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sábado, 25 de junho de 2011

COM OSWALDO LAMARTINE

            
             No início de 2007 entrei em contato com Oswaldo Lamartine através de Dona Antonieta, dedicada funcionária do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Buscava uma entrevista sobre a figura do cangaceiro Chico Pereira e os fatos envolvendo o assalto na Fazenda Rajada, em fevereiro de 1927, que atingiram minha família, principalmente meu bisavô, Joaquim Paulino de Medeiros.

UM VERDADEIRO INTELECTUAL

            Sinceramente, não imaginava que passaria da porta do Potengi Flat, onde ele vivia. Mas deu-se exatamente o contrário. Seu Oswaldo me recebeu muito bem, me tratou da melhor forma, não colocou nenhum empecilho para a realização da entrevista e assim ocorreu.
            Homem alto, magro, “lazarino” como diz o sertanejo, me deu a oportunidade de estar com ele em duas ocasiões, especificamente em duas manhãs. Da varanda de seu apartamento, comtemplando à distância o Rio Potengi, ele tranquilamente deitado em sua rede e eu ali perguntando, fascinado com aquela figura.
             Ele reclamava da velhice, trazia a fisionomia triste pela ausência de saúde e reclamava de sua situação. Em relação a isso comentou que havia feito uma cirurgia no cérebro que o deixou com limitações em relação à forma de receber alimentos e a sua fala. Em certo momento de nosso diálogo, sua secretária trouxe sua alimentação, que ele teve de tomar através de uma sonda. Um tanto constrangido pediu-me desculpas por aquela situação. Da minha parte lhe disse que tudo bem, era assim mesmo, de modo algum me sentia incomodado.
              Se sua voz estava agora rouca e pausada devido a operação, sua memória e a lucidez de seu pensamento, pelo menos para quem o conheceu naquele momento e naquela situação, me pareceram maravilhosos e pudemos conversar muito sobre o caso que me motivou a lhe procurar. Em relação a situação do assalto da Fazenda Rajada pelo bando de Chico Pereira ele foi muito franco.

O cangaceiro Chico Pereira

              Até mesmo assuntos que considerava delicados, envolvendo seu pai Juvenal Lamartine, ele não se negou a conversar e debater. Foi fantástico.
             Ouvindo as fitas K7, mídia antiga, mas boa e confiável, me emociono com o nosso papo. Falamos muito sobre o cangaço, de queijo de manteiga, de queijo de coalho, de onças, do açude Gargalheiras, de aviação do passado, de Jean Mermoz, de André Depecker, de Manoel Dantas, Cascudo, etc.
              Quando ele soube que eu já havia adentrado cavernas no Sertão Central e na região de Apodi e Felipe Guerra, a princípio me pareceu  que Seu Oswaldo não acreditou. Mas depois de lhe mostrar algumas fotos destes locais, sua fisionomia se tornou alegre e ouvi uma frase que jamais esquecerei; “-Quem quer saber sobre o sertão, tem de ir lá”. Falou depois que não acreditava em quem fazia trabalhos sobre o sertão estando confortavelmente instalado em uma sala com um ar-condicionado, sem realizar nenhuma viagem de campo, sem manter contato com as realidades daquele lugar, que parecia lhe trazer muitas saudades.
             Me espantei com seu Oswaldo, um verdadeiro intelectual. Pois em Natal, cidade onde não faltam “intelectuais”, daqueles que andam de queixo e nariz empinado, escrevem apenas por vaidades bestas, que só se preocupam em receber medalhas, títulos, que arrotam baboseiras, se danam a falar besteiras e que muitas vezes só produzem obras medíocres e não sabem de nada da essência do que escrevem.
              Conversar sobre o passado do nosso sertão com uma pessoa como Oswaldo Lamartine, poder ter sido tão bem recebido e dele ter tido o privilégio de beber de sua fonte é algo que me marcou bastante. Pouco tempo depois ele partiu.
             Para quem não conhece, Oswaldo Lamartine de Faria nasceu no dia 15 de novembro de 1919, em Natal, mas as raízes familiares eram da cidade seridoense de Serra Negra do Norte. Formou-se técnico em Minas Gerais. Administrou fazendas no interior em vários estados. Foi técnico do Banco do Nordeste, professor da Escola Doméstica e do Colégio Agrícola de Jundiaí.
             Entre suas obras estão: Notas sobre a pescaria de açudes no Seridó (1950), A caça nos sertões do Seridó (1961), Algumas abelhas dos sertões do Seridó (1964), Conservação de alimentos nos sertões do Seridó (1965), Vocabulário do criatório norte-rio-grandense (1966), Ferro de Ribeiras do Rio Grande do Norte (1984), Pseudônimos e iniciais potiguares (1985), Apontamento sobre a faca de Ponta( 1988), Em Alpendres da Acauã (2001) e Notas de Carregação (2001).
             É leitura obrigatória para quem quiser saber mais deste nosso sertão.

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Extraído do Blog "Tok de História", do autor deste texto,
Rostand Medeiros


Lampião e o Cangaço na Paraíba, já disponível para você

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            A mais nova obra literária sobre o tema Cangaço já poderá ser adquirida por todos através da internet. O livro "Lampião e o Cangaço na Paraíba" do pesquisador e escritor, coronel da PM paraibana, João Bezerra da Nóbrega, está mais perto de você. É só enviar um email para nosso confrade Narciso Dias e fazer sua solicitação, é isso aí. Valor do exemplar já com frete incluso: R$ 38,00.

contatos: narciso_dias@hotmail.com
(83) 8832-7456 - 9614-0042

                NOTA CARIRI CANGAÇO: Louvamos a chegada de mais uma grande obra sobre a temática do cangaço, sobremaneira por enfocar o período de ação de Virgulio Ferreira em terras paraibanas. Aqui o nosso abraço ao amigo Narciso Dias e ao escritor e pesquisador Cel. Nóbrega; ambos já confirmaram a presença no Cariri Cangaço 2011, sejam bem vindos.
 
