavam na região, para invadirem a cidade de Piranhas e tentaram resgatar a cangaceira ferida. Era por volta meio dia quando um grupo de 26 cangaceiros tentou realizar o ataque, mas a cidade recebeu seus “visitantes” com forte fuzilaria.
 
O tenente João Bezerra
 
             No momento em que Abrahão encontrou os cangaceiros estes já se retiravam de Piranhas. Afirma que viu o chefe Gato ainda ferido, deitado em um “sofá”. Comenta (certamente com exagero) que quando tentou entrar na cidade os defensores lhe tomaram como um cangaceiro e mandaram bala. Segundo o pesquisador paraibano Bismarck Martins de Oliveira (in “O cangaceirismo no Nordeste”, 2ª edição, págs. 228 e 229) o nome verdadeiro do cangaceiro Gato era Josias Vieira e era natural de Santana do Ipanema, Alagoas. Ele teria entrado no cangaço em 1922, tendo participado de inúmeras ações importantes ao lado de Lampião, era tido como um cangaceiro de extrema violência e periculosidade acentuada. Fez parte do bando de Corisco, mas depois decidiu montar seu próprio grupo. Já o pesquisador baiano Oleone Coelho Pontes (in “Lampião na Bahia”, 4 edição, pág. 329) informa que o combate se deu no dia 28 de outubro de 1936, que Gato chamou Corisco para tentaram entrar na cidade, mas a intenção era sequestrar a mulher de João Bezerra, Cira Britto Bezerra, filha do prefeito da cidade, a fim de vingar-se da captura da sua companheira.
Inacinha e Gato

            Em relação à companheira de Lampião, de quem Abrahão em nenhum momento da reportagem declamou o nome com o qual ela seria imortalizada, ele praticamente se restringe a informar que a mesma, por razão de uma promessa, não trabalhava entre o sábado e a segunda feira. Mas Abrahão não diz qual seria este “trabalho” e a chamava de “Maria Oliveira”, ou “Maria do Capitão”. Mas aparentemente são os jornalistas da redação do Diário de Pernambuco que se impressionam com a morena baiana.
           Na edição do dia 17 de fevereiro de 1937, uma quarta-feira, como sempre na primeira página e com amplo destaque, a jovem sertaneja aparece sentada ao lado de dois cachorros que pertenciam a Lampião, um dos quais se chamava “Ligeiro”, em uma pose que foi classificada como “cinematográfica de uma Greta Garbo”. Dizia que ela era a única pessoa com “ascendência moral sobre Lampião” e que chamava a atenção até mesmo pela simplicidade.
Maria Bonita

             Para os jornalistas Abrahão descreveu que a companheira de Virgulino estava “com os cabelos alisados a banha cheirosa, meias de algodão, sapatos tresé e seu vestido azul claro de linho”. Estando correta a descrição do imigrante libanês sobre a vestimenta de “Maria do Capitão”, no meio daquela caatinga cheias de espinhos, esta fina indumentária servia apenas para rezar e bater fotografias.
             Chama atenção a descrição da utilidade das mulheres do bando nos combates. Abrahão informou que elas “Abrem nas caatingas cerradas os caminhos que possam fugir os cangaceiros, ante a eminencia de se verem cercados”. Se a pose de “Maria do Capitão” na foto era simples, como o leitor deste artigo pode observar, a manchete chamava bastante atenção. Para Abrahão ela não trabalhava entre os sábados e as segundas feiras.
 
Jeanne-Antoinette Poisson
 Site dessa imagem: nerocallas.blogspot.com
 
              Os jornalistas passaram a comparar a companheira de Lampião com a francesa Jeanne-Antoinette Poisson, a Marquesa de Pompadour, ou como ficou mais conhecida Madame de Pompadour. Esta foi uma burguesa, nascida em Paris em 1721, que usou a sedução para conquistar um lugar entre os mais nobres e se tornar a principal amante do rei da França daquela época, Luís XV.
 
