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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Prenúncio de uma guerra anunciada - Parte I

Por: Manoel Severo

Sem dúvidas é sempre importante quando nos referimos ao ciclo do cangaço de Lampião,  procurarmos contextualizar o ambiente no qual ele nasceu, viveu, suas origens, o que o cercava; a que tipo de sociedade rural ele estava submetido, e também conhecer as oligarquias dominantes da região e suas implicações no destino do mais famoso filho de Zé Ferreira; hoje trouxemos um pouco da histórica disputa entre os Pereiras e os Carvalho.

Remonta ainda os temos do império a origem da quase eterna guerra entre as famílias Pereira e Carvalho, oriundas do Vale do Pajeú, sertão de Pernambuco, berço de dois dos maiores fenômenos do cangaço nordestino, Sinhô Pereira e Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, não poderíamos de forma alguma retratar um pouco da história desses instigantes personagens sem falar desse pano de fundo que foi a batalha ao longo de quase um século envolvendo membros dessas duas oligarquias sertanejas.

Conta-se que tudo começou ainda em 1838, quando vivíamos a época do império; um representante do Partido Liberal, membro da família Carvalho, Francisco Aves de Carvalho foi acusado de mandante do assassinato do Coronel Joaquim Nunes Magalhães, do Partido Conservador, ligado à família Pereira. Ali começaria a guerra que seria nos idos de 1910 até 1922 pano de fundo para o surgimento deste que seria conhecido por Rei do Cangaço, Virgulino Ferreira.

Dentre as tantas “pelejas” entre as duas ilustres famílias, nos deteremos ao dia 15 de outubro de 1907 quando foi morto a tiros, o coronel Manoel Pereira da Silva Jacobina; o “Padre” Pereira, um ex-seminarista, daí o apelido. Filho do barão do Pajeú, patriarca do Clã dos Pereira, esposo de Dona Chiquinha e pai de Luiz Padre; Padre Pereira era irmão de outro Manoel Pereira, esse, pai do jovem Né Pereira, mais conhecido por Né Dadu e do menino Sebastião, futuro Sinhô Pereira. O assassinato de Padre Pereira a mando de João Nogueira, da família Carvalho, teve como motivo a disputa pela partilha de bens de sua própria esposa, uma Pereira, Dona Benuta, que era sobrinha do referido coronel, o que deveria vir a ser um elo para a pacificação das duas famílias acabou sendo a origem da fase mais sangrenta da luta entre os dois lados.

Sebastião Pereira, sentado e Luiz Padre, de pé.

Padre Pereira, assumiu o comando da família após a morte de seu pai, o Barão do Pajeú. Era tido como um homem de paz, caridoso, que sempre estava fazendo o bem aos sertanejos do Vale do Pajeú. Por sua condição social, e seu caráter de liderança e conciliação, tinha a casa sempre cheia de amigos e agregados, por ser uma figura extremamente querida no seio da região, teria sido escolhido para ser morto pelo Clã adversário.
Dona Chiquinha a viúva, incutia no seio da família o desejo incontrolável da vingança e o ódio foi sedimentando ainda mais o coração dos membros do clã Pereira, principalmente a partir de seu filho único, Luiz Padre, na época com 16 anos. Ainda no mesmo mês de outubro, seu sobrinho, Né Dadu, cunhado de João Nogueira, matava dois membros da família: Joaquim, irmão de Nogueira e um primo deste. Ato seguido João Nogueira emboscava o cunhado com cerca de 20 homens em sua propriedade na Serra Vermelha, o fato é que também João Nogueira acabou sendo morto e a sanha de Né Dadu e seu grupo não parou por ai, ainda sob as ordens de D. Chiquinha mataram outro membro da família Carvalho, Eustáquio Carvalho, proprietário da fazenda Catolé, fato que trouxe ainda mais combustível para a ferrenha luta.

Em março de 1908 eclodia a resposta dos Carvalho que sob o comando de seu patriarca Coronel Antônio Alves do Exu ataca a vila de São Francisco, berço dos Pereira, à frente de mais de 300 cabras e jagunços.  A defesa dos Pereira fica novamente a cargo de Né Dadu e pouco mais de 25 homens. O combate teria tido outro desenrolar se não fosse a chegada para ajudar os Pereiras de Manuel Pereira Lins, o Né da Carnaúba com cerca de 70 homens e do Coronel Antônio Pereira com mais de 60 cabras, que acabou com a fuga dos Carvalhos liderados pelo Coronel Antônio do Exu.

Naquela época os dois clãs dominavam a política do Vale do Pajeú, de um lado os Carvalho sob a liderança do Coronel Antônio Alves do Exu e seus familiares e agregados. De sua fazenda Barra do Exu, comandava vários outros coronéis de barranco, distribuídos em várias fazendas das redondezas de Vila Bela e outros municípios, com destaque para a fazenda Umburanas de Sindário e seus irmãos Antonio e José. Já os Pereira tinham em Manuel Pereira Lins, da fazenda Carnaúba seu líder maior, o Né da Carnaúba, que sucedia o Coronel Antônio Pereira, forçado a fugir para o Ceará em função de perseguições políticas.

Continua...