Extraído do Blog: "Lampião Aceso"

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O esquecido filme de Glauber Rocha sobre Lampião

Por: Rostand Medeiros

            
              Na década de 1950 do século passado, quando a televisão ainda não possuía a atual massificação, a verdadeira “janela para o mundo” que os brasileiros vislumbravam naquela época estavam nas salas dos cinemas. Além dos açucarados musicais de Hollywood, a plateia nacional assistia as produções das empresas cinematográficas brasileiras Vera Cruz (São Paulo) e Atlântida (Rio de Janeiro).
             Apesar de algumas tentativas de se trabalhar com temas brasileiros mais sérios, principalmente a Companhia Atlântida parte para as comédias de costume, de forte apelo popular, conhecidas como Chanchadas, que utilizava como atores figuras conhecidas dos programas de rádio.
               Nesta mesma época aportava nas salas de cinemas das grandes cidades brasileiras, filmes da corrente artística do Neorrealismo desenvolvido na Itália. Totalmente diferentes dos musicais americanos e das Chanchadas da Atlântida, os filmes do Neorrealismo italiano buscavam representar de forma objetiva a realidade social e econômica daquele país europeu no período do pós-guerra. Havia nestas películas um forte comprometimento político, onde muitas vezes os temas representavam pessoas menos favorecidas, vivendo em ambientes onde predominava uma grande injustiça social, sem perspectivas futuras e muitas frustações na busca por dias melhores.
               Para muitos dos novos diretores de cinema no Brasil, esta forma desenvolvida pelos cineastas italianos mostrou novas perspectivas de desenvolver sua arte, realizando um cinema que mostrasse a realidade do verdadeiro Brasil, com mais substância e desenvolvido a baixo custo.
               Tem início uma nova etapa na história do cinema brasileiro, que ficará conhecido como Cinema Novo. Não havia mais espaço para películas suntuosas e nenhum espaço para os devaneios das Chanchadas. Filmes como Rio 40 graus, e Rio, Zona Norte, ambos de Nelson Pereira dos Santos, mostrando a dura realidade das favelas cariocas, estouram no cenário nacional.

Nelson Pereira dos Santos

O Cineasta de Vitória da Conquista

           Em meio a estas mudanças um jovem baiano de Vitória da Conquista, chamado Glauber de Andrade Rocha, vem fazer parte deste novo movimento do cinema tupiniquim. Conhecido pela frase “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, não se discute a importância deste cineasta dentro do Cinema Novo, principalmente no tocante a sua genialidade.

Glauber Rocha

            Na filmografia de Glauber Rocha, duas de suas principais obras tinham contextos ligados a temática do cangaço e foram consagrados pela crítica internacional. Estou falando das películas Deus e o diabo na terra do sol (1964) e Dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969).
             Mas como pessoa que assistiu a estes clássicos e outras obras de Glauber Rocha, estranhava o fato deste cineasta não ter trabalhado através de sua arte a figura maior deste movimento de banditismo, Virgulino Ferreira da Silva. Nunca compreendi o fato deste diretor não haver retratado aspectos da vida de Lampião, coisa que poderia ter realizado através de um documentário.

Lampião

           Nunca compreendi o fato deste diretor não haver retratado aspectos da vida de Lampião, coisa que poderia ter realizado através de um documentário.


            Recentemente, quando realizava uma pesquisa sobre os cinemas potiguares da década de 1970 nos velhos jornais potiguares na hemeroteca do nosso Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, me deparei com uma interessante notícia afirmando que Glauber Rocha teria dado início a um projeto para filmar a vida de Lampião.

A Conquista do Sertão Por Lampião

            Na página 4, da edição de sexta feira, dia 24 de novembro de 1972, no extinto jornal “A República” encontro a manchete que apresento na fotografia abaixo. Este material, uma reprodução da revista portuguesa “Vida Mundial”, iniciava afirmando que Lampião “já havia sido tema de vários filmes nacionais”, iria novamente invadir as telas com seus “cabras, seus tiros e suas artimanhas” e a direção seria de Glauber Rocha.


            Aos jornalistas Glauber comentou que desejava dar ao “seu” Lampião uma visão “mais original”. Afirmou aos jornalistas portugueses que em “um ou dois anos” a película estaria pronta e já tinha até mesmo um título;

A Conquista do Sertão Por Lampião.


            Para Glauber havia uma dificuldade em conhecer, em decifrar, a figura de Lampião. Comentou que ainda não tinha feito filme, pois “não conheço muito bem o caráter de Lampião; li muitos livros sobre ele, mas é um personagem controvertido, e ainda não tenho nenhuma ideia sobre ele, e também não quero criar uma visão romântica”.
            Glauber sentia a mesma dificuldade que muitas pessoas têm ao tentar compreender a figura de Virgulino Ferreira da Silva, quando leem livros sobre a sua vida.

Revista Portuguesa vida mundoal

               Outra dificuldade para a realização da obra naquele momento era saber quem seria o ator que iria representar Lampião. Disse que tinha dificuldades em eleger este ator, pois não conseguia concluir pelas fotos existentes nos livros, se Virgulino “era baixo ou alto”.
            Mas o diretor baiano tinha a ideia clara da linguagem cinematográfica a ser utilizada nas filmagens sobre a vida de Lampião. Para Glauber “Quanto ao problema da linguagem, penso sempre ao nível do plano e nunca ao nível do argumento. Não parto do roteiro para fazer os meus filmes, mas, sim, dos personagens. Se não consigo resolver uma personagem em função de um plano, corto o personagem e não repito o plano. Isto não é uma posição estética, mas cinematográfica, porque, para mim, o cinema é o próprio estilo”.