Rei Luís XVI
Rei da França - Luís  XV
 
             Mas além de ser bela, sedutora e encantadora, era extremamente inteligente e se tornou decisiva na política francesa. Logo através de sua influência, conseguia audiências a embaixadores, tomava decisões sobre todas as questões ligadas à concessão de favores, de forma tão absoluta quanto qualquer monarca. A comparação entre a cortesã francesa e a cangaceira brasileira surgiu provavelmente após Abrahão comentar e ser publicado que “os asseclas de Lampião lhe rendem as mais servis homenagens, tudo fazendo para não cair no desagrado dessa Madame Pompadour do cangaço, senhora de baraço e cutelo dos sertões nordestinos”.
            Não pudemos comprovar com exatidão, mas certamente esta é a uma das primeiras grandes reportagens sobre uma jovem sertaneja chamada Maria Gomes de Oliveira. Baiana nascida em 1901, no sítio Malhada da Caiçara, que um dia encantou o “Rei dos Cangaceiros” e seria conhecida em toda parte como Maria Bonita. Abrahão volta ao Recife e novas matérias são publicadas no Diário de Pernambuco, sempre com muito destaque e na primeira página. Elas informavam detalhes do encontro de Abrahão com os cangaceiros e que a sociedade pernambucana em breve teria a oportunidade de assistir nos cinemas da capital o “film” sobre Lampião.

Benjamim Abrahão aproveitava sua notoriedade...


              Sobre o tamanho do rolo de filme e sua duração, não conseguimos apurar corretamente, pois o tamanho foi crescendo e diminuindo. Dependia do lugar, provavelmente do gosto dos editores, ou através de informações equivocadas de Benjamim Abrahão. Segundo o pesquisador Frederico Pernambucano de Mello (in “Guerreiros do sol, 2ª edição”, págs. 339), em dezembro de 1936 o libanês teria entregue a Ademar Albuquerque cerca de “quinhentos metros de filme”, mas em abril do ano seguinte os jornais cearenses noticiavam que havia “mais de mil metros”. Em Recife a película esticou mais ainda. No Diário de Pernambuco, na edição de 12 de fevereiro de 1937, Abrahão afirmava que o filme tinha “2.000 metros”, que seria exibido no Rio de Janeiro e anunciava que além do filme, seria publicado um livro “com a maior e mais completa reportagem sobre Lampião”.
 
Ademar Albuquerque
 
            Mas foi a mesma atenção dispensada pela imprensa que gradativamente foi lhe criando problemas. Os jornais mostravam com destaque a façanha de um simples imigrante libanês, que havia conseguido encontrar Lampião, filmá-lo tranquilamente com o seu bando, enquanto que as forças de segurança nunca davam cabo dos cangaceiros. No Rio de Janeiro, então capital do país, a revista “O Cruzeiro”, um dos principais veículos da imprensa brasileira da época, estampou no exemplar de 6 de março de 1937 uma manchete com cinco fotos do bando. De forma crítica afirmava que “onde os policiais falharam, Abrahão havia triunfado”. No dia 2 de julho de 1938, no mesmo Cinema Moderno que apresentou a película sobre o padre Cícero, ocorreu à única exibição conhecida do filme de Benjamin Abrahão.
 
Padre Cícero Romão Batista
Site dessa imagem: robsonpiresxerife.com
 
             A fita cinematográfica foi assistida por autoridades que se revoltaram diante do destaque dado a Lampião e seus acompanhantes. Logo os membros do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o órgão de censura do chamado Estado Novo, como ficou conhecida a ditadura comandada por Getúlio Vargas e implantada no ano anterior, apreenderam o filme. Benjamin Abrahão tentou reverter, sem sucesso, a situação. Ele fica em uma posição difícil e parte para o interior em busca de apoio.
Dadá, Corisco e Benjamim