Manoel Severo

Cariri Cangaço
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Sensor detecta deterioração de obras de arte

 óleo sobre tela de Pedro Américo, 1888, do acervo do Museu Paulista)

Por Elton Alisson

Dispositivo mede alterações físico-químicas causadas pelas condições ambientais de museus em materiais que compõem bens do patrimônio cultural ("Independência ou Morte".
Agência FAPESP – As condições climáticas e ambientais de museus e outros espaços fechados dedicados à exposição de arte podem causar impactos na conservação das obras que integram seus acervos.
Com o objetivo de avaliar possíveis danos que as características ambientais desses espaços podem provocar nos bens do patrimônio cultural que abrigam, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um sensor que indica o grau de degradação sofrida por materiais que compõem obras de arte em diferentes ambientes.
O dispositivo, que já passou por várias etapas de aprimoramento, é resultado de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.
Durante o estudo, pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, campus Leste, pretendiam desenvolver uma ferramenta que possibilitasse medir simultaneamente a temperatura, umidade, iluminação e os níveis de poluição interna apresentados por museus situados em áreas urbanas e o grau de deterioração sofrido ao longo do tempo por resinas orgânicas usadas em obras de arte. Para isso, eles se associaram a um grupo de pesquisa do Instituto de Química da USP, liderado pela professora Dalva Lúcia Araújo de Faria.
Reunindo conhecimentos de química analítica com habilidades em eletrônica e microprocessamento de um pós-doutorando que integrou o grupo – Carlos Antonio Neves –, os pesquisadores conseguiram criar um aparelho miniaturizado que funciona automaticamente e mede as alterações físico-químicas causadas pelas condições ambientais de museus em alguns materiais orgânicos que compõem obras de arte.
“O equipamento fornece um conjunto de efeitos provocados pela temperatura, umidade, iluminação e presença de poluentes em um ambiente sobre materiais orgânicos que compõem algumas obras de arte”, disse Andrea Cavicchioli, professor da USP e coordenador do projeto àAgência FAPESP.
O sensor é baseado em uma microbalança de quartzo, constituída por pequenos cristais do mineral com aproximadamente 1 centímetro de diâmetro que vibram a frequências muito elevadas, de 10 MHz.
Para analisar as possíveis alterações físico-químicas sofridas por um determinado material em um ambiente, é depositada uma fina camada dele sobre os cristais de quartzo e colocado o aparelho no ambiente onde se pretende monitorar.
Cristais de quartzo captam as transformações do material no ambiente, como variações de frequência, que são registradas e gravadas em uma memória incorporada ao sistema eletrônico do aparelho.
“Quanto mais rapidamente variar a frequência, mais rapidamente o material estará se degradando, indicando que o ambiente é muito agressivo”, explicou Cavicchioli.
Os pesquisadores utilizaram um tipo de verniz muito usado em obras de arte para testar o aparelho em alguns ambientes de dois museus em São Paulo: o Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP) – mais conhecido como Museu do Ipiranga – e a Pinacoteca do Estado de São Paulo, em parceria com as equipes das conservadoras Teresa Cristina Toledo de Paula e Valéria Mendonça.
Após deixar o aparelho contendo a amostra do verniz por um determinado período de tempo nos dois lugares, o grupo constatou que, em comparação com a Pinacoteca, o Museu Paulista apresenta condições menos favoráveis para conservação de materiais associados às pinturas.
A diferença, segundo Cavicchioli, se deve à dificuldade de o Museu Paulista implementar condições mais adequadas para a conservação dos bens culturais que abriga, uma vez que a edificação é tombada.
“O Museu Paulista, apesar de ter plena consciência da necessidade de controle ambiental para a proteção dos bens culturais, ainda tem ambientes pouco adaptados devido à própria edificação ser um objeto cultural. Já a Pinacoteca é um ambiente mais transformado e passou por um processo de readequação que possibilitou a implementação de algumas medidas mitigatórias, como a instalação de aparelhos de ar condicionado, filtros de ar para que poluentes externos não penetrem no interior do museu e dispositivos para controlar a luminosidade”, comparou.
Atualmente o Museu Paulista também está passando por um processo de adaptação de seus ambientes, apoiado pela FAPESP por meio do Programa Infra-Estrutura – Museus, com o objetivo de melhorar as condições de conservação das obras que possui. De acordo com Cavicchioli, ao fim desse processo será possível fazer nova avaliação utilizando o sensor e constatar se a reforma possibilitou a melhora das condições microambientais da instituição.

Acesse na íntegra: http://agencia.fapesp.br/14975 



Extraído do blog: "Pesquisando a História" do amigo Urano Andrade

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Casa de passagem procura a familia deste idoso


Conforme combinado, segue em anexo foto referente ao idoso que encontra-se acolhido na Casa de Passagem Nossa Gente( órgão vinculado a Gerência Executiva do Desenvolvimento Social/ PMM).

Segundo o mesmo chama-se Rock Celestino, não sabe dizer a idade precisamente, nem mesmo sua cidade de origem, o referido idoso foi encaminhado pela equipe do serviço social da UPA do Santo Antonio (Mossoró-Rn), na noite do dia 12 de janeiro do corrente ano, após ter sido encontrado em situação de rua e debilidade física pela Polícia Rodoviária Federal, como o Sr. Rock encontra-se desorientado, não sabe informar sob paradeiro de familiares, e disse ter residido já na Bahia, o mesmo foi encaminhado para acolhimento temporário nesta casa de passagem onde encontra-se até o presente momento recebendo todo apoio, desta forma pedimos colaboração junto a redação da InterTV cabugi para divulgar a foto do mesmo, como forma de tentar encontrar alguma familiar ou conhecido do mesmo.

Pedimos que caso álguem o conheça entrar em contato com nossa equipe no telefone: (84)3316.2279. Desde Já agradeçemos a Colaboração.
Atenciosamente,
Laura Pollyanna
Assistente Social/ Coordenadora da Casa de Passagem



Também poderá ligar para este telefone:

3312-2873 

da residência do administrador deste blog:

José Mendes Pereira

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Sexto corpo é encontrado no navio naufragado na Itália

Identidade de passageiro que vestia colete salva-vidas, não foi revelada.Cruzeiro naufragou na sexta, deixando 5 mortos; 15 estão desaparecidos.