Com Faulkner na Mão, os Atores a Vontade e Muito Amor pelo Nordeste

             Para a reportagem de “Vida Mundial”, reproduzida pelo jornal potiguar, o diretor de cinema brasileiro revelou seu forte entusiasmo pelo escritor americano William Faulkner (1897 – 1962).

 
O escritor William Faulkner em seu escritório

           Afirmou que na hora das filmagens estava sempre a mão com um exemplar de O Som e a Fúria, Absalão! Absalão!, Os Invencidos, Luz em Agosto e outros. O fato de Glauber ter estes clássicos do escritor americano era uma fonte de inspiração, pois para ele havia o desejo de filmar como se “estivesse escrevendo uma novela, um monólogo direto, no estilo de Faulkner”. Glauber declarou que este era o escritor que mais admirava.


            Para as filmagens de A Conquista do Sertão Por Lampião, Glauber afirmou que teria uma atitude liberal para com os atores, deixando a improvisação seguir a vontade. Tinha até uma palavra de ordem para aqueles que iria dirigir; “inventa teu próprio personagem”, contanto que desse tudo certo, senão ele como diretor faria algum tipo de intervenção. Mas afirmou que quando tudo corria bem no desenvolvimento do filme, “deixo os atores improvisarem com liberdade”.
          Glauber comentou na reportagem seu orgulho pelas raízes nordestinas e do entusiasmo de ser “natural desta região e estou muito ligado a ela”.


              Mostrando como as filmagens e as repercussões de Deus e o diabo na terra do sol e Dragão da maldade contra o santo guerreiro tiveram em sua importante carreira, finalizou a entrevista comentando que desejava fazer “unicamente filmes de cangaceiros”. Mas completou dizendo “embora não queira, porque pode parecer uma repetição”.
            Neste último trimestre de 1972 o cineasta baiano estava oficialmente exilado em Cuba, onde permaneceu até dezembro daquele ano. Segundo a biografia de Glauber, existente no site da Fundação Tempo Glauber (http://www.tempoglauber.com.br), durante o ano de 1972, ele conclui junto com Marcos Medeiros o filme História do Brasil.


           Nesta época manteve encontros com exilados e lideranças da esquerda brasileira como:

 Vladimir Palmeira,

José Dirceu,

Fernando Gabeira,

Miguel Arraes e outros.

             Neste período ele viajou com destino a Roma e Paris para comprar cerca de dois mil livros para a realização de pesquisas. Creio que foi nesta ocasião em que circulou pela Europa, que ele concedeu a entrevista para a revista portuguesa “Vida Mundial” de 28 de outubro de 1972, reproduzida nas páginas do jornal natalense.

O Que Foi Feito de A Conquista do Sertão
Por Lampião

             Quem pesquisar a filmografia de Glauber Rocha não vai encontrar nada referente a película A Conquista do Sertão Por Lampião, pois Glauber não a realizou.


            Para o Professor Mauricio Cardoso, do Departamento de História da USP-Universidade de São Paulo, autor do artigo Glauber Rocha e a tentação do exílio (1972-1976), publicado no livro L’exil brésilien en France-Histoire et imaginaire – O exílio dos brasileiros na França-História e imaginário, SANTOS, Idelette Muzart Fonseca dos; ROLLAND, Denis (Organizadores), Paris, Editora L´Harmattan, 2008, pp. 327-339, de todos os diretores do Cinema Novo, Glauber foi efetivamente o mais ativo e reconhecido no exterior.


             Em 1969, no Festival de Cannes, o filme O Dragão da maldade contra o santo guerreiro recebeu o prêmio de melhor direção e foi a consagração do cineasta baiano na Europa.
            Com o sucesso dos seus filmes Glauber circulava pelos grandes festivais de cinema, dava entrevistas em revistas especializadas, sendo elogiado por consagrados mestres europeus como o italiano Roberto Rossellini, o espanhol Luis Buñuel e o francês Jean-Luc Godard.


           Entre 1969 e 1970, através dos muitos contatos internacionais conseguidos, o cineasta baiano roteirizou e dirigiu Der leone have sept cabeças e Cabezas cortadas. O Professor Cardoso aponta que estes filmes sofreram fortes críticas da mídia especializada e dos produtores europeus.
           Aparentemente houve uma decepção pelos rumos da obra do cineasta, ocasionando um desinteresse pelo seu trabalho. Glauber, de maior diretor de cinema do Terceiro Mundo, deixou quase que repentinamente de ser assunto de debate cinematográfico.
           Cardoso afirma que após estes episódios Glauber não conseguia novos financiamentos para os seus projetos, apesar do seu esforço ininterrupto para emplacar inúmeros trabalhos. As dificuldades em realizar seus projetos, o crescente desinteresse da crítica europeia pelos seus filmes realizados no exterior provocou uma espécie de asfixia econômica e social do cineasta.


            O projeto A Conquista do Sertão Por Lampião seria uma retomada dos filmes com cenários no Nordeste do Brasil, agora tendo como personagem principal a figura do famoso Lampião. Já a reportagem para a revista portuguesa “Vida Mundial”, poderia ser uma mensagem para os produtores europeus, informando que o diretor Glauber Rocha voltava suas energias para novamente filmar na mesma área que o consagrou, mas agora tendo como personagem principal o mais representativo chefe do movimento cangaceiro. Mas não deu certo.


O Que se Perdeu

            No arquivo da Fundação Tempo Glauber, entidade criada pela família Rocha para manter seu acervo de 22 filmes e quase 80 mil documentos, com sede na Rua Sorocaba, nº 190, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro, existem documentos que incontestavelmente apontam que Glauber Rocha tinha o desejo de realizar um trabalho envolvendo a vida de Virgulino Ferreira da Silva. Em meio a 223 roteiros de filmes e projetos de livros, a maioria dos quais inéditos, se encontram anotações com a distribuição de atores para o projeto de um filme intitulado “LAMPIÃO”. Afora isso existe dossiers de projetos futuros, onde surgem novamente títulos como “LAMPIÃO”, “O CANGACEIRO LAMPIÃO” e “O PRÍNCIPE DO INFERNO”.