              Em 9 de maio de 1938, na então vila de Pau Ferro (atual município pernambucano de Itaíba), a cerca de 45 quilômetros de Águas Belas, Abrahão foi morto com 42 facadas por um homem que seria deficiente físico e que trabalhava como sapateiro. A razão foi uma vingança ocorrida pelo fato do libanês ter mantido relações com a mulher deste sapateiro. Entretanto, segundo as edições do Diário de Pernambuco de 10 e 19 de maio de 1938, ao comentar sobre a morte de Benjamin Abrahão, trazem algumas informações interessantes.
              Foi divulgado que o inquérito realizado pelo delegado do 2º Distrito Policial de Águas Belas, concluiu que o assassino do imigrante libanês se chamava José Rodrigues Lins, conhecido como Zé de Ritinha ou Zé de Rita e que teria sido ajudado por uma mulher chamada Alayde Rodrigues de Siqueira. Mas as reportagens não especificavam maiores detalhes do ocorrido e nem o grau de participação desta mulher. Para muitos pesquisadores a verdadeira razão da morte de Abrahão teria sido as insistentes cobranças que ele fazia aos coronéis da região, sobre uma pretensa ajuda financeira prometida para a realização do filme. Aparentemente, diante das recursas, ele possivelmente teria feito algum tipo de ameaça e encontrou a morte.
              Certamente que em meio a um momento político onde o poder do Estado Novo estava muito forte e centralizado, onde as velhas lideranças do sertão já não possuíam a mesma desenvoltura nos círculos do poder, onde a desconfiança e o temor de perda de prestígio e de força política eram evidentes, a figura de um imigrante que sabia de muita coisa, impertinentemente exigindo dinheiro, deveria ser uma fonte de preocupação. Seja qual for a verdadeira razão, percebemos que faltou a Benjamin Abrahão, mesmo depois de estar vivendo a cerca de vinte anos no Nordeste, uma maior percepção em relação as suas atitudes e o que elas poderiam gerar.
Rostand Medeiros
Pesquisador e Escritor
 
Este texto foi trasladado deste blog, do amigo Manoel Severo
 
Cariri Cangaço
.
cariricangaço@blogspor.com
manoelsevero@bol.com.br
 
Escritor Rostand Medeiros:
O seu texto foi trasladado, mas na íntegra. Apenas fiz algumas ilustrações, pois eu acho que uma fotografia fala por 100 palavras.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maria Bonita era mulher honrada

Por: José Mendes Pereira

              Maria Gomes de Oliveira era o seu nome de batismo, mas entre os familiares e vizinhança era conhecida como Maria Déia. E no cangaço recebeu duas alcunhas, levando-a para a fama mundial: “Maria Bonita ou Rainha do cangaço”, foi uma mulher honesta, e em nenhum momento denegriu a imagem do seu homem.
             O escritor Roberto Vila Nova fala em um dos seus textos: “Caçador de cangaceiros revela segredos do cangaço”, publicado no dia 11 de outubro de 2005, no site www.alagoas24horas.com.br, que o ex-soldado Josias Valão dos Santos, que era comandado do sargento Aniceto, conta um fato que aconteceu envolvendo Maria Bonita.
 
 Foto de: Heitor e Silvia Reali
A última parada: Josias Valão do Santos (já falecido), responsável por colocar as cabeças dos cangaceiros na escadaria da prefeitura. 
Josias Valão dos Santos
           
            Diz o escritor: "... outro episódio que chamou a atenção de Josias foi a rebeldia do cangaceiro apelidado de “Diferente”, que era viciado em baralho e, quando estava perdendo, falava palavrões. Numa partida em que se encontravam Lampião, Luiz Pedro, Maria Bonita e Sabonete, o cangaceiro soltou palavrões e foi recriminado por Luiz Pedro, que o chamou a atenção para a presença de Maria Bonita na mesa.
 
O cangaceiro Luiz Pedro
 
            E o cangaceiro desbocado reagiu, dizendo que Maria Bonita não era nenhuma santa. “Você ...come ela...”, relatou Josias, dizendo que essa passagem foi contada ao sargento Aniceto por um coiteiro. “A surpresa é que Lampião fez que não ouviu nada”.
            O outro episódio foi publicado no jornal "A Tarde" pelo o  jornalista Juarez Conrado Dantas, cedido pelo coiteiro Mané Félix, um dos mais confiado coiteiros de Lampião.
O coiteiro Mané Félix
 
              Disse o depoente ao jornalista: "Nessa tarde, por sinal, depois de "caçoar" com Luiz Pedro, deixando de fazê-lo somente no momento em que se dirigia para o riacho, o bandoleiro, que estava sentado sobre uma pedra, deu-lhe uma palmada mais ou menos forte nas nádegas, fazendo-a correr na direção do pequeno córrego, enquanto "LAMPIÃO", que a tudo assistia, sorriu como se nada tivesse acontecido".
Jornalista Juarez Conrado Dantas
 