Bombeiros encontraram o corpo de um homem no navio Costa Concordia, que naufragou na sexa-feira (13) na costa italiana, durante a madrugada desta segunda-feira (16).
O corpo estava em uma seção não inundada do navio. O homem era um passageiro e vestia um colete salva-vidas. A identidade não foi revelada.
Entre os desaparecidos estão quatro italianos: um pai de 36 anos e sua filha de 5 anos, além de duas mulheres sicilianas de 49 e 50 anos que estariam bem segundo os socorristas, mas cuja família não conseguiu entrar em contato.
Dois norte-americanos também não foram encontrados: a Embaixada dos Estados Unidos informou em sua página do Facebook que 118 de 120 passageiros foram encontrados.
Também há dois casais franceses e uma pessoa de nacionalidade não revelada entre os desaparecidos.
O acidente ocorrido na noite de sexta próximo à ilha de Giglio, a cerca de 40 quilômetros da costa, também deixou pelo menos 40 feridos, dois deles em estado grave.
Cerca de 15 pessoas continuavam desaparecidas, e as buscas prosseguiam. Dois japoneses que eram dados como desaparecidos foram localizados em Roma, onde haviam chegado, mas ainda não tinham se apresentados as autoridades.

Três sobreviventes resgatados

Mais cedo neste domingo, três pessoas foram resgatadas com vida do interior do barco. Marrico Giampetroni, comissário-chefe de bordo do navio foi retirado e içado de helicóptero, pois tinha uma perna quebrada.

O sobrevivente Marrico Giampetroni é içado, de helicóptero, após ter sido resgatado do interior do Costa Concordia neste domingo (15) (Foto: Reuters)
O sobrevivente Marrico Giampetroni é içado, de helicóptero, após ter sido resgatado do interior do Costa Concordia neste domingo (15) (Foto: Reuters)

Ele foi levado a um hospital da cidade de Grosseto, no continente. O acesso ao tripulante foi difícil, porque os resgatistas tiveram de atravessar regiões alagadas dentro do navio, que virou e está parcialmente submerso no Mar Mediterrâneo. 
Lua de mel 
Horas antes, um casal sul-coreano em sua lua de mel havia sido resgatado de dentro do barco, depois que os bombeiros, que trabalhavam na parte emersa do Costa Concordia, ouviram seus gritos de socorro.
Tratava-se de Hye Jim Jeong e Kideok Han, de 29 anos. Eles haviam embarcado no navio na cidade de Civitavecchia, poucas horas antes.
Equipe da tripulação foi vista em botes de embarque domingo de manhã, com o seu equipamento de mergulho, que incluía um capacete especial com uma luz frontal.
Eles então foram vistos tocando o casco com as mãos perto do corte de 50 metros de comprimento onde a água inundou e causou a virada do navio.

Barco passa em frente do Costa Concórdia na manhã deste domingo (15) (Foto: AP)
Barco passa em frente do Costa Concórdia na manhã deste domingo (15) (Foto: AP)

mapa naufragio italia vale esta (Foto: Arte G1)