           Talvez uma pesquisa mais apurada no acervo de Glauber Rocha possa apontar o que se perdeu pelo fato de não ter ocorrido esta filmagem. Certamente devem estar guardados apontamentos deste precioso trabalho que ajudariam a ter uma ideia de como Glauber Rocha pensava Lampião e o cangaço. Certamente seria algo marcante.


             Reunir em uma película cinematográfica a controversa história da figura maior do cangaço, tendo como diretor o vulcão criativo que era Glauber Rocha, que iria desenvolver esta obra como se “estivesse escrevendo uma novela, um monólogo direto, no estilo de Faulkner” e dando a grandes atores da dramaturgia brasileira da época a total liberdade de criar seus personagens como eles quisessem.

Em 1981, em Portugal, recebeu a visita do conterrâneo
Jorge Amado. Fonte: jorgeamadoespecial.blogspot.com

             Em agosto de 1981 é internado em Portugal com complicações pulmonares. Em estado de extrema gravidade é trazido de volta ao Brasil na noite do dia 20, sem acompanhamento médico. Chega ao Rio de Janeiro no dia 21 e recebe soro ainda na enfermaria do Aeroporto do Galeão. Depois é levado para a Clínica Bambina, em Botafogo, onde falece às 4 horas da manhã do dia 22 de agosto.

 

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O autor deste: Rostand Medeiros comunica que é permitida
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Extraído do Blog "Tok de História", do autor deste artigo -  
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Asteróide vai passar pela Terra, afirmam cientistas da NASA

Asteróide: Nasa descarta colisão e minimiza efeito
gravitacional do objeto. ‘YU22′ ficará a uma distância de
apenas 325 mil quilômetros do planeta(foto Nasa).
          
            A agência espacial norte-americana (Nasa) divulgou que um asteróide de 400 metros de diâmetro irá passar perto da Terra, a uma distância menor do que a do planeta em relação à Lua. O asteróide é chamado YU22 e deve se aproximar em 8 de Novembro de 2011, ficando a apenas 325 mil quilômetros da Terra.
            Esse valor é menor que a distância média da Lua para o planeta: aproximadamente 385 mil quilômetros. Mas para os especialistas, é comum a cada 25 anos a chegada de um objeto do tamanho de YU22 e passando à mesma distância. Segundo o programa da Nasa responsável pela detecção e estudo de objetos que passam perto da Terra (Near-Earth Object Program, em inglês), não há risco de colisão com a Terra. A agência também minimiza o efeito gravitacional do asteróide, afirmando que não seria possível sequer medi-lo.
            Um impacto entre a Terra e YU22 também está descartado pelos próximos 100 anos, segundo o chefe do programa Don Yeomans. Mas outro objeto com esse tamanho a passar tão perto do planeta só deverá existir em 2028. O asteróide foi visto pela primeira fez em Dezembro de 2005 pelo astrônomo Robert McMillan, chefe de um trabalho de monitoramento do céu financiado pela Nasa e realizado na Universidade do Arizona.
            No começo do 2010, as melhores imagens do objeto foram feitas, quando YU22 estava bem mais longe: a 2,3 milhões de quilômetros de distância da Terra. Para os astrônomos, o interesse está na oportunidade de poder estudar com detalhes da composição mineral e do formato do asteróide.

LEIA MAIS EM:


http://www.prosaeversojc.blogspot.com/
http://www.seculteaurora.blogspot.com/

http://www.blogdaaurorajc.blogspot.com/

Fonte: G1

Extraído do Blog "José Cícero"

Leia mais novidades nos blogs:

Pesquisando "Cangaço"

http://cantocertodogangao.blospot.com/

"Cantinho da Música"

http://mendespereira.blogspot.com

Fatos & Fotos

http://sednemmendes.blogspot.com/

Convite

Cangaço e Negritude: Jesuíno Brilhante e os Limões
PROGRAMAÇÃO  

Sexta-feira – Dia 08 DE JULHO DE 2011 – Currais Novos/RN
9 horas- Escola Estadual Capitão Mor Galvão
Abertura com composição da mesa de autoridades

Dupla conferência:


“A Violência do Cangaço de Jesuíno Brilhante
(1871-1879) e a Violência do Século XXI.”


Conferencistas:

Epitácio Andrade (Médico Psiquiatra/RN) e Adriano Marcos Araújo de Souza
(Médico Psiquiatra - Coordenador Estadual de Saúde Mental/RN).

Provocadores:

Kydelmir Dantas, Múcio Procópio (SBEC), Edivaldo Brilhante (Coremas/PB), Suzana Brilhante (Natal/RN), Ivanor Veloso, Mirna Chaves (Hospital Psiquiátrico Dr. João Machado – Natal/RN), Gilberto Jales (SEARA) e Klívia Saraiva (COEPIR).
Secretária: Graça Nunes (Fundação Cultural de Currais Novos).
Objetivo: Esboço de um plano de ação preventiva a violência no Rio Grande do Norte.