          O que o policial informou a Roberto Vila Nova, foi através do “DISSE ME DISSE”, pois a história já vinha de um coiteiro que contou ao sargento Aniceto e o Josias repassou para o jornalista  Roberto Vila Nova. O outro episódio foi contado pelo coiteiro Mané Félix ao jornalista Juarez Conrado. 
            Eu não me refiro A Roberto Vila Nova, e nem tão pouco ao jornalista Juarez Conrado Dantas, já que eles  apenas registraram o que Josias e Mané Féliz lhes disseram. Mas eu acho muito difícil que isso tenha acontecido com Maria Bonita, pois ela detestava traições de cangaceiras.
            No momento eu não tenho o nome do escritor que escreveu o que segue. “Certa vez, uma posição tomada por Corisco em relação à honra masculina, foi do caso amoroso entre Cristina e Português. Ela havia o traído com Jitirana, do bando de Corisco.


O cangaceiro Corisco

             Português contratou Catingueira para limpar sua honra. Quando Catingueira chegou ao coito de Corisco, chamou Jitirana para terem uma conversa particular. Nesse momento Maria Bonita e Lampião que estavam no coito de Corisco, aproximaram-se do local.
            Maria Bonita opinou que Cristina era a culpada, e deveria ser eliminada por Catingueira.
            Foi quando Corisco lhe respondeu:
            - Ela deu o que era dela! “Ninguém tem nada com isso!
            Não satisfeita com a resposta, Maria Bonita disse-lhe:
            - Mas quem vai ficar desmoralizado é  Português.
            Corisco deu um basta à discussão, exclamando:
            - Ele que cuide da mulher dele! De Jitirana cuido eu!.
            O repórter do jornal "O Pasquim", Jaguar, entrevistou o cangaceiro Volta Seca no ano de 1973, nº. 221, referente aos meses, setembro e outubro, e fez-lhe a seguinte pergunta:
           Jaguar - E não houve tentativa de ninguém no bando dar uma cantada nela, não?
            Volta Seca - Cê tá maluco, rapaz? Dava uma cantada e já era.
 
            Eu acredito na honestidade de Maria Bonita, e acho que quando ela tomou a decisão de acompanhar o bando de cangaceiros, não foi para servir de mulher para um e para outro, e sim, ser a amada do homem que ela achava que era a sua  alma gêmea. Mesmo sofrendo nos cerrados, nas caatingas enfrentando combates, mas a sua alegria, o seu amor era por e para Lampião.
           O problema é que mulher é discriminada, não podendo dizer uma simples brincadeira com um colega, amigo, e a partir daí, ela cai na boca venenosa do mundo, deixando desmoralizada para o resto da vida.
             
           Lembrando ao leitor que eu não duvido das palavras dos jornalistas Roberto Vila Nova e nem tão pouco do que escreveu o jornalista Juarez Conrado Dantas, mas de certas  histórias distorcidas, principalmente da conversas   contada através de um, passando para outro, tornando-se  "o disse me isse". 

Leia esta história no Blog: alagoas 24 horas.

Antonio Francisco - Um poeta mossoroense

 Por: José Mendes Pereira
       

             Antônio Francisco Teixeira de Melo nasceu no dia  21 de outubro de 1949 em Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte. Filho de Francisco Petronilo de Melo e Pêdra Teixeira de Melo.

            É graduado em História pela Universidade Estadual  do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Poeta, cordelista, xilógrafo, compositor, e ainda trabalha  confecciona placas para automóveis.

             Aos 46 anos deu início à  literária de cordel, já que era dedicado ao esporte, fazia muitas viagens de bicicleta pelo Nordeste e não tinha tempo para outras atividades.

           Muitos de seus poemas já são alvo de estudo de vários compositores do Rio Grande do Norte e de outros estados brasileiros, interessados na grande musicalidade que possuem.

             Em 15 de Maio de 2006, tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira de número 15, cujo patrono é o saudoso poeta cearense Patativa do Assaré. A partir daí, já vem sendo chamado de o “novo Patativa do Assaré”, devido à cadeira que ocupa e à qualidade de seus versos.

             O leitor que gosta de literatura de cordel, deve procurar ler os seus versos, pois são claros, interessantes e excelentes rimas.