O navio chocou-se contra uma rocha, encalhou em um banco de areia próximo à ilha de Giglio, na Toscana, região central daItália, teve seu casco quebrado, virou e ficou parcialmente submerso. O acidente ocorreu a cerca de 40 quilômetros do continente, muito perto da ilha de Giglio. Havia 53 brasileiros a bordo -47 passageiros e 6 tripulantes-, mas não há notícias de brasileiros entre os mortos, feridos ou desaparecidos, segundo o Itamaraty.
A empresa Costa Cruzeiros, por intermédio de sua assessoria de imprensa no Brasil, deixou disponíveis os seguintes números de telefone para informações sobre os brasileiros, em São Paulo: 55-11-2123-3673 e 55-11-2123-3679. No total, 12 navios e 9 helicópteros foram mobilizados para verificar se há alguém no mar, segundo o porta-voz da capitania de Livorno, Emilio Del Santos.
A capitania de Livorno, o maior porto da Toscana, anunciou a abertura de uma investigação sobre a causa do acidente e como os passageiros foram resgatados.
A "caixa-preta" do navio, dispositivo com o registro da sua trajetória, já foi encontrada e está sendo examinada. Francesco Verusio, procurador-chefe de Grosseto, disse que o exame deve estar pronto em dois dias.
Comunicado - Veja, a seguir, a íntegra da nota divulgada pela empresa Costa Cruzeiros neste domingo (15).
"Costa Concordia – 15 de Janeiro 2012 – 20:15h
Genova, 15 janeiro 2012 – Costa Crociere reitera sua profunda dor pelo terrível acidente que atingiu seus entes mais caros : seus hóspedes, seus funcionários, seu próprio navio; e se desculpa pelo sofrimento e o desconforto que estas pessoas passaram, desejando pêsames às famílias das vítimas verificadas.
Em todo o mundo, cerca de 1.100 pessoas da Costa Crociere estão trabalhando na gestão deste terrível acidente desde a noite de sexta feira. Nossa prioridade foi dar suporte às operações de salvamento e assistência aos hóspedes e à tripulação, conduzindo-os em segurança de volta às suas próprias residências.
As operações de busca e salvamento prosseguem, coordenadas pela Guarda Costeira e as autoridades italianas. Infelizmente confirmamos que ainda há desaparecidos e, vista a evolução da situação, não nos é consentido fornecer mais dados a respeito.
O Comandante Francesco Schettino, que ocupava o comando do Costa Concordia, ingressou na Costa Crociere em 2002 como oficial responsável pela segurança e depois de ter sido imediato, foi promovido a Comandante em 2006. Como todos os comandantes de nossa frota, participou de programas regulares de atualização e treinamento, superando positivamente todas as etapas de avaliação previstas.
Como já amplamente publicado, a Magistratura, com a qual Costa Crociere está colaborando, determinou a detenção do Comandante, contra o qual foram feitas graves acusações. Pareceria que o comandante tenha cometido erros de juízo que trouxeram graves conseqüências : a rota percorrida pelo navio muito próxima da costa, e aparentemente suas decisões na gestão da emergência não tenham correspondido aos procedimentos da Costa Crociere, que se alinham, e em alguns casos superam, os padrões internacionais.
Costa Crociere opera em pleno respeito às normas de segurança e se orgulha do empenho de seus funcionários à gestão da segurança dos hóspedes.
Todos os membros de sua tripulação são portadores de um certificado BST (Basic Safety Training), são capacitados e formados para a gestão de emergências e assistência aos hóspedes na hipótese de abandono de navio, através de numerosas exercitações. Funções, responsabilidades e deveres são claramente definidos e designados para consentir a gestão de situação de tamanha importância.
Todos os membros da tripulação passam por exercício de abandono do navio a cada duas semanas. Para todos os hóspedes do cruzeiro é promovido um exercício de salvamento em suas primeiras 24 horas a bordo, conforme determina a lei. Costa Crociere adota um sistema computadorizado de controle, que permite certificar que todos os hóspedes tenham participado de tal exercício.
A capacitação dos membros das tripulações da Costa Crociere é periodicamente controlada pelas Guardas Costeiras e demais entidades de classificação independentes alinhadas com os requisitos especificados no sistema SMS (Safety Management Systems).
A bordo do Costa Concordia e de todos os navios Costa estão disponíveis coletes salva vidas, lanchas e botes em numero superior ao máximo de pessoas que podem ser hospedadas pelo navio. As lanchas são dotadas de reservas de água e alimentos, pronto socorros portáteis com medicamentos, e instrumentos de sinalização e comunicação que permitem aguardar em segurança a chegada de socorro. As lanchas são objeto de minuciosos controles por parte da equipe do navio e dos órgãos de certificação. Todos os navios Costa Crociere são certificados pela RINA e são construídos de acordo com os mais altos padrões e tecnologia.
Ocorrido o acidente, Costa Crociere interveio imediatamente para impedir um potencial impacto ambiental e, desde sábado passado, conta com o suporte da Smit & Salvage, empresa líder no mundo neste setor, com quem está definindo um plano de ações. As mais imediatas consistem em realizar uma barreira de contenção ao redor do casco do navio.
A Magistratura determinou o arresto do navio e da VDR – a chamada “caixa preta”. Costa Crociere portanto doravante terá acesso ao navio apenas mediante autorização das autoridades."

Arte Costa Concordia (Foto: Arte G1)

Fonte:

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GUERRA DE CANUDOS

Por: Miriam Ilza Santana
Mulheres e crianças: prisioneiros da Guerra de Canudos
Mulheres e crianças -Prisioneiros da Guerra de Canudos

O cenário era a Bahia do século XIX, quem governava o Brasil era Prudente de Morais. O Nordeste brasileiro serviu de palco para que ocorresse uma das mais significativas revoltas sociais da primeira República.

A rebelião conhecida como Guerra de Canudos deu-se em virtude da situação precária em que vivia a população, sem terra e obrigada a se submeter aos arroubos dos coronéis. As terras pertenciam aos grandes proprietários rurais – os conhecidos coronéis – que as transformaram em territórios improdutivos. Essa situação revoltou os sertanejos, que se uniram em torno de Antônio Conselheiro, o qual pregava ser um emissário de Deus vindo para abolir as desigualdades sociais e as perversidades da República, como a exigência de se pagar impostos, por exemplo.

Os moradores do arraial acreditavam ser ele um divino mestre, que já praticara até milagres. Antônio Conselheiro fundou o vilarejo denominado Canudos e os sertanejos e suas famílias para lá passaram a migrar. Vários fatores contribuíram para o desenvolvimento de Canudos. O clima seco castigava severamente a região, danificando o plantio de alimentos, secando os diques e matando os animais que não resistiam à falta de água. Os sertanejos também tentavam sobreviver, mas a cada ano milhares morriam de fome e sede. A maneira tão desumana de viver estimulava o surgimento de desordens e agitações sociais, transformando os camponeses em malfeitores que andavam em bandos pelos sertões do Nordeste, fortemente armados, apavorando as populações locais e invadindo as propriedades dos coronéis.

Antônio Conselheiro, entre outros devotos, propagava a salvação da alma e o povo tinha fé que seu messias os ajudariam a sair daquela situação precária. A igreja começou a perder seus fiéis para um falso religioso, na concepção do governo, e assim ele passou a ser malquisto pela Igreja. No ano de 1896, o arraial contava com mais ou menos 20 mil sertanejos que repartiam tudo entre si, negociando o excesso com as cidades vizinhas, adquirindo assim os bens e produtos que não eram gerados no local.

Os habitantes de Canudos precisavam se resguardar e decidiram então organizar milícias armadas, pois era de se esperar uma reação contrária da parte dos coronéis e da Igreja Católica. Enquanto a igreja perdia seus fiéis, os coronéis sentiam-se prejudicados com o constante deslocamento de mão-de-obra para Canudos, que prosperava a olhos vistos. A população abandonou a sociedade republicana convencional, que até então só a alimentara de falsas promessas, e partiu para na direção da nova sociedade que despontava. Mesmo sem nenhuma garantia, pois não havia falsas promessas, o que era mais honesto. Os padres e coronéis coagiram o governador da Bahia a tomar providências urgentes, eles queriam que o governo desse fim a Canudos. Os jornalistas e intelectuais também eram contra os moradores do arraial, pois entendiam que os mesmos desejavam a volta da monarquia, algo totalmente fora de propósito.