ENCONTRO GASTRONÔMICO DA NEGRITUDE
Atividades: Participação de Chefs - cangaceiros
História da Culinária Afro-brasileira – Geraldo Barboza

A invenção da Maxixada – Epitácio Andrade
Abelhas Cangaceiras não Produzem Mel – Aderban Medeiros
Interação da Culinária Negra e Indígena – Aucides Sales

17 horas – Prefeitura de Currais Novos 

Lançamento de Livro: “A SAGA DOS LIMÕES – Negritude no Enfrentamento ao Cangaceiro Jesuíno Brilhante”, de Epitácio de Andrade
Anfitrião: Prefeito Geraldo Gomes
Apresentadores: Gil Holanda (Parahyba) e Lúcia Souza (Parahyba).
Convidados especiais: Isaura Rosado (Fundação José Augusto – Natal/RN),  
Manoel Severo (Cariri Cangaço) e Família Limão. 
Intervenção Cultural: 
Sábado – DIA 09 DE JULHO DE 2011 
Evento: CIRCUITO TURÍSTICO CANGACEIRO
Atividades: 8:00 h – Concentração na Prefeitura de Currais Novos
8:15 h – Visita ao Túmulo de Chico Pereira – Currais Novos
9:00 h – Visita a Casa de Cultura de Acari/RN.
11:00 h – Comendo Caviar com Jesuíno Brilhante em Caicó.
Chef: Sandro Brilhante.
Saudação a Miguel Câmara Rocha (Roteiros de Patu) por Willy Saldanha.
14:00 h - Encontro com o Povo de São José em Brejo do Cruz/PB, sob a liderança do Poeta João Dorico. “Um minuto de silêncio pela memória de Mário Saraiva”.

CATOLÉ “Praça de Guerra”
15:30 h – Visita ao Teatro Alicio Barreto, no Centro Cultural “Geraldo Vandré”, em Catolé do Rocha/PB.
Anfitrião: Prof. Josivan Alves Lima
16:00 h – Lançamento de Livro
“A SAGA DOS LIMÕES – Negritude no Enfrentamento ao Cangaceiro Jesuíno Brilhante”, de Epitácio de Andrade Filho.
Local: Instituto Cultural “Casa do Béradêro”
Apresentadores: Rômulo Gondim (Russas/CE) e Gil Hollanda (Parahyba).
Convidados especiais: Ernani Vieira de Vasconcelos Filho (Parahyba) e Chico Cesar (Parahyba).

“PATU CANGAÇO – JUNCO LIVRE” 
Domingo - Dia 10 de Julho

8:00 h – Café da manhã na Casa de Pedra com Jesuíno Brilhante e a Família Limão, em Patu
9:00 h – Messias Targino/RN

Local: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Messias Targino/RN.
Lançamento de livro: “A SAGA DOS LIMÕES – Negritude no Enfrentamento ao Cangaceiro Jesuíno Brilhante”
Apresentadores: Raimundo Canuto e Pola Pinto.
Convidados Especiais: Otoni Tomaz de Almeida e
Escritor Edimar Teixeira Diniz.
Lançamento da Pedra Fundamental do Memorial de Chica Brejeira (1884-2003) – “Matriarca da Negritude Potiguar”.
Local: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Messias Targino/RN.
Curadora: Prefeita Shirley Targino.

14 horas – Patu/RN
Local: Campus Universitário de Patu/RN.

Apresentações orais

Anfitriões: Profs. Aluísio Dutra e Profa. Fátima Dutra

 Facilitador: Júlio Cesar Ischiara (Quixadá-CE)
Expositores:
- Geraldo Barboza: “Estratégias de sobrevivência da Negritude no Sertão Nordestino durante o Cangaço de Jesuíno Brilhante”. 

- Rostand Medeiros: “Mapeamento Exploratório Transdisciplinar do Ecossistema da Serra do Patu”.
- Lúcia Souza: “Lugares de Memória: Jesuíno Brilhante e os Testemunhos do Cangaço nos Sertões do Oeste do Rio Grande do Norte e Fronteira Paraibana” (Dissertação de Mestrado).
Lançamento de Livro:

“A SAGA DOS LIMÕES – Negritude no Enfrentamento ao Cangaceiro Jesuíno Brilhante”, de Epitácio de Andrade Filho.
Apresentadores:
Ricardo Veriano e Gil Holanda.
Convidados especiais: Prof. João Ismar de Moura, Lourival Izídio de Lima e Maria Celi Suassuna. 

Homenagem ao soldado Adrião

 Parte I - Por Paulo Brito

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..
           Esta homenagem, abaixo, está contida no livro “Como Dei Cabo de Lampião” de autoria do, há época, Capitão João Bezerra da Silva, intitulada como “Homenagem Póstuma do Autor”, logo no início da 1ª Edição do livro, em 1940 e mantida nas duas outras edições.

          
             O soldado Adrião Pedro de Souza, componente da volante do Aspirante Francisco Ferreira de Melo, veio a ser morto, infelizmente, logo no início do combate de Angico. Com a subdivisão da tropa comandada pelo Tenente João Bezerra, para a execução do cerco ao acampamento de Lampião, o grupo liderado pelo Aspirante Ferreira, foi quem primeiro teve contato com os cangaceiros, ao ponto de se verem forçados a dar início a ofensiva. Cessado o combate, constatou-se a morte do soldado Adrião, ferimento no braço do soldado Guilherme Francisco da Silva e ferimento transfixiante na mão e na coxa, com a bala se alojando no quadril do comandante da volante. Em seu livro, o comandante faz o seguinte comentário: “Sofrendo então muitas dores, baleado como estava na perna e na mão, perdendo muito sangue, cansado e sem dormir há mais de 24 horas, via-me em dificuldades para resolver vários problemas que necessitavam ser resolvidos com a máxima urgência.
             Foi um momento de agonia aquele! Estávamos num local de difícil acesso à margem do rio São Francisco. Tudo se apresentava com inumeráveis dificuldades. Teríamos de remover enormes obstáculos para nos transportar carregando um soldado morto e outro ferido, e ainda, para maior desgraça, eu não podia andar, tendo de ser carregado pelos meus valentes companheiros. Troquei idéias com o aspirante Ferreira de Melo, assentando que o soldado morto de qualquer maneira não ficaria ali. Mesmo que isto nos custasse os maiores sacrifícios, ele seria transportado para receber as honras da sua dignidade de combatente viril tombado heroicamente na defesa da ordem jurídica, no cumprimento sagrado do dever militar.” Daí, segue-se uma série de procedimentos e de ações paralelas, em decorrência da dimensão do feito e euforia por parte de todo o contingente humano das mais diferentes áreas, sem se negligenciar os procedimentos devidos ao bravo militar morto, conforme citações abaixo:
 