              Para comprar os seus versos, procure-o na Rua Frei Miguelinho no bairro Doze Anos.  Você vai se sentir realizado, pois é um grande poeta mossoroense.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O Cangaceiro e o presidente


 
             O Cangaceiro Antonio Silvino, após a sua prisão, proeza de Theophanes Ferraz no final de novembro de 1914 na cidade de Taquaritinga, PE, foi transferido para a Casa de Detenção do Recife ( Vide foto, logo abaixo ), onde , após julgamentos pelos crimes praticados, o judiciário aplicou-lhe uma pena total de 39 anos e quatro meses de reclusão.
             Após cumprir mais de 23 anos de prisão, o velho cangaceiro, incentivado por amigos do cárcere, dirigiu uma "Carta", ao Presidente Getúlio Vargas solicitando o " Indulto ", haja vista que, no seu entendimento, já era demasiado o tempo de recolhimento á prisão, pois, achava que já tinha pago pelos seus crimes.
              Em 04 de Fevereiro de 1937, Silvino recebera a grande notícia: O Presidente havia lhe concedido o Indulto, a que tanto almejava.
 
               Casa de Detenção do Recife ( Fonte: Carvalho Araújo), onde Silvino cumpriu pena. Prédio construído em meados do século XIX para ser utilizado como cadeia. Em 1975 foi transformado em centro de cultura regional com lojas de artesanato, restaurantes, apresentações folclóricas e exposições de artes.

            No dia 17 de Fevereiro de 1937, o juiz titular da Primeira Vara de Recife, expediu o " Alvará de Soltura " em favor do grande bandoleiro. Pagara pelos seus crimes um total de 23 anos, 02 meses e 18 dias de detenção, na velha cadeia.
Soltura de Antonio Silvino. Cortesia Sérgio Augusto de Souza Dantas.

             Ao sair da solitária, Silvino estava velho. Os cabelos brancos envelhecidos pelo tempo. Morrera ali, o "governador do sertão " . O ex-cangaceiro voltara a ser um homem, como qualquer outro. Com pouco tempo, percebera que estava sem emprego, sem dinheiro e sem um pedaço de terra para que pudesse retirar seu sustento.
             Orientado por familiares e amigos, ainda no primeiro semestre de 1938, se dirigiu ao Rio de Janeiro, a fim de conseguir uma audiência com o Presidente Getúlio, a quem solicitaria um emprego.
 
Foto do aludido encontro

             Silvino conseguira um cargo comissionado, e passou a trabalhar na construção da estrada Rio - Salvador. Algum tempo depois, ao ser entrevistado por um repórter do jornal " A Noite " , sobre o trágico fim de Lampião , Silvino disparou :
             "Não me causou admiração, porque a vida é incerta, mas a morte é certa. Logo,Lampião tinha que desaparecer mais hoje ou mais amanhã. Acredito que os homens tinham sido pegados dormindo, mas fico espantado, de ver como caíram tão facilmente na ratoeira, porque Lampião era prevenido de verdade" ( Rocha, pg.159).
             O repórter indagou-lhe, mais incisivo:
             - Estará resolvido, Silvino, o problema da extinção do banditismo?
             Ao que respondeu, o velho cangaceiro:            " - Isto não acaba assim. O rifle não conserta nada. Morreu Lampião. Outros 'Lampiões' aparecerão ! E o mundo por aqui continuará girando, até que a Justiça bata as portas do sertão ! É de Justiça que o sertão precisa" ( Rocha, pág 160 ). 
 
           O velho Antonio Silvino terminou os seus últimos dias, na casa da prima Teodulina, na cidade de Campina Grande/PB, (Vide foto), tendo falecido na manhã do dia 28 de julho de 1944, em consequência de glomérulo nefrite crônica - Uremia - conforme atestado firmado pelo Dr. Bezerra de Carvalho, deixando oito filhos naturais. (Dantas, pg 261).
           Está enterrado no cemitério Monte Santo, na cidade de Campina Grande, PB. Passados dois anos e meio do seu falecimento, nenhum familiar apareceu para a retirada dos ossos de Antônio Silvino. Sem alternativa, os coveiros enterram os restos mortais em um outro lugar do cemitério. Hoje, não se sabe mais aonde.
 
Monumento simbólico para Silvino
 
Foto de  Mario Vinicius Carneiro.
 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA :

- DANTAS, Sérgio Augusto de Souza. ANTÔNIO SILVINO, O cangaceiro, O homem e o Mito. 1ª Edição. Editora/Gráfica Cartograf. Natal/RN, 2006. 313 pgs.