A Destruição de Canudos

Foram instituídas três empreitadas militares, que foram vencidas pelos seguidores de Antônio Conselheiro. Em virtude de tamanha dificuldade, o Governo Federal assumiu o comando. A quarta expedição foi organizada pelo então ministro da Guerra, Carlos Bittencourt, o qual recrutou cerca de 10 mil homens que, comandados pelo general Artur Costa, apoderaram-se de Canudos e promoveram um terrível massacre, no qual muita gente inocente morreu, principalmente idosos e crianças, que só buscavam uma melhor qualidade de vida. A Comunidade de Canudos foi arrasada no dia 05 de outubro de 1897, entrando para a história como o palco do mais intenso massacre já presenciado na história.

Fonte: 

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Sopro na folha (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa

Sopro na folha


Sopra ventania ao entardecer
e o olhar vai escrevendo
um poema na folha seca
que lentamente segue adiante
no passo que não posso ter
pousando onde não posso chegar

mas o poema escrito na folha
com a tinta incolor da saudade
e pela pena molhada de tristeza
jamais se dispersará na ventania
se o meu amor que está na janela
olhar o entardecer com o olhar
de quem se aflige pelas recordações

e pensará na folha que passa
como uma bela poesia da natureza
e terá nesse sublime momento
o mesmo pensamento que tive
ao escrever poesia na folha ao vento
e dizer que te amo em pensamento.


Rangel Alves da Costa
 Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com


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LEMBRANÇAS DA CASA VELHA (Crônica)

Por: Rangel Alves da Costa
Rangel Alves da Costa

LEMBRANÇAS DA CASA VELHA

Moça e rapaz passam pela frente, criança vai logo atirando uma pedra na porta, gente de mais idade dá apenas uma rápida olhada; somente um ou outro, já na idade da velhice mesmo, é que olha com referência para a casa velha.

Certamente muita gente nem imagina que há vida morando ali dentro. A porta está quase sempre fechada ou encostada, dificilmente a janela se abre para a ventania do entardecer. Não se ouve barulho, passos, algazarra, gritaria, nada, apenas o silêncio dos tempos. Mas ali existe ser vivente.

Se já é entardecer ou mesmo noite, a luz fraquinha do candeeiro pouca diferença faz pra quem está do lado de fora. Sem iluminação elétrica, a chama que povoa e acompanha cada passo é de candeeiro mesmo, ainda que ali também tenha uma velha lamparina pendurada num entrevão saindo da saleta e indo até a cozinha.

Por fora apenas uma casinha mesmo, antiga, quase caindo, pobre demais, coisa já entregue à sorte de um vente mais forte ou de uma trovoada de pingo feroz. O pior é que todo mundo dizia que a casinha não ia suportar mais uma estação, que logo estaria no chão, levando quem estivesse lá dentro com sua história e tudo.

Mas quem estaria lá dentro? Para uns tanto faz, porque nem sabe direito ao certo de quem se trata; para outros apenas um velho senhor que prefere viver na solidão dos seus aposentos, sem qualquer importância dar ao mundo lá fora; e para outros, gente de um tempo mais antigo, quem morava ali não era nem gente e sim a própria lenda, a história, o mito, a originalidade em pessoa.

Ainda molecote, sem nunca colocar os pés numa escola nem aprendido a riscar o nome, já montava em cavalo brabo e se metia na mataria fazendo a juntada de boi valente. E foi numa dessas carreiras que um galho de pau pereira lhe fez um arranhão no lado esquerdo do rosto que até hoje é marca visível.

Assim que o estrago cicatrizou com mastruz, velame e outras plantas do mato, o menino não deixou passar muito tempo e fez uma coisa difícil de acreditar. Tendo colocado na cabeça que aquela marca no rosto seria para sempre o seu sinal de sertanejo, achou que o lanhão iria desaparecer para sempre e quando já estava completamente sarado se cortou novamente, no mesmo lugar, e com o mesmo toco da árvore.

Não deixou que sua mãe colocasse nenhum remédio do mato no ferimento e todo dia ia pra caatinga colocar seiva de baraúna por cima. Tinha ouvido falar que o leite dessa árvore sarava o ferimento preservando a marca provocada pela ponta de pau. E é por isso que até hoje o velho tem orgulho de passar a mão pelo rosto e sentir ainda a marca na pele já totalmente enrugada.

E foi por causa dessa cicatriz que teve de duelar debaixo do sol sertanejo e sair do lugar por uns bons tempos. A família do provocador havia jurado vingança e como já era sua intenção conhecer um pouco do mundo lá fora, pegou a mala e uns trocados e foi fazer guerra onde sabia que havia um pé de revolução.

Sem entender nada de razão pra lutar, bastava ouvir dizer que em determinado lugar um grupo estava se organizando para derrubar um tirano do poder, e lá ia o rapaz fazer valer o seu grito revolucionário. Só voltou desses distantes campos de batalha quando soube que aqueles que havia ajudado a vencer batalhas estavam se transformando nos mesmo tiranos contra os quais lutara.

Voltou ainda a tempo de entrar no bando cangaceiro de Lampião. Apelidado de Candango entre os bandoleiros, sabia que só tinha sido aceito pelo Capitão porque era filho de um velho coiteiro, homem de confiança de toda cangaceirada. Por isso mesmo logo procurou ser um dos mais valentes e destemidos, havendo notícias de ter enfrentado sozinho uma volante inteira.