BOLETIM DO II BATALHÃO, Nº 175, DE 30 DE JULHO DE 1938, III ITEM:
           
             “EXCLUSÃO POR FALECIMENTO – Exclúo do estado efetivo dêste Btl. e 4ª Companhia, por falecimento, o soldado nº 665, Adrião Pedro de Souza, por ter quando em combate junto às forças volantes que extinguiram o celebre rei do cangaço o famigerado “Lampeão”, e mais dez comparsas, sido atingido pelas balas mortais dos facínoras bandoleiros, deixando gravado nos corações de todos os seus companheiros o inédito exemplo de heroísmo, de amôr ao trabalho, perdendo a vida pela paz do sertão e engrandecimento de sua corporação, que tão sobejamente deixou gravada a sua recordação. “

 Aspirante Ferreira de Melo

DO DIÁRIO OFICIAL Nº 7.443, de 04 de Agosto de 1938:
             
              “I - ÁTO DO INTERVENTOR FEDERAL – O INTERVENTOR FEDERAL NO ESTADO, por átos de ontem, promoveu, por ato de bravura e na fórma regulamentar, ao posto de 3º sargento o soldado do Regimento Policial Militar Adrião Pedro de Souza, morto na manhã do 28 de julho próximo findo, em combate contra o banditismo; ...”.

             CONTINUAÇÃO DO BOLETIM REGIMENTAL Nº 179, DE 12 DE AGOSTO DE 1938: “Não se enganou, portanto, o Exmº. Snr. Interventor Osman Loureiro, nem tão pouco êste comando. A perseguição se iniciou de fórma tenaz e vigorosa, e não tardou a raiar a manhã do 28 de julho, onde um punhado de 45 bravos comandados pelos Capitão João Bezerra da Silva, 1º Tenente Francisco Ferreira de Melo e Aspirante a oficial Aniceto Rodrigues dos Santos, numa arrancada de heróis, atacaram de surpreza, na fazenda “Angicos”, município de Pôrto da Fôlha, no Estado de Sergipe, o grupo do famigerado “Lampeão”, composto de nada menos de 58 bandidos e com êles numa luta tremenda conseguiram abater onze sicários, inclusive o REI DO CANGAÇO, pondo os demais em debandada, sem que tive ssem tempo, os restantes, de conduzir do campo de luta os seus petrechos e material de guerra que abandonaram.

Paulo Britto e esposa, Ane Ranzan

              Infelizmente, não há vitoria sem luto e este luto é devéras lamentavel, por que na refrega perdemos um bravo, o soldado Adrião Pedro de Souza, que, por isso, foi promovido, por áto de bravura e na fórma regulamentar, ao posto de terceiro sargento; - para êle imorredouras saudades e um minuto de silencio, em sua memoria, pelos bélos exemplos que nos legou e que servirão de lição aos que aqui militam e aos que nos sucederem. O Capitão Bezerra, comandante geral da tropa recebeu um ferimento, assim como o soldado Guilherme Francisco da Silva, e por pouco, aquêle não ficou no campo da luta, estando ambos sob os cuidados médicos...

             Congratulando-me convosco e, muito especialmente com louvôr, com os que tomaram parte na encarniçada luta acima relatada, mando que, nos livros do assentamentos de cada um, se façam constar os elogios a que fizeram jus, ao mêsmo tempo que os concito a prosseguirem, com fé, na luta ingente de libertar, quanto antes, o sertão de Alagôas da hórda remanescente de bandidos que ainda o infesta, convictos de que dias melhores nos esperam e de que a história Militar da Polícia de Alagôas será enriquecida com mais esse serviço à Sociedade Alagoana e, consequentemente, ao Brasil.

              Camaradas! Para a frente, por que a vitória é nossa. Salve Alagôas!
Salve a Patria redimida! SALVE!”

Continua...

Paulo Britto


"Extraído do Blog: Cariri Cangaço"

Observação:

Não consegui uma foto em que o senhor Paulo Brito estivesse sozinho,
por essa rezão inseri estas  acompanhadas.

Homenagem ao soldado Adrião

 Parte II - Por Paulo Britto

.
Sargento Elias e Paulo Brito 

       
            O Coronel Francisco Ferreira de Melo se refere ao combate e ao soldado em entrevista ao Dr. Estácio de Lima, da seguinte forma: “ – A luta foi difícil Coronel?
            "Não tanto, para quem estivesse habituado às guerrilhas sertanejas. Enfrentamos o adversário sem que êle nos esperasse. Levamos a vantagem da surprêsa. E para tantos e tão importantes cangaceiros abatidos, onze ao todo, lastimamos a perda de meu excelente soldado ADRIÃO ou ADRIANO PEDRO DE SOUZA. Também foi baleado o nosso digno Comandante e mais um praça, que teve o braço partido”.

             O soldado Adrião Pedro de Souza teve a sua morte reconhecida por bravura, pela sociedade civil, seus pares, instituição a qual pertencia e autoridades, no ambiente devido e apropriado. O palco do combate nos ermos das caatingas, que serviu de jazigo para os cangaceiros, não seria o local apropriado para o antagônico, justamente para aquele que dedicou sua vida a combater os que ali ficaram. Os registros na literatura e, sobejamente nos meios de comunicação já registraram na história os nomes dos que ali combateram, não existindo nenhum demérito, por não haver a materialidade do seu nome exposto no referido local.

 
A famosa fotografia onde aparecem
o Comandante João Bezerra e o aspirante Ferreira de Melo
               Em Angico, o imponente cruzeiro foi colocado em 30/10/1961, afixado em uma grande pedra. Na placa de bronze, no centro deste cruzeiro, tem a seguinte inscrição:

“Aqui jaz o Rei do Cangaço Capitão Lampeão com dez companheiros.
Combate em 28-7-1938. Lembrança do
Capitão Bezerra.
Colocação da Cruz em 30-10-1961”.