- ROCHA, Mechíades da. BANDOLEIROS DAS CAATINGAS, 2ª edição. Livraria Francisco Alves S/A. Rio de Janeiro, 1988. 178 pgs.

- BARBOSA, Severino. ANTÔNIO SILVINO, O RIFLE DE OURO. Segunda Edição. Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, Recife/PE., 1979. 260 pgs.

Um abraço a todos.
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN.
 
Foto perfil: Família Daniel História
 
 
Este material foi extraído do Blog: "Lampião Aceso" do amigo Kiko Monteiro.

A Morte de Isaias Arruda - Por: José Cícero

José Cícero e Manoel Severo

               A tarde estava cinzenta naquela Aurora pacata e provinciana de 1928. Uma enorme sensação de tranqüilidade cobria os semblantes dos viajantes, assim como o coração e o pensamento da multidão que se aglomerava na pedra da estação. Uma cena comum a todas as cidades interioranas atendidas pelo velho trem da Rede Ferroviária Cearense(RVC). Nuvens cor de chumbo em formação pareciam prenunciar no céu daquela Aurora antiga e calma, algo diferente prestes a ocorrer: uma tragédia. 
               Naquela tardezinha quase insossa de sábado, dia 4 de agosto de 1928 quando muitos já se esqueciam dos episódios um ano antes relacionado à presença do rei do cangaço na terrinha; o velho aparelho do telégrafo da RVC de novo estava prestes a receber no código morse um telegrama diferente. Um comunicado estranho; digamos que chave, para todos os desdobramentos do acontecimento dramático que se seguira ao fato: “Antonio, algodão hoje sobe!”. Uma missiva quase enigmática considerando que o algodão – o ouro branco d’Aurora faria sempre o sentido contrário, ou seja, descia. E o seu preço no mercado há muito era de todos conhecido.
 
Coronel Isaias Arruda

               Porém, aquela mensagem codificada não seria de todos estranha. Havia um destino e um desiderato certo: surpreender o coronel. Dizia muito mais do que ali estava escrito de modo lacônico... A estação de Aurora estava repleta de gente. Um acontecimento que se tornara comum deste a sua inauguração oito anos antes em 7 de setembro de 1920.
                  E a cronologia do momento seguinte, provaria depois para todos que era um crime. Um atentado violento à ordem e a vida em nome da vingança e da intolerância. Uma intriga passada à limpo, expressa na força da violência e da ignorância em detrimento da razão e da justiça. Sinais de uma época densamente marcada pelo poder de fogo do coronelismo oligárquico, engendrado pelos mais temíveis e truculentos líderes políticos que o Cariri cearense já experimentou. Um período onde a lei no mais das vezes era a do mais forte e a justiça quase sempre era feita pelas próprias mãos, em geral, dos poderosos.
              Naquele sábado, de tarde escura de agosto, a estação de Aurora não tardaria a ser palco de um episódio que marcaria à história do Cariri e do Ceará para sempre, vez que envolveria, aquele que foi certamente o mais famoso e temível chefe político da região: o coronel Isaias Arruda. Filho do lugar, ex-delegado, agora prefeito pela força da vizinha Missão Velha. De quebra, o maior dos coiteiros de Lampião no interior cearense. Um autêntico mantenedor de jagunços e hábil negociador político junto aos grandes da capital.
Estação de Aurora, aqui tombou Isaias Arruda