Tal valentia lhe causou inveja dentre os próprios cangaceiros. E pra não acontecer o pior pediu licença ao próprio Lampião pra se desligar do grupo e se juntar ao grupo de Corisco, que reinava por outras bandas do sertão. Contudo, nem teve tempo de entregar às mãos do Diabo Louro a carta enviada pelo Capitão. Estava embrenhado na caatinga quando soube do ocorrido lá pela Gruta do Angico, matando o rei do cangaço, sua bela Maria e mais nove cangaceiros.

Deu a volta e resolveu seguir outra vida. Aliás, deu várias voltas sem nunca se acostumar com outra vida. Até que uma noite, deitado no alpendre de uma velha casa abandonada, sonhou que num lugar mais distante havia uma botija e que se ele tivesse coragem de desenterrar seria um homem rico.

Andou oito meses e oito dias até encontrar a casa descrita pela alma do outro mundo, até chegar ao local onde haveria de estar enterrada a verdadeira fortuna. A casa estava abandonada e se achou logo no direito de tomar posse e por ali foi ficando sem ninguém jamais reclamar. Encontrou o lugar indicado, cavou um buraco profundo até encontrar o baú com a fortuna.

O problema é que colocou tudo novamente no lugar e até hoje continua de portas fechadas, desconfiado do mundo, guardando com todo cuidado, e de arma de lado, a sua imensa fortuna de dinheiro que não vale mais nada.


Rangel Alves da Costa* 
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

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domingo, 15 de janeiro de 2012

O Ouro Negro de Mossoró - 16 de Janeiro de 2012

Por: Geraldo Maia do Nascimento

Na noite do dia 17 de setembro de 1979, uma segunda-feira, os funcionários do hotel “Thermas” que acabara de ser construído em Mossoró, distante 300 quilômetros de Natal, abriram torneiras para que a água de um poço profundo perfurado no local enchesse o conjunto de 10 piscinas térmicas. A intenção era que na manhã da terça-feira todos os reservatórios amanhecessem cheios. Essa era a última medida necessária à inauguração do hotel. O evento, previsto inicialmente para o final de agosto daquele ano, foi adiado porque a água que encheu as piscinas pela primeira vez estava misturada com óleo. Pouco, suficiente apenas para impedir o banho e a inauguração.
                

Para resolver o problema foram solicitados os serviços da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais do Rio Grande do Norte (CDM). Após as devidas correções, a expectativa era de que nada mais atrapalharia o início das atividades do hotel. Seria uma grande festa. Seria. Mas na manhã do dia 18 de setembro de 1979, o óleo voltou a gritar em meio à água. Às 5h30, quando os funcionários do hotel começavam a trabalhar, surpreenderam-se em verificar que o problema do óleo não estava resolvido. E que desta vez tinha vindo com mais força.
               
A inauguração teve de esperar mais uma vez.
               
O Hotel Thermas teve de aguardar um pouco, dar passagem ao início de uma história que a partir daquele marco se estende pelo território do Rio Grande do Norte. Avisada pelos técnicos da CPRM e CDM, a Petrobras, que há três anos explorava a porção marítima da Bacia Potiguar, resolveu verificar a ocorrência. Já havia feito experiências do tipo antes. Todas foram frustrantes. A pressão popular e a crise do petróleo que havia na época foram fatores que ajudaram na decisão de tentar de novo.
               
Em dezembro daquele ano, a população de Mossoró viu o problema com as piscinas do Thermas resolvido, através da perfuração de um outro poço, exclusivo para água. E também pôde conferir a entrada do Rio Grande do Norte para o grupo dos estados produtores terrestres de petróleo no Brasil. Poucos dias antes do ano chegar ao fim, uma fração do “ouro negro” potiguar já havia sido enviada para Fortaleza. Hoje, o Mossoró 14, poço produtor pioneiro no Estado, continua operando e é um dos atrativos turísticos do Hotel Thermas de Mossoró.

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Autor:
Jornalista Geraldo Maia do Nascimento

Fonte:
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O abraço cangaceiro da França

Bosco André, Netinho Ferraz e Jack de Witte

Cher Manoel Severo,


Merci pour tes bons vœux pour l’année qui vient!
Desejo famili Cariri Cangaço tambem um feliz ano novo, replete de realizações, com muita saude e felicidade para revender!
Espero tornar a lhe ver para o proximo Cariri Cangaço em setembre!
Que seria a data provavel ?
Como ja falamos lhe espero com a sua mulher em minha casa para a primavera !!!!!!!
Saudações cangaceiras.

Extraído do "Cariri Cangaço"

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TONNI LIMA

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Feito Vira lata revirando solidão em meio a lixos complexos, sem nexos de nos dois, largado estou,  jogado em camas,  estranhas, sempre ao lado de estranhos rostos borrados de batom e restos de prazer. 



Eu não gosto de gostar disso... You won"

Tonni Lima

Extraído do blog: fraseS subntendidaS


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Perdoa-me (Poesia)

Por: Rangel Alves da Costa*
Rangel Alves da Costa

Perdoa-me


Se o perdão
é recompensa do espírito
e alimenta o coração
então perdoa-me...

se o perdão
é como mão estendida
afastando a dor da solidão
então perdoa-me...

se o perdão
deixa o rancor na ventania
e traz a brisa da reconciliação
então perdoa-me...

se o perdão
perdoa e depois se doa
torna o separado em união
então perdoa-me...

se perdoar
não for difícil demais
então perdoa-me...
  