             À materialidade - o registro histórico dos fatos. Aos nossos corações a lembrança e o agradecimento indelével por aqueles que se sacrificaram em defesa do bem.

Paulo Britto

"Extraído do Blog Cariri Cangaço"

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Filhos e viúva do ex-cangaceiro "Asa Branca"

Por: José Mendes Pereira e
Adryanna Karla Paiva Pereira Freitas

             
Adryanna Karla Paiva Pereira Freitas, minha filha,  e eu, fizemos uma entrevista com a viúva do ex-cangaceiro Asa Branca, a dona Francisca da Silva Tavares, que reside há muitos anos em Mossoró, à Rua Epitácio Pessoa, no bairro Bom Jardim, sobre a vida do  Asa Branca e a sua convivência com ele.

Dona Francisca da Silva Tavares nos recebeu com um sorriso franco e aberto, e com isso, sentimos-nos a vontade, além do mais uma  senhora simpática, prestativa  e educadíssima.

Viúva do cangaceiro Asa Branca
 Francisca da Silva Tavares

Antonio Luiz Tavares era o verdadeiro nome do ex-cangaceiro "Asa Branca". Filho de Antonio Luiz e de dona Maria da Conceição. Ele natural de Cajazeiras do Rio do Peixe, no Estado da Paraíba.

Asa Branca

Nasceu no dia 10 de Janeiro de 1902 e faleceu de problemas cardíacos em Mossoró, no dia 02 de Novembro de 1981, sendo que os seus restos mortais repousam no Cemitério São Sebastião em Mossoró, aos fundos do túmulo de José Leite de Santana, o ex-cangaceiro Jararaca.

Túmulo do cangaceiro Asa Branca

Antonio Luiz Tavares ficou órfão de pai aos dois meses de vida,  quando um sujeito assassinou o seu patriarca. Depois de crescido e de compreender a causa de sua orfandade, já que o assassino  era protegido de um chefe político de Cajazeiras do Rio do Peixe, e não fora punido, Asa Branca vingou o crime, quando ainda tinha 13 anos de idade. 

Túmulo do cangaceiro Jararaca

Com medo de ser preso ou talvez morto dentro da cadeia, já que ainda não tinha maioridade, e como se defender de abusos  por policiais, o jeito foi fugir daquela região, procurando lugar para se ocultar das autoridades militares e judiciais.  

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Bando de Lampião

Em 1922, um ano depois do seu primeiro crime, Lampião fez uma visita à propriedade em que ele estava recolhido, e lá o encontrou. Ao ver que ele gostava de armas de fogo,   logo o convidou para participar da sua saga. Não tendo outra solução, foi obrigado a aceitar o convite e entrar no bando, e nele o menino foi apelidado de Asa Branca, cujo o levou para sua cova,  deixando o nome de batismo para traz. 

O ex-cangaceiro do bando de Lampião passou cinco  anos com o grupo, praticando de todos os  assaltos que o bando fazia. Participou do assalto a Apodi, e outros e outros, e esteve no ataque a Mossoró, atirando contra a trincheira da Estrada de Ferro.

Promotor Abel Freire Coelho

Logo após a frustrada invasão a Mossoró, Asa Branca foi preso pela polícia do Ceará, e recambiado para Mossoró, quando foi condenado pelo então promotor Abel Freire Coelho, a cumprir uma pena de 10 anos.

Jornalista Tomislav Femenick
             
Segundo o jornalista Tomislav Femenick, certa vez o ex-cangaceiro foi convidado para participar de uma reunião no Rotary Clube de Mossoró, e lá se encontrou com Abel Freire Coelho, é  que lá no ambiente, acusador e acusado trocaram apertos de mãos, como se nada tivesse acontecido.  O acusado "Asa Branca", mesmo tendo passado tanto tempo por traz das grades,  não guardou ódio do seu acusador. 
            
O jornalista Tomislav Femenick disse em um dos seus artigos que  Asa Branca, era conhecido como um cangaceiro de bons modos e de trato amável. Porém, enquanto permaneceu no bando, ele vivenciou todas as peripécias que faziam parte do cotidiano dos cangaceiros: ataques, saques, sequestros, mortes, agruras e, também, fugas. 

CASAMENTOS

O ex-cangaceiro Asa Branca fez matrimônio por duas vezes. Ainda na Cadeia Pública de Mossoró casou-se pela primeira vez com dona Sebastiana Venâncio. Ela natural de Mossoró, e com ele teve três filhos, os quais são: José Luiz Tavares, Jeová Luiz Tavares e Dijanete Luiz Tavares. Mas posteriormente o casamento foi de água abaixo, quando os dois resolveram não mais conviverem juntos, e cada um procurou o seu destino.

2º. CASAMENTO
            
O segundo casamento foi realizado com dona Francisca da Silva Tavares. Natural de Brejo do Cruz, no Estado da Paraíba. Ela nasceu no dia 21 de Novembro de 1937, e é  filha de Máximo Batista de Araújo e de Dona Severina Guilermina Silva, ambos paraibanos. Mas o casamento com dona Francisca da Silva, só aconteceu  dezessete anos depois que ambos já viviam juntos.

Aniversário dos 70 anos de dona Francisca Silva Tavares

Com o ex-cangaceiro de Lampião, Dona Francisca da Silva Tavares teve nove filhos, e destes, apenas quatro estão vivos, os quais são:


Antonio Esmeraldo Tavares - O Cride
            
Nascido no dia 10 de Novembro de 1957, na cidade  de São Bento, no Estado da Paraíba. Tem como profissão, Motorista.

Francisco Tavares da Silva

Nascido no dia 14 de Abril de 1959, na cidade Caridade, no Estado do Ceará. Este foi assassinado aos 24 anos de idade, por um primo, por coisas banais.

Maria Gorete Tavares Barbosa

Nascida no dia 1º. de Junho de 1960, em Caridade, no Estado do Ceará. Esta exerce a profissão de artesã de Biscuit.

Maria da Conceição Tavares da Silva
              
Nascida no dia 25 de Fevereiro de 1963, em Caridade, no Estado do Ceará. Exerce também a profissão de artesã de Biscuit.


Máximo Neto Batista

Nascido no dia 04 de maio de 1964, em Caridade, no Estado do Ceará. Reside atualmente em São Paulo e exerce a profissão de Motorista.
Os demais filhos do casal não foram citados aqui, porque faleceram ainda criancinhas.

Como  Francisca da Silva Tavares
 conheceu o "Asa Branca"

Nos ano de 1954, dona Francisca já era casada e mãe de um filho. Mas nesse período ela contraiu uma doença, ficando por alguns meses  sem andar. Procurando recursos para se livrar da maldita doença que ora a perseguia, soube que na região havia um curandeiro, já de idade. Não foi tão difícil, pois dias depois um velho fazia as curas ao pé de sua cama. O tempo foi se passando, finalmente dona Francisca se livrou da maldita e desconhecida doença. 

Com aquele contato de reza vai, reza vem, os dois findaram  consumidos de paixões, e dona Francisca passou a desejá-lo. E no ano de 1955, resolveu abandonar  o seu marido e um filho de sete meses, fugindo com o curandeiro, cujo destino de apoio, Mossoró.

Mas veja bem leitor, quem era o curador. Antonio Luiz Tavares, o ex-cangaceiro "Asa Branca", que deve ter aprendido as milagrosas rezas com o seu ex-comandante, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. 

Lampião e Maria Bonita

Pelo que se ver é que dona Francisca da Silva fez o mesmo papelão que fez a rainha do cangaço, Maria Bonita, quando abandonou o sapateiro José Miguel da Silva, o Zé de Neném, para acompanhar o afamado Lampião.

José Miguel da Silva, o Zé de Neném

A única diferença entre as duas, é que Maria Bonita tornou-se cangaceira; e  Dona Francisca jamais participou de cangaço.

Mas  assim que o seu pai, o Máximo Batista tomou conhecimento que ela havia fugido com o rezador, isto é, o "Asa Branca", mandou dois dos seus funcionários procurá-la por todos os recantos de Mossoró.

Já fazia três dias da permanência do casal em Mossoró, e assim que Asa Branca soube que estava sendo procurado, resolveu fugir às pressas com a companheira para Fortaleza, capital do Ceará. Lá, desempregado, foi assistido por um médico, o doutor Lobo, que logo solucionou o seu problema, e o empregou em uma mina de ametista.

De Fortaleza, foram morar em Itapipoca, posteriormente para Caridade, e lá o casal teve quatro filhos, mas sempre trabalhando na agricultura.

Anos depois a família mudou-se para Macaíba, já no Estado do Rio Grande do Norte. Com alguns anos passados, Asa Branca resolveu retornar a Mossoró, onde aqui criou a sua família e viveu os seus últimos dias de vida.
Nos anos 70, o Dr. José Araújo, ex-dentista, e diretor de algumas escolas de Mossoró, juntamente com João Batista Cascudo Rodrigues, conseguiram um emprego na FURRN, atualmente UERN, e Asa Branca trabalhou nela até morrer.

CASAMENTO FEITO ÀS PRESSAS PARA SE EMPREGAR

Como Asa Branca necessitava se empregar, e era necessária a sua documentação para ter direito aos benefícios do INSS, e não querendo retornar a sua terra natal, Cajazeiras do Rio do Peixe, na Paraíba, foi feito um casamento às pressas. Ele resolveu ir à cidade  de Porta Alegre, no Estado do Rio Grande do Norte, e lá fez novos documentos.

De documentos em mãos, foi feito o seu casamento com dona Francisca da Silva Tavares, no dia 14 de Janeiro de 1974, no 4º. Cartório Judiciário em Mossoró, Nº. 6.256, fls. 256, do livro B-16, do Registro Civil de Casamento, assinado pelo tabelião Joca Bruno da Mota.


Foto em seu túmulo
            
Quando as pessoas o perguntavam quantos ele havia matado, ele respondia: "-Quem sabe é São Miguel, porque é ele quem pesa as almas". 

Nem a sua esposa ele revelou quantos, mas de certeza foram dois: o assassino do seu pai, e um carcereiro em Mossoró. É claro que no bando ele matou muito mais, mas jamais confirmou o total de mortos pela maldita mira do seu mosquetão.               
                       
FAMÍLIA BEM ESTRUTURADA
            
A família de Asa Branca e dona Francisca é composta de: 04 filhos, 17 netos e 28 bisnetos.

Segundo as pessoas vizinhas dos familiares do ex-cangaceiro,  o Asa Branca, as quais conversamos com elas, todas foram unânimes  e disseram que eles cresceram naquele bairro Bom Jardim, amigos de todos, honestos e trabalhadores e dignos de respeito. Nada desabona a família de Antonio Luiz Tavares, o ex- cangaceiro Asa Branca.

Observação:



Se  a  população  de  Mossoró
descobrir  que o  cangaceiro
Asa Branca era curandeiro,
com  certeza,  em  vez  de
ser só um facínora santo
em  Mossoró,  serão
 dois. Se Jararaca
 não   rezava
  nada   e   é  
milagroso,
o    "Asa
Branca"
rezava
muito.
Então tem
que ser também
santificado pela população
desta cidade que é  Mossoró.


José Mendes Pereira
Adryanna Karla Paiva Pereira Freitas

http://blogdomendesemendes.blogspot.com/

Amigos:

Faz dias que eu não consigo acessar o blog do Cariri Cangaço, Blog do Neto, Lampião Aceso (este por algumas vezes),Tok de História e outros e outros  que eu participo. O que há eu não sei. Apenas vem a mensagem: Senha e endereço inválidos.