               O relógio do prédio apontava 14h25min quando, finalmente, todos puderam escutar o apito estridente da máquina a ecoar no horizonte. Apenas Sabina entretida demais com o seu café não se deu conta do acontecido. Todos, de repente voltaram suas atenções na direção do corte-grande lá para as bandas do alto da cruz, do sito Frade. O trem da Fortaleza vinha ligeiro beirando o rio Salgado.
              Exímios chapeados transportavam com pressa e celeridade grandes caixotes, pacotes e outros fardos de mercadorias. Uns descian para o armazém da RVC outros subian para os vagões do trem com destino ao Crato. Animais, peças de madeira, artesanato, aguardente, rapadura, oiticica, panelas de barro. O trem acelerava a curiosidade, tanto quanto a economia daquela terra.
              Mas de repente o som de um tiro seco ribombeou no ar. Quebrando a normalidade natural daquele acontecimento diário. Em seguida vários outros disparos puderam ser ouvidos no interior do segundo vagão da primeira classe. Talvez sete ou oito no total... Até hoje ninguém sabe ao certo. Um silêncio quase sepulcral se abateu na plataforma por alguns instantes que pareceram eternos. Somente o ronco da locomotiva estacionada deforfronte a caixa d’água. Em seguida uma correria...
              Vozes diziam tratar-se de uma discussão. Três homens saíram atracados e em seguida correram no sentido contrário do vagão. Uma disparada em direção do armazém e depois para o beco da antiga rua que dava para o cemitério. Um quarto homem um tanto elegante, bem tratado, gestos aparentemente finos surgiu do segundo vagão da primeira classe. Vestindo impecavelmente um linho branco, ele pisou de modo esquisito e desaprumado o piso, a pedra da estação. Alguns passos apenas e cambaleando fitou a multidão como quem quisesse dizer algo. Não foi possível. Sangrando e com a mão direita colada ao peito chamava baixinho pelo primo. O linho branco do seu terno agora começava a se tingir de vermelho. Seus sapatos de cor marrom e bem polidos contrastavam com o vermelho escuro do seu próprio sangue formando porças na plataforma. Era o coronel Isaias Arruda, chefe político, prefeito da Missão Velha. Homem afamado em toda região e na capital do estado. Devagar caiu ao chão da plataforma ainda com arma junta ao cinto da calça. Não teve tempo de usá-la.
Grupo de jagunços de Isaias Arruda, sob o comando de Zé Gonçalves

               Alguém saindo de dentro do vagão posterior se aproxima dele e forra o chão da pedra com um jornal que lia; edição do dia 3. Seu braço esquerdo e parte superior do tórax estavam em frangalhos. Ferimentos gravíssimos provocados pelos sete balanços com que fora atingido.O coronel ferido seriamente pronunciava baixinho como que cansado:
                - Os irmãos paulinos me acertaram! Mas como é que nem o Viana nem ninguém me avisou que meus inimigos estavam aqui?! Bando de covardes...
                E de chofre emendou:
                - alguém me chame o farmacêutico! Foram os Paulinos, eles me acertaram... Bando de covardes!
             Outros mais ousados e corajosos aos poucos foram se aproximando da vítima que gemia deitada ao solo da pedra sobre as folhas do jornal ‘O Ceará’. Enquanto isso, um pouco afastado da estação José Furtado(Nequinho de Milica) primo da vítima saíra em perseguição(ou fugindo) dos irmãos paulinos: Antonio e Francisco, responsáveis pelo atentado.
               Levado para a residência de Augusto Jucá um antigo amigo na rua grande, Isaias foi socorrido, inicialmente por um farmacêutico - o único que existia na cidade. No dia seguinte dois médicos vindo de trole pela linha da RVC: Antenor Cavalcante e Sérgio Banhos atenderam o coronel. Porém, diante das gravidades dos ferimentos não tiveram como salvá-lo. Sendo que no dia 8 de abril uma quarta-feira às 6h da manhã, quatro dias após ser alvejado, Isaias Arruda faleceu como que por capricho do destino na terra em que nascera.
Casa de Isaias Arruda em Missão Velha

                Rumores apontaram ter sido o assassinato uma vingança de Lampião pela traição do coronel um ano antes, durante a célebre tentativa de envenenamento do bando lampiônico e o histórico cerco de fogo do sítio Ipueiras, propriedade de Arruda em Aurora em cujo local Virgulino se arranchara por diversas vezes. Ocasião em que o rei do cangaço fugia das volantes após o fracasso da invasão de Mossoró, arquitetada sob as estratégias de Massilon Leite e financiada pelo próprio Isaias.
              Mas o certo, segundo se provaria depois foi que os paulinos vingaram o assassinato do irmão mais velho João, morto numa emboscada no serrote d’Aurora pelos jagunços de Arruda no ano anterior.
               Terminava ali de modo trágico, na estação ferroviária de Aurora a verdadeira saga de um dos mais temíveis e respeitados coronéis do Cariri - Isaias Arruda. Assim como sua rixa ferrenha contra os irmãos paulinos da Aurora

Prof. José Cícero.
Escritor, Pesquisador e Poeta.
Secretário de Cultura de Aurora, Ce.
Este artigo foi extraído do Blog: "Cariri Cangaço" - do amigo Manoel Severo