Rangel Alves da Costa
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com 

Maria Bonita na caatinga pousando para Benjamim Abraão

Por: Antonio Galdino

UNEB e Prefeitura de Paulo Afonso realizam seminários do Centenário de Maria Bonita

A temática do cangaço e a vida de Lampião têm merecido estudos cada vez mais intensos. Nas universidades, é tema de mestrados e doutorados pelo mundo afora. A literatura, e desde a sua contemporaneidade, os folhetos de cordel, espalham os feitos do Rei do Cangaço e de muitos dos cangaceiros que cruzaram o Nordeste desafiando o Brasil Oficial ou a seu serviço.


O cinema, ao longo de décadas, tem mostrado a figura do cangaceiro, real ou caricata, para consumo de milhões de pessoas, como O Cangaceiro, de Lima Barreto, de 1953, com diálogos de Raquel de Queiroz, o primeiro filme sobre o tema cangaço e ganhador de vários prêmios internacionais, inclusive o Festival de Cannes daquele ano. Na internet, o tema ganha milhões de páginas, milhares de sítios (sites).

Tão intensa é a procura pelo assunto que, ao lado de escritores e estudiosos sérios têm aparecido oportunistas que criam fatos e enredos gerando conflitos entre a verdadeira história e as invencionices mais absurdas que povoam o imaginário popular.

Benjamim Abrahão
Posando, no meio da caatinga

E a história ganha contornos contraditórios, o que leva o jornalista e professor de História da UFP, Mário Hélio a afirmar que "há, obviamente, um Lampião real, e um outro, muito mais vivo e forte que este, mítico." E acrescenta, na Apresentação do livro "De Virgulino a Lampião" de Vera Ferreira e Antônio Amaury, que "ainda está aberto a exame o que há de mítico e de real em Lampião e no cangaço, num trabalho de história comparada, interdisciplinar pela sua própria natureza".

Se o tema "cangaço" ou "Lampião" merece milhões de páginas em sites como o Google, bem menor tem sido o espaço dedicado ao estudo da presença da mulher como parte integrante desse universo.

O escritor Antônio Amaury, em seu livro "Lampião: as MULHERES e o Cangaço", DE 1984, mostra, segundo Franklin Maxado ao apresentar este livro, "o lado sexual ou o das mulheres no cangaço, lado pouco explorado desse mundo".

Em 1997, Ilda Ribeiro de Souza, a cangaceira Sila, assina o livro "Angico, eu sobrevivi - confissões de uma guerreira do cangaço". Mais adiante, em 2003, Antônio Amaury destaca a importância da cangaceira Dadá, valente, guerreira, companheira do "Diabo Louro" e sua privilegiada memória que lhe permitiu conseguir informações importantes sobre o cangaço nos muitos meses em que ela foi sua hóspede, em São Paulo e escreve "Gente de Lampião: Dadá e Corisco".

Mais recentemente, em 2005, João de Souza Lima focou suas pesquisas em Maria Bonita, e escreveu "A trajetória guerreira de Maria Bonita, a Rainha do Cangaço" e em 2007 escreveu "Moreno e Durvinha, sangue, amor e fuga no cangaço".

Benjamim Abrahão
Maria Bonita, o sorriso da guerreira

E o que dizer de Maria de Déa, Maria Bonita, a Rainha do Cangaço, que ousou deixar um marido com quem se casara ainda adolescente, rompeu os paradigmas de sua época, abandonou os costumes, tradições e feriu a honradez da família ao optar em acompanhar Lampião e viver uma vida de confrontos com a polícia, fugas pela caatinga, sem a paz suficiente para manter vivos em seu ventre os filhos gerados e poder sequer ser a mãe presente na vida de sua menina, Expedita, criada por amigos?

Como compreender essa mulher que nasceu em 8 de março de 1911, data em que se comemora, em todo o mundo, o Dia Internacional da Mulher?

A ela, quando mandou de volta o irmão que queria entrar no cançaço é atribuída a frase: "desgraçada por desgraçada aqui, basta eu". O Cangaço, especialmente para as mulheres, era um caminho sem volta?

Foi para buscar mais compreensão sobre a trajetória de Maria Bonita que a Universidade do Estado da Bahia e a Prefeitura de Paulo Afonso uniram suas forças, buscaram parceiros, convidaram estudiosos do tema e promovem o I Seminário Internacional - O Centenário de Maria Bonita.

A grandiosidade do tema levou um grupo de estudiosos de Paulo Afonso, como o Professor/Doutor Juracy Marques, atual diretor da UNEB - Campus VIII, os escritores João de Souza Lima, Luiz Ruben, Antônio Galdino, também diretor do jornal Folha Sertaneja, Roberto Ricardo, presidente do IGH, Glória Lira, atual diretora de Cultura da Prefeitura, Professor Edson Barreto, a trabalhar a idéia de se fazer o Seminário Internacional - O centenário de Maria Bonita, nesses três anos, até 2011.

A idéia, que se arrasta desde 2007, tomou mais impulso pela receptividade que encontrou na atual gestão municipal, na Secretaria de Turismo e seus departamentos de Cultura, Turismo e Eventos.

Organiza-se então o I Seminário, em 2009, no período de 3 a 8 de março, reunindo pesquisadores e estudiosos da região. Haverá debates com escritores regionais, exibição de documentários, exposição de livros, revistas e jornais sobre o tema, além de apresentação de musicais e encenação teatral.

E há interesse de participação, nos próximos seminários, de pesquisadores franceses e alemães e cineastras e grandes empresas de comunicação, tendo em vista a grandiosidade do tema. O evento, organizado pela UNEB - Campus VIII e Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, conta com o apoio da Chesf, Sesc Ler, 1ª Cia de Infantaria, IGH, SEBRAE, SBEC e jornal Folha Sertaneja

Nos anos seguintes o II Seminário, em 2010 e o III Seminário em 2011, terão uma dimensão muito maior, realmente internacional.

Lampião andou por sete estados nordestinos Paulo Afonso - território privilegiado, habitat natural de cangaceiros

A região de Paulo Afonso possui um cenário privilegiado onde se podem encontrar centenas de pessoas que ainda falam, por conhecimento próprio ou por conhecerem de familiares contemporâneos de Lampião e Maria Bonita, sobre os movimentos dos cangaceiros e das volantes por estas terras.

Nos vários povoados do município de Paulo Afonso e ainda em Glória e outras cidades vizinhas, o escritor João de Souza Lima, autor de "Lampião em Paulo Afonso", "A trajetória guerreira de Maria Bonita, a Rainha do Cangaço" e Moreno e Durvinha - Sangue, amor e fuga no cangaço", encontrou-se com dezenas de cangaceiros, coiteiros, seus parentes e descendentes e guarda com carinho muitas horas de entrevistas em áudio e vídeo com depoimentos que ajudam a conhecer um pouco mais da vida dos que faziam parte dos vários bandos de cangaceiros e dos que militavam nas tropas das volantes que andavam no seu encalço.

O escritor possui também farto material pertencente aos cangaceiros e volantes que estarão sendo no acervo do Museu Regional do Sertão que será construído pela Prefeitura Municipal de Paulo Afonso. Pessoas como a cangaceira Aristéia Soares de Lima que nasceu em 23 de junho de 1916 em Capiá da Igrejinha, no município de Canapi, Estado de Alagoas e que, embora nunca tenha conhecido Lampião, percorreu a caatinga alagoana no Bando de Moreno e Durvinha e conta histórias dos tiroteios e das fugas no sertão tem acompanhado João Lima em suas palestras pelo Brasil.

Hoje, beirando os 93 anos, lúcida, alegre, mora no Jardim Cordeiro, ao lado da Ponte D. Pedro II onde recebeu, em 18 de fevereiro de 2009, a reportagem da Folha Sertaneja, levada pelo escritor João de Sousa Lima, e nos concedeu longa entrevista.

Na preparação desta matéria especial, sempre acompanhado do escritor João de Sousa Lima, fomos a Carqueja, município de Floresta. Ali mora o Ten. João Gomes de Lira um dos mais ferrenhos perseguidores do bando de Lampião. Homenageado pelos seus feitos, com diplomas e comendas, o Ten. João Gomes ainda guarda com todo zelo e cuidado a arma e a farda que usou nas muitas léguas percorridas no sertão à busca do cangaceiro e seu bando.

O que viu está registrado em dois volumes do livro Memórias de um Soldado da Volante, publicados em 2007 pela Prefeitura Municipal de Floresta. Chegando aos 96 anos, o Ten. João Gomes Lira também nos recebeu em sua casa e sua memória privilegiada nos contou passagens dessa luta na dureza da caatinga.

Quem foi Maria Bonita?

Benjamim Abrahão
Maria penteia os cabelos de Lampião

Em 8 de março de 2011 faz 100 anos que uma mulher, sertaneja, guerreira, nasceu na Malhada da Caiçara, hoje no Município de Paulo Afonso. Maria Gomes de Oliveira, filha de José Gomes de Oliveira, conhecido como José de Felipe e de dona Maria Joaquina Conceição Oliveira, conhecida como Dona Déa. A criança ficou conhecida como Maria de Déa e como é ainda hoje muito comum nas terras sertanejas, casou muito cedo, com apenas 15 anos, com um primo, José Miguel da Silva, conhecido como Zé de Neném.

O casamento atribulado, de muitas brigas e separações, pode ter favorecido a virada na vida da sertaneja da Malhada da Caiçara. Decidida e com o apoio da mãe, mesmo contra a vontade do pai, aceita o convite e acompanha Lampião em suas peripécias pelo sertão. Deixou de se chamar Maria Gomes ou Maria de Déa.

Passou a ser chamada de Maria de Lampião ou Maria do Capitão e se consagrou na literatura, nas canções da época, nos filmes e documentários, nas teses de mestrado e doutorado pelo mundo como Maria Bonita, a Rainha do Cangaço.

Destemida nas lutas diárias, companheira inseparável de Lampião, sabia impor respeito e a sua presença no bando trouxe mais leveza, mais feminilidade à aridez do sertão e dos homens do grupo. Há relatos que a sua intervenção, o seu instinto maternal ajudou a salvar vidas de homens que estavam na mira do mosquetão ou na ponta do punhal.

Coincidentemente Maria Bonita nasceu no Dia Internacional da Mulher e a amplitude do tema, o que representou a sua presença forte dentro do cangaço, numa época em que a mulher não possuía nenhum direito, a sua coragem de deixar um casamento desestruturado, uma família que regia seus atos debaixo de rigorosos conceitos de honra, continua merecendo estudos, livros, debates, seminários.


O blog está meio problemático, e
para você não ficar sem ler artigos que desapareceram da página principal, aí estão os links. É só clicar. 


http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/vida-de-ze-do-telhado.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/dom-henrique-soares-um-bispo-em-defesa.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/lancado-em-jequie-romance-sobre.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/romance-e-historia-da-cangaceira-anesia.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/o-carro-dos-fernandes-02-de-maio-de.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/por-luiz-carlos-marques-cardoso-o-livro.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/alegria-de-visitar-paulo-afonso.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/fim-do-cangaco.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/lampiao-o-dragao-da-maldade.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/lampiao-o-combate-da-canoa.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/lampiao-o-dragao-da-maldade.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/esse-engenho-de-flores-cronica.html
http://blogdomendesemendes.blogspot.com/2012/01/acidente-com-cruzeiro-costa-concordia